De 3 de agosto a 8 de outubro, o Sesc em Palmas, Tocantins, irá apresentar a mostra 32ª Bienal de São Paulo – Itinerâncias. Fruto da parceria institucional entre a Fundação Bienal de São Paulo e o Departamento Nacional do Sesc, a exposição foi especialmente elaborada para a cidade, sob curadoria geral de Jochen Volz, responsável pela última edição da Bienal, em 2016.

 

Cinco artistas e coletivos apresentam obras na exposição: Antonio Malta Campos, Bárbara Wagner, José Bento, Rachel Rose e Vídeo nas Aldeias. A entrada é gratuita.

 

Intitulada INCERTEZA VIVA [Live Uncertainty], a 32a Bienal teve como eixo central a noção de incerteza a fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua e sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. A exposição se propôs a traçar pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas. Com público de 900 mil visitantes entre setembro e dezembro de 2016, foi concebida em torno de 81 artistas e coletivos sob curadoria de Jochen Volz e dos cocuradores Gabi Ngcobo (África do Sul), Júlia Rebouças (Brasil), Lars Bang Larsen (Dinamarca) e Sofía Olascoaga (México).

 

Em 2017, o programa de mostras itinerantes da 32ª Bienal de São Paulo circula com seleções de obras da 32ª Bienal por 11 cidades no Brasil e duas no exterior:  Campinas/SP, Belo Horizonte/MG, São José dos Campos/SP, Cuiabá/MT, São José do Rio Preto/SP, Ribeirão Preto/SP, Garanhuns/PE, Palmas/TO, Santos/SP, Itajaí/SC, Fortaleza/CE, Bogotá/Colômbia e Porto/Portugal.

 

Artistas e obras

 

ANTONIO MALTA CAMPOS

1961, SÃO PAULO, BRASIL. VIVE EM SÃO PAULO, BRASIL

Na trajetória de Antonio Malta Campos, iniciada em meados dos anos 1980, observa­-se uma pesquisa plástica contínua em torno do desenho e da pintura, valendo­-se de um amplo repertório visual que se estende desde os paradigmas artísticos modernistas até as linguagens da cultura de massa. Tanto em seus dípticos de grande dimensão, quanto no conjunto de pequenos exercícios gráficos – denominados “misturinhas” – ficam evidentes o apuro técnico do artista e sua insurgência contra o conforto visual das precisões geométricas e das distinções entre o abstrato e o figurativo. Para a 32ª Bienal, Malta apresenta dois conjuntos de pinturas, um criado entre 2015­2016 e outro, da série Misturinhas, feito entre 2000 e 2016. No primeiro conjunto, o artista faz colidir a tradição harmônica do formalismo pictórico com uma ironia gráfica, promovendo anamorfismos, contrastes cromáticos e alterações de escala. As “misturinhas”, por sua vez, são centrais em sua pesquisa. Nelas, cores opostas em guache e lápis de cor; traços desinibidos do desenho com lápis, caneta ou tinta nanquim; recortes de impressos e adesivos são usados para a feitura dessas pequenas composições resistentes à classificação

 

BÁRBARA WAGNER

1980, BRASÍLIA, BRASIL. VIVE EM RECIFE, PERNAMBUCO, BRASIL

O brega é música, dança, cena cultural e economia criativa na periferia do Recife. Em duas linhagens, funk e romântico, constitui uma cadeia de MCs, DJs, bailarinos, produtores, empresários e público. Seus hits – eróticos, irônicos, lamuriosos e, em alguns casos, ainda machistas – extrapolam os limites socioeconômicos dos bairros e participam da paisagem sonora de uma cidade convulsiva em suas diferenças. A artista Bárbara Wagner, em parceria com Benjamin de Burca, desconstrói esse fenômeno no filme Estás vendo coisas (2016) e o analisa tornando visíveis as singularidades, as errâncias e também algumas relações entre seus agentes. A boate Planeta Show abrigou o experimento de um retrato coletivo e filmado, que, nessa condição, desafia o caráter preciso da fotografia. O resultado não deixa de ser documental, mas é parcialmente ofuscado pela luz artificial de estúdio, camarim, palco e tela, com personagens que encenam a si mesmos.

 

 

 

 

JOSÉ BENTO

1962, SALVADOR, BAHIA, BRASIL. VIVE EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS, BRASIL

Desde a década de 1980, José Bento dedica-se a experimentações escultóricas com madeira em diversas escalas, além da produção de vídeos, instalações e fotografias. A obra inédita Do pó ao pó (2016) é composta de caixinhas de fósforos expostas sobre estruturas de bancas de camelô com pés retráteis. Os conjuntos são esculpidos em madeiras de biomas brasileiros, como braúna, cedro, pau-brasil, o que inclui cada palito de fósforo contido nas caixas. O título, ao evocar a presença do fogo, propõe refletir sobre a relação que há entre o tempo e a matéria que constitui inícios e fins.

 

RACHEL ROSE

1986, NOVA YORK, EUA. VIVE EM NOVA YORK

Em seus vídeos e instalações, Rachel Rose constrói narrativas por meio de processos de edição, utilizando a livre e abundante circulação e associação de vídeos e imagens. A sobreposição de camadas, procedimento comum à pintura, é aplicada aqui a arquivos digitais, criando uma imagem híbrida com forte potencial sinestésico. A Minute Ago [Um minuto atrás] (2014) é uma reflexão sobre a experiência da catástrofe, que mescla um vídeo encontrado no YouTube de uma súbita tempestade de granizo em uma praia com relatos do arquiteto americano Philip Johnson (1906­2005) em sua Casa de Vidro, que, por sua vez,

São  confrontados com a reprodução da pintura O funeral de Phocion (1648), do francês Nicolas Poussin (1594­1665), entre outros elementos.

 

VÍDEO NAS ALDEIAS

CRIADO EM 1986. BASEADO EM OLINDA, PERNAMBUCO, BRASIL

Há três décadas o Vídeo nas Aldeias tem mobilizado debates centrais aos povos indígenas e à produção e difusão audiovisual. O projeto tem como um de seus objetivos a formação de realizadores indígenas, desestabilizando narrativas forjadas com base no olhar externo. Questões éticas e escolhas estéticas são entrelaçadas em seus projetos, que tratam de assuntos como rituais, mitos, manifestações culturais e políticas e experiências de contato e conflito com os brancos. Fundado pelo indigenista Vincent Carelli, Vídeo nas Aldeias capta recursos e circula seus trabalhos, realiza exibições em comunidades indígenas, festivais de cinema, televisão, internet e elabora materiais didáticos. Para a 32ª Bienal, Ana Carvalho, Tita e Vincent Carelli criaram a instalação inédita O Brasil dos índios: um arquivo aberto (2016), que configura um espaço de imersão em imagens, gestos, cantos e línguas de vinte povos distintos, entre eles os Xavante, Guarani Kaiowá, Fulni­ô, Gavião, Krahô, Maxakali, Yanomami e Kayapó. Reunidos por sua força discursiva e imagética, os trechos constituem mais um ponto de resistência coletiva às tentativas de invisibilidade e apagamento de grupos indígenas e provocam uma ampla reflexão sobre alteridade e convenções de perspectivas culturais.

 

PROGRAMAÇÃO PÚBLICA

 

Dia 03 de Agosto

18h no CineSesc Palmas – Conversa com o curador Jochen Volz com artistas locais

19h – Abertura Oficial da exposição

 

EXIBIÇÃO DE FILMES

04 de agosto a 08 de outubro

 

Os filmes selecionados desdobram e complementam a pesquisa e os trabalhos dos artistas

Convidados para esta edição da Bienal.

Os filmes abaixo serão exibidos no CineSesc de segunda a quarta-feira sessões às 09h, 11h, 14h 16h e 19h. E de quinta a sábado sessões às 09h, 11h  e 14h.

 

ALIA FARID

1985, KUWAIT

Alia Farid trabalha num campo híbrido entre arte e arquitetura, estimulando o pensamento crítico frente aos espaços urbanos. Seus projetos e reflexões se manifestam na forma de intervenções, vídeos e instalações. Para a 32ª Bienal, a artista desenvolveu um vídeo nas construções da Feira Internacional Rashid Karami em Trípoli, Líbano (1963). Este complexo arquitetônico foi desenhado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012), assim como alguns prédios do Parque Ibirapuera em São Paulo (1953) construídos para o IV Centenário da cidade.

 

CECÍLIA BENGOLEA E JEREMY DELLER

1979, ARGENTINA E 1966, REINO UNIDO

A coreógrafa, dançarina e performer Cecília Bengolea trabalha pela segunda vez em parceria com o artista Jeremy Deller neste projeto que se utiliza de diferentes linguagens e que partem de fenômenos da cultura popular contemporânea, sobretudo da música e da dança, para pensar de modo crítico suas relações com a economia, condições de trabalho e sistemas políticos. Num complexo emaranhado de influências tradicionais e modernas e alinhados a contextos culturais e políticos específicos, Bengolea e Deller trazem à vista movimentos identitários de resistência e afirmação de gênero, sexualidade e comportamento

 

GABRIEL ABRANTES

1984, EUA

Joking Relationship [A história do humor] (2016), comissionado pela 32 a Bienal, foi rodado no Mato Grosso (Canarana e aldeias Yawalapiti e Kamayura dentro do Parque Indígena do Xingu) e em São Paulo. O filme usa do humor e da irreverência para tratar do deslocamento de povos indígenas e da ameaça ecológica de usinas hidroelétricas, incorporando assuntos de antropologia, tecnologia e política à sua narrativa ficcional. A história conta a jornada de uma indígena comediante que se une a um robô e conquista a fama na indústria cultural de massa brasileira. O filme, de natureza insólita, coloca em questão os hábitos humorísticos de diversos grupos indígenas em contraste com o progresso e a inteligência artificial.

 

LUIZ ROQUE

1979, BRASIL

Enquanto o conservadorismo cresce e acirra preconceitos de raça, classe e gênero, o futuro se fortalece como lugar recorrente na obra de Luiz Roque. Na 32ª Bienal, o artista apresenta Heaven [Céu] (2016), que se passa na segunda metade do século 21, quando a notícia de uma epidemia de origem desconhecida faz os órgãos de saúde  levantarem a hipótese de transmissão de um vírus pela saliva de transexuais. A escolha precoce dos suspeitos repete a retórica preconceituosa e acusatória das campanhas contra a AIDS na década de 1980.

CONVERSA COM ARTISTA

Dias 25 a 29 de setembro das 14h às 17h no Foyer do Teatro

 

BENÉ FONTELES

1953, BRASIL

“Conversas para adiar o fim do mundo” com artista e convidados.

 

Marcada pela esfera ritualística, a criação de Bené Fonteles abarca instalações, esculturas e manifestos em profundo diálogo com questões ambientais, saberes populares e o desejo de fundir o “ser brasileiro” e o “ser universal”. Desde a década de 1970, Fonteles empreende projetos transdisciplinares que extrapolam as fronteiras da arte, autodenominando-se “artivista”.

 

32ª Bienal – Itinerâncias: Sesc em Palmas

3 de agosto a 8 de outubro

Seg. a sex., das 8h às 22h; sáb., das 8h às 18h

Entrada gratuita

Visitas mediadas poderão ser agendadas previamente pelo telefone (63) 3212 9922 ou e-mail: artesplasticas@sescto.com.br. Para as escolas o Sesc disponibilizará um ônibus para o transporte dos alunos.

 

Centro de Atividades

Quadra 502 Norte, Av. LO 16, Lt. 21-A, Plano Diretor Norte, Palmas-TO

T: (63) 3212-9922

Entrada Gratuita

(Com informações da assessoria de comunicação)