A construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade constitui um marco na história da arquitetura tocantinense, sendo, segundo as pesquisas até o momento, o início da arquitetura sacra no estado. Com a chegada da imagem de Nossa Senhora de Natividade em 1735, trazida pelos jesuítas, inicia-se a obra da matriz, e altera-se o nome original do então povoado.

Visamos neste texto conhecer melhor a arquitetura deste importante monumento. O ciclo do ouro deixou sua marca em solo tocantinense, sendo a arquitetura um testemunho importante, preservado, através da qual podemos conhecer melhor este passado. No início do século XVIII bandeirantes paulistas de origem portuguesa chegam a esta região em busca de minérios.

O Arraial São Luiz, que mudou o nome com a chegada da imagem de Nossa Senhora da Natividade, hoje município de Natividade, é o primeiro núcleo urbano criado no estado, fundado por Antônio Ferraz de Araújo no ano de 1734, como desdobramento do garimpo de ouro em seus arredores.

Centralizado no povoamento abre-se um espaço vazio, o largo, frente ao qual constrói-se a igreja matriz. Um edifício com características evidentes da arquitetura colonial luso-brasileira.

Trata-se de um edifício de cor branco, em pequena escala, que embora destaque-se no conjunto devido sua localização e finalidade, estabelece uma relação de harmonia com o entorno devido às semelhanças de linguagem, pois grande parte das edificações são da arquitetura luso-brasileira.

Tratam-se de construções de cor branco, cor típica do litoral mediterrâneo, isentas de decorativistas, aberturas com fechamento em folhas de madeira, telhados de duas águas em telha de barro tipo capa-canal, beirados tipo eira-e-beira, e técnicas construtivas vernaculares, inicialmente taipa-de-pilão e posteriormente, pedra, ou alvenaria de tijolos.

A Igreja Matriz contém alguns destes atributos, e agrega outros devido sua função. A elevação principal voltada para o largo apresenta uma composição tripartida verticalmente, ladeada por duas torres sineiras, que delimitam o plano da entrada principal centralizada, dividida em duas passagens menores, reunidas por uma moldura em arco pleno apoiado em pilastras de ordem toscana.

Esta moldura, provavelmente, foi colocada a posteriori.Sobre o arco surgem três aberturas verticais, seteiras, por onde entra iluminação natural. Raios de luz que chegam do céu. A parcela central da fachada define a largura da nave única interior.

Os volumes laterais, atrás das torres, constituem compartimentos secundários, os quais somam à função de uso, a de reforço estrutural das paredes da nave devido sua altura e o empuxo do telhado. Na lateral direita observa-se contrafortes de sustentação do corpo principal do edifício.

 Internamente, encontra-se um espaço retangular dividido em três ambientes, o átrio coberto por um mezanino de madeira, local destinado ao coro, a nave propriamente dita, e o altar, também em madeira. A nave não apresenta forro, ficando a vista a estrutura do telhado e as telhas.

O altar é separado da nave por uma parede com vão centralizado em arco pleno ladeado, também, por pilastras de capitel toscano. Com decoração barroca em dourado e reproduzindo o arco pleno, o altar, consiste no elemento de maior destaque e detalhamento.

Entretanto, mesmo com a presença de um elemento de maior refinamento, o conjunto se mantém marcado pela singeleza e despojamento, reforçando as características da arquitetura luso-portuguesa naquele tempo e lugar.

Considerando a arquitetura da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade podemos destacar a introdução desde os primeiros tempos de elementos culturais portugueses na região.

A arquitetura como um marco estabelece a presença de uma nova cultural no então território indígena, com ela traz uma nova linguagem, novos elementos e técnicas construtivas, que persistem e se desenvolvem até os dias de hoje.

(Arquiteta Mara Kramer – Master em História da Arquitetura pela Universidade Politécnica da Catalunha – UPC)