A bolsa de valores brasileira, a B3, operou  em forte queda na segunda-feira (22), após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado na noite de sexta-feira a indicação de um novo presidente-executivo para a Petrobras e com agentes financeiros enxergando aumento relevante de risco de ingerência governamental nas demais estatais.

Às 17h25, o Ibovespa caiu  4,24%, a 113.403 pontos. Na mínima do dia, o índice foi a 111.650 pontos. Veja mais cotações.

A principal pressão no índice vem do tombo nos papeis da Petrobras. As ações ordinárias (PETR3) derretiam 19,41%, a R$ 21,84, e as preferenciais (PETR4) tinham baixa de 19,83%, a R$ 21,91. A empresa tem peso de 10,27% no Ibovespa.

Dólar teve  forte alta e foi  negociado acima de R$ 5,50

Na bolsa de Nova York, a Nyse, o tombo era semelhante. As ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras recuavam 20,25%.

Segundo levantamento da Economatica, com o tombo nas cotações, a Petrobras perdeu em poucas horas nesta segunda-feira mais de R$ 72 bilhões em valor de mercado. Na sexta-feira, a petroleira já tinha encolhido R$ 28 bilhões.

Os temores se estendem à intervenção do governo federal na política de preços do setor de energia e na gestão de estatais. Além da petroleira, o Banco do Brasil e Eletrobras acumulavam perdas expressivas.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,64%, a 118.420 pontos, acumulando baixa de 0,84% na semana. Na parcial do mês até sexta, o índice acumulou avanço de 2,92%. No ano, a queda estava em 0,49%.

Cenário

Na noite de sexta-feira, Bolsonaro anunciou a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, gerando muitas críticas. Para que a troca na presidência da Petrobras seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que tem reunião prevista para esta terça-feira (23).

No sábado, Bolsonaro disse que precisa “trocar as peças que porventura não estejam funcionando”. E que, “na semana que vem, teremos mais”, sem dar mais detalhes. Bolsonaro também disse no sábado que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, se a imprensa está preocupada com a troca, “na semana que vem teremos mais”.

Analistas citam sensação de ‘déjà vu’ e cortam recomendação para ações da estatal

A decisão e Bolsonaro de trocar o comando da Petrobras repercutiu negativamente entre investidores, com vários analistas cortando a recomendação dos papéis, bem como reduzindo preços-alvo. A XP Investimentos, por exemplo, cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de “neutro” para “venda” no domingo, em relatório sob o título “Não há mais como defender”.

“As declarações recentes do presidente acendem um enorme sinal amarelo – senão vermelho ao cenário político local”, afirmou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, em comunicado a clientes.

Na cena doméstica, os investidores continuam de olho também nas discussões em torno de mais gastos com auxílio emergencial para a população vulnerável, em meio às preocupações com a saúde das contas públicas e rompimento do teto de gastos – considerado a âncora fiscal do país neste momento.

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda mostrou que os analistas do mercado elevaram a estimativa de inflação em 2021 para 3,82%, acima da meta central, que é de 3,75%. A expectativa para a taxa Selic no fim de 2020 subiu de 3,75% para 4% ao ano. Já a projeção para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 foi reduzida de 3,43% para 3,29%.