A agência de viagens Milhas Top Palmas teve um total de 23 reclamações registradas entre agosto e setembro de 2019, além de ter descumprido um acordo para resolver o problema dos clientes, segundo o Procon Tocantins. A empresa está sendo investigada pela Polícia Civil por supostamente aplicar golpes na venda de passagens aéreas. Os donos da empresa foram presos pela Polícia Cimanhã desta quinta-feira (3) em cumprimento a mandados de prisão por suspeita de estelionato no Mato Grosso.

Em setembro, dezenas de turistas do Tocantins que estavam de viagem marcada para vários destinos no Brasil e no exterior tomaram um susto ao descobrir que não poderiam embarcar. Eles compraram pacotes com a agência, mas as passagens não foram emitidas e muitos afirmam ter ficado sem resposta e com prejuízos.

O Procon Tocantins chegou a mediar um acordo entre a agência e os consumidores naquela ocasião, mas informou nesta quinta-feira (3) que “a empresa descumpriu o acordo para solucionar o problema em conformidade com a demanda de cada cliente. Além de não mais atender as ligações do órgão”.

Na época que as primeiras reclamações surgiram em Palmas, a empresa negou que tivesse deixado de emitir passagens e afirmou que os passageiros tinham solicitaram o reembolso antecipadamente ou cancelaram as viagens por motivos pessoais.

Disse ainda que atendeu a todos os pedidos dos clientes e que preza pela total transparência no que tange às suas atividades, disponibilizando todos os comprovantes, a quem possa interessar, dos pagamentos que foram realizados junto à operadora que forneceu e emitiu todas as passagens do referido grupo.

Investigação

Na quinta-feira (3), o casal Ivan Wellinton Iensen da Silva, de 30 anos, e Dagma Dantas Alves Iensen, de 40 anos, foi preso em cumprimento a mandados de prisão preventiva da Justiça do Mato Grosso. Eles são donos da Milhas Top Palmas e estão sendo investigados em Cuiabá (MT) por estelionato.

Segundo o delegado Cassiano Oyama, os supostos golpes investigados naquele estado são semelhantes aos que estão sendo apurados pela Polícia Civil do Tocantins.

“Eles abriram uma empresa em Palmas, tiveram atuação no Mato Grosso e recentemente voltaram para Palmas. A investigação aponta que eles têm uma empresa que trabalha com milhagem, compra passagem por milhas. Eles anunciavam passagens com valores bem aquém do mercado, mandavam localizadores das empresas aéreas, mas esses localizadores não eram confirmados quando as pessoas iam viajar ou marcar assento.”

Em entrevista à TV Anhanguera, Dagma Dantas afirmou que não cometeu crime. “Eu não cometi nenhum crime. Eles estão sendo investigados”, disse. O G1 aguarda posicionamento da defesa dos empresários.

O delegado Cassiano Oyama informou que 12 pessoas procuraram a Polícia Civil em Palmas para denunciar que foram enganadas.

“Percebiam que tinham caído em um golpe e quando procuravam a empresa Milhas Top recebiam várias desculpas como over book, falavam que a empresa de aviação tinha rompido com eles […] A investigação em Palmas está no começo porque a gente espera resposta das empresas aéreas para confirmar que eles geravam localizadores e não pagavam essas passagens”, disse.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Ivan Wellinton seria levado para Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP) e a mulher para a Unidade Prisional Feminina da Capital. As informações são do G1 Tocantins.