Ao menos 27 migrantes morreram nesta quarta-feira (24) no naufrágio de um barco na costa norte da França, ponto de saída das travessias rumo às costas do Reino Unido, uma tragédia que abalou as autoridades de Paris e Londres.

“A França não deixará que a Mancha se torne um cemitério”, declarou nesta quarta-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, que anunciou a morte de pelo menos 31 pessoas, um número em seguida rebaixado para 27 mortos pelo ministro do Interior, Gérald Darmanin.

O primeiro-ministro da França, Jean Castex, lamentou no Twitter essa “tragédia”. “Meus pensamentos estão com os muitos desaparecidos e feridos, vítimas de… criminosos que se aproveitam de sua angústia e miséria”, acrescentou. 

O balanço dessa tragédia supera por si só o número total de mortes no canal da Mancha desde 2018, quando começou a aumentar o número de migrantes que tentam alcançar a costa britânica a bordo de pequenas embarcações devido à maior vigilância nos portos e no túnel que liga França e Inglaterra.

Antes desse naufrágio, o balanço deste ano era de três mortos e quatro desaparecidos. Em 2020, seis pessoas perderam a vida e outras três desapareceram. Em 2019, foram registrados quatro mortos.

As tarefas de busca, que continuam durante a tarde, começaram depois que um pescador alertou “por volta de 14h” a “descoberta de cerca de 15 corpos flutuando na costa de Calais”, segundo o Ministério do Interior.

De acordo com a prefeitura marítima local, três helicópteros e três navios participavam dos trabalhos de busca. O Ministério Público de Dunquerque anunciou à AFP a abertura de investigação.

Reunião de crise em Londres

Darmanin, que deve visitar o local, expressou no Twitter sua “forte comoção” diante dessa “tragédia” e destacou a “natureza criminosa” de quem “organiza essas travessias”.

O prefeito marítimo da Mancha e do mar do Norte, Philippe Dutrieux, declarou na sexta-feira à AFP que essas travessias de migrantes a bordo de pequenas embarcações dobraram nos últimos três meses.

Até 20 de novembro, 31.500 migrantes saíram da costa francesa desde janeiro e 7.800 foram resgatados, afirmou Dutrieux. Ele ressaltou o fato de que a tendência não diminuiu, apesar da queda da temperatura.

O Reino Unido, que acusou meses atrás a França de não fazer o suficiente para deter a chegada de migrantes à sua costa, vai garantir que 22 mil consigam cruzar o canal da Mancha nos dez primeiros meses do ano.

Apesar da tensão entre os dois países por essa razão, Londres e Paris se comprometeram a “reforçar” a cooperação, após a chegada, em 11 de novembro, de 1.185 migrantes ao litoral inglês, um recorde.

Após a nova tragédia, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, convocou uma reunião de crise com vários de seus ministros “sobre a situação no canal da Mancha nesta tarde”, anunciou o porta-voz do premiê.