Os proprietários e as seguradoras do navio Ever Given, que bloqueou o Canal de Suez em março, chegaram a um acordo formal sobre a indenização a ser paga após a embarcação bloquear uma importante via de comércio internacional e gerar prejuízos de milhões de dólares.

A Autoridade do Canal de Suez (SCA, na sigla em inglês) não revelou os detalhes da negociação, mas disse que haverá uma cerimônia na próxima quarta-feira para celebrar a assinatura do documento.

Desde 29 de março, quando desencalhou, o navio está estacionado no Grande Lago Amargo, no Egito, à espera de um acordo na Justiça. Mais de 20 tripulantes vivem como “reféns” e aguardam uma resolução para serem liberados do cargueiro.

Segundo a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF), que os visitou, todos estavam “de bom humor”, mesmo sem previsão de quando sair do navio.

Sem indenização, tripulantes continuariam confinados

Em abril, a SCA chegou a dizer que exigiria quase US$ 1 bilhão para compensar os danos, pagar a operação de salvamento e reparar a “perda de reputação”. Sem isso, não liberaria a tripulação. Depois, em junho, baixou o valor para US$ 550 milhões.

Agora, com a iminente assinatura do acordo, a SCA afirma que a embarcação voltará a circular normalmente em 7 de julho.

“Os preparativos serão feitos, e um evento será realizado na sede da Autoridade em Ismailia no devido tempo”, disse, em comunicado, Faz Peermohamed, da Stann Marine (representante das seguradoras e da proprietária do navio).

Bloqueio no Canal de Suez

O Ever Given encalhou e bloqueou o Canal de Suez por seis dias em março. O impacto foi sentido no mundo inteiro: outros navios não conseguiam passar, o comércio internacional ficou comprometido, e até o preço do barril do petróleo sofreu mudanças.

Com 400 metros de comprimento e 220 mil toneladas, a embarcação operada pela empresa Evergreen parou de circular em meio a ventos fortes e tempestades de areia. Não se sabe ainda, porém, as causas do incidente.