As autoridades do Líbano anunciaram um novo confinamento no país. Em razão da aceleração no ritmo das contaminações pela Covid-19 e da saturação dos hospitais, um lockdown será instaurado pelo menos até o final do mês.

Em uma tentativa de relançar a economia do país, que atravessa uma das piores crises de sua história, o governo libanês havia decretado a reabertura do comércio, inclusive dos bares e discotecas. Menos de um mês depois, as autoridades tiveram que voltar atrás.

Após uma reunião com a comissão ministerial encarregada de lutar contra a crise sanitária, o ministro interino Hamad Hassan confirmou que o lockdown será retomado na manhã dessa quinta-feira (6). Um toque de recolher também entrará em vigor entre 18h e 5h e o aeroporto de Beirute, que continuará aberto, terá sua atividade reduzida.

Os profissionais da saúde vinham alertando para os riscos de agravamento da situação desde que o confinamento foi suspenso, em dezembro.

Mas nos últimos dias o surgimento de novos casos de contaminação acelerou, passando de 1 mil para 3.500 por semana. O número de pacientes necessitando de hospitalização também não para de crescer.

Superlotação dos hospitais

O balanço pode parecer baixo comparado com outros países. Mais em uma nação que já sofria com a crise econômica e política, e que ainda não se recuperou das explosões no porto de Beirute no ano passado, o risco de superlotação dos hospitais preocupa.

“Não há mais leitos disponíveis em algumas unidades de tratamento intensivo (UTI)”, avisou o primeiro-ministro interino, Hassan Diab, que fala da necessidade de “medidas excepcionais”.

As autoridades temem uma implosão do sistema de saúde. “Recentemente, o aumento no número de casos de Covid ultrapassou o número de leitos em UTI”, confirmou em declaração nas redes sociais Firass Abiad, que dirige o hospital público Rafic Hariri, principal estabelecimento na luta contra o vírus.

O Líbano registrou, desde o início da pandemia, mais de 192 mil casos e cerca de 1.500 mortos. O primeiro carregamento de vacinas deve chegar no território libanês apenas em fevereiro.