A ministra da Saúde da Argentina, Carla Vizzotti, disse) que o país enfrenta o “pior momento da pandemia”. Ela defendeu priorizar a saúde da população enquanto a prefeitura de Buenos Aires tenta impedir o fechamento de escolas (leia mais adiante na reportagem).

“A Argentina está vivendo o pior momento da pandemia desde 3 de março do ano passado. É o momento de maior risco”, disse Vizzotti em entrevista coletiva.

A Argentina já registrou, desde o início da pandemia, mais de 2,7 milhões de casos confirmados de Covid-19. Nesta quarta, o país atingiu a triste marca das 60 mil mortes por complicações da doença – 316 nas últimas 24 horas, segundo o boletim oficial do estado.

A ocupação dos leitos de UTI por pacientes com Covid-19 na região metropolitana de Buenos Aires – onde vive quase um terço de toda a população do país de cerca de 45 milhões de habitantes – já chega aos 75%.

“Precisamos priorizar a saúde sobre a política e avaliar, hierarquizar o risco coletivo”, disse a ministra. “O sistema de saúde está em risco de transbordar”.

A fala de Vizzotti foi feita em relação a uma ofensiva encabeçada pelo prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, que é contrário ao fechamento temporário das escolas – ele levou o caso para a Justiça.

Contra o fechamento de escolas

Rodríguez, que pertence ao partido de centro-direita Propuesta Republicana – opositor à coalizão de esquerda Frente de Todos, que governa o país – é contrário ao fechamento das escolas.

O prefeito de Buenos Aires ordenou a reabertura das instituições de ensino com base em uma decisão judicial – desafiando um decreto da Presidência do país.

O governo de Alberto Fernández ordenou a aplicação de aulas remotas por um período de 15 dias para diminuir a circulação de pessoas na capital argentina.

Novas medidas de restrição na Argentina

Larreta acredita que “as escolas não contagiam” e justificou sua oposição no fato de “a cidade ter autonomia” para tomar decisões, em um caso que deve ser resolvido pelo Supremo Tribunal.

“Não se trata do risco individual de assistir às aulas, mas do risco coletivo de uma aglomeração urbana com transmissão comunitária intensa do vírus e velocidade acelerada”, explicou a ministra.