Um projeto de lei foi protocolado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) para permitir que professores da rede estadual tenham porte funcional de arma de fogo, motivando na sua autodefesa diante dos casos de violência e ameaças que ocorrem dentro das escolas. Em que pese ainda não ser uma lei em vigor, chama atenção a visão de alguns sobre a educação no país.

Imaginem a professora do seu filho dando aula com uma arma na cintura. Imaginem como ficariam os alunos em sala de aula. E esta mesma professora, será que ficaria de costas e tranquila quando estivesse colocando a matéria no quadro? Existem muitas escolas em áreas de risco onde a polícia para entrar tem que ir em grupo, será que os bandidos da região conflagrada deixarão um professor entrar na comunidade armado para dar aulas?

Apesar da iniciativa de lei ter um aparente vício de constitucionalidade, vez que competiria à União legislar sobre porte de arma de fogo, e não o Estado, o que nos preocupa é como se encara o contexto da violência, proteção e educação, denotando a ausência de lucidez e tecnicismo no assunto, parecendo que sacudiram o baú e pegaram a última a solução do saco.

Quem assiste um filme na televisão pode pensar que portar arma de fogo é fácil, mas não é. Um policial passa por treinamentos práticos e avaliações psicológicas para sair com sua arma na rua, e mesmo assim, por vezes, diante de uma situação fática de crime, comete erros. Imaginem agora como iria reagir a sua professora num caso concreto de violência contra si ou terceiros com uma arma na cintura? Vale frisar que esse projeto de lei também abarca os médicos em hospitais públicos estaduais.

Somente a educação é capaz de transformar e melhorar o mundo em que vivemos. Se professores sofrem ameaças e violência em sala de aula, isso se tornou um caso de segurança pública, e existem instrumentos legais de proteção e punição. Se não estão funcionando é outra história. Aí sim está o problema a ser corrigido, e não dar uma arma para cada professor. E o projeto atinge os profissionais da rede estadual, será que não tem violência em sala de aula contra o professor na rede privada?

O esforço parlamentar poderia estar concentrado na melhoria das instalações escolares, da qualidade do ensino, do salário dos professores e até na implementação de um sistema eletrônico de vigilância, mas nunca isso. A pandemia aumentou o abismo educacional entre as redes pública e privada. A educação, os professores e alunos merecem cuidados, e não será portando uma arma de fogo que tudo se resolverá.