Um pequeno mercado kosher foi o alvo específico dos dois assassinos mortos pela polícia durante um tiroteio na terça-feira (10) em Jersey City, nos Estados Unidos. Imagens de vídeo e relatos de testemunhas apontam que o casal entrou direto na loja, com as armas prontas para atirar, ignorando pessoas que estavam ao redor.

 

Segundo a polícia, David N. Anderson, de 47 anos, aparentemente tinha ligações com um movimento conhecido como Black Hebrew Israelites (Israelitas negros hebreus) – considerado um grupo de ódio (leia mais abaixo) – embora sua conexão não esteja exatamente clara. Ele cometeu o crime acompanhado por Francine Graham, de 50 anos.

 

 

Os dois foram mortos durante a troca de tiros com a polícia.

 

Dentro da loja, eles mataram três pessoas: Mindel Ferencz, de 33 anos, dona do mercado juntamente com seu marido (que estava na sinagoga na hora do tiroteio), Miguel Douglas, de 49 anos, funcionário do local, e Moshe Deutch, de 24 anos, um estudante rabínico que era cliente.

 

Outro cliente chegou a ser ferido, além de dois policiais, mas todos estão se recuperando e não correm risco de vida.

 

Antes de chegarem ao mercado, os dois acusados já haviam atirado no policial Joe Seals, que morreu.

 

 

Eles também eram suspeitos de um assassinato cometido no final de semana, e por isso tinham sido abordados por Seals, que reconheceu o veículo em que eles estavam como o mesmo procurado por provavelmente ter sido usado nesse crime.

 

Segundo o prefeito de Jersey City, Steven Funlop, após balearem o policial, o casal dirigiu lenta e diretamente até o mercado, onde entrou e atacou as vítimas.

 

Dentro do veículo usado pelo casal, a polícia encontrou mais tarde artefatos que serviriam para a construção de uma bomba caseira, prontos para serem usados.

 

De acordo com o jornal “New York Times”, investigadores também encontraram uma nota no estilo manifesto, descrito como “breve e vago”, que não sugeria um motivo claro para o tiroteio.

 

Israelitas negros hebreus

Segundo a organização Southern Poverty Law Center, que monitora esse tipo de movimento, os Black Hebrew Israelites, descritos como um grupo de ódio, não têm conexão com o judaísmo.

 

Suas crenças variam de acordo com os grupos associados ao movimento, mas, em geral, seus seguidores acreditam que as 12 tribos de Israel definidas no Velho Testamento são de grupos étnicos diferentes, e não incluem pessoas brancas.

 

A diretora do Projeto de Inteligência do Southern Poverty Law Center, Heidi Beirich, disse ao “NY Times” que, embora sejam adeptos do antissemitismo e “considerem judeus impostores”, eles não são conhecidos por cometerem atos de violência em massa.