Um ano após chacina em Maricá, polícia ainda não identificou mandante do crime

A chacina de cinco jovens dentro de um condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, completa um ano nesta segunda-feira. De lá para cá, a Polícia Civil identificou e prendeu o autor dos disparos: João Paulo Firmino, um morador que integrava a milícia que explora a região. No entanto, a investigação concluiu que Firmino não agiu sozinho: ele só apertou o gatilho após receber a autorização de alguém, por telefone. Até hoje, entretanto, a polícia não sabe quem é o mandante dos crimes.

Desde junho do ano passado, João Paulo é réu na Vara Criminal de Maricá pelos cinco homicídios. Dois meses antes, ele foi preso por agentes da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG). O homem foi identificado graças aos depoimentos de duas testemunhas, que reconheceram João Paulo como o homem que mandou os jovens deitassem no chão da área de lazer do condomínio e atirou em suas cabeças e peitos.

O atirador entrou no condomínio num carro preto por volta das 5h48, e saiu depois das execuções, às 6h03. Segundo um dos depoimentos, antes de atirar, João Paulo teria feito uma ligação e informado ao interlocutor que “os dois estavam ali e havia mais três”. Antes de desligar, ele perguntou o que devia fazer. Então, fez os disparos

Vítimas foram obrigadas a deitar no chão e, depois, foram executadas Vítimas foram obrigadas a deitar no chão e, depois, foram executadas

— A investigação segue em andamento para identificarmos o interlocutor e desvendarmos a motivação — afirma Bárbara Lomba, delegada responsável pelo inquérito.

A principal linha de investigação aponta para um recado da milícia local, que tentava entrar no condomínio à época do crime, aos moradores. Uma das testemunhas relatou ter ouvido do atirador a seguinte frase após o crime: “Entra todo mundo, por aqui é a milícia, vou acabar com a bagunça do condomínio”. A polícia também investiga a participação de dois vigilantes que faziam a segurança do condomínio à época. De acordo com o inquérito, ambos colaboravam com a milícia e não compareceram ao serviço no dia do crime. Testemunhas afirmaram que alguns dos jovens consumiam drogas, mas não eram traficantes.

Velas no local onde cinco jovens foram assassinados em Maricá Velas no local onde cinco jovens foram assassinados em Maricá Foto: Marcelo Régua

Foram mortos Sávio Oliveira, de 20 anos, Marco Jhonatan Silva Oliveira, de 17, Patrick da Silva Diniz, de 19, Matheus Bittencourt, de 18, e Matheus Baraúna, de 16. Sávio, Matheus e Marco faziam parte da Roda de Rima, projeto da prefeitura que estimulava o ensino de música e dança para crianças. As aulas aconteciam numa quadra, ao lado da churrasqueira do condomínio Carlos Marighella, onde eles foram executados. Na madrugada em que foram mortos, os jovens tinham acabado de voltar do show do rapper Projota.

No dia em que foi preso, João Paulo admitiu que era agiota — emprestava dinheiro, cobrando juros de 10% —, mas negou integrar uma milícia. Com ele, foi apreendida uma pistola sem registro. Segundo os depoimentos das testemunhas que identificaram o atirador, João Paulo chegou a trabalhar como frentista no posto de gasolina em frente ao condomínio antes de entrar para a milícia. Depois, passou a andar com “carrões e motos esportivas”.


Por que brigar com Maia é mau negócio para o governo Bolsonaro?

Respeitado por parlamentares de todos os matizes, Rodrigo Maia (DEM-RJ) cumpre o terceiro mandato como presidente da Câmara dos Deputados. Aos 48 anos, mostrou capacidade de articulação quando conseguiu o apoio de 21 siglas pela reeleição para o comando da Mesa Diretora, em fevereiro deste ano. Em meio a um governo ainda desorganizado, pressionado para reverter a recessão e aprovar reformas, sobretudo a da Previdência, Maia prova que é peça fundamental no jogo político no Congresso. O rompimento dele com o governo incendeia a relação de parlamentares aliados contra Bolsonaro e abala a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em defesa de Maia, o Centrão tem atacado o governo, ensaiado um boicote à análise de decretos e medidas provisórias editadas por Bolsonaro e cobrado uma postura diferente do presidente da República. Congressistas enaltecem a capacidade do presidente da Câmara de articulação e de bom negociador, que atribuem ao convívio com o pai, Cesar Maia, os ensinamentos da política. Um parlamentar aliado de Maia afirma que é completamente “compreensível” a maneira como o colega reagiu às declarações de Bolsonaro e do filho, o vereador Carlos Bolsonaro. Ele enalteceu ainda a maneira como o presidente da Casa estava trabalhando para viabilizar a reforma e fortalecer a base do governo.

“Ninguém entendeu ainda o que esse governo quer a essa altura do campeonato. Pelo visto, quer governar na nova política, e não na boa política de Maia”, pontuou. Para um correligionário do presidente da Casa, sem a reforma, o Brasil perde a chance de tentar crescer e sair da recessão. Ele ressalta a capacidade de articulação de Maia e critica a “utopia” de Bolsonaro, de querer aliados sem o diálogo. “É uma narrativa que ninguém sabe o que é na prática. O que é essa história de nova política? A gente sabe o que é a boa política”, defendeu.

“O mundo caiu”

Para o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, “o mundo caiu” após o rompimento de Maia com o governo, porque todo o processo “deu uma degringolada” e terá de recomeçar os trabalhos dentro do Congresso, uma vez que Maia era o centro desta relação. Ele, contudo, tentou mostrar otimismo. Afirmou que tem certeza de que a relação do governo com o Congresso voltará à normalidade, pois, “a reforma não é uma pauta deste governo, mas do país”.

De acordo com o consultor de relações governamentais da BMJ Consultores Associados, Gabriel Borges, Maia é fundamento para a tramitação da reforma porque é ele quem conduz o calendário de votação da Câmara. Por mais que seja um entusiasta declarado da reforma, ele pode atrapalhar o processo de análise e barrar, inclusive, outras pautas de interesse do governo. “O Maia foi criado dentro do Congresso. Ele nunca vai fazer uma ação política sem um bom propósito. A articulação que ele está fazendo agora é para ser respeitado pelo cargo que ocupa. Quem sabe se fortalecer até 2020”, analisa o especialista, que não descarta um lançamento à corrida presidencial.


Delator diz à PF que empresário detido era próximo a Eunício Oliveira

Em depoimento à Polícia Federal, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o executivo ligado à Engevix José Antunes Sobrinho declarou que o empresário Rodrigo Neves, preso na operação que também capturou o ex-presidente Michel Temer (MDB), se apresentava como pessoa próxima ao ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE). Relatório da PF anexado à investigação da Operação Descontaminação, deflagrada na Quinta-feira (21/3) contra propinas nas obras da usina de Angra 3, apontou que Rodrigo Neves foi sócio do ex-senador em duas empresas.

A desembargadora Simone Schreiber, plantonista do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acolheu neste Sábado (23) o habeas corpus impetrado pela defesa de Rodrigo Castro Alves Neves e mandou soltar o empresário.

A Lava-Jato afirma que Rodrigo Neves foi responsável por intermediar o pagamento de vantagem indevida exigida pelo coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, a José Antunes Sobrinho

De acordo com a investigação, foram transferidos R$ 1 milhão da empresa Alumi para a empresa PDA Arquitetura e Engenharia, controlada pelo coronel amigo de Temer.

Durante o contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3, afirmam os procuradores, o coronel Lima pediu a Antunes Sobrinho o pagamento de propina, supostamente em benefício de Temer.

O Ministério Público Federal aponta que a propina foi paga no final de 2014 com transferências totalizando R$ 1,091 milhão da empresa Alumi Publicidades para PDA .

O depoimento de José Antunes Sobrinho foi prestado em junho de 2018 ao delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes.

O delator declarou que conheceu Neves em 2013 e acreditava que ele era sócio da Alumi.

Segundo o empresário, Rodrigo Neves teria se aproximado dele demonstrando interesse em parceria comercial com a Inframérica, consórcio vencedor e responsável pela concessão e reforma do Aeroporto Internacional de Brasília da qual ele era presidente na época.

"O depoente nunca se encontrou com nenhum outro representante ou sócio da empresa Alumi; que Rodrigo Neves se apresentava também como pessoa próxima do senador Eunício Oliveira, sendo que Rodrigo Neves dizia que estava disposto a colaborar com os negócios do Aeroporto de Brasília, sendo ele quem levou a melhor proposta para exploração da mídia externa do aeroporto de Brasília, no caso em questão, da empresa Alumi", declarou José Antunes Sobrinho.

A PF apontou no relatório que, em 2014, a Alumi, por intermédio de Rodrigo Neves, conseguiu contratar com a Inframérica um contrato privado no valor de R$ 24 milhões para explorar serviço de publicidade e mídia externa do Aeroporto Internacional de Brasília por um período de 6 anos. José Antunes Sobrinho relatou que por conta desse contrato teria solicitado que Rodrigo Neves quitasse um compromisso de aproximadamente R$ 1 milhão com o coronel Lima.

"Esclareceu sobre a situação para Rodrigo Neves, tendo falado para ele que se tratava de quitação de um compromisso assumido pelo depoente para auxiliar o MDB e o vice-presidente Michel Temer; o qual estava sendo cobrado reiteradamente por João Batista Lima Filho", contou o delator.

No relatório, a PF anotou que chamou atenção o fato de Rodrigo Neves ter sido sócio juntamente com o senador Eunicio Lopes de Oliveira em pelo menos 2 empresas. Na avaliação dos investigadores, isto corroboraria o depoimento de Sobrinho no que tange à influência política de Ricardo Neves.

"Outro fato que chamou atenção é a respeito da pessoa de Ricardo Neves, o mesmo seria o responsável por intermediar o contrato de R$ 24 milhões entre a Alumi e a Infraamérica para explorar serviço de publicidade e mídia externa do Aeroporto Internacional de Brasília por um período de 6 anos. Ricardo Neves já foi sócio do atual senador da República, Eunício de Oliveira, em pelo menos duas empresas, podendo corroborar com o depoimento de Sobrinho no que tange à influência política de Ricardo Neves", apontou a PF.


Cesar Cielo não acusou o ex-presidente Lula de o ter ameaçado

Voltou a circular pelas redes sociais uma suposta mensagem atribuída ao nadador Cesar Cielo acusando o ex-presidente Lula de o ter ameaçado depois do Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando ele ganhou medalha de ouro.

Quando me tornei campeão olímpico e me neguei a ir à cerimônia no Palácio do Planalto pedir a bênção e fazer propaganda do presidente da República como fizeram os outros atletas, tive problema com o presidente Lula. Fui ameaçado pelo presidente Lula, dele suspender o patrocínio que eu recebia dos Correios. Ele vivia telefonando para os meus pais e não os deixava trabalhar sossegados. Fiquei muito nervoso e devido a tudo isso treinei mal durante uns tempos.

A mensagem é antiga e deturpa uma crítica feita pelo nadador à CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) após os Jogos Olímpicos de Pequim. O UOL não encontrou qualquer denúncia pública feita por Cielo contra Lula.

Em setembro de 2008, o nadador deu uma entrevista em que dizia não associar sua conquista na Olimpíada à CBDA, "porque a Confederação pouco teve a ver com ela".

A entrevista, em que ele dizia que "eles vão ter que me aguentar", foi amplamente noticiada pela imprensa brasileira na época, entre eles o jornal "O Estado de S.Paulo", citado na mensagem como fonte da acusação de Cielo contra Lula. O nome do ex-presidente, no entanto, não é mencionado.

Já a reportagem publicada pelo UOL explica a história do nadador não ter ido a um evento com o ex-presidente. Segundo o próprio Cielo, ele não foi à Brasília porque treinava nos Estados Unidos. Não há menção a "pedir a bênção" ou qualquer acusação contra Lula.

"Na época o Coaracy [Nunes, então presidente da CBDA] ficou ligando para os meus pais e queria que eu largasse tudo para ir ao evento", reclamou o nadador.

Mensagem usa datas erradas

Além disso, a corrente ainda confunde as datas. O texto que pertenceria a Cielo diz que ele se recusou a ir ao Palácio do Planalto após sagrar-se campeão olímpico quando, na verdade, o evento aconteceu no momento de renovação do patrocínio dos Correios, antes dos Jogos. O nadador não foi, aliás, porque estava treinando para esta competição.

Dada a repercussão das declarações, Cielo se retratou no dia seguinte, após uma reunião com Coaracy. "Vi que em vários pontos eu estava errado", afirmou o nadador. Mais uma vez, não há menções a Lula.

Durante a apuração, a reportagem encontrou a mesma mensagem sendo reproduzida desde 2010, em diferentes momentos e contextos.

O UOL procurou o nadador por meio de assessoria, mas não teve as perguntas respondidas até o fechamento da matéria.

À reportagem, a assessoria do ex-presidente Lula afirmou que a ameaça não procede. "É preciso investigar os grupos que espalham mentiras na internet, que pautam sua atuação política pela disseminação de fake news", declarou a equipe.


Bancos entram na moda de cashback e devolvem parte do dinheiro a clientes

O Banco Pan anunciou seu cartão com cashback em parceria com o Méliuz, portal de vantagens especializado no programa. Sem anuidade, o cartão tem bandeira Mastercard e dará o retorno de 0,8% em todas as compras. Além disso, haverá a restituição acumulada com os estabelecimentos cadastrados na startup.

"O Méliuz tem atualmente cerca de 1.600 locais cadastrados, cada um com sua taxa de retorno. O usuário do cartão terá 0,8% mais o cashback estabelecido pelo estabelecimento, e pode chegar a 15%", disse Luiz Francisco Monteiro, CEO do Banco Pan.

O Itaú é outro banco com programa do tipo. Em parceria com a Ipiranga, o banco lançou um cartão que promete retorno de 3,5% em compras nas unidades da marca e 1% nas outras compras.

Em postos Ipiranga, o dono do cartão tem 5% de desconto na hora de abastecer o carro, mediante uso do aplicativo da marca. Além disso, os clientes deste cartão não têm retorno se usarem concorrentes do Ipiranga. Um reforça o outro.

O Original, banco de plataforma digital, já oferece o serviço desde o ano passado. Suas opções de cashback mudam de acordo com o cartão de crédito utilizado e podem ir de 0,15% na opção mais simples a 1,5%, na opção premium.

Conheça os principais serviços de cashback de bancos:

Itaú

  • Produto: Cartão Itaucard Ipiranga Platinum
  • Anuidade: R$ 360
  • Benefícios: 1% de devolução em todas as compras fora da rede Ipiranga (exceto concorrentes); 3,5% em unidades da empresa, sejam postos ou lojas de conveniência; desconto de 5% no abastecimento do carro

Original

  • Produto: Quatro opções de cartões (crédito e débito)
  • Débito: Devolução de 0,15%
  • Crédito: Cartão internacional (opção mais simples): devolução de 0,15%, com gastos até R$ 999,99, e de 0,3%, com gastos a partir de R$ 2.000; cartão Black (opção premium): devolução de 0,95%, com gastos até R$ 3.999,99, e de 1,5% com gastos a partir de R$ 12 mil
  • Anuidade: Não informada

Pan

  • Benefícios: Devolução de 0,8% em todas as compras; cashbackacumulado em compras nos mais de 1.600 estabelecimentos cadastrados na Méliuz. Nesse caso, a porcentagem de devolução varia de acordo com a loja; valor pode ser sacado da conta no banco após acúmulo de R$ 20
  • Anuidade: Grátis

Outros serviços

Bancos e fintechs também têm oferecido serviços semelhantes ao cashback, que dão isenção de taxas e certos pagamentos, mas não devolvem dinheiro diretamente:

Nubank

  • Benefícios: A cada 80 pontos adquiridos, é descontado R$ 1 em passagens aéreas; cem pontos pagam despesas de parceiros como Airbnb, Evino, iFood, Liv Up, Netflix e Uber

Santander

  • Produto: Pi, uma plataforma aberta de investimentos
  • Benefícios: Devolve parte da remuneração paga a intermediários do mercado, com pontos conversíveis em reais, que poderão ser resgatados ou reinvestidos. Cada ponto equivale a R$ 0,01

Preste atenção se vale a pena

Como saber se essa opção de cartão de crédito com cashback vale a pena para você? "É preciso pesar o custo-benefício", disse Cesar Caselani, professor de Finanças da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas de São Paulo).

"Quanto é a anuidade do cartão? Ele tem um valor mínimo de faturamento? Vou ter de me endividar para alcançar esse patamar? É preciso responder a diversas perguntas para ver se o modelo combina com o seu perfil", afirmou o professor. "Não basta levar em consideração o cashback oferecido."

Acompanhe sempre o desenvolvimento do contrato porque pode deixar de ser vantajoso.

"Quando os bancos têm um produto, querem atrair o cliente e fazem uma oferta, mas não significa necessariamente que vão mantê-la. O cliente que não acompanha a situação acaba perdendo", disse o especialista.


De itens para copa a Davos: os gastos secretos do cartão presidencial

Cartões corporativos do governo federal vinculados à Secretaria de Administração Presidência da República fizeram pagamentos sigilosos de compras para o presidente Jair Bolsonaro (PSL) com valores que vão de R$ 3,90 a R$ 79 mil cada, conforme os extratos mensais de janeiro e fevereiro de 2019. Na gestão de Michel Temer (MDB), no mesmo período do ano anterior, o valor máximo foi de R$ 109 mil. Por regra, as compras secretas devem ser pagas exclusivamente com o cartão.

Procurada pela reportagem, a Presidência revelou que a compra de menor valor foi de um item para a copa do Palácio da Alvorada. A outra despesa, de R$ 79 mil, refere-se ao pagamento de apoio de solo à aeronave que transportou a comitiva presidencial a Davos (Suíça) durante o Fórum Econômico Mundial. Na quantia, há inclusão de taxas aeroportuárias e degelo do avião, pagos em francos suíços.

A condição de sigilo garante que o governo federal oculte de quem é o gasto, o destino do pagamento, o tipo e a data exata da transação – que também pode ser um saque. Junto ao montante pago, consta o mês de extrato, o nome do órgão superior e as respectivas unidades onde estão lotados os usuários dos cartões.

Quando a informação é pública, também não há detalhamento do que foi pago com o valor, mas é possível chegar até o portador do cartão, o favorecido e a data do pagamento por meio do Portal da Transparência.

Entre as transações registradas nos extratos de janeiro e fevereiro deste ano, os gastos sigilosos ligados à Presidência da República são justamente os mais altos. No período, houve 12 transações acima de R$ 17,6 mil. A soma das despesas ultrapassa R$ 1,4 milhão. Desse total, R$ 1,1 milhão foi pago por cartões da Secretaria de Administração. O restante está na fatura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Gabinete de Segurança Institucional.

A Controladoria-Geral da União (CGU) acompanha o uso dos cartões corporativos federais “comuns”, mas tem restrições relacionadas a outros órgãos. Os da Presidência da República e dos ministérios da Defesa (MD) e das Relações Exteriores (MRE) são assistidos por uma unidade própria de controle interno, garantida por lei.

Secreto por quê?

No caso da Presidência da República, o motivo do sigilo consta na Lei de Acesso à Informação (Lei Federal nº 12.527/2011). “Informações que puderem colocar em risco a segurança do presidente e vice-presidente e suas famílias serão classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, quando houver reeleição”, diz o texto.

No entanto, há dúvidas sobre a classificação. Para o secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, o sigilo dos gastos presidenciais são comuns em todo o mundo, e o debate em curso está associado ao que deve ou não ser considerado secreto.

“Presidente da República não tem salário, tem poupança. Você não vai encontrar a primeira-dama ou o seu marido no supermercado fazendo compras. Tudo o que for comprado para o Palácio é com dinheiro público, do papel higiênico a comidas e até roupas, eventualmente”, afirma Castello Branco. Muitos desses gastos, ao meu ver, poderiam ser abertos por não serem ligados necessariamente à segurança. Mas você não sabe o que está sendo comprado”, pondera.

Aumento de despesa presidencial

O gasto com os cartões usados pela Secretaria da Presidência aumentou 16% em comparação à média de gastos dos últimos quatro anos, já considerando a inflação, conforme adiantado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Consequentemente, as despesas secretas do órgão subiram na mesma proporção. De forma global, porém, quando são contabilizados os cartões de todos os ministérios, o gasto diminuiu 28%.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, falou sobre o tema em uma transmissão ao vivo realizada ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o militar, o aumento se justifica porque entraram na conta os gastos com a transição do governo e a posse presidencial, que contou com a vinda de autoridades estrangeiras. Essa movimentação teria demandado mais despesas.

Regras de uso

A modalidade Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF) pode ser usada para compras e serviços simples, bem como para liquidar obras e serviços de engenharia.

O teto da concessão estabelecido no primeiro caso, de acordo com o Decreto nº 9.412/2018, é de R$ 17.600. Para o segundo, o valor máximo fica em R$ R$ 33.000. Os limites podem ser ultrapassados, caso haja orientação de autoridade a nível ministerial.

Peculiaridades

Segundo a Presidência da República, entre os cartões corporativos, existem aqueles dedicados exclusivamente a peculiaridades do órgão, que são regulamentados considerando esse aspecto. É o caso de gastos com viagens presidenciais, por exemplo.

As despesas pagas com esses cartões são identificadas pela instituição financeira, automaticamente, como sigilosas. Durante a prestação de contas, quando os dados são consolidados, os gastos são avaliados e reclassificados, podendo perder o sigilo. Na prática, conforme apuração da reportagem, a maioria continua secreta.


Vereador é assassinado a tiros dentro do carro no Rio de Janeiro

O vereador Wendel Andrei de Lima Coelho (PT do B), do município de Japeri, na Baixada Fluminense, foi assassinado a tiros na madrugada do domingo (24/3). Segundo informações da Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes encontraram o vereador morto dentro do carro em que viajava, no bairro de Engenheiro Pedreira, em Japeri.

Policiais militares do 24º Batalhão da PM, de Queimados, estavam em patrulhamento quando notaram o automóvel parado na via, no fim da madrugada do  domingo. Acionada para registrar a ocorrência, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte do vereador.

Os agentes conduziram a perícia no local do assassinato. Policiais procuram agora por testemunhas e imagens que possam ajudar a esclarecer o crime.

A Câmara Municipal de Japeri é formada por onze vereadores. Wendel foi eleito com 729 votos. Em julho do ano passado, o prefeito eleito de Japeri, Carlos Moraes Costa (PP), e vereadores da cidade foram alvo de uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de

Janeiro e pela Polícia Civil, sob a acusação de associação ao tráfico de drogas.

A operação Senones cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra o prefeito, o então presidente da Câmara de Vereadores, Wesley George de Oliveira, e o vereador Claudio José da Silva. Os três foram denunciados pelo MPRJ à Justiça por associação para o tráfico de drogas.

À época, o MPRJ obteve junto ao Judiciário a suspensão do exercício da função pública do prefeito e dos dois vereadores. A denúncia relatava que eles integravam o núcleo político da organização criminosa que dominava o tráfico de drogas no Complexo do Guandu, em Japeri. Os acusados estariam usando seus mandatos para agir em favor dos interesses criminosos de traficantes de drogas da região.

Carlos Moraes Costa estava em seu terceiro mandato como prefeito quando foi preso. O município de Japeri tem atualmente como prefeito em exercício Cezar Melo.

De acordo com o Fórum Grita Baixada, houve 2.142 casos de letalidade violenta na Baixada Fluminense em 2018, o equivalente a 56 mortos a cada 100 mil habitantes, sendo 71,2% causadas por homicídio. O maior índice foi o de Japeri (102,92).


Oposição à causa LGBTI não piorou, diz secretária trans da gestão Bolsonaro

Marina Reidel nada contra a corrente no governo do qual faz parte. Em meio a um crescente discurso conservador, a professora e mulher transsexual defende o diálogo enquanto diretora de promoção de direitos LGBTI do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. E, diz, esta conversa tem sido bem-sucedida.

"As pessoas têm opiniões diferentes e muitas vezes não é fácil mudar uma sociedade como a nossa, mas estamos fazendo uma construção sobre as diferentes concepções e interpretações que temos no governo", comenta ao UOL.

Reidel considera que a resistência à pauta LGBTI hoje não é diferente em comparação a quando chegou ao ministério, após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Desde então, porém, algumas coisas mudaram, como a autorização da troca de nome em documento de pessoas transgênero, mesmo sem cirurgia. Anos antes, Reidel teve que passar por uma maratona burocrática que se arrastou por meses para conseguir alterar sua certidão de nascimento.

Foi um desafio muito bom, porque você percebe também como as pessoas te veem de trás de um balcão."

A mudança foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no mesmo ano em que ela chegou ao ministério. Foi também o STF responsável por abrir o caminho para a regulamentação do casamento gay e é o órgão que, agora, vota pela criminalização da homofobia.

A votação foi suspensa no dia 22 de fevereiro, sem data para ser retomada, e enfrenta resistência de juristas que veem na decisão uma interferência indevida do Judiciário no Legislativo.

Reidel entende a preocupação, mas enxerga na medida uma forma de pressionar o Congresso a dar visibilidade às questões de gênero.

Ela  comentou sobre a votação e as prioridades de sua gestão, como o combate à violência contra a população LGBTI e a empregabilidade de pessoas trans. "A sociedade que ainda mata, que criminaliza, não vai dar emprego", diz.

"Sociedade é machista, homofóbica, transfóbica"

Reidel diz ter feito uma "transição tranquila" com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

Segundo a professora, a ministra Damares Alves, escolhida para coordenar a pasta dos Direitos Humanos, manteve intacta a diretoria de promoção aos direitos LGBTI e sustenta um diálogo constante com seus representantes. O Conselho Nacional contra a Discriminação, o qual Reidel preside, já teve sua primeira reunião ordinária neste ano.

"Temos vivido tranquilamente este processo. Quanto às outras falas, você vê que é reprodução muito do que a sociedade ainda vê", diz, sobre manifestações de membros do governo menos afeitos à causa.

A sociedade brasileira ainda é machista, homofóbica, transfóbica, misógina. Esse discurso é muitas vezes uma reprodução do que a sociedade ainda tem."

Sobre o vídeo escatológico compartilhado durante o Carnaval pelo presidente, interpretado como parte de um embate de costumes, Reidel diz não ter nada a dizer.

"Eu acompanhei um pouco essa discussão, pela mídia, pelas redes sociais, eu não tenho o que te dizer, na verdade. Foi a fala do presidente. Acho que todas as manifestações devem ser lidas. No sentido de quando é de fato um manifesto público sobre uma questão política, tem que ser respeitada por todos os lados. Mas tem que ver realmente o sentido desse ato."

"A cultura ainda é uma cultura de violência"

 "Eu entendo que o STF, como algumas pessoas alegam, não é o órgão para julgar, para criar a criminalização, mas é um órgão aliado para provocar o Legislativo para que realmente a gente consiga ter uma lei que criminalize [a homofobia]", diz Reidel sobre a polêmica.

Ela lembra que, recentemente, diversos atos do STF foram favoráveis à população LGBTI, como no caso da união homoafetiva, aprovada em 2011, e a retificação de nome de pessoas trans em documentos, em 2016.

"Eu acho que na verdade eles estão fazendo o que seria necessário ser feito. E que muitas vezes o Legislativo não favorece. Se abre essa precedência, de certa forma nos ajuda para que o legislativo reconheça e olhe com outros olhos a questão LGBT", completa a professora.

Para ela, a mudança da lei, mais do que ter efeitos práticos imediatos, tiraria a violência contra LGBTs da invisibilidade.

A gente vê que a cultura ainda é uma cultura de violência. E por mais que você tenha leis que criminalizam, assim como a gente vê a Lei Maria da Penha, e outras leis sobre violência, muitas vezes na prática elas ficam perdidas ou esquecidas. Eu acho que é uma retomada para pensar a garantia de direitos nesse sentido.

"Na educação, tudo tem um limite"

Jair Bolsonaro se elegeu presidente do Brasil com um discurso de combate ao que se formalizou chamar em sua campanha de "ideologia de gênero".

Para Marina Reidel, o conceito é uma distorção. "Dentro dos nossos grupos, grupos identitários, não tratamos ideologia de gênero, a gente trata de identidade de gênero. Isso é uma diferença. A ideologia de gênero veio numa época em que se discutia muito essa questão a partir da perspectiva religiosa."

Ela ressalta, no entanto, o cuidado necessário para se levar debates de gênero para o ambiente escolar.

Acho que a gente tem vários pontos aqui. Um é você realmente trabalhar com essa questão identitária dentro dos grupos e reconhecer esses personagens. Mas também cuidar quando a gente observa que na educação tudo tem um limite. Você tem que ver até onde insere no processo da família, no processo da escola como um todo.

"Eu fui professora durante muitos anos, trabalhei tanto com educação infantil, quanto com adolescentes, e sempre parti da questão do respeito ao sujeito. Essas construções são muito individuais e é nessa condição que a gente tem que trabalhar. Acho que todo esse trabalho tem que ser bem elaborado com a comunidade escolar. Não adianta trazer as coisas soltas para dentro da escola, tem que ser um diálogo com a comunidade como um todo."

Empregabilidade e violência contra população gay

Como diretora de promoção de direitos LGBTI do ministério, sua prioridade tem sido o combate à violência contra a população gay e a empregabilidade de travestis e transexuais, considerado, por ela, o maior desafio.

Logo que assumiu, a coordenadoria criou o Pacto contra à Violência, proposta para articular ações de combate a agressões, que teve até agora a adesão de 18 estados. Também lançou, no ano passado, a campanha "Deixe seu preconceito de lado, respeite as diferenças", que divulgou nas redes sociais o Disque 100, serviço 24 horas por dia que funciona como um "pronto-socorro" dos direitos humanos.

Neste momento, organiza a 4ª Conferência Nacional LGBT, prevista para novembro de 2019. O evento tem como objetivo avaliar a efetividade de políticas públicas para essa população.

"Além de acompanhar de perto as questões do Legislativo, do Judiciário, e fazer essas interlocuções com órgãos dos próprios ministérios para ver o que conseguimos fazer de forma integral. Não consigo ver a política compartimentada, mas compartilhada, no sentido de que todos possam pensar objetivos comuns."

Mudança de nome e gênero em cartório para transexuais

No ano passado, a Corregedoria Nacional de Justiça regulamentou a mudança de nome e gênero em cartório para transexuais. Na prática, isso significa que pessoas trans podem alterar seus nomes em documentos, como a certidão de nascimento, sem precisar provar a mudança de sexo ou apresentar uma ordem judicial.

Mas Reidel iniciou o processo de alterar seus documentos anos antes da decisão, o que significou para ela um percurso muito mais longo e desgastante do exigido hoje.

"Nunca é normal. Você passa pela maratona de trocar todos os documentos um a um, em cada órgão diferente, em cada lugar. Foi cansativo, porque eu não tenho tempo também para fazer só isso, preciso fazer outras coisas da vida. Só em 2015 que eu consegui fazer minha nova carteira de trabalho. Para ver como tudo é um processo burocrático e demorado."

Para a professora, a mudança significou o reconhecimento da identidade em que se vê há anos. "Independente das questões biológicas, temos processos que a gente vivencia de forma diferente. Cada um na sua construção tem sua própria vivência, sua própria experiência."

"A gente vive essa condição. Eu tenho uma família de cinco irmãos, só eu tenho uma condição diferente dos meus irmãos que são héteros e se reconhecem dentro da cisnormatividade [identificação com o sexo de nascimento]. Eu sou hétero, mas me reconheço dentro da perspectiva da trans. Acho que [a mudança do nome] é isso, é o reconhecimento dessa identidade, do direito a essa identidade, que eu vivo há muito tempo."

PERFIL

Nome: Marina Reidel

Idade: 48 anos

Formação: Psicopedagoga

Cargo: Diretora de Promoção de Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (DAS 101.5)


Trump assinará hoje  decreto que reconhece soberania sobre Golã, diz Israel

O presidente americano Donald Trump assinará um decreto reconhecendo a soberania israelense sobre as Colinas de Golã durante uma reunião na segunda-feira (25) com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Washington, anunciou o governo de Israel.

"O presidente Trump assinará hoje , na presença do primeiro-ministro Netanyahu, um decreto reconhecendo a soberania israelense sobre as Colinas de Golã", escreveu no Twitter o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, em referência ao território sírio conquistado por Israel na guerra dos Seis Dias de 1967.

Donald Trump anunciou na quinta-feira (21), em um tuite, que chegou o momento "para os Estados Unidos de reconhecerem plenamente a soberania de Israel sobre Golã, que tem uma importância estratégica para o Estado de Israel e a estabilidade regional", rompendo assim com o consenso internacional e a posição de décadas da diplomacia americana no Oriente Médio.

O primeiro-ministro israelense agradeceu a decisão e escreveu no Twitter que "no momento em que o Irã busca usar a Síria como uma plataforma para destruir Israel, o presidente Trump reconhece com coragem a soberania israelense sobre as Colinas de Golã. Obrigado, presidente Trump!".

Encontro entre líderes

Com a eleição de Israel marcada para daqui a apenas duas semanas, Netanyahu vai poder exibir seus laços estreitos com Trump, em visita aos Estados Unidos dias nesta segunda-feira.

A reunião do primeiro-ministro com Trump na Casa Branca pode ser ofuscada nos Estados Unidos pela liberação de detalhes de um relatório confidencial sobre a investigação de um possível conluio entre o presidente e a Rússia, durante a campanha eleitoral nos EUA em 2016.

Mas Netanyahu, que enfrenta uma possível acusação em três casos de corrupção e nega qualquer irregularidade, vai explorar para o seu público doméstico o encontro destacando o que ele chama de o mais forte vínculo entre um líder israelense e um presidente norte-americano, na história.

Antes de retornar na quinta-feira da longa viagem planejada, para a etapa final da corrida eleitoral, Netanyahu pode esperar uma calorosa recepção de Trump, junto com a primeira-dama, que também vai organizar um jantar para Netanyahu e sua esposa, Sara.

Trump ajudou a preparar o espetáculo para o seu aliado na quinta-feira, anunciando que havia chegado a hora de reconhecer a soberania israelense sobre as Colinas de Golã, território estratégico que Israel tomou da Síria na guerra do Oriente Médio de 1967 e anexou em 1981, em um movimento que não ganhou apoio internacional.

Colinas de Golã

Israel conquistou grande parte das Colinas de Golã, 1.200 quilômetros quadrados, durante a Guerra dos Seis Dias em 1967 e a anexou em 1981, mas a comunidade internacional nunca reconheceu a anexação.

Trump já rompeu com o consenso internacional ao reconhecer unilateralmente em dezembro de 2017 Jerusalém como capital de Israel.

O movimento do presidente sobre Golã foi amplamente visto em Israel, onde Trump é uma figura popular, como uma tentativa de fornecer um impulso eleitoral para Netanyahu, que pressionou por ainda outra mudança da política de longa data dos EUA em uma das regiões mais voláteis do mundo.

Trump já havia cumprido dois itens principais da lista de desejos de Netanyahu, reconhecendo a contestada Jerusalém como capital de Israel em 2017 e movendo a embaixada norte-americana de Tel Aviv para a Cidade Santa em maio passado.

Essas medidas enfureceram os palestinos, que querem Jerusalém Oriental, também capturada por Israel em 1967, como a capital de um Estado na Cisjordânia ocupada e Gaza. Também os coloca firmemente contra um plano de paz que Washington promete apresentar após a eleição israelense.

"Nunca tivemos uma ligação como essa entre o primeiro-ministro de Israel e um presidente americano", disse Netanyahu, que usou a imagem de Trump em seus cartazes de campanha.

Para Trump, o abraço de Netanyahu ressoa com os evangélicos dos EUA, um núcleo eleitoral importante para o líder republicano, que vai buscar a reeleição em 2020.


Queniano é eleito melhor professor do mundo e ganha um milhão de dólares

Um professor queniano ganhou um prêmio de um milhão de dólares no  domingo, 24, por seu trabalho ensinando em uma escola administrada pelo governo que tem apenas um computador e acesso à internet de má qualidade. De uma aldeia remota, Peter Tabichi deu a maior parte de seus ganhos para os pobres.

O anual Global Teacher Prize foi concedido a Peter Tabichi no opulento Atlantis Hotel, em Dubai, em uma cerimônia apresentada pelo ator Hugh Jackman. O prêmio é distribuído pela Fundação Varkey, cujo fundador, Sunny Varkey, criou a empresa GEMS Education, com fins lucrativos, que administra 55 escolas no Emirados Árabes Unidos, Egito e Catar.

Ele ensina ciência para estudantes do ensino médio na aldeia semiárida de Pwani onde quase um terço das crianças são órfãs ou têm apenas um dos pais. Seca e fome são comuns. Tabichi disse que a escola não tem biblioteca nem laboratório e que planeja usar o dinheiro do prêmio para melhorar a instituição e alimentar os pobres.

Tabichi disse que o mais distante que ele viajou antes disso foi para Uganda. A ida para Dubai também marcou sua primeira vez em um avião.

"Eu me sinto ótimo. Não posso acreditar. Eu me sinto muito feliz por estar entre os melhores, sendo o melhor do mundo", disse ele à Associated Press após sua vitória.

Apesar dos obstáculos que os alunos de Tabichi enfrentam, ele é creditado por ajudar muitos a permanecer na escola, qualificar para competições internacionais em ciência e engenharia e ir para a faculdade.

"Sempre que eu reflito sobre os desafios que eles enfrentam, eu derramo lágrimas", disse ele sobre seus alunos, acrescentando que sua vitória vai ajudar a dar-lhes confiança.

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse em um comunicado que a história de Tabichi "é a história da África e esperança para as gerações futuras".

Como membro da irmandade católica romana, Tabichi usou uma túnica marrom até o chão para receber o prêmio apresentado pelo príncipe herdeiro de Dubai Sheikh Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum.

Em seu discurso, Tabichi disse que sua mãe morreu quando ele tinha apenas 11 anos de idade, deixando seu pai, um professor de escola primária, com o trabalho de criar ele e seus irmãos sozinhos.

Tabichi agradeceu a seu pai por ensinar valores cristãos e então apontou para ele na plateia, convidou-o para subir ao palco e entregou o prêmio. O local se encheu de aplausos da plateia.

"Esta noite foi incrivelmente emocionante, muito comovente", disse Hugh Jackman à AP depois de apresentar a cerimônia e tocar números musicais de seu filme The Greatest Showman.

"Foi uma grande honra, uma emoção estar aqui e a noite foi cheia de um espírito realmente puro", acrescentou.

Agora em seu quinto ano, o prêmio é o maior desse tipo. Rapidamente tornou-se um dos mais cobiçados e prestigiados pelos professores. Tabichi foi selecionado entre dez mil candidatos.

O vencedor é selecionado por comitês compostos por professores, jornalistas, funcionários, empresários, líderes empresariais e cientistas.

No ano passado, um professor de arte britânico foi premiado por seu trabalho em um dos lugares mais etnicamente diversos no país. Seu trabalho foi apontado pelos alunos por ser responsável por se sentirem bem-vindos e seguros em um bairro com altas taxas de homicídios.

Outros vencedores incluem um professor canadense por seu trabalho com alunos indígenas em uma aldeia isolada do Ártico, onde as taxas de suicídio são altas, e uma professora palestina por seu trabalho em ajudar crianças refugiadas na Cisjordânia traumatizadas por violência.

O primeiro vencedor em 2015 foi um professor do Maine que fundou uma organização sem fins lucrativos para desenvolver e disseminar novos métodos de ensino.