O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou vitória nas primárias de seu partido, o Likud após divulgação de pesquisa de boca de urna. A votação pela liderança da sigla governista foi exigida por Gideon Saar, que desejava assumir o comando da agremiação.

“Uma imensa vitória! Obrigado aos membros do Likud por sua confiança, seu apoio e seu afeto”, escreveu Netanyahu no Twitter após o fim da votação.

Quase 116 mil integrantes do Likud participaram do processo, encerrado às 23h local (18h de Brasília). A taxa de participação foi de 49%, segundo o partido, e Netanyahu obteve 72% dos votos. Os resultados serão divulgados na manhã de sexta-feira.

Confirmando o resultado da pesquisa de boca de urna, Netanyahu terá a missão de liderar o Likud durante as eleições israelenses marcadas para 2 de março — o terceiro pleito em menos de um ano.

Desafio a Netanyahu

Ao chegar à seção onde votou, perto de Tel Aviv, Gideon Saar considerou que a votação representava um “dia fatídico” para o Likud e para Israel.

“Podemos ganhar hoje e percorrer um novo caminho que nos permita formar um governo forte e estável”, acrescentou.

Saar tinha poucas chances de vencer as primárias, que se apresentam como uma espécie de referendo da popularidade de Netanyahu. O premiê foi indiciado por corrupção em três casos e encontra dificuldades para formar governo, o que irritou alguns correligionários do Likud.

“Precisamos de uma mudança para que o Likud permaneça no poder”, declarou à AFP Yaron, de 68 anos, um morador de Jerusalém que votou em Gideon Saar. “Infelizmente, a instituição judicial acabou com Bibi”.

Para Nathan Moati, morador de Jerusalém de 26 anos, os partidários de Netanyahu não são afetados pelo problemas judiciais.

“Apenas Bibi pode vencer as legislativas. Todos os partidários do Likud devem votar em Netanyahu”, defendeu.

Apesar do resultado previsível, um resultado apertado seria um duro golpe para o primeiro-ministro, líder do Likud desde 1993 — com exceção de um intervalo de seis anos quando o partido foi comandado pelo falecido Ariel Sharon — e o chefe de Governo com mais tempo de poder na história de Israel.

Impasse em Israel

Após as eleições antecipadas de abril, e depois da segunda votação em setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz conseguiram o apoio de 61 deputados, número que representa a maioria parlamentar para formar o governo.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, confiou a missão ao próprio Parlamento, que tampouco teve êxito. Por isso, o país passará por novas eleições em março. Veja mais no vídeo abaixo.

Parlamento de Israel foi dissolvido e população volta às urnas em março de 2020

Depois que Netanyahu, de 70 anos, foi indiciado em novembro por corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos, que ele denuncia como “acusações falsas” com motivação política, seus rivais no Likud exigiram eleições internas com Saar à frente.

Saar, nome importante do partido, foi ministro em diversas ocasiões, antes de ser afastado por Netanyahu em 2014.

Gideon Saar é considerado ainda mais à direita do que Netanyahu, especialmente na questão palestina. Apresenta-se, contudo, como um unificador além de seu próprio campo, com base em suas relações com os líderes de outros partidos.

Também se apoia, sem declarar abertamente, no fato de que não é acusado pela Justiça — uma vez que o partido Azul e Branco de Gantz se recusou a dividir o poder com Netanyahu diante das acusações contra o premiê.

Pesquisas recentes mostraram que um Likud liderado por Saar conquistaria menos cadeiras no Parlamento em 2 de março do que um partido comandado por Netanyahu. Com Saar, no entanto, eleitores do Likud poderiam votar em outros partidos de direita.

Neste caso, a direita israelense, contando todos os partidos, poderia sair reforçada das urnas e superar potencialmente a barreira da maioria parlamentar necessária para formar um governo.