O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi direto ao presidente Jair Bolsonaro numa audiência enquanto o mercado financeiro fervia com notícias sobre “fritura” dele dentro do governo.

“Então, ‘tamo junto’ ou não? perguntou o ministro.

“Nós ‘tamos’ casados, PG”, respondeu Bolsonaro.

Guedes chegou ao Palácio do Planalto acompanhado dos principais assessores. Ele diz que isso acontece sempre às segundas-feiras. Mas, num dia de boataria como esta segunda-feira, o séquito do ministro teve forte simbologia.

A partir daí, começou a conversa entre os dois sobre a destinação de recursos do orçamento deste ano para a execução de obras no âmbito do Ministério da Infraestrutura, sob o comando do ministro Tarcísio Gomes e do Ministério do Desenvolvimento Regional, com Rogério Marinho — este, o que mais tem insistido em destinar recursos para obras, o que foi entendido como o “fura-teto”.

Para não haver o “fura-teto”, está certo que pelo menos R$ 5 bilhões serão remanejados no orçamento deste ano a fim de garantir dinheiro para obras.

Inicialmente, os defensores de obras públicas defenderam que o programa Pró-Brasil tivesse previsão de receber R$ 150 bilhões em três anos. Sem recursos, o volume de recursos foi sendo reduzido e chegou à marca de R$ 5 bilhões — com o aval do presidente.

O  presidente postou nas redes sociais que ele e Guedes chegaram juntos ao governo vão sair juntos — uma declaração pública de apoio ao ministro da Fazenda.

Jair Bolsonaro comprou a ideia de que é preciso retomar obras e passou a também pressionar o ministro Paulo Guedes.

Ele tem gostado muito de viajar pelos Estados como fez  quando foi a Sergipe inaugurar a usina termoelétrica Porto de Sergipe. E não pretende mudar a programação.

Guedes tem dito que reconhece o desejo do presidente. “Ele recebeu quase 60 milhões de votos e quer dar uma resposta ao seu eleitor, isso é legítimo”, disse Paulo Guedes que, no entanto, resiste à ideia de ampliar os gastos neste ano.

“Para bagunçar as contas públicas basta três ou quatro meses. Mas para consertar, são necessários três ou quatro anos”, ele explicou a Bolsonaro.

Paralelamente ao pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 aos brasileiros mais pobres, Bolsonaro acredita que obras e viagens aos Estados têm ajudado a melhorar sua aprovação, sobretudo no Nordeste.

Na região, os índices de rejeição a seu governo caíram dez pontos porcentuais, segundo pesquisa Datafolha; no Brasil inteiro, a aprovação subiu cinco pontos porcentuais.