O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que não aumentará a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina para dar competitividade ao etanol e favorecer os produtores do setor sucroalcooleiro.

A Cide é um tributo federal usado para estabilizar preço da gasolina – se o preço do petróleo sobe, o governo pode reduzir a Cide a fim de evitar alta de preços para o consumidor; se cai, pode aumentar a Cide e arrecadar mais impostos sem que haja aumento do preço da gasolina para o consumidor. Atualmente, a Cide cobrada por litro de gasolina é de R$ 0,10. Não há cobrança de Cide sobre etanol e do diesel.

A ministra Tereza Cristina (Agricultura) já defendeu publicamente o aumento como forma de aumentar a competitividade do setor sucroalcooleiro, que produz etanol e perdeu competitividade em relação à gasolina devido à baixa demanda e à queda no preço do petróleo.

“Minha política é de não aumentar imposto”, disse o presidente no fim da tarde, ao retornar para a residência oficial do Palácio da Alvorada.

Para Bolsonaro, não é justo elevar o tributo a fim de “salvar” o setor de álcool no momento em que outros setores também perdem empregos.

“Não acho justo agora aumentar a Cide para salvar o setor sucroalcooleiro. No momento em que estamos perdendo empregos, o pessoal com salários reduzidos por acordos, o governo federal, para salvar o ‘teu lado’, aumenta o imposto?”, questionou.

Segundo o presidente, além de Tereza Cristina, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, também era favorável ao aumento da alíquota do imposto.

“Do outro lado tem o Paulo Guedes, que acha que não devemos aumentar impostos. Hoje, ele falou inclusive na reunião de empresários – não falou da Cide, mas falou que o mais certo, em vez de socorrer o Estado, seria diminuir impostos. Todo mundo seria beneficiado”, declarou Bolsonaro.