O ministro-chefe da CGU (Controladoria Geral da União) Wagner Rosário afirmou que o presidente Jair Bolsonaro gastou R$ 2,4 milhões durante viagem às praias de São Paulo e Santa Catarina porque estava trabalhando. Rosário explicou os gastos em uma audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

Bolsonaro viajou de 19 de dezembro a 4 de janeiro para os 2 Estados. De acordo com Rosário, o presidente estava em horário de trabalho, porque “presidente da República não tem direito a férias“. E completou: “Deixo claro que durante os períodos de viagem, o presidente da República despachou diariamente com todos os seus ministros e assessores. Só nesse período, assinou 1 decreto, 7 medidas provisórias e sancionou 6 projetos de lei“.

O ministro afirmou também que o alto custo da viagem é justificado por causa da pandemia de covid-19. De acordo com ele, os cuidados extras de distanciamento social fizeram com que custos como os de hospedagem fossem mais altos que o comum.

Os deputados questionaram porque os custos com medidas de distanciamento foram tão altos se o presidente não teve esses cuidados. Durante sua visita ao Guarujá (SP), por exemplo, Bolsonaro tirou fotos e cumprimentou pessoas que estavam aglomeradas em uma grade. A grande maioria não usava máscara. Rosário afirmou que se não houvessem essas medidas, o presidente seria criticado.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) questionou se os gastos se justificavam por Bolsonaro estar trabalhando. “Viagem ao Guarujá durante o Ano Novo não é pra despachar, me desculpe senhor ministro, mas é férias“, disse Kataguiri.

Para o ministro da CGU, a praia é apenas “um local fora do local costumeiro onde ele realiza suas atividades“. Rosário também disse que quem não estivesse satisfeito que tentasse aprovar uma lei no Congresso “proibindo” o presidente de sair do Palácio do Planalto.

Os gastos de Bolsonaro foram divulgados em 1º de abril, depois do deputado federal Elias Vaz (PSB) pedir as informações à Secretaria-Geral da Presidência da República e ao Gabinete de Segurança Institucional. Nos documentos enviados ao deputado é possível ver que só com o cartão corporativo, Bolsonaro gastou R$ 1,2 milhão.

De acordo com Rosário, não há nenhuma irregularidade nas viagens do presidente. Se houvesse, afirmou ele, o órgão de controle interno responsável pela Presidência da República tomaria providências, assim como o TCU (Tribunal de Contas da União).

SEM COMPROMISSOS OFICIAIS

Apesar de Rosário ter defendido que Bolsonaro trabalhava nos dias em que esteve nos litorais de São Paulo e Santa Catarina, a agenda oficial do presidente mostrava que não havia compromissos oficiais agendados, de 19 de dezembro a 4 de janeiro.