Três dias após dizer a um repórter do GLOBO que estava com vontade de “encher a boca” dele de porrada, o presidente se recusou novamente a responder a perguntas de jornalistas sobre os depósitos de R$ 89 mil feitos por Fabrício Queiroz e a mulher dele, Márcia Aguiar, na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Durante cerimônia de religação de um alto-forno na siderúrgica Usiminas, em Ipatinga, no interior de Minas Gerais, Bolsonaro chegou a ser questionado por um jornalista do Estado de Minas se ele se arrependia de ter dito ao repórter que tinha vontade de “encher a boca” dele de “porrada” e de chamar jornalistas de “bundões” . O presidente se irritou com a pergunta, disse que não tinha arrependimento, mas que lamentava se tinha “pisado na bola”.

— Não tem arrependimento aqui, não. O que eu falei, está falado. Com todo respeito, tem alguma pergunta decente para fazer? Pelo amor de Deus. Ah, você se arrepende? O que está feito, está feito. Lamento se eu pisei na bola.

No mesmo evento, ao ser perguntado pelo próprio GLOBO novamente sobre os motivos que levaram Michelle a receber depósitos de Queiroz e Márcia, o presidente se recusou a responder e atacou o jornalista.

— Você é um otário, rapaz. Otário.

O presidente participou da cerimônia ao lado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Único aliado de Bolsonaro no Sudeste, Zema mantém o apoio desde as eleições de 2018. O partido Novo tem feito movimentos para se descolar do bolsonarismo após o apoio de ampla parte da legenda à eleição de Bolsonaro. Em maio deste ano, a direção do partido expulsou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um dos mais fiéis aliados do presidente.

Zema manteve o discurso alinhado ao governado federal nas ações de enfrentamento da pandemia, diferentemente dos governadores do Rio, Wilson Witzel (PSC), e João Doria (PSDB). Na gestão sanitária de Minas Gerais, Zema adotou, desde o início, a flexibilização das medidas de distanciamento social.

Além do governador de Minas, estiveram presentes na cerimônia, em Ipatinga, os ministros do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio; da Casa Civil, Walter Braga Netto; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e das Minas e Energia, Bento Albuquerque.