Brasil e Paraguai reabriram na quinta-feira a fronteira terrestre entre os dois países nas cidades de Foz do Iguaçu (PR), Ponta Porã (MS) e Mundo Novo (MS), fechadas há quase sete meses, desde o início da epidemia de Covid-19. De acordo com nota do Itamaraty, esse é o primeiro passo de um processo de reabertura gradual da fronteira entre os dois países, desde que cumpridas as exigências de controle sanitário para evitar a propagação do novo coronavírus.

Na semana passada, o governo do Paraguai anunciou que a abertura seria oficializada pelos presidentes Mario Abdo Benítez e Jair Bolsonaro em um encontro na fronteira, que não aconteceu. No Twitter, Abdo agradeceu a colaboração de Bolsonaro e pediu que todos “fossem responsáveis com as medidas sanitárias”. “Que este seja o início da reativação econômica da área”, escreveu.

Nesta primeira etapa, o Paraguai restringiu a entrada de brasileiros ao horário entre 5h e 14h, com retorno até a meia-noite do mesmo dia, em Foz do Iguaçu. Nos primeiros 15 dias, a entrada poderá ser feita apenas em veículos, sem autorização para passar a pé.

A portaria brasileira informou que abertura é permitida apenas aos paraguaios e aos venezuelanos — nesse caso, a entrada já era facilitada devido à situação do país — mantendo a restrição de entrada a outros estrangeiros, por via terrestre ou marítima. A migração paraguaia, por sua vez, informou que não tem como fiscalizar a origem de quem entra no país.

O fechamento da Ponte da Amizade em 18 de março atingiu duramente o comércio no lado paraguaio. Lojas fecharam, gerando uma massa de desempregados, boa parte deles brasileiros que cruzavam as fronteiras todos os dias, o que acabou por causar impactos na economia da região.

Além dos brasileiros que ficaram desempregados com o fechamento das lojas, Foz perdeu a mão de obra paraguaia, presença marcante no setor da construção civil e informal. Uma das apostas agora é a retomada do turismo de compras, com a adoção de protocolos sanitários. A Itaipu Binacional e parceiros desenvolveram a campanha “Vem pra Foz”, estimulando a viagem gradativa de turistas para a região.

À crise econômica se somou o drama dos paraguaios que não conseguiam retornar ao seu país. Em abril, chegavam em torno de 150 e 200 paraguaios todos os dias à Ponte da Amizade, muitos deles vindos de São Paulo. Eles passavam horas e até dias aglomerados na ponte até o governo autorizar seu retorno ao país.

A situação só melhorou à medida que o Conselho de Defesa Nacional conseguiu organizar a distribuição das pessoas em albergues transitórios, onde deviam cumprir quarentena. Com o tempo, o fluxo de paraguaios do Brasil também diminuiu.