Em entrevista nesta quarta-feira (6), Daniel Balaban, representante no Brasil do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU), falou sobre o crescimento da fome no país e afirmou que o problema acontece porque paramos de nos preocupar com políticas sociais nos últimos anos.

Balaban ressalta ainda que a crise econômica trazida pela pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, e o quadro tende a piorar, caso os governos não intensifiquem ações de enfrentamento ao aumento da insegurança alimentar.

A fome no Brasil avança. Nos últimos dois anos, atingiu mais nove milhões de pessoas. O levantamento mais recente da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) indica que 19,1 milhões de cidadãos se enquadram neste perfil, ou 9% da população brasileira.

O estudo foi realizado em dezembro do ano passado, em 2.180 domicílios das cinco regiões do Brasil, tanto em áreas urbanas como rurais. A entidade também concluiu que, com a pandemia da Covid-19, cerca de 116,8 milhões estão em algum grau de insegurança alimentar — leve, moderado ou grave.

Segundo Balaban, em momentos de emergência como o atual, enquanto as políticas públicas não fazem efeito, a sociedade tem de se unir para ajudar quem não tem alimento para si e para a família.

“Nós temos hoje organizações da sociedade civil e igrejas entregando cestas básicas e alimentos, [mas] as filas estão cada vez maiores, e eles não estão conseguindo atender mais toda população que está precisando de um prato de comida para sobreviver”, disse.

“Agora é o momento das pessoas comuns saírem às ruas e ajudarem as pessoas para que elas tenham algum tipo de alimento.”