20A defesa de Monique Medeiros da Costa e Silva, a mãe do menino Henry, morto em 8 de março, vai ao Ministério Público para requerer por um novo depoimento dela à policia. Em nota, os advogados afirmam que “o delegado presidente do inquérito não deferiu a nova audição de Monique até a a presente data. Por isso, a defesa está protocolizando petição ao delegado reiterando a necessidade imprescindível” de ouvir Monique.

A defesa também entende como necessário que, nesta nova audição, esteja presente um promotor de Justiça. Para isso, foi requerido, junto ao Procurador Geral do MP, a designação de um promotor especial para acompanhar o inquérito.

“Se o objetivo do inquérito é buscar a verdade dos fatos, em todos os seus contornos, não se justifica a demora na nova audição de Monique pedida pela defesa”, termina a nota.

‘Desespero fez arrancar o mega hair’, diz defesa de mãe de Henry sobre ida a salão

A defesa de Monique argumenta que ela esteve em um salão de um shopping na Barra da Tijuca, no dia seguinte ao sepultamento do filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, para fazer a manutenção do mega hair – método de alongamento de cabelos no qual fios são fixados perto do couro cabeludo em várias camadas. De acordo com o advogado Hugo Novais, a professora, que é investigada pelo homicídio do menino e está presa temporariamente no Instituto Penal Ismael Silveiro, em Niterói, alegou que o nervosismo a fez desgrudar os tufos:

— Monique ficou desesperada, arrancou os cabelos porque tem mega hair. Foi esse o motivo de ela ter ido ao salão no dia seguinte. Ela não tinha como se apresentar daquela forma.

Como o Jornal Extra mostrou, a professora esteve em 12 de março no estabelecimento, onde foi atendida por três profissionais, totalizando R$ 240 em serviços realizados. Uma conversa recuperada no celular dela, que consta no inquérito da Polícia Civil e foi obtida com exclusividade, mostra mensagens trocadas entre ela e uma atendente do salão, logo depois que o pagamento foi feito, às 14h. A funcionária se desculpa por ter cobrado valor inferior e descrimina os atendimentos prestados: pé: R$ 39; mão: R$ 35; conserto (de unha de acrigel): 27; e tratamento: R$ 139.

A moça oferece que Monique transfira, por PIX, os R$ 40 que faltaram, mas a professora responde: “Sem problemas. Vou passar aí.” O estabelecimento fica a cinco minutos de carro do apartamento 203 do bloco I do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, onde ela morava com o menino e o namorado, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), desde novembro do ano passado.

Foi justamente nesse salão em que Monique estava quando foi alertada em tempo real sobre as agressões do vereador contra Henry pela babá Thayna de Oliveira Ferreira. Na ocasião, por volta de 16h de 12 de fevereiro, ela lavava, hidratava e escovava o cabelo, fazia manutenção da unha de acrigel e embelezamento de pés e mãos, quando uma das profissionais que a atendia presenciou a videochamada com o menino.

Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), a cabeleireira relatou que a criança dizia “Mamãe, eu te atrapalho?” e “Mamãe, o tio disse que eu te atrapalho”. Ela teria respondido que não, de forma alguma, e Henry, “com um choro manhoso”, teria pedido: “Mamãe, vem pra casa” e “O tio bateu” ou “O tio brigou” – a profissional diz não se lembrar a frase exata.