Maria do Céu Harris, a moçambicana que pede na Justiça o reconhecimento da união estável com João Gilberto, entrou com uma petição no Tribunal de Justiça do Rio alegando que não lhe está sendo permitido acessar o processo de interdição do compositor. Em 2017, João foi interditado pela filha, Bebel Gilberto, sob a alegação de que não tinha mais condições de administrar a própria vida e carreira.

Céu, que à época foi intimada a participar do processo de interdição, afirma que, na ação, encerrada com a morte de João, em julho de 2019, estão “confissões” que comprovariam sua união estável com o músico. Ao ter a união reconhecida pela Justiça, ela poderia ser incluída no processo de espólio de João (o que está em jogo aqui não são bens, já que o compositor não deixou nada, mas os direitos sobre a obra dele), pois que sua participação no inventário está condicionada a isso.

Mas, agora, a Justiça nega também o acesso dela aos autos da interdição, do qual Céu é parte envolvida. O processo, por sua vez, conteria depoimentos que comprovariam sua união estável com João Gilberto. Na petição, o advogado de Céu, Roberto Algranti Filho, chama a contradição de “prova diabólica”. “O tribunal condiciona a participação de Maria do Céu à prova da união estável, mas o próprio tribunal a proíbe de acessar estas provas que estão na ação de interdição”, escreve ele no documento.