Quatro policiais militares da UPP do Lins prestam depoimento, na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), na condição de testemunhas, na investigação da morte da designer de interiores Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, grávida de três meses, ocorrida na última terça-feira no Complexo do Lins. Dois advogados acompanham as oitivas. A família de Kathlen vai prestar esclarecimentos nesta sexta-feira.

Cinco policiais militares lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Lins de Vasconcelos já depuseram; e apenas dois dos agentes — que estavam na favela no momento em que Kathlen foi alvejada no tórax —, confirmaram que dispararam. À DHC, os militares reafirmaram que uma guarnição da UPP, com quatro agentes, foi atacada por bandidos e eles revidaram. A família nega qualquer tipo de confronto.

Em depoimento, o cabo Marcos Felipe da Silva Salviano disse ter atirado cinco vezes de fuzil e que seu colega cabo Rodrigo Correia de Frias atirou outras duas vezes. As informações constam na ocorrência da própria PM e no depoimento à DHC. Neste primeiro momento, o caso foi registrado como auto de resistência.

No depoimento de Salviano, ele disse que outras equipes da unidade estavam em patrulhamento tentando cercar os criminosos, mas não soube dizer se os outros policiais atiraram. Segundo os investigadores, ao todo, 12 PMs estavam dentro da comunidade.

Ainda no depoimento, Salviano afirmou que “cerca de quatro elementos estavam numa banca de boca de fumo que fica na entrada do Beco da Catorze”, entre eles o chefe do tráfico de drogas do Lins.

O PM relatou que, quando ele e os colegas se aproximaram, “os meliantes logo efetuaram disparo”. O militar não soube dizer se baleou alguma pessoa. Na fuga, os PMs alegaram que os suspeitos deixaram para trás drogas, munição, carregador de fuzil e pistola. O agente disse que só depois de minutos escutou pessoas gritando “que tinha uma pessoa baleada”. Salviano afirmou que, quando chegou onde a jovem estava, “ajuou a socorrer a vítima , colocando-a em uma viatura”.

A jovem foi atingida em uma localidade conhecida como Beco da Catorze. Segundo o delegado Moysés Santana Gomes, outros sete agentes já foram intimados. Até agora, 21 armas foram apreendidas e vão passar por perícia nos próximos dias no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Embora a Polícia Militar garanta que o local onde a designer de interiores foi baleada tenha sido preservado para a realização de perícia, os agentes UPP Lins que disseram ter participado do confronto levaram para a DHC munição intacta e estojos deflagrados na ação. Quando profissionais do Grupo Especial de Local de Crime (Gelc) da especializada chegaram a comunidade nenhum vestígio foi encontrado.

Dois  advogados de um dos PMs chegaram à DHC para saber detalhes da investigação. Eles não quiseram falar com a imprensa.

Parentes de Kathlen seguem questionando a versão de que havia um confronto entre PMs e bandidos no momento em que a jovem foi atingida. Além disso, a família afirma que os policiais que estavam no local não prestaram o devido socorro à vítima.

— Não teve troca de tiros. Eles mataram ela. A avó pedia socorro e eles só queriam saber dos bandidos — diz a esteticista Monique Messias, de 41 anos, madrinha de Kathlen, no enterro da jovem.

A  PM informou, em nota, que, “em paralelo às investigações da Polícia Civil, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) instaurou um procedimento apuratório para averiguar as circunstâncias do fato”. A pasta garante que “o local foi preservado e a perícia foi acionada”.