'Novo Cangaço' deixa cidades do sertão da BA sem dinheiro

Foi em em dezembro de 1929 que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, passou pelas cidades de Cansanção e Queimadas, na região nordeste da Bahia, acompanhado de outros 15 homens do seu bando.

Na primeira cidade, barbeou-se, perfumou a si a e a seus cavalos e acabou com os estoques do conhaque Macieira de 5 Estrelas, o seu preferido. Na segunda, matou sete policiais, roubou 22 contos de reis e ainda ordenou que fizessem um baile em sua homenagem.

Oito décadas após sua morte, em 28 de julho de 1938, o fantasma de Lampião continua a assombrar Cansanção, Queimadas e outras cidades do Nordeste. Desta vez, por meio de bandos armados que invadem cidades e assaltam bancos, numa modalidade de crime que ficou conhecida como “novo Cangaço”.

Novo Cangaço

Com a destruição de agências bancárias, moradores das pequenas cidades do sertão passaram a enfrentar um problema em comum: a escassez de dinheiro em espécie.

Assim como seus antepassados que viram Lampião, moradores de cidades como Cansanção, Nova Fátima, Nordestina, Araci e São Domingos têm que pegar a estrada e rumar para cidades vizinhas para conseguir sacar dinheiro.

Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal não divulgam dados sobre ataques a suas agências. Mas sindicatos de bancários confirmam que parte das agências que foram destruídas está sendo retomadas sem o serviço de saque. Só na Bahia são 20 cidades nesta situação.

O estado teve 108 ataques a bancos em 2017, segundo a Secretaria da Segurança.

O Banco do Nordeste, único a divulgar dados sobre ataques, teve três agências destruídas nos últimos anos. Duas retomaram as atividades sem o serviço de saque.

Em Nova Fátima, com 10 mil habitantes, a agência do Bradesco foi atacada quatro vezes nos últimos cinco anos —a última foi em novembro de 2017, quando um bando  explodiu os caixas.  Agora há apenas um caixa eletrônico sem opção de saques.

“Ficamos de mãos atadas. Se precisar de dinheiro para qualquer coisa, tenho que pegar a a estrada”, afirma o aposentado Cosme Maia da Visitação, 83, que costuma gastar R$ 20 com passagens, ida e volta, para se deslocar para a cidade vizinha de Retirolândia.

Sem os bancos, a opção para saques na cidade são os correspondentes bancários. Na prática, lojas disponibilizam parte dos recursos que arrecadam com as vendas para saque, numa operação mediada pelo banco. A oferta de dinheiro, contudo, é limitada.

Todo início de mês, longas filas se formam no maior supermercado de Nova Fátima.

“É uma humilhação”, diz o aposentado Manuel Lima Filho, 63, que costuma precisar de dinheiro para comprar nas feiras e pagar diárias de funcionários que às vezes o ajudam em sua roça onde cria bodes e planta sisal.

A principal consequência da falta de dinheiro nos caixas eletrônicos recai sobre o comércio local, que acaba perdendo os poucos clientes para cidades vizinhas.

“Com o banco aqui na frente já tínhamos pouco movimento, imagine sem ele. Ficamos prejudicados”, afirma José Maria Ramos, 74, dono de uma padaria em São Domingos, cidade onde a única agência do Banco do Brasil foi incendiada em março.

Na cidade vizinha de Valente, com 30 mil moradores, o Banco do Brasil está sem o serviço de saque desde fevereiro de 2017, quando teve o seu cofre arrombado por bandidos.

Com a restrição, moradores usam a criatividade. Dono de uma loja de material de construção, Gêneses Miranda, 35, diz que consegue dinheiro em espécie para seus clientes, que compensam o valor entregue com transferências bancárias.

A cortesia, diz, tem como objetivo fidelizar a clientela e evitar que eles comprem em outros municípios: “Se a pessoa viaja para outra cidade para ir ao banco, sempre acaba comprando alguma coisinha e gastando por lá”, diz.

Além da dificuldade em obter dinheiro em espécie, os moradores das pequenas cidades nordestinas também convivem com o medo. “A gente fica apreensivo, né? Eles [bandidos] já chegam atirando”, diz o aposentado Eunóbio Lopes, 87, vizinho de uma agência atacada no ano passado em Nova Fátima.

Coordenador de Policiamento Especializado da Polícia Militar da Bahia, coronel Humberto Sturaro diz que a polícia possui tropas especializadas e treinada atuar no sertão. É o caso da Cipe Caatinga, uma espécie de versão moderna das antigas volantes que perseguiam cangaceiros.

Sturaro afirma ver semelhanças entre o antigo e o novo Cangaço: “Eles agem tipo Lampião mesmo. Atacam, escondem áreas isoladas da caatinga. A diferença é que hoje estamos mais preparados para combatê-los”, afirma. A Bahia teve 108 ataques em 2017.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) diz que o setor investe cerca de R$ 9 bilhões por ano em segurança. E diz que o número de ataques vêm caindo: foram 217 assaltos e tentativas registrados em 2017 no país —108 na Bahia— contra 339 no ano anterior.

Cidade com marcas profundas da passagem de Lampião em 1929, Queimadas teve seus bancos destruídos por bandidos em 2015, mas teve o serviço retomado. Hoje, a cidade atrai moradores das vizinhas Cansanção e Nordestina, alvos de ataques recentes.

O aposentado Elias Marques, 67, que foi delegado na cidade nos anos 1980, lamenta a violência que veio com a ação do novo Cangaço. E diz que os bandidos atuais são mais perigosos do que os cangaceiros de antigamente.

Fala embasado no histórico da família. Foi a seu avô, Nonato Marques, a quem coube recolher do dinheiro dos moradores que seria entregue aos cangaceiros em 1929. “Lampião era bandido perigoso, mas não tinha a mesma tecnologia, armas e transporte que os bandos de hoje. Sinto que estamos a mercê do crime.”


Artistas visuais têm até dia 31 de julho para se inscreverem no Salão Palmense de Novos Artistas

Quem está iniciando nas artes visuais tem a oportunidade de expor suas obras no 3º Salão Palmense de Novos Artistas, promovido pela Fundação Cultural de Palmas (FCP). As inscrições estão abertas até o dia 31 de julho para realização de exposição de 31 de agosto a 28 de setembro, na Galeria Municipal de Artes e Salão de Exposições da Fundação Cultural de Palmas (FCP).

As inscrições são gratuitas e podem ser protocoladas, presencialmente, no setor administrativo da Fundação Cultural de Palmas (FCP), das 8 às 14 horas, ou pelos Correios, em postagem identificada para o “3º Salão Palmense de Novos Artistas” e endereçada à Fundação Cultural de Palmas, Espaço Cultural, Avenida Teotônio Segurado, Área Verde, ACSU-SE 30, CEP: 77.021-002, Palmas – TO.

Aluna de Artes Visuais, na modalidade desenho, do Centro de Ensino e Treinamento Artístico (Ceta), da FCP, a advogada Aline Brito, já se inscreveu para o Salão. “Fazer o curso de desenho foi uma forma de ver a vida de outra forma, com mais sentimento, às questões humanas, a paisagem, a cidade. Eu não desenhava, tinha uma vontade de criar, mas não tinha o caminho, a técnica, e com o curso me senti apta a me inscrever para a exposição”, disse.

Edital

Podem se inscrever artistas em estágio de iniciação em artes visuais das áreas de desenho, pintura, aquarela, gravura, escultura, colagem e técnica mista e que não tenham participado de exposições individuais e coletivas. Conforme o edital da seleção, estão previstas categorias infantil (de 10 a 14 anos), infanto-juvenil (de 14 a 17 anos) e adulto (a partir de 18 anos).

As obras selecionadas serão avaliadas por comissão formada por três profissionais ligados à área artística e cultural. O Salão Palmense de Novos Artistas é um projeto da FCP que oferece aos artistas visuais em estágio de iniciação espaço para exposição de suas obras.

O edital com todas as regras da seleção pode ser conferido aqui.  (As informações são da assessoria de comunicação).


Médicos do interior do TO e de Palmas são treinados em programa de reanimação neonatal

Somente neste ano, vários médicos e profissionais de saúde do interior do Tocantins e de Palmas foram capacitados pelo Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (PRN-SBP), em oito eventos organizados pela Sociedade Tocantinense de Pediatria (STOP). As aulas, destinadas à assistência médica aos recém-nascidos com mais de 34 semanas, abordam conhecimentos atualizados relativos ao cuidado do neonato ao nascer, o transporte e a estabilização imediata após a reanimação, com a finalidade de reduzir a mortalidade associada à asfixia perinatal, entre outras questões.

De acordo com o médico neonatologista Ricardo Cardoso Guimarães, coordenador estadual do Programa e coordenador da UTI Neonatal da Intensicare, a iniciativa tem o objetivo de descentralizar o atendimento ao recém-nascido que sofre alguma intercorrência no momento do parto. “Quando a gente consegue formar profissionais e levar o conhecimento até uma unidade de saúde, fica destacada naquela localidade a necessidade de viabilizar novos equipamentos, materiais e infraestrutura específicos para a reanimação. Através da expansão dos cursos, estamos cada vez mais engajando especialistas, dirigentes e instituições para que ações sejam implementadas”, explica.

Os últimos cursos foram realizados no Conselho Regional de Medicina do Tocantins, em Palmas, pela médica e instrutora Ana Marckatey, e no Hospital Regional de Guaraí, a 190 km da Capital. Em Guaraí, as aulas teóricas e práticas, realizadas no começo deste mês, foram ministradas pelos instrutores do PRN-SBP, os médicos Janduy Santos de Lima e Túlio Tolentino. O treinamento abordou as condutas mais atualizadas sobre procedimentos de ressuscitação em recém-nascidos, como técnicas de intubação traqueal, de ventilação com balão e máscara, passos iniciais de socorro, massagem cardíaca com manequins e administração de medicamentos.


Brasileiro desenvolve aparelho portátil que detecta hepatite C em minutos

O pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) João Paulo de Campos da Costa, 26, desenvolveu um equipamento que promete detectar em minutos a infecção por hepatite C, uma doença silenciosa, que pode ser letal. O custo para a produção do dispositivo é de cerca de R$ 430 - uma pequena fração do valor de prateleira dos aparelhos convencionais importados, que chegam a R$ 60 mil.

O aparelho é portátil e tem bateria com autonomia para até 18 exames, o que deve facilitar a realização desse tipo de exame em áreas remotas do país. O Ministério da Saúde anunciou meta de erradicar a doença até 2030.

Outro diferencial, menciona o pesquisador, é o tempo para a apresentação do resultado. São de 10 a 15 minutos por teste.

Divulgação

João Paulo de Campos da Costa, 26, criador do aparelho que detecta hepatite C em minutos

Desenvolvido durante o mestrado na Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, o protótipo já teve patente requerida e despertou interesse de fabricantes da área da saúde. São eles que deverão buscar as certificações em órgãos como a Anvisa, antes de o produto ser comercializado.

O público-alvo do invento são laboratórios e, sobretudo, o governo.

"São feitos os testes e os resultados são enviados na hora para o e-mail do médico ou salvos no cartão de memória", afirma.

Diagnóstico na fase inicial

O sistema funciona com base nas proteínas que os organismos infectados produzem para combater o vírus da hepatite C.

"O sensor tem um eletrodo em que imobilizamos o antígeno. Nós retiramos o sangue, separamos o soro e testamos no novo dispositivo. Se a pessoa tiver anticorpos para a doença, eles vão se ligar ao eletrodo, reduzindo a corrente elétrica. Essa variação da corrente é captada pelo aparelho e enviada como resultado", explica o pesquisador.

De acordo com Costa, o aparelho tem um grau de sensibilidade que permite, por exemplo, detectar as imunoglobulinas M (IgM), produzidas, em média, 15 dias após o contato com o vírus.

Nos métodos utilizados atualmente, os exames captam infecções por hepatite C só depois de um mês.

Mais de 24 mil casos por ano

Dentre as hepatites virais, a hepatite C é a que tem o maior número de casos notificados. Segundo o Ministério da Saúde, apenas no ano passado foram 24.460 casos da doença, o equivalente a 11,9 ocorrências para cada 100 mil habitantes.

A doença causa cirrose, câncer e pode matar – ela respondeu por 75,3% das mortes por hepatites virais no país de 2000 a 2016 –, mas muitas vezes passa despercebida. De acordo com o ministério, essa invisibilidade é um dos maiores desafios do projeto de erradicação.

O plano de ação do governo prevê tratar todos os pacientes, incorporar novos medicamentos, simplificar o diagnóstico e ampliar a testagem, passando gradualmente dos 6 milhões de testes rápidos do ano passado para 30 milhões em 2025.

"Queremos justamente promover a informação, reforçar a importância do diagnóstico e oferecer mais uma opção, com tecnologia totalmente nacional e mais barata", afirma Costa.

A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado - durante a realização de tatuagem ou acupuntura sem a devida esterilização, por exemplo.

Ciência familiar

Costa teve seu primeiro contato com um laboratório ainda criança. Ele se lembra de visitar as instalações da USP em Ribeirão Preto com o pai, o biomédico Paulo Inácio, e acabou desenvolvendo gosto por ciência.

"Desde a graduação em engenharia elétrica, eu queria criar equipamentos para a área da saúde. É interessante poder melhorar a saúde das pessoas, os diagnósticos e o tratamento. Acho que foi a partir dele [do pai] que essa vontade foi crescendo", diz.

"É um sistema com uma aplicabilidade muito grande, que pode ser adaptado para outras doenças, e que foi inteiramente confeccionado no Brasil. Nada foi importado. Isso é um orgulho e, como pai, é muito gratificante ver os filhos atuando em áreas que podem beneficiar as pessoas", diz Paulo Inácio Costa, pai de João Paulo e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFAR) da Unesp, em Araraquara.

No laboratório da FCFAR, foi produzida a proteína do vírus usada para calibrar o sensor. Lá, também foram realizados os testes com 30 amostras de sangue de pacientes atendidos na região e catalogadas para participar da pesquisa.


Satisfação do empresário com economia brasileira diminui em julho

 

Os comerciantes palmenses chegaram ao meio do ano com o sentimento de satisfação com a economia em queda. Em julho, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) caiu pela terceira vez consecutiva ficando em 114,6 pontos, o que representa um recuo de 4,8%.

A pesquisa, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em parceria com a Fecomércio Tocantins, analisa a percepção que os empresários do comércio têm sobre o nível atual e futuro de propensão a investir em curto e médio prazo. “Esse resultado significa que, apesar de ainda estar na zona de satisfação (acima de 100 pontos), o índice está regredindo, revelando um sentimento mais pessimista dos comerciantes”, explica a assessora econômica da Fecomércio, Fabiane Cappellesso.

Entre os itens analisados, três se destacam pela variação negativa: o que verifica qual a satisfação do empresário em relação às condições atuais da economia, que caiu 8,4%; o que analisa a expectativa sobre a economia brasileira, com recuo de 6,6%; e o que mede o nível de investimento das empresas, que decresceu 5,3%.

Resultados positivos

Apesar das variações mensais negativas, os itens que tratam das expectativas em relação ao ano passado continuam trazendo boas avaliações: 83,2% dos respondentes acreditam que a perspectiva para o setor do comércio melhorou e 90,3% avaliam que a expectativa para suas empresas está mais satisfatória.

Outro destaque positivo é a variação anual do índice geral. A ICEC apresentou um crescimento de 11,26%, se compararmos o resultado deste mês (114,6 pontos) com o de julho do ano passado (103 pontos). A pesquisa está disponível na íntegra no link: https://bit.ly/2uGLdAw

(Ascom Fecomércio Tocantins)


MP cria fundo para ferrovias do Pará

Depois de muita pressão dos parlamentares do Pará, o presidente Michel Temer editou medida provisória para criar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Ferroviário (FNDF) para destinar recursos para as ferrovias paraenses.

Esse fundo terá como fonte o bônus de outorga da Ferrovia Norte-Sul no trecho entre Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP). O lance mínimo será de R$ 1,097 bilhão. O Estado do Pará terá prioridade nos investimentos do novo fundo para garantir a ligação da Ferrovia Norte-Sul ao Complexo Portuário de Vila do Conde, em Barcarena (PA).

Essa foi a forma que o presidente Temer encontrou para evitar que o governador do Pará, Simão Janete, prosseguisse na ameaça de entrar na Justiça contra a decisão do governo federal, anunciada no início do mês, de renovar a concessão da Estrada de Ferro Carajás, que passa pelos Estados do Maranhão e do Pará, ligando o Porto de Itaqui, em São Luís (MA), e Marabá e Parauapebas (PA). Em troca, a Vale ficou responsável por construir trecho da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, entre Goiás e Mato Grosso.

Os investimentos estimados são de R$ 4 bilhões. O governador do Pará considerou ilegal transferir os aportes para o Centro-Oeste, sendo que o trecho renovado é de um ferrovia que passa pelo Pará.

Temer decidiu criar esse fundo para investir nas ferrovia do Pará depois de receber o candidato ao governo do Pará e ex-ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB), o senador Jader Barbalho (MDB) e integrantes das federações da agricultura, da indústria e do comércio do Pará.

Fonte

A fonte de dinheiro do fundo vai ser a outorga de dois trechos da Ferrovia Norte-Sul que serão licitados em conjunto, para uma só empresa. Um deles é o Tramo Central, entre Porto Nacional (TO) e Anápolis (GO), com 100% da infraestrutura construída. O outro fica entre Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela D’Oeste (SP), com mais de 90% da construção concluída. Juntos, somam 1.537 quilômetros de extensão.

A construção da Norte-Sul começou em 1987. O traçado inicial tinha extensão de 1,5 mil quilômetros entre Açailândia (MA) e Anápolis (GO), mas o projeto foi ampliado, prevendo a construção de trechos ao norte e ao sul do País. O trecho de 720 km da Norte-Sul entre Açailândia e Palmas (TO) já é operado pela Vale.


Petrobrás vai gerar energia eólica no mar

Inédita no Brasil, a geração de energia eólica no mar começa a dar seus primeiros passos no País pelas mãos da Petrobrás. O negócio promete ser tão bem sucedido quanto a geração eólica em terra, disse o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão da estatal, Nelson Silva. A licitação para a instalação de uma planta-piloto da empresa no Rio Grande do Norte será feita ainda este ano, revelou o executivo, que aguarda o licenciamento do projeto no Ibama para iniciar o processo.

A ideia é instalar torres de geração eólica, ou aerogeradores no jargão do setor, ao lado de plataformas em campos rasos do Nordeste, região brasileira com maior potencial para gerar energia a partir do vento. "A vantagem no offshore (no mar) é que se espera um fator de capacidade maior do que em terra", explicou Silva. A previsão é que a planta-piloto comece a funcionar em 2022.

O fator de capacidade do Brasil, índice que mede o grau de aproveitamento dos aerogeradores para produzir energia eólica, é um dos maiores do mundo. Em janeiro, complexo eólico no Ceará, de propriedade da Echoenergia teve média do fator de capacidade superior a 60% ante 25% da média mundial. A vantagem da geração no mar, dizem especialistas, é que os aerogeradores, ou turbinas eólicas, podem ter capacidade maior do que os instalados em terra.

O Brasil começou a gerar energia eólica em 2005 - pouco menos do que 30 megawatts (MW). Em 2009, quando ocorreu o primeiro leilão do governo incluindo a oferta de empreendimentos eólicos, o Brasil gerava 600 MW. Hoje, essa geração ultrapassa os 13 mil MW e, somente com os leilões já realizados, deve atingir 17,8 mil MW em 2023. Atualmente, a geração eólica abastece 10% da população brasileira, ou 22 milhões de pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

"A média da capacidade dos aerogeradores do Brasil em terra gira em torno de 2 megawatts, mas no mar já tem máquina operando com 8 megawatts", informa o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, um dos primeiros defensores da inclusão da energia eólica como fonte de geração de energia no Brasil. Esta semana, ele promove no Rio Grande do Norte o 10.º Fórum Nacional Eólico, onde o tema será discutido, precedendo a maior feira do setor, a Brazil Windpower, que terá pela primeira vez um painel dedicado apenas à geração eólica offshore, com participação da Petrobrás.

Segundo o Ibama, a Petrobrás entrou com o pedido de licença ambiental para a planta-piloto de geração eólica offshore em maio e o órgão já emitiu o Termo de Referência para que a empresa elabore o Relatório Ambiental Simplificado (RAS) para obter autorização. Pelo fato de já ter um equipamento no campo (plataforma), o Ibama já possui estudo ambiental do local, informou o órgão.

Se o projeto se mostrar economicamente viável, a expectativa do diretor da Petrobrás é de que seja a primeira de uma série de unidades que irão comercializar energia elétrica no mercado brasileiro a partir da geração eólica no mar. Para acelerar os investimentos, a estatal busca a parceria de empresas com experiência no segmento, como a francesa Total e a norueguesa Equinor (ex-Statoil).

"Vamos utilizar a experiência dessas empresas e os próprios dados que temos das medições das plataformas no Nordeste e da geologia do local, da medição de ventos e das marés", explicou Silva. Segundo ele, a Petrobrás já está mais forte financeiramente e pode começar a olhar projetos de mais longo prazo e a investir em energia renovável.


Tite e CBF ajustam detalhes para anúncio de mais quatro anos na Seleção

Tite será o treinador da seleção brasileira por mais quatro anos. Os contatos, que começaram ainda antes da Copa da Rússia, e seguiram logo após a eliminação nas quartas de final, continuaram nos últimos dias, com o retorno do técnico ao Rio de Janeiro. Tite e Edu Gaspar, coordenador da seleção, já iniciaram as conversas e discutem o planejamento para o próximo quadriênio.

Restam poucos detalhes, como confecção e revisão final dos contratos e últimas formalidades para o anúncio, que será feito pela CBF nos próximos dias. Uma reunião com Tite, Edu e a comissão técnica está prevista para os próximos dias com os dirigentes da entidade máxima do futebol brasileiro. Além de avaliação do trabalho, o encontro terá presença do empresário de Tite, Gilmar Veloz, para selar o acordo na sede da CBF.

A disposição de Tite e da comissão sempre foi em continuar o trabalho. Apesar de reticente que um mau resultado pudesse atrapalhar os planos, Tite era entusiasta de ciclos mais longos à frente da seleção. A cúpula da CBF, o treinador e a comissão não terão aumento salarial. Os contratos seguirão nos mesmos moldes para os próximos quatro anos.

Copa América brasileira em 2019

Os números gerais de Tite no comando da Seleção são positivos: 26 jogos, 20 vitórias, quatro empates e duas derrotas - marcou 55 gols e sofreu oito. O trabalho não é avaliado como um fracasso. Tite assumiu a seleção brasileira em sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, portanto fora da zona de classificação para o Mundial da Rússia, e terminou em primeiro lugar.

O técnico Tite e o presidente eleito da CBF, Rogério Caboclo, conversaram informalmente após a derrota para a Bélgica, ainda em Kazan. Combinaram que voltariam a se falar no Brasil, depois das férias do treinador. Tite costuma consultar a família antes de tomar decisões profissionais e desta vez não será diferente. Seu filho Matheus Bachi e outros colaboradores permanecem.

A seleção brasileira tem agenda cheia nos próximos anos. Em 2019, o Brasil será anfitrião da Copa América, torneio a ser disputado pelos dez países da Conmebol e mais Japão e Catar coom convidados. Será a última versão do torneio em seu atual formato, disputado em anos ímpares.


ANP decide não interferir na periodicidade do ajuste nos combustíveis

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu não interferir na periodicidade do ajuste do preço da gasolina e do diesel no Brasil, depois de ter tomado a iniciada de propor o debate sobre o assunto lançando em junho uma inédita Tomada Pública de Contribuições (TPC), que recebeu 146 sugestões.

Segundo o diretor-geral da agência, Décio Oddone, com base nessas sugestões e em estudos da ANP, foi descartado estipular um prazo para o ajuste dos combustíveis.

“O ajuste do preço tem que ser livre, mas não pode ser divulgado antecipadamente porque pode levar a ações que prejudiquem o consumidor”, disse Oddone em coletiva não programada.

Ele explicou que como a decisão de não interferir na periodicidade já foi tomada, achou mais adequado divulgar o mais rápido possível para a sociedade. A iniciativa da ANP de chamar uma TPC foi encarada pelo mercado como uma intervenção na política de preços da Petrobras, monopolista do refino brasileiro.

“Tudo o que a ANP faz é intervenção, mas é legítima”, argumentou, explicando que se fosse considerado necessário a agência teria estipulado prazo para os ajustes.

Oddone afirmou que para não desperdiçar as contribuições da TPC, vai encaminhar aos órgãos competentes para que sejam avaliadas. “Vamos informar ao Cade a necessidade da avaliação da estrutura de refino no País, para estimular a entrada de novos agentes”, informou.

Outras sugestões, como as relativas à adoção de mecanismos tributários para reduzir a volatilidade dos preços, serão encaminhadas aos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia.

A ANP decidiu ainda fazer uma Resolução para aumentar a transparência e a competitividade do mercado de combustíveis, que terá determinações como proibir a antecipação da divulgação dos ajustes e o estabelecimento de um prazo para que ocorram, como é feito hoje pela Petrobras. Também não será mais permitida a divulgação de um preço médio de venda no País, como a estatal também pratica, e sim o preço efetivo. Segundo Oddone, a nova resolução deve entrar em vigor em 45 a 60 dias.

“Hoje a Petrobras tem 35 pontos de entrega de combustíveis, quando a gente olha o preço médio da gasolina todo dia, aquilo é preço médio em todos os pontos de entrega no Brasil”, afirmou. “É mais transparente que sejam os preços efetivamente praticados”, explicou.


Volkswagen dará férias, mas amplia produção

A Volkswagen do Brasil espera aumentar sua produção em 12% neste ano, apesar da desaceleração do crescimento das vendas internas como um todo e da queda das exportações para a Argentina, principal comprador de carros brasileiros.

Ainda assim, a montadora pretende dar férias coletivas de 30 dias a um grupo de trabalhadores da fábrica Anchieta, no ABC Paulista, em meados de agosto. "Devemos parar para manutenção e ajustes na linha de produção", diz o presidente da empresa, Pablo Di Si.

Segundo ele, eventuais paradas não estão relacionadas à queda de vendas ou de exportações. "Nossas vendas estão crescendo o dobro do mercado e ganhamos 2 pontos porcentuais em participação."

Na quinta-feira, 19, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC divulgou nota corrigindo informação do dia anterior de que o motivo das férias seria a redução de vendas internas e externas. Segundo a entidade, o período de férias está em negociação. "Ações como esta estão dentro da normalidade e servem para que empresas e trabalhadores possam equilibrar eventuais oscilações de mercado", diz a nota.

No ano passado a Volkswagen produziu 408,3 mil automóveis e comerciais leves em suas três fábricas de veículos no País. O volume já tinha sido 25,7% superior ao de 2016, quando teve seu pior desempenho em 25 anos, com 324,9 mil unidades produzidas.

Vendas

As vendas da marca, de 166,4 mil unidades no primeiro semestre, são 33% superiores as de igual intervalo de 2017. O mercado total de automóveis e comerciais leves cresceu 13,7% no período, para 1,129 milhão de unidades. A marca detém 14,8% de participação no mercado e tenta ultrapassar a líder General Motores, hoje com 16,9%.

Na fábrica do ABC são feitos os modelos Polo - quarto automóvel mais vendido no País no primeiro semestre - e Virtus, líder entre os sedãs compactos. "A unidade opera em três turnos e falta produtos no mercado", afirma Di Si. Segundo ele, se ocorrerem flutuações no mercado serão promovidos ajustes de produção, "mas não enxergo isso no momento."

Na quinta-feira serão apresentados os modelos Gol e Voyage com transmissão automática, produzidos na filial de Taubaté (SP). Com as duas novidades, a empresa contabilizará dez lançamentos dos 20 previstos até 2020 como parte do investimento de R$ 7 bilhões para o período de 2016 a 2020.

O mais esperado pelo mercado é o T-Cross, pequeno utilitário previsto para 2019 e que colocará a marca na disputa por esse segmento, o que mais cresce em vendas no País. A fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde o SUV será feito, está com a produção parada para adaptações na linha de montagem.

Revisão

No início do mês, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reviu as projeções de produção do setor para o ano. Inicialmente, a entidade esperava alta de 13,2% ante 2017, mas agora projeta 11,9%, para 3,02 milhões de unidades.

As exportações, antes estimada em 800 mil unidades, foram revistas para 766 mil, em razão do cancelamento de pedidos da Argentina. Já o volume previsto para as vendas internas foi mantido em 2,5 milhões de unidades (11,7% a mais que em 2017), embora a intenção da Anfavea, antes da greve dos caminhoneiros, em maio, era de rever essa previsão para cima. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.