Liberdade, prisão domiciliar ou continuar na cadeia: os possíveis desfechos do novo julgamento de Lula

Pouco mais de um ano após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa na tarde desta terça-feira seu recurso contra a condenação no caso Tríplex do Guarujá.

Entre os desfechos possíveis para o julgamento estão a manutenção da prisão, a libertação de Lula ou a redução da sua pena, atualmente fixada em 12 anos e um mês de detenção - este último cenário pode abrir espaço para uma prisão domiciliar.

A análise do caso será feita pela 5ª Turma do STJ, formada por cinco ministros. O histórico de decisões do colegiado é de manter as decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em casos da Operação Lava Jato.

O ex-presidente está preso em Curitiba desde abril do ano passado após ter sido condenado pelo TRF-4 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os desembargadores entenderam que a empreiteira OAS deu a Lula uma cobertura tríplex no litoral de São Paulo em retribuição a sua influência para que a empresa conseguisse contratos superfaturados em obras da Petrobras e outros empreendimentos do governo federal, confirmando assim decisão do então juiz da 13ª vara de Curitiba, Sergio Moro.

A defesa de Lula nega as acusações e sustenta que há uma série de ilegalidades no processo. Se a maioria da 5ª Turma concordar com esses argumentos, o processo pode ser anulado, o que permitira a saída de Lula da cadeia.

Outra possibilidade é o tribunal reduzir a pena de doze anos e um mês, o que poderia levar à substituição do regime fechado para prisão domiciliar ou semiaberto (em que o condenado pode deixar a prisão durante o dia para trabalhar).

Lula continuará preso se o STJ confirmar a condenação ou agravar a pena determinada em segunda instância. A decisão definitiva do caso, porém, ainda dependerá do Supremo Tribunal Federal, onde a defesa apresentou um novo pedido de habeas corpus, além do recurso extraordinário que tenta reverter a condenação.

O presidente está preso porque em 2016 o STF voltou a autorizar a prisão após condenação em segunda instância. Ministros já sinalizaram que a Corte pode alterar seu entendimento novamente, mas não há data para novo julgamento dessa questão.

Vale lembrar que o ex-presidente foi condenado em fevereiro em outra ação, por causa de obras realizadas por empreiteiras no sítio de Atibaia, mas a sentença da juíza federal Gabriela Hardt ainda não passou pelo crivo do TRF-4.

Entenda em seis pontos o que será analisado no julgamento do STJ sobre o caso do Tríplex do Guarujá e os possíveis desfechos.

  1. Relembre o caso

Lula e sua falecida mulher, Marisa Letícia, adquiriram na planta um apartamento simples, de número 141, em um empreendimento no Guarujá da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), em 2005. Em outubro de 2009, diante das dificuldades financeiras da cooperativa, esse e outros empreendimentos da Bancoop foram repassados para a OAS.

Com isso, foi dado um prazo para os compradores optarem por desistir do imóvel e receber o dinheiro já investido de volta, ou continuar pagando as prestações diretamente para a empreiteira. Lula e Marisa nunca desistiram formalmente do apartamento 141, mas ele foi revendido. Por outro lado, a cobertura tríplex não foi comercializada e ficou, segundo a OAS, reservada para o casal.

Ambos visitaram a cobertura em 2014, período em que foram feitos obras de melhoria no apartamento. Lula diz que a visita foi para avaliar a compra do apartamento, mas que acabou desistindo do negócio.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS e réu no processo, contou em depoimento que lhe foi dito por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop, que o tríplex era de Lula em 2009 quando a OAS assumiu o empreendimento.

Segundo ele, posteriormente, ficou decidido com Vaccari que a diferença de valor entre o tríplex e o apartamento originalmente adquirido por Marisa, assim como o custo das reformas, no total R$ 2,252 milhões, seriam abatidos de uma conta informal de créditos e débitos que o PT tinha com a OAS, abastecida por propinas provenientes de contratos fraudulentos com a Petrobras e outras obras do governo federal.

O presidente da OAS disse também em depoimento que nunca tratou do assunto diretamente com Lula, mas que Vaccari afirmou que o ex-presidente sabia que o dinheiro sairia da conta do PT com a OAS. Segundo Pinheiro, foi sua prisão em novembro de 2014 que frustrou a transferência de propriedade do tríplex para Lula. Ele diz, porém, que nunca chegou a ser discutido como essa transferência seria concretizada.

Vaccari e Lula negam a versão de Pinheiro e dizem que não há provas que comprovem o que ele diz. Para a defesa dos petistas, o ex-presidente da OAS mentiu buscando um acordo de delação premiada.

  1. Em que estágio está o processo?

A lei brasileira prevê que a análise de provas em um processo criminal se esgota na segunda instância. Dessa forma, o STJ não analisará concretamente se Lula recebeu ou não o imóvel como retribuição por favorecer a OAS. O que a corte vai analisar são as alegações da defesa de que houve ilegalidades na condução do processo, o que pode levar à anulação da condenação.

O relator da Lava Jato no STJ, ministro Felix Fischer, já rejeitou o recurso de Lula individualmente em novembro. Nesta terça, os ministros Jorge Mussi, Reynaldo Soares da Fonseca e Marcelo Navarro Dantas darão seu votos.

O ministro Felix Fischer (foto) é o relator da Lava Jato no STJ, e já rejeitou um recurso de Lula© STJ / Divulgação O ministro Felix Fischer (foto) é o relator da Lava Jato no STJ, e já rejeitou um recurso de Lula

O quinto integrante da Turma, Joel Paciornik, não participará do julgamento porque seu advogado pessoal, René Dotti, atua na causa como assistente de acusação da Petrobras. Caso haja empate, será convocado em seu lugar o ministro da 6ª Turma Antonio Saldanha, que precisaria de tempo para se inteirar do processo.

  1. Que argumentos usam a defesa para pedir a libertação de Lula?

Ao tentar mostrar que o processo foi ilegal, os advogados de Lula argumentam, por exemplo, que a condenação final difere das acusações apresentadas na denúncia. Inicialmente, o Ministério Público Federal havia apontado que o tríplex teria sido bancado com recursos desviados de três contratos específicos da Petrobras. A sentença final, porém, diz que os recursos saíram de uma conta informal de créditos e débitos que o PT tinha com a OAS, abastecida por propinas provenientes de contratos fraudulentos com a Petrobras e outras obras do governo federal, sem identificar objetivamente que recursos teriam beneficiado o ex-presidente.

"Isso torna a condenação ilegal, pois o ex-presidente passou o processo se defendendo dessa acusação e a sentença não identifica recursos da Petrobras (desviados em seu favor)", afirma Cristiano Zanin, advogado de Lula.

Além disso, para a defesa, o fato de a sentença não apontar objetivamente recursos da Petrobras que teriam beneficiado o ex-presidente significa que o caso não poderia ter sido julgado por Sergio Moro - juiz que estava autorizado a se dedicar exclusivamente a casos da Operação Lava Jato envolvendo recursos desviados da estatal. Os advogados sustentam que, seguindo o princípio do juiz natural, o caso teria que ser julgado por um magistrado em São Paulo, onde fica o imóvel citado no processo.

Na leitura dos advogados, a condenação também é ilegal porque considera como prova determinante o depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que é também réu no processo e negociava na época delação premiada. Segundo a defesa, a lei brasileira não permite condenar com base apenas em depoimento de colaborador, já que este pode acusar outros falsamente na tentativa de reduzir sua pena.

Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde abril de 2018© AFP Lula está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde abril de 2018

O relator Felix Fisher, porém, afirmou em sua decisão que os pedidos da defesa exigiram uma reanálise de provas, o que não é possível nesse estágio do processo. O ministro também refutou outros pontos do recurso de Lula, como a alegação de que seu direito à ampla defesa foi violado no processo quando Moro negou a realização de perícias solicitadas por seus advogados. No entendimento do relator, o juiz tem autoridade para negar "as diligências que considerar protelatórias e/ou desnecessárias".

Lula poderá ser solto se a maioria dos ministros contrariar o entendimento do relator e considerar a condenação ilegal.

  1. O que poderia levar à mudança de regime?

A legislação brasileira prevê que um condenado deve cumprir sua pena em regime fechado se for condenado a mais de oito anos de prisão. Além disso, prevê que pode evoluir para um regime menos restritivo depois de cumprir um sexto da pena, caso tenha histórico de bom comportamento.

Na atual situação de Lula, condenado a 12 anos e um mês, ele poderia passar para o semiaberto (em que é possível deixar a prisão durante o dia para trabalhar) depois de cumprir dois anos e cinco dias de detenção.

No entanto, se o STJ reduzir o tempo de condenação isso pode abrir espaço para Lula mudar de regime imediatamente, pois já cumpriu um ano de prisão. Como ele já tem mais de 70 anos, se for colado em regime aberto, poderá cumprir o restante da pena em sua residência (prisão domiciliar).

A redução da pena pode ocorrer, por exemplo, caso a maioria da 5ª Turma decida que a condenação de Lula o puniu duas vezes por um mesmo ato, o que é proibido pela legislação brasileira.

Os advogados do ex-presidente sustentam que ele foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo fato de ter recebido um imóvel, muito embora o apartamento nunca tenha sido passado por seu nome.

"A lavagem de dinheiro pressupõe um ato autônomo objetivando escamotear a origem ilícita de um bem ou de um valor e não há essa conduta identificada no acórdão recorrido", destaca Cristiano Zanin.

Já o Ministério Público Federal sustenta que o apartamento não foi passado formalmente para o nome de Lula justamente para ocultar o crime de corrupção.

O relator Felix Fisher também negou esse ponto do recurso dizendo que demandaria nova análise de provas.

Sem novas condenações, Lula poderia passar ao regime semiaberto depois de dois anos de pena. Agora, o STJ pode encurtar esse período© Reuters Sem novas condenações, Lula poderia passar ao regime semiaberto depois de dois anos de pena. Agora, o STJ pode encurtar esse período

  1. Confirmação da condenação

Se a maioria do colegiado considerar a condenação de Lula legal, ele segue preso. Uma decisão nesse sentido reduz as chances do ex-presidente ser solto mesmo que o Supremo Tribunal Federal reveja a decisão de autorizar a prisão após decisão em segunda instância.

Lula foi preso há um ano devido ao atual entendimento do STF de que um condenado pode iniciar o cumprimento da pena mesmo antes do trânsito em julgado (quando todas as possibilidades de recurso se esgotam). A expectativa é que a Corte possa rever essa decisão em novo julgamento, mas o cenário mais provável hoje é que a maioria autorize a prisão após confirmação da condenação pelo STJ.

  1. Reabertura da investigação

Há ainda outro cenário possível: a defesa de Lula também argumenta junto ao STJ que novas informações que podem afetar o julgamento do ex-presidente foram reveladas após a condenação no TRF-4. Por isso, pedem que o julgamento seja convertido em diligência, para reabertura da investigação.

Os advogados citam, por exemplo, uma ação trabalhista movida contra a OAS por um ex-executivo da empresa, Adriano Santana. No processo, ele afirma que sócios da OAS fizeram doações de R$ 6 milhões a outros executivos que concordaram em prestar versões favoráveis aos interesses do grupo em acordos de delação premiada. Sua versão foi confirmada por uma testemunha na ação trabalhista, o ex-diretor financeiro da OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira, também delator.


Sob pressão de militares, Bolsonaro critica Olavo de Carvalho

A constante troca de acusações e provocações entre o “guru” bolsonarista Olavo de Carvalho e o vice-presidente Hamilton Mourão levaram o presidente Jair Bolsonaro a se posicionar pela primeira vez, contra as manifestações do escritor. Em nota lida pelo porta-voz, general Rêgo Barros, Bolsonaro reconheceu que as “recentes declarações” de Olavo “não contribuem para a unicidade de esforços e consequente atingimento de objetivos propostos” no “projeto de governo”. O comunicado do presidente tenta cessar os ataques do escritor que têm provocado divisões na base bolsonarista e no núcleo central do governo.

O presidente, no entanto, não quis criticar seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC), responsável pelas suas postagens em redes sociais e defensor fiel de Olavo. Nesta segunda-feira, o consenso no Planalto, a despeito das publicações do filho de Bolsonaro, é de que o escritor “passou do ponto”. Ele fez uma série de acusações aos militares por meio de um vídeo veiculado nas redes sociais.

Já no fim de semana, a postagem incomodou o presidente, que passou parte do feriado no Guarujá (SP). Bolsonaro foi surpreendido com a mensagem que trazia ataques aos militares, publicada no canal do presidente no YouTube. Ele mandou apagar o post, mas a polêmica prosseguiu com o compartilhamento do vídeo por seu filho.

O fato provocou reação da cúpula militar, que já havia alertado Bolsonaro da inconveniência de o guru ficar alimentando “polêmicas descabidas” em um momento em que todos os esforços estão voltados para a aprovação da reforma da Previdência no Congresso.

O  tema tomou conta das reuniões no Planalto, inclusive aquelas das quais participaram o próprio presidente. O primeiro a reagir publicamente foi Mourão, que já havia dito reservadamente estar “de saco cheio” das “agressões” e avisado que não aguentaria mais calado novos ataques.

No vídeo, o escritor faz duras críticas aos militares e questiona: “Qual a última contribuição das escolas militares à alta cultura nacional? As obras do Euclides da Cunha. Depois de então, foi só cabelo pintado e voz impostada. E cagada, cagada”, disse, acrescentando que eles entregaram o País aos “comunistas”.

Em resposta, Mourão afirmou que Olavo deveria se concentrar no exercício da “função de astrólogo”, por ser a que ele “desempenha bem”.

Sabedor da personalidade explosiva de seu apoiador, Bolsonaro mediu as palavras ao se referir a ele na nota, fazendo questão de reconhecer sua contribuição para seu triunfo eleitoral.

“O professor Olavo de Carvalho teve um papel considerável na exposição das ideias conservadoras que se contrapuseram à mensagem anacrônica cultuada pela esquerda e que tanto mal fez ao País”, afirmou o presidente, passando a se queixar dos ataques e citando a divisão provocada pela sua fala no seu governo. No mesmo comunicado, Bolsonaro afirmou que “tem convicção de que o professor, com seu espírito patriótico, está tentando contribuir com a mudança e com o futuro do Brasil”.

O porta-voz do Planalto evitou responder se o presidente foi quem postou o vídeo no YouTube ou se sabia de seu conteúdo. Limitou-se a dizer que “o presidente entende que é muito importante ele assumir a responsabilidade por sua redes sociais”. De acordo com fontes ouvidas pelo Estado, Bolsonaro não sabia do conteúdo e, por isso, mandou retirá-lo do ar.

Desde o início do governo, tem aumentado a tensão entre a ala olavista e os militares. Houve um enorme descontentamento quando, um dia após Olavo xingar Mourão de “idiota” e dizer que o seu governo ia mal, o presidente compareceu a um evento em Nova York no qual se sentou o lado do “guru”.

A divisão entre olavistas e militares atingiu até a administração do Ministério da Educação, o que levou à demissão de Ricardo Vélez Rodríguez, alinhado com as ideias do escritor. Mesmo com a disputa, um outro seguidor de Olavo, Abraham Weintraub, acabou alçado ao cargo de ministro. Em inúmeras reuniões, Bolsonaro foi advertido dos problemas que a influência do escritor e as seguidas postagens de Carlos na internet têm causado ao Planalto.

Carlos Bolsonaro volta defender Olavo

Após as críticas de Mourão, Carlos voltou ao Twitter para dizer que Olavo “é uma gigantesca referência do que vem acontecendo há tempos no Brasil”. Segundo ele, desprezar isso significa “total desconhecimento, se lixando para os reais problemas do Brasil” ou achar “que o mundo gira em torno de seu umbigo por motivos que prefiro que reflitam”.

Bolsonaro já chegou a sinalizar que poderia limitar a ação de seu filho em suas redes sociais. No entanto, sempre que surgia algum novo problema, o presidente reiterava que só tinha vencido a eleição justamente por causa da “expertise” de Carlos nessas mídias.

Porém  o sentimento é de que havia “entornado o caldo”. Conforme um dos interlocutores do presidente, inconformado com mais um embate, ninguém no Planalto “entende essa relação” com Olavo, que, segundo ele, não traz nenhum benefício ao governo.

Uma das avaliações é de que, desta vez, as queixas dos militares em relação aos ataques de Olavo acenderam um alerta no presidente de que era preciso se posicionar para tentar dar um basta na situação. “Ele já havia dado demonstração de impaciência com isso. Acho que (essa postagem do vídeo) foi a gota d’água”, comentou uma fonte.

Olavo, contudo, manteve o enfrentamento e  postou uma mensagem em sua conta no Facebook com nova provocação a Mourão: “Não estranho que a direita anti-Bolsonaro faça frente única com o general Mourão. O oposto disso é que seria espantoso”.


“Governo quer inviabilizar apuração dos crimes da ditadura”

Assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 11 de abril, o decreto 9.759 não deve afetar apenas os conselhos sociais de participação popular. A medida também coloca sob a mira de cortes os trabalhos da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos do governo federal e criada em 1995, com o intuito de promover o reconhecimento de pessoas mortas ou desaparecidas em razão das violações aos direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar. Um dos possíveis prejudicados pelo decreto que, segundo o governo, pretende enxugar gastos da administração pública, é o Grupo de Trabalho Perus, responsável por analisar 1.047 ossadas retiradas de uma vala clandestina na Zona Norte de São Paulo, em 1990.

De acordo com a procuradora da República Eugênia Gonzaga, presidenta da Comissão, a princípio, as atividades do GT Perus estão mantidas, já que o Governo ainda não especificou quais órgãos serão desativados pelo decreto. O grupo ainda tem, como explica a procuradora ao EL PAÍS, amparo jurídico baseado em acordo que garante recursos da União, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Prefeitura de São Paulo para executar o orçamento de aproximadamente 800.000 reais por ano. Por enquanto, os efeitos práticos sob a gestão Bolsonaro é a dificuldade de renovar contratos, o esvaziamento de peritos para análise das ossadas e a indicação de membros contrários à revisão de crimes cometidos pelo regime militar para compor a Comissão.

Pergunta. Como o decreto interfere nos trabalhos da Comissão e do GT Perus?

Resposta. Esse decreto é genérico, não cita especificamente o grupo de Perus. Um acordo judicial homologado em 2016 assegura a manutenção do convênio entre União, Unifesp e Prefeitura e, consequentemente, a continuidade dos trabalhos. De qualquer forma, nossas atividades na Comissão estão bem desfalcadas. Em Perus, por exemplo, temos apenas quatro peritos. O contrato com o governo federal venceu no fim do ano passado e até agora não foi renovado. Dependemos da verba da Prefeitura, mas o acordo vence no fim do ano e ainda não sabemos como vai ficar. Não estamos parados. No entanto, caminhamos a passos muito lentos.

O que pode acontecer com o grupo caso o Governo não renove o contrato após o decreto?

Isso seria o descumprimento de um acordo judicial. O governo não pode interferir por decreto em uma decisão que está homologada na Justiça. Como o acordo envolve outras instituições, não cabe ao presidente extinguir unilateralmente a força-tarefa de Perus. Porém, em outros grupos que não têm o mesmo respaldo jurídico, os impactos já foram sentidos. Equipes de peritos constituídas graças a parcerias com universidades, que faziam trabalho de investigação e busca de corpos em localidades como Foz do Iguaçu, Ilha Grande e Rio de Janeiro, foram extintas. Teremos que recomeçar do zero

Há conversas em andamento entre governo e Comissão?

Logo no início do ano falei com a ministra Damares [Alves, dos Direitos Humanos]. Ela disse que era sensível à busca de corpos. O secretário-adjunto [Alexandre Moreira] tem nos apoiado. Mas muita coisa depende das decisões de cúpula. Justamente o que falta para alavancar os trabalhos

A cúpula do Governo, incluindo o próprio presidente, tem vários representantes simpáticos ao período do regime militar. Essa inclinação ideológica pesa para as forças-tarefas de identificação de corpos e reparação das violações praticadas pela ditadura?

Está bem clara a intenção: o governo quer inviabilizar os trabalhos de apuração dos crimes da ditadura. Tem negado pedidos de renovação de contrato e nomeado pessoas que são notadamente contrárias aos princípios da Comissão de Mortos e também da de Anistia. Um exemplo é o Ailton Benedito [procurador de Goiás], que foi convidado para integrar nossa comissão sem que ninguém me consultasse. O objeto das forças-tarefas está sendo frustrado. Tanto é que os três ministros das Forças Armadas soltaram nota no último dia 31 de março dizendo que os militares apenas cumpriram os anseios da sociedade. Num primeiro momento, muita gente pode até ter apoiado o golpe. Mas ninguém apoiou tortura e assassinatos. Os 467 mortos registrados se referem apenas a militantes políticos. Não podemos nos esquecer que milhares de pessoas foram atingidas por atos de exceção do regime, inclusive militares.

No que a postura do atual governo difere dos outros?

Destinar verba para os trabalhos nunca foi uma política de Estado. Infelizmente, o Brasil não cumpriu seu dever na transição do autoritarismo para a democracia. As ossadas de Perus ficaram guardadas por mais de 20 anos. Nesse período, algumas autoridades se sensibilizaram, mas nada que se revertesse em apoio permanente. Sempre existiu, em todos os governos, o medo de desagradar militares e as Forças Armadas. Não é verdade que o Exército defendeu o país. A instituição errou muito e, ao contrário do que estipula a Comissão Nacional da Verdade, ainda não assumiu seus erros. Só estamos passando por todas essas dificuldades devido ao histórico de omissão de governos, sociedade e imprensa sobre as mortes na ditadura, por temerem as reações negativas. Adotamos uma política baseada no esquecimento. E esse foi o pior caminho possível para a transição democrática.


Em exemplo de cumplicidade e união, marido doa o rim à mulher

 “São muitas as curvas deste rio sinuoso chamado vida. Todos nós temos que navegar nele. No meu caso, com muitas paradas, algumas curvas difíceis. A maior, eu acredito que já passei e, agora, estamos nos aquietando e chegando ao porto. É isso que me deixa feliz.” É assim que a professora Iara Xavier, 48 anos, define a difícil trajetória pela qual passou na luta para vencer um câncer e uma doença renal crônica com a ajuda do marido.

Doença silenciosa, a nefropatia por IgA chegou sem dar nenhum sinal. Apesar de já ter uma filha, a pequena Ana Rute Xavier, à época com 8 anos, Iara e o marido, Elias Cleliton Gonçalves, 43, tinham o sonho de ter mais uma criança. Mesmo após dois abortos espontâneos, em 2013 o casal se planejou e decidiu que tentaria pela última vez. No quarto mês de gestação, ela perdeu o bebê. “Os exames estavam normais e tudo estava contribuindo, mas minha pressão começou a subir”, conta Iara.

Outros sinais de algo estava errado apareceram nos exames e ela, natural de Barreiras (BA), decidiu ficar no Distrito Federal, onde havia planejado passar o Natal, para descobrir o que estava acontecendo. “Esse era o começo dos meus cinco anos de muita luta”, relembra. Por conta da doença, iniciou um tratamento rigoroso. “Não podia comer nada fora de casa. No começo, eu pesava 72kg. Nessa época, passei para 58kg. Além da medicação que tomava diariamente: cheguei a tomar 20 comprimidos por dia.”

Com a dieta, os rins voltaram a funcionar o equivalente a 20%, logo esse percentual caiu de novo, para menos que 10%. Iara passou a precisar de diálise até que fosse possível um transplante do órgão. Os quatro irmãos de Iara se disponibilizaram a vir a Brasília e fazer exame de compatibilidade. Dois deles eram mais de 50% compatíveis e a mais velha, Deuslaine Xavier, 53, seria a doadora.

Tudo agendado quando os últimos exames de rotina diagnosticaram câncer na mama direita, em junho de 2016, o que levou ao adiamento do transplante por dois anos, tempo necessário para verificar se não restavam mais células cancerígenas. “A notícia do câncer não me abalou tanto quanto a do tempo que eu teria de aguardar. Meu mundo caiu naquele dia”, conta.

Depois de ter as duas mamas retiradas e aguardar o período indicado, veio outra má notícia. A irmã doadora havia adoecido. Era agosto de 2018. Foi quando, em uma conversa com o médico, ela tomou a iniciativa de se inscrever na lista de doações em São Paulo. “Eu tinha uma esperança de alguém me ligar, mandar uma mensagem ou algo do tipo. Mas, nesse mesmo dia, o doutor perguntou se o meu marido era compatível.”

Para a surpresa do casal, Elias era 50% compatível e o estado de saúde do comerciante estava bom. A preparação começou em outubro e, no último mês do ano, o próximo passo era agendar a cirurgia. Mesmo com tudo pronto, o casal tinha mais um empecilho: um exame constatou que, em vez de uma artéria ligada a cada rim, Elias tinha três de um lado e duas no outro, o que poderia acarretar em mais cortes, aumento do tempo de internação e de recuperação.

Uma semana antes do procedimento, o cirurgião explicou ainda que o rim transplantado poderia não funcionar 100%. Confrontado pelo médico, o marido não pensou duas vezes e disse: “Doutor, meu coração já é dela, o que é um corte a mais?”

 União

Companheirismo: é assim que o casal define o casamento de 19 anos. Depois de tantos obstáculos, agora podem desfrutar da vitória. Mas nada foi por acaso. As barreiras serviram para unir ainda mais o casal. “Quando nos casamos tínhamos certeza do que estávamos fazendo. Ao fazer o voto de ficar com ela na saúde, na doença e até na morte, não fiz em vão”, relata Elias, natural de Anápolis (GO).

Cristãos, eles afirmam que a fé ajudou a superar as dificuldades. “Em momento algum passou pela minha cabeça que ele iria me abandonar, pois temos muita cumplicidade”, explica a professora, sob o olhar atencioso do marido. “Ele é um guerreiro de me aguentar, pois imagina uma baiana, de temperamento forte e passando por uma situação difícil?”, conta, emocionada.

O tão sonhado transplante foi realizado em 16 de março deste ano, e tudo correu dentro do normal. “Nós estamos nos recuperando bem. Ele está ótimo, já vai voltar a trabalhar. Eu estou passando por ajustes de medicações. Em breve, farei a cirurgia para a retirada do cateter da diálise e o rim está respondendo bem”, afirma Iara.

Para ela, essa é uma lição de que o amor e o altruísmo fazem muita diferença na vida de quem precisa. Hoje, a professora come de tudo, inclusive chocolate. Ela, que fez aniversário na última quarta-feira, considera a vitória um presente.

A baiana, agora, pretende carregar na lembrança apenas o que tirou de bom das lutas e voltar para sua cidade natal, na Bahia. “Acho que, quando eu nasci, Deus perguntou se eu queria uma vida com emoção ou sem emoção, e eu respondi: ‘Com emoção’”, brinca.

 Diagnóstico

Nefropatia por IgA (NIgA) é uma doença renal causada por depósitos de anticorpos (Imunoglobulina A), que causam inflamação e lesão dos glomérulos renais progressiva ao longo dos anos. Nas fases iniciais, apresenta poucos sintomas e eles podem demorar anos para aparecer. A doença não tem cura, mas o tratamento previne a insuficiência renal.


“Avianca pode nos custar US$ 48 milhões”, afirma presidente da Gol

A 15 dias da data marcada para o leilão das Unidades Produtivas Isoladas (UPI) da Avianca – que conterão as autorizações de pouso e decolagem (slots) da empresa em crise –, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, admite haver risco de que o evento não ocorra, o que causaria um prejuízo de US$ 48 milhões (R$ 190 milhões) para a companhia. Segundo Kakinoff, essa possibilidade de perda evidencia o esforço da Gol na disputa pela Avianca. “Destaco isso como um primeiro combate a uma falácia de que há interesse (da Gol) para que a Avianca não chegasse ao leilão”, disse.

Há risco de a Avianca não sobreviver até o leilão?

Não temos visibilidade da real situação da Avianca. O que sabemos é que, ao longo da recuperação judicial, nenhum conjunto de agentes interessados nesse processo fez tantos investimentos e esforços como se está sendo feito agora (para a Avianca não quebrar). Se considerarmos só o investimento que a Gol já fez, são US$ 13 milhões (mais US$ 35 milhões para o Elliot, maior credor da Avianca). A Latam fez outro de US$ 13 milhões. O fundo Elliott também fez um aporte.

A Gol está preocupada com a possibilidade de que o leilão não ocorra? Haveria impactos?

Sim. Essa é uma preocupação. Do ponto de vista financeiro, perderíamos US$ 48 milhões. (Do ponto de vista operacional), continuaríamos com impactos significativos. A Gol nunca se recusou a receber clientes da Avianca, mesmo sem ter a menor perspectiva de que o custo desse transporte seria compensado. Evidentemente, temos caixa para isso (absorver os custos e a perda financeira). Jamais teríamos incorrido nesse modelo de negócio se não estivéssemos cientes dos riscos. Tudo isso evidencia o esforço que está sendo feito (para recuperar a Avianca). Destaco isso como um primeiro combate a uma falácia de que há um interesse de (da Gol) para que a Avianca não chegasse ao leilão.

Se a Avianca sobreviver até o leilão, precisaria de mais investimentos para operar até a conclusão da venda das UPIs. A Gol está disposta a um novo aporte?

Aportes superiores aos US$ 13 milhões serão objeto de discussão e estão condicionados a uma diligência na empresa.

Administrativo de Defesa Econômica) investigará se houve conduta anticompetitiva da Gol e da Latam. Qual a posição da Gol?

Essa é uma retórica que classifico como realidade fantástica. Estamos à disposição para demonstrar como esse processo foi construído. Vale destacar que começou com iniciativa do principal credor da Avianca (Elliott), que nos procurou com uma oferta de plano de recuperação que pudesse viabilizar a participação da Gol como um dos pretendentes a adquirir ativos da empresa. Todo o processo foi feito em uma relação exclusiva com o Elliott. Nunca houve qualquer conversa com outro competidor.

Mas como foram divididos os slots nas UPIs? Há justamente uma UPI que é interesse para Latam e outra para Gol…

Isso é um equivoco. Foram colocadas sete UPIs. Todos são livres para fazer ofertas por elas. O trabalho que a Elliott fez foi estruturar as UPIs para que fossem comparáveis e tivessem um nível de fragmentação que permitisse a outros ‘players’ terem a possibilidade de adquirir os ativos (para diminuir o risco de a operação ser barrada no Cade). Por que a Azul não adquire as UPIs? Esse processo é competitivo, o que me faz crer que quem não gosta de competir é a Azul.

No centro da disputa estão os slots de Congonhas. Quão importante é para a Gol ter mais slots ali? A empresa já tem 43% de participação no aeroporto.

São slots valiosos para toda a indústria. No caso da Gol, esse crescimento possibilitaria oferecer um nível de serviço ainda melhor para nossos clientes, pela quantidade de conexões que poderíamos oferecer.

O crescimento da Azul no terminal atrapalharia a Gol?

Ouvimos que a competição (Gol e Latam) teria receio de ter a Azul em Congonhas. Sempre que se fala em competição, deve se entender quais os benefícios possíveis de serem extraídos desse ambiente. Um deles é o preço. O que se sabe não ser o caso da Azul, justamente por ser a empresa que cobra as tarifas mais caras do Brasil. Uma outra dimensão é o produto. Aqui, o contraste fica maior. Nós temos itens exclusivos como Wi-Fi em todos os voos que operamos em Congonhas. A Gol está acostumada com competição.

A Gol chegou a negociar a compra da Avianca antes da recuperação judicial?

Tivemos tratativas infrutíferas ao longo dos últimos dois anos. Foram conversar esporádicas. A última, em dezembro. O assunto não prosperou porque as condições aventadas não pareciam ser factíveis para nós, inclusive a questão regulatória (de concentração).


“Não há prejuízo para o Supremo”, diz Alexandre Moraes sobre censura

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes falou publicamente sobre a acusação de censura à qual foi submetido após determinar a remoção da reportagem “O amigo do amigo do meu pai”, que menciona o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Em entrevista durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa, iniciado nesta segunda-feira (22/4), em Portugal, Moraes minimizou os efeitos da decisão.

“Isso ocorre diuturnamente na Justiça brasileira. Quando há uma notícia que, em princípio, como a Procuradoria-Geral atestou, não existia, você cautelarmente determina que cesse aquela ofensa”, afirmou.

A reportagem publicada pela revista Crusoé tem como base um documento que consta dos autos da Operação Lava Jato. O empresário Marcelo Odebrecht encaminhou à Polícia Federal informações sobre codinomes citados em e-mails apreendidos em seu computador em que afirma que o apelido “amigo do amigo do meu pai” se refere a Toffoli.

O texto publicado pela revista informava que a Procuradoria-Geral da República havia recebido tal documento, mas a PGR negou a informação. “Assim que chegaram os documentos – e eu requisitei imediatamente a cópia integral do inquérito – e eu constatei a presença desse documento, foi levantada a suspensão. Não acredito que haja prejuízo para a imagem do Supremo”, afirmou Moraes.

A decisão de tirar a reportagem do ar ocorreu, segundo o ministro, como forma de não prejudicar a honra do presidente do STF. “Você não pode prejudicar a honra de uma pessoa, quando há, como houve, uma nota oficial da PGR dizendo que não tinha conhecimento de nenhum documento, que nenhum documento havia chegado”, argumenta.

O STF vai investigar o vazamento do conteúdo da delação. “Ou foi exercício de futurologia pela matéria, dizendo que já estava na Procuradoria e a PGR ainda não tinha conhecimento, ou alguém vazou. Vazamento é crime, principalmente de algo sigiloso de uma delação premiada importantíssima”, afirma Alexandre de Moraes.

Conflito

A decisão de Alexandre de Moraes de remover conteúdo da Crusoé foi reprovada pela cúpula da PGR. Na terça-feira (16/4), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, informou ao STF que arquivaria inquérito aberto pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, para apurar ameaças e fake news contra a instituição e seus integrantes.

“O que se investiga não são críticas, ofensas, isso é pouco. O que se investiga são ameaças graves feitas inclusive na deep web, um verdadeiro sistema que vem se montando para retirar a credibilidade das instituições”, Alexandre de Moraes

“A doutora Raquel tem sua opinião. É lícito que o MP tenha sua opinião. Eu fui promotor por mais de uma década e os membros do MP tem total autonomia. O Judiciário não precisa concordar com as posições do MP”, disse Moraes.

O ministro informou que o inquérito segue em andamento e que, após o término da apuração, serão encaminhados fatos a cada Ministério Público responsável e a cada órgão correcional para que tomem as providências necessárias.

“A abertura de inquérito foi necessária porque inúmeros fatos foram ocorrendo. Nos últimos 5 ou 6 meses houve vários pedidos de apuração (sobre ameaças) por parte o Supremo e não houve apuração. Isso concentra essa apuração para depois distribuir aos órgãos competentes”, avalia.

“Querem desacreditar o STF”

O ministro Gilmar Mendes também se manifestou a respeito da acusação de censura. “Não acredito que esse documento, que foi usado como um teste, tenha sido feito por acaso. Queriam criar um constrangimento para o presidente do tribunal. Não tem nenhum crime, não tem nada ali”, afirmou.

Para Mendes, há um “grupo engajado em desacreditar o Supremo”. Ele também criticou o vazamento da delação. “Não podemos deixar que daqui a pouco organizações que fazem parte de um aparato estatal se transformem em milícias, isso não pode ocorrer”, disse Mendes.

Fórum

Gilmar Mendes comanda, em Lisboa, evento promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição da qual é sócio-fundador, e anualmente promove uma semana de debates jurídicos. Esse ano, o tema é justiça e segurança.

Entre os palestrantes esperados neste ano estão o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM); o presidente da Câmara dos Deputados (DEM), Rodrigo Maia; o ministro da Justiça, Sergio Moro; e o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB); entre outros. O Fórum Jurídico vai até o dia 24/04/19.


Gilmar Mendes: prisão de Lula deveria ter esperado decisão definitiva

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes falou, nesta segunda-feira (22/04/19), sobre a prisão do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista antes da abertura do VII Fórum Jurídico de Lisboa: “Tenho a impressão que deveríamos ter esperado uma decisão definitiva, não a decisão de segundo grau. Mas isso já ficou superado”, disse.

Com o ex-presidente preso, ele avaliou que agora o processo será reavaliado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Temos que aferir isso no processo. Não me consta que isso foi discutido no processo. Temos que examinar com todo cuidado. A questão será examinada pelo STJ e, depois, pelo STF quando for pertinente”, afirmou Mendes.

Ele foi questionado sobre uma suposta declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, que teria dito acreditar na inocência de Lula. O próprio ministro da Economia, porém, descartou ter defendido o petista.

A defesa do ex-presidente aposta em um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Lula tenta reverter sua condenação no processo do triplex, dada pelo então juiz Sergio Moro. O ex-presidente também está condenado em outra ação, do sítio de Atibaia, a 12 anos e 11 meses de reclusão, sentença imposta pela juíza federal Gabriela Hardt.

Gilmar Mendes comanda, em Lisboa, evento promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição da qual é sócio-fundador, e anualmente promove uma semana de debates jurídicos. Esse ano, o tema é justiça e segurança.

Entre os palestrantes deste ano estão o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM); o presidente da Câmara dos Deputados (DEM), Rodrigo Maia; o ministro da Justiça, Sergio Moro; e o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB); entre outros. O Fórum Jurídico vai até o dia 24/04/19.


David Miranda, substituto de Jean Wyllys, promete guerra ao conservadorismo

Taurino com ascendente em libra e lua em aquário. Quem entende — e  acredita em astrologia — pode traçar, em poucas palavras, um pouco da personalidade de David Miranda, deputado federal pelo PSol do Rio de Janeiro. Genioso, de personalidade forte, emotivo, ligado à família e preocupado com os direitos, civis e sociais, das minorias. Negro, favelado, gay, casado com um homem há 14 anos, pai de duas crianças, o parlamentar chegou à Câmara dos Deputados neste ano. A primeira aparição nacional foi em resposta a um tuíte do presidente Jair Bolsonaro, que escreveu “Grande dia”, sobre saída do deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) do país. “Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT, mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que, em dois anos, aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília”.

Suplente de Jean, David assumiu a cadeira quando o colega de partido deixou o Brasil, após ser ameaçado de morte. Desde 1º de fevereiro, ao pisar em Brasília, tem claro para si que terá de travar uma batalha árdua contra o que chama de conservadorismo de direita.  Nesta semana, apresenta um projeto nos moldes da Maria da Penha voltado para a população LGBTI+. De voz forte, timbre firme, levemente grave, o deputado gesticula a todo minuto enquanto fala. Ele recebeu o Correio em seu gabinete, no Anexo III da Câmara dos Deputados, onde, em uma hora e meia, falou sobre família, racismo, homofobia e chorou ao relembrar a morte da melhor amiga, a vereadora Marielle Franco, executada a tiros de fuzil no Rio de Janeiro, há pouco mais de um ano. Confira os principais trechos da entrevista a seguir:

Como foi a sua infância? É de lá o seu apego às causas sociais?

Eu não conheci o meu pai e minha mãe biológica morreu quando eu tinha 5 anos de idade. Minha mãe afetiva é minha tia, irmã dela, que me adotou. Nós temos uma ótima relação. Nos falamos constantemente. Ela está muito feliz com os netos. Cresci no Jacarezinho e crescer em comunidade é muito diferente. Hoje eu moro num bairro onde eu não conheço nenhum dos meus vizinhos. Quando você mora na favela, você conhece todo mundo que mora na sua rua, na rua de baixo, na outra rua... Você tem um senso de comunidade muito diferente. E passa a se importar muito com o ser humano.

Você começou a trabalhar muito cedo?

Comecei a trabalhar entregando panfleto para um dentista da comunidade. Aos 9 anos, consegui um ‘emprego’ em uma locadora de videogame. Meus amigos e eu sempre ficamos muito ali naquele ambiente. Até hoje gosto de jogar. Quando estou de folga passo muito tempo jogando com meus filhos. Depois, trabalhei em uma lotérica, como faxineiro, officeboy, fui operador de telemarketing. Aos 18 anos virei gerente em uma loja. Todas oportunidades me foram dadas por um homem que é uma figura paterna para mim. Sou muito grato a ele.

Quando você saiu do Jacarezinho?

Saí de casa aos 13 anos de idade. Eu tinha um amigo que era mais velho, e ele era muito arrogante. Lembro-me que ele falou que eu nunca conseguiria sobreviver fora do Jacarezinho. Eu o admirava e foi exatamente aí que eu me senti desafiado, e tive de sair. Ele era mais velho, estudava direito, meio metido a filósofo. Fui morar com meus primos em outra comunidade, onde havia batidas policiais. Bem diferente da realidade que eu vivia. Mas deu tudo certo.

Quando você conheceu o seu marido, o jornalista Glenn Greenwald?

Eu conheci o Glenn na Farme de Amoedo, no Rio de Janeiro. Eu tinha 19 anos e estava jogando futevôlei com um grupo de amigos. Alguém chutou uma bola e bateu na capirinha que ele estava bebendo. Pedi desculpas e depois ficamos conversando. Fomos jantar no mesmo dia à noite. Uma semana depois estávamos juntos, morando juntos e estamos aí, até hoje. Há 14 anos ele é o amor da minha vida.

… com quem você tem dois filhos. Você sempre quis ser pai?

Sempre! Hoje os meninos têm 9 e 11 anos. Adotamos eles há um ano e meio. E os moleques são perfeitos para nós. O João Vitor, que é o mais velho, é uma cópia minha. Jogamos videogame juntos, jogamos bola juntos. Ele tem uma inteligência emocional extremamente evoluída. Ele ficou no abrigo muito tempo, teve de cuidar do irmão. Foi um período difícil. Já o Jonathas tem o senso de humor do Glenn. O irmão dele é a figura predileta para ele perturbar no mundo. Eles têm muita facilidade com línguas, conversamos em inglês em casa. Agora eles vão ter dupla cidadania. Fico feliz porque eles vão ter muitas oportunidades na vida. Espero que melhoremos muito o Brasil para podermos dar um futuro saudável para os dois e para todas as crianças que estão aí.

Como é a interferência do Glenn no seu mandato?

A gente é casado, né? A gente troca muita ideia sobre as coisas que acontecem. Diretamente com o mandato, ele não tem nenhuma influência. Mas, quando tenho qualquer problema aqui, corro para o meu porto seguro.

Como tem sido sua relação com Brasília?

Tem sido impossível criar uma ligação com Brasília (risos). É reunião atrás de reunião. Não consigo sair nesta cidade. De vez em quando, depois do expediente, a gente tenta ir a algum bar para tomar uma cerveja. Só.

Há racismo dentro do Congresso Nacional?

Há racismo dentro do Congresso, sem sombra de dúvidas. Da forma como te olham, te avaliam. Eu passei 19 anos alisando meu cabelo. Parei de alisar depois de uma aposta que eu fiz com a Mari (a vereadora Marielle Franco). Falei que ia raspar a cabeça e pintar a barba de louro. Foi ela quem pediu pra eu deixar o meu cabelo crescer natural. As pessoas ainda me perguntam: ‘porque você não corta o cabelo? Porque não arruma o cabelo daquele jeito que você fazia, era tão bonito?’. Você não sabe quantas vezes eu queimei meu couro cabeludo. Quanto sacrifício eu tive de fazer para me encaixar em padrões. Eu já fui parado várias vezes aqui dentro. Há uma diferença muito grande no tratamento que um homem branco recebe e o que um negro gay recebe.

Você assumiu uma vaga que era do ex-deputado Jean Wyllys (PSol). O seu mandato terá influência dele?

Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, eu consegui fazer várias coisas que mudaram aquela

Casa para sempre. Cobrimos a Câmara com uma bandeira imensa de arco-íris e a população LGBT conseguiu se sentir representada. Passamos o projeto do nome social para travestis e transgêneros na cidade do Rio de Janeiro, sem contar o projeto de assistência à população LGBT. Eu era presidente da frente parlamentar contra o estigma de pessoas convivendo com HIV/Aids. Também era presidente da comissão contra a intolerância religiosa. Da mesma forma que eu fazia isso tudo lá, eu vou fazer aqui. Vou lutar contra todos esses estigmas colocados sobre pessoas como eu, como o Jean. A gente sofre na nossa sociedade há muito tempo e aqui, nesta Casa, não será diferente. E eu não vou dar espaço para certos tipos de pessoas agredirem nossa população.

E os projetos?

A gente vai apresentar na semana que vem um projeto que está sendo trabalhado em várias mãos, com vários grupos e organizações. Ele é nos moldes da Maria da Penha. Com ressocialização, medidas educativas. Tudo para que a gente possa melhorar a sociedade para poder entender que não existe uma complexidade com a população LGBTI . Eu acho que o que a gente vai trazer para cá é isso: diálogo. No RJ, eu consegui ter diálogo com o Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com o Alexandre Isquierdo (DEM-RJ), com o Otoni de Paula (PSC). Eu fiz eles entenderem que o nome social era simplesmente o que eles utilizavam, por exemplo, como o posto de pastor. Isso que eu vou fazer aqui. Eu vou conversar também com aquela galera de sempre, que vai bater o pé, reclamar. Inclusive com o Marco Feliciano (PSC-SP). Vou ter muito chão pela frente, eu sei. Mas o mais importante é não ter mais notícia de uma travesti com um coração arrancado. Não ter a notícia de um jovem assassinado a paulada dentro de uma universidade no Rio de Janeiro. Se for preciso engolir alguns sapos, como ocorreu no Rio, eu vou engolir.

Essa diplomacia é diferente da forma como o Jean fazia política?

Eu vou ser tão assertivo quanto o Jean. Eu sou o cara que fica do lado de fora da Câmara tomando porrada e gás de bomba junto com os servidores. Eu fui atropelado no dia da greve geral. Eu chorei no microfone no dia em que a Dandara foi assassinada. Eu vou ser esse cara que vai gritar também e fazer esse enfrentamento. Mas eu tenho consciência da minha posição parlamentar também. Eu tenho de estar aqui fazendo diálogo com a camada que eu possa ter diálogo. Para fazer o serviço que eu fui eleito, para melhorar a vida das pessoas. No Rio de Janeiro, hoje a gente vive a maior crise do estado. Eu fiz o projeto que assegura que os servidores pensionistas e aposentados sejam prioridade máxima na folha de pagamento do município. Nós vimos professores e servidores chorando por não terem comida para colocar dentro de casa. Que estavam sendo despejados porque não tinham dinheiro para pagar aluguel. Eu vou, sim, utilizar minha voz alta. Vou gritar. Mas eu acho que a diplomacia também é um caminho eficaz.

Hoje você recebe mais vaias ou aplausos?

Mais aplausos, sem dúvida. É incrível a quantidade de carinho que tenho recebido. Eu sou parado em aeroporto, na padaria. Depois da morte da Marielle, então...

Onde você estava quando recebeu a notícia da morte da Marielle?

Eu estava em casa... Eram 21h e pouco quando meu assessor me ligou me perguntando onde eu estava e, quando eu respondi, ele me disse: mataram a Marielle. Eu fui para o quarto, chorei, falei com o Glenn. Chorei muito. Decidimos que era melhor eu ficar em casa, pois não sabíamos o que estava acontecendo. Pela manhã, fomos para a Câmara, todo mundo ainda sem saber o que estava acontecendo. Quando eu vi a Mônica (Monica Benício, viúva de Marielle), nos abraçamos e choramos muito, mas ela estava muito forte. A pior parte foi carregar o caixão. Carregar o caixão dela foi... indescritível. A gente passava com o caixão e as pessoas começavam a cair de joelhos.

Você fala com a Mônica com que frequência hoje?

Todos os dias. Eu e Marielle saíamos aos fins de semana. Bebíamos cerveja, conversávamos muito. Eu e Mônica nos conhecemos através da Mari. Desde o primeiro dia em que nos conhecemos, tivemos muita afinidade. E até hoje ela me chama de marido. Em todos os momentos, fiquei ao lado dela. Fomos à OEA (Organização dos Estados Americanos), em maio do ano passado, porque sabíamos que a investigação aqui seria complicada.

Você já recebeu ameaças depois que assumiu a cadeira na Câmara Federal?

Já. Eu estava andando na Lapa — antigo bairro boêmio do Rio — quando ouvi dizerem: “Aquele viado ali que a gente tem que matar agora”. Isso, depois do assassinato da Marielle. Já recebemos ataques cibernéticos, que foram, inclusive, protocolados na Polícia Federal. Falam do Glenn, da minha família, de meus filhos... E a gente sabe que esses caras mataram uma companheira nossa. O Jean teve de sair do país porque o nível de ameaça que ele estava recebendo extrapolou qualquer limite.

Quais os seus maiores medos hoje?

Hoje o meu maior medo é fazerem qualquer coisa com meus filhos. Eu temo pela minha família inteira, mas eu e Glenn nos expomos por causa do nosso trabalho. Meus filhos, não. Fazer oposição não vai ser fácil. E temo muito pela população brasileira, por não conseguir enxergar o trabalho que estamos fazendo agora, que é tentar resgatar qualquer pessoa, independente de quem votou, para mostrar que o pacote do Moro é uma ameaça a toda periferia, principalmente para a juventude negra do país. Que a reforma da Previdência vai acabar com a esperança e o futuro da população. Meu maior medo é a população não tomar de volta a democracia, que está aí quebrada. Enquanto a gente não encontrar os mandantes do assassinato da Marielle, a gente não pode falar que a gente vive numa democracia. Enquanto a gente não descobrir quem são os caras que ameaçaram o Jean, a gente não pode dizer que a democracia está íntegra.

Você tem uma avaliação dos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro?

Esse governo é uma ameaça enorme para a democracia. A falta de entendimento político que a base dele tem é assustadora. Vemos hoje o que ele pode fazer de dano pela estupidez e pela falta de experiência, tanto nas relações internacionais, mas também no âmbito nacional, onde ele consegue fazer, por exemplo, que estruturas consigam se colidir. Mas, apesar da preocupação, é bom ver o espaço que ele abre para a oposição para fazer uma desconstrução dele, de debater democraticamente. Nós vamos mostrar que essa relação de proximidade da família Bolsonaro com a milícia é um absurdo.

Na sua opinião, a que se deve essa onda conservadora no mundo?

Acredito que é reflexo da globalização e da má utilização da internet. Acho que essa onda conservadora tende a ser uma força contrária ao progressismo. Nós vemos negras em capas de revistas conceituadas. A representatividade está aí e há uma luta por esses espaços. Quando você tem movimentos progressistas, e isso a própria história mostra, existe sempre um momento de retrocesso e conservadorismo daqueles que tentam se manter no topo. E isso vai se renovar com padrões e na tentativa da estigmatização de grupos. Os de cima sempre vão querer manter os de baixo embaixo.


Papa condena ataques no Sri Lanka como 'atos terroristas' injustificáveis

O papa Francisco condenou nesta segunda-feira os ataques a igrejas e hotéis no Sri Lanka que mataram cerca de 300 pessoas, e pediu reprovação mundial ao que disse serem "atos terroristas, atos inumanos" que nunca poderão ser justificados.

Foi o segundo dia consecutivo em que o papa condenou os ataques, que atingiram muitos católicos no domingo de Páscoa, uma das datas mais importantes para o cristianismo.

Dirigindo-se a milhares de pessoas na Praça de São Pedro na Segunda-feira de Páscoa, feriado na Itália, ele disse que estava unido aos fiéis do Sri Lanka e orando por todos os mortos e feridos.

"Eu peço a todos para não hesitarem em oferecer a ajuda necessária a essa nação querida. Espero que todos condenem esses atos terroristas, atos inumanos, nunca justificáveis", disse ele antes de liderar a multidão em orações às vítimas.

Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelas explosões, muitas delas atentados suicidas, que mataram cerca de 290 pessoas e feriram outras 500 -- o ataque mais fatal na ilha desde o fim de um guerra civil em 2009.


Saiba qual é o chocolate mais indicado para proteger a saúde

Se na Páscoa a tradição é comer chocolate, por que não usar a oportunidade à favor da sua saúde? Apesar de parecer contraditório, o chocolate apresenta muitos benefícios para o organismo, mas é preciso saber escolher a variedade correta e não exagerar no consumo.

— Pesquisas têm mostrado efeitos funcionais de alguns componentes do cacau, como a redução do risco de doenças cardiovasculares e de câncer, por conter flavonoides, compostos altamente antioxidantes e anti-inflamatórios, além de cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre, manganês e selênio — afirma Juliana Pandini, coordenadora do curso de nutrição do Centro Universitário Celso Lisboa.

O tipo de chocolate que mais apresenta esses compostos é o amargo, com pelo menos 70% cacau.

— Chocolates com baixo teor de cacau têm muito açúcar e gordura. Em excesso, pode contribuir para doenças como diabetes, aumento de colesterol, doenças coronarianas e obesidade — alerta a nutricionista Adriana Magalhães, da Clínica Ana Carolina Sumam.

Uma dica para não cair em tentação e exagerar na dose é evitar comer chocolate quando estiver com fome.

— Deixe para saborear o doce após as refeições. Assim, a saciedade será alcançada com porções menores. Procure manter o prato sempre saudável, com a presença de vegetais, que são ricos em fibras, nutriente que ajuda a prolongar a sensação de estômago cheio — diz Jefferson Bitencourt, professor de nutrição clínica funcional no Instituto VP, consultor da Via Farma.

Já os chocolates mais gordurosos devem ser evitados por quem tem a pele oleosa.

— Já se sabe que, aumentando a gordura do chocolate, eleva-se a fabricação de sebo pelas glândulas, entupindo poros e causando espinhas — afirma Murilo Drummond, diretor da Clínica DrummonDermato.

Faça a escolha certa

Branco

Mais doce e gorduroso que os demais, não leva cacau em sua composição. É feito basicamente de manteiga de cacau, leite e açúcar

Ao leite

Contém açúcar, leite ou leite em pó ou leite condensado e cerca de 30% a 40% de cacau

Meio amargo

Apresenta na sua composição, mais açúcar que o amargo, e mais cacau que o chocolate ao leite, cerca de 50%

Amargo

Caracterizado pela cor escura e sabor amargo, é feito com grãos de cacau torrados, pouca adição de açúcar e não leva leite. Tem 70% ou mais de cacau em sua composição e é conhecido como "amigo do coração"

Diet

É altamente calórico pois, apesar de não ter açúcar, tem índice elevado de gordura, para dar mais sabor