Comida do futuro: cientistas criam fonte de proteína a partir do ar

Uma startup finlandesa está trabalhando para criar uma fonte de proteína feita com dióxido de carbono retirado do ar, que substituiria as opções atualmente disponíveis à base de fontes animais ou vegetais. A solução é especialmente valiosa em locais onde o solo ou o clima são impróprios ao cultivo de alimentos.

A chamada “soleína” é uma inovação da empresa Solar Foods, que a classificou como 100 vezes mais amigável ao clima do que qualquer outra proteína, já que o mecanismo desenvolvido pela empresa usa apenas energia renovável.

A ciência do processo é a soma de ações químicas que começam com o uso de energia do CO2 para quebrar moléculas de água em seus dois componentes: o hidrogênio e o oxigênio. Essas moléculas, então, viram alimento para micróbios. Eles são os responsáveis por sintetizar a substância comestível que, segundo a Solar Foods, é bastante nutritiva, sendo: 50% proteína, 20% a 25% carboidrato e 5% a 10% de gordura.

O produto final é um pó, semelhante à farinha de trigo. De acordo com a startup, a soleína deve entrar no mercado dentro de dois anos.


Movimento que lançou Tabata se cala sobre contratação de namorado dela

Em sua página inicial, o RenovaBR diz que tem a missão de preparar lideranças “que têm em comum a crença de que a política é lugar de honestidade, diálogo e dedicação”. Procurado por VEJA, o líder do movimento, Eduardo Mufarrej, não quis comentar o imbróglio envolvendo a pupila mais famosa da entidade, Tabata Amaral (PDT-SP).

Ela está no centro de uma polêmica que envolve uma questão de ética. No sábado 20, o site de VEJA revelou que a pedetista pagou, durante sua campanha, 23 mil reais ao namorado, o colombiano Daniel Alejandro Martínez, para prestar “serviço de análises estratégicas para a campanha eleitoral”.

Procurados por VEJA, Tabata e Daniel não quiseram comentar o caso, tampouco se dispuseram a apresentar a documentação comprovando a realização do trabalho. O caso não é necessariamente ilegal (isso se o serviço foi realmente executado, algo que ainda não se demonstrou). Mas, no mínimo, é uma conduta questionável de quem se elegeu prometendo criar novos padrões morais na política.

Em comunicado enviado à redação de VEJA, o RenovaBR afirmou que “defende total transparência nas contas de campanha” e que “não interfere na gestão do uso dos recursos de campanha de seus líderes”. O movimento diz, ainda, que a parlamentar, um dos símbolos da renovação política, “declarou as doações e despesas, e suas contas foram aprovadas pela justiça eleitoral”. Tabata também se manteve em silêncio com relação ao assunto. Nos dias seguintes à publicação da reportagem, publicou 11 tuítes em sua página – dois sobre a situação da Amazônia, dois sobre agrotóxicos e sete sobre ensino, sua área de atuação.

Reportagem de VEJA do sábado 20 mostrou que Tabata contratou Martínez, que conheceu na prestigiada Universidade Harvard, nos Estados Unidos, durante a campanha eleitoral. O registro de pagamento está, de fato, no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi lá, inclusive, que VEJA detectou o pagamento ao colombiano.

O documento determina, inclusive, o local e horário de trabalho: Avenida Agami, 40, das 9h às 18h, em São Paulo. No local funciona um coworking, um escritório compartilhado por diversas empresas e empreendedores, que nunca serviu de comitê para Tabata. O comitê fica no bairro da Saúde, distante 15 quilômetros do local de trabalho de Martínez.

Procurada por VEJA, a pedetista afirmou, em nota enviada por sua equipe de comunicação, que sua campanha “cumpriu as leis eleitorais na contratação de seus serviços e pessoas” e que “todas as informações são públicas e estão no portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”.


Rússia tenta interferir nas eleições norte-americanas de 2020, diz FBI

O diretor do FBI, Cristopher Wray, disse que a Rússia está tentando interferir nas eleições dos EUA, marcadas para 2020. O país já teve participação no pleito de 2016, quando impulsionou conteúdo anti-Hillary Clinton para favorecer Donald Trump, que foi eleito.

Em depoimento ao comitê judicial do Senado –Casa controlada pelos republicanos– Wrat afirmou: “Os russos estão tentando interferir em nossas eleições”.

Apesar das próximas eleições estarem marcadas apenas para novembro do ano que vem, a disputa já está na fase das primárias, que decidirá o indicado de cada partido. Entre os democratas, são 24 nomes no certame. Os favoritos da oposição são o ex-vice-presidente Joe Biden e os senadores Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Kamala Harris.

Mueller Report

Em abril, o relatório do procurador especial Robert Mueller comprovou que a Rússia interferiu nas eleições de 2016 para beneficiar Trump. O documento, no entanto, se isentou de acusar Trump de conluio com os russos.

Mueller, contudo, negou que o inquérito tenha livrado o presidente Donald Trump do crime de obstrução de Justiça, mas afirmou que não havia opção legal para acusar formalmente o republicano no caso.

“Acusar o presidente de 1 crime não era uma opção que podíamos considerar. Mas, se tivéssemos confiança de que o presidente não cometeu 1 crime, teríamos dito isso”, afirmou Mueller. “Apenas não fizemos uma deliberação sobre se o presidente cometeu 1 crime ou não.”

O procurador fará um  depoimento ao Capitólio nesta 4ª feira (24.jul.2019) para responder a questionamentos dos congressistas acerca do relatório, que foi publicado com rasuras que ocultavam trechos confidenciais.


Defesa de ex-presidente pede ao STF suspensão de ação sobre Instituto Lula

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda a ação penal em que o petista, preso e condenado na Lava Jato, é acusado de receber propina por meio de um terreno para o Instituto Lula e um apartamento vizinho à residência de Lula no ABC paulista.

Apesar de não ser o relator do caso, o pedido de Lula pode ser analisado pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, já que ele é responsável pelas solicitações que chegam ao STF durante o recesso judiciário.

O julgamento desse pedido de suspensão foi marcado para agosto – no plenário virtual da Segunda Turma do STF -, mas os advogados do petista alegam ser necessária uma decisão urgente sobre o caso porque a ação penal foi remetida ao juiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba, e está pronta para receber uma sentença.

A defesa do petista quer ter acesso ao acordo de leniência da Odebrecht com o Ministério Público Federal antes que o juiz tome alguma decisão. “Desse modo, há perigo concreto de que a Ação Penal em que foram carreados elementos oriundos do acordo de leniência seja sentenciada sem que o Peticionário tenha tido a oportunidade de sequer conhecer a documentação”, afirmou ao STF.

Atendendo em parte um pedido dos advogados do petista, o ministro Edson Fachin concedeu a ele “acesso restrito aos elementos de prova já documentados”. Já o juiz da 13ª Vara determinou que o MPF e a Odebrecht se manifestassem diretamente no processo da leniência, para delimitar a extensão do acesso da defesa àquilo que diz respeito exclusivamente ao ex-presidente.


OAB pedirá esclarecimentos sobre juiz que usou violência no Rio como fator para decidir sobre guarda de criança

A seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) informou  que pedirá esclarecimentos ao Tribunal de Justiça do Rio sobre o caso do juiz que usou a violência no Rio como uma das justificativas para tirar da mãe a guarda de uma criança de oito anos que mora na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte da cidade.

Para Rodrigo Mondego, que integra a Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da OAB-RJ, fatores como o fato da mulher ter sofrido violência doméstica cometida pelo pai da criança e um laudo psicossocial indicando que ela tem condição plena de tomar conta do filho foram desconsiderados:

- A decisão toda está calcada em mero preconceito - resume Mondego, em entrevista divulgada no site da OAB-RJ.

Mãe da criança, Rosilaine tem 41 anos e vive em uma casa de três cômodos em Manguinhos. Além da criança de oito anos, ela tem outro filho de 15, fruto de outro relacionamento. Após recorrer da sentença, ela procurou apoio da CDAHJ.

O pai do menino de oito anos mora na cidade catarinense de Joinville e solicitou a guarda do filho à Justiça em julho de 2014. O argumento da violência como motivo para retirada da guarda da criança vem sendo usado pelo juiz desde a primeira decisão sobre o caso, divulgada em 2017 e posteriormente anulada.

De acordo com o texto da decisão do magistrado, "a cidade do Rio de Janeiro tornou-se uma sementeira de crimes, havendo para todos o risco diuturno de morrer". Por isso, ele entendeu que “nos dias que correm, é mais seguro residir fora do município do Rio de Janeiro”.

Representante legal do pai do menino, o advogado Ricardo Afonso Baptista defendeu os argumentos do juiz:

— Sou carioca, mas moro há 36 anos em Joinville. Esta cidade é a Europa do Brasil. No caso em questão, além da insegurança, o pai não pode sequer visitar o filho na comunidade, porque já está ameaçado de morte pela criminalidade local. Além disso, também baseamos o pedido no fato de que a criança precisa do afeto paterno.


Advogado cearense processa Bolsonaro por racismo por chamar Nordeste de 'paraíba'

Um advogado do Ceará apresentou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Jair Bolsonaro pela declaração em que ele se referiu aos governadores do Nordeste como "governadores de paraíba". O objetivo de Antonio Carlos Fernandes, da cidade de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, é dar início a uma ação penal contra Bolsonaro pelos crimes de injúria e racismo. Para ele, o presidente se portou de forma racista e preconceituosa.

O advogado argumenta que Bolsonaro usou o termo para se referir aos nordestinos "em tom jocoso, traduzindo desprezo e menoscabo, tendo cometido, inequivocamente, crime de injúria". Depois, continua: "Sem dúvida o presidente da República excedeu-se, de forma gravosa, em seu destempero verbal, expressando um sentimento racista, discriminatório e preconceituoso em relação à procedência nacional dos nordestinos".

O advogado diz ainda que a Constituição garante a não discriminação e o não preconceito. Segundo ele, "as falas, as palavras e até os gestos praticados pelos presidentes da República têm o condão de induzir, de incitar práticas semelhantes pelos seus seguidores". E finaliza: "O atual presidente faz, constantemente, apologia ao racismo e contra as minorias".

A fala de Bolsonaro ocorreu na sexta-feira, durante uma conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, instantes antes de um café da manhã com correspondentes estrangeiros, em que ele criticava o governador do Maranhão, Flávio Dino.

— Daqueles governadores de paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara — disse o presidente na sexta.

Nos dias seguintes, em entrevistas e no Twitter, Bolsonaro empreendeu um esforço para dizer que estava criticando apenas os governadores, sem fazer comentários depreciativos aos nordestinos. No Twitter, ele fez uma postagem com referência à declaração, mas omitindo a palavra "paraíba" que havia utilizado.

O Código Penal define o crime de injúria da seguinte maneira: "injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro". E prevê, como pena, detenção de um a seis meses ou multa. Já a lei que criminalizou o racismo trata de "crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", prevendo pena de dois a cinco anos. O relator da ação é o ministro Gilmar Mendes. Como o STF está de recesso em julho, o processo deve ter algum andamento somente em agosto.

O advogado que tenta processar Bolsonaro no STF diz que nasceu no Nordeste para justificar a legitimidade de apresentar uma ação contra Bolsonaro em relação ao tema: "O crime de injúria e o crime racial praticados pelo presidente da República contra os nordestinos atinge em sua subjetividade o querelante, nascido na cidade de Jaguaribe, no estado do Ceará, Região Nordeste."


Warner Music está atrás de uma nova Anitta. Veja dicas para tentar ser ela

Querer ser músico(a) é um dos principais sonhos dos jovens brasileiros. Quem chega lá, porém, é um grupo pequeníssimo, que conta com um misto de talento e sorte. Estar no lugar certo na hora certa e mostrar a sua aptidão para a pessoa certa é um desejo de muitos. A boa notícia é que a internet e os canais de vídeos como o YouTube aumentaram os “espaços” para novos candidatos a popstar aparecerem.

O presidente da Warner Music Brasil que o diga. Em entrevista à revista americana especializada em música Billboard, Sergio Affonso, presidente da Warner Music Brasil, disse que passa horas por semana no YouTube em busca de novos talentos – procura uma nova “Anitta”.

A cantora brasileira Anitta é hoje o maior ícone internacional do país. Já gravou com artistas internacionais de peso, como a musa pop Madonna (música “Faz Gostoso!”), os colombianos J. Balvin (hit “Ginza”) e Maluma (“Sim ou Não”), a rapper australiana Iggy Azalea (Switch), entre outros.

Em seu canal no Youtube tem 12,4 milhões de seguidores e 39,7 milhões na rede social Instagram. É difícil não encontrar uma playlist de ritmo pop que não tenha pelo menos uma canção de Anitta.

Estrelas como ela, porém, não são tão fáceis de encontrar. A Warner agencia diversos outros cantores que têm se saído bem no Brasil, como Iza e Ludmilla, o pagodeiro Ferrugem e o MC Kevinho, para citar alguns. E está constantemente em busca de novos, especialmente no YouTube.

“Passo muito tempo no YouTube. Sento e olho por artistas com grande número de visualizações, artistas que se identificariam com a minha marca ou que tem talento”, disse Affonso à publicação.

A matéria, intitulada “De Anitta a IZA - porque o YouTube é o maior criador de estrelas do Brasil”, cita que em 2018, 79% dos brasileiros assistiam vídeos no YouTube, bem maior do que a média global (44%), segundo dados da MIDiA.

O canal é o principal competidor no Brasil com os serviços de streamings, como Spotify e Deezer. Há uma grande discussão global, porém, sobre como a rede remunera os artistas – as associações de artistas alegam ser uma miséria. Mas o fato é que, quem está no Youtube tem mais chance de cair em uma pesquisa dessas de Sergio Affonso e de outros presidentes e funcionários de gravadoras.

Se você está procurando uma oportunidade, vamos dar uma ajudinha. Pedimos ao Youtube que desse algumas dicas de como se destacar na plataforma.

As sugestões são do Cauã Taborda, gerente de comunicação do YouTube para América Latina:

Para o YouTube não há fórmula para o sucesso. Tudo começa com uma grande história e uma paixão. YouTubers bem sucedidos são grandes contadores de histórias, que têm um conteúdo de qualidade, inovam no formato e se dedicam a seus canais.

Boas práticas para conquistar mais visualizações incluem: subir vídeos regularmente na plataforma; fazer vídeos em colaboração com outros YouTubers para alcançar novos públicos; etc.

Além disso, o YouTube disponibiliza a Escola de Criadores de Conteúdo, onde os usuários podem encontrar cursos on-line gratuitos sobre a plataforma.

Os candidatos a popstar podem ainda concorrer a uma vaga no NextUp Artistas, um concurso focado em artistas independentes, bandas e cantores que estão procurando espaço, reconhecimento e uma chance para levar sua carreira para o próximo nível. As inscrições para a edição desse ano já estão abertas.

No Rio de Janeiro, o YouTube tem ainda uma unidade chamada YouTube Space, um espaço dedicado para criadores aprenderem, se conectarem e colaborarem entre si. Os Spaces estão ao redor do mundo e oferecem eventos e workshops, além dos recursos de produção mais modernos.


Redes sociais e desejo de consumo são os grandes inimigos da saúde financeira, diz guru das finanças comportamentais

A tecnologia trouxe muitos benefícios para as pessoas. Mas também trouxe mazelas. As redes sociais, por exemplo, estimularam o desejo pelo consumo e o medo de se sentir fora de um movimento ou de um grupo. Para o badalado professor americano de psicologia e economia comportamental da Universidade Duke, Dan Ariely, estas são as duas emoções que mais atrapalham na saúde financeira de alguém.

Autor de vários livros e artigos científicos sobre finanças comportamentais, ele é um dos membros-fundadores do Center for Advanced Hindsight (centro de estudo de comportamento). Ariely também teve trabalhos publicados no The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, Thee Boston Globe, Business 2.0, Scientific American e Science.

O pesquisador lembra que nas mídias sociais todo mundo mostra o seu melhor lado e as melhores coisas da vida: boas férias, uma nova bicicleta, um carro lindo. E é isso que faz o outro desejar ter as mesmas coisas ou se esforçar, também materialmente, para não ficar fora do que é moda ou bacana naquele momento.

Segundo Ariely, assim como uma dieta, poupar é uma questão de hábito, disciplina. Para ele, os novos aplicativos ou carteiras eletrônicas podem ajudar muita nesta tarefa. "É preciso criar um sistema em que é fácil de colocar o dinheiro, mas difícil de tirar. Porque se for fácil de tirar eles vão tirar".

O professor lembra ainda que a atitude de poupar em si independe da pessoa ser pobre ou rica. A partir do momento que se tem tal disciplina, a pessoa poupa, o que varia, obviamente, é a quantidade que se junta, de acordo com o seu poder aquisitivo.

Ariely lançou recentemente o livro “A Psicologia do Dinheiro” (Ed. Sextante). A obra, escrita em parceria com o comediante Jeff Kreisler, traz uma série de exemplos de como as emoções influenciam nossas escolhas financeiras.

A seguir os principais trechos da entrevista que Dan Ariely deu ao Valor Investe em sua recente passagem pelo Brasil para divulgar o livro:

Valor Investe: Quais as emoções que mais cegam as pessoas nas decisões financeiras?

Dan Ariely: Muito mais que amor ou ódio, é o desejo. É algo generalizado. Nós sentimos que queremos as coisas. O segundo eu diria que é FOMO (sigla em inglês para fear of missing out), que é medo de sentir de fora. Jovens, hoje em dia, vivem com medo de se sentir de fora. Quando você vai para as mídias sociais, poucas pessoas escrevem sobre momentos tristes.

A maioria é “olha eu aqui de férias, minha nova bicicleta, meus óculos escuros bonitos”. Nós temos tendência a pensar muito no que os outros estão fazendo. No final das contas, FOMO é o desejo que aquilo que as pessoas estão fazendo despertam em você.

Valor Investe: O senhor fala muito de relatividade. Mas como isso interfere no consumo?

Dan Ariely: O medo de se sentir de fora está conectado à relatividade em se comparar com os outros. Há um estudo que mostra que quando alguém ganha na loteria, os vizinhos do ganhador começam a gastar mais dinheiro.

Valor Investe: Quais os maiores desafios para as finanças pessoais diante das redes sociais?

Dan Ariely: O problema é que você só olha para o que a outra pessoa gasta. Você não sabe o quanto a pessoa gasta com seguro ou coloca na poupança. O que você sabe é o que carro eles dirigem, as roupas que vestem, onde passam férias. Se você parar pra pensar, gastar dinheiro é muito visível. Guardar dinheiro, nem tanto. A comparação social, o medo de se sentir de fora e o desejo são os maiores desafios emocionais da vida financeira.

Valor Investe: Como as empresas influenciam os desejos e dificultam as decisões financeiras?

Dan Ariely: Uma empresa de sapato quer que você compre mais sapato, a cafeteria quer que você tome mais e mais café e os bares querem que você beba mais. Não é um componente neutro no mundo. São agentes com intenções. E adivinha? Eles têm muito poder.

No mundo natural, uma flor tenta ser bela e ter cheiro para atrair abelhas que espalham suas sementes. Mas agora, as empresas conseguem muito mais que só se tornarem flores. Elas podem entrar nos nossos celulares. E não é só isso. Se por acaso você clicar em algo, mesmo que sem querer, a internet lembra. E continua te lembrando: “Olha só esse produto que você gostou”. Você não consegue desvencilhar.

Valor Investe: Como podemos escapar das tentações num mundo com mídias sociais, se agora até nossos amigos despertam nossa vontade de consumir?

Dan Ariely: É muito difícil. Precisamos entender isso. Do mesmo jeito que é difícil comer de forma mais saudável e praticar exercícios. O que temos de fazer é criar regras para nós mesmos. Se você está suscetível a todas as manipulações que as outras pessoas criam, isso não é um bom modo de viver. Você precisa se ajudar. Pense como se fosse uma religião, que geralmente nos faz adotar regras sem questioná-las.

Valor Investe: Mas que ferramentas podemos usar nessa luta contra o consumo irracional?

Dan Ariely: Eu estou muito otimista em relação a essas novas carteiras eletrônicas. Meu entendimento é que eles estão tentando ficar do lado dos consumidores. Eles querem ajudar as pessoas a entenderem as decisões que tomam.

Vou conhecer o Nubank, um produto brasileiro, que ainda não conheço muito bem. Mas pelo que li sobre eles, o objetivo seria dar uma ferramenta para descobrir qual seu objetivo e tentar manter você focado nele, do tipo “o resto do mundo vai tentar desviá-lo, mas vamos ajudar você a ficar focado”. Tecnologia pode ser usada para o bem e para o mal.

Valor Investe: Quais os tipos de pessoas que mais prosperam nos investimentos?

Dan Ariely: Teve um estudo da Fidelity (gestora de recursos dos EUA) que aponta quais pessoas tomam as melhores decisões. Sabe quais? Os mortos, porque eles não ficam mudando de ideia de um investimento para o outro. Então, a verdade é que ninguém encontrou ainda o tipo de personalidade, de perfil, que se dá melhor.

Valor Investe: Que perfil tem mais dificuldade de racionalizar os gastos?

Dan Ariely: Fizemos um estudo com diabéticos em que a questão era: “O que faz algumas pessoas controlarem a diabetes? Quem são os que controlam melhor?”. Não eram as que entendiam melhor da doença, nem as que conheciam bem os efeitos colaterais, nem mesmo as que sabiam medir a glicemia, muito menos eram os mais motivados. Não, não e não. Nenhum desses perfis. O que encontramos foi que a resposta tem a ver com os chamados "break-points" (ponto de ruptura), que piora o comportamento.

Valor Investe: Como eu traduzo esse conceito para os leitores?

Dan Ariely: "Break-points" são aqueles momentos na vida em que as coisas estão terríveis por motivos que vão desde uma briga com seu parceiro amoroso até dívidas a pagar. Quando as coisas ficam muito dolorosas e estressantes, a pessoa quer alguma alegria na vida e o jeito mais fácil e barato de ter felicidade é consumindo carboidratos. A gente busca personalidades, mas na verdade, acho que, tanto na saúde física como financeira, tudo está ligado a esses "break-points". É uma combinação de recompensa e inabilidade de pensar a longo prazo.

Valor Investe: E como as pessoas podem aprender a pensar a longo prazo?

Dan Ariely: Não dá. É muito difícil para todos. Não é legal, não é tangível pensar a longo prazo. Ninguém consegue. Mais uma vez, o que temos de ferramentas são regras, que previnem as pessoas de agir mal.

Valor Investe: No livro, você relaciona bastante dieta e poupança. Como funciona essa comparação?

Dan Ariely: Fazer dieta e poupar são coisas muito similares. Nunca é divertido guardar dinheiro hoje, nem comer comida saudável. As regras funcionam como uma religião. As pessoas que não comem carboidratos, elas cortam tudo porque é mais fácil do que contar calorias. É mais fácil tirar uma categoria do que ficar sempre pensando e calculando o que fazer. Toda vez que você cria um sistema que exige que alguém fique sempre pensando nele não dá certo. O que dá pra fazer é criar algo que é como uma regra que dê pra executar sem pensar muito e possa se acostumar a ela.

Valor Investe: Mas quem deve criar a regra? Você mesmo ou outra pessoa?

Dan Ariely: Os dois. Algumas regras você precisa criar, outras vezes as plataformas digitais, que são minha esperança, podem fazer.

Valor Investe: Quais as principais renúncias para quem quer uma vida financeira mais saudável e feliz?

Dan Ariely: São muitas. Veja bem: Por que é tão importante poupar? Porque nós vivemos mais tempo. Se a gente vivesse só até os 50 a vida seria simples. Mas vivemos até 78, 80 anos de idade, o que implica dizer que precisamos poupar por mais tempo do que vivemos. Não quero que a expectativa de vida diminua. Não é isso. Mas ao mesmo tempo precisamos entender como atingir esse objetivo.

Viver mais tem um preço. Imagine uma pessoa que trabalha dos 30 aos 65 anos. Imagine que essa pessoa vive dos 65 aos 85 anos. Ela vai viver 20 anos a mais. Isso significa que para cada ano que a pessoa trabalhou precisa economizar metade do que ganha. É muito. Você consegue guardar metade do seu salário todo ano?

Valor Investe: Pessoas que ganham muito pouco realmente conseguem poupar ou isso é uma ilusão?

Dan Ariely: Fizemos um estudo num lugar onde as pessoas vivem com US$ 10 por semana. Muito pobre, similar às favelas aqui. Pessoas sem salário fixo. Um dia tem renda, outro, não. Descobrimos que eles conseguem, sim, poupar. Mas não é para se aposentar. É para emergências.

O que acontece com pessoas pobres é que elas vivem apertadas, sem extra e, de tempos em tempos, coisas ruins acontecem. Aí eles precisam gastar dinheiro, que não têm. Então pegam emprestado. Não como nós, no banco, porque não têm crédito, mas no mercado informal, com juros altíssimos. Mesmo que as coisas se resolvam pra eles, ficam com uma dívida enorme. É o ciclo da pobreza.

Valor Investe: Como daria para quebrar esse ciclo?

Dan Ariely: Descobrimos que eles conseguem economizar, mas é preciso criar um sistema em que é fácil de colocar o dinheiro, mas difícil de tirar. Porque se for fácil de tirar eles vão tirar. Uma das melhores maneiras para que eles ficassem motivados em poupar era avisar para a família quais os planos com o dinheiro. Se você é o provedor, guardar dinheiro significa tirar comida da boca dos seus filhos. Mas criamos um sistema em que eles podiam mostrar para onde o dinheiro estava indo.

Podiam mostrar que tinham menos conforto, mas que estavam economizando por um motivo, para a família, para emergências. Isso tornava tudo mais fácil. Montamos um sistema no Quênia para despesas com saúde. É o mesmo sistema, fácil de depositar o dinheiro e difícil de tirar. Só as clínicas podiam sacar o dinheiro. Foi bem sucedido.

Os muito pobres conseguem guardar pequenas quantias de dinheiro. Mas precisamos criar um sistema pra eles, não dá pra esperar que encontrem o caminho sozinhos. O dia em que eles ganham dinheiro, é o dia de guardar um pouquinho. Quem não tem uma renda estável, como nós, precisa de outro mecanismo.

Valor Investe: Como encontrar o equilíbrio entre economizar e gastar bem para viver melhor?

Dan Ariely: Sem dúvida ninguém quer ter uma vida terrível, limitada, e morrer cheio de dinheiro. É difícil equilibrar. Mas precisamos melhorar em extrair mais prazer com menos dinheiro. O primeiro princípio é que dar coisas para outras pessoas nos dá prazer por mais tempo do que prevíamos. As coisas que damos para quem nos importamos e amamos lubrificam as relações sociais e pagam dividendos a longo prazo. Precisamos melhorar em extrair mais prazer com menos dinheiro.

Muitas vezes, quando você recebe dinheiro, você quer algo pra você. Mas, na verdade, fazer algo por um parceiro, pai, mãe, um amigo próximo, acaba comprando mais felicidade do que as pessoas imaginam.

Valor Investe: De que formas podemos comprar mais felicidade com menos dinheiro?

Dan Ariely: O ponto mais importante é que a gente não sabe exatamente como extrair mais felicidade com menos dinheiro. Mas imagina que eu e você sentamos juntos para olhar sua conta de cartão de crédito. Você realmente maximizou seu bem-estar com aquela quantidade de dinheiro que você gastou?

Quando você sai, a primeira cerveja traz muita satisfação. A segunda menos, a terceira menos ainda e por aí vai. E tem um ritmo de diminuição. Quanto é o valor correto para gastarmos? Você decide sair de férias. O que te deixará feliz? Você fazer uma viagem mais cara de uma semana ou uma mais barata de duas semanas. Qual das duas compra mais felicidade? A verdade é que não somos bons em saber o que nos deixa mais feliz.

Valor Investe: Qual o seu conselho? Gastar mais com experiências e menos com bens?

Dan Ariely: Em geral, nos acostumamos com coisas e por isso achamos que coisas, bens, vão nos trazer mais prazer do que realmente traz. Mas a experiência, por mais que ela seja finita, a experiência certa nos dá felicidade a longo prazo. Quando aprendemos algo, quando estivemos num lugar, isso tudo nos traz uma boa experiência.

Se você for a praia e passar sete dias bebendo, isso (a satisfação) não vai durar muito. Mas se vai a um lugar e aprende, por exemplo, a mergulhar, é algo novo que pode marcar você por bastante tempo. Por isso, experiências são um modo muito melhor de maximizar felicidade se comparado a bens.


Leblon tem os imóveis comerciais mais caros do Brasil

O bairro Leblon, na capital do Rio de Janeiro, tem os espaços comerciais mais caros do Brasil. O preço médio do aluguel chega a R$ 124,91 por m², quase 40% a mais que o bairro de metragem mais valorizada de São Paulo, o Cidade Jardim (R$ 76,40). Os dados fazem parte do levantamento de junho do Índice FipeZap, que monitora os preços de imóveis comerciais de 10 cidades brasileiras.

Em relação à venda de imóveis comerciais, a discrepância é ainda maior. No Leblon, o m² custa em média R$ 30 mil, enquanto no bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo, o valor fica em torno de R$ 15 mil. As duas cidades têm preços bem acima da média de R$ 8.879 do índice.

Apesar da valorização do bairro carioca, é em São Paulo que há a média mais alta de preços de aluguel (R$ 44,83/m2). A cidade paulista também teve a maior alta no preço médio de venda de imóveis comerciais (+0,26) em junho.

Na média das cidades monitoradas, o preço das vendas ficou quase estagnado, com alta de apenas 0,01% acima da inflação do período. Em termos de preço de locação, houve aumento de 0,19% no mês de junho.

Veja os bairros mais caros para alugar imóveis comerciais no Rio e em São Paulo:

São Paulo - média R$ 44,83

Cidade Jardim R$ 76,40

Pacaembu R$ 67,78

Vila Nova Conceição R$ 64,26

Itaim Bibi R$ 63,07

Jardins R$ 61,66

Rio de Janeiro - média R$ 38,64

Leblon R$ 124,91

Ipanema R$ 79,77

Botafogo R$ 74,33

Jardim Botânico R$ 63,84

Flamengo R$ 47,17


Mona Lisa vai mudar de galeria no Louvre e sairá temporariamente de exposição

O quadro "Mona Lisa", um dos mais famosos do museu Louvre, em Paris, vai trocar de galeria durante alguns meses.

O motivo é a reforma na sala onde está exposta a obra do pintor italiano Leonardo da Vinci.

O anúncio foi feito pela direção do museu parisiense. O quadro será transferido para a Galeria Médicis, na ala Richelieu, no segundo andar, uma das mais amplas do museu. A Gioconda" ou "Mona Lisa" atualmente está exposta na Sala dos Estados, no primeiro andar.

O público poderá observar novamente a obra a em uma vitrine de vidro com temperatura constante de cerca de 19°, similar ao local em que está exposto atualmente. Cerca de 20 mil turistas apreciam diretamente o sorriso da Mona Lisa. Segundo o Louvre,70% dos visitantes vêm ao museu para ver o quadro.

O Museu do Louvre iniciou em 2014 sua maior reforma desde os anos 1980. O objetivo é melhorar a gestão do fluxo de visitantes - mais de 10 milhões em 2018 - e adequar-se às novas normas de segurança. "É o início de uma imensa reforma no interior e exterior", disse o presidente do museu, Jean-Luc Martinez.

A reforma do espaço começou em janeiro e todas as telas foram retiradas, exceto "As Bodas de Caná", de Veronese, e a "Mona Lisa". O quadro retornará à sala ao final das obras, em outubro. Exibida desde 2005 atrás de uma vitrine blindada, a "Mona Lisa" é, ao lado da "Vênus de Milo" e da "Vitória de Samotrácia", uma das pinturas mais famosas do maior museu do mundo.

Mona Lisa voltou para a Itália em 1911

Especialistas afirmam que o quadro é frágil e os deslocamentos dentro do museu ocorrem com pouca frequência. A obra foi pintada a óleo sobre uma fina placa de madeira de álamo que, com o tempo, encurvou e provocou uma fissura.

Em 1964, o quadro voltou para à França, depois de ter sido roubado por Vincenzo Peruggia, um vidraceiro italiano que trabalhou no Louvre, em 1911. Ele a conservou durante dois anos em seu apartamento no 10° distrito antes de tentar vendê-la na Itália, mas acabou sendo denunciado e preso. A obra voltou para Paris em 1914, depois de ser exposta em Florença e Roma.