Covid-19: na contramão das novas restrições no Rio, BRT continua com ônibus superlotados e aglomerações

Moradora de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, a diarista Lamede Alves, de 48 anos, acorda todo dia antes de o sol raiar para chegar a tempo no seu serviço, na Taquara, também na Zona Oeste. E, todo dia, por falta de alternativa, se depara com o mesmo drama: o medo de pegar um ônibus lotado na estação BRT Mato Alto, em Guaratiba, e ser contaminada pelo coronavírus em meio às aglomerações.

— É horrível. Tenho muito medo de me infectar e não poder trabalhar — diz ela. — Já fiquei duas semanas sem poder trabalhar depois de me derrubarem na correria para pegar o ônibus. Não temos seguro, não temos nada. Vamos para o médico sozinhos, ficamos sem trabalhar, perdemos um dia de trabalho e perdemos dinheiro. Sou diarista, trabalho por diária — desabafou a mulher, suando na fila das catracas, às 6h48m desta quinta-feira.

No dia em que a Prefeitura do Rio publicou um decreto restringindo o horário de funcionamento de diversos serviços e estabelecimentos para tentar conter o avanço da Covid-19 na cidade, o que se viu no corredor Santa Cruz do BRT, o mais movimentado do sistema, foi uma operação na contramão: mais uma manhã de aglomerações, veículos superlotados e desrespeito às regras de segurança sanitária. Embora o município tenha decidido, nesta quinta-feira, limitar a atividade de bares e restaurantes e proibir eventos em boates, salões e casas de shows, o novo decreto não traz nenhuma nova determinação a respeito dos transportes públicos, que continuam funcionando normalmente.

A chef de cozinha Verônica Azevedo, de 44 anos, usa o modal diariamente para ir de Campo Grande, onde mora, ao Recreio dos Bandeirantes, onde trabalha. Depender do BRT para fazer o trajeto durante a pandemia foi "péssimo", diz ela.

— Quero que melhorem as condições. Os ônibus têm que parar de pegar fogo, e também está difícil de aguentar a superlotação. Mas tenho esperança de que vai melhorar.

O  prefeito Eduardo Paes anunciou uma intervenção da prefeitura no comando do BRT, que sairá das mãos da concessionária que administra o sistema atualmente. Com a transição contratual, que a prefeitura deve consolidar em até quatro meses, Paes prometeu aumentar o tamanho da frota disponível no consórcio Santa Cruz, além de intensificar, com o auxílio da Guarda Municipal e dos agentes da Secretaria de Transportes, o controle sobre as medidas de segurança sanitária. Contudo, embora a fiscalização na área contasse com reforço na quinta-feira, as imagens das filas de embarque e do interior dos ônibus capturaram o que já se tornou normal no BRT: usuários sendo transportados "como gado", como o próprio prefeito definiu.

Com o apoio da Polícia Militar, dois grupamentos da Guarda Municipal, o GET Oeste e a 13ª IGM (responsável pelo monitoramento da região), patrulhavam os arredores da estação às 6h15m. Ao todo, eram cinco viaturas da GM e duas da PM, além de uma patrulha da Secretaria de Transportes. Num dia como qualquer outro, apenas duas viaturas da GM atuariam no local, disseram os funcionários da corporação. Segundo eles, no entanto, o esquema especial desta manhã não teve a ver com o respeito aos protocolos sanitários, mas com uma suposta manifestação que estaria marcada para acontecer no local. Embora nenhum protesto tenha ocorrido, os usuários não deixaram de demonstrar indignação com o descuido das autoridades frente ao risco de contaminação pelo coronavírus. Empoleirados em ônibus cujas portas sequer se fechavam, os usuários faziam sinal negativo com as mãos para as câmeras das equipes de imprensa.

Segundo funcionários da estação, apesar da crescente insatisfação dos usuários, o serviço do modal piorou nos últimos meses. A frota diminuiu devido às más condições dos veículos, que costumam apresentar problemas frequentes, dizem eles. Na manhã desta quinta-feira, as principais linhas que passam pela estação ou partem dela — as expressas 13 (Mato Alto x Alvorada) e 12 (Pingo D'Água x Alvorada) e a paradora 25 (Mato Alto x Alvorada) — operavam com intervalos de 15 a 20 minutos. Frequência insuficiente para o atendimento da demanda da estação, segundo os funcionários. Ela interliga passageiros de três regiões bastante populosas da Zona Oeste: Campo Grande, Santa Cruz e Barra da Tijuca.

No Terminal Santa Cruz, apesar do movimento moderado, uma fila de cerca de 30 pessoas, muitas delas sem máscara, atravessava o interior da estação por volta das 8h15m desta quinta-feira. Na bilheteria, o pedreiro Fábio Nascimento, de 42 anos, preparava-se para encará-la. Ele pega o BRT todo dia rumo à Barra da Tijuca, onde trabalha.

— O serviço está horrível. Tumulto, ônibus quebrados, tudo quebrado. Temos que rezar, pedir muito a Deus para chegar ao destino. E também tem o medo de pegar Covid — diz ele.

Com a intervenção da Prefeitura, Fábio espera que os maiores problemas do modal sejam resolvidos em breve:

— A esperança é a última que morre, né? A prioridade é melhorar as condições dos ônibus. O número de carros também tem que aumentar, para dar vazão.

Mudança contratual

Na quarta-feira, dia 3, Paes disse que a prefeitura assumirá a administração do BRT, em substituição ao que ele mesmo promoveu em 2010, durante seu primeiro mandato. De acordo com o prefeito, o município vai gerir o serviço enquanto busca realizar uma licitação para que uma nova empresa administre o transporte, hoje à cargo do consórcio BRT. O objetivo do movimento é tentar solucionar os problemas que assolam o transporte coletivo da cidade, agravados com a pandemia da Covid-19.

Paes afirmou que, quando inaugurado, o sistema do BRT contava com 400 ônibus. Hoje, ele alega que são apenas 200 em circulação. O prefeito também citou a situação das estações fechadas e afirmou que já comunicou o consórcio sobre a decisão da prefeitura.

No BRT, sofrerão intervenção os consórcios Transcarioca (operação a partir da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na Zona Oeste); Santa Cruz (Campo Grande, Santa Cruz e outros bairros da Zona Oeste) e Internorte (bairros da Zona Norte). Eles são membros da BRT Rio, uma sociedade de propósito específico (SEP) formada em 2019 para gerir o serviço.

O prefeito acrescentou que já conversou com o Ministério Público estadual sobre o tema, e disse que será feito um aditivo ao contrato. Segundo ele, ainda não há uma data para o início do processo de gestão pela prefeitura, mas há expectativa por parte do município de que a transição aconteça em até quatro semanas.


Após afirmar a prefeitos que compraria vacina da Pfizer nesta quarta, Pazuello diz que tema ainda está em negociação

Após afirmar a membros da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) que gostaria de fechar contrato com a Pfizer ainda hoje, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou em vídeo que tema ainda está em negociação. Segundo ele, "a partir de agora a gente segue nos trâmites de fazer esse contrato o mais rápido possível."

O ministro elogiou o cronograma apresentado pela farmacêutica, mas não deu detalhes sobre os números. Segundo fontes, a estimativa é entrega de 9 milhões de doses até junho, 30 milhões até setembro e 60 milhões de doses até dezembro, totalizando 99 milhões.

— Estamos discutindo a possibilidade da contratação da vacina da Pfizer que hoje se torna uma realidade a partir do projeto de lei que passou pelo Senado e pela Câmara. Vamos fazer uma divulgação conjunta de um documento mostrando que estamos nessa fase de negociação — disse o ministro no vídeo divulgado pela pasta, acrescentando:

— A proposta de cronograma que está sendo apresentada é uma boa proposta e a partir de agora a gente segue nos trâmites de fazer esse contrato o mais rápido possível. Agradeço a equipe da Pfizer que está disponível conosco e vamos juntos cumprir essa missão, vacinar o povo brasileiro.

A representante da Pfizer, que participou da reunião por vídeo, afirma que a farmacêutica está muito feliz por " dar continuidade a essas negociações para que a gente possa trazer nossa vacina à população brasileira."

Mais cedo, Pazuello havia afirmado que gostaria de concluir a compra do imunizante ainda nesta quarta.

— Hoje eu quero fechar a Pfizer— disse.

A pasta divulgou uma nota na qual Pazuello garantia a "estabilidade" no cronograma de entregas de vacinas contra a Covid-19 a partir deste mês. Segundo ele, já a partir dessa semana a Fiocruz e o Instituto Butantan estabilizarão a produção nacional.

— Já temos contratos alinhados para adquirir a vacina russa Sputnik V. O projeto de lei aprovado ontem pela Câmara facilitou as negociações com Pfizer e Janssen— disse.


Flávio Bolsonaro disse que 'não queria problema' ao fechar o negócio

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) estava quase irreconhecível quando chegou de camiseta e bermuda para conhecer uma mansão de R$ 6 milhões, localizada na área mais cara de Brasília, que ele estava interessado em comprar.

As tratativas começaram no fim do ano passado e foram conduzidas por sua mulher, a dentista Fernanda Figueira Bolsonaro. Durante toda a negociação, o casal buscou manter discrição e evitar qualquer tipo de holofote.

Os detalhes da negociação foram relatados ao GLOBO por uma testemunha que acompanhou diretamente as tratativas.

Flávio não se identificou com o sobrenome "Bolsonaro". Ao tratar com a proprietária, disse que não queria problema para ele, porque já estava muito em evidência.


Bolsonaro: 'Tem idiota que pede compra de vacina. Só se for na casa da tua mãe'

O presidente Jair Bolsonaro demonstrou irritação com aqueles que cobram em redes sociais que o governo federal compre vacinas contra a Covid-19, chamando-os de idiotas e dizendo que só poderia comprar imunizantes "na casa da tua mãe".

— Tem idiota nas redes sociais, na imprensa, 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender no mundo! — disparou o presidente a apoiadores em Uberlândia (MG).

Mais tarde, ao participar de cerimônia em Goiás, Bolsonaro classificou como "mimimi" as medidas adotadas por governadores e prefeitos para tentar frear a disseminação do coronavírus, responsável pela morte de mais de 1.900 pessoas somente entre terça e quarta-feira.

Bolsonaro por diversas vezes minimizou a pandemia, chegando a classificar a Covid-19 de "gripezinha" e afirmando que os brasileiros deveriam enfrentar o vírus "de peito aberto" e que o Brasil deveria deixar de ser um "país de maricas".

Ele também, por várias vezes questionou as vacinas, afirmando que não tomará o imunizante, e chegou a comemorar como uma vitória pessoal a breve interrupção dos testes com a vacina CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, feita pelo Instituto Butantan, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após a morte de um voluntário em um suicídio não relacionado à vacina.

Bolsonaro também disse que a CoronaVac não inspirava confiança devido à sua origem chinesa e chegou a garantir que o imunizante não seria adquirido pelo governo federal.

Entretanto, o Ministério da Saúde já fechou contrato com o Instituto Butantan, vinculado ao governo do Estado de São Paulo, por 100 milhões de doses da vacina chinesa e negocia a compra de mais 30 milhões.

Além da CoronaVac, imunizante que deu a largada à vacinação contra Covid-19 no Brasil em 17 de janeiro e que já teve 14,45 milhões de doses entregues ao Programa Nacional de Imunização (PNI), o Brasil conta com 4 milhões de doses da vacina AstraZeneca com Universidade de Oxford importadas prontas da Índia.


WhatsApp libera chamadas de voz e de vídeo em aplicativo para computador

O WhatsApp liberou a realização de chamadas de voz e de vídeo em conversas individuais no aplicativo para desktop. A decisão visa a ampliar o uso dos recursos, que bateu recorde no réveillon de 2020, com 1,4 bilhão de chamadas de voz e de vídeo feitas em um só dia.

A possibilidade de ligar pelo computador permite uma maior mobilidade enquanto o usuário fala e possibilita ver quem está na outra tela numa janela maior. Para mais praticidade, a janela das chamadas de vídeo funciona nos modos paisagem e retrato, pode ser redimensionada de acordo com a preferência e está configurada para ficar sempre em primeiro plano em relação às outras janelas na tela do seu computador, a fim de que as ligações não sejam perdidas.

Em seu comunicado, o WhatsApp lembrou que as chamadas de voz e de vídeo no aplicativo são protegidas com a criptografia de ponta a ponta. Ou seja, "o WhatsApp não pode ler nem ouvir as chamadas feitas no seu celular ou no seu computador".

O recurso no aplicativo para desktop ainda não inclui chamadas em grupo, mas isso acontecerá futuramente.


Banco de Brasília concedeu financiamento para mansão de Flávio Bolsonaro mesmo com renda abaixo do mínimo exigido

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) conseguiu obter um financiamento de R$ 3,1 milhões do Banco de Brasília (BRB) para a compra de uma mansão mesmo tendo apresentado uma renda familiar inferior à exigida pelo próprio banco. Documentos do registro do negócio em cartório e simulações no próprio BRB indicam que o financiamento concedido ao senador está fora dos parâmetros do banco.

No cartório, está registrado que o senador Flávio Bolsonaro possui renda mensal de R$ 28.307,68 e que sua mulher, a dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, tem renda mensal de R$ 8.650,00. Somados, correspondem a um rendimento familiar de R$ 36.957,68.


'À beira do colapso', SP entrará na fase vermelha para reduzir circulação da Covid-19

A partir de sábado, o estado de São Paulo entrará na fase vermelha no plano contra a Covid-19. A medida aumentará as restrições de circulação e pretende reduzir a disseminação e ajudar a desafogar a rede de saúde, cuja ocupação dos leitos está próxima do esgotamento. Ao anunciar a decisão, o governador João Doria (PSDB) afirmou que o sistema de saúde no estado está à beira do colapso, com um pedido de internação por Covid-19 a cada dois minutos.

O anúncio foi feito em coletiva à imprensa na tarde da quarta-feira pelo governador João Doria. A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim e confirmada pelo GLOBO junto a fontes do centro de contigência do governo estadual. Com a decisão, apenas serviços essenciais poderão funcionar, como estabelecimentos de saúde, educação, construção civil, indústria, logística, abastecimento e comunicação social. O consumo local em bar e restaurante e o funcionamento de salões de beleza e academias são proibidos.

— Estamos em São Paulo à beira de um colapso na saúde. São exigidas medidas urgentes, coletivas. E se exige a sensibilidade daqueles que preferiram praticar o negacionismo, promover aglomerações, não usar máscaras, ridicularizar aqueles que usam e se protegem. Não é só o problema de um governo negacionista, é problema também de parte da população que nega a existência e se expõe desnecessariamente — afirmou Doria.

Desde a semana passada, o governo passou a endurecer as regras de circulação no estado e decretou o chamado toque de restrição, de 23h às 5h. O preocupação é com aumento do número de mortes no estado que bateu recorde nesta segunda-feira — foram 468 — e de casos notificados da doença.

A decisão de hoje foi tomada em reunião do governador com membros do comitê científico no início desta manhã. Durante o anúncio, Doria fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

— São Paulo vai combater o populismo, vai combater o oportunismo, vai combater a indiferença. E quero registrar aqui que não estou preocupado com popularidade. Não pauto minha vida em popularidade e, embora respeitando, não pauto minha vida pela política, mas pela existência e respeito às pessoas — afirmou Doria.

Ainda assim, as aulas presenciais serão mantidas. O fechamento das escolas divide opiniões no governo. O secretário estadual de saúde Jean Gorinchteyn chegou a defender nesta segunda-feira uma nova suspensão das aulas. A declaração foi feita em entrevista à CBN. Horas depois, Gorinchteyn enviou nota à imprensa em que dizia que havia apenas manifestado uma opinião pessoal e que não se tratava de mudança na educação.

Ainda ontem, em reunião com prefeitos do estado, Gorinchteyn afirmou que o vírus atual não é o mesmo do ano passado, numa referência ao surgimento de novas cepas da doença. Ele pregou medidas enérgicas para evitar o colapso da saúde.

— Estamos vivendo uma nova pandemia. Não podemos dizer que é a segunda onda. Estamos com outro vírus. Não é o mesmo vírus que tivemos no ano passado — afirmou.

De acordo com João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência, São Paulo tem hoje 7.415 pessoas internadas em leitos de terapia intensiva. O número é 18,6% maior do que o registrado no pico da pandemia, em julho do ano passado, quando o estado tinha 6.250 internados. A preocupação, explica, é a internação de pessoas mais jovens, que, mesmo resistindo ao vírus, acabam passando mais tempo nas UTIs.

— Possivelmente (a sobrecarga) é porque porque estamos atendendo pessoas de faixa etária mais baixa. Elas conseguem resistir mais ao enfrentamento do vírus e, em consequência, ficam mais tempo internadas. Os leitos não estão rodando na mesma velocidade que rodavam antes, o que está ocasionando acumulo de novos pacientes — disse.


MEC pede a universidades federais para 'prevenir e punir atos político-partidários'

O Ministério da Educação encaminhou ofício em fevereiro à Rede de Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) em que pede providência para “prevenir e punir atos político-partidários nas instituições públicas federais de ensino".

O documento reproduz trechos da recomendação do Ministério Público Federal (MPF) que diz que bens públicos “não podem ser empregados para promoção de eventos de natureza político-partidária, porque destoante da finalidade pública a que se destina, que é a prestação de serviços públicos específicos, a promoção do bem comum da sociedade”.

De acordo com o texto, a manifestação política contrária ou favorável ao governo representa malferir "o princípio da impessoalidade". Um outro trecho da recomendação diz que "a promoção de eventos, protestos, manifestações etc. de natureza político-partidária, contrários ou favoráveis ao governo, caracteriza imoralidade administrativa".

A orientação é baseada em uma recomendação de 2019 do procurador-chefe da República em Goiás, Ailton Benedito de Souza. O procurador é conservador e bolsonarista, sendo atuante em defesa do presidente Jair Bolsonaro. Ele se descreve como "anticomunista" e dá apoio irrestrito à agenda do Executivo federal, embora atue no MPF com assuntos diretamente relacionados ao governo.

O ofício, datado do dia 7 de fevereiro, é assinado pelo diretor de Desenvolvimento da Rede de Ifes, Eduardo Gomes Salgado. Ele esclarece que a recomendação visa atender à solicitação da Corregedoria do Ministério da Educação, em “face ao recebimento de denúncias”.


Com 1.840 mortes em 24h, Brasil bate novo recorde de óbitos por Covid-19

04O Brasil bateu, pelo segundo dia consecutivo, o recorde de mortes por Covid-19 notificadas em 24h. Foram 1.840 óbitos contabilizados pelas secretarias estaduais de saúde. O país totaliza 259.402 vidas perdidas para o novo coronavírus. A média móvel também bateu um novo recorde: 1.332. É o quinto dia consecutivo que isto ocorre. O cálculo está 29% maior do que duas semanas atrás.

Veja os dez dias com maior número de mortes por Covid-19:

3/3/2021 com 1.840 mortes

2/3/2021 com 1.726 mortes

25/2/2021 com 1.582 mortes

29/7/2020 com 1.554 mortes

4/6/2020 com 1.470 mortes

11/2/2021 com 1.452 mortes

28/1/2021 com 1.439 mortes

24/2/2021 com 1.433 mortes

18/2/2021 com 1.432 mortes

4/8/2020 com 1.394 mortes

Desde as 20h de terça-feira, 74.376 novos casos foram registrados, elevando para 10.722.221 o total de infectados pelo vírus Sars-CoV-2 no país. A média móvel foi de 56.602 diagnósticos positivos, 27% maior do que o cálculo de 14 dias atrás.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Na avaliação da epidemiologista Ethel Maciel, este número alto de mortes por Covid-19 no Brasil é o resultado de erros consecutivos.

— Erros na condução da pandemia, do que deixamos de fazer, da falta de informação ou da desinformação que o próprio governo propagou. Todas essas medidas nos fizeram chegar até aqui. Nunca terminamos uma primeira onda, nunca tivemos controle da pandemia. Emendamos uma segunda onda sem termos terminado uma primeira. Isto foi muito ruim para o Brasil, pois não implementamos medidas de desaceleração. Nunca fomos um país que fez uma política forte de utilização de máscaras, de distanciamento social. Muitas aglomerações, inclusive promovidas pelo governo.

A microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, explica que a segunda onda parece mais letal porque o vírus está acometendo mais pessoas:

— Nós estamos estamos vendo mais pessoas adoecendo e, portanto, morrendo. Isso não quer dizer que o vírus é mais letal, quer dizer que ele é mais transmissível e que estamos transmitindo mais. Por causa do comportamento humano, transmitimos mais a doença e criamos novas variantes com maior capacidade de transmissão. O que era ruim ficou pior.

Maciel explica que com muitas pessoas adoecendo ao mesmo tempo, o sistema de saúde colapsa com maior rapidez e ao mesmo tempo, o que explica o pico de mortes neste momento.

— Reino Unido, Portugal, França, Espanha e Israel, por exemplo, viveram piores momentos nesta segunda onda. E justamente por isso não ser uma exclusividade do Brasil, nós deveríamos estar melhor preparados, porque tivemos quase dois meses entre a segunda onda na Europa e no Brasil. Poderíamos ter nos preparado melhor, fechado as nossas fronteiras mais rápido, ter feito mais sequenciamento genômico — enumera a epidemiologista.

De norte a sul do país, cidades e estados estão adotando novas medidas de lockdown para frear o crescimento de casos da Covid-19 e evitar novos colapsos no sistema de saúde. Toques de recolher e restrições de circulação em alguns horários, fechamento do comércio de atividades não essenciais e proibição de acesso a parques e praias são algumas das medidas adotadas pelas autoridades. São Paulo e Minas Gerais são exemplos.

— São Paulo deveria ter feito uma gestão da mais agressiva da pandemia, mas não fez. Precisava ter esperado chegar a este ponto para implementarmos um lockdown? Se tivéssemos feito isto antes, de forma controlada, talvez não tivéssemos chegado até aqui (ponto de colapso). Um lockdown nacional seria muito bem vindo agora por pelo menos 14 dias para conseguirmos reduzir a transmissão da doença e ter um impacto significativo nas hospitalizações desafogando, assim, o nosso sistema de saúde.

As especialistas destacam que, além das medidas restritivas contra o coronavírus, é preciso também acelerar a vacinação.

— Neste momento, o Brasil deveria estar negociando novas doses de vacinas, negociando com países do G7 que têm mais doses do que população, vendo se haveria possibilidade de compra do excedente. O Brasil deveria estar atrás das doses, porque só vamos controlar essa pandemia com a vacina — afirma Maciel.

Após afirmar a membros da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), na tarde desta quarta-feira, que gostaria de fechar contrato com a Pfizer ainda hoje, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou em vídeo que o tema ainda está em negociação. Segundo ele, "a partir de agora a gente segue nos trâmites de fazer esse contrato o mais rápido possível."

— Se não planejarmos bem essas compras (de vacinas), o Brasil corre o risco de ser um país de não vacinados entre vizinhos e outros países vacinados. Isto pode nos tornar um pária internacional, abalar turismo, relações internacionais, ou seja, gerar uma crise geopolítica e social, além da crise sanitária. E sem vacinas e sem medidas de prevenção, vão surgir novas variantes, o que pode agravar o problema internacional e sermos banidos de visitar outros países — analisa Pasternak.

Mais de 9 milhões de doses aplicadas

Vinte e dois estados atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta quarta-feira. Em todo o país, 7.351.265 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 3,47% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 2.303.850 pessoas, ou 1,09% da população nacional.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.


Quatro membros do conselho da Petrobras indicados pelo governo deixam os cargos

A Petrobras perdeu quatro membros do seu Conselho de Administração. João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha pediram para deixar os postos de conselheiros da estatal. Os quatros são indicados pelo governo, o acionista controlador da estatal.]

A saída deles está relacionada à decisão do presidente Jair Bolsonaro de mudar o comando da companhia, após a alta nos preços dos combustíveis há duas semanas. Para seu lugar, foi indicado o general Joaquim Silva e Luna. Mas o nome precisa passar pelo aval dos acionistas em assembleia, que ainda não tem data marcada.

A Petrobras informou que todos os conselheiros foram convidados para a recondução de seus postos, mas recusaram.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta terça-feira, Omar, ex-presidente da Shell, disse que "em virtude dos recentes acontecimentos relacionados as alterações na alta administração da Petrobras, e os posicionamentos externados pelo representante maior do acionista controlador da mesma, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como Conselheiro desta renomada empresa, na qual tive o privilégio de servir nos últimos sete meses".

Na carta, Omar destacou ainda que "se manteve aderente as estratégias devidamente aprovadas, e seguindo os mais altos níveis de governança e de conformidade com os estatutos da empresa, e aos mais altos padrões de gestão empresarial".

Ele criticou a postura do governo nas últimas semanas:

"A mudança proposta pelo acionista majoritário, embora amparado nos preceitos societários, não se coaduna com as melhores práticas de gestão, nas quais procuro guiar minha trajetória empresarial. Sendo assim, acredito que minha contribuição ao Conselho de Administração e à empresa seria fortemente afetada,e minha efetividadereduzida.Agradecendo mais uma vez a forma elegante e profissional como você e os demais companheiros deste CA me recepcionaram, subscrevo-me.”

Paulo Cesar de Souza e Silva pediu para sair em virtude do seu mandato ser "interrompido inesperadamente". Elogiou a atual diretoria: " Registro meu respeito e reconhecimento pelo excelente trabalho desenvolvido pela diretoria executiva e funcionários da Petrobras bem como pelos meus colegas Conselheiros sob a liderança do Presidente Eduardo Leal".

Já Cox e Ziviani destacaram apenas "razões pessoais".

Além deles, o atual presidente da estatal Roberto Castello Branco, que também é conselheiro, vai deixar a empresa no dia 20 de março. Com isso, a União vai precisar buscar quatro novos nomes para o novo conselho. Eles vão ser indicados em Assembleia Geral Extraordinária (AGE). É ainda o caso do general Silva e Luna que terá assento também no board.

Em outro comunicado, a estatal explicou que a Assembleia Geral de Acionistas é quem vai eleger os membros do Conselho de Administração.

"E cabe ao Conselho de Administração, por sua vez, eleger os diretores Executivos, sendo que o diretor-presidente da Petrobras deverá ser escolhido dentre os Conselheiros", informou a empresa.

A estatal lembrou que a análise do Comitê de Pessoas deve ser feita no prazo de oito dias úteis a partir da entrega de todas as informações necessárias para a indicação de Joaquim Silva e Luna, podendo ser prorrogado por mais oito) dias úteis. "Com relação à indicação do Senhor Joaquim Silva e Luna, os processos internos de governança ainda estão em curso", disse a estatal.