Maia indica que eleição municipal será adiada, mas sem prorrogação de mandatos

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou que a data das eleições municipais deste ano deve ser adiada em razão da pandemia do novo coronavírus. Maia afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), irá montar um grupo de deputados e senadores na próxima semana para debater o assunto. A tendência, de acordo com o presidente da Câmara, é postergar a data do pleito, marcada para o dia 4 de outubro. Entretanto, segundo ele, há o entendimento de que a medida não deverá compreender a postergação de mandato de prefeitos e vereadores.

As prefeituras seriam ocupadas, portanto, por um político eleito ainda este ano. Para que haja a mudança, os parlamentares precisam alterar a Constituição. A Carta determina, em ano eleitoral, a votação de primeiro turno no primeiro domingo do mês de outubro e o segundo turno no último domingo de outubro.

- Vamos começar a discussão nos próximos dias sobre a data da eleição. O presidente Davi vai construir um grupo junto com a Câmara para que nós possamos discutir a questão da data da eleição, se vamos mantê-la no mesmo dia ou se a decisão do parlamento vai ser modificá-la dentro do próprio mandato, uma outra data. Então seria seria o adiamento da eleição sem prorrogação de mandato. Eu vi ontem, na discussão com os líderes, que essa é uma posição de quase unanimidade. A maioria dos parlamentares entende que podemos ter o adiamento, mas não devemos ter a prorrogação de nenhum mandato. Vamos discutir isso (entre os parlamentares) e depois com o TSE - disse Maia.

A visão dos parlamentares é a mesma já defendida pelo ministro Luís Roberto Barroso, que assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima segunda-feira. O ministro diz que, se for o caso de mudar a data, o adiamento possa ser o mais breve possível, sem alterar o tempo de mandato dos atuais e futuros prefeitos.

Maia disse que, após a discussão entre parlamentares, haverá um diálogo também com Barroso. Em abril, o TSE criou um grupo de trabalho para projetar os impactos da pandemia provocada pelo novo coronavírus. A ideia é monitorar a pandemia e os possíveis impactos no pleito. Alguns dos motivos de preocupação do tribunal são as possíveis aglomeração em convenções partidárias e o atraso de testes das urnas eletrônicas.

Ao chegar à Câmara, Maia também falou sobre os projetos que tramitam na Casa. Nesta terça-feira, a Câmara pode votar uma proposta que cria o Tribunal Regional Federal de Minas Gerais, sediado em Belo Horizonte. Questionado sobre a pertinência da votação em cenário de pandemia, ele disse que não acha o melhor momento para debater o assunto. Entretanto, decidiu atender a um pedido da bancada de Minas Gerais. Nas últimas semanas, o grupo e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, pressionam pela criação do tribunal.

- A bancada de Minas demandou a votação dessa matéria. Eu disse que entendia que não era o melhor momento, mas há demanda da bancada mineira. Tinha me comprometido a pautar a matéria. Claro que tem uma boa parte dos parlamentares que gostaria de ver esse projeto votado, aprovado ou não, em outro momento, mas agora é uma decisão que cabe ao coletivos de deputados e deputadas, sob orientação dos líderes, para que se tome a decisão. Ela está pautada, porque foi assim que eu combinei com a bancada mineira e muitos líderes - disse Maia.

De acordo com Maia, o tema é "polêmico" e deve suscitar divergências durante a votação


Futebol brasileiro pode voltar no fim de junho, diz CBF

O futebol brasileiro começou a ensaiar uma retomada que, dependendo da curva de casos de coronavírus, poderia ocorrer no fim de junho, disse nesta terça-feira à Reuters o secretário-geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Walter Feldman.

Feldman destacou que o Campeonato Brasileiro pode ter todos os jogos com portões fechados e ser concluído apenas no começo do 2021. Segundo ele, a volta da liga da Alemanha, no fim de semana, deu uma esperança ao futebol mundial e mostrou uma perspectiva animadora.

"Parar foi necessário e voltar é possível. Esse é o grande aprendizado com o retorno do alemão... a Alemanha é uma ótima sinalização", disse ele à Reuters.

O Campeonato Alemão foi o primeiro das grandes ligas do mundo a retomar suas atividades, mas com uma série de protocolos e restrições, como jogos com portões fechados, medidas de distanciamento social e testes de atletas e profissionais envolvidos.

O protocolo final de saúde da CBF, que será recomendado aos clubes, está em fase de conclusão, mas incluirá, segundo Feldman, medidas como testes permanentes para a Covid-19, distanciamento social, medidas de higiene, transporte em veículos particulares dos atletas e jogos com portões fechados.

"Podemos ter sim só jogos com portões fechados... em países a epidemia vai e volta, tem novas ondas. Aglomerações mesmo só com vacina e controle absoluto", afirmou Feldman.

O Campeonato Brasileiro deveria ter começado este mês não fosse a pandemia. Agora, a perspectiva é que o futebol nacional seja retomado entre o fim de junho e o início de julho. "Maio é o período mais dramático da doença e vamos ver as portas que vão se abrir em junho... o aprofundamento da crise, agora, significa que logo em seguida deve vir o abrandamento", disse.

Dirigentes  de clubes de futebol, incluindo presidentes de Flamengo e Vasco, se reuniram em Brasília com o presidente Jair Bolsonaro para conversar sobre a situação do futebol brasileiro. Bolsonaro posou para fotos, uma delas com a camisa do Flamengo.

O futebol brasileiro está parado desde março, quando campeonatos locais e nacionais (como a Copa do Brasil) foram interrompidos devido às medidas de restrição provocadas pela pandemia.

Grandes clubes do Brasil já iniciaram atividades nos últimos dias, depois de um período de treinos remotos. "O ensaio da perspectiva de treinamento é um ensaio para a volta (do futebol)”, disse Feldman.

"Dependendo da curva da doença aqui no país... mais um mês ou um mês e meio após o pico. Maio abre portas, junho abre outras adicionais e não duvido quem em junho, com a volta dos treinos, protocolo sustentado e possibilidade de flexibilização das autoridades de saúde, o futebol possa voltar com restrições", afirmou.

Normalmente, o Campeonato Brasileiro termina no começo de dezembro, mas, diante do atraso provocado pela pandemia, a competição usará datas perto do Natal e Ano Novo e pode até só ser concluído em 2021, afirmou. "É possível que tenhamos Natal e ano novo com futebol nas datas próximas".


Advogado que acompanhou Flávio Bolsonaro admite reunião na casa de Paulo Marinho em 2018

Os advogados de Victor Granado Alves admitiram que ele foi a uma reunião com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na casa do empresário Paulo Marinho em dezembro de 2018. Na reunião, segundo Marinho, Flávio contou sobre o vazamento de informações de um delegado da Polícia Federal sobre Fabrício Queiroz dois meses antes.

No domingo, Flávio tinha soltado nota informando apenas que o empresário lhe causava “pena” e que “sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos”.

“Vitor Granado esteve presente em reunião na residência do empresário Paulo Marinho na qualidade de advogado do então deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, razão pela qual está impedido de comentar os fatos lá debatidos por força da relação profissional e do sigilo inerente ao exercício da advocacia”, informou a nota dos advogados Gustavo Teixeira e Rafaell Kullmann, que representam Victor Granado Alves.

Alves assessorou Flávio na Alerj entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2019. Depois disso, foi lotado na liderança do PSL, quando Flávio era presidente do partido no Rio, mas com a saída do senador do PSL, Alves também perdeu o cargo. A trajetória de Flávio Bolsonaro: de deputado mais jovem do Rio a senador sob suspeita

Ele é investigado junto com Flávio e Queiroz pelo Ministério Público do Rio no procedimento que apura peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito do gabinete devido à “rachadinha”, prática de devolução dos salários de servidores. Alves como Flávio e Queiroz também teve o sigilo bancário e fiscal quebrado pelo TJ do Rio em abril do ano passado.

Além dele, sua mulher, Mariana Granado também consta como assessora de Flávio no Senado desde março do ano passado. O salário dela é de R$ 22,9 mil.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o PSL nacional, antigo partido de Flávio, contratou em fevereiro de 2019 um escritório de advocacia de Victor Granado Alves e, ao longo de 13 meses, pagou cerca de R$ 500 mil por um trabalho de regularização dos diretórios municipais do estado do Rio de Janeiro. A contratação teria ocorrido por indicação de Flávio.

Depoimento de Marinho

O empresário Paulo Marinho foi intimado para prestar depoimento hoje da Superintendência da Polícia Federal do Rio em um novo procedimento de investigação instaurado para apurar eventual participação de servidores no vazamento de informações sobre a Operação Furna da Onça.

Segundo o empresário, em relato publicado pela “Folha” no último domingo, Flávio foi informado por um delegado da Polícia Federal, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, que seria deflagrada a Operação Furna da Onça, que continha um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que mostrava a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então assessor do Flávio.

Esse delegado sugeriu que Queiroz e a filha fossem exonerados, o que ocorreu em 16 de outubro de 2018. Por causa desse relatório, Queiroz passou a ser investigado por operar um esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj.

Segundo o relato de Paulo Marinho, foi o próprio senador que o procurou para contar sobre o episódio do vazamento depois que o caso veio à tona em dezembro de 2018. Foi nessa ocasião, que Flávio estava acompanhado de Alves.

No domingo, Flávio Bolsonaro disse que “o desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Dória e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado”.

O senador disse ainda que “e por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás. Sobre as estórias, não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos.”


Coronavírus: Centro Hospitalar da Fiocruz, voltado para pacientes graves, entra em funcionamento

Uma nova unidade de saúde voltada para pacientes considerados graves com o coronavírus entrou em funcionamento em Manguinhos. O Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) começou a receber de forma gradual os primeiros pacientes transferidos pela central estadual de regulação de vagas. Ao todo, quando o hospital estiver em pleno funcionamento, serão disponibilizados 195 leitos para o tratamento intensivo e semi-intensivo.

Construído em dois meses pela Fundação Oswaldo Cruz em regime emergencial, o hospital possui características específicas que o difere das unidades de campanha, como quartos individuais. Há, ainda, uma central de tratamento de esgoto própria, concebida para tratar resíduos com o novo coronavírus e garantir destino seguro do efluente gerado. A unidade é autossuficiente, tendo fornecimento de energia, geradores e reservatórios de água.

No local também funcionará uma estrutura de call center com operadores treinados para atualizar os familiares a respeito do boletim médico de cada paciente. Com o objetivo de diminuir a distância com os entes queridos durante o período de internação, também serão realizadas ligações por vídeo com os pacientes cuja condição clínica permita a interação.

O novo hospital passa a integrar o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), unidade de referência da Fundação na atenção especializada em doenças infecciosas, e que já atua também como referência para o atendimento a pacientes graves de Covid-19. De acordo com a presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, o hospital ficará de legado para a cidade.

— Neste momento, em que acompanhamos com tanta preocupação o aumento de casos e de mortes em nosso país, e em particular no Rio de Janeiro, é com grande emoção que entregamos esse hospital dedicado exclusivamente à Covid-19 e que permanecerá como um legado para o Sistema Único de Saúde — disse Nísia durante visita ao local.


‘Vamos ter que suavizar a queda’ do auxílio emergencial, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que o governo vai “suavizar a queda” e eliminar gradativamente o auxílio emergencial de R$ 600. Até agora, está previsto o pagamento desse benefício por apenas três meses, sem interrupção gradual.

O ministro fez as declarações em reunião fechada com representantes do setor de serviços. O GLOBO obteve o áudio da reunião.

“Vamos tornar mais robusto e focalizado os programas sociais. Vamos agora jogar mais R$ 600 aí. Agora, quando acabar esse prazo, em vez de tirar de uma vez só, vamos fazer um phase out (eliminação em fases) . Não é que nós vamos prorrogar, porque não temos fôlego financeiro para fazer a gastança que está aí, mas vamos ter que suavizar a queda. Em vez de cair tudo de uma vez, nós vamos descer mais devagar um pouco pouco”, disse Guedes.

Essa é a primeira vez que o titular do Ministério da Economia fala em pagar o auxílio emergencial por mais tempo que os três meses até agora previstos.

Na semana passada, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse que o auxílio poderia ter “vindo para ficar”. No dia seguinte, a pasta divulgou nota negando essa possibilidade.

Até agora, o governo prevê gastar R$ 124 bilhões com o programa. Há uma forte pressão, inclusive por integrantes do governo, para prorrogar o auxílio, como O GLOBO mostrou na semana passada.

O governo também avalia revisar, depois da pandemia, os programas de transferências de renda, sendo possível uma ampliação do Bolsa Família. Para isso, técnicos da equipe econômica estudam propor a revisão de benefícios considerados ineficientes, como o abono salarial e o seguro-defeso (pago a pescadores no período em que a pesca é proibida), como forma de compensação.


Com avanço da Covid-19 na Amazônia, indígenas são levados de avião para UTIs

O novo coronavírus está se espalhando tão rapidamente entre os povos indígenas nas partes mais afastadas da Amazônia que os médicos estão agora transferindo de avião pacientes em estado grave para as únicas unidades de terapia intensiva na região.

"O número de pacientes com Covid-19 aumentou muito. Estamos fazendo mais voos, é a última oportunidade de salvar suas vidas", disse Edson Santos Rodrigues, médico pediatra que trabalha no transporte aeromédico no Estado do Amazonas.

"Às vezes não chegamos lá a tempo, porque não podemos pousar à noite em aeródromos remotos sem luz", disse ele ao voltar à cidade de Manaus com um homem de 26 anos da etnia tikuna, que estava respirando através de um tanque de oxigênio a bordo do avião.

Manaus, capital do Amazonas, possui as únicas unidades de terapia intensiva (UTIs) da região.

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) informou nesta segunda-feira que pelo menos 23 indígenas morreram em decorrência da Covid-19, a doença respiratória causada pelo coronavírus. As vítimas estavam em terras indígenas remotas, 11 delas na região de fronteira com a Colômbia e o Peru.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que contabiliza os casos de coronavírus entre indígenas que migraram para áreas urbanas e que não são tratados pelo Sesai, informou nesta segunda-feira um aumento no número de mortes, com 103 óbitos confirmados, ante 18 até 3 de abril.

Três quartos dos 540 casos confirmados de coronavírus pela APIB estão na Amazônia, onde a pandemia atingiu em cheio a cidade de Manaus, que foi a primeira do país a ficar sem leitos de UTI, enquanto seu principal cemitério enterra mortos em covas coletivas.

Nesta segunda-feira, um paciente de 78 anos, que estava em estado grave e usando um respirador, morreu durante voo de São Gabriel da Cachoeira, cidade isolada dentro da floresta perto da fronteira com a Venezuela, disse Daniel Siqueira, médico do transporte aeromédico.

Siqueira, filho de um missionário evangélico, passou a infância em uma aldeia indígena na Amazônia e fala a língua indígena mais comum na região, nheengatu. Falar com pacientes graves em seu próprio idioma é importante, diz ele.

A epidemia pode ter começado na cidade, mas está piorando nas regiões remotas, acrescentou. "As cidades devem isolar e impedir que o vírus chegue às aldeias indígenas, ou muitos outros morrerão", disse.


61% dos casamentos previstos para o 1º semestre foram adiados

Com o cenário cada vez mais incerto em relação ao novo coronavírus e a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de manter o isolamento social, 61% dos casamentos marcados para o primeiro semestre deste ano foram adiados, segundo pesquisa da plataforma especializada no setor iCasei.

Mais da metade foi remarcado para o período entre o 2º semestre de 2020 e 1º semestre de 2021. Mas os meses de setembro e outubro deste ano são os favoritos.

Somente 2,66% dos noivos cancelaram o evento e não têm planos para retomar, enquanto 32% não precisaram adiar ou ainda estão aguardando um pouco mais para tomar uma decisão.

Entre os motivos citados para o adiamento da cerimônia estão a impossibilidade de realização do evento por conta da quarentena, dificuldade financeira e emocional em seguir com o planejamento.

Para os noivos que estão refazendo o planejamento do casamento para uma nova data, a principal dificuldade tem sido conciliar datas entre fornecedores.

A pesquisa foi realizada com 1.681 noivos entre os dias 23 e 30 de abril.


MPF abre investigação para apurar vazamento da Operação Furna da Onça para Flávio Bolsonaro

O Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação nesta segunda-feira para apurar denúncia de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi avisado com antecedência sobre uma operação da Polícia Federal (PF) que atingiria seu então assessor Fabrício Queiroz. O MPF também solicitou à Justiça Federal o desarquivamento de inquérito que apurou, à época, suspeitas de vazamento. Na época, o caso foi arquivado após a própria PF não encontrar indícios do crime.

Em entrevista ao jornal folha de S. Paulo, o empresário Paulo Marinho, ex-aliado da família Bolsonaro, contou que Flávio disse que foi avisado da operação por um delagado da PF e que a ação a foi adiada para que não ocorresse durante o segundo turno da eleição presidencial e atrapalhasse a campanha do então candidato Jair Bolsonaro.

Ao justificar o pedido de desarquivamento, o procurador da República Eduardo Benones argumenta que “há notícias de novas provas que demandam atividade investigatória”.

“As investigações do controle externo visam descobrir se policiais federais vazaram informações sigilosas para privilegiar quem quer que seja. Caso fique comprovado qualquer vazamento, mesmo simples informações, os policiais responsáveis podem ser presos e até perder o cargo por improbidade”, afirma o Coordenador do Controle Externo da Atividade Policial do MPF/RJ.

Na entrevista, Marinho narrou o que teria sido discutido em um encontro no dia 13 de dezembro de 2018. Segundo ele, Flávio o procurou em busca da indicação de um advogado criminalista que pudesse defendê-lo na investigação que apura se havia um esquema de “rachadinha” em seu gabinete enquanto foi deputado estadual. No encontro, segundo Marinho, o senador disse que um outro assessor (Miguel Braga) havia sido procurado na semana seguinte ao primeiro turno por um delegado da PF. Eles então combinaram de se reunir na porta da Superintendência da PF no Rio. Na ocasião, o delegado teria avisado sobre a Operação Furna da Onça, afirmado que a investigação atingiria assessores de Flávio e dito que iria “segurar” a deflagração da operação, para não prejudicar a campanha de Bolsonaro à Presidência.

Em nota, Flávio disse que a declaração do ex-aliado é "invenção de alguém desesperado e sem votos" e que Marinho tem interesse em prejudicá-lo porque é seu substituto no Senado.

“Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão”, disse o senador, que acusa o empresário de “inventar” a história.


Vacina para Covid-19 da Moderna mostra resultado promissor e faz ações dispararem

A Moderna informou  que sua vacina experimental contra a Covid-19 mostrou potencial em um estudo de estágio inicial, já que produziu anticorpos neutralizadores do vírus semelhantes àqueles encontrados em pacientes recuperados, o que fez o preço das ações dispararem cerca de 25%.

A vacina da empresa está na vanguarda dos esforços de desenvolvimento de um tratamento para o vírus de disseminação veloz e, na semana passada, recebeu o selo de "aprovação rápida" da agência de saúde dos Estados Unidos para que a revisão regulatória seja acelerada. A Moderna espera iniciar um estudo de estágio final mais amplo em julho.

Atualmente não existem tratamentos ou vacinas aprovados para a Covid-19, causada pelo coronavírus, e especialistas preveem que uma vacina segura e eficiente pode demorar de 12 a 18 meses.

Oito pacientes que receberam a vacina da Moderna mostraram níveis de anticorpos similares àqueles de pessoas que se recuperaram da Covid-19, segundo resultados iniciais do estudo feito pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Todos os 45 participantes do estudo receberam três doses diferentes da vacina, e a Moderna disse que viu um aumento de dependência da dose na imunogenicidade, a capacidade de provocar uma reação imune no corpo.

"Essas são descobertas significativas, mas é um ensaio clínico de estágio inicial que incluiu apenas oito pessoas. Foi projetado para a segurança. Não para a eficácia", disse Amesh Adalja, especialista em doenças infecciosas do Johns Hopkins Center for Health Security, que não estava envolvido no estudo.

Os dados iniciais oferecem um vislumbre de esperança para uma vacina entre as mais avançadas em desenvolvimento.

Adalja disse que muitas falhas podem ocorrer entre agora e o momento em que a vacina for testada quanto à eficácia em milhares de pessoas. "O que vemos é encorajador", disse ele.

MAXIMIZANDO DOSES

"No contexto de uma pandemia, esperamos que a demanda exceda em muito a oferta e, quanto menor a dose, mais pessoas esperamos poder proteger", disse o médico chefe Tal Zaks.

Em abril, o governo dos EUA fez uma aposta na Moderna, apoiando sua vacina com 483 milhões de dólares da Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado (Barda), parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS).

A empresa disse que o avanço permitirá fornecer milhões de doses por mês em 2020 e, com investimentos adicionais, dezenas de milhões por mês em 2021, se a vacina for bem-sucedida.

"Estamos investindo para intensificar a fabricação para que possamos maximizar o número de doses que conseguimos produzir para ajudar a proteger tantas pessoas quanto pudermos da SARS-CoV-2", disse o executivo-chefe da Moderna, Stéphane Bancel.

A empresa assinou contratos com a farmacêutica suíça Lonza Group e com o governo dos EUA para produzir em grande quantidade a vacina, que se mostrou segura e bem tolerada no estudo de estágio inicial.

Um participante do teste teve vermelhidão no local da injeção, o que foi caracterizado como um efeito de "grau 3". Não foi relatado nenhum efeito colateral grave, segundo a empresa.

As ações da Moderna subiram 240% no espaço de 12 meses encerrado na última sexta-feira.

(Por Saumya Sibi Joseph e Ankur Banerjee Manas Mishra)


Coronavírus: Brasil tem 13 mil novos casos, ultrapassa Reino Unido e é o 3º em infectados pela doença

O Brasil registrou 13.140 novos casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas, superando o Reino Unido e chegando à terceira posição no ranking dos países com o maior número de infectados pela doença. De acordo com o governo britânico, o Reino Unido tem 246.406 mil casos da doença. Nesta segunda, o Brasil tem 254.220 mil casos e 16.792 mortes, das quais 674 foram registradas de domingo para segunda-feira.

De acordo com o ranking divulgado pela universidade norte-americana Johns Hopkins, apenas Rússia (290.678) e Estados Unidos (1.504.386) têm mais casos que o Brasil. Na semana passada, o Brasil já havia passado a Itália e a Espanha, que foram epicentros da epidemia na Europa.

Número de casos e de óbitos por UFNúmero de casos e de óbitos por UF Foto: Divulgação/ Ministério da Saúde

O balanço desta segunda-feira mostra que, após quase uma semana na terceira posição em número de casos, o Rio de Janeiro voltou a superou o Ceará.

São Paulo é o estado com mais casos da doença no Brasil: são 163.066 até o momento. Em seguida vem Rio de Janeiro (26.665), Ceará (26.363), Amazonas (20.913) e Pernambuco (20.094).

Em relação ao número de mortes, São Paulo também aaprece na frente, com 4.823 óbitos até o momento. Depois vem Rio de Janeiro (2.852), Ceará (1.748), Pernambuco (1.640) e Amazonas (1.433).