Quantas vezes se deve medir a glicemia na ponta do dedo

Se você tem diabetes, pode ser necessário medir a glicemia em casa, para realizar o chamado automonitoramento da doença. Saber sua taxa de açúcar no sangue ajuda a avaliar a necessidade de fazer ajustes na medicação ou no estilo de vida. Mas… em que casos é preciso fazer a medição? Quantas vezes? Em que momento do dia?

Não adianta procurar uma regra, porque ela não existe. A hora ideal para medir a glicemia varia muito de acordo com o quão controlado está o diabetes e com diversas condições do estado geral do paciente. Às vezes nem é indicado medi-la com muita frequência. Tudo depende da pergunta clínica que precisa ser respondida. Será que essa fase de estresse está afetando minha glicemia? Será que ter começado a fazer exercícios diminuiu minha necessidade de medicamentos? Para cada pergunta, existe um esquema específico. Quem define tal esquema? A equipe médica, composta por médico, enfermeiros e auxiliares, de acordo com as possibilidades e necessidades de cada paciente.

Ainda que as metas de valores variem de acordo com a população, a idade, o risco de hipoglicemia e diversos outros fatores, é possível termos uma ideia dos números. Abaixo, indicamos valores de referência para dar um panorama geral, mas lembre sempre que cada tratamento é personalizado.

O que significa cada referência de horário

Em jejum: Logo que acordar;

Antes da refeição: Imediatamente antes de comer (chamada de medida pré-prandial);

1 hora após a refeição: 1 hora após dar a primeira “garfada” (chamada de medida pós-prandial);

2 horas após a refeição: 2 horas depois de dar a primeira “garfada” (igualmente chamada de medida pós-prandial);

Antes de dormir: Logo antes de deitar;

Madrugada: Por volta das 3 horas da manhã.

Diabetes tipo 1

Como pessoas com diabetes tipo 1 produzem pouca ou nenhuma insulina, este é um grupo que exige controle frequente da glicemia.

Quantas vezes medir: No mínimo de 3 a 4 vezes por dia. A frequência pode variar de acordo com alguns fatores, como a rotina de exercícios, tipo de alimentação, risco de hipoglicemia, presença de hipoglicemia assintomática ou quando se trata de crianças pequenas. ATENÇÃO: É importante medir a glicemia antes de pegar no volante para trajetos mais longos, como em estradas, para evitar o risco de hipoglicemia enquanto dirige. Nesses casos, a glicemia deve ficar entre 80 mg/dL e 180 mg/dL.

Quando medir: Pode ser solicitado antes e depois de refeições e de exercícios, antes de dormir e às vezes até no meio da madrugada. Circunstâncias como alterações na medicação ou na rotina podem fazer com que o médico mude o esquema temporariamente.

Metas de glicemia para quem tem diabetes tipo 1.

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Diabetes tipo 2 descontrolado

Quando a pessoa acabou de receber o diagnóstico, pode ser que o diabetes esteja muito fora de controle, pois até aquele momento ela não se preocupava com dieta e exercícios e nem tomava medicamentos.

Existem também pessoas que estabilizaram o nível de açúcar no sangue, mas estão passando por um momento específico da vida que torna o controle mais difícil. Períodos estressantes, por exemplo, podem fazer o paciente ter crises de hiperglicemia (alto nível de açúcar) ou hipoglicemia (baixo nível de açúcar) mesmo seguindo o tratamento como fazia até então.

Por fim, pessoas que receberam o diagnóstico mas não seguem o tratamento também podem ter diabetes descontrolado.

Quantas vezes medir: Pelo menos 3 vezes por dia, ao menos uma vez por semana, durante o período indicado pela equipe médica. Eventualmente, pode ser solicitado que em um dia sejam feitas 6 medidas para que se tenha uma ideia geral da reação do organismo em diferentes momentos (em jejum, após refeições, antes de dormir etc.).

Quando medir: Geralmente é recomendada a clássica medida em jejum, e os demais momentos são definidos pela equipe médica.

Diabetes tipo 2 sob controle com uso de insulina

Em geral, pacientes que fazem uso de insulina precisam medir a glicemia mais vezes que aqueles que controlam as taxas de açúcar somente com medicamentos e manutenção de hábitos saudáveis. Este grupo é um dos que mais tem variação na frequência de medidas, pois há muitos ajustes que podem ser necessários. Por exemplo: se a insulina foi prescrita para ajustar a glicemia ao amanhecer, é preciso medir em jejum e, uma vez por semana, fazer o chamado mapa completo (em jejum, antes e depois das refeições). Se a insulina tem como função equilibrar a glicemia após refeições, o esquema muda.

De forma geral, quanto maior a dose e/ou a frequência de insulina por dia, maior será a frequência de medições.

Quantas vezes medir: Em geral são necessárias em torno de 2 a 4 medições por dia.

Quando medir: Varia dependendo do quadro geral do paciente e do tipo de insulina utilizada. Embora geralmente seja requisitado que a medida seja feita em jejum, é importante que em alguns dias também se meça 2 horas após as refeições, pois a pessoa pode apresentar níveis normais em jejum, mas desregulados após se alimentar. Também é comum o médico indicar que em alguns dias se meça a glicemia antes de dormir.

Diabetes tipo 2 sob controle sem uso de insulina

Ao estabilizar a doença com medicamentos, alimentação equilibrada e atividade física regular — sem insulina –, não há consenso sobre a necessidade de automonitoramento. A maioria dos trabalhos indica que ele pode até ser desaconselhado, por aumentar o risco de problemas como ansiedade e depressão. Ainda assim, vale ter um glicosímetro em casa para realizar as medições em determinadas ocasiões.

Quantas vezes medir: Em situações específicas (veja abaixo).

Quando medir: Em casos de sintomas de crises de hipo ou hiperglicemia, ao iniciar o uso de um novo medicamento que possa interferir na glicemia (como corticoides), em períodos de pós-operatório e outros indicados pelo médico. Nessas ocasiões, é recomendado medir em jejum, antes e depois das refeições ou no momento em que tiver suspeita de hipoglicemia.

Metas de glicemia para quem tem diabetes tipo 2.

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Diabetes gestacional ou gestantes que têm diabetes

Gestantes com diabetes ou pacientes que desenvolvem diabetes gestacional precisam medir e registrar os valores com rigor para prevenir danos ao feto.

Quantas vezes medir: De 4 a 6 vezes por dia.

Quando medir: Em jejum e 1h ou 2h após as refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). Dependendo do caso, alguns profissionais acrescentam uma medida antes do almoço e do jantar, totalizando 6 medidas no dia.

Metas de glicemia para quem tem diabetes gestacional ou gestantes com diabetes.

Associação Americana de Diabetes (ADA).

Idosos com diabetes

Idosos com diabetes precisam de acompanhamento rigoroso, que depende de uma série de condições avaliadas pela equipe médica. A frequência e horários de medição também devem ser muito particularizados.

Metas de glicemia para idosos com diabetes.

* A classificação do estado de saúde leva em conta uma série de fatores técnicos que devem ser avaliados por profissionais. | Associação Americana de Diabetes (ADA).

Cuidados antes de medir a glicemia em casa

Lave as mãos. Água e sabão são suficientes, não é necessário álcool;

É muito importante esperar as mãos secarem, porque a água pode diluir a amostra de sangue e levar a um falso valor baixo. Por outro lado, ter contato com frutas ou certos cremes antes de medir pode falsear o resultado para um valor mais alto.

Anote sua glicemia em cada medição

É fundamental registrar os valores da sua glicemia. Não é necessário nada rebuscado. É suficiente anotar em um caderno o valor obtido, a hora, marcar se estava em jejum, prestes a comer ou se a medição foi feita depois de uma refeição (nesse caso, anote se passaram 1 ou 2 horas após a primeira garfada).

Nos casos abaixo, registre também outros dados:

Se sentir sintomas de hipoglicemia, anote;

Se obtiver uma glicemia baixa (menor que 70 mg/dL) e mesmo assim não sentir nada – situação chamada de hipoglicemia assintomática –, anote a ocorrência;

Sempre que houver um resultado que saia do seu padrão, relembre se você comeu em excesso, se esqueceu de tomar a medicação ou sua dose de insulina, se esteve doente (mesmo que seja apenas um resfriado) ou se fez uso de corticoides.

Atenção

Importante destacar que a glicemia capilar não é o exame indicado para diagnóstico, e sim para acompanhamento de quem tem diabetes já diagnosticado. Quem não tem diabetes e obtém uma medida de 100 mg/dL a 125 mg/dL em jejum precisa fazer mais exames, pois pode estar na categoria de pré-diabetes e apresentar risco aumentado para desenvolver a doença. Saiba mais sobre essa condição no vídeo abaixo.


Ataca a geladeira a noite? Veja 8 estratégias para controlar a fome noturna

É bastante comum que algumas pessoas sintam mais fome à noite e comam mais nesse período. Mas há também quem perca o sono de madrugada e saia da cama para "assaltar" a geladeira em busca de alimentos. Essas atitudes que parecem inofensivas podem aumentar o peso e, em alguns casos, comprometer a saúde.

"Normalmente, a fome noturna é fruto da escolha inadequada de alimentos ou por ser um hábito alimentar estabelecido durante muito tempo. Também acontece devido a questões pessoais que envolvem estresse, ansiedade ou qualidade do sono ruim", explica Mário Carra, diretor do departamento de obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

O comportamento alimentar de cada um está ligado a diversos aspectos como necessidades fisiológicas e fatores ambientais que criam um ritmo de alimentação durante o dia. O nosso corpo tem horários para descansar, se alimentar e estar ativo. O problema é que com a correria cotidiana, a maioria das pessoas não consegue se alimentar adequadamente durante o dia. E quando anoitece, elas geralmente usam a comida como forma de compensação.

Por isso, muitas vezes, fica difícil manter uma rotina alimentar saudável. Há também quem tenha dificuldade de identificar quando está com fome ou apenas com vontade de comer. Além disso, é importante verificar se esse comportamento não é um distúrbio alimentar. Nesses casos, a fome noturna pode vir acompanhada de desequilíbrio de sono e humor.

Mesmo sendo difícil controlar a gula que insiste em aparecer à noite, VivaBem conversou com alguns especialistas para ajudar quem quer enfrentar o problema. Confira, a seguir, algumas estratégias para escapar dessa tentação noturna.

  1. Ter uma rotina alimentar

Estabelecer horários para se alimentar e evitar pular refeições são fatores que ajudam a diminuir a fome no final do dia. É importante tomar café da manhã, fazer os lanches intermediários e não pular o jantar. Algumas pessoas quando ficam muito tempo sem comer exageram na alimentação seguinte ou optam por alimentos extremamente calóricos. É comum que os indivíduos que não fazem as refeições principais queiram compensar mais tarde comendo tudo o que veem pela frente.

  1. Planejar as refeições

Outra estratégia eficaz é planejar as refeições com antecedência. Isso porque essa prática pode ajudar a pessoa a não comer por impulso e a definir a composição nutricional das refeições. Nesse caso, é indicada uma refeição que contenha boas quantidades de proteínas e fibras para aumentar a saciedade. Por outro lado, deve-se evitar o excesso de alimentos ricos em carboidratos refinados, açúcar e gorduras, além de industrializados.

  1. Reconhecer a ansiedade e o estresse

A ansiedade e o estresse são os principais motivos que levam as pessoas a comerem sem estar com fome. É bastante comum que quem está muito ansioso ou estressado não preste atenção no que está comendo, não perceba quais são as propriedades nutricionais de cada alimento ingerido e no horário em que realiza as refeições. Portanto, saber reconhecer sua própria ansiedade e estresse e se você está comendo devido a esses sentimentos pode ajudar.

  1. Dormir mais

Quem dorme pouco, ou seja, menos de oito horas por noite, fica mais cansado e tende a consumir alimentos com mais calorias, pois eles viram uma forma de obter energia e prazer. Sabe-se que o consumo de calorias aumenta quando o corpo descansa menos horas do que o necessário, uma vez que essa atitude afeta hormônios relacionados à regulação do apetite.

  1. Praticar atividade física

Manter a rotina de praticar exercícios ajuda a controlar a fome e inibe o apetite. Além disso, quem não é sedentário e faz atividade física regularmente sente uma melhora na qualidade do sono e menos sintomas ansiosos e depressivos. Vale caminhar, subir e descer escadas, ioga e fazer exercícios de posturas. Mas, fique atento ao realizar exercícios intensos durante à noite, pois isso pode deixar a pessoa mais agitada e sem sono.

  1. Evitar comprar junk-food

Para quem gosta de consumir alimentos como junk-food, ou seja, com poucos nutrientes e bastante calóricos, o melhor é evitar comprar esses itens para não cair em tentação de madrugada. Evite alimentos pobres em calorias e cheios de açúcar como salgadinhos ou doces industrializados. Sempre que possível deixe a despensa e/ou geladeira com frutas, iogurte, pães e biscoitos integrais.

  1. Beber mais água

A falta de água no organismo muitas vezes é confundida com a sensação de fome. Por isso, beber água antes de "atacar" a geladeira de madrugada pode resolver a vontade repentina de comer. Mantenha-se hidratado durante todo o dia, bebendo bastantes líquidos.

  1. Mudar os hábitos

É importante mudar os hábitos que estimulem comer mais durante à noite. Por isso, reveja a sua rotina, perceba se costuma consumir salgadinhos ou biscoitos ao ver televisão, por exemplo. É interessante ter uma atividade noturna prazerosa e que não esteja associada à comida, como ler um livro ou ouvir música.

O que fazer se acordar de madrugada com fome?

Quando a fome bater de madrugada você pode tentar dormir e não conseguir. Se isso acontecer, o melhor a fazer é procurar um alimento com poucas calorias e mais saudável. Uma sugestão é consumir uma xícara de leite morno desnatado. Vale também ingerir frutas e iogurtes sem adição de açúcar.

É importante evitar alimentos ricos em açúcar como bolos, biscoitos, balas ou sorvetes, uma vez que eles são muito calóricos e ainda não trazem saciedade prolongada por causarem uma elevação e declínio muito rápidos do açúcar no sangue. Ao acordar de noite, fique longe de alimentos estimulantes, como chá preto, chá verde, café, chocolate, bebidas energéticas e refrigerantes à base de cola.

"Quando ingerimos um alimento temos uma sensação de saciedade e prazer emocionalmente, além de alterações fisiológicas e no metabolismo. Assim, é preciso equilibrar as emoções e aprender a se alimentar de uma forma mais consciente", afirma Juliana Graciani, psicóloga e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FMU.

Pode ser um distúrbio alimentar

Quem sente muita fome de noite ou madrugada pode ter a Síndrome do Comer Noturno, que foi descrita pela primeira vez na década de 1950. Nesse caso, a pessoa apresenta episódios recorrentes de alimentação noturna e consome alimentos logo após despertar durante a noite ou há consumo excessivo de alimentos após a principal refeição noturna.

Geralmente, há ausência de fome pela manhã e dificuldade para começar a dormir ou manter o sono. É comum que apresentem sintomas depressivos frequentes. Essa síndrome acontece devido a um desequilíbrio na regulação do cérebro em relação ao ritmo circadiano (ciclo biológico do organismo). Quem tem esse problema prefere alimentos calóricos, ricos em gordura e com poucas fibras.

Além disso, há pessoas que sofrem o Transtorno da Compulsão Alimentar, ou seja, ingerem grandes quantidades de alimentos de forma impulsiva e rapidamente e depois ficam se sentindo culpadas. É bastante comum que essas pessoas não consigam se controlar e acordem de madrugada para comer.

Vale a pena ressaltar ainda que existe um outro tipo de comer noturno, conhecida como parassonia, uma forma atípica de sonambulismo. Sendo assim, a pessoa não tem consciência do episódio de comer à noite e pode realizar combinações alimentares estranhas de madrugada.

"Também há tipos de alterações relacionadas ao uso de algumas medicações indutoras do sono, que causam o comer noturno e a amnésia no dia seguinte em relação ao episódio. É comum a pessoa perceber que houve ingestão de alimentos à noite pela confusão ou bagunça na geladeira ou cozinha apenas pela manhã", afirma Débora Kussunoki, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Nesses casos, é importante destacar que essas pessoas apresentam uma condição clínica e psiquiátrica associada e somente mudanças na alimentação e rotina não resolverão o problema. Por isso, é preciso buscar um tratamento individualizado e ter um acompanhamento de diversos profissionais como nutricionistas, psiquiatras e psicólogos.

"Depois que é identificada a causa da fome noturna, o tratamento pode incluir terapia comportamental e medicamentos para diminuir a ansiedade ou depressão, que também melhoram o sono", completa Lívia Beraldo, psiquiatra e mestre em psiquiatria pela IPq- FMUSP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo).


Novo estudo mostra que carne branca também aumenta os níveis de colesterol

Contrariando o senso comum, comer carne branca pode ter os mesmos efeitos no colesterol do que quando ingerimos carne vermelha. É o que diz um estudo recente publicado no American Journal of Clinical Nutrition.

Conduzido por cientistas do Children's Hospital Oakland Research Institute(CHORI), a pesquisa surpreendeu os estudiosos ao mostrar que um alto consumo de carne vermelha ou branca resultou em níveis de colesterol similares e mais altos do que nos pacientes que consumiram uma dieta baseada apenas em plantas.

Mais que isso, os médicos perceberam que, independente da fonte de proteína consumida, os níveis de colesterol LDL continuavam altos se a dieta no geral fosse rica em gordura saturada. A pesquisa não incluiu na análise dietas com peixe ou carnes processadas (como bacon e linguiça).

Como o estudo foi feito?

  • Foram recrutados 113 homens e mulheres com idade entre 21 e 65 anos, com IMC de peso normal ou sobrepeso;
  • Eles primeiro foram submetidos a uma dieta simples de duas semanas para testar se seriam capazes de seguir uma dieta controlada;
  • Depois foram divididos em dois grupos: dieta rica em gordura saturada versus dieta pobre nesse macronutriente;
  • Em seguida, esses grupos foram mudando as fontes de proteína em suas respectivas dietas, consumindo primeiro carne vermelha por quatro semanas, ficando entre duas e sete semanas na dieta normal e depois retomando a dieta anterior mas com carne branca por mais quatro semanas. Depois de outro intervalo, foram mais quatro semanas com a dieta sem carne;
  • Eles perceberam que nas dietas com carne vermelha e branca o colesterol LDL estava mais alto do que quando a carne era retirada, independentemente da dieta ser rica ou pobre em gorduras saturadas de modo geral.

O que isso significa?

O consumo de carne vermelha está sob ataque nos últimos anos principalmente após diversas organizações, incluindo a OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmarem que o excesso desse alimento traz danos à saúde e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Acreditava-se, até então, que a carne branca era uma opção mais saudável.

O novo estudo, no entanto, indica que a restrição ao consumo de carne no geral, seja ela branca ou vermelha, é mais recomendável para auxiliar na redução dos níveis de colesterol. A análise ainda mostrou que uma dieta rica em proteínas de plantas ou de fontes que não sejam carne (como ovos, leite e legumes) é a que apresenta o melhor resultado nesse quesito.

No entanto, ele foi feito com poucas pessoas, portanto deve ser considerada uma evidência preliminar e mais estudos precisam ser feitos.


Comer uma maçã por dia faz bem? Descubra os benefícios dessa fruta

Uma das frutas mais conhecidas e consumidas no mundo, a maçã faz parte especial na nossa vida. Além de ser fonte natural de importantes nutrientes, que proporcionam o bem-estar do organismo, cientificamente é comprovado que o seu consumo, uma vez por dia, prolonga consideravelmente a nossa qualidade de vida! Entenda como essa fruta atua em prol da saúde e veja as vantagens de comê-la na rotina.

Um provérbio inglês diz: "Consumir uma maçã por dia mantém o médico distante". Não é para menos, essa fruta é rica em fibras alimentares, vitaminas, minerais e propriedades anti-inflamatórias que, segundo a nutricionista Sheila Basso, transformam o alimento em um poderoso aliado para a saúde. Segundo a profissional, a composição nutricional da maçã se torna responsável por tornar o nosso intestino saudável, controlar os níveis de colesterol e fortalecer o sistema imunológico:

"O aspecto mais positivo da maçã é que ela oferece poucas calorias e concentra grande quantidade de vitaminas do complexo B, C e E, potássio, muitas fibras e substâncias antioxidantes que atuam beneficamente reduzindo o risco de doenças. Mas, é importante dizer que os benefícios multiplicam-se quando a casca da fruta é ingerida, pois é nela que se concentram em maior quantidade as substâncias ativas", explica a profissional.

Conheça 7 benefícios de consumir uma maçã por dia

1 - Reduz os riscos de diabetes: As fibras alimentares encontradas na fruta, ajudam a equilibrar e retardar a absorção de glicose no organismo, diminuindo o risco do desenvolvimento de diabetes. Já para os diabéticos, de acordo com a nutricionista, podem consumir sem restrição, já que o açúcar presente na fruta é a frutose, absorvido de forma mais lenta pelo organismo.

2 - Previne o envelhecimento precoce: Por ser rica em propriedades antioxidantes, tanto na polpa como na casca, o consumo diário da maçã atua combatendo as ações dos radicais livres, proporcionando uma pele bonita e saudável, além de proteger o nosso organismo de diversas doenças.

3 - Ajuda a saúde bucal: Segundo a Dra. Sheila Basso, morder e mastigar a fruta, estimula as gengivas e aumenta a produção de saliva, diminuindo o número de bactérias na boca e evitando as cáries. "Isso não quer dizer que ela limpe os dentes de forma adequada, a boa escovação sempre é necessária", analisa a profissional.

4 - Favorece o emagrecimento: As fibras presentes principalmente na casca da maçã, ajudam a proporcionar saciedade, diminuindo a fome e favorecendo a perda de calorias. Além disso, as fibras alimentares contribuem para o desenvolvimento da massa magra, quando aliamos a prática de atividade física.

5 - Cérebro saudável: O consumo regular da maçã melhora a nossa capacidade cerebral, reduz os riscos de desenvolver o Alzheimer ou um AVC (acidente vascular cerebral), por exemplo. Além de atual em prol da memória e melhorar o funcionamento do sistema nervoso central, isso se dá pela presença do ácido fólico e das vitaminas do complexo B e C.

6 - Previne complicações respiratórias: Os poderoso agentes antioxidantes encontrados na maçã, atuam diariamente protegendo os pulmões e melhorando a nossa capacidade respiratória. A fruta também pode diminuir as crises de asma e outras doenças crônicas.

7 - Protege a garganta e a voz: Ficar rouco ou ter dores de garganta é mais comum do que a gente pensa e não só para quem trabalha arduamente com a voz. A fruta possui ação adstringente, que ajuda na limpeza da garganta e da faringe, beneficiando e facilitando a projeção da voz.

Natural, suco e até vinagre: As diversas formas de consumo da maçã

Além de poder fazer parte de bolos, tortas, compotas e geleias, o consumo da maçã é extremamente versátil e todos eles podem agregar os benefícios para sua saúde. Em sua forma in natura, a maçã deve ser sempre bem lavada e consumida com casca. Também pode ser consumida através de sucos, fazendo parte de outras composições e misturas de frutas. Já o vinagre de maçã é uma ótima alternativa para temperos de saladas, trazendo sabor e muitos nutrientes.


Os 10 alimentos que melhoram a memória

Se uma alimentação saudável faz bem para o corpo, que dirá para o cérebro. Estudos comprovam que alguns ingredientes têm mesmo uma afinidade especial com a massa cinzenta. Conheça agora os principais alimentos que turbinam a memória e renove o cardápio para melhorar suas habilidades cognitivas:

  1. Espinafre, brócolis e companhia

Guarde esta: as hortaliças de coloração verde-escura concentram um mix de substâncias parceiras do sistema nervoso, daí porque não podem faltar no cardápio ao longo de toda a vida. É só escolher sua preferida e caprichar na receita.

Mas vale ter em mente que o espinafre merece destaque. Ele fornece bastante luteína, que faz parte de uma família de pigmentos conhecida como carotenoides. Esse componente contribui (e muito!) para a saúde cerebral.

Em estudo com 60 pessoas, realizado na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os maiores consumidores de luteína exibiam memória e raciocínio mais afiados. Os cientistas apostam suas fichas na alta capacidade antioxidante do composto. Combater o excesso de radicais livres é uma estratégia primordial para a cabeça, já que o estresse oxidativo abre as portas para danos aos neurônios e às perdas cognitivas.

E as benesses dos verdinhos não param por aí. Além do afamado espinafre, a couve, a rúcula e os brócolis oferecem ácido fólico, vitamina que resguarda a massa cinzenta e ajuda a reduzir o risco de demências. Ela também aparece em vários estudos por atuar em prol do DNA das células cerebrais.

A nutricionista Evie Mandelbaum, especialista em gerontologia de São Paulo, afirma que nunca é tarde para incluir esses ingredientes na rotina. “Mas quem tem uma história de alimentação saudável e exercícios físicos já conta com uma poupança para um envelhecimento bem-sucedido”, enfatiza.

Os vegetais ficam ótimos em sucos, saladas, refogados e cozidos no vapor. Mas não deixe tempo demais no fogo. O calor excessivo pode reduzir o teor de compostos bacanas.

  1. Abacate

“Abacateiro serás meu parceiro solitário nesse itinerário da leveza pelo ar.” Seja nos versos de Gilberto Gil, seja nas receitas doces ou salgadas, o fato é que o abacate deveria fazer parte do dia a dia. Apesar das calorias, a polpa cremosa é um concentrado de substâncias que, entre inúmeras funções, blindam a massa cinzenta.

“O fruto é rico em vitaminas B6, B12, C e E, além de selênio, luteína, colina e outros compostos fundamentais para os neurônios”, elenca o nutrólogo e cientista de alimentos Edson Credidio, que pesquisou o fruto na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista.

A deliciosa consistência denuncia seu alto teor de gordura, que, diga-se, é das boas. Trata-se da monoinsaturada, que protege as artérias, garantindo ótimo fluxo sanguíneo inclusive para o cérebro. Um estudo americano aponta uma ligação desse tipo gorduroso com a melhor funcionalidade de uma área na cuca que tem papel crucial na concentração e no aprendizado.

A conclusão é que o nutriente aperfeiçoa as conexões entre os neurônios presentes na chamada rede de atenção dorsal do cérebro. Só não rola exagerar.

  1. Suco de uva

Encha seu copo com suco de uva roxa integral e faça um brinde: vida longa aos polifenóis! São esses os compostos responsáveis pela fama da bebida. Em Porto Alegre, um experimento realizado com 35 idosas comprovou que o consumo diário de 400 mililitros melhora a função cognitiva.

“Os polifenóis penetram a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro, e inibem danos ligados ao excesso de radicais livres”, conta a biomédica Caroline Dani, do Centro Universitário Metodista IPA e uma das autoras da pesquisa.

Não bastasse, eles promovem um aumento nos níveis de BDNF, proteína que estimula novas conexões entre as redes de neurônios, bem como a renovação dessas células.

Apesar de a fruta em si conter as aclamadas substâncias, a bebida concentra maior quantidade, pois nela há polpa, casca e semente. E não se esqueça: tem que ser suco 100% integral, combinado?

  1. Azeite de oliva

Memorize este nome: oleocantal. A nutricionista Vanderli Marchiori, presidente da Associação Paulista de Fitoterapia, relata que já há evidências de que a substância reduz o risco de Alzheimer.

Mas nem só de oleocantal se faz o azeite de oliva. Ele concentra gordura monoinsaturada e uma porção de antioxidantes. Não à toa ter recebido a alcunha de defensor da memória.

Quem corrobora essa tese é uma equipe da Universidade Temple, nos Estados Unidos, que demonstrou, em animais, que o legítimo óleo de azeitona impede a proliferação das placas beta-amiloides. Essas estruturas estão associadas à destruição dos neurônios e à interrupção da comunicação entre eles (as sinapses), desencadeando a doença que provoca o esquecimento. Vanderli sugere ao menos uma colher de sopa diária do tipo extravirgem.

  1. Chá

“Recordo (creio) suas mãos delicadas de trançador. Recordo próximo dessas mãos um mate…” O trecho vem do conto Funes, o Memorioso, e – vai saber? – revela um dos segredos do personagem criado pelo argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Funes tinha uma memória sobrenatural, lembrava-se de tudo, nos mínimos detalhes… Seria por causa do chá? Ficções à parte, não é de hoje que ele está entre os ingredientes com ação neuroprotetora – especialmente o tipo verde.

A bebida, de sabor levemente adstringente, é feita com a erva Camellia sinensis, espécie asiática que guarda a epigalocatequina galato, ou EGCG. “É um potente antioxidante. E o chá-verde contém ainda cafeína e L-teanina, entre outros compostos”, destaca a biogerontóloga Ivana Cruz, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Há comprovação de que essa rica mistura ajuda a barrar agressões ao hipocampo, uma das principais regiões cerebrais associadas à memorização e ao aprendizado. Um trabalho japonês, da Universidade de Shizuoka, indicou que o consumo cotidiano de chá-verde foi eficaz no combate ao declínio cognitivo em idosos.

Outras pesquisas sugerem que as substâncias da erva ajudam a evitar a deposição das placas ligadas ao Alzheimer e até colaboram com a formação de novos neurônios. Os benefícios, aliás, viriam até por vias indiretas. “Uma revisão de estudos mostra impacto na ansiedade, o que também melhora a cognição”, conta a professora Ivana.

Qual chá é melhor?

Camomila, hortelã e erva-cidreira são infusões que favorecem a digestão e o sono, mas não têm relação com a memória.

E, ainda que os chás branco, vermelho, mate e outros à base de Camellia sinensis ofertem as substâncias do verde, todos estão longe de exibir a mesma quantidade da badalada bebida.

  1. Peixe

Anote e cole na porta da geladeira: salmão, atum, sardinha, arenque e cavalinha devem aparecer pelo menos duas vezes por semana no cardápio. Essa é a sugestão da nutricionista Lara Natacci, da clínica Dietnet, na capital paulista.

Se antigamente se falava dos pescados como fontes exímias de fósforo, um nutriente caro ao cérebro, hoje o que se enaltecem são os teores de ômega-3. Essa gordura do time das poli-insaturadas é reverenciada por diversos motivos. E um deles tem a ver com a cuca. “O ômega-3 atua na conexão entre os neurônios, facilitando a plasticidade sináptica”, afirma Lara.

Em resumo: a conversa entre essas células flui tranquilamente. A gordura auxilia ainda na produção de neurotransmissores e tem ação anti-inflamatória, deixando o caminho livre para células do cérebro se regenerarem.

Inclusive não faltam pesquisas que colocam os ácidos graxos poli-insaturados como soldados de primeira linha na luta contra o próprio Alzheimer.

Qual a melhor maneira de preparar o peixe

A dica é aproveitar a pele, onde há altas doses de ômega-3. Já o modo de preparo vai do gosto do freguês. Mas não é para comer fritura toda hora ou grelhar até passar do ponto. Isso forma aminas heterocíclicas, moléculas perigosas para as células nervosas.

  1. Nozes, castanhas e afins

Elas esbanjam selênio. “E há uma forte relação entre a deficiência desse nutriente e o surgimento de problemas cognitivos durante o envelhecimento”, diz Hércules Rezende, nutricionista e neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Vitamina E e gorduras boas completam a receita neuroprotetora das oleaginosas. Estudos revelam que o consumo desses alimentos interfere nas ondas cerebrais envolvidas com a retenção de informações e o aprendizado.

E que tal apostar nas brasileiríssimas castanha-do-pará, de caju e da menos conhecida baru? Claro: nozes, amêndoas e pistaches são outras ótimas opções para não cair na mesmice. Lara Natacci indica meia xícara ou um punhado por dia.

  1. Chocolate amargo

Bombons e tabletes são sinônimo de felicidade, e a ciência já mostra que o bem-estar emocional é um guardião do cérebro. Mas é preciso esclarecer que os atributos do chocolate são, na verdade, originários de sua principal matéria-prima, o cacau. É a composição do fruto que está por trás de efeitos antioxidantes e promotores da boa circulação sanguínea.

“Substâncias como teobromina, cafeína, teofilina e alcaloides purínicos podem atuar como estimulantes no sistema nervoso”, conta Hércules Rezende. E uma revisão italiana recente, publicada no periódico Frontiers in Nutrition, comprova tal habilidade.

A pesquisa cita efeitos positivos sobre a memória de trabalho, cognição, atenção e, de quebra, na redução do risco de problemas cardíacos. “A quantidade adequada de chocolate não está bem estabelecida, mas alguns estudos falam em 30 ou 40 gramas do tipo amargo por dia”, relata a nutróloga Andreia Pereira, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A médica faz questão de frisar que abusos culminam no aumento do peso.

Invista no cacau

Como os benefícios do chocolate vêm dos flavonoides do cacau, quanto maior a concentração do fruto na barra, melhor. O tipo meio amargo apresenta até 60%, já os amargos de verdade devem ter a partir de 70%.

“Uma dica é comer o de 70% e um pedacinho do ao leite para que o sabor mais doce predomine”, orienta Vanderli.

  1. Ovo

Você deve se recordar que ele figura entre os alimentos mais injustiçados de todos os tempos – sua culpa era carregar muito colesterol. Agora, assistimos ao seu livramento, já que estudos o safaram da pecha de vilão das doenças cardiovasculares.

Que sorte (também!) para a nossa cabeça. Excelente fonte de proteínas, com destaque para a albumina, o alimento possui preciosidades como a luteína, aquele pigmento que pertence ao grupo dos carotenoides.

E, conforme contamos lá em cima, sobram evidências de seu papel contra o declínio cognitivo. A gema do ovo também está repleta de colina, uma das vitaminas do complexo B – cada vez mais famosa por auxiliar na consolidação da memória. “Trata-se de um nutriente essencial para a formação do neurotransmissor acetilcolina, importante regulador do aprendizado no córtex cerebral”, explica o professor Hércules.

Em testes com animais, já se viu que a deficiência de colina pode afetar o funcionamento interno de células no cérebro. E esse desarranjo repercute negativamente na cognição.

Para quem está com exames em ordem e não tem nenhuma restrição médica, dá para colocar a gema no cardápio diariamente. Desde o café da manhã, na omelete, passando pelo almoço ou jantar e nos lanches, o ovo entra em uma porção de receitas.

E fique tranquilo: os teores de colina se mantêm mesmo quando o alimento passa pelo fogo. Portanto, abuse da criatividade na cozinha.

  1. Café

Apesar de a bebida carregar dezenas de compostos, caso dos fenólicos (que, veja, turbinam a bioquímica cerebral), a cafeína ainda é a estrela. Pesquisas revelam um elo entre a substância e a diminuição dos níveis das famigeradas placas beta-amiloides. “Isso explicaria seu efeito protetor contra as demências”, diz Ivana Cruz.

Mas o exagero nos goles não é bacana. Cafezinhos além da conta estão por trás de insônia, taquicardia e nervosismo, especialmente para os mais sensíveis. O ideal é saborear, no máximo, cinco xícaras ao dia.

A professora da UFSM ressalta que os alimentos devem surgir à mesa, sim, devido a suas propriedades benéficas, mas também pelo prazer que propiciam. Aliás, a festejada cafeína dá as caras em outras opções.

“Aqui no Sul, os gaúchos tomam o chimarrão para despertar. Já no Amazonas, as bebidas com o pó de guaraná são bem populares”, nota. Sem sacrifícios, a cabeça responde ainda melhor.


 Começar a se exercitar após os 40 evita morte prematura

Um novo estudo oferece esperança e um alerta sutil a qualquer um que tenha deixado suas atividades físicas de lado nos últimos anos. Ele mostra que, se as pessoas começam a se exercitar na meia-idade, mesmo que não o tenham feito durante anos, podem ganhar rapidamente a maior parte dos benefícios da longevidade garantida pelos exercícios físicos.

Mas o oposto também é verdadeiro. Pare de se exercitar e esses benefícios vão diminuir ou desaparecer.

Já temos muitas evidências de que a atividade física afeta a longevidade e o bem-estar. Já escrevi sobre estudos que mostram que atletas mais velhos desenvolvem e mantêm ossos, cérebro, coração, músculos e sistema imunológico mais fortes que os das pessoas da mesma idade que raramente se exercitam.

Em uma escala mais ampla, estudos epidemiológicos relacionam o exercício frequente à vida mais longa, destacando que as pessoas ativas têm menos probabilidade que as inativas de morrer prematuramente.

Mas a maioria desses estudos analisou indivíduos e seus hábitos de exercícios apenas em um período de sua vida, raramente se aprofundando no que acontece quando essa rotina de atividades aumenta ou diminui ao longo das décadas.

Assim, para o novo estudo, publicado recentemente na revista JAMA Network Open, os pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e outras agências foram atrás de dados do Estudo de Saúde e Dieta do NIH-AARP, que por muito tempo seguiu as pessoas e seu modo de passar o tempo livre.

Esse estudo começou em 1995, recrutando centenas de milhares de homens e mulheres entre 50 e 71 anos e pedindo-lhes que preenchessem uma série de questionários sobre sua saúde.

Um desses questionários esmiuçou aspectos da atividade física dos voluntários durante toda a vida, pedindo-lhes que relembrassem com que frequência costumavam andar, praticar esportes, correr ou malhar. As perguntas se concentraram principalmente nos exercícios deliberados, mas também incluíram a atividade incidental, como tarefas domésticas ou jardinagem.

O questionário cobriu quase todos os aspectos da vida dos participantes, perguntando-lhes sobre sua adolescência, o início da idade adulta, entre 19 e 29 anos, a vida adulta propriamente dita, entre 30 e 40 anos, e por fim a última década, quando os voluntários teriam entre 40 e 61 anos.

No novo estudo, os pesquisadores reuniram as respostas de 315.059 homens e mulheres, a maioria dos quais havia completado o questionário 13 anos antes. Eles checaram as respostas e categorizaram as pessoas de acordo com sua rotina de exercícios, e se, e como, esta havia se alterado no decorrer da vida.

Alguns pesquisados disseram nunca ter interrompido seus exercícios habituais, dedicando tantas horas a eles quanto o faziam na adolescência.

Outros eram ativos na juventude, mas não deram continuação a isso na idade adulta, permanecendo sedentários na meia-idade. E alguns se exercitaram regularmente na adolescência e no início da idade adulta, pararam na faixa dos 30 anos, mas voltaram a se exercitar mais tarde na vida.

Por fim, os pesquisadores checaram o Índice Nacional de Óbitos, buscando mortes e suas causas entre os voluntários nos anos seguintes à sua participação no estudo, e compararam os riscos entre os diferentes grupos. (Houve também um controle de massa corporal, tabagismo e outros fatores de saúde.)

Sem surpresa, homens e mulheres que foram basicamente sedentários durante toda a vida tinham maior probabilidade de já terem morrido, em especial de doenças cardíacas.

Mas aqueles que sempre foram ativos, exercitando-se consistentemente algumas horas por semana, tinham entre 30 e 35% menos probabilidade de morrer de qualquer causa e cerca de 40% menos probabilidade de morrer de um ataque cardíaco que as pessoas consistentemente sedentárias.

E o mais inspirador: aqueles que pararam de se exercitar por uma década ou duas, mas retomaram a atividade em seus 40 ou 50 anos, exercitando-se algumas horas por semana, tinham a mesma proteção contra a morte prematura que os que sempre se exercitaram.

Por outro lado, quem era ativo na adolescência e no início da idade adulta, mas se tornou sedentário na meia-idade, pareceu perder todos os benefícios da longevidade. A probabilidade de morte era igual à dos sempre inativos.

Claro, esse estudo depende da memória das pessoas em relação a suas atividades, o que em geral é pouco confiável. É também observacional e pode nos dizer que o exercício na meia-idade está associado a uma vida mais longa, mas não que se exercitar prolongue a vida. Outros fatores provavelmente estão envolvidos, incluindo dieta, situação financeira, peso, genética e saúde em geral.

Mesmo assim, a mensagem tem dois lados, disse Pedro Saint-Maurice, pós-doutorando do Instituto Nacional do Câncer, que conduziu o estudo com Charles Matthews e outros.

"Se você é ativo hoje, continue assim, independentemente de sua idade", disse ele. "E, se recentemente você tem estado sedentário, parece não ser tarde, mesmo na meia-idade, para começar a se exercitar e colher os benefícios da longevidade."

 


Doença? calma...

Jogar games é algo cada vez mais em alta e até virou profissão desejada por muitos —devido ao sucesso dos eSports. Mas  recentemente também virou doença. Pois é, este ano, a OMS (Organização Mundial de Saúde) referendou que "vício em games" entrará na sua classificação internacional de doenças, como um transtorno mental, a partir de 1º de janeiro de 2022.

A decisão ligou um sinal de alerta para familiares (e médicos) de jovens e adultos que estão o tempo todo com o "controle na mão". Mas o que define que uma pessoa é realmente viciada em games? E como considerar isso uma doença pode ajudar ou atrapalhar esse indivíduo? O VivaBem ouviu especialistas para ajudar você a entender melhor a questão.

O que caracteriza o vício

Em primeiro lugar, precisamos entender em que casos ocorrem o transtorno. De acordo com a OMS, uma pessoa é considerada viciada em games ao apresentar:

             Falta de controle sobre o jogo (seja frequência, seja intensidade, seja duração)

             Prioriza sempre os jogos em relação a outros interesses da vida e atividades diárias

             Continuação ou até escalada do ato de jogar, apesar de consequências negativas.

             O padrão de comportamento é de gravidade suficiente para resultar em prejuízo significativo em áreas pessoais, familiares, sociais, educacionais, ocupacionais ou outras áreas importantes de funcionamento

 

Como a mudança vai ajudar quem tem o problema

A intenção da OMS ao classificar o vício em games como doença é estabelecer critérios para que médicos e pacientes consigam decidir a melhor forma de tratar a condição. Na China e Coreia do Sul, por exemplo, há diversas clínicas para viciados em games. Agora, elas terão de seguir uma base normativa de diagnóstico e tratamento, fazendo com que isso deixe de ser uma "terra de ninguém".

A nova norma ainda abre caminhos que ajudarão no combate ao problema. Primeiramente, pode ajudar a gerar recursos de pesquisa para que o transtorno seja mais propriamente estudado. Em segundo lugar, pacientes poderão solicitar tratamentos a planos de saúde, como aponta Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependências de tecnologia do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) e colunista do VivaBem.

"Passaremos a ter não só um diagnóstico experimental, mas oficial. Quando não se tem uma doença oficial, não conseguimos solicitar que convênios paguem pelo tratamento", explica Nabuco.

Os defensores da introdução do vício em jogos como doença se baseiam em fatos como a atração que o jogo causa, os prejuízos nas relações sociais e os efeitos fisiológicos que ele gera, como a liberação de dopamina no cérebro (algo que ocorre também ao usar drogas) e até dados científicos sobre queda na bainha de mielina (substância presente em neurônios) por pessoas que jogam muito.

Nem todos que passam horas jogando são viciados

Saiba diferenciar a pessoa que tem compulsão pelo game da que tem controle sobre ele

 

Pode ser vício

Uma das principais características do vício é que ele prejudica as relações sociais e a vida cotidiana da pessoa, que, por não conseguir parar de jogar, abandona atividades importantes. Nabuco relata que recebeu em sua clínica um jovem levado a contragosto pela mãe. O garoto tinha largado a escola há dois anos por causa do videogame, chegou a passar 55 horas ininterruptas jogando e fazia até necessidades ali no quarto, na frente da tela, em vez de ir ao banheiro.

 

Pode não ser vício

Em outro exemplo, um adolescente levado pela família à clínica de Nabuco chegava da faculdade e passava a tarde jogando. Suas notas continuaram boas e ele dizia jogar porque seus amigos também jogavam. "Entramos numa área pantanosa. Mas, se a pessoa continua cumprindo bem suas atividades, não temos elementos para dizer que o hábito é prejudicial e se caracteriza como vício, pois o indivíduo tem controle sobre o jogo", diz o psiquiatra.

 

O lado negativo do vício em games virar doença

O diagnóstico excessivo (ou seja, a pessoa ser considerada doente quando não tem um transtorno) é um dos principais temores que rondam a nova classificação da OMS. Muitas vezes, pais preocupados podem não conseguir diferir um grande interesse do filho por um jogo do vício e buscar tratamento para a pessoa —gerando um estresse que pode afetar a saúde psicológica e a relação familiar.

Especialistas também acreditam que "transformar" o vício em games em doença vai servir de combustível para um aumento do estereótipo sobre a comunidade. Há décadas gamers já são vistos com desconfiança e, volta e meia, jogos são acusados de ter a capacidade de tornar os jogadores mais violentos —algo que já foi mais de uma vez rebatido. Agora, os detratores dos jogos ganharam um argumento extra.

"O estereótipo do gamer viciado povoa o imaginário de moralistas que não compreendem os jogos eletrônicos. Games muitas vezes são considerados uma perda de tempo que afeta o 'jogador' —porque afasta a pessoa da 'vida real'— ou algo prejudicial para terceiros, pois gamers se tornam violentos. Olha a carga em cima dessa expressão artística. Essa classificação é a primeira vitória significativa que rivais históricos dos games conquistaram", opina Salah Khaled Jr, doutor em ciências criminais, jurista e criminologista, autor do livro 'Videogame e Violência - Cruzadas Morais Contra Os Jogos Eletrônicos No Brasil e No Mundo'.

Além disso, a classificação pode tirar o foco de efeitos positivos de jogos: é um mercado que movimenta milhões, sem falar que muitos games são usados na educação, no combate ao sedentarismo (games de dança, por exemplo) e até no tratamento e diagnóstico de doenças como Alzheimer). Claro que toda tecnologia deve ter seus efeitos adversos combatidos, mas seus benefícios não podem ser deixados de lado.

Jogos pode ser proibidos?

Outro ponto polêmico da nova norma é como ela pode ser usada. Carlos Affonso, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) e professor da Faculdade de Direito da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), alerta que a regulamentação não cria uma jurisprudência ou uma nova legislação contra jogos, mas pode sim ser usada como argumento para censurar conteúdos.

"Minha preocupação é como isso pode ser abusado. Depende como juízes e legisladores ao redor do mundo vão ver. Pode servir como argumento para criar formas de restrição de acesso a jogos que venham a ser atrativos especialmente para os mais jovens", opina.

O risco de tornar vicio em jogos uma doença é criar um pânico moral para regulação com menos critérios de jogos que se tornem popular e atrativos

Carlos Affonso, professor de direto da UERJ

A estratégia de censurar games, por exemplo, não é inédita. No Brasil mesmo, alguns títulos chegaram a ter as vendas proibidas em algum período por serem considerados muito violentos.

Considerar o vício em games doença pode fazer com as pessoas prestem menos atenção em questões reais como depressão, bullying, afastamento. A pessoas vão atacar um sintoma (jogar excessivamente), não o problema de verdade. Não vou dizer que é legal e normal uma pessoa gastar 18 horas por dia jogando --ou fazendo qualquer coisa na vida. Mas todo excesso pode ser sinal de outros problemas

 

Depressão: o vício em games pode ser causado por outros problemas

O debate sobre vício em games é ampliado quando se tenta identificar se a condição trata-se de uma doença ou um sintoma de algo maior —como depressão ou alienamento da sociedade. Cristiano Nabuco acredita que uma coisa não impede a outra.

"No caso de dependentes de videogames, grande parte tem depressão. Quando você analisa o paciente talvez ele tenha problemas familiares ou vulnerabilidades. O vício em jogos faz parte de um quadro maior. Sabemos que a depressão é presente, mas não é determinante", alega Nabuco.

Nesse caso, o ato de jogar poderia ser comparado a problemas enfrentados por quem tem alcoolismo —em que a bebida tende a ser um "escape" e não o verdadeiro problema. Claro que não podemos nos esquecer que o abuso de álcool comprovadamente causa mais transtornos diretos ao organismo do que jogar videogame, que ainda tem seus impactos estudados.

Temos jogos sendo usados para treinamentos, educação, jogos pra seleção de habilidades em vez do modelo tradicional de provas. Tem uma serie de pesquisas que estão sendo feitas de como jogos podem impactar em uma série de elementos da nossa vida e do cotidiano. Seja no treinamento corporativo, seja na educação, vemos várias empresas utilizando.

 

Como os games podem melhorar e ajudar a combater o vício

Se há lamento de parte da indústria de games pela nova norma da OMS, também há lições a serem tiradas. Recentemente, jogos passaram a cometer abusos para extrair dinheiro de jogadores —e, nesses parâmetros, abriram brecha para serem comparados a jogos de azar. Sim, estamos falando das chamadas "loot boxes" e dos desbloqueios de conteúdo.

"É predatório, existem países que estão proibindo isso de destravar o progresso dentro do jogo pagando. São estratégias perversas: se você não opta por pagar, tem que ficar cinco ou seis horas matando o mesmo tipo de inimigo para elevar o personagem. Ultrapassa limites éticos", aponta Khaled.

A estratégia de liberar conteúdos pagando foi algo que se tornou mais comum recentemente, como uma estratégia diferente de "monetização": o jogador não recebe tudo ao comprar o jogo. Isso também vale para games em smartphones, que são gratuitos e acabam exigindo dinheiro para seguir jogando. Khaled ainda é crítico das práticas de empresas de games contra funcionários, que muitas vezes são abusados e obrigados a fazer hora extra sem pagamento para desenvolverem os produtos.

 

E as redes sociais não viciam?

Com a norma, novas pesquisas deverão ser feitas sobre o assunto, com critérios mais detalhados. O futuro possivelmente trará a resposta tão discutida sobre vício em games ser realmente um problema de saúde pública ou não. Mas aí vem a pergunta: e outras plataformas que também "sequestram" as pessoas da vida real, como apps e redes sociais?

"Existem outras plataformas que têm impacto na saúde mental dos usuários e deveriam ser incluídas na lista de doenças. Mas já foi muito difícil colocar games e eles são mais antigos, têm 40 anos. O cobertor é curto e esperamos que em futuros manuais sejam incluídos outros problemas", defende Nabuco.

Khaled lembra que redes sociais trabalham com sistemas de recompensas —como curtidas e afins - que também acionam gatilhos de prazer (como os games e as drogas). Até por isso, muitos consideram essas plataformas tóxicas e elas mesmo passaram a tentar criar recursos para reduzir os prejuízos no bem-estar dos usuários. Sem falar de outras plataformas, como Netflix, que incentivam a "maratona" de séries por horas seguidas, mas não são vistas como os jogos.

Por enquanto, só games foram incluídos em uma lista por causar transtornos. Mas, possivelmente, muitas outras tecnologias deveriam estar nessa lista —ou será que ela então não deveria existir. A discussão é complexa e pode durar anos. Até porque, a própria OMS pode considerar algo como uma doença em determinado período e, anos depois, tirar a condição da listagem após descobertas e revisões científicas importantes.

De qualquer forma, se você perceber que o video game está afetando muito sua vida ou de alguém que você conhece, o recomendável é sempre buscar ajuda profissional para avaliar o caso. Afinal, a saúde mental é algo sério e somente no game temos mais de uma vida.

Futuro ameaçado?

Nova norma entra em vigor quando eSports e realidade virtual começam a decolar

 

Como ficarão os eSports?

Existem clubes, ligas, jogadores e transmissões profissionais movimentando bilhões. Cada vez mais jovens se interessam pelos esportes eletrônicos e, do mesmo jeito que trocavam a escola pelo sonho de ser jogador de futebol, isso já ocorre com esportes eletrônicos. Cristiano Nabuco se vê em uma encruzilhada. "Os eSports fazem com que jovens usem desse argumento para serem atletas, mas podem criar problemas. Há um longo caminho para entender se a pessoa é uma esportista digital ou alguém com transtorno. Em vários contextos, podemos diferenciar se ele é um jogador compulsivo por outros fatores como estrutura familiar desorganizada", afirma.

 

Realidade virtual vai perder força?

A realidade virtual começa a se tornar mais comum, com cada vez mais novas aplicações --nos games ou não. A tecnologia é ainda mais escapista da vida real, já que tira a pessoa do mundo 'de verdade' e a insere em um digital, totalmente imersivo. Ter a sombra do vício como doença agora é algo que preocupa Carlos Affonso. "A mídia de games sempre tem a discussão da interatividade e vale lembrar que o futuro será cada vez mais imersivo. Passar a ter o reconhecimento de uma patologia é preocupante. Parece precipitado que as aplicações de realidade virtual já comecem sob essa suspeita de vício e de doença", defende.


Alcachofra: fitoterápico que alivia má digestão é distribuído no SUS

Com as festas comemorativas de fim de ano, muitas pessoas exageram na alimentação e acabam sofrendo com problemas digestivos. Uma solução natural para esses casos é o fitoterápico da Alcachofra, oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS). No município de Toledo, Paraná, pacientes relatam que tiveram significativas melhoras de saúde após o uso do medicamento.

 Esse é o caso, por exemplo, da técnica de enfermagem, Letícia Fabiana Neves. Ela conta que o funcionamento do seu intestino sempre foi lento, levando-a a sentir incômodos e também dificultando a perda de peso que desejava. Por orientação de uma profissional de saúde começou a usar o fitoterápico da alcachofra há um mês e ficou surpreendida. "Notei que me sentia menos inchada ou com aquela sensação de sentir cheia ou pesada. Meu intestino começou a funcionar melhor. Acaba que tudo funciona bem, gera bem-estar", explica.

Má digestão

A alcachofra (Cynara scolymus) é uma planta de origem mediterrânea rica em propriedades capazes de tratar dores e incômodos estomacais; desconfortos que surgem após a refeição; má-digestão; funcionamento biliar; e altas taxas de colesterol no sangue. Além disso, ela também diminui a absorção das gorduras no corpo como o colesterol e facilitar trânsito gastrointestinal. Algo que ajudou muito a auxiliar de consultório dentário, Marilice Mere.

Ela passou utilizar o fitoterápico, associado a uma dieta alimentícia, após ter adquirido esteatose hepática (gordura no fígado) como consequência de uma cirurgia, em 2013. "Não só ajudou o meu fígado, como em dois meses eliminei 7,5 Kg. É um tratamento a longo prazo, mas um processo mais saudável para o corpo. Às vezes a gente toma remédios para curar um problema que acabam gerando outros. Eu mesma já sofri com isso. A minha experiência com o fitoterápico é outra, só positiva", conta Marilice.

Fitoterápicos

Em Toledo, existe uma farmácia de manipulação de fitoterápicos subsidiada pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde. A coordenadora da unidade, Jaqueline Lorscheider, explica que os medicamentos são produzidos a partir do extrato das plantas, seguindo padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A produção chega a 46 mil cápsulas mensais.

"Nós atendemos cerca de 800 a 1.000 pacientes por mês que demonstram estarem contentes com os resultados. Principalmente por quase não sentirem efeitos colaterais, como pode ocorrer com o uso de alopáticos. Então a fitoterapia para nós é muito importante, é um avanço para o SUS", ressalta a farmacêutica.

Atualmente, há registro de 2.160 Unidades Básicas de Saúde que disponibilizam fitoterápicos ou plantas medicinais, sendo que 260 UBS disponibilizam planta in natura, 188 a droga vegetal, 333 o fitoterápico manipulado e 1.647 UBS disponibilizam o fitoterápico industrializado. Saiba mais sobre o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.

Vale lembrar que a recomendação de Jaqueline, assim como a do Ministério da Saúde, é que os pacientes busquem sempre uma por orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento com medicamentos.


Vitaminas e Minerais: para que servem?

Basicamente o organismo recebe estes nutrientes durante a ingestão de alimentos, que é a forma adequada de suprir nossas reservas de vitaminas.

A falta delas, pode levar a um processo denominado avitaminose, que provoca vários problemas de saúde, como anemia, hemorragias, inflamações e até doenças crônicas.

Quando o organismo não absorve as vitaminas dos alimentos de maneira correta, ou se há uma necessidade de uma dose extra para reforçar o combate a alguma enfermidade, pode-se receitar a ingestão de comprimidos de vitaminas, mas sempre sob orientação médica.

Várias vitaminas tem o seu papel relacionado com a manutenção do metabolismo. Dentro das várias vitaminas existentes pode-se usar como exemplo a vitamina D, que é produzida na pele através da exposição ao sol; Vitaminas K, Biotina, Folacina e Vitamina B12 que são produzidas por microorganismos no trato intestinal; Vitamina A e Niacina são produzidas no nosso organismo se os seus substratos estiverem presente.

As vitaminas são distribuídas em dois grandes grupos que determinam a sua estabilidade, ocorrência nos alimentos, distribuição nos líquidos corporais e capacidade das suas reservas nos tecidos corporais. Os dois tipos são: Lipossolúveis e Hidrossolúveis. Os minerais são divididos segundo a quantidade que o corpo humano necessita. Podendo ser chamados de macrominerais quando tem a sua necessidade de 100mg/dia. E microminerais quando tem a sua necessidade abaixo de 100mg/dia.

Os minerais desempenham várias funções : regulação da atividade das enzimas; manutenção do equilíbrio de Ph; manutenção da pressão osmótica; atuação no transporte de componentes essenciais através das membranas celulares; conservação da irritabilidade muscular e nervosa e constituinte estrutural de certos tecidos, como nos ossos.

Extraído da edição “Food, Nutrition & Diet Therapy. Krause’s ” 9º edição.

Vitamina K: Pouca falada, mas muito importante para a saúde cardiovascular…

O papel da ingestão das vitaminas para manutenção da boa saúde já é reconhecido há bastante tempo por médicos, nutricionistas e população em geral. Mas o fato é que existem vitaminas mais ‘’badaladas’’ como a C, a E e as do complexo B,por exemplo. Mas existe uma vitamina que não é tão conhecida assim, mas também é muito importante para a saúde: a vitamina K.

Essa vitamina tem uma atuação muito positiva para o sistema cardiovascular, sendo um dos agentes responsáveis pela formação dos fatores de coagulação, produzidos no fígado. Atua ainda no processo de cicatrização e controle da coagulação, evitando sangramentos. Além disso, a vitamina K é responsável por fixar o cálcio nos ossos, contribuindo para a prevenção da osteoporose.

Segundo a Dra. Aline Lamaita, integrante da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, ‘’A vitamina K trabalha no sistema circulatório na regulação da homeostase sanguínea,evitando sangramentos e favorecendo o processo de cicatrização de forma geral. Já no sistema arterial ele tem uma função preventiva, pois como ajuda a fixar o cálcio nos ossos, ela retira este mesmo cálcio das artérias , evitando a progressão de placas de colesterol e favorecendo o controle da aterosclerose’’.

Ainda segundo a Dra. Aline, a melhor forma de consumir a vitamina K são alimentos como os vegetais verdes: brócolis, couve-flor, agrião, rúcula, repolho, alface e espinafre. Além desses, ela também pode ser encontrada em alimentos como nabo, azeite, abacate, ovo e fígado.

Estudo americano sugere que comer frutas e vegetais com Vitamina A reduz risco de câncer de pele

Muito tem se falado sobre o potencial dos alimentos no tratamento de uma série de alterações na pele, incluindo acne, rugas, dermatites, psoríase e rosácea. Mas um novo estudo da Brown University, publicado no final de julho no Journal of American Medical Association Dermatology, descobriu que a ingestão de frutas, verduras e legumes ricos em vitamina A está associada a um menor risco de um tipo comum de câncer de pele, chamado carcinoma de células escamosas. E nem é necessário exagerar: ingerir duas cenouras grandes ou uma batata-doce média por dia já reduz em 17% o risco de câncer de pele. “Este é o segundo tipo de câncer de pele mais comum em pessoas de pele clara. O papel da vitamina A em ajudar na renovação das células da pele é bem conhecido, mas sua utilidade na redução do risco de câncer de pele tem sido motivo de controvérsia. O uso de protetor solar, e evitar a exposição à luz solar forte, são as principais recomendações para diminuir a incidência de câncer de pele. O atual estudo sugere que comer frutas e vegetais ricos em vitamina A pode ser outra boa maneira de diminuir esse risco”, diz o dermatologista Dr. Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

A pesquisa atual avaliou ingestões dietéticas de vitamina A e taxas de detecção de câncer de pele em dois grandes estudos observacionais realizados ao longo de vários anos. Os dados do Nurses ‘Health Study foram coletados de 1984 a 2012 e analisaram mais de 75.000 mulheres americanas, enquanto o Estudo de Acompanhamento de Profissionais de Saúde acompanhou mais de 48.000 homens americanos de 1986 a 2012. Os dados coletados no acompanhamento incluíram a ingestão de alimentos, história de câncer de pele, cor do cabelo, incidentes graves com queimaduras solares e história familiar de câncer de pele, todos estes podendo contribuir para o risco de câncer de pele.

Dos 123.000 indivíduos, todos eram de fototipo claro (brancos), o que os colocava em maior risco de câncer de pele. Entre eles, havia quase 4.000 casos de carcinoma de células escamosas durante o período de estudo.

De acordo com o estudo, os pesquisadores estavam procurando evidências de associação entre câncer de pele e ingestão de vitamina A. “A conclusão foi a de que aqueles que tiveram a maior ingestão de Vitamina A proveniente de fontes vegetais tiveram um risco 17% menor de carcinoma de células escamosas em comparação com aqueles com a menor ingestão”, afirma o médico. Na dieta, essa “ingestão maior” pode ser comparada a comer duas cenouras grandes ou uma batata-doce média cozida diariamente.

Outra descoberta do estudo foi que a maior parte da vitamina A ingerida era proveniente de frutas e vegetais, e não de suplementos ou de produtos à base de animais. “Alimentos ricos em vitamina A incluem vegetais verdes folhosos como alface, além de cenouras e batatas-doces, e frutas como damasco ou melão. Compostos como a vitamina A, como o licopeno, foram encontrados em tomates e melancia, e também reduzem o risco de câncer de pele. Alimentos de origem animal contendo abundante vitamina A incluem leite, fígado e peixe oleoso”, diz o médico.

A vitamina A é uma vitamina lipossolúvel que é convertida em vários retinóides, que são compostos bioativos necessários para a adequada maturação e diferenciação das células epiteliais. Formas sintéticas desses compostos são empregadas para prevenir o câncer de pele em populações de alto risco, mas têm um potencial significativo para danos. Daí o foco do estudo atual em fontes naturais de vitamina A para a quimioprevenção do câncer de pele é justificada. No estudo, a análise compensou a presença dos outros fatores de alto risco.

Mas é necessário tomar cuidado com relação à Vitamina A. O mesmo estudo também lembrou sobre a toxicidade do nutriente. “Fontes baseadas em animais e suplementos podem elevar os níveis sanguíneos de vitamina A, causando náusea, desequilíbrio do fígado, osteoporose e fratura de quadril.

Na pele, pode causar ressecamento e no cabelo pode contribuir para a queda. No entanto, fontes vegetais de vitamina A geralmente não resultam em toxicidade”, lembra o médico. “Como este estudo foi de natureza observacional, ainda é necessário um ensaio clínico randomizado com controles ou um grande estudo prospectivo para se chegar a uma conclusão quanto ao papel da vitamina A na redução do risco de câncer”, finaliza.

Tangerina é uma grande fonte de magnésio

A fruta é rica em fibras, vitamina C e potássio. Recentemente foi descoberto um poderoso componente antioxidante na tangerina, denominado nobiletina, que impede o aumento do colesterol e ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a arteriosclerose.

A vitamina C também age como antioxidante, reforçando as defesas do organismo e prevenindo contra o envelhecimento precoce. E o potássio presente na fruta também garante um bom funcionamento do coração.

Se o consumo da tangerina for aliado a uma dieta saudável e balanceada, assim como a prática de atividade física regular, a saúde do coração e do organismo como um todo estará garantida.

Para que serve cada vitamina e mineral?

Ácido Fólico

Porque precisamos? Ajusta sistema imunológico, a divisão rápida das células e produção de material genético.

Se não ingerimos? Anemia, língua dolorida e perda de apetite. Mal estar geral. Deterioração mental.

Onde encontramos? Fígado, gérmen de trigo, espinafre, salsinha, endívia, beterraba crua, amendoim.

Ácido Pantatênico

Porque precisamos? Essencial para a digestão de gorduras e carboidratos. Pode ajudar na artrite reumatóide.

Se não ingerimos? Formigamento dos pés, dor de cabeça, irritação e tontura. Distúrbios estomacais.

Onde encontramos? Fígado, cereais integrais, abacate, germen de trigo, gema de ovo, amendoim, pêra, tâmara.

Cálcio

Porque precisamos? Essencial para o crescimento dos ossos. Mantém a resistência dos dentes e ossos. Condução de impulsos e contração muscular.

Se não ingerimos? Osteoporose, tetania, raquitismo.

Onde encontramos? Leite, iogurte, queijos amarelos, agrião, espinafre, quiabo, amêndoa.

Cloro

Porque precisamos? Atua com o sódio e o potássio no equilíbrio hídrico. Também, com estes elementos, atua na pressão osmótica.

Se não ingerimos? Fraqueza muscular, perda de apetite, letargia.

Onde encontramos? Sal de mesa, alimentos provenientes do mar, ovos, leite.

Cobre

Porque precisamos? Formação do sangue e dos ossos Produção de melanina Liberação de energia dos alimentos.

Se não ingerimos? Não há nada registrado.

Onde encontramos? Frutos do mar, fígado, gérmen de trigo, curry, cereais integrais.

Cromo

Porque precisamos? Auxilia a insulina a trabalhar Ajuda no metabolismo da gordura Manutenção da estrutura do material genético.

Se não ingerimos? Má tolerância à glicose Aumento da taxa de colesterol.

Onde encontramos? Carnes, cereais integrais,grãos, nozes, frutos do mar.

Ferro

Porque precisamos? Essencial para a formação das células vermelhas Importante na transferência de CO2.

Se não ingerimos? Desempenho intelectual afetado. Resistência à doenças. Controle de temperatura do corpo afetado. Falta severa causa anemia grave.

Onde encontramos? Fígado, rim, perdiz, veado, mexilhão, peixes oleosos, damasco seco e grãos.

Flúor

Porque precisamos? Previne contra as cáries dentárias Auxilia o cálcio na saúde dos ossos.

Se não ingerimos? Aumento da incidência das cáries dentárias.

Onde encontramos? Frutos do mar, água mineral, alga marinha, gelatina.

Fósforo

Porque precisamos? Auxilia o cálcio a manter a resistência dos ossos. É exigido pelo organismo para utilizar as vitaminas do complexo B. Constitui muitas substâncias essenciais.

Se não ingerimos? Problemas sanguineos. Manifestações renais.

Onde encontramos? Leite, carnes, peixes, ovos, proteínas em geral.

Iodo

Porque precisamos? Necessário para a produção do hormônio da tireóide.

Se não ingerimos? Bócio Diminuição da taxa metabólica Ganho de peso, pescoço gordo, cabelos secos.

Onde encontramos? Frutos do mar, algas marinhas, sal iodado.

Magnésio

Porque precisamos? Importante para a função normal do cálcio. Síntese protéica. Auxilia no trabalho dos músculos.

Se não ingerimos? Fraqueza muscular Letargia, depressão, irritação e em casos extremos ataques cardíacos e anorexia.

Onde encontramos? Cereais integrais, gérmen de trigo, nozes, camarão, quiabo, acelga, grãos de soja, damasco seco.

Manganês

Porque precisamos? Parte de diversas enzimas Estimula outras atividades enzimáticas, tais como antioxidação e produção de energia.

Se não ingerimos? Anomalias ósseas.

Onde encontramos? Cereais integrais, avelã, grãos de soja.

Molibdênio

Porque precisamos? Parte várias enzimas, atua na excreção de ácido úrico e auxilia no uso do ferro.

Se não ingerimos? Pode reduzir a resistência à cárie dentária.

Onde encontramos? Feijão, gérmen de trigo, fígado, cereais integrais, vegetais verdes.

Potássio

Porque precisamos? Complementa o sódio no equilíbrio hídrico. Pode prevenir e aliviar hipertensão arterial. Regula as atividades neuromusculares.

Se não ingerimos? Fraqueza, sede, problemas cardíacos e fadiga muscular.

Onde encontramos? Damasco seco, banana, frutas cítricas em geral, batata, iogurte, espinafre, brócolis.

Selênio

Porque precisamos? Vital no sistema antioxidante, pode ajudar na prevenção de câncer e atua no metabolismo de gorduras.

Se não ingerimos? Redução de fertilidade. Flacidez muscular. Doenças congestivas do coração.

Onde encontramos? Castanha do Pará, cereais integrais, semente de girassol, frutos do mar, alga marinha, carnes.

Sódio

Porque precisamos? Atua com o cloro e o potássio no equilíbrio hídrico. Auxilia na transmissão de sinais nervosos. Controle da contração muscular.

Se não ingerimos? Muito rara a deficiência devido a grande quantidade de sódio presente nos produtos industrializados.

Onde encontramos? Sal de mesa, carnes, bacon, queijos, sopa, picles, cereais matinais, vegetais enlatados, água mineral.

Vitamina D

Porque precisamos? Necessária para absorção do cálcio e fósforo. Crescimento e resistência dos ossos e dentes. Saúde dos nervos e músculos ligados ao cálcio.

Se não ingerimos? Menor crescimento ósseo e fraqueza muscular Raquitismo Risco maior de fraturas.

Onde encontramos? Salmão, sardinha, truta, arenque e ovos.

Vitamina A

Porque precisamos? Desenvolvimento normal dos tecidos. Mantém a saúde da pele e dos tecidos superficiais. É necessária para uma boa visão.

Se não ingerimos? Dificuldades de visão à luz baixa, pele desidratada, redução da resistência contra infecções, principalmente dos pulmões.

Onde encontramos? Fígado, cenoura, brócolis, vegetais verdes folhosos, abrobrinha, batata doce, leite integral, ovos, queijos, peixes oleosos.

Vitamina B1 (Tiamina)

Porque precisamos? Bom para a saúde dos nervos e músculos, metabolismo de carboidratos, álcool e gorduras.

Se não ingerimos? Inicialmente temos irritação, falta de concentração, depressão, problemas de sono e perda de apetite. A longo prazo temos flacidez muscular, confusão mental e perda de memória.

Onde encontramos?Semente de girassol, ervilha, gérmen de trigo,fígado, amendoim, carne de porco, pão, cereais integrais.

Vitamina B12

Porque precisamos? Bom para a saúde dos nervos e músculos, metabolismo de carboidratos, álcool e gorduras.

Se não ingerimos? Inicialmente temos irritação, falta de concentração, depressão, problemas de sono e perda de apetite. A longo prazo temos flacidez muscular, confusão mental e perda de memória.

Onde encontramos?Semente de girassol, ervilha, gérmen de trigo,fígado, amendoim, carne de porco, pão, cereais integrais.

Vitamina B2 (Riboflavina)

Porque precisamos? Glicogênese, crescimento em crianças, manutenção dos tecidos do corpo.

Se não ingerimos? Feridas doloridas no canto dos lábios, língua dolorida avermelhada, olhos vermelhos e com coceira.

Onde encontramos? Fígado, rim, leite, queijos, ovo, iogurtes, peixes oleosos, semente de abóbora.

Vitamina B6 (Piridoxina)

Porque precisamos? Crescimento, formação sanguínea, proteção contra infecções.

Se não ingerimos? Boca dolorida, depressão e irritação. Inflamação de nervos.

Onde encontramos? Banana, batata, peru, peixes, castanhas, pimentão, couve-flor e abacate.

Vitamina C (Ácido Ascórbico)

Porque precisamos? Essencial para a formação do tecido conjuntivo Cicatrização de feridas, saúde da gengiva Pode diminuir os riscos de doenças coronárias e alguns tipos de câncer.

Se não ingerimos? Dor nas articulações Escorbuto Leve hemorragia na gengiva.

Onde encontramos? Acerola, caju, kiwi, morango, laranja, tomate, brócolis, pimenta.

Vitamina E

Porque precisamos? Ação antioxidante, protege gorduras polinsaturadas da ação do oxigênio.

Se não ingerimos? Maior risco de doenças coronárias, derrame, catarata e alguns tipos de câncer. Disfunção neurológica que afeta o sistema nervoso, os olhos e os músculos. Anemia.

Onde encontramos? Nozes, avelã, gérmen de trigo, brócolis, batata doce, cereais integrais, aveia, abacate.

Vitamina K

Porque precisamos? Boa coagulação sanguínea. Pode ajudar a manter a saúde dos ossos.

Se não ingerimos? Sangramentos prolongados.

Onde encontramos? Repolho verde, couve-flor, espinafre, fígado, feijão, cenoura, ervilha.


Reposição hormonal na menopausa: risco ou necessidade?

Segundo Victor Hugo, "40 anos é velhice para a juventude, e 50 anos é juventude para a velhice".

Mas apesar da juventude dos 50 anos, essa idade vem acompanhada da privação de hormônios das mulheres trazendo consigo um grande dilema para medicina que é a reposição hormonal.

Isto porque não há uma resposta absoluta que seja igual para todas, visto que essa reposição reduz a mortalidade cardiovascular nas mulheres pós-menopausa, mas aumenta consideravelmente a possibilidade de doenças como o câncer de mama por exemplo.

Por outro lado, não se trata de uma "escolha de Sofia", em que as duas opções se tornam muito ruins, se estudadas as possibilidades e individualizada a escolha com seus médicos (cardiologista e ginecologista).

Analisemos as situações

As mulheres têm na sua vida dois momentos muito marcantes para seu corpo (e também para seu emocional), com transformações acentuadas.

O primeiro é em torno dos 12 ou 13 anos de idade, quando começam a ação dos hormônios (estrogênio e progesterona, produzidos pelos ovários), chega a primeira menstruação (chamada menarca) com modificações físicas como aumento da deposição de gordura nos quadris e o desenvolvimento do tecido mamário.

Durante o desenvolvimento, o estrogênio tem influência nos ossos e na textura da pele. Ele é responsável pelos traços femininos, como olhos e lábios grandes e narizes e maxilares menores. A partir daí, esses hormônios são responsáveis pela regularidade dos ciclos menstruais.

Variações fisiológicas dos níveis hormonais fazem as mulheres passar por fases claramente distintas, todos os meses, podendo deixá-las mais sensíveis ou estressadas durante os períodos pré e pós-menstrual.

No homem, os hormônios são liberados de forma constante, ou seja, de forma diária e regular durante toda a vida fértil, e, portanto, não justificando eventuais alterações de humor.

O segundo momento na vida das mulheres é por volta dos 50 anos, quando estes hormônios param de agir (ou pela quantidade diminuem acentuadamente sua ação). A chamada menopausa, marcada pela irregularidade seguida por parada da menstruação. Pela diminuição da produção do estrogênio, inúmeros sintomas podem surgir nesta fase, tais como importante redução da libido, cansaço, suores noturnos que interrompem o sono, insônia, ondas insuportáveis e constrangedoras de calor, diminuição da lubrificação vaginal, dor durante o ato sexual, diminuição da atenção e memória e alterações de ordem afetiva-emocional como irritabilidade, ansiedade e depressão.

Por último, o estrogênio é responsável pela fixação do cálcio nos ossos. Após a menopausa, grande parte das mulheres passará a perder o cálcio dos ossos, podendo levar a osteoporose, o que piora a qualidade de vida das mulheres, visto que podem sofrer fraturas limitantes.

Risco cardiovascular da menopausa

Os sintomas, por mais incômodos que sejam, não representam risco à continuidade da vida (talvez as fraturas), mas é sabido de longa data que a privação hormonal é responsável por importante aumento do número de infartos neste período.

Isto ocorre porque as artérias coronárias (artérias do coração) das mulheres são mais finas que as dos homens (diâmetro das artérias coronárias é 15% mais estreito em mulheres do que em homens).

Uma recente publicação do periódico Arterioscler Thromb Vasc Biol demonstrou um aumento da rigidez dessas artérias de 0,9% no último ano que precede a menopausa; já no primeiro ano subsequente, esse aumento é da ordem de 7,5%. Obviamente isso ocorre pela privação desse potente aliado feminino que deixa de existir (ou reduz substancialmente) neste período.

Sem contar ainda que, na ausência do estrogênio, desequilibram-se as gorduras no sangue, o LDL colesterol (colesterol ruim) aumenta e o HDL colesterol (bom colesterol) diminui, o que aumenta a chance de ataques cardíacos ou doenças cardiovasculares.

No Brasil, 200 mulheres morrem por doença cardiovascular por dia. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), as doenças cardiovasculares são responsáveis por 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo, o equivalente a cerca de 8,5 milhões de óbitos por ano, mais de 23 mil por dia.

Consideremos ainda, que segundo o IBGE, nesta década 1/3 das mulheres estarão com 45 anos ou mais. Ou seja, já na menopausa, privadas desses hormônios.

Então parece simples. É só dar esse hormônio.

Infelizmente não é assim tão fácil. Esta reposição pode vir associada a inúmeros efeitos adversos como alterações na coagulação e possibilidade de formação de coágulos, sangramentos irregulares, dor nas mamas, retenção de sódio, aumento da incidência de cálculos na vesícula dentre outros.

Ainda pior, pode aumentar a incidência de tumores de endométrio (efeito minimizado quando se repõe também outro hormônio chamado progesterona) e o mais temível efeito indesejado que é aumentar a possibilidade de tumor nas mamas.

É sabido que uma em cada 10 mulheres possivelmente terão esse tipo de tumor (quando existe forte histórico familiar essa incidência pode chegar a 20%). A reposição de estrogênio aumenta essa possibilidade em 25%, ou seja, passa a 12,5 % (ou 25% em decorrência do histórico familiar). Sabe-se que se a reposição ocorre por mais de 5 anos, a incidência aumenta ainda mais (14,5% ou 29% se histórico forte familiar).

Então não damos hormônio?

Considerando um estudo publicado em 2018 na revista International Journal of Cardiovascular Sciences que revelou que entre mulheres portadoras de doença coronária (artérias do coração) dentre os fatores de risco para esta doença, os mais prevalentes foram a menopausa (84,62%), a hipertensão arterial sistêmica (HAS) (69,23%) e o sedentarismo (69,23), concluímos que, infelizmente não há uma resposta padrão que valha para todas mulheres.

É fundamental que o seu cardiologista e o seu ginecologista conversem entre si e avaliem os riscos e benefícios da reposição.

De uma maneira geral, a reposição parece favorável sobretudo se a paciente está muito sintomática, mas os riscos devem ser ponderados.

O que se pode fazer efetivamente?

Com todas essas informações e sabendo que não se pode mudar nossa história familiar de alta incidência de tumores ou nossa tendência genética a tromboses, é preciso chegar neste momento da vida com os fatores de risco para doenças cardiovasculares ditos mutáveis sob controle.

Infelizmente, 40% das mulheres chegam aos 50 anos atualmente com aumento da circunferência abdominal (a obesidade é um dos fatores de risco mais preocupantes, já que o número de mulheres obesas no Brasil cresceu 64% em 10 anos); 23% já estão hipertensas nesta fase da vida; 20% das mulheres ainda fuma (mulheres fumantes tem seis vezes mais chances de sofrer um infarto do que as não fumantes) aos 50 anos (18% largaram esse vício há menos de 3 anos) e 21% delas têm colesterol elevado sem tratamento ao chegar na menopausa.

O que podemos concluir?

Assim como não há consenso entre os médicos, também entre as pacientes isto é extremamente conflitante. Algumas mulheres querem a reposição a qualquer custo e outras a rejeitam com todas as suas forças.

Ao chegar sem pedir licença, embora tenha data mais ou menos definida para a menopausa, não se planeja previamente reposição ou não, porque não há como saber a intensidade dos sintomas. Mas é fundamental que se chegue bem a este momento, com seus fatores de risco (que podem ser mudados) para doenças do coração sob controle. Isto pode e deve ser feito.

O objetivo dessa coluna é muni-las de argumentos para que possam discutir com seus médicos e não apenas deixá-los decidir por elas. Há de se considerar que a expectativa de vida das mulheres hoje, segundo o IBGE, é de 78 anos e que a menopausa ocorre aos 50 anos ou menos. Assim, ainda lhe resta mais de 1/3 da vida para realizar seus sonhos ou alcançar seus objetivos de vida. Que as mulheres entendam que a menopausa está longe de ser sinônimo de velhice.

Como ficou claro, a intensidade dos sintomas e seu histórico familiar devem pesar nesta decisão, mas não são determinantes. Fitoesteróis, que são hormônios naturais derivados de plantas (soja, por exemplo), podem ser uma opção para os sintomas, embora seu efeito seja modesto na maioria das vezes.

Mamografia, papanicolau, ultrassom transvaginal e densitometria óssea são exames comumente solicitados após a menopausa. Isso porque podem detectar diferentes tipos de câncer e a osteoporose, por exemplo.

Culpa do universo ou não (a vida não é justa mesmo, lembra?), você terá que lidar com isso. Agora tem argumentos para tal.

Assim, de novo —converse com seus médicos para o melhor posicionamento neste momento delicado da vida—, pois quem disse que a menopausa não é assim tão incômoda, certamente era muito jovem ou do sexo masculino!