Azeite, castanhas e peixes gordos: veja benefícios desses "superalimentos"

Cada vez mais as pessoas começam a compreender que em uma alimentação equilibrada o mais importante não são as calorias e, sim, o equilíbrio e harmonia entre os nutrientes. A nossa conversa de hoje não poderia ser diferente pois falaremos de alguns alimentos com elevada densidade calórica, mas com inúmeros benefícios nutricionais.

Quando falamos em "gorduras boas", é importante termos em mente que todas as gorduras são essenciais, ou seja, precisamos obtê-las pela dieta, sendo este o princípio da essencialidade identificado por pesquisadores em 1958, por meio de estudos realizados em ratos e também em indivíduos cuja alimentação foi restrita nestes nutrientes, culminando no desenvolvimento de vulnerabilidade imunológica, alterações dermatológicas, neurológicas entre outras —estas observações foram o ponto de partida para que este nutriente começasse a ser valorizado dentro da nutrição, não sendo julgado apenas pela sua caloria.

Os lipídeos (gorduras no estado sólido e óleos no estado líquido) contam com os ácidos graxos como um de seus principais constituintes, o ponto central de nossa conversa será como a composição destes ácidos graxos tem a capacidade de interferir na qualidade do alimento e de sua função biológica no corpo humano. Vamos lá?

AZEITE Alimento muito presente nos povos do mediterrâneo, era utilizado já na Grécia antiga por atletas com a finalidade de melhorar a performance. Na época dos grandes descobrimentos, por volta do século XVI, o azeite era obrigatório nos navios, utilizado como base para o preparo de medicamentos. Na atualidade, muitas são as pesquisas que comprovam os seus benefícios à saúde.

Por ser um alimento rico em polifenóis e ômega 9 (ácido oleico), participa do controle da reação inflamatória, na produção de hormônios sexuais, auxilia no transporte e disponibilidade de vitaminas A, D, E e K, contribui com a redução na fração LDL —colesterol e do triglicérides circulantes —, além de neutralizar o estresse oxidativo.

O consumo deste alimento precisa ser diário temperando a salada e os vegetais do almoço e do jantar, podendo também servir de acompanhamento para um pão de fermentação natural.

Guarde o azeite sem o expor a grande luminosidade ou calor, preservando desta forma os seus nutrientes do processo de oxidação e rancificação.

OLEAGINOSAS

Alimentos muito saborosos e que ganharam espaço em nossos lanchinhos intermediários pela conveniência associada ao sabor, são ricos em vitamina E, magnésio e ácidos graxos poli-insaturados. Mais de 75% da gordura das oleaginosas são compostas por ácidos graxos insaturados, sendo que há predominância dos ácidos graxos monoinsaturados (AGMI). Seu consumo regular está associado à integridade celular, proteção neurológica e proteção cardiovascular.

Muitas são as opções, mas prefira avelã, amêndoa e pistache em comparação ao amendoim e macadâmia, pela quantidade superior de ácidos graxos mono e poli-insaturados, em comparação aos ácidos graxos saturados. Tenha atenção apenas a porção que irá comer, não excedendo 50 gramas pelo seu elevado teor calórico.

PEIXES GORDOS Os peixes que possuem mais de 8% de teor de gordura em 100 gramas do alimento se encaixam neste perfil, porém esta concentração pode sofrer influência de inúmeros fatores como época do ano, clima, alimentação do peixe e procedência.

A Associação Americana do Coração (American Heart Association —AHA) recomenda o consumo destes peixes na frequência maior ou igual a duas vezes por semana, principalmente os gordos como atum, cavala, sardinha e salmão, por serem alimentos ricos em ômega 3 e 6, sendo o ômega 3 mais abundante, o que num contexto equilibrado de nossa dieta associam-se diretamente à proteção cardiovascular, pela promoção da redução na produção de mediadores inflamatórios, efeito hipolipemiante, pela redução na circulação de triglicérides, e efeito hipotensor.

Programas de redução calórica associados ao consumo destes alimentos demonstram emagrecimento e melhora na condição cardiovascular. Porém, todos estes benefícios estão presentes quando os ômegas destes alimentos estão em equilíbrio. Infelizmente, esta proporção saudável não é encontrada nos dias de hoje, já que a maior parte da população mundial come mais alimentos ricos em ômega 6, como amendoim, e óleos vegetais, como milho, soja e canola.

Como fazer para equilibrar esta proporção?

Uma boa opção é a Introdução da semente ou óleo de linhaça ou chia em sua alimentação, pois estes alimentos oferecem essencialmente ômega 3. Além disso, procure aumentar o consumo de azeite, peixes gordos e castanhas e reduzir o consumo produtos ricos em outros óleos vegetais (soja, milho, canola, margarina, palma) e industrializados, ricos em ômega 6.

Tenha em mente que não é a suplementação de ômega 3 simplesmente que te tornará um indivíduo com proteção cardiovascular, uma vez que este nutriente deverá estar em equilíbrio com os demais para que o efeito não seja exatamente o contrário, ou seja: pró-inflamatório.

Aproveite todos os benefícios que estes alimentos altamente palatáveis têm, não se esquecendo de aproveitar o sabor, textura e sensações que eles despertam, pois os benefícios dos alimentos vão muito além daqueles que consideramos fisiológicos.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (UNIFESP).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Driessche, J.J.VD; Plat, J; Mensink, R.P. Effects of superfoods on risk factors of metabolic syndrome: a systematic review of human intervention trials. Food Funct. 2018 Apr 25;9(4):1944-1966.

- Alves, R.D.M; Macedo, V.S; Rocha, F.F; Moreira, A.P.B; Costa, N.M.B. Ingestão de oleaginosas e saúde humana: uma abordagem científica. Revista Brasileira de Nutrição Funcional - ano 14, nº57, 2014.

- Lehninger, Nelson e Cox. Princípios de Bioquímica. Ed Sarvier, 1995.

- Curi, R; Pompéia, C; Miyasaka, C; procópio, J. Entendendo a gordura: os ácidos graxos. Ed Manole, 2002.


Os 10 transtornos mentais mais comuns, seus sinais e como tratá-los

Dados da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) sugerem que 30% da população das Américas teve ou terá algum transtorno mental. No Brasil, estimativas recentes mostraram que os transtornos de depressão e ansiedade respondem, respectivamente, pela quinta e sexta causa de anos vividos com incapacidade.

Para você conhecer melhor esses problemas que afetam tanto a qualidade de vida e bem-estar das pessoas, explicamos abaixo quais são os 10 transtornos mentais mais comuns e como tratá-los. A ideia é facilitar a identificação deles para estimular que pacientes e familiares busquem tratamento especializado, além de ajudar a vencer o estigma que tais doenças ainda carregam. A ordem dos transtornos está por proximidade entre as condições —e não por prevalência na população ou gravidade.

Fobia específica

É um tipo de transtorno de ansiedade definido como um medo/aversão extrema e irracional de algo. Quem desenvolve essa doença provavelmente tem uma sensação de pavor ou pânico ao se deparar com uma situação ou objeto específico. A condição prejudica física e psicologicamente a pessoa, pois a pessoa se torna incapaz de enfrentar algumas situações diárias.

As fobias específicas são categorizadas em cinco tipos: de animais (cães, cobras, aranhas, insetos); de eventos naturais (relâmpagos, tempestades, água); de injeção ou situações que envolvam sangue; situacionais (aviões, elevadores, direção, locais fechados); e outras —como evitar situações que podem levar a um engasgo, vômito ou contrair um vírus/doença.

Sintomas físicos: ao se deparar com a situação que causa fobia, a pessoa pode sentir o coração acelerado, dificuldade para respirar, tremores, suor excessivo, náuseas, boca seca e aperto ou dor no peito.

Sintomas emocionais: ansiedade ou medo, sentimento de impotência para superar ou receio em perder o controle.

Como tratar: geralmente é indicado a psicoterapia cognitiva comportamental, em que pode ser aplicada uma técnica chamada exposição e prevenção de respostas. Em casos mais graves, o paciente também pode usar medicação.

Fobia social

 Para pessoas com fobia social (também chamada transtorno de ansiedade social), atuar em público causa uma ansiedade intensa. Isso acontece em situações cotidianas que envolvem interação social, pois quem tem esse tipo de fobia tende a temer julgamento, critica ou alguma possibilidade de ser ridicularizado.

Um exemplo é a perspectiva de se alimentar na frente de outras pessoas em um restaurante, uma experiência comum para grande parte das pessoas, mas que pode ser assustadora para quem tem fobia social. No Brasil, um dado divulgado no Congresso Brasileiro de Psiquiatria de 2017 estima que 13% da população possua o transtorno.

Sintomas físicos: transpiração excessiva, tremores, gagueira, náusea ou diarreia (ocorrem quando a pessoa se depara com a situração).

Sintomas emocionais: ansiedade, angústia, preocupação excessiva por acreditarem que poderão fazer ou falar coisas erradas e evitação constante de situações cotidianas por temer agir de forma humilhante ou constrangedora.

Como tratar: acompanhamento psicológico e, em casos graves, medicação. A principal delas é o uso de antidepressivos.

TAG (Transtorno de ansiedade generalizada)

A TAG é diferente dos sentimentos normais de ansiedade. Sua principal característica é uma preocupação intensa e persistente sobre situações normais e cotidianas. Quem tem este tipo de transtorno pode se preocupar incontrolavelmente com algo, várias vezes ao dia, mesmo que não haja motivo real para isso.

Essa preocupação excessiva e irreal pode ser assustadora e interferir nos relacionamentos e nas atividades diárias. A condição pode ocorrer de forma generalizada (o mais comum) ou em picos (ataques de pânico). É considerado o transtorno mental mais comum em todos os países e em todas as faixas etárias. Sabe-se que a incidência geral de transtornos de ansiedade no Brasil é de 9,3% da população e estima-se que a TAG afete 4 a 6% da população mundial.

Sintomas físicos: dificuldade de concentração e de dormir, tensão muscular, dores de estômago ou diarreia repetidas, suor nas mãos, tremores, batimento cardíaco acelerado e até reações neurológicas como dormência ou formigamento em diferentes partes do corpo.

Sintomas emocionais: irritabilidade, fadiga e exaustão.

Como tratar: terapia psicológica para enfrentar as ideias de ansiedade, com estratégias de enfrentamento, meditação Mindfulness que auxilia no processo de redução da ansiedade global e medicamento antidepressivo que ajuda a reduzir a percepção de ansiedade.

TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo)

TOC não é apenas mania de limpeza, mas alguns pacientes apresentam sintomas relacionados a higiene

O TOC é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos recorrentes e desagradáveis (obsessões) e comportamentos repetitivos ritualizados (compulsões), voltados para a redução do desconforto associado a tais pensamentos. Estudos estimam que no Brasil existam entre 3 a 4 milhões de pessoas com esse quadro.

Quem tem TOC pode até reconhecer que seus pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos são irracionais, mas não consegue resistir e se libertar. Esse tipo de transtorno, que acomete cerca de 1,5% da população, faz com que o cérebro fique preso em um pensamento ou desejo específico. Os casos clássicos têm início na infância, mas este tipo de transtorno pode se desenvolver com idade mais avançada associado ao quadro depressivo.

Sintomas: o TOC pode ser identificado por meio de algumas categorias de sinais:

  • Excesso de limpeza: medo de contaminação, compulsão por limpar ou lavar as mãos.
  • Verificadores: aqueles que confirmam repetidamente as coisas (forno desligado, porta trancada), associando a possíveis danos ou perigo.
  • Duvidosos e pecadores: acreditam que tudo deve ser feito de maneira certa, pois caso contrário algo terrível pode acontecer como punição.
  • Excesso de organização: obcecados por ordem e simetria, podem até desenvolver superstições sobre números, cores ou arranjos.
  • Acumuladores: se jogarem algo fora, temem que algo ruim possa acontecer.

Como tratar: geralmente é indicada a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que pode condicionar ao enfrentamento do medo e dos pensamentos obsessivos, sem enfrentá-los por meio de compulsões. Também pode ser indicado um tipo de medicamento antidepressivo para ajudar a reduzir a percepção de ansiedade.

Dependência química

A dependência química inclui qualquer substância que possa causar vício, como tabaco, álcool e outras drogas

O Transtorno de Dependência ao Álcool atinge cerca de 10% da população brasileira, que apresenta problemas graves relacionados ao consumo de álcool. Essa é a droga mais consumida e mais associada ao adoecimento e mortalidade precoce. Já o Transtorno de Dependência do Tabaco acomete cerca de 9% da população, e a maioria das pessoas não compreende a dependência do tabaco como um transtorno mental.

É importante ressaltar que mais de um em cada quatro adultos que vivem com sérios problemas de saúde mental também tem dependência química. E esse tipo de doença traz ainda prejuízos sociais, pois o dependente se põe em risco e coloca em risco outras pessoas. Além disso, tais dependências podem favorecer o desenvolvimento de outras doenças como cânceres e problemas cardiovasculares.

Sintomas: os sinais de transtornos por uso de substâncias podem incluir:

  • Mudanças comportamentais: queda na frequência e desempenho no trabalho ou estudo, prejuízos sociais como brigas, acidentes e atividades ilegais, mudanças no apetite ou padrões de sono, alteração inexplicável na personalidade ou atitude e no humor, irritabilidade ou acessos de raiva, falta de motivação, entre outros;
  • Mudanças físicas: perda ou ganho de peso repentino, tremores, fala arrastada ou coordenação deficiente.

Como tratar: psicoterapia individual e grupo para motivar o paciente a cessar o uso de substância e ajudá-lo a enfrentar os desafios pessoais e sociais. Os psiquiatras podem recomendar ainda medicamentos para ajudar a tratar sintomas como depressão ou alterações de humor, além da possibilidade de prescrever medicamentos que reduzam os efeitos da abstinência ou desejo pela substância.

Depressão maior

 É o tipo mais popular, também conhecida como depressão clássica ou unipolar. A OMS aponta que em 2017 a incidência do quadro de depressão maior era de 5,8% dos brasileiros. Também é uma das maiores causas de afastamento definitivo do trabalho em todo o mundo e em suas formas mais graves associa-se ao risco de suicídio.

Sintomas físicos: a depressão maior possui sintomas que podem ir de leves ao grave, podendo durar semanas ou até meses como alterações de sono e de apetite, baixo nível de energia, dores no corpo de forma inexplicável, como dor de cabeça e dor muscular, dificuldade de pensar ou de se concentrar.

Sintomas emocionais: alterações de humor como tristeza persistente, falta de interesse ou prazer nas coisas, pessimismo, sentimentos de inutilidade e desesperança, preocupação e ansiedade constantes.

Como tratar: psicoterapia, medicamentos antidepressivos, terapia cognitivo-comportamental (TCC), terapia eletroconvulsiva (ECT) e tratamentos naturais, sendo que o plano de tratamento será diferente para cada pessoa, dependendo das necessidades individuais e classificação entre depressão leve, moderada ou grave.

Distimia

 Quem sofre de distimia pode ser visto como sombrio, pessimista ou queixoso, quando na realidade está lidando com uma doença mental crônica. O transtorno depressivo persistente ou distimia pode não parecer tão intenso, mas prejudica os relacionamentos e dificulta as tarefas diárias. De acordo com a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) entre 5 e 11 milhões de brasileiros vivem com esse transtorno.

Uma de suas características mais conhecidas é o mau humor, por isso o diagnóstico pode ser demorado porque confunde-se como uma característica de personalidade. Este mau humor, no entanto, deve ser persistente e estender-se por mais de um ano, ocorrendo sem um motivo específico. Alguns pacientes dizem que sentem que sua vida ocorre como se tivessem puxado o freio de mão, nunca se sentem leves.

Sintomas físicos: mudanças no apetite, alterações nos padrões de sono, baixa energia, problemas de concentração e memória.

Sintomas emocionais: tristeza profunda ou desesperança crônica; baixa autoestima ou sentimentos de inadequação, irritabilidade ou impaciência e incapacidade de sentir alegria, mesmo em ocasiões felizes.

Como tratar: antidepressivos e psicoterapia são os indicados para lidar com esse tipo de depressão.

Transtorno afetivo bipolar

Pessoas com transtorno bipolar ficam em casa fase de humor por bastante tempo, e não são inconstantes como diz o imaginário popular

O Transtorno Afetivo Bipolar é uma condição de saúde emocional que provoca grandes mudanças de humor, dificultando a comunicação e a socialização. Para receber o diagnóstico de transtorno bipolar, o paciente precisa cumprir uma série de critérios diagnósticos que incluem uma fase de estado de ânimo muito elevado com comportamentos impulsivos que envolvam grandes planos ou mudanças radicais, alterando com estados depressivos profundos, ou até estados mistos em que misturam sintomas de euforia e depressão. Atinge em torno de 3% da população do país.

Sintomas: pode ser identificado por fases, sendo que elas podem durar dias ou até meses.

  • Fase maníaca: apresenta sintomas como compulsão alimentar, gastos excessivos, hiperatividade e capacidade de discernimento diminuída;
  • Fase depressiva: pode ser caracterizada pelo desânimo diário ou tristeza, perda de peso e de apetite, fadiga ou falta de energia, baixa autoestima e pensamentos sobre morte e suicídio.

Como tratar: psicoterapia para indicar mecanismos de enfrentamento para cada fase e medicamentos para estabilizar o humor, como antipsicóticos e anticonvulsivantes.

Transtorno explosivo intermitente

Popularmente conhecido como Síndrome do Pavio Curto, é caracterizado por episódios de impulsos agressivos, podendo provocar sérias agressões verbais/físicas e até mesmo destruição de propriedade. Este tipo de comportamento agressivo não é premeditado, mas consequência de um impulso em que o indivíduo age por pura falta de controle sobre a raiva.

Essa agressividade é completamente desproporcional a quaisquer estressores que possam ter iniciado os episódios, podendo ser descritas como surtos ou ataques que aparecem em minutos ou horas e, independentemente da duração, entram em remissão de forma espontânea e rápida. Após o episódio, em geral, o paciente demonstra arrependimento genuíno, vergonha e culpa. Ataques duas vezes durante a semana, por três meses ininterruptamente, denunciam a doença.

Sintomas: explosões de agressividade que não são desencadeadas pelo uso de drogas ou qualquer outra substância ou ainda por outras doenças e distúrbios psiquiátricos.

Como tratar: abordagem psicoterapêutica para ajudar o paciente a reconhecer e verbalizar os pensamentos ou sentimentos que precedem os surtos explosivos; e uso de medicamentos que auxiliem no controle dos impulsos como antipsicóticos e anticonvulsivantes.

TBP (Transtorno de personalidade borderline)

 É uma condição psíquica caracterizada por um padrão de emoções instáveis nos relacionamentos e comportamentos em geral. Não se sabe quantas pessoas no Brasil possuem esse transtorno, mas no mundo a incidência estimada é de 6% da população. O TPB pode interferir na capacidade de aproveitar a vida ou alcançar a realização nos relacionamentos, no trabalho ou estudo. Também está associado a problemas específicos e significativos nas relações interpessoais, autoimagem, emoções, comportamentos e pensamento. No entanto, nem todo paciente experimenta todos os sintomas.

Sintomas Podem ser divididos nos seguintes grupos:

  • Comportamento: tendência a se envolver em comportamentos de risco e impulsivos, como fazer compras mesmo tendo dívidas, beber quantidades excessivas de álcool ou abusar de drogas, praticar sexo de risco ou comer compulsivamente. Além disso, os pacientes são mais propensos a se envolver em comportamentos de autolesão, como se cortar e tentar o suicídio;
  • Emoções: instabilidade emocional é uma característica fundamental, sendo que o paciente sente como se estivesse em uma montanha-russa emocional com mudanças rápidas de humor, que podem durar de minutos a dias e costumam ser intensas. Os sentimentos de raiva, ansiedade e um vazio avassalador também são comuns;
  • Relacionamentos: tendem a ter relacionamentos intensos caracterizados por conflitos, discussões, separações frequentes e muito ciúmes;
  • Autoimagem: têm dificuldades relacionadas à estabilidade de seu senso de identidade, relatam muitos altos e baixos sobre si mesmos.

Como tratar: psicoterapia é o tratamento padrão, incluindo terapia comportamental dialética (DBT) e tratamento baseado em mentalização (MBT). Os psiquiatras podem recomendar medicamentos para ajudar a tratar certos sintomas, como depressão ou alterações de humor.

Fontes: Sergio Tamai, psiquiatra e diretor secretário da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); Luan Diego Marques, psiquiatra, especialista em Terapia Interpessoal pelo Prove (Serviço de Assistência e Pesquisa em Violência e Estresse Pós-Traumático) ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e professor colaborador da UnB (Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília); Rodrigo Leite, psiquiatra, coordenador dos Ambulatórios IPq HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); e Elisa Brietzke, orientadora do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da Unifesp e professora do Departamento de Psiquiatria da Queen's University, no Canadá.


Você ronca e já acorda cansado? Pode ser apneia do sono: veja como tratar

Quase todo mundo deixa de respirar por alguns segundos durante o sono, sem sofrer qualquer dano. Na maior parte das vezes, isso ocorre porque as vias aéreas ficam obstruídas e a passagem de ar é dificultada. Já se essas paradas respiratórias ocorrerem várias vezes enquanto a pessoa dorme, é possível que ela sofra da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), um problema que pode ter consequências negativas não só para o bem-estar ao longo do dia como também à saúde no geral.

Prevalência

O problema é bem mais frequente do que se imagina: estudos indicam que a condição afeta de 33 a 35% da população brasileira, sendo que muita gente nem desconfia que tem. Segundo especialistas, isso acontece porque a anatomia do ser humano facilita o problema --temos uma garganta estreita e um queixo mais projetado para trás em relação a outros animais. A obesidade e o envelhecimento são fatores que aumentam o risco.

A prevalência é maior em adultos, especialmente após os 65 anos de idade. É mais comum entre os homens, mas após a menopausa as mulheres passam a ter o mesmo risco. Entre as crianças, acomete de 3 a 15% da população, independente do sexo. Entre indivíduos obesos, 60% têm a síndrome.

Complicações

Além de prejudicar a oxigenação, as interrupções respiratórias levam a pessoa a despertar sem perceber diversas vezes durante a noite. Resultado? Cansaço e sonolência durante o dia, falta de produtividade e até de libido.

Mas as consequências a longo prazo são a maior preocupação dos especialistas em sono: a apneia obstrutiva do sono aumenta muito o risco de hipertensão, diabetes, depressão, doença arterial coronariana e de morte por infarto ou derrame. Ainda existem estudos que associam a falta de sono reparador à dificuldade para perder peso e até maior risco de demências.

Relação entre ronco e apneia

O ronco é a vibração dos tecidos das vias aéreas (ou mais especificamente do palato mole) diante da passagem do ar. Quanto maior o esforço para respirar e a flacidez desses tecidos, mais barulhento será o ronco. A obstrução pode causar uma apneia completa ou apenas parcial (hipopneia). Por isso, o ronco pode ser um sinal da síndrome da apneia obstrutiva do sono, mas nem sempre está relacionado a ela. Ou seja: nem todo mundo que ronca tem apneia, mas muita gente com apneia ronca.

Aqui vale um alerta: quem ronca alto ou sofre de cansaço e sonolência diurnos sem razão aparente deve consultar um profissional de saúde. A medicina do sono é uma área de atuação que envolve diferentes especialistas, como neurologistas, otorrinolaringologistas e pneumologistas, entre outros.

Sinais e sintomas

Os mais comuns são:

  • Ronco alto e frequente;
  • Ronco irregular (porque há paradas respiratórias);
  • Engasgos durante o sono (que fazem a pessoa acordar ou não);
  • Sonolência e cansaço durante o dia.

Também pode haver:

  • Dor de cabeça ao acordar;
  • Sono agitado;
  • Aumento da vontade de urinar durante a noite;
  • Boca seca ou sede ao acordar;
  • Perda de produtividade.

Condições que podem ser causadas ou agravadas pela apneia do sono:

  • Irritabilidade;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Problemas de libido;
  • Dificuldade de aprendizado;
  • Problemas de memória ou concentração;
  • Agravamento da asma;
  • Síndrome metabólica;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Problemas no coração (como arritmias);
  • Doença cardiovascular, como infarto ou derrame.

Causas e fatores de risco

A apneia do sono pode ser causada pela estrutura física ou por condições que afetam a saúde da pessoa. Com frequência, há mais de um fator de risco em jogo, como os seguintes:

  • Obesidade: quando a pessoa engorda, também há depósitos de gordura nas estruturas que envolvem a faringe e a língua, reduzindo o espaço para a passagem de ar. O ganho de peso é considerado um dos principais fatores de risco para a síndrome;
  • Alterações anatômicas: o aumento da amídala e das adenoides é a causa mais comum de apneia entre as crianças. Retrognatismo (mandíbula inferior diminuída, ou queixo para trás), aumento da circunferência do pescoço, desvio do septo nasal, pólipos nasais ou hipertrofia dos cornetos (estruturas do nariz) também podem provocar obstruções;
  • Congestão nasal: quadros infecciosos ou crônicos, como a rinite alérgica, podem facilitar a apneia;
  • Idade: com o envelhecimento, os tecidos da orofaringe tendem a ficar mais flácidos, facilitando as obstruções, por isso o risco aumenta entre indivíduos com mais de 65 anos;
  • Uso de álcool: a bebida alcoólica aumenta o relaxamento dos músculos da boca e da garganta e também pode interferir no controle do cérebro sobre os músculos envolvidos na respiração;
  • Fumo: o hábito causa a inflamação das vias aéreas superiores e também pode interferir nos mecanismos cerebrais envolvidos na respiração;
  • Uso de calmantes, relaxantes musculares ou opioides: esses remédios relaxam os músculos da boca e da garganta, bem como o controle do cérebro sobre os músculos da respiração;
  • Genética: algumas pessoas podem ter uma predisposição familiar à apneia. Também há certos genes envolvidos no risco mais alto de obesidade e inflamação.

Diagnóstico

Para avaliar uma suspeita de apneia do sono, é comum o médico questionar sobre a qualidade do sono, queixas sobre ronco e cansaço diurno, além de examinar a circunferência do pescoço, o interior do nariz e as mandíbulas.

A condição só pode ser confirmada com a realização da polissonografia, um exame em que a pessoa dorme com vários sensores ligados ao corpo para registro do fluxo respiratório, da atividade elétrica cerebral, da frequência cardíaca, da oxigenação do sangue e dos movimentos do corpo.

Em geral, é necessário que o paciente durma no laboratório, embora hoje existam versões simplificadas que permitem uma triagem inicial em casa.

Dependendo do resultado do exame, a síndrome pode ser classificada como:

  • Leve: de cinco a 14 apneias por hora;
  • Moderada: de 15 a 29 apneias por hora;
  • Grave: 30 ou mais apneias por hora.

Outros exames podem ser solicitados para investigar as causas ou complicações do problema, como radiografias, avaliação com dentista ou exames de sangue.

Tratamento da apneia do sono

O tratamento deste distúrbio do sono depende da causa e da gravidade do quadro, e costuma ser multidisciplinar. Muitas vezes, medidas como perda de peso, orientações para dormir de lado ou exercícios fonoaudiológicos são suficientes para evitar a apneia nos casos mais leves.

Em outros, são necessárias medidas como o uso de aparelhos na boca ou de máscaras que facilitam a respiração durante o sono. Alguns pacientes ainda podem precisar de cirurgia, o que é mais comum entre as crianças com problemas nas amídalas ou adenoides.

Principais abordagens utilizadas para controlar a síndrome

  • Mudanças no estilo de vida: exercícios físicos e dietas são medidas essenciais para quem está acima do peso e sofre de apneia. Parar de fumar, evitar o uso de álcool à noite e de certos medicamentos para dormir, além de se policiar para dormir sempre de lado (e não de barriga para cima) também são orientações importantes;
  • Terapia com fonoaudiólogo: exercícios específicos para fortalecer os músculos que envolvem a língua, a faringe e a face pode trazer bons resultados para alguns casos de ronco e apneia;
  • Controle de certas doenças: o tratamento de problemas hormonais ou crônicos, como a rinite alérgica, bem como a substituição de medicamentos, como aqueles utilizados contra insônia, podem ser necessários para evitar a apneia;
  • Aparelhos intraorais: eles ajudam a reposicionar a mandíbula inferior, a fim de manter as vias aéreas desobstruídas durante a noite. Existem várias modalidades no mercado, mas os mais eficazes são aqueles moldados para cada paciente e tituláveis. Ou seja, por meio de uma engrenagem posicionada no aparelho, o posicionamento é ajustado aos poucos até que não haja mais ronco e apneias. O tratamento ainda não é coberto por planos de saúde ou SUS (Sistema Único de Saúde);
  • Aparelhos de pressão positiva: o CPAP (Aparelho de Pressão Positiva Contínua) é considerado o tratamento padrão para a síndrome de apneia obstrutiva do sono moderada a grave. O equipamento mantém a via aérea desobstruída por meio da passagem constante de ar a uma certa pressão, com uma máscara (geralmente nasal) que deve ser adaptada ao formato do rosto do paciente. É importante que o paciente realize testes para determinar a pressão e a máscara mais indicadas para o seu caso. Existem diferentes opções de aparelhos no mercado, com diversos tamanhos e materiais, e nem todas são cobertas pelo SUS ou pelos planos de saúde. Embora pareça desagradável dormir toda noite com uma máscara, em geral os pacientes sentem uma melhora tão grande na qualidade de vida que aderem bem ao tratamento.
  • Cirurgia: a retirada da amídala e/ou adenoides pode solucionar boa parte dos casos de apneia do sono em crianças. Já em adultos as cirurgias são indicadas em casos mais específicos, como desvios de septo nasal ou presença de pólipos. Para pacientes com determinadas doenças graves, o último recurso é a traqueostomia (procedimento cirúrgico que abre um orifício e leva o ar diretamente à traqueia por meio de uma cânula).

Como ajudar quem sofre de apneia

Familiares têm um papel importante para o diagnóstico e tratamento da apneia, já que muitas vezes a própria pessoa não percebe que ronca ou que tem paradas respiratórias. Muitas vezes, o tratamento requer mudanças de hábitos, o que não é fácil.

Fazer dieta e exercícios é sempre mais fácil quando a família toda participa. O tratamento também pode envolver rotinas que exigem adaptação, principalmente no início, como dormir no laboratório algumas vezes, usar os aparelhos toda noite e cuidar da manutenção deles é mais fácil quando há o apoio de alguém.

Dicas de prevenção da apneia do sono

  • Mantenha o peso sob controle;
  • Pratique exercícios físicos com regularidade;
  • Evite o consumo de álcool à noite;
  • Pare de fumar;
  • Evite dormir de barriga para cima;
  • Se estiver roncando muito, procure um especialista.

Dá para emagrecer sem recorrer a extremismos nutricionais

O sobrepeso e a obesidade são condições que vêm afetando grande parte da população. E esse excesso de gordura corporal acarreta diversas alterações que comprometem o nosso estado de saúde. Na busca pelo emagrecimento, há quem aposte as fichas em dietas milagrosas e restritivas. Mas está comprovado que elas não se sustentam em longo prazo. Por isso, o resultado obtido não é mantido por muito tempo. A solução? Preferir uma reeducação alimentar. E ela pode começar com alguns passos simples e muito importantes. Vamos conhecê-los?

  1. Procure um profissional capacitado

Um nutricionista irá avaliar suas necessidades nutricionais e traçar um plano alimentar adequado para você. Pode parecer clichê, mas esse é o melhor ponto de partida para o emagrecimento.

  1. Estipule metas próprias

Além dos compromissos assumidos com seu nutricionista, trace objetivos com você mesmo para aumentar a adesão e potencializar os resultados. Sabe aquela famosa promessa de entrar em uma roupa que não servia? Faça o teste!

  1. Organize os alimentos em casa e fora de casa

A geladeira e a despensa devem estar sempre muito organizadas, com frutas, legumes e verduras frescos. Para não cair em tentação sempre, evite ter guloseimas e itens ultraprocessados dentro do armário. No restaurante, nada muda: opte por aqueles alimentos que estão dentro do cardápio proposto pelo nutricionista.

  1. Não fique sem comer

Fracionar as refeições em pequenas quantidades ao longo do dia é uma saída para que você não sinta tanta fome entre uma refeição e outra.

  1. Faça exercícios sempre

A prática esportiva é essencial para o emagrecimento saudável e eficaz. Por isso, o hábito não deve ser deixado de lado. Escolha o esporte ou a atividade que mais agrade e faça quantas vezes conseguir na semana.

  1. Durma de 7 a 8 horas por dia

O descanso é fundamental para equilibrar o metabolismo e deve ser primordial na sua rotina. Acredite: a perda de peso depende do reestabelecimento das reações do corpo durante o sono.

Para eliminação de gordura abdominal

Algumas estratégias alimentares merecem destaque quando falamos especificamente em reduzir a gordura nessa região. Veja:

  1. Controle o índice glicêmico da dieta com algumas substituições

Primeiro, é importante entender o que é o índice glicêmico. Bem, trata-se de uma escala de 0 a 100 que classifica os alimentos de acordo com a velocidade com que liberam níveis de açúcar no sangue. Esse processo aumenta a produção de insulina e a liberação de cortisol, o hormônio do estresse, que contribui para o acúmulo de gordura. Por isso, é essencial que façamos algumas substituições, priorizando itens que não causem pico rápido de açúcar na circulação. Alguns exemplos de medidas bem-vindas:

– Aumentar a ingestão de alimentos integrais. Prefira o pão com alto teor de farinha integral, por exemplo – sempre avaliando os rótulos, claro. Esses alimentos têm fibras, que desaceleram a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

– Ingerir hortaliças e legumes nas grandes refeições. Também são redutos de fibras.

– Adicione fontes de fibras (olha elas de novo!), proteínas e gorduras saudáveis em alimentos que possuem o índice glicêmico alto, como tapioca, arroz branco e batata. Sugestão: polvilhe semente de linhaça na tapioca e faça ovos mexidos para o recheio. Outra dica é associar legumes ao arroz branco.

  1. Combine exercícios no dia a dia

Estudos mostram que aliar uma atividade aeróbica a exercícios de resistência é mais eficaz para reduzir gordura abdominal. Na prática, altere dias de corrida e caminhada com treinos de musculação e treinos funcionais.

  1. Invista em especiarias, ervas e frutas vermelhas

Uma coisa que dá para usar sem medo na preparação dos alimentos são especiarias naturais e ervas, como açafrão, pimenta, hortelã, orégano e alecrim. Os compostos bioativos presentes nesses temperos melhoram as reações energéticas do corpo e contribuem para a queima de gordura de forma saudável.

As frutas vermelhas também merecem destaque, visto que fornecem antocianinas, moléculas ativas com alto poder antioxidante e anti-inflamatório. Elas favorecem o equilíbrio celular e a redução do processo inflamatório característico do excesso de gordura no corpo.

Se bater um desânimo no meio do caminho, lembre-se: alcançar o peso adequado e equilibrar os hábitos diários são essenciais não só para aparência física, mas também para promover saúde e prevenir doenças que comprometem a qualidade de vida.


Afinal, acordar cedo é bom ou ruim?

"Acordar cedo torna as pessoas mais produtivas". "Celebridades e CEOs têm esse hábito". "Você vai se sentir mais saudável e feliz". "Vai retomar as rédeas da sua vida".

Apesar da enxurrada de "argumentos" deste tipo, acordar com as galinhas não é uma solução mágica de produtividade que vai resolver seus problemas de gerenciamento de tempo. Para alguns, pode até ser contraproducente.

O segredo é encontrar uma rotina que seja adequada à sua situação. Para isso, há algumas dicas atemporais que podem ajudar a filtrar todas as "recomendações" que circulam por aí e a descobrir a estratégia ideal para você.

Quais são os benefícios de acordar cedo?

Pode haver vários - pelo menos, de acordo com quem tem o hábito de levantar da cama ao raiar do sol.

Muita gente diz que há menos distrações ao nascer do dia: por exemplo, as crianças ou qualquer outra pessoa que more na sua casa provavelmente ainda vão estar dormindo, e você provavelmente recebe menos mensagens de texto ou e-mails a essa hora.

O CEO da Apple, Tim Cook, disse que se levanta às 3h45 no horário da Califórnia para começar a checar e-mails, antes mesmo de seus colegas da Costa Leste (onde são 6h45).

A apresentadora Oprah Winfrey afirma, por sua vez, que acorda diariamente às 6h02 para refletir, meditar e fazer exercício antes de começar a trabalhar, às 9h.

O caso mais extremo pode ser Mark Wahlberg, que acorda às 2h30 para se exercitar e jogar golfe.

Estudos também indicam que o hábito de acordar cedo e o sucesso podem estar relacionados. As pessoas que madrugam estão mais sincronizadas com seu relógio biológico e tendem a ter personalidades mais proativas, o que pode levar a melhores notas na escola ou a salários mais altos no trabalho.

Se levantar cedo não é algo natural, existem algumas estratégias que você pode tentar. A prática de exercícios pela manhã e a exposição à luz do dia assim que possível podem ajudar a estimular o metabolismo e a temperatura corporal, o que faz com que você "pegue no tranco" mais rápido.

No entanto, colocar o alarme para despertar mais cedo pode não funcionar para todo mundo - e há várias ressalvas sobre tentar se tornar uma pessoa matutina se não for fácil para você se ajustar.

Acordar cedo não é para todo mundo?

Não. Se acordar cedo deixa você mais produtivo ou não, a resposta pode estar nos seus genes.

Há muitas pesquisas sobre como algumas pessoas são biologicamente mais propensas a se sentirem mais dispostas pela manhã, enquanto outras estão em sua melhor forma à noite. Você também pode estar mais alerta e ter uma capacidade cognitiva melhor à tarde, por exemplo.

De fato, um estudo recente publicado na revista científica Nature Communications forneceu mais indícios de que isso acontece. Ao analisar dados de mais de 700 mil participantes, os pesquisadores descobriram mais de 350 fatores genéticos que podem influenciar se as pessoas se sentem naturalmente com mais energia pela manhã ou à noite.

O tamanho da amostra faz com que esse estudo seja o maior do tipo realizado até agora, embora sejam necessárias mais pesquisas para confirmar os resultados.

Sendo assim, se você não se sente naturalmente alerta pela manhã, mas decide acordar cedo a qualquer custo, pode estar sabotando seu verdadeiro pico de desempenho.

É claro que pode haver motivos pessoais que levem as pessoas a acordar cedo.

"Pode haver outros fatores em jogo, como entusiasmo e alta satisfação no trabalho, que facilitam a vontade de levantar da cama mais cedo e ir trabalhar", diz Marilyn Davidson, professora de psicologia do trabalho na Universidade de Manchester, no Reino Unido.

Pais com filhos pequenos ou profissionais que trabalham em horários não-tradicionais também podem não ter escolha sobre a hora em que começam o dia.

O ponto principal é: o simples fato de acordar cedo não é necessariamente sinônimo de sucesso instantâneo no trabalho. Na verdade, dependendo da pessoa, pode acabar tendo um efeito negativo.

Levantar cedo pode ser contraproducente?

Sim. Especialmente se você normalmente não acorda muito cedo e está tentando fazer isso para ser mais produtivo.

"As pessoas dizem: 'Ah, este CEO está acordando às 5h, eu vou entrar nessa onda também e fazer isso às segundas e sextas-feiras'", diz Rachel Salas, professora de neurologia especializada em medicina e distúrbios do sono da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

"Mas isso não é consistente. Você está bagunçando com o seu sistema", completa.

Salas explica que é importante ter uma noite inteira de sono e dormir o mesmo número de horas todas as noites, indo deitar no mesmo horário. Um cenário ainda pior? Se você dorme menos para se tornar um madrugador.

Isso significa que você pode ser afetado pelos diversos sintomas negativos da privação do sono, incluindo mau humor, falta de concentração, ganho de peso em potencial, ansiedade, aumento do risco de doenças cardíacas e pressão alta.

Então, se acordar cedo significa dormir menos, não faça isso. Salas conta que muitos pacientes que chegam à sua clínica dormiam pouco na faixa dos 20 e 30 anos e foram piorando à medida que ficaram mais velhos, seus estilos de vida mudaram e tiveram filhos.

"Se você começar cedo, vai precisar parar de trabalhar mais cedo também, então pode não haver benefícios reais", destaca Gail Kinman, professora de psicologia da saúde ocupacional da Universidade de Bedfordshire, em Luton, na Inglaterra.

Ela acredita que o comportamento de altos executivos que começam o expediente cedo e permanecem longas horas no escritório ou ativos no e-mail durante a noite tem um efeito prejudicial.

Há algo particularmente nocivo em um CEO se gabar publicamente de que começa sua jornada cedo.

Recentemente, o jornal americano New York Times cunhou o termo "performative workaholism" ("vício em trabalho performático", em tradução livre), se referindo aos workaholics (viciados em trabalho) que ostentam longas jornadas que começam cedo como um distintivo de honra, o que pode acabar sendo um mau exemplo.

"CEOs são modelos importantes para a equipe", diz Kinman. "E ver esse comportamento como desejável é simplesmente irresponsável".

O que você pode fazer?

Os especialistas dizem para você experimentar. Não dê ouvidos a pensadores ou influenciadores do LinkedIn - descubra o que funciona melhor para você. E, no fim das contas, talvez seja acordar cedo.

Preste atenção em que momento do dia você se sente mais cansado e mais desperto. Nas férias, anote os horários em que vai dormir e que acorda naturalmente. Tente sincronizar sua programação com esses horários, pois é assim que você vai aproveitar a maior parte da sua energia natural para o dia seguinte.

Quando se trata do ambiente corporativo, os especialistas sugerem uma abordagem que leve em consideração os hábitos de todos os funcionários para aproveitar o melhor de cada um.

Susan Stehlik, diretora do programa de comunicação gerencial da Universidade de Nova York, nos EUA, sugere que as empresas e as equipes usem uma técnica chamada "investigação apreciativa".

Isso significa que a equipe deve se sentar no estágio inicial de um projeto e apresentar suas necessidades individuais, cronogramas e preferências logo de cara para o grupo - idealmente, para que a equipe possa se ajustar a elas.

"Dessa forma, você fala coisas como: 'Eu tenho filhos, preciso estar de pé às 5h todos os dias e levar eles para a creche, então, não posso ficar no trabalho até tarde'", diz Stehlik.

"Estas são as minhas vulnerabilidades agora, e esses são os meus pontos fortes agora. É basicamente trabalho em equipe."

Se os gestores da equipe forem flexíveis, é possível fazer com que funcionários madrugadores comecem a checar os e-mails ou a trabalhar mais cedo e sejam dispensados no início da tarde.

Assim, eles podem aproveitar os benefícios de acordar cedo, mas evitam o burnout - esgotamento físico e mental provocado pelo excesso de trabalho.

Desta maneira, você reserva o hábito de acordar cedo para quem de fato pode tirar algo positivo disso, em vez de fazer com que todo mundo madrugue atrás da ilusão de um aumento de produtividade.

No fim das contas, basta ter um pé atrás com os conselhos de não-especialistas. O segredo é conhecer suas preferências individuais e as horas do dia (ou da noite) em que você está mais disposto.

E acima de tudo, prestar atenção se você está dormindo a quantidade de horas necessárias - e de forma consistente.

Para algumas pessoas, se forçar a acordar com as galinhas - porque a Oprah ou Tim Cook acordam - pode não ser a maneira mais inteligente ou saudável de começar o dia.

"Não faça isso", diz Kinman. "A menos que você seja realmente uma pessoa diurna."


Xampus comuns contra queda de cabelo realmente funcionam?

Fios de cabelo caídos no travesseiro e no chão, acumulados no ralo do banheiro, presos na escova... Se você vem percebendo esses sinais, pode fazer parte dos cerca de 42 milhões de brasileiros que, de acordo com a SBC (Sociedade Brasileira do Cabelo, sofrem de perda capilar.

Só que muita gente, em vez de consultar um médico para investigar as causas do problema, acaba buscando logo soluções fáceis, como os xampus antiqueda de uso diário, ao alcance da mão em farmácias, supermercados e perfumarias. Mas será que dá para confiar neles?

Xampus comuns combatem a queda de cabelo?

Primeiro, vale saber que a maioria dos produtos desse tipo não tem o benefício antiqueda comprovado cientificamente. Além disso, eles raramente trazem na fórmula os agentes necessários para acabar ou controlar a perda de cabelo. Algumas versões são apenas livres de sal (lauril sulfato de sódio) e boa parte atua evitando somente a queda causada por quebra e não por outras razões, como as ligadas a estilo de vida e ação hormonal.

Mais um ponto negativo é que o tempo que o cosmético fica em contato com o couro cabeludo, na hora da lavagem, não é suficiente para a absorção eficiente dos ativos que impediriam a queda.

Apesar disso, vale destacar que os xampus antiqueda comerciais quase sempre têm ação hidratante, o que deixa o cabelo mais flexível, fácil de desembaraçar e, portanto, menos propenso a se partir quando submetido à tração no momento de pentear ou escovar.

Qual a melhor forma de evitar a queda de cabelo?

Antes de entrar na primeira farmácia à vista ao perceber que o cabelo está caindo mais do que o normal, é importante procurar um dermatologista ou especialista em cabelo (tricologista) para descobrir as causas. Recorrer de cara a um xampu antiqueda pode não apenas deixar seu problema sem solução, como ainda acabar retardando o diagnóstico e até piorando a situação, dependendo do caso.

Como são muitos os fatores envolvidos na perda de cabelo (veja causas abaixo), o tratamento pode variar bastante. De modo geral, inclui o uso de xampus, loções e cremes com formulações determinadas pelo especialista -- daí, o produto comercial, pode até entrar como coadjuvante.

Medicamentos orais para interromper a queda ou estimular o crescimento às vezes são necessários. Procedimentos tecnológicos (laser, microagulhamento e aplicação de injeções com substâncias específicas, por exemplo) e, em último caso, cirurgia para transplante capilar são outras ferramentas eficientes à disposição para recuperar os cabelos. Mas só o médico é capaz de avaliar se e quando deve-se recorrer a eles.

Causas da queda de cabelo

A maioria das pessoas tem entre 100 mil e 150 mil fios de cabelo na cabeça, e a queda faz parte do ciclo de vida dessas estruturas. A perda de até 100 fios por dia, em média, é considerada normal, tanto para homens quanto para mulheres. Quando esse número se torna mais acentuado, aí sim algo pode estar errado.

Os especialistas comentam que a perda capilar geralmente é multifatorial, ou seja, diversas questões precisam ser avaliadas -- alterações hormonais e metabólicas e características do estilo de vida, principalmente.

Devem ser considerados como possíveis gatilhos da queda de cabelo situações como gravidez, pós-parto, menopausa, alterações na menstruação; carências nutricionais (por dieta restritiva ou problema de saúde), consumo de certos medicamentos (anticoncepcionais e antidepressivos são alguns), estresse, tabagismo, sono ruim e algumas doenças (as da tireoide, autoimunes, anemia, diabetes e síndrome do ovário policístico são as mais associadas ao problema).

O que também pode fazer as madeixas caírem são as patologias do couro cabeludo (como dermatite seborreica e foliculite) e os hábitos na hora de cuidar do cabelo -- exagero no uso de secador e chapinha, excesso de procedimentos que utilizam química (como alisamento e tintura) e alongamento de fios ("aplique" ou "megahair") e dreadlocks são os principais vilões.

A predisposição genética também conta -- é ela que explica a chamada alopecia androgenética, que conhecemos por calvície --, e até mudanças de estação podem resultar em queda de fios em algumas pessoas.


Injeção de extrato feito com gordura do paciente é proibida nos EUA

Uma decisão judicial deste mês que determina a interrupção de tratamentos questionáveis com células-tronco em uma clínica na Flórida é amplamente vista como um aviso para uma indústria em crescimento, que atraiu um grande número de pacientes pagando milhares de dólares por procedimentos não comprovados e arriscados.

Mas, com pouca fiscalização regulamentar nas centenas de clínicas que operam essas empresas lucrativas pelos EUA, é muito cedo para dizer até que ponto ela pode impactar.

 A decisão, de um tribunal federal deu poderes à Administração de Alimentos e Drogas (FDA) de proibir a U.S. Stem Cell, uma clínica privada em Sunrise, na Flórida, de injetar nos pacientes um extrato feito de sua própria gordura abdominal.

A clínica havia afirmado que o extrato continha células-tronco com poderes curativos e regenerativos, que poderiam tratar uma série de doenças e lesões, desde problemas nas costas até o mal de Parkinson, artrite e doenças cardíacas e pulmonares.

Mas os peritos médicos dizem que não há nenhuma prova de que esses tratamentos funcionem, e três pacientes, cada um deles pagando US$ 5 mil pelo tratamento na U.S. Stem Cell em 2015, ficaram cegos depois que os extratos de gordura foram injetados em seus olhos para tratar a degeneração macular.

Ao aceitar o pedido de uma liminar contra a clínica feito pela FDA, a juíza Ursula Ungaro concordou com a agência em que a extração de células-tronco da gordura requer tanto processamento que o resultado acaba sendo um medicamento. Essa alteração coloca tais tratamentos sob a jurisdição da FDA, que tem autoridade para regular drogas.

"Há uma probabilidade razoável de que os réus continuem a violar a Lei de Alimentos, Drogas e Cosméticos", a legislação federal que dá à FDA sua autoridade reguladora, escreveu Ungaro. Ela também observou que, quando a agência advertiu a U.S. Stem Cell sobre práticas inseguras, a resposta da empresa não foi a correção dos problemas, mas o uso do argumento de não estar sujeita à regulamentação da FDA.

Melissa Shuffield, porta-voz da U.S. Stem Cell, disse que a empresa vai decidir se recorrerá da decisão uma vez que a liminar formal seja emitida. A empresa concordou em parar de realizar o procedimento.

Embora a decisão do tribunal seja válida apenas no distrito onde foi emitida, ela pode influenciar os juízes em outras áreas com casos semelhantes. Cerca de 500 clínicas contam com procedimentos similares envolvendo gordura, estimam os especialistas. Mas ainda não está claro, nesta fase inicial, se as empresas vão acatar o aviso legal.

"Tenho a sensação de que muita gente vai ficar assustada com isso", disse Paul Knoepfler, pesquisador de células-tronco da Universidade da Califórnia, em Davis.

"Alguns médicos se preocupam com a FDA, mas é surpreendente como muitos não o fazem. Eles vão em frente, a menos que estejam diretamente envolvidos com algum tipo de ação. Mas acredito que uma decisão de uma juíza distrital federal pode ter um significado maior do que apenas um aviso vago da FDA."

Embora considere a decisão um passo positivo, Knoepfler disse: "Acho uma vergonha que tenha demorado tanto tempo para chegar a esse ponto. Pessoas foram prejudicadas nesse meio-tempo."

Ele disse que o dr. Scott Gottlieb, ex-chefe da FDA, merecia grande parte do crédito por fazer a agência tentar controlar os tratamentos com células-tronco.

Algumas clínicas podem continuar a fornecê-los, esperando que a FDA não inicie uma repressão mais ampla, enquanto outras podem levar suas operações para o exterior ou adotar outras injeções não comprovadas com células-tronco, derivadas de medula óssea, do sangue do cordão umbilical ou de tecidos de recém-nascidos, como a placenta ou membranas amnióticas.

A indústria cresceu tão rapidamente que a FDA não foi capaz de acompanhar. Sem os recursos para verificar todas as clínicas e empresas, a agência adotou o que chama de uma abordagem "baseada no risco", indo atrás daquelas que prejudicaram os pacientes ou que comprovadamente usaram procedimentos arriscados ou talvez prejudiciais.

Mas essa estratégia significa que, em alguns dos piores casos, a agência só agiu depois que as pessoas foram prejudicadas.

"Há muitos casos de empresas que fazem afirmações infundadas sobre o potencial preventivo e curativo do tratamento com células-tronco, e por isso estamos empenhados em tomar medidas e proteger os pacientes", escreveu em um e-mail a porta-voz da FDA, Stephanie Caccomo.

Mas em 2017 a agência deu às empresas de células-tronco um período de carência de três anos, ao longo do qual basicamente fez vista grossa e esperou que elas perguntassem quais regras se aplicavam a elas e o que precisariam fazer para se adaptar. O período termina em novembro de 2020, mas poucas responderam.

Embora autoridades da FDA tenham alertado que, uma vez que o prazo se esgote, haverá o controle da agência, muitas "ações de execução" passadas consistiram em cartas de advertência praticamente inofensivas.

Leigh Turner, professor associado do centro de Bioética da Universidade de Minnesota, considerou a decisão do tribunal "significativa". Mas acrescentou: "Isso não vai fazer com que centenas de empresas desapareçam automaticamente. Algumas vão perceber que não estão dispostas a enfrentar a FDA, e outras podem continuar com os procedimentos baseados na gordura, e dizer: 'A FDA terá de nos confrontar uma por uma'", disse ele.

Em um estudo recente, Turner encontrou 716 clínicas de células-tronco nos Estados Unidos, um número que supõe ser maior. Provavelmente, o total real é de mais de mil, estimou, e um pouco mais da metade está vendendo injeções derivadas de gordura, como as dadas pela U.S. Stem Cell.

A próxima fonte mais popular de células-tronco é a medula óssea, que também não tem a aprovação da FDA, exceto quando é usada para tratar o câncer ou certas doenças genéticas.

Ele acredita que algumas clínicas poderiam mudar da gordura para a medula ou para outras substâncias que alegam ter células-tronco: sangue do cordão umbilical, o próprio cordão ou extratos das membranas amnióticas ou da placenta. Tais tratamentos também não são comprovados nem aprovados pela FDA (embora o sangue do cordão umbilical seja aprovado para tratar a leucemia).

Os produtos dos tecidos do recém-nascido são os favoritos de algumas clínicas, porque podem apenas ser comprados e injetados, e não exigem procedimentos nem equipamento para coletar sangue, gordura ou medula óssea dos pacientes.

Alguns desses tratamentos causaram danos reais. Em dezembro, 12 pessoas foram internadas com graves infecções no sangue, nas articulações ou na coluna após receberem injeções com sangue de cordões umbilicais cheio de bactérias. O produto foi feito pela Genentech e distribuído pela Liveyon, ambas da Califórnia.

A U.S. Stem Cell, na Flórida, já oferece tratamentos feitos a partir de tecidos de recém-nascidos e da medula óssea, e disse que planeja continuar fazendo isso, mesmo tendo afirmado que vai obedecer à ordem judicial e parar de usar extratos de gordura.

Em teoria, disse Turner, a FDA e os tribunais podem aplicar o mesmo raciocínio usado nos tratamentos derivados de gordura para alguns outros produtos de células-tronco: a quantidade de processamento necessário pode transformar o produto final em uma droga, sujeitando-o à supervisão e às regras da FDA.

Especialistas em pulmão dizem estar especialmente preocupados com o agressivo marketing on-line de células-tronco para pessoas com fibrose pulmonar, uma doença mortal de difícil tratamento. Uma fundação dedicada à doença advertiu os pacientes de que "os tratamentos experimentais fornecidos por centros comerciais de células-tronco não regulamentados têm o potencial de causar grande dano aos indivíduos que enfrentam essa doença grave".

Há ensaios clínicos legítimos de células-tronco para doenças pulmonares, mas não nas clínicas com fins lucrativos, disse a fundação.

A dra. Sonye K. Danoff, pneumologista do Johns Hopkins Medicine, disse que viu dois pacientes há vários anos com doença pulmonar grave que haviam sido atraídos para clínicas na Flórida. Seu sangue foi tirado, então "aconteceu o hocus-pocus", disse ela, e o sangue foi injetado de volta.

Não houve nenhum efeito aparente, e ambos os pacientes, que pagaram entre US $15 mil e US$ 20 mil pelo tratamento, acabaram achando que foram lesados. Os dois acabaram morrendo da doença pulmonar.

"Elas visam pessoas que estão desesperadas. Ontem, na clínica, um paciente disse: 'Ei, vi um anúncio desse lugar, eles têm esse tratamento celular que pode curar.' Essa é uma prática incrivelmente enganosa", disse Danoff.

Knoepfler e Turner sugeriram que a sentença judicial poderia fazer com que algumas empresas de células-tronco abrissem clínicas no exterior. Uma empresa, a Regenexx, montou uma clínica nas Ilhas Cayman depois que perdeu um caso judicial e foi proibida de tratar pacientes com células-tronco da medula óssea, que estavam sendo cultivadas para aumentar seus números. (A FDA considera arriscada a cultura e multiplicação das células no laboratório, porque podem gerar mutações e até mesmo células cancerosas.)

Uma empresa do Texas, a Celltex, que usa gordura e cultura de células, levou seus tratamentos para o México após ter recebido avisos da FDA. Ela ainda faz os extratos de gordura no Texas, mas os pacientes devem ir a Cancún para o tratamento.

O Dr. Aaron S. Kesselheim, professor de medicina em Harvard, que também dá aulas na Escola de Direito de Yale, disse: "É um bom sinal que a FDA tenha convencido a juíza de que esse procedimento passa dos limites. Também é bom porque há riscos substanciais associados a ele."

A decisão também deve colocar outras clínicas de sobreaviso, afirmou ele. Mas acrescentou que a FDA precisa de mais recursos para perseguir outros casos, porque as clínicas atuam com pouca supervisão.

Patricia Zettler, especialista em regras da FDA e professora assistente da Faculdade de Direito Moritz, da Universidade Estadual de Ohio, chamou a decisão judicial de "uma vitória preliminar, mas importante, para a FDA e para a saúde pública".

Ela foi boa para outro caso, observou, em que a agência busca uma liminar contra outra clínica de células-tronco, a Cell Surgical Network, em Beverly Hills e Rancho Mirage, na Califórnia, com dúzias de afiliadas por todo o país. Um paciente da Flórida ficou cego depois que uma dessas afiliadas injetou um extrato de gordura em seus olhos.

Mas, em um e-mail, um dos fundadores da rede, o dr. Mark Berman, disse que a U.S. Stem Cell não deveria ter perdido o caso, e acrescentou: "Isso não vai acontecer com a gente." Ele disse que seus tratamentos à base de gordura usam partes do corpo do próprio paciente e não drogas, e não devem ser regulamentados pela FDA.

Michael Werner, cofundador e conselheiro de políticas da Aliança para a Medicina Regenerativa, um grupo de defesa de pacientes e empresas envolvidos em terapia genética e celular e em engenharia de tecidos, disse que a decisão da juíza de encerrar os tratamentos da U.S. Stem Cell foi "um acontecimento realmente encorajador".

A equipe da clínica, disse ele, "está manipulando e processando células humanas e administrando-as a uma pessoa, e faz isso sem um ensaio clínico, sem a aprovação do produto. Também garante a eficácia desse tratamento, que não está comprovada".

"Assim, o que a FDA disse é: 'Você não pode fazer isso'", concluiu Werner.


Pesquisa estuda relação entre tempo em frente a telas e síndrome metabólica

Uma pesquisa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) mostrou que adolescentes entre 12 a 17 anos passam 3 horas por dia, em média, em frente a telas de computador, tablet, televisão, videogames e celular. A partir daí, os pesquisadores bolsistas da Capes estudaram uma relação entre este tempo sedentário e o desenvolvimento de síndrome metabólica.

"O nosso foco, no caso, para esse estudo, é síndrome metabólica, que é uma constelação de fatores de risco que envolvem obesidade abdominal, questões relacionadas a diabetes, colesterol, pressão arterial elevada", disse à Agência Brasil o pesquisador Felipe Cureau, autor do estudo junto com a fisioterapeuta Camila Schaan. Ambos têm doutorado em endocrinologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A primeira parte desse trabalho foi concluída e publicado recentemente no periódico holandês International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity.

O trabalho faz parte do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica) e utilizou dados de 36 mil adolescentes de todo o país, na faixa etária de 12 a 17 anos, durante 2013 e 2014. Apurou-se então que o tempo médio em frente a telas foi de 3 horas diárias. Felipe Cureau destacou, contudo, que foi percebida variação entre os entrevistados, desde jovens que preferiam não ficar diante de telas até adolescentes que passavam mais de 7 horas diante do computador ou celular.

Alimentação

A análise entre o tempo sedentário e o desenvolvimento de síndrome metabólica mostra que o comportamento alimentar que esses adolescentes tinham enquanto estavam no computador é muito importante, indicou Cureau. "Quanto maior o tempo em frente à tela, maior o risco para síndrome metabólica". Ao todo, 2,6% dos jovens consultados apresentaram síndrome metabólica.

O pesquisador ressaltou que quando se avalia o que os jovens comem durante o tempo em frente a telas, o que se constata é que, mesmo aqueles que ficam mais tempo, se não comerem nenhum tipo de petisco ou guloseima, eles acabam eliminando esse risco associado ao tempo de tela.

Segundo Felipe Coureau, à medida em que a pessoa fica mais tempo diante da tela, ela está mais exposta a propagandas e ao merchandising de alimentos ultraprocessados, como hambúrguer e petiscos em geral, e acaba ficando mais suscetível, em algum momento, a começar a consumir esse tipo de alimento.

"As duas coisas, para nós, parecem que estão bastante interligadas. É muito difícil que elas (pessoas) fiquem tanto tempo frente à tela e não comam nada", indicou o pesquisador. "Comportamentos não saudáveis, e não simplesmente o fato de estar sentado, se associam com fatores de risco para doença cardiovascular em adolescentes", reforçou Camila Schaan.

De acordo com Felipe Coureau, ao mesmo tempo que se deve evitar esse tipo de alimentação em frente à tela, é preciso limitar o tempo de tela para que essa exposição não propicie alimentação. Há alguns anos, Felipe Coureau estuda a questão da saúde dos adolescentes, especialmente comportamentos desses jovens e como eles se relacionam com problemas de saúde.

Disse que até pouco tempo, os problemas eram observados apenas na população adulta mas, hoje, são muito frequentes entre os adolescentes. Entre eles, destacou obesidade, diabetes, hipertensão.

Tempo sedentário

Dentro do contexto de atividade física, passou-se a estudar o chamado tempo sedentário, em que as pessoas ficam vendo televisão, lendo, às vezes estudando. "E dentro da questão do tempo sedentário, surgiu a pesquisa", disse Coureau.

Como o sedentarismo pode resultar em uma morbidade ou distúrbio, os pesquisadores bolsistas da Capes dedicaram-se ao estudo sobre os adolescentes diante de telas com o objetivo de prevenir. "A ideia de estudar os adolescentes é para que a gente possa identificar de forma precoce e tentar prevenir uma doença, ou algum outro problema, antes que se espalhe em definitivo".

Os resultados do estudo servem também como alerta aos pais. "A participação dos pais é fundamental, principalmente no que diz respeito à alimentação porque, normalmente, são eles os responsáveis pela alimentação dos filhos".

Desdobramento

O estudo desenvolvido por Felipe Cureau e Camila Schaan já está tendo desdobramento. Eles começaram no ano passado a coletar dados de alguns dos adolescentes, como um estudo de corte, para ver se as questões abordadas na primeira coleta tiveram repercussão na vida dos jovens cinco anos depois, na fase em que eles estão na transição da adolescência para a idade adulta.

Essa segunda etapa do trabalho está sendo realizada em quatro capitais (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza) por pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará, da UnB (Universidade de Brasília) e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, além de outras instituições.

A previsão é concluir essa segunda fase do estudo ainda este ano, prevendo-se a divulgação dos resultados ao longo de 2021. Quando essa pesquisa for encerrada, Felipe Coureau e Camila Schaan pretendem verificar se o que viram no momento anterior permanece, se isso gera uma gravidade maior ou se não tem grande influência ao longo da vida dos adolescentes entrevistados. "O acompanhamento te dá um melhor olhar", disse Camila.

Os dois bolsistas da Capes querem, com o estudo, estimular os adolescentes brasileiros a terem uma vida mais saudável, com a realização de atividades físicas, e a fazerem melhores escolhas alimentares, evitando alimentos ultraprocessados e industrializados, a buscarem alimentação mais saudável no contexto familiar. "Isso é o que a gente sempre tenta passar como mensagem principal".

A primeira etapa do estudo teve financiamento da Capes, do Ministério da Saúde e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), além de financiamentos locais e das universidades que estão sediando o estudo agora.

Políticas públicas

Camila Schaan afirmou que a meta é terminar o estudo e divulgar os resultados para a população. Ao mesmo tempo, ela espera que as conclusões possam ajudar o Ministério da Saúde na formulação de políticas públicas eficientes para esse segmento da sociedade, que sejam implementadas nas várias regiões brasileiras.


Exagerou na festa? Boldo pode ajudar na ressaca e melhorar a digestão

Chegou a temporada oficial de happy hours, festas de amigo secreto e reuniões de fim de ano. Em geral, essas comemorações são repletas de petiscos e frituras, acompanhadas de drinques alcoólicos variados. Quem nunca exagerou numa festança e ficou mal no dia seguinte, com enjoo, dor de cabeça e mal-estar geral, sintomas típicos da famosa ressaca? Pois aquele chazinho que a vovó recomendava para curar tais males pode, de fato, ajudar. O boldo é uma dessas ervas mais comuns popularmente para "curar ressaca", assim como a carqueja. E, de fato, a ciência tem se empenhado em comprovar tais benefícios do boldo, de modo a usá-los em tratamentos auxiliares para distúrbios digestivos e hepáticos.

De sabor amargo e aroma intenso, bem herbal, o boldo possui elementos que ajudam na digestão, favorecem o bom funcionamento do fígado e, dessa forma, contribuem para ajudar a combater os sintomas da ressaca, pois ajudam o corpo a funcionar melhor e a se desintoxicar. É claro que, como tudo, é preciso moderação. Não adianta enfiar o pé na jaca e achar que uma xícara de chá de boldo vai curar tudo (ainda mais que, numa ressaca brava, muitas pessoas não toleram o sabor amargo do boldo).

Mas, se você é adepto dos auxílios caseiros para combater males corriqueiros, como a ressaca ou uma simples má digestão, o boldo está do seu lado. Existem vários tipos dessa planta e, muitas vezes, os nomes populares se confundem, dando o mesmo apelido para espécies diferentes, ainda que com propriedades similares. O mais conhecido é o boldo-do-chile (gênero Peumus), de folhas menores, com um sabor ainda amargo, mas um pouco mais delicado que aquele conhecido como "tapete-de-oxalá", "boldo brasileiro" ou "falso-boldo" (gênero Plectranthus), este bem comum nos jardins e arbustos de rua, com folhas maiores e aveludadas. Ambos apresentam propriedades digestivas e favoráveis ao estômago e ao fígado e possuem substâncias conhecidas como alcaloides, como a boldina, aos quais são atribuídas diversas propriedades, como antioxidante, hepatoprotetora e até antibiótica.

Em geral, as infusões de boldo favorecem também a vesícula biliar, têm leve efeito diurético (ou seja, ajudam a desinchar) e também diminuem sintomas de azia, ajudando a complementar os tratamentos para quem sofre de gastrite. No caso de quem bebeu demais, o boldo ajuda a proteger as células do fígado, fazendo-o funcionar melhor e, assim, eliminar os resíduos tóxicos deixados pelo consumo excessivo de álcool.

Boldo: como usar

Como pode ser complicado sair por aí colhendo boldo na rua, vale apostar nas folhas secas comercializadas nos supermercados, em sachês ou a granel. O modo de aplicação mais comum é fazer uma infusão com as folhas, mas há quem faça extratos alcoólicos que podem ser diluídos em água, como as populares "garrafadas", em mistura com outras ervas. Se tiver acesso ao boldo fresco, lave muito bem as folhas e macere-as com água quente (mas, dessa forma, o resultado fica ainda mais amargo, e algumas pessoas não toleram o sabor).

Prefiro deixar algumas folhas frescas no fundo da xícara e derramar água fervendo sobre elas. Mantenho-as em infusão, cobrindo a xícara com um pires, por 10 minutos. Depois disso, é só coar e beber, de preferência sem adoçar. Se tiver a erva seca, use uma colher (de chá) para cada xícara de água, deixando-a em infusão pelo mesmo tempo. Vá tomando a bebida aos poucos, mas não é necessário exagerar, bastam uma ou duas xícaras.

Porém, vale observar que alguns estudos apontam que o boldo pode ter propriedades abortivas. Por isso, se estiver grávida, vale evitar essa infusão (não por causa da ressaca, já que as gestantes devem evitar o álcool, mas por conta de eventuais enjoos e náuseas) e conversar com seu médico ou nutricionista sobre outras infusões de ervas liberadas para esse momento da vida.

Além disso, se você apresentar algum problema hepático grave ou qualquer outro distúrbio importante de saúde, sempre deve consultar um profissional em que confie antes de lançar mão de soluções caseiras. Para indivíduos saudáveis, que apenas exageraram um pouco na festa, a infusão de boldo pode ajudar o organismo a se livrar dos sintomas desagradáveis da ressaca mais rapidamente. Alimentar-se bem e tomar muita água pura também ajuda o corpo a se desintoxicar e voltar ao funcionamento normal. E, mais importante que tudo, praticar a moderação todos os dias ajuda a manter a saúde sempre em dia.


Crianças com febre: saiba quando recorrer a remédios

Sempre que os pequenos têm febre, os adultos se desesperam. Basta o termômetro indicar mais de 37 °C que começa a correria para encontrar um remédio antes mesmo de averiguar o estado de saúde da criança. A questão é: o uso de medicamento, nessas horas, pode ter consequências negativas.

Tanto é que a revista científica de pediatria do mundo, a americana Pediatrics, lançou um alerta recente sobre o uso indiscriminado de antitérmicos. No artigo, assinado por especialistas da Academia Americana de Pediatria, os médicos recomendam que não se recorra a esse tipo de remédio com o objetivo exclusivo de reduzir a temperatura corporal de meninos e meninas. “Só que, infelizmente, muitos pais têm um medo exagerado e irracional da febre”, lamenta o pediatra Jayme Murahovschi. É aí que mora o perigo.

Isso porque a automedicação é sempre arriscada. “Os antitérmicos não atuam sobre a doença que desencadeou a subida da temperatura, só diminuem a febre”, lembra a infectologista e pediatra Cristina Rodrigues da Cruz. “A preocupação, quando há febre, deve ser com o diagnóstico do que a causou, feito por um pediatra.” Além disso, o calor corporal – desde que não passe de um limite tolerável – até costuma dar uma mão para exterminar o que por ventura está por trás de toda a encrenca.

“A febre de até 38,6 °C otimiza o sistema imunológico”, confirma a pediatra Joelma Gonçalves Martin. “Ou seja, ficar um pouco mais quente do que o normal ajuda a criança a se defender, porque a produção de anticorpos protetores aumenta, recrutam-se algumas células de defesa de maneira mais rápida e inibe-se a multiplicação de diversos micro-organismos”, explica.

Se a febre, a princípio, não faz mal, quando será que os antitérmicos são mesmo necessários? “No geral, quando aumentam o conforto da criança no alívio de sintomas como tremores, mal-estar e aceleração dos batimentos cardíacos”, diz o infectologista Milton Lapchik. Isso significa que se seu filho está quente, mas continua correndo pela casa, não é preciso medicá-lo. As exceções são garotos com problemas cardíacos ou pulmonares, além daqueles que têm suscetibilidade a crises convulsivas desencadeadas por febre.

Em todos os casos, entretanto, quem deve decidir se é hora de apelar para as gotinhas é o médico – e não os próprios pais. “Nos menores de 3 anos, cujo sistema imune é um pouco mais imaturo, a preocupação precisa ser maior”, ressalta Joelma. “Assim, bebês com temperatura alta, independentemente do estado geral, crianças com febre baixa, mas com outros sintomas, e as que permanecem febris por dias seguidos necessitam de atendimento médico.” Nos recém-nascidos, qualquer febre deve ser comunicada imediatamente ao pediatra.

Mas nenhum pai ou mãe deveria se desesperar nessas horas. Talvez esse seja o recado mais importante do artigo americano. Em mais de 60% dos casos, a elevação da temperatura é apenas uma das respostas do organismo à presença de algum micro-organismo estranho – e logo, logo esse calorão todo passa.

E em crianças pequenas o termômetro pode marcar temperaturas bem mais altas do que esse calor. É uma reação natural de um organismo que está aprendendo a se defender. Ou seja, o calorão muitas vezes não reflete nada grave. Por isso, não se preocupe tanto.

Entre 37,2 e 37,8 ºC – Estado Febril

Nem sempre uma temperatura pouco acima de 37ºC indica que a febre está a caminho. Mas quando o estado febril se manifesta, a recomendação é deixar um termômetro por perto para verificar se o corpo do pequeno não irá esquentar demais.

Até 37,2 ºC – Normal

As pessoas têm organismos diferentes e a temperatura pode variar de indivíduo para indivíduo. Mas até cerca de 37,2ºC tudo está absolutamente normal.

Receitas caseiras

Algumas delas funcionam pra valer, sem efeitos colaterais

Lenços úmidos: as nossas avós já sabiam que colocar panos molhados com água na testa dos pequenos dá uma ajuda e tanto. “As compressas devem ser mornas e podem ser utilizadas desde que proporcionem conforto à criança”, lembra a infectologista e pediatra Cristina Rodrigues da Cruz. O corpo perde calor com o contato do tecido úmido em temperatura menor que a dele.

Muito líquido: durante a febre, é comum haver desidratação. Por isso, todo tipo de suco, chá ou mesmo um copo de leite ou água são muito bem-vindos para manter o corpo funcionando até o fogo passar.

Roupas leves: fuja à tentação de cobrir seu filho com um cobertor para evitar que ele fique tremendo. Para ajudar o organismo a regular a temperatura, o ideal é o contrário: tire o excesso de roupas.

Banhos mornos: a água deve estar morna, em torno de 36 ºC – e pode parecer gelada para a criança que está pelando de febre. Por isso, nada de obrigá-la a entrar na banheira ou no chuveiro. A estratégia é eficiente, desde que não faça o pequeno berrar de desconforto. Afinal, a ideia é aliviá-lo de qualquer mal-estar, certo?