Preconceito contra o envelhecimento pode ser uma ameaça real à saúde

Aconteceu há aproximadamente um ano. Quando saí do metrô me deparei com uma propaganda de um serviço de entrega de comida na parede da estação, em que se lia: "Para quando você quiser comer um bolo inteiro por estar completando 30 anos, que basicamente são 50, o que praticamente significa que você está morto."

Depois que muita gente protestou contra o anúncio nas redes sociais, a empresa se desculpou por aquilo que chamou de humor, mas que eu chamaria de discriminação com base na idade (ou idadismo).

Talvez você se lembre de outra campanha na mídia, esta do segundo semestre do ano passado, cujo propósito era incentivar a participação de jovens nas eleições americanas de meio de mandato. Em busca desse objetivo tão louvável, marqueteiros recorreram a todos os estereótipos negativos relacionados a pessoas mais velhas - a saber: egoístas, confusas e despreocupadas com o futuro - para assustar os mais novos e fazê-los votar. A revista "Adweek" qualificou a campanha como "comicamente selvagem". Eu deletaria o "comicamente".

Tais agressões ficam menores quando comparadas às formas que esse tipo de preconceito costuma assumir: discriminação generalizada no mercado de trabalho, sistema de saúde injusto, piadas na mídia ou invisibilidade. Quando internalizada, essa visão preconceituosa pode levar à deterioração da saúde mental e física de idosos.

"É um problema incrivelmente difundido e sorrateiro", afirmou Alana Officer, à frente da campanha global contra o idadismo organizada pela Organização Mundial da Saúde, que define o fenômeno como "estereótipo, preconceito e discriminação" com base na idade. "Não afeta apenas indivíduos, mas como pensamos nossas políticas."

Como primeiro passo da campanha, anunciada em 2016, a OMS investiu 500.000 dólares (quase dois milhões de reais) em pesquisa. Quatro equipes ao redor do mundo estão coletando e avaliando as evidências disponíveis acerca do problema - suas causas e consequências para a saúde, como combatê-lo e a melhor maneira de mensurá-lo. O trabalho deles será publicado em um relatório da ONU a ser publicado dentro de um ano. E os organizadores esperam que cause uma mobilização internacional.

Um dos grupos de pesquisa, da Universidade Cornell, finalizou o trabalho e está prestes a publicar o estudo no periódico científico "American Journal of Public Health", trazendo, surpreendentemente, ótimas notícias.

A equipe passou um ano e meio examinando de forma meticulosa dezenas de artigos, publicados desde os anos 70 até 2018, e avaliando programas de combate ao idadismo, que se alastraram pelo país após o psiquiatra e gerontólogo Robert Butler ter cunhado o termo "ageism" (em português, idadismo) em 1969.

Contudo, Karl Pillemer, gerontólogo que lidera a autoria do estudo, levantou os seguintes questionamentos: "Mas eles são bons? As intervenções que pretendem mudar atitudes preconceituosas em relação à idade realmente funcionam?"

Os pesquisadores analisaram 64 estudos, a maioria conduzida nos Estados Unidos, envolvendo 6.124 participantes, desde crianças em idade pré-escolar até jovens adultos. Eles classificaram cerca de um terço dos programas estudados como intergeracionais, ou seja, criavam contatos entre jovens e idosos que, em teoria, poderiam reduzir o preconceito. O outro terço era educacional, ensinando fatos sobre o envelhecimento como uma maneira de desafiar estereótipos e mitos. O bloco remanescente combinava ambas as abordagens.

David Burnes, um dos autores do estudo e, hoje, gerontólogo da Universidade de Toronto, observou que esses esforços foram de pequeno alcance, sem grandes custos e locais. Entre eles, havia:

  • Um programa em que alunos de psicologia se correspondiam com idosos por e-mail, estreitando o relacionamento ao longo de seis semanas.
  • Um projeto de jardinagem que levou alunos do quarto ano do ensino fundamental para visitar um centro de assistência social para idosos no Tennessee duas vezes por semana durante um mês.
  • Um programa de quatro sessões realizado em uma escola de ensino médio na Austrália que promovia discussões, brincadeiras e jogos narrativos sobre envelhecimento e desenvolvimento do adulto.

De modo quase unânime, depois dessas intervenções, os participantes demonstraram significativamente menos comportamentos discriminatórios nos testes de atitude e mais conhecimento sobre envelhecimento em comparação aos grupos que não participaram. A abordagem educacional e intergeracional combinada foi a que se mostrou mais eficaz.

"A mensagem está clara. Atitudes preconceituosas contra a idade não parecem estar tão enraizadas como pensamos. Elas podem ser relativamente maleáveis", declarou Pillemer.

O tema é importante porque esse tipo de preconceito não está nem perto de ser benigno. "Esses estereótipos podem impactar diretamente a saúde e o comportamento de uma pessoa mais velha", esclareceu Becca Levy, psicóloga social da Escola de Saúde Pública da Universidade Yale e líder da revisão dos estudos sobre as consequências para a saúde patrocinada pela OMS.

A pesquisa que o grupo dela está revisando vai incluir um importante trabalho de sua própria autoria sobre o idadismo, conduzido durante 20 anos. Segundo demonstrado por Levy, pessoas mais velhas que enxergam o envelhecimento como positivo têm mais chances de se recuperar de alguma situação de doença do que aquelas que acreditam nos estereótipos negativos da velhice. Além disso, as do primeiro grupo estão mais propensas a comer bem e praticar exercícios, apresentam menos quadros depressivos e de ansiedade e vivem mais.

Recentemente, Levy e seus pares vêm investigando a relação entre idadismo e cognição.

"Os clichês negativos aumentam o risco de os idosos desenvolverem demência", afirmou ela. Esses indivíduos têm maior acúmulo de placas neuríticas e emaranhados neurofibrilares no cérebro, os biomarcadores da doença de Alzheimer e um hipocampo menor", a parte do cérebro associada à memória.

Isso não é brincadeira. Mesmo assim, "a aceitação social desse tipo de preconceito é grande", constatou Levy, destacando a televisão, as redes sociais e as interações cotidianas. Apesar de estudos terem concluído que crianças com três ou quatro anos já podem ter ideias discriminatórias de idade, agora "temos pesquisas que mostram ser possível superá-las".

Algumas questões essenciais seguem sem resposta. As pesquisas analisadas pelo grupo da Cornell acompanharam os participantes durante uma média de 15 semanas, por isso não sabemos qual a duração dos efeitos positivos de tais interações. Também não há dados suficientes sobre como mudar o idadismo internalizado da própria pessoa idosa.

Também não sabemos se e como as atitudes positivas se traduzem em ações. Cidadãos menos preconceituosos vão apoiar a aplicação de leis mais severas contra a discriminação de idade no ambiente de trabalho? Ou lutar contra os cortes de gastos negligentes no sistema de saúde e de previdência social?

No entanto, vendo como até mesmo as intervenções de curto prazo conseguiram mover o pêndulo comportamental, sinto-me estimulada a prosseguir com minha campanha pessoal antidiscriminatória. (A autora e ativista Ashton Applewhite montou uma organização on-line muito útil para a divulgação de informações, chamada Old School.)

Não é sempre fácil encontrar o equilíbrio entre ignorar mensagens ofensivas e repreender atitudes prejudiciais, mas as pessoas podem se manifestar sobre as generalizações preconceituosas relacionadas à idade.

Podemos tecer argumentos sobre os méritos de um ou outro político sem rejeitar candidatos simplesmente por serem velhos demais (ou jovens demais). Podemos valorizar e parabenizar quem não tem medo de mostrar a cara e a cor do cabelo verdadeiras (ao mesmo tempo que reconhece que, sim, o mercado de trabalho às vezes prega o oposto). Podemos protestar, de maneira gentil, mesmo quando amigos e familiares que amamos sucumbem ao pensamento estereotipado.

Há alguns meses, durante o momento de relaxamento na minha aula de exercícios matinais, a instrutora pediu que nós - ao som de uma música idílica - nos imaginássemos navegando pelo Sena em uma noite romântica. Imagine a lua, entoou. Imagine que você tem 30 anos.

Bem. Ela quis fazer uma brincadeira. Mas todos os alunos daquela aula tinham no mínimo duas décadas de vida a mais (inclusive ela) e ainda eram capazes de curtir uma noite de luar em Paris.

Um debate resultou daquilo. Argumento apresentado. Argumento compreendido.


Corrida emagrece, faz bem à saúde, combate a TPM e fortalece os ossos

A corrida é um exercício simples, que pode ser praticado a qualquer hora e em qualquer lugar, basta ter um bom par de tênis e disposição. Além de ajudar a perder peso, definir pernas, bumbum e barriga, é uma atividade que tem muitos outros benefícios para a saúde da mulher. "Pode ser um importante aliado na diminuição do estresse e dos sintomas da TPM", afirma o nutricionista doutor em fisiologia Ricardo Zanuto.

Confira nove benefícios da corrida:

Emagrece

Correr 30 minutos a 80% da frequência cardíaca máxima promove um gasto energético em torno de 600 kcal. Isso ocorre porque a corrida movimenta grandes grupos musculares. Quanto mais tempo durar a corrida, maior vai ser a liberação de hormônios como glucagon, adrenalina e o cortisol, que age para o corpo utilizar a gordura como fonte de energia. São eles que promoverão grandes gastos energéticos por até duas horas depois.

Define

A corrida diminui e controla a porcentagem de gordura corporal, reduz a flacidez e melhora o tonos muscular. Consequentemente, irá diminuir a gorduras em regiões específicas da mulher, como culotes, bumbum e coxas, tornando os músculos dessas regiões mais aparentes e definidos.

Melhora o sono

Atualmente os exercícios físicos são reconhecidos pela American Sleep Disorders Association como uma intervenção não farmacológica para a melhora da qualidade do sono. Segundo estudos, um dos fatores poderia ser a redução do tempo de latência entre o ciclo sono-vigília.

Fortalece o coração

O exercício físico é muito utilizado como uma importante estratégia para controle do nível de lipídios no organismo e redução de riscos de doenças cardiovasculares, por aumentar a aptidão cardiorrespiratória.

Melhora o humor

A corrida aumenta os níveis de um neurotransmissor chamado dopamina, que dá sensação de prazer. Também aumenta os níveis de serotonina no cérebro, provocando bem-estar. Por isso, pode ser considerada uma importante aliada na diminuição do estresse e dos sintomas da TPM.

Acelera o metabolismo

A produção e secreção de hormônios tireoidianos (T3 e T4), responsáveis por controlar o metabolismo energético, aumenta com a corrida, o que a torna extremamente benéfica para quem busca o controle do metabolismo e o aumento da eficiência do gasto energético.

Deixa os ossos mais fortes

O impacto do corpo no solo aumenta a resistência dos ossos. É importante, entretanto, tomar cuidado com o calçado que é utilizado e com a forma da passada. Busque sempre orientação para não prejudicar as articulações.

Trabalha a consciência corporal

A corrida exige foco e concentração, estimulando o raciocínio e a memória. Mas assim como em outras práticas esportivas, há também a busca pela superação, por isso é importante estar atento aos sinais que o corpo dá.

Combate doenças

Estudos têm mostrado que a corrida aumenta a sinalização de uma proteína no cérebro denominada de BNDF, que eleva o número de neurônios no hipocampo - região da memória. Além disso, melhora a obstrução de vasos sanguíneos e a captação da glicose, principal açúcar utilizado pelo organismo, o que diminui os riscos de diabetes.


Sem passar fome: veja 9 alimentos que colaboram com a saciedade

Para matar a fome, a melhor dica, é claro, é comer. Mas, acredite, de nada adianta investir naquele pãozinho com manteiga de manhã. Apesar de ele saciar você na hora, em pouco tempo a fome voltará. Isso porque massas brancas, como o pão, liberam uma alta dose de glicose de uma vez no sangue, mas são absorvidos rapidamente, saciando por míseras horas.

É por esse motivo que listamos abaixo 10 alimentos para você investir ao longo do dia, para acabar de vez com o ronco constrangedor no estômago. Obviamente, nossa lista contém apenas opções saudáveis. Afinal, não adianta nada matar a fome comendo um pedaço de bacon supergorduroso e aumentar riscos de doenças relacionadas às gorduras saturadas, como as cardiovasculares.

Inclua essas alternativas em sua dieta para forrar o estômago de vez, mas dessa vez com saúde:

  1. Chia

 A chia faz parte do grupo de alimentos ricos em fibras. Essas substâncias não são digeridas pelo corpo humano, fazendo com que o alimento fique mais tempo no estômago e aumentando o trânsito intestinal. Além disso, a chia forma um gel e se expande quando entra em contato com líquidos. Isso é muito benéfico, pois torna mais lenta a absorção da glicose dos alimentos, o que espanta a fome por mais tempo.

  1. Leite e derivados

 Por incrível que pareça, um pedaço de 100 g de queijo sacia mais do que 100 g de carne. Isso porque a carne é rica em proteína, enquanto o alimento derivado do leite é fonte de gordura, que demora mais para ser digerida, e fornece mais carboidratos, ou seja, calorias.

  1. Carnes magras

Acima, lembramos que a gordura demora mais para ser digerida e por esse motivo dá mais saciedade do que a proteína. Pensando assim, claro que carnes gordas como um bife também acabarão com sua fome. O problema é que ele também pode fazer mal, já que aumenta os níveis de colesterol e de doenças. Como vivemos em um período em que o nível de pessoas obesas é alto, o ideal é evitar as carnes gordas e investir nas magras, como peixe e frango. Elas não são tão eficazes para matar a fome como um bife ancho, por exemplo, mas fazem o seu papel em deixar o estômago ocupado por bastante tempo.

  1. Alface e folhas verdes

 Quer coisa melhor do que um alimento que sacia e ainda tem pouca caloria? Bem, todos os que fazem parte do grupo dos vegetais e hortaliças entram nesse quesito. Ricos em fibras, eles demoram para serem absorvidos. É por esse motivo que comer um pratão de alface no almoço pode não ser lá tão saboroso (para algumas pessoas, claro), mas mata a fome que é uma beleza.

  1. Castanha e amêndoa

Além de estarem no grupo das oleaginosas, vegetais que possuem óleos e gorduras (olha ela aqui), a castanha e a amêndoa também são ricas em triptofano. Esse composto estimula neurotransmissores específicos do cérebro relacionados à saciedade. Se já não bastassem esses motivos para matar a fome, essas duas opções ainda são mais difíceis de mastigar, fazendo com que você envie sinais aos poucos ao cérebro para ele se acalmar, já que o corpo está recebendo comida.

  1. Banana

 Conhecida por dar energia, devido à grande quantidade de carboidratos, a banana também ajuda a matar a fome por dois motivos: ela também é rica em fibras e em triptofano, o mesmo composto das castanhas e amêndoas.

  1. Feijões, ervilha, grão de bico

 Os grãos são indispensáveis em uma lista sobre saciedade. Isso porque eles são fonte de fibras e proteínas vegetais, que demoram para ser processadas pelo sistema digestivo.

  1. Cereais integrais

 Já não é novidade dizer que a opção integral é melhor, não é mesmo? De qualquer forma, não custa relembrar que grãos integrais contêm mais fibras, que fazem com que o alimento demore mais para ser digerido.

  1. Linhaça

 Na mesma categoria da chia, a linhaça é uma semente rica em fibras, que desacelera a digestão e, assim, mantém o estômago e o intestino ocupados por mais tempo. Além disso, ela ainda tem gorduras mono e poli-insaturadas, que retardam o esvaziamento gástrico e fazem com que o intestino libere mais colecistocinina, hormônio que regula o apetite. Só não se esqueça de se manter hidratado, já que a água faz com que as fibras não se prendam ao intestino.


Dá para emagrecer sem recorrer a extremismos nutricionais

O sobrepeso e a obesidade são condições que vêm afetando grande parte da população. E esse excesso de gordura corporal acarreta diversas alterações que comprometem o nosso estado de saúde. Na busca pelo emagrecimento, há quem aposte as fichas em dietas milagrosas e restritivas. Mas está comprovado que elas não se sustentam em longo prazo. Por isso, o resultado obtido não é mantido por muito tempo. A solução? Preferir uma reeducação alimentar. E ela pode começar com alguns passos simples e muito importantes. Vamos conhecê-los?

  1. Procure um profissional capacitado

Um nutricionista irá avaliar suas necessidades nutricionais e traçar um plano alimentar adequado para você. Pode parecer clichê, mas esse é o melhor ponto de partida para o emagrecimento.

  1. Estipule metas próprias

Além dos compromissos assumidos com seu nutricionista, trace objetivos com você mesmo para aumentar a adesão e potencializar os resultados. Sabe aquela famosa promessa de entrar em uma roupa que não servia? Faça o teste!

  1. Organize os alimentos em casa e fora de casa

A geladeira e a despensa devem estar sempre muito organizadas, com frutas, legumes e verduras frescos. Para não cair em tentação sempre, evite ter guloseimas e itens ultraprocessados dentro do armário. No restaurante, nada muda: opte por aqueles alimentos que estão dentro do cardápio proposto pelo nutricionista.

  1. Não fique sem comer

Fracionar as refeições em pequenas quantidades ao longo do dia é uma saída para que você não sinta tanta fome entre uma refeição e outra.

  1. Faça exercícios sempre

A prática esportiva é essencial para o emagrecimento saudável e eficaz. Por isso, o hábito não deve ser deixado de lado. Escolha o esporte ou a atividade que mais agrade e faça quantas vezes conseguir na semana.

  1. Durma de 7 a 8 horas por dia

O descanso é fundamental para equilibrar o metabolismo e deve ser primordial na sua rotina. Acredite: a perda de peso depende do reestabelecimento das reações do corpo durante o sono.

Para eliminação de gordura abdominal

Algumas estratégias alimentares merecem destaque quando falamos especificamente em reduzir a gordura nessa região. Veja:

  1. Controle o índice glicêmico da dieta com algumas substituições

Primeiro, é importante entender o que é o índice glicêmico. Bem, trata-se de uma escala de 0 a 100 que classifica os alimentos de acordo com a velocidade com que liberam níveis de açúcar no sangue. Esse processo aumenta a produção de insulina e a liberação de cortisol, o hormônio do estresse, que contribui para o acúmulo de gordura. Por isso, é essencial que façamos algumas substituições, priorizando itens que não causem pico rápido de açúcar na circulação. Alguns exemplos de medidas bem-vindas:

– Aumentar a ingestão de alimentos integrais. Prefira o pão com alto teor de farinha integral, por exemplo – sempre avaliando os rótulos, claro. Esses alimentos têm fibras, que desaceleram a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

– Ingerir hortaliças e legumes nas grandes refeições. Também são redutos de fibras.

– Adicione fontes de fibras (olha elas de novo!), proteínas e gorduras saudáveis em alimentos que possuem o índice glicêmico alto, como tapioca, arroz branco e batata. Sugestão: polvilhe semente de linhaça na tapioca e faça ovos mexidos para o recheio. Outra dica é associar legumes ao arroz branco.

  1. Combine exercícios no dia a dia

Estudos mostram que aliar uma atividade aeróbica a exercícios de resistência é mais eficaz para reduzir gordura abdominal. Na prática, altere dias de corrida e caminhada com treinos de musculação e treinos funcionais.

  1. Invista em especiarias, ervas e frutas vermelhas

Uma coisa que dá para usar sem medo na preparação dos alimentos são especiarias naturais e ervas, como açafrão, pimenta, hortelã, orégano e alecrim. Os compostos bioativos presentes nesses temperos melhoram as reações energéticas do corpo e contribuem para a queima de gordura de forma saudável.

As frutas vermelhas também merecem destaque, visto que fornecem antocianinas, moléculas ativas com alto poder antioxidante e anti-inflamatório. Elas favorecem o equilíbrio celular e a redução do processo inflamatório característico do excesso de gordura no corpo.

Se bater um desânimo no meio do caminho, lembre-se: alcançar o peso adequado e equilibrar os hábitos diários são essenciais não só para aparência física, mas também para promover saúde e prevenir doenças que comprometem a qualidade de vida.


Alimentos integrais ajudam a regular sistema digestório, se consumido sem exagero

Na busca pela alimentação saudável, os alimentos integrais sempre aparecem nas recomendações dos nutricionistas. Por não passarem por nenhum processo de refinamento, eles preservam a maior parte de suas fibras.

Os alimentos integrais são ricos em fibras, vitaminas e minerais, tendo um valor nutricional elevado quando comparado aos alimentos refinados. Garantem o fornecimento de sais minerais importantes para a saúde: selênio, zinco, cobre, ferro, magnésio e fósforo. Portanto, possuem um valor nutricional diferenciado e enriquecido — explica Caroline de Salve, especialista em Nutrição.

Apesar de apresentar bons benefícios, existe um limite para o consumo de alimentos integrais. A recomendação é ingerir, no máximo, 30g diárias de fibras. Mais do que isso, o alimento pode causar prejuízos à saúde.

Comer muita fibra pode retardar a absorção de alguns nutrientes, como o ferro e o cálcio, e ficar com deficiência desses minerais — afirma a nutróloga Cassandra Pauperio.

A especialista também reforça que ingerir água é fundamental para que as fibras promovam um bom funcionamento intestinal. Caso contrário, a pessoa pode ficar com prisão de ventre.

A cada dia, os alimentos integrais estão ganhando mais espaço nas prateleiras dos supermercados. Mas, infelizmente, alguns produtos que se dizem integrais, não o são. Caroline ensina como não ser enganado:

De acordo com as normas da Anvisa, a lista de ingredientes deve vir em ordem decrescente de quantidade, então a farinha integral precisa estar em primeiro lugar.

Benefícios:

Os alimentos com fibras ajudam a emagrecer, previnem doenças, combatem o colesterol, auxiliam na digestão e controlam a absorção do açúcar.

 

 

 


Estudo vê gordura em pulmão de pacientes com doença do cigarro eletrônico

A misteriosa doença pulmonar que vem acometendo usuários de cigarro eletrônico nos Estados Unidos parece estar a mais um passo de ser desvendada. Isso porque médicos da University of Utah Health encontraram, dentro dos pulmões desses pacientes, células imunes chamadas magrófagos com grande quantidade de óleo dentro delas.

A descoberta foi publicada em estudo no New England Journal of Medicine e podem ajudar os cientistas a diagnosticar de forma mais precisa e entender melhor a síndrome, que já fez três vítimas (uma quarta morte ainda está em análise), de acordo com o CDC (Center of Diseases Control and Prevention) dos Estados Unidos.

Os cientistas conseguiram identificar as células nos pulmões de seis pacientes que praticaram "vaping" (como está sendo chamado o uso dos cigarros eletrônicos) e que estão sendo tratados na University of Utah Hospital em Salt Lake City.

Os médicos usaram um procedimento chamado de lavagem broncoalveolar. Nele, uma pequena seção dos pulmões é lavada com um líquido específico e depois ela é coletada para exames.

Foi nesse tecido que os médicos encontraram os macrófagos, um tipo de célula do sistema imunológico que costuma "limpar" áreas infeccionadas. Ao usar um contraste, os cientistas conseguiram ver que essas células estavam cheias de gotículas oleosas.

Os especialistas fizeram o primeiro teste no primeiro paciente tratado na universidade. Na ocasião, um dos responsáveis pelo caso desconfiou que ele poderia estar com pneumonia lipoide -causada pela aspiração de partículas de lipídio.

Depois que o marcador foi encontrado no paciente, o teste foi feito nos outros indivíduos suspeitos de sofrerem com a mesma condição, e as estruturas também foram encontradas neles.

Desde que o artigo foi submetido para publicação, o número de pacientes analisados subiu para 10 —o biomarcador foi encontrado em todos eles. O número de vítimas continua a aumentar semanalmente.

Os médicos agora se perguntam se a "doença misteriosa" é, na verdade, um tipo de pneumonia lipoide. Embora tenham semelhanças, as duas condições também possuem diferenças: a pneumonia lipoide é tipicamente vista em pessoas mais velhas e geralmente causada de forma acidental; e se apresenta de forma bastante específica nos exames de Raio-X.

Substância tóxica foi encontrada em cigarros eletrônicos

Os investigadores do FDA (Food and Drug Administration) já haviam descoberto um mesmo produto químico presente em diversas amostras de maconha utilizadas por pessoas que adoeceram.

O produto seria o acetato de vitamina E, uma substância usada regularmente como suplemento alimentar, mas que teria potencial para causar sérios danos quando inalado.

Desde o início dos casos, especialistas já alertavam para a necessidade de uma melhor regulamentação do uso dos cigarros eletrônicos e aditivos (para dar sabor de frutas, por exemplo) que podem ser usados nesses aparelhos.

"Há poucos estudos sobre o que as substâncias que produzem o vapor do cigarro eletrônico causam na saúde", explica Stella Regina Martins, especialista em dependência química do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor (Instituto do coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP)*.

"Além disso, cada aditivo tem uma composição diferente, não regulamentada, que vai mudar quando aquecida. É quase impossível saber em quais substâncias eles vão se transformar após o aquecimento e o que isso vai causar no corpo", acredita a especialista.

Para o médico Paulo Corrêa, pneumologista da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), os aparelhos para o "vaping" são comercializados, ainda que proibidos, de forma livre e como um produto seguro --o que não é o caso.

"Muitos jovens usam achando que a fumaça é apenas vapor de água, mas não é verdade", conta. "O líquido contém substâncias como glicerol e propileno glicol, que podem originar substâncias cancerígenas depois de aquecidas", alerta o médico.


Quantas vezes se deve medir a glicemia na ponta do dedo

Se você tem diabetes, pode ser necessário medir a glicemia em casa, para realizar o chamado automonitoramento da doença. Saber sua taxa de açúcar no sangue ajuda a avaliar a necessidade de fazer ajustes na medicação ou no estilo de vida. Mas… em que casos é preciso fazer a medição? Quantas vezes? Em que momento do dia?

Não adianta procurar uma regra, porque ela não existe. A hora ideal para medir a glicemia varia muito de acordo com o quão controlado está o diabetes e com diversas condições do estado geral do paciente. Às vezes nem é indicado medi-la com muita frequência. Tudo depende da pergunta clínica que precisa ser respondida. Será que essa fase de estresse está afetando minha glicemia? Será que ter começado a fazer exercícios diminuiu minha necessidade de medicamentos? Para cada pergunta, existe um esquema específico. Quem define tal esquema? A equipe médica, composta por médico, enfermeiros e auxiliares, de acordo com as possibilidades e necessidades de cada paciente.

Ainda que as metas de valores variem de acordo com a população, a idade, o risco de hipoglicemia e diversos outros fatores, é possível termos uma ideia dos números. Abaixo, indicamos valores de referência para dar um panorama geral, mas lembre sempre que cada tratamento é personalizado.

O que significa cada referência de horário

Em jejum: Logo que acordar;

Antes da refeição: Imediatamente antes de comer (chamada de medida pré-prandial);

1 hora após a refeição: 1 hora após dar a primeira “garfada” (chamada de medida pós-prandial);

2 horas após a refeição: 2 horas depois de dar a primeira “garfada” (igualmente chamada de medida pós-prandial);

Antes de dormir: Logo antes de deitar;

Madrugada: Por volta das 3 horas da manhã.

Diabetes tipo 1

Como pessoas com diabetes tipo 1 produzem pouca ou nenhuma insulina, este é um grupo que exige controle frequente da glicemia.

Quantas vezes medir: No mínimo de 3 a 4 vezes por dia. A frequência pode variar de acordo com alguns fatores, como a rotina de exercícios, tipo de alimentação, risco de hipoglicemia, presença de hipoglicemia assintomática ou quando se trata de crianças pequenas. ATENÇÃO: É importante medir a glicemia antes de pegar no volante para trajetos mais longos, como em estradas, para evitar o risco de hipoglicemia enquanto dirige. Nesses casos, a glicemia deve ficar entre 80 mg/dL e 180 mg/dL.

Quando medir: Pode ser solicitado antes e depois de refeições e de exercícios, antes de dormir e às vezes até no meio da madrugada. Circunstâncias como alterações na medicação ou na rotina podem fazer com que o médico mude o esquema temporariamente.

Metas de glicemia para quem tem diabetes tipo 1.

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Diabetes tipo 2 descontrolado

Quando a pessoa acabou de receber o diagnóstico, pode ser que o diabetes esteja muito fora de controle, pois até aquele momento ela não se preocupava com dieta e exercícios e nem tomava medicamentos.

Existem também pessoas que estabilizaram o nível de açúcar no sangue, mas estão passando por um momento específico da vida que torna o controle mais difícil. Períodos estressantes, por exemplo, podem fazer o paciente ter crises de hiperglicemia (alto nível de açúcar) ou hipoglicemia (baixo nível de açúcar) mesmo seguindo o tratamento como fazia até então.

Por fim, pessoas que receberam o diagnóstico mas não seguem o tratamento também podem ter diabetes descontrolado.

Quantas vezes medir: Pelo menos 3 vezes por dia, ao menos uma vez por semana, durante o período indicado pela equipe médica. Eventualmente, pode ser solicitado que em um dia sejam feitas 6 medidas para que se tenha uma ideia geral da reação do organismo em diferentes momentos (em jejum, após refeições, antes de dormir etc.).

Quando medir: Geralmente é recomendada a clássica medida em jejum, e os demais momentos são definidos pela equipe médica.

Diabetes tipo 2 sob controle com uso de insulina

Em geral, pacientes que fazem uso de insulina precisam medir a glicemia mais vezes que aqueles que controlam as taxas de açúcar somente com medicamentos e manutenção de hábitos saudáveis. Este grupo é um dos que mais tem variação na frequência de medidas, pois há muitos ajustes que podem ser necessários. Por exemplo: se a insulina foi prescrita para ajustar a glicemia ao amanhecer, é preciso medir em jejum e, uma vez por semana, fazer o chamado mapa completo (em jejum, antes e depois das refeições). Se a insulina tem como função equilibrar a glicemia após refeições, o esquema muda.

De forma geral, quanto maior a dose e/ou a frequência de insulina por dia, maior será a frequência de medições.

Quantas vezes medir: Em geral são necessárias em torno de 2 a 4 medições por dia.

Quando medir: Varia dependendo do quadro geral do paciente e do tipo de insulina utilizada. Embora geralmente seja requisitado que a medida seja feita em jejum, é importante que em alguns dias também se meça 2 horas após as refeições, pois a pessoa pode apresentar níveis normais em jejum, mas desregulados após se alimentar. Também é comum o médico indicar que em alguns dias se meça a glicemia antes de dormir.

Diabetes tipo 2 sob controle sem uso de insulina

Ao estabilizar a doença com medicamentos, alimentação equilibrada e atividade física regular — sem insulina –, não há consenso sobre a necessidade de automonitoramento. A maioria dos trabalhos indica que ele pode até ser desaconselhado, por aumentar o risco de problemas como ansiedade e depressão. Ainda assim, vale ter um glicosímetro em casa para realizar as medições em determinadas ocasiões.

Quantas vezes medir: Em situações específicas (veja abaixo).

Quando medir: Em casos de sintomas de crises de hipo ou hiperglicemia, ao iniciar o uso de um novo medicamento que possa interferir na glicemia (como corticoides), em períodos de pós-operatório e outros indicados pelo médico. Nessas ocasiões, é recomendado medir em jejum, antes e depois das refeições ou no momento em que tiver suspeita de hipoglicemia.

Metas de glicemia para quem tem diabetes tipo 2.

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Diabetes gestacional ou gestantes que têm diabetes

Gestantes com diabetes ou pacientes que desenvolvem diabetes gestacional precisam medir e registrar os valores com rigor para prevenir danos ao feto.

Quantas vezes medir: De 4 a 6 vezes por dia.

Quando medir: Em jejum e 1h ou 2h após as refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). Dependendo do caso, alguns profissionais acrescentam uma medida antes do almoço e do jantar, totalizando 6 medidas no dia.

Metas de glicemia para quem tem diabetes gestacional ou gestantes com diabetes.

Associação Americana de Diabetes (ADA).

Idosos com diabetes

Idosos com diabetes precisam de acompanhamento rigoroso, que depende de uma série de condições avaliadas pela equipe médica. A frequência e horários de medição também devem ser muito particularizados.

Metas de glicemia para idosos com diabetes.

* A classificação do estado de saúde leva em conta uma série de fatores técnicos que devem ser avaliados por profissionais. | Associação Americana de Diabetes (ADA).

Cuidados antes de medir a glicemia em casa

Lave as mãos. Água e sabão são suficientes, não é necessário álcool;

É muito importante esperar as mãos secarem, porque a água pode diluir a amostra de sangue e levar a um falso valor baixo. Por outro lado, ter contato com frutas ou certos cremes antes de medir pode falsear o resultado para um valor mais alto.

Anote sua glicemia em cada medição

É fundamental registrar os valores da sua glicemia. Não é necessário nada rebuscado. É suficiente anotar em um caderno o valor obtido, a hora, marcar se estava em jejum, prestes a comer ou se a medição foi feita depois de uma refeição (nesse caso, anote se passaram 1 ou 2 horas após a primeira garfada).

Nos casos abaixo, registre também outros dados:

Se sentir sintomas de hipoglicemia, anote;

Se obtiver uma glicemia baixa (menor que 70 mg/dL) e mesmo assim não sentir nada – situação chamada de hipoglicemia assintomática –, anote a ocorrência;

Sempre que houver um resultado que saia do seu padrão, relembre se você comeu em excesso, se esqueceu de tomar a medicação ou sua dose de insulina, se esteve doente (mesmo que seja apenas um resfriado) ou se fez uso de corticoides.

Atenção

Importante destacar que a glicemia capilar não é o exame indicado para diagnóstico, e sim para acompanhamento de quem tem diabetes já diagnosticado. Quem não tem diabetes e obtém uma medida de 100 mg/dL a 125 mg/dL em jejum precisa fazer mais exames, pois pode estar na categoria de pré-diabetes e apresentar risco aumentado para desenvolver a doença. Saiba mais sobre essa condição no vídeo abaixo.


Mais saudáveis? Sem pesticidas? O mito da superioridade dos orgânicos

Vale a pena comprar alimentos orgânicos? Eles são, em média, 40% mais caros que os convencionais, mas seus defensores alegam que são mais saborosos e nutritivos, não contêm resíduos de pesticidas e que a agricultura orgânica usa modos de produção menos prejudiciais ao ambiente. Além disso, esses alimentos não são produzidos por latifundiários ou grandes corporações, logo a opção pelo orgânico favorece a pequena propriedade e a agricultura familiar. Será que é isso mesmo?

Primeiro, vejamos o que "orgânico" quer dizer, nesse contexto. No Brasil, produção agropecuária orgânica é uma categoria definida pelo Poder Legislativo.

De acordo com a lei 10.831/2003, "Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente."

Pela letra da lei, já vemos que técnicas de modificação genética e radiação ionizante - mesmo para descontaminação e preservação dos alimentos - estão excluídas. E deve-se dar preferência e métodos de controle de pragas biológicos e mecânicos.

Sem pesticida?

Mas existem defensivos —isto é, pesticidas, agrotóxicos — liberados para produtos orgânicos.

A diferença é que são pesticidas submetidos a uma regulamentação própria. Infelizmente, o critério para um defensivo ser aprovado para este tipo de manejo não envolve nem eficácia no combate às pragas, nem segurança para o consumidor, o agricultor ou o meio ambiente.

O pesticida orgânico precisa ser um produto de ocorrência natural. Não pode ser sintético —isto é, uma molécula criada em laboratório. Mas não ser sintético não quer dizer que seja bom ou seguro. Um critério que só leva em conta origem e modo de produção ignora fatores como impacto ambiental ou riscos à saúde. Com isso, acabamos tendo produtos piores e menos eficazes, simplesmente porque são "naturais".

Estudo realizado nos EUA apontou que 20% das alfaces orgânica estão contaminadas com pesticidas (mas dentro do permitido)

Imagem: iStockA natureza está cheia de materiais tóxicos e letais. Muitos dos defensivos sintéticos mais modernos degradam-se rapidamente, protegendo o ambiente e a saúde do consumidor: são moléculas projetadas e testadas para funcionar assim. Já no caso do pesticida orgânico, estamos limitados ao que a natureza oferece. Estudo conduzido pela USDA, o Ministério da Agricultura dos Estados Unidos, demonstrou que 20% das alfaces orgânicas nos EUA estão contaminada com resíduos de pesticidas. Mas isso não quer dizer que a alface orgânica represente um perigo. Os níveis de pesticida são extremamente baixos, e estão perfeitamente dentro do permitido.

Para um exemplo de pesticida orgânico tóxico para humanos e meio ambiente, vejamos como a agricultura orgânica lida com fungos. Uma plantação acometida por fungos pode trazer prejuízos enormes para o produtor, incluindo perda total da safra. Ninguém pode ser dar o luxo de correr este risco.

Como o agricultor não pode usar fungicidas sintéticos, ele se vale do sulfato de cobre, um produto natural, mas muito tóxico. A ingestão de cobre é deletéria para fígado e rins em humanos, e o produto também apresenta toxicidade elevada para pássaros e pequenos mamíferos. O sulfato de cobre não degrada no solo, e pode contaminar rios e lençóis freáticos. É classificado como altamente tóxico para o meio ambiente, altamente tóxico para microrganismos de solo, e altamente tóxico para animais aquáticos. A bula indica seu armazenamento em local com sinalização de "veneno" para evitar acidentes.

Assim, já vemos que os orgânicos podem conter pesticidas mais tóxicos e prejudiciais ao meio-ambiente do que os tradicionais.

O importante é perceber que existem produtos extremamente seguros, e outros nem tanto, em ambos os tipos de manejo: a agricultura convencional de larga escala, e a agricultura orgânica. É preciso avaliar caso a caso. O tipo de manejo, por si só, não é um bom indicador de segurança.

Até o momento, nenhum grande estudo comprovou que os alimentos orgânicos têm benefícios nutricionais

Alimentos orgânicos são mais saudáveis?

A segunda alegação é de que orgânicos seriam mais nutritivos e saudáveis. Uma extensa revisão da literatura científica sobre isso foi publicada em 2012, por um grupo dos Estados Unidos, que analisou mais de 240 artigos tratando do efeito de produtos orgânicos sobre a saúde humana. O trabalho não encontra evidência de nenhum benefício nutricional, ou de segurança.

Bem pelo contrário: o risco de contaminação em alimentos orgânicos é bem maior, graças ao uso de adubo de esterco. Um caso famoso de contaminação ocorreu na Alemanha, em 2011, quando mais de três mil pessoas foram infectadas e 53 morreram, por causa de broto de feijão proveniente de uma fazenda orgânica, contaminado com uma bactéria perigosa.

A certificação também pode ser um problema. A USDA, quando estabeleceu os critérios para certificação de produtos orgânicos, que foram copiados pela grande maioria das agencias regulatórias, inclusive a brasileira Anvisa, deixou claro que o selo orgânico não confere qualidade nutricional, qualidade, ou informação nutricional.

Vamos deixar uma coisa clara: o selo orgânico é uma ferramenta de marketing. Não diz nada sobre nutrição ou qualidadeDan Glickman, secretário da USDA de 1995 a 2011

Uma vantagem do manejo orgânico, citada na revisão de 2012, é a proibição do uso de antibióticos na criação animal. Antibióticos muitas vezes são utilizados como promotores de crescimento, e essa prática aumenta o risco da seleção de bactérias multirresistentes e de sua transmissão para humanos. No entanto, o rigor da certificação orgânica pode ter efeitos imprevistos: como o produtor não pode utilizar nenhum antibiótico, nem para tratar animais doentes, esses animais sofrem, como foi denunciado pela ONG de proteção animal PETA.

Melhores para o planeta?

O terceiro argumento para o uso de orgânicos seria de que são melhores para o ambiente. Isso também é falso. Como a modalidade proíbe defensivos sintéticos e produtos geneticamente modificados, o rendimento - unidades de produto por unidade de área - é menor. Agricultura orgânica requer mais terra, mais água e mais intervenções mecânicas para manejo de pragas, como aragem da terra para retirar ervas daninhas, por exemplo. Isso aumenta o uso de combustível fóssil, contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa. A aragem também prejudica a microbiota do solo, além de matar insetos e pequenos animais.

Estudo conduzido na Suécia e publicado na revista Nature utiliza um novo método chamado de "Custo de oportunidade de carbono" para medir o impacto das diferentes técnicas de manejo na emissão de gases de efeito estufa. A métrica avalia a quantidade de carbono estocada nas florestas, e que será liberada no desmatamento. Como a agricultura orgânica apresenta menor rendimento, o custo de carbono é bem maior.

No caso específico da Suécia - mas que se aplica também ao resto do mundo -, os autores estão preocupados porque este fato não está sendo levado em conta na formulação de políticas públicas, que estimulam a substituição das práticas convencionais pelo manejo orgânico. Segundo os autores, devemos lembrar que a produção de alimentos é determinada por comércio internacional, e por isso, as práticas de manejo da Suécia podem influenciar o desmatamento nos trópicos.

 Os orgânicos são seguros e nutritivos, só não existem justificativas científicas ou éticas que mostrem que são melhores

Outro estudo, conduzido na Bélgica, avaliou a redução na emissão de CO2 obtida com cultivares geneticamente modificados, e concluiu que nos últimos 18 anos, cultivares resistentes a inseticidas resultaram em menos 230 milhões de quilosde inseticidas liberados no ambiente. Cultivares tolerantes a herbicidas economizaram 6,3 bilhões de litros de combustível e reduziram a emissão de CO2 em 16,8 milhões de tonelada , simplesmente por dispensar a aragem da terra.

Trabalho científico realizado no Reino Unido e publicado na Nature Communications também aponta o mesmo problema. Se toda a produção do Reino Unido fosse convertida em orgânica, o rendimento cairia pela metade, e o uso de terra no restante do mundo, para compensar a perda de produção, seria enorme.

Mais um exemplo: estudo feito pelo departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais, no Reino Unido, demonstrou que um litro de leite orgânico produz 20% mais gases de efeito estufa e precisa de 80% mais terra. Tomates orgânicos cultivados em estufas, na Inglaterra, utilizam 100 vezes mais energia do que os cultivados na África. O rendimento é 75% do rendimento dos tomates africanos, e usa mais energia, fazendo com que seja mais viável, para o aquecimento global, importar os tomates da África, mesmo levando em conta o combustível do transporte!

Sem transgênicos

Rejeitar a tecnologia de transgênicos (OGMs) e, mais recentemente, a de edição de genoma (CRISPR) foi um tiro no pé. Essas técnicas, quando bem utilizadas, permitem reduzir o uso de defensivos quase a zero, e ainda diminuir a contaminação por agentes causadores de doenças em seres humanos.

O uso de milho geneticamente modificado do tipo Bt quase zerou a aplicação de inseticidas nessas lavouras. Trata-se de um milho resistente a uma lagarta, feito a partir da inserção de um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Esse gene manda produzir uma proteína que é tóxica para a lagarta, mas que não faz absolutamente nada no sistema digestivo de mamíferos.

Além de reduzir o uso de pesticida, o milho Bt reduz o risco de contaminação por micotoxinas - venenos produzidos por fungos -, muito comum no milho orgânico. A lagarta, quando come a espiga, libera espaço e umidade para a contaminação por fungos. Estes fungos produzem uma toxina que é cancerígena. Isso não ocorre no milho transgênico.

O uso de algodão Bt, resistente a insetos, na China, diminuiu drasticamente o uso de inseticidas na lavoura, além de restaurar um equilíbrio ecológico. Como a toxina Bt age exclusivamente na lagarta, e permite reduzir o uso de inseticidas que matam indiscriminadamente, os demais insetos são poupados e podem controlar outras pragas, como pulgões.

Aqui no Brasil, o feijão RMD, resistente ao vírus do mosaico dourado transmitido pela mosca branca, permitiu reduzir o número de aplicações de inseticidas nas lavouras, de 15 a 20 por safra, para apenas três. O feijão chegará às nossas mesas com muito menos agrotóxico.

OGMs também aumentam a produção por hectare, diminuindo o uso de terra e de água. Plantas desenhadas para resistir a secas e condições extremas podem aproveitar solos que, antes, eram considerados impróprios para o cultivo. A biotecnologia pode aumentar o valor nutricional dos alimentos, usando processos de biofortificação.

Se o intuito do manejo orgânico é proteger o meio ambiente e reduzir o uso de pesticidas, qual o sentido em deixar a biotecnologia de fora? A resposta é a velha falácia do "natural é sempre melhor", que impede que o agricultor orgânico utilize produtos melhores e mais sustentáveis.

Mas e o aspecto social e econômico?

Outro argumento é de que a agricultura orgânica prioriza o pequeno produtor e não as multinacionais. Isso também não é sempre verdade. O mercado de orgânicos é um gigante global. A empresa Whole Foods, uma rede de lojas de produtos naturais e orgânicos, foi comprada pelo grupo Amazon, em 2016, por US$ 13,7 bilhões. Trata-se de um nicho de mercado extremamente lucrativo. No Brasil, os orgânicos movimentaram R$ 4 bilhões em 2018. O mercado de orgânicos é um mercado gourmet, para poucos. Jamais será possível alimentar oito bilhões de pessoas com esse tipo de manejo: teríamos que desmatar todo o planeta para abrir espaço para as lavouras orgânicas, que por serem menos produtivas e eficientes, requerem muito mais solo.

Dito isso, do ponto de vista nutricional e de saúde, não há nada de errado em consumir orgânicos. São produtos igualmente seguros e de mesmo valor nutricional, quando comparados aos produtos convencionais. Mas o custo-benefício deve ser levado em conta, e a opção por este mercado deve ser realmente uma opção pessoal e não uma imposição social, movida por temores infundados e vantagens imaginárias.

De fato, as fantasias criadas em torno da suposta superioridade dos orgânicos (e dos supostos riscos da produção convencional) já estão prejudicando os mais pobres. Levantamento realizado em Chicago (EUA) aponta que famílias de baixa renda estão deixando de consumir frutas e vegetais porque não têm dinheiro para comprar orgânicos e sentem medo dos produtos da agricultura convencional.

A pressão de mercado pela produção orgânica também é perigosa. Alguns produtores estão migrando para a agricultura orgânica simplesmente porque deixa o produto mais caro, acessando um público gourmet. A cadeia de restaurantes mexicanos Chipotle deixou de usar óleo de soja para usar óleo de girassol, a fim de atrair consumidores orgânicos. A jogada de marketing era anunciar que a empresa tem uma preocupação com a saúde e o meio ambiente, e atrair clientes com esse perfil. A soja costuma ser associada ao herbicida glifosato, injustamente acusado de causar câncer e até unha encravada.

O que a empresa não contou aos clientes, no entanto, é que as sementes de girassol foram modificadas - por técnicas convencionais - para serem resistentes a outro tipo de herbicida, inibidor de ALS, e usam muito mais pesticida do que a soja.

A marca internacional de chocolates Hershey's, também pressionada por grupos contrários à biotecnologia, optou por substituir o açúcar derivado de beterraba geneticamente modificada pelo açúcar de cana. Mas uma molécula de açúcar é uma molécula de açúcar: não há como distinguir açúcar de fonte transgênica de açúcar de fonte "natural".

Segundo problema, a maior parte do açúcar de cana nos EUA e Europa é importado, e sabemos que o cultivo de cana ocupa uma grande extensão de terra, e que a queima da cana estraga o solo. Como é preciso importar, há que levar em conta o carbono do combustível do transporte. Ou seja, o consumidor não estará desfrutando de um produto mais saudável, nem mais sustentável. Apesar disso, a decisão da Hershey's foi comemorada pelos ativistas pró-orgânicos nos EUA como uma vitória para o consumidor.

A demanda, nos EUA, por ovos e laticínios produzidos de forma orgânica, por animais que não consomem ração com produtos geneticamente modificados, também levou a empresa Whole Foods a importar essea produtos de países como Romênia, Ucrânia e Índia, onde a fiscalização e as normas de segurança são bem mais frouxas. Isso favorece não só a circulação de alimentos contaminados, mas também aumenta o custo de carbono com emissão de combustível fóssil para o transporte.

A solução? Boas práticas de agricultura!

Não há razão para "contra" orgânicos. Se manejados dentro da lei, estes produtos são tão seguros e nutritivos quanto os convencionais. É difícil, porém, achar justificativa ética ou científica para a estratégia de marketing utilizada para fazer com que as pessoas sejam "a favor" deles. O mercado força o consumidor a escolher entre "dois lados", e o joga no pior dos dois mundos. Iludido pela aura enganosa dos orgânicos, acredita estar consumindo produtos superiores e livres de pesticidas. E o mercado convencional deixa de adotar práticas sustentáveis porque não existem políticas públicas adequadas para regulamentá-lo nesse sentido.

Boas práticas de manejo deveriam ser utilizadas - e exigidas - tanto na agricultura convencional quanto na orgânica. A dicotomia entre os dois tipos de manejo foi criada artificialmente, por questões de mercado, e não com a intenção clara de ganhar sustentabilidade, com os produtos e técnicas mais seguros para a saúde e para o ambiente.

A ideia original da agricultura orgânica era fazer um melhor uso do solo e dos recursos limitados do planeta, e criar animais de maneira ética e sem maus tratos. Muitas práticas orgânicas, como rotação de culturas e manejo integrado de pragas, assim como a criação livre de animais, são técnicas que deveriam ser adotadas por qualquer produtor. Assim como o uso de variedades geneticamente modificadas que reduzam o uso de pesticidas, água e espaço deveria ser comum em qualquer manejo sustentável.

Talvez esteja na hora de acabar com certificações de mercado que só servem para induzir o consumidor a erro e forçam o produtor a utilizar técnicas inadequadas e produtos inferiores, piores para a saúde e o ambiente, apenas para poder vender mais caro.


Estudo mostra que adolescentes de faixas carentes estão mais obesos

Adolescentes residentes no Brasil, de faixas mais pobres da população, estão mais obesos e ainda sofrem de desnutrição.

É o que mostra estudo feito por pesquisadores da Escola de Nutrição da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia).

Esta é a primeira vez que uma investigação como essa é feita no Brasil, observando fatores socioeconômicos associados à desnutrição e à obesidade.

Para fazer o trabalho, os técnicos utilizaram dados das edições de 2009, a primeira, e da mais recente, de 2015, da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho investiga doenças crônicas não transmissíveis entre adolescentes escolares brasileiros.

O estudo comparou os índices nutricionais de alunos de 13 a 17 anos, separados entre os que apresentam somente sobrepeso ou baixa estatura e aqueles que apresentam as duas condições.

Sobrepeso

Na visão dos pesquisadores, houve aumento de sobrepeso entre os adolescentes de todos os níveis socioeconômicos e, ao mesmo tempo, também aparece nesses estudantes a desnutrição, revelada pela baixa estatura.

Segundo o estudo, os adolescentes de escolas privadas têm maior chance de desenvolver excesso de peso em relação aos estudantes da escola pública, mas ao longo do tempo a diferença se reduziu. Entre 2009 e 2015, o índice de adolescentes com excesso de peso na rede privada, que era 28,7%, permaneceu inalterável, mas a taxa entre os da rede pública aumentou de 19% para 23,1%.

Dupla carga

No estudo, os pesquisadores identificaram que a dupla carga de má nutrição, uma característica de desnutrição e obesidade, simultâneas, atinge menos de 1% dos estudantes.

Apesar disso, nem sempre uma melhoria nas condições socioeconômicas vem acompanhada de maior qualidade nutricional.

"O indivíduo que tem dupla carga é aquele adolescente que apresenta baixa estatura, um sinônimo de desnutrição crônica e excesso de peso. A dupla carga pode se manifestar de três formas. Tanto em nível individual, que é o caso do nosso estudo, sendo os dois desfechos no mesmo indivíduo. Pode ser também em nível familiar, por exemplo, uma mãe com excesso de peso e um filho com desnutrição, ou em nível comunitário, onde em um mesmo local temos taxas altas tanto de desnutrição quanto de obesidade. No nosso estudo foi bem específico, com adolescente de baixa estatura e excesso de peso", disse a pesquisadora da UFBA, Júlia Uzêda, em entrevista à Agência Brasil.

Em 2009, na análise separada, o grupo que apresentou os dois desfechos de saúde, independentemente de sexo, e diferenciando entre estudantes de escola pública e privada, a simultaneidade aparece em 29 estudantes do ensino particular (0,2%) contra 185 do público (0,4%).

Isso significa que a dupla carga é maior entre estudantes da rede pública. Em 2015, a taxa de dupla carga entre os estudantes de escola privada atingiu 0,3% e nos da rede pública permaneceu em 0,4%. As meninas, com 0,4%, ainda são maioria, enquanto entre os meninos ficou em 0,3%.

Fatores

De acordo com o pesquisador do Cidacs Natanael Silva, embora o estudo não tenha se baseado em classes sociais, há variáveis analisadas que indicaram um crescimento de obesidade, atingindo cada vez mais a população menos favorecida socioeconomicamente.

Segundo ele, os alimentos processados podem ser um dos fatores da obesidade, por serem também de preços mais baixos.

"Os alimentos processados acabam sendo mais baratos do que qualquer alimento natural e por terem maior aporte calórico, muitas vezes serem vendidos em grandes quantidades, mais baratos e atrativos, chamam bastante a atenção do público mais vulnerável", disse.

Além disso, foram selecionadas informações socioeconômicas de adolescentes, como escolaridade da mãe, raça, sexo e tipo de unidade escolar.

Os filhos de mulheres que completaram a educação primária revelaram melhores índices de nutrição, apresentando a metade da taxa de dupla carga do que os estudantes cujas mães não finalizaram essa etapa.

Júlia Uzêda informou que há estudos comprovando que a desnutrição em período intrauterino provoca mecanismos no corpo que aparecem futuramente na vida da criança, por causa de problemas na absorção de gordura, que resultam na obesidade.

"O adolescente é um público vulnerável por todas as mudanças físicas, então, quando o indivíduo tem dupla carga, ele passa a ter riscos tanto de desnutrição quanto de obesidade, por isso o nome de dupla carga", observou.

Políticas Públicas

Os pesquisadores defenderam que o estudo serve para ajudar na elaboração de políticas públicas.

Para Júlia Uzêda, existem fatores que não foram analisados no estudo, como o consumo alimentar e, principalmente, a qualidade dos alimentos ingeridos, mas as informações encontradas já podem servir para a adoção de medidas com o foco na qualidade da nutrição.

"Muitas vezes as políticas públicas são destinadas isoladamente à obesidade ou à desnutrição e acabam tratando um e esquecendo outro. A transição nutricional tem o perfil que é a diminuição da desnutrição, mas não deixa de existir, enquanto a obesidade e o excesso de peso aumentam. Isso muda o foco das políticas públicas", disse a pesquisadora.


Ataca a geladeira a noite? Veja 8 estratégias para controlar a fome noturna

É bastante comum que algumas pessoas sintam mais fome à noite e comam mais nesse período. Mas há também quem perca o sono de madrugada e saia da cama para "assaltar" a geladeira em busca de alimentos. Essas atitudes que parecem inofensivas podem aumentar o peso e, em alguns casos, comprometer a saúde.

"Normalmente, a fome noturna é fruto da escolha inadequada de alimentos ou por ser um hábito alimentar estabelecido durante muito tempo. Também acontece devido a questões pessoais que envolvem estresse, ansiedade ou qualidade do sono ruim", explica Mário Carra, diretor do departamento de obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

O comportamento alimentar de cada um está ligado a diversos aspectos como necessidades fisiológicas e fatores ambientais que criam um ritmo de alimentação durante o dia. O nosso corpo tem horários para descansar, se alimentar e estar ativo. O problema é que com a correria cotidiana, a maioria das pessoas não consegue se alimentar adequadamente durante o dia. E quando anoitece, elas geralmente usam a comida como forma de compensação.

Por isso, muitas vezes, fica difícil manter uma rotina alimentar saudável. Há também quem tenha dificuldade de identificar quando está com fome ou apenas com vontade de comer. Além disso, é importante verificar se esse comportamento não é um distúrbio alimentar. Nesses casos, a fome noturna pode vir acompanhada de desequilíbrio de sono e humor.

Mesmo sendo difícil controlar a gula que insiste em aparecer à noite, VivaBem conversou com alguns especialistas para ajudar quem quer enfrentar o problema. Confira, a seguir, algumas estratégias para escapar dessa tentação noturna.

  1. Ter uma rotina alimentar

Estabelecer horários para se alimentar e evitar pular refeições são fatores que ajudam a diminuir a fome no final do dia. É importante tomar café da manhã, fazer os lanches intermediários e não pular o jantar. Algumas pessoas quando ficam muito tempo sem comer exageram na alimentação seguinte ou optam por alimentos extremamente calóricos. É comum que os indivíduos que não fazem as refeições principais queiram compensar mais tarde comendo tudo o que veem pela frente.

  1. Planejar as refeições

Outra estratégia eficaz é planejar as refeições com antecedência. Isso porque essa prática pode ajudar a pessoa a não comer por impulso e a definir a composição nutricional das refeições. Nesse caso, é indicada uma refeição que contenha boas quantidades de proteínas e fibras para aumentar a saciedade. Por outro lado, deve-se evitar o excesso de alimentos ricos em carboidratos refinados, açúcar e gorduras, além de industrializados.

  1. Reconhecer a ansiedade e o estresse

A ansiedade e o estresse são os principais motivos que levam as pessoas a comerem sem estar com fome. É bastante comum que quem está muito ansioso ou estressado não preste atenção no que está comendo, não perceba quais são as propriedades nutricionais de cada alimento ingerido e no horário em que realiza as refeições. Portanto, saber reconhecer sua própria ansiedade e estresse e se você está comendo devido a esses sentimentos pode ajudar.

  1. Dormir mais

Quem dorme pouco, ou seja, menos de oito horas por noite, fica mais cansado e tende a consumir alimentos com mais calorias, pois eles viram uma forma de obter energia e prazer. Sabe-se que o consumo de calorias aumenta quando o corpo descansa menos horas do que o necessário, uma vez que essa atitude afeta hormônios relacionados à regulação do apetite.

  1. Praticar atividade física

Manter a rotina de praticar exercícios ajuda a controlar a fome e inibe o apetite. Além disso, quem não é sedentário e faz atividade física regularmente sente uma melhora na qualidade do sono e menos sintomas ansiosos e depressivos. Vale caminhar, subir e descer escadas, ioga e fazer exercícios de posturas. Mas, fique atento ao realizar exercícios intensos durante à noite, pois isso pode deixar a pessoa mais agitada e sem sono.

  1. Evitar comprar junk-food

Para quem gosta de consumir alimentos como junk-food, ou seja, com poucos nutrientes e bastante calóricos, o melhor é evitar comprar esses itens para não cair em tentação de madrugada. Evite alimentos pobres em calorias e cheios de açúcar como salgadinhos ou doces industrializados. Sempre que possível deixe a despensa e/ou geladeira com frutas, iogurte, pães e biscoitos integrais.

  1. Beber mais água

A falta de água no organismo muitas vezes é confundida com a sensação de fome. Por isso, beber água antes de "atacar" a geladeira de madrugada pode resolver a vontade repentina de comer. Mantenha-se hidratado durante todo o dia, bebendo bastantes líquidos.

  1. Mudar os hábitos

É importante mudar os hábitos que estimulem comer mais durante à noite. Por isso, reveja a sua rotina, perceba se costuma consumir salgadinhos ou biscoitos ao ver televisão, por exemplo. É interessante ter uma atividade noturna prazerosa e que não esteja associada à comida, como ler um livro ou ouvir música.

O que fazer se acordar de madrugada com fome?

Quando a fome bater de madrugada você pode tentar dormir e não conseguir. Se isso acontecer, o melhor a fazer é procurar um alimento com poucas calorias e mais saudável. Uma sugestão é consumir uma xícara de leite morno desnatado. Vale também ingerir frutas e iogurtes sem adição de açúcar.

É importante evitar alimentos ricos em açúcar como bolos, biscoitos, balas ou sorvetes, uma vez que eles são muito calóricos e ainda não trazem saciedade prolongada por causarem uma elevação e declínio muito rápidos do açúcar no sangue. Ao acordar de noite, fique longe de alimentos estimulantes, como chá preto, chá verde, café, chocolate, bebidas energéticas e refrigerantes à base de cola.

"Quando ingerimos um alimento temos uma sensação de saciedade e prazer emocionalmente, além de alterações fisiológicas e no metabolismo. Assim, é preciso equilibrar as emoções e aprender a se alimentar de uma forma mais consciente", afirma Juliana Graciani, psicóloga e docente do curso de Psicologia do Centro Universitário FMU.

Pode ser um distúrbio alimentar

Quem sente muita fome de noite ou madrugada pode ter a Síndrome do Comer Noturno, que foi descrita pela primeira vez na década de 1950. Nesse caso, a pessoa apresenta episódios recorrentes de alimentação noturna e consome alimentos logo após despertar durante a noite ou há consumo excessivo de alimentos após a principal refeição noturna.

Geralmente, há ausência de fome pela manhã e dificuldade para começar a dormir ou manter o sono. É comum que apresentem sintomas depressivos frequentes. Essa síndrome acontece devido a um desequilíbrio na regulação do cérebro em relação ao ritmo circadiano (ciclo biológico do organismo). Quem tem esse problema prefere alimentos calóricos, ricos em gordura e com poucas fibras.

Além disso, há pessoas que sofrem o Transtorno da Compulsão Alimentar, ou seja, ingerem grandes quantidades de alimentos de forma impulsiva e rapidamente e depois ficam se sentindo culpadas. É bastante comum que essas pessoas não consigam se controlar e acordem de madrugada para comer.

Vale a pena ressaltar ainda que existe um outro tipo de comer noturno, conhecida como parassonia, uma forma atípica de sonambulismo. Sendo assim, a pessoa não tem consciência do episódio de comer à noite e pode realizar combinações alimentares estranhas de madrugada.

"Também há tipos de alterações relacionadas ao uso de algumas medicações indutoras do sono, que causam o comer noturno e a amnésia no dia seguinte em relação ao episódio. É comum a pessoa perceber que houve ingestão de alimentos à noite pela confusão ou bagunça na geladeira ou cozinha apenas pela manhã", afirma Débora Kussunoki, psiquiatra do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Nesses casos, é importante destacar que essas pessoas apresentam uma condição clínica e psiquiátrica associada e somente mudanças na alimentação e rotina não resolverão o problema. Por isso, é preciso buscar um tratamento individualizado e ter um acompanhamento de diversos profissionais como nutricionistas, psiquiatras e psicólogos.

"Depois que é identificada a causa da fome noturna, o tratamento pode incluir terapia comportamental e medicamentos para diminuir a ansiedade ou depressão, que também melhoram o sono", completa Lívia Beraldo, psiquiatra e mestre em psiquiatria pela IPq- FMUSP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo).