Sepse: maioria dos casos começa fora do hospital; veja sinais e como evitar

Você já deve ter ouvido falar que a causa da morte de alguém foi uma infecção generalizada ou no sangue, e até mesmo uma septicemia. Esses termos ainda são popularmente usados do para definir a sepse, doença que resulta de uma reação exagerada do corpo a algum tipo de infecção causada por vírus, bactéria ou fungo.

Embora seja mais conhecida como evento adverso que ocorre dentro dos hospitais, dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) indicam que 8 em cada 10 casos de sepse começam fora desse ambiente.

Considerada uma emergência médica, seus sintomas se confundem com outras enfermidades e, por isso, a sepse nem sempre é diagnosticada em tempo de ser contida, o que pode levar à falência de órgãos e morte.

A boa notícia é que a educação das pessoas e dos profissionais de saúde são a chave para prevenir, identificar e tratar com eficácia esse problema, que é uma importante causa de morte em todo o mundo.

Por que a sepse acontece

Toda vez que ocorre uma infecção --que pode ser uma simples gripe -- o sistema de defesa de seu corpo entra em ação para combater a doença, provocando uma inflamação local. Você, então, pode ter uma febre, sentir-se cansado. Em alguns dias, porém, se sente melhor e volta à vida normal.

Entretanto, pode acontecer de essa resposta ser desregulada e, de alguma forma, ela passa a prejudicar o seu organismo. Isso é a sepse: uma resposta sistêmica à infecção.

Do ponto de vista clínico, a doença é reconhecida quando se verifica uma disfunção orgânica, ou seja, existe uma infecção urinária e ela já afetou outro órgão como o rim, pulmão, cérebro, fígado etc.

"Isso acontece, na maioria das vezes, simplesmente porque não se tratou [ou não se o fez corretamente] uma infecção", explica Denise Medeiros, coordenadora da atenção médica do INI-Fio Cruz (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas - RJ).

As infecções mais comuns que podem levar à sepse

  • Pneumonia (35%)
  • Infecção do trato urinário (bexiga, rins) (25%);
  • Infecção intestinal (11%);
  • Infecção de pele (11%).

Quem está mais suscetível?

Qualquer pessoa pode ter sepse, mesmo as mais saudáveis. Porém, ela é mais comum nos seguintes grupos:

  • Crianças muito pequenas (recém-nascidos prematuros);
  • Idosos;
  • Pessoas com doenças crônicas descompensadas (como o diabetes);
  • Pacientes imunodeprimidos (pessoas com câncer, Aids, insuficiência cardíaca ou renal);

Quais os sintomas da sepse

A sepse sempre aparece em decorrência de uma infecção de base (pneumonia, infecção urinária ou de pele, meningite etc.). Isso significa que já existe uma doença em curso causada por vírus ou bactéria, com seus sintomas característicos, como febre, mal-estar generalizado, retenção de urina, que logo podem ser notados porque não passam ou parecem agravar-se.

Mas há outros sintomas que servem de alerta vermelho para a sepse e requerem atenção imediata, esclarece Viviane Maria de Carvalho Hessel, coordenadora do Núcleo de Epidemiologia e Controle de Infecção do Hospital Marcelino Champagnat (PR). Confira:

  • Alteração da Consciência;
  • Aceleração da respiração (mais de 22 incursões respiratórias por minuto);
  • Pressão baixa.

Quando é hora de procurar ajuda

Toda febre que não passa já indica que a infecção não está evoluindo bem e deve ser avaliada por um médico. Como a sepse é uma situação de emergência, você deve procurar um pronto-socorro imediatamente.

Como é feito o diagnóstico?

Quanto mais rápido for identificado o foco da infecção, mais eficaz será o tratamento da sepse. Contudo, Fabiano Ramos, chefe do Serviço de Infectologia e de Controle de Infecção do Hospital São Lucas (RS), conta que, geralmente, o que acontece é que o atendimento é lento e inadequado no pronto-socorro. Isso leva ao diagnóstico tardio e, por vezes, a óbito. "Tempo é célula", diz o infectologista.

Caso você desconfie que seus sintomas ou de seus parentes batem com os da sepse, pergunte ao médico ou enfermeiro que o atender, já na entrada do pronto-atendimento, se esta poderia ser uma possibilidade.

Aliás, uma das campanhas do Ilas (Instituto Latino Americano de Sepse), dirigida aos médicos e ao público em geral, tem como slogan a frase - Pense, pode ser sepse!

Na hora da consulta, o médico deve ouvir sua história e fazer o exame físico. A depender da causa da infecção, serão solicitados radiografia (para os casos de suspeita de pneumonia, por exemplo), exame de urina, ultrassom (para avaliar a presença de abcesso), além de um "pacote" de testes de sangue que inclui hemograma, nível de creatinina, bem como coleta de lactato, considerado um marcador importantíssimo para avaliar a gravidade do avanço da infecção.

Como é o tratamento da sepse?

"A pedra fundamental para tratar a sepse é o profissional de saúde ser capaz de identificar precocemente a doença", afirma Luciano Azevedo, presidente do Ilas. Quando isso acontece, o tratamento é relativamente simples: indica-se o uso de antibiótico já dentro da primeira hora da definição do diagnóstico, além de soro para hidratação e normalização da pressão.

Entenda a diferença entre sepse e choque séptico

Enquanto a sepse é uma resposta desregulada do seu organismo diante de uma infecção, o choque séptico é o comprometimento do sistema cardiovascular causado por ela.

Nesse momento, o paciente já não mais consegue manter a pressão arterial adequada e necessita de medicamento (vasopressor) para normalizá-la. A esse quadro se dá o nome de choque séptico, que é considerado grave e ainda aumenta o risco de morte.

Dá para prevenir?

Sim. E a melhor forma de fazer isso é educar-se sobre o que é a doença, aprender a reconhecer seus sintomas, especialmente se você integra algum grupo de risco. Além disso, proteja-se de infecções por meio da adoção de hábitos de vida saudáveis e higiene pessoal. Para alcançar este objetivo, aposte nas práticas abaixo.

No dia a dia

- Mantenha a carteira de vacinação em dia, especialmente para combater infecções por vírus e bactérias como Influenza, meningococo, pneumococo e hemófilos --veja no link as vacinas que adultos e idosos precisam tomar.

- Certifique-se de manter sua doença sob controle, caso você tenha algum problema crônico como diabetes.

- Lave as mãos antes das refeições, ao preparar alimentos e após o uso do banheiro. A higiene das mãos não só pode como deve ser feita com álcool-gel 70%, eficaz no combate aos micro-organismos. Cultive o hábito de tê-lo sempre com você. Caso sinta a mão suja --com gordura, por exemplo, lave a mão e após use o álcool.

- Escolha bem os locais onde se alimenta na rua para reduzir o risco de consumir comida contaminada.

- Evite aglomerações.

- Use antibióticos somente quando eles forem prescritos por um médico e faça o tratamento na forma e pelo tempo por ele indicado. Nunca se automedique.

Quando a infecção já está presente

- Procure ajuda médica tão logo perceba os sinais de uma infecção.

- Evite automedicar-se com antibiótico.

No hospital

Higienize as mãos antes e depois de se aproximar de um parente ou conhecido que esteja internado. Todos os hospitais têm o dever de disponibilizar álcool-gel para esse fim.


Hipertensão: causas, sintomas, diagnóstico e como baixar a pressão

A hipertensão arterial é o aumento anormal – e por longo período – da pressão que o sangue faz ao circular pelas artérias do corpo. Não à toa, a doença também é chamada de pressão alta.

Para chegar a cada parte do organismo, o sangue bombeado a partir do coração exerce uma força natural contra as paredes internas das artérias. Os vasos, por sua vez, oferecem certa resistência a essa passagem. E é essa disputa que determina a pressão arterial.

A pressão varia ao longo do dia. Numa pessoa deitada, ela fica mais baixa. Quando nos movimentamos, os valores sobem, porque o cérebro avisa que o corpo precisa de mais energia.

A pressão é apresentada em milímetros de mercúrio (mmHg). O indivíduo é considerado hipertenso quando sua pressão fica maior ou igual a 14 por 9 na maior parte do tempo. A partir desse limite, o risco de ocorrerem doenças cardiovasculares, renais e por aí vai é significativamente maior. Aliás, entidades americanas já até baixaram o sarrafo para 13 por 8.

Para fazer a medição, é utilizado um aparelho chamado esfigmomanômetro, posicionado em volta do braço, e um estetoscópio para ouvir os sons do peito. O primeiro número é registrado no momento em que o coração libera o sangue. Essa é a pressão sistólica, ou máxima – o recomendável é que não passe de 12 mmHg. O segundo valor é a pressão diastólica, ou mínima. O ideal é que fique em torno de 8 mmHg. É o famoso 12 por 8.

Quando a pressão fica descontrolada, o coração é o órgão mais afetado. Como a circulação está prejudicada pelo aperto nas artérias coronárias, ele não recebe sangue e oxigenação suficientes – um quadro que leva ao sofrimento do músculo cardíaco, podendo ocasionar o infarto.

O acidente vascular cerebral (AVC), o popular derrame, é outra consequência frequente da hipertensão. Com as constantes agressões da pressão, as artérias da cabeça não conseguem se dilatar e ficam suscetíveis a entupimentos. Os picos hipertensivos acabam servindo de estopim para um vaso ficar completamente obstruído ou então se romper.

Além do derrame, a pressão alta provoca uma série de pequenas obstruções e hemorragias no cérebro. Ao longo do tempo, esses episódios destroem os neurônios – o quadro é denominado demência vascular e leva à perda de memória.

Os rins também deixam de filtrar o sangue a contento quando a hipertensão se instala por muito tempo, e essa falha pode provocar insuficiência renal.

A pressão alta interfere ainda nos vasos que irrigam a retina, tecido no fundo do olho crucial para captação das imagens. É por isso que alguns hipertensos relatam sofrer de visão embaçada.

Sinais e sintomas

Dor de cabeça

Falta de ar

Visão borrada

Zumbido no ouvido

Tontura

Dores no peito

Fatores de risco

– Histórico familiar: filhos de pais hipertensos têm um risco 30% maior de ter pressão alta

– Idade: a partir dos 60 anos de idade, as artérias perdem a flexibilidade

– Etnia: a doença é mais prevalente na população negra e asiática

– Obesidade

– Poluição

– Estresse

– Sono irregular

– Menopausa: a queda dos hormônios femininos danifica as artérias

– Excesso de bebida alcoólica

– Tabagismo

– Alto consumo de sal

– Sedentarismo

– Diabetes

– Doenças renais

– Apneia do sono

– Hipertireoidismo

A prevenção

Um estilo de vida saudável influencia muito aqui. Dar um basta no sedentarismo, especialmente se valendo de atividades aeróbicas, como correr e nadar, induz a liberação óxido nítrico, substância vasodilatadora. Com as artérias relaxadas, a tendência é a pressão se manter mais baixa.

Verdade que, durante os treinos, é esperado que a pressão até suba um pouco – daí porque pacientes com hipertensão devem ter certos cuidados com os exercícios e buscar supervisão de um expert. Mas logo depois os números se estabilizam.

A alimentação é tão importante na prevenção da pressão alta que há uma dieta específica para esse fim. É a DASH, sigla em inglês para “dieta para combater a hipertensão”.

Ela foi criada em 1997 e se baseia em generosas doses de vegetais, frutas, legumes e grãos integrais no cardápio como forma de combater a elevação da pressão. São alimentos carregados de nutrientes como potássio, cálcio e magnésio – minerais que regulam a contração dos vasos sanguíneos e do coração.

O consumo de sódio, por outro lado, deve ser moderado. Ele é o principal componente do sal de cozinha, e exagerar na dose é um perigo. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é ingerir no máximo 5 gramas de sal por dia. Isso equivale a uma colher de chá.

Só não se esqueça de considerar os alimentos que têm sódio em sua composição, como o pãozinho, os temperos prontos, embutidos e produtos processados. Hoje, estima-se que o brasileiro consuma mais ou menos o dobro de sódio do que deveria. Essa é uma das razões pelas quais 30% da população possui hipertensão.

Não fumar, não extrapolar na ingestão de bebidas alcoólicas e driblar a insônia são atitudes bem-vindas. É importante também arrumar uma brecha na agenda para incluir momentos de prazer capazes de aliviar o estresse do dia a dia, outro sabotador das artérias.

O diagnóstico

Como a hipertensão não costuma dar sinais, é fundamental medir a pressão pelo menos uma vez por ano. Nas consultas de rotina, seja com o clínico geral ou algum especialista, sempre informe se algum parente sofre desse mal, sobretudo se for for o pai ou a mãe.

Para confirmar se uma pessoa possui pressão alta, a medição tem que ser feita em três dias diferentes. Antes de cada uma, o paciente deve seguir orientações como evitar tomar café ou bebidas estimulantes, descansar bem e relaxar. Na hora do exame, não se deve conversar nem ficar se mexendo. Esses cuidados são importantes para que o resultado seja o mais confiável possível. Se ainda assim restar alguma dúvida, o especialista solicita um exame que vigia a pressão ao longo de 24 horas – é o holter.

Pressão arterial: qual número é mais perigoso?

O rigor na medição ajuda ainda a identificar uma condição antes de chamada de pré-hipertensão – e agora rebatizada de pressão elevada. Entra nessa classificação quem estiver com a pressão acima dos 12 por 8 e abaixo dos 14 por 9, quando já se define a hipertensão propriamente.

Essa faixa intermediária, além de já causar eventuais estragos, revela que o indivíduo tem o dobro de risco de se tornar hipertenso. Quanto mais cedo essa ameaça é detectada, maior a chance de evitar que a doença se instale de vez.

Em mulheres grávidas, a atenção é ainda maior. Isso para impedir o aparecimento da pré-eclâmpsia. Trata-se de uma complicação da gestação marcada pelo aumento da pressão arterial na gravidez.

Essa condição aumenta a possibilidade de parto prematuro e, se não for controlada, evolui para eclâmpsia – quadro em que a mulher tem convulsões, com risco para a sua vida e a do bebê.

O tratamento

Uma pequena parcela de hipertensos (pequena, porém considerável) consegue dominar a doença apenas com ajustes no cardápio, exercícios físicos e controle do estresse. Para tomar a decisão de não entrar imediatamente com medicamentos, o médico se baseia em bons resultados gerais de exames como glicemia e colesterol e se os rins estão funcionando direito.

A ausência de outros problemas cardiovasculares também é considerada. Pesa ainda o fato de a pessoa ser ou não fumante.

As avaliações são periódicas. Em geral, depois de seis meses ele vai medir a pressão novamente. Se os valores caíram, é possível continuar nesse caminho, mas lembrando que a doença não foi eliminada e que, portanto, é preciso manter os cuidados.

Se mesmo depois das mudanças no estilo de vida a pressão continua subindo ou estabiliza apenas em um patamar elevadíssimo, o especialista prescreve remédio para controlar a situação. Ele indica, entre as diferentes categorias de antihipertensivos, aquela que vai trazer os melhores resultados em cada caso.

Alguns são diuréticos, ou seja, eliminam o excesso de sódio pelo xixi. Outros atuam como vasodilatadores. Há ainda os que impedem a entrada de cálcio nas artérias, diminuindo a resistência para a passagem do sangue. E um dos medicamentos mais usados impede a produção de angiotensina, molécula que faz os vasos se contraírem e aumenta a pressão.

A partir do estágio da doença classificado como moderado, a conduta é adotar dois ou mais antihipertensivos para atuar em diversas frentes.

Há também casos de hipertensão resistente – quando a pressão não fica abaixo de 14 por 9 mesmo com o uso de três classes de remédio. Aí, o cardiologista pode lançar mão de inovações a exemplo de um aparelho que emite ondas de alta frequência na região dos rins. Como nos hipertensos o cérebro manda uma mensagem errada a esses órgãos para liberarem substâncias vasoconstritoras, o objetivo do método é cortar essa comunicação.

Para isso, um cateter é introduzido na virilha e guiado até as artérias renais. Nesse ponto, é disparada uma radiação capaz de queimar alguns nervos, fechando assim a conexão com o sistema nervoso. Sem o estímulo enviado aos rins, os vasos podem se dilatar e a pressão tende a melhorar.

A conduta, entretanto, depende de cada caso. Mas o certo é que um estilo de vida balanceado sempre vai ajudar, não importa a gravidade.


Como exercício em excesso pode afetar coração, fígado e músculos

Já se sabe que treinar demais e descansar de menos causa problemas como insônia, enfraquecimento da imunidade e dores.

Um grupo de pesquisadores brasileiros tem sido pioneiro em ir além - na verdade, para dentro do corpo: eles buscam os efeitos do exercício físico excessivo em órgãos vitais como o coração e o fígado.

Os cientistas, das universidades estaduais de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e de Campinas (Unicamp) em Limeira, já estudam há uma década o impacto deste excesso no organismo --e reuniram suas principais descobertas em um artigo recém-publicado no periódico internacional Cytokine . As pesquisas receberam apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Coração, fígado, músculos e sistema nervoso mostraram, em experimentos com camundongos conduzidos pelos pesquisadores, alterações - algumas prejudiciais - após treinos muito intensos. Os testes incluíram corridas no plano, na subida e na descida por oito semanas.

A prática é nociva para o organismo, alertam os autores, caso não haja um período adequado de descanso e recuperação.

Fígado entra em cena para ajudar o músculo

Nos músculos, as células demonstraram mais dificuldade em captar a glicose no sangue --substância que é fonte de energia para as células, como o combustível do nosso corpo. Na modalidade de descida, os animais apresentaram ainda sinais de atrofia e má formação de proteínas no interior das células.

Mas, se nas células musculares, houve maior dificuldade de captar glicose, como o organismo supriu esta falta? Novos testes mostraram que o fígado teve um papel nisso, já que o órgão é um dos mais importantes no controle do açúcar no organismo.

 O órgão pode "estocar" glicose --para situações como a percebida pelos pesquisadores, em que o treino intenso levou a uma dificuldade dos músculos absorverem glicose. Cobaias, no experimento, mostraram aumento deste estoque.

Mas, como efeito negativo do excesso de esforço físico, os cientistas constataram também maior acúmulo de gordura no fígado e sinais de inflamação. Isto pode estar relacionado à atuação compensatória do fígado na administração do estoque de glicose, mas ainda não foi confirmado pelos estudiosos.

"O aumento da gordura no fígado é muito ruim, pois tem relação com uma série de doenças, como obesidade e diabetes. Mas é importante destacar que, nos experimentos, não constatamos estas doenças, apenas o acúmulo de gordura", destaca Adelino Sanchez Ramos da Silva, coordenador da pesquisa e professor da USP.

Até mesmo o coração incrementou sua participação na captação da glicose, com maior acúmulo da substância em seus tecidos.

Mas, como efeito negativo no coração, após as oito semanas de treino excessivo, foi observado também sinais de fibrose (endurecimento do tecido) no ventrículo esquerdo - alteração presente em condições patológicas como a insuficiência cardíaca.

Tanto neste órgão, quanto no fígado, sangue e músculos, foram detectados ainda substâncias que indicam ter ocorrido inflamações.

A importância do descanso

 O coodernador da pesquisa destaca ainda que o problema não está no exercício intenso em si --"ele é necessário, inclusive"--, mas quando ele não é combinado com um período de recuperação adequado.

Um repouso de duas semanas, por exemplo, foi suficiente nos experimentos para que camundongos recuperassem seu peso e apetite, duas alterações clássicas no estudo dos exercícios de intensidade.

Na rotina de exercícios de atletas ou amadores, diz Silva, o tempo de descanso recomendado varia. Para os primeiros, costuma-se indicar redução do tempo e da carga dos treinos e um possível aumento no período de recuperação; para os amadores, o intervalo recomendado depende da pessoa e dos exercícios realizados, mas tende a ir de 24 a 48 horas.

"A prática de exercício físico de maneira regular, moderada e supervisionada por um profissional de educação física é extremamente benéfica, uma vez que pode servir como estratégia não-farmacológica de prevenção e tratamento de uma série de doenças", aponta.

"No entanto, caso ocorra um desequilíbrio entre o excesso de exercício físico e os períodos de recuperação, o efeito do exercício pode se tornar prejudicial à saúde".

O papel das citocinas

Uma outra inovação proposta pelos pesquisadores diz respeito ao papel das citocinas, proteínas produzidas por células de defesa e que têm papel importante nas inflamações.

Uma explicação bem aceita na literatura científica até agora é a de que as citocinas seriam liberadas com o exercício excessivo, levando a várias mudanças no organismo e à queda na performance.

Mas a equipe liderada por Silva vem demonstrando que, mesmo quando as citocinas já estão em níveis normais após uma alta, a performance pode continuar prejudicada.

Assim, os cientistas brasileiros defendem que as citocinas não são a única explicação para a queda na performance --agora, a busca por outras justificativas continua.


Adolescentes que dispensam o café da manhã podem desenvolver obesidade

Em um trabalho publicado na Scientific Reports, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e de seis países europeus avaliam comportamentos determinantes para o ganho de peso entre crianças e adolescentes. A obesidade infantil pode favorecer o surgimento prematuro de problemas como o diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

O estudo destaca que o hábito de muitos adolescentes de pular o café da manhã em suas casas antes de seguir para as escolas guarda relação direta com o aumento da circunferência abdominal e com o aumento no índice de massa corporal (IMC) nesse grupo etário. Dispensar a primeira refeição do dia pode levar a uma dieta desequilibrada, além de hábitos nada saudáveis, o que pode tornar os adolescentes vulneráveis ao ganho de peso.

 Pular café da manhã pode promover hábitos e comportamentos não saudáveis - Heidi Uusitorppa - Flickr

“O principal achado de nosso estudo indica que pular o desjejum está associado a marcadores de adiposidade em adolescentes, independentemente de onde vivem, do tempo de sono ou do sexo”, disse Elsie Costa de Oliveira Forkert, epidemiologista e pesquisadora do Grupo de Pesquisa YCare do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.

“Ao dispensar o café da manhã, milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo podem substituir uma alimentação mais saudável dentro de casa (lácteos, cereais integrais e frutas) pelo consumo, em cafeterias e lanchonetes escolares, de alimentos industrializados muitas vezes hipercalóricos e de baixo valor nutricional, como salgadinhos, doces e refrigerantes, o que está diretamente ligado ao desenvolvimento da obesidade”, disse.

O artigo complementa o trabalho de pós-doutorado de Forkert, apoiado pela FAPESP, e contou com a colaboração de cientistas da Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Grécia e da Itália.

A partir dos dados de dois grandes estudos, um europeu e outro brasileiro, os cientistas avaliaram se os comportamentos relacionados ao equilíbrio energético adotados por esses adolescentes estariam associados a marcadores de adiposidade total e abdominal.

O estudo europeu é o Healthy Lifestyle in Europe by Nutrition in Adolescence Cross-Sectional Study (Helena-CSS), conduzido entre 2006 e 2007 e que avaliou 3.528 adolescentes de 10 grandes cidades europeias (composto por 52,3% de meninas e 47,7% de meninos, todos entre 12,5 e 17,5 anos), estratificados por idade, sexo, região e status socioeconômico. A coordenação do estudo europeu foi feita pelo professor Luis Alberto Moreno, da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Zaragoza, na Espanha.

Já o estudo brasileiro intitulado Saúde Cardiovascular do Adolescente Brasileiro (BRACAH Study), utilizando metodologia semelhante, avaliou 991 adolescentes (54,5% de meninas e 45,5% de meninos, com idade entre 14 e 18 anos) e foi conduzido em 2007 na cidade de Maringá (PR). Os adolescentes foram avaliados quanto a fatores de risco cardiovascular e comportamentos relacionados à saúde. O estudo BRACAH foi coordenado pelo professor Augusto Cesar Ferreira de Moraes, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP.

O novo estudo conduzido por Forkert avaliou peso e altura, índice de massa corporal (indicador de obesidade geral), circunferência abdominal e relação cintura-altura (indicadores de obesidade abdominal).

“Os comportamentos relacionados ao equilíbrio energético foram medidos por meio de questionário que avaliou, entre outros fatores, o nível de atividade física dos adolescentes (na escola, em casa, nas horas de lazer, no transporte), sendo que um mínimo de 60 minutos por dia de atividade física de moderada a vigorosa foi considerado adequado, enquanto atividade física inferior a 60 minutos ao dia foi considerada insuficiente”, disse Forkert.

Para averiguar o comportamento sedentário dos adolescentes, em dias de semana e fins de semana, foi considerado o tempo diário despendido na frente da televisão, do computador ou jogando videogames. O tempo de sono dos adolescentes pesquisados também foi examinado, considerando o tempo de sono habitual, em dias da semana e aos finais de semana.

O questionário de Escolhas e Preferências Alimentares, que explora atitudes e preocupações quanto a alimentação, estilo de vida e alimentação saudável entre os adolescentes, também foi usado para avaliar o consumo de café da manhã, com base no grau de concordância (em uma escala de 1 a 7) com a afirmação “Eu muitas vezes pulo o café da manhã”.

A partir dessas informações os cientistas analisaram se os adolescentes que dispensavem o café da manhã apresentavam, em média, valores maiores nos marcadores de adiposidade em relação aos adolescentes que tomavam o café da manhã.

“Dos comportamentos analisados, relacionados ao equilíbrio energético, o que mais apresentou associação com os marcadores de obesidade foi o comportamento de pular o café da manhã", disse Forkert.

SEDENTARISMO E MAIS CALORIAS

Tanto no estudo europeu como no brasileiro, os meninos se mostraram em média mais pesados e mais altos do que as meninas e apresentaram circunferência abdominal igualmente maior. “Verificamos um aumento médio na circunferência abdominal de 2,61 centímetros e 2,13 centímetros, respectivamente, nos meninos europeus e brasileiros, quando esses têm o hábito de pular o café da manhã”, disse Forkert.

“Por outro lado, quando usamos o tempo de sono influenciando a associação entre os outros comportamentos e os marcadores de obesidade, observou-se que os meninos europeus e brasileiros que pularam o café da manhã, mesmo dormindo adequadamente [oito horas por dia ou mais], aumentaram em média 1,29 kg/m² e 1,69 kg/m² o índice de massa corporal, respectivamente”, disse.

Entre os meninos europeus e brasileiros, pular o café da manhã foi o comportamento predominante, mostrando associação positiva com os indicadores de obesidade (índice de massa corpórea, circunferência abdominal e relação cintura-altura).

“O mesmo ocorreu entre meninas europeias. Diante do comportamento de pular o café da manhã, mesmo dormindo adequadamente houve uma associação positiva com os marcadores de obesidade geral e abdominal. Por exemplo, a circunferência abdominal aumentou em média 1,97 centímetro e a relação cintura-altura 0.02”, disse Forkert.

Em relação às meninas estudadas, as brasileiras se mostraram mais sedentárias do que os meninos. Já as europeias, apesar de apresentarem menor prevalência de comportamentos sedentários, eram, em contrapartida, menos ativas fisicamente quando comparadas aos meninos europeus, embora mais ativas do que os adolescentes brasileiros. O comportamento sedentário (mais de duas horas por dia) nessas adolescentes europeias mostrou um aumentou na circunferência abdominal (em média de 1,20 cm), mesmo tendo um tempo de sono adequado.

“No entanto, entre os meninos brasileiros que dormiam menos de oito horas por dia, observou-se uma proteção quanto à obesidade geral [em média uma diminuição de -0,93 kg/m²]”, disse Forkert.

Segundo a pesquisadora, embora a investigação de tais comportamentos não tenha sido contemplada no estudo, “pode-se imaginar que, entre os adolescentes de comportamento mais sedentário e que passam mais tempo diante da televisão, no computador ou brincando com eletrônicos, eles podem estar se alimentando inadequadamente enquanto assistem televisão ou jogam. O sedentarismo associado ao maior consumo calórico é um caminho direto para a obesidade”.


O que a queda de cabelo pode dizer sobre sua saúde

A calvície não é uma questão só de estética. Embora na maioria dos casos de fato não sinalize problemas maiores, é possível que a queda de cabelo seja consequência de outras doenças. Daí porque o dermatologista Matthew Harries, consultor da instituição britânica Salford Royal NHS Foundation Trust, publicou um artigo científico chamado “Alopecia na medicina”.

No levantamento, ele destaca as causas da perda de fios capilares e deixa claro: toda calvície merece uma investigação. Em entrevista a SAÚDE, Harries explicou a importância de ficarmos atentos ao próprio couro cabeludo e revelou algumas das principais enfermidades que fazem as madeixas rarearem. Confira abaixo:

Matthews Harries: Ele foi feito para ficarmos mais atentos à queda de cabelo em pacientes no hospital. A perda de cabelo é frequentemente dispensada pelos médicos, sob a alegação de ser um problema cosmético. No entanto, nós mostramos que o sintoma pode ser o primeiro sinal de várias doenças de base ou mesmo um importante efeito colateral de tratamentos medicamentosos. Também destacamos o forte impacto psicológico provocado pela calvície.

Quais as principais condições sistêmicas que provocam queda de cabelo?

Em pessoas com perda geral de cabelo, várias possíveis causas precisam ser verificadas, incluindo problemas de tireoide, deficiências nutricionais e de ferro, uso de certas medicações e por aí vai. Uma avaliação clínica e exames de sangue são importantes nessa situação. Mulheres que com uma calvície mais associada aos homens [calvície androgenética], especialmente se também apresentam crescimento anormal de pelos corporais, menstruação irregular e acne, podem ter uma disfunção hormonal.

A perda de cabelo pode ser um dos primeiros sinais notados de uma determinada doença?

Sim. Certos tipos de calvície pedem uma avaliação inicial para verificar isso. Esses testes dão pistas que, se necessário, vão exigir mais exames. Por exemplo: alguém apresenta uma queda de cabelo difusa. Ao fazer um teste sanguíneo, identifica-se uma deficiência de ferro. Aí, é necessário realizar outros exames, como uma colonoscopia ou endoscopia, para identificar a origem da carência do mineral.

Algumas evidências apontam que o diabete e a obesidade estariam associadas com queda de cabelo. Isso confere?

Diferentes tipos de calvície podem afetar os diabéticos. A chamada alopecia areata [uma condição em que o sistema imune da própria pessoa agride o couro cabeludo] é vista com mais frequência nessa população. E também já está bem reconhecido que o emagrecimento melhora as manifestações do hiperandrogenismo em mulheres obesas, o que amenizaria a calvície androgenética.

Calvícies autoimunes pode aumentar o risco de outras doenças?

Pessoas com alopecias autoimunes estão mais sujeitas a desenvolver outras condições autoimunes, como problemas de tireoide e vitiligo.


A prática de exercícios está relacionada com o aumento da expectativa de vida

Quando vamos ao médico, frequentemente nos deparamos com a seguinte pergunta: Com qual frequência você realiza atividades físicas? Apesar de parecer estranha, essa pergunta diz muito a respeito da saúde. A seguir demonstraremos os benefícios das atividades físicas e como você pode melhorar sua qualidade de vida de maneiras simples.

Os exercícios físicos são essenciais para uma vida saudável e para a prevenção de diversas patologias. Muitos estudos relacionam os exercícios até mesmo com o aumento da expectativa de vida. Isso mesmo, quem não pratica exercícios físicos vive menos! O sedentarismo e maus hábitos de vida fazem com que doenças graves desenvolvam-se.

Normalmente a pessoa que procura uma academia ou inicia algum esporte está em busca da perda de peso. Entretanto, a prática de exercícios está relacionada com benefícios muito maiores do que apenas diminuir medidas. Pesquisas comprovam que exercícios melhoram o aprendizado, diminuem problemas de depressão, ajudam no tratamento de diabetes, melhoram a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuem as crises de enxaqueca e previnem infartos, derrames, osteoporose e outras doenças. Além disso, exercícios dão mais disposição, aumentam a autoestima, diminuem o estresse e aumentam a qualidade do sono.

Os exercícios aeróbicos, tais como caminhada, natação, hidroginástica, bicicleta e dança, estão relacionados com a melhora da oxigenação do coração e dos pulmões e com a diminuição do mau colesterol (LDL) e triglicérides. Esses exercícios são os melhores para a promoção da saúde e para o bem-estar.

Já para ganhar massa e força muscular, os exercícios indicados são os de musculação, também chamados de exercícios de carga. Esses exercícios também são importantes porque aumentam a força para evitar lesões, diminuem dores lombares, também reduzem o mal colesterol (LDL) e previnem doenças. Sem contar a melhora estética.

Não importa qual exercício físico você realiza, o importante é não ficar parado e praticar essa atividade com regularidade. Entretanto, não é recomendado fazer atividades físicas sem antes consultar um médico, pois devem ser realizados exames antes de iniciá-las. Estando apto para praticar exercícios, basta escolher o que mais lhe agrada. É importante gostar do exercício escolhido, pois só assim você evitará o abandono da atividade.

O ideal é que as atividades físicas sejam realizadas por, no mínimo, 30 minutos e quatro vezes durante a semana. Perceba que o tempo é pequeno e você pode facilmente conseguir realizar esse período de atividades se mudar um pouco sua rotina. Leve seu cachorro para passear, acorde cedo, vá à padaria a pé, opte pela escada em substituição ao elevador ou, quem sabe, vá trabalhar ou estudar de bicicleta. São coisas simples que podem mudar sua vida.


Quantas vezes por semana devo treinar para ter saúde, força ou emagrecer?

03Na academia você encontra pessoas com diferentes objetivos. Muitos estão lá para emagrecer, outros querem ganhar músculos e há também aqueles que já estão satisfeitos com o corpo e buscam simplesmente manter a saúde.

Obviamente, o formato de treino, as cargas usadas e os tipos de exercícios mudam bastante conforme a meta de cada um. Mas e a frequência na atividade física? Será que alguém que deseja apenas aliviar o estresse ou manter o colesterol controlado precisa malhar o mesmo número de vezes que quem busca hipertrofia? Respondemos a seguir.

Para ter mais saúde

Se sua ideia é apenas espantar o sedentarismo para ter bem-estar e ficar longe de doenças como infarto e AVC, você não precisa "bater ponto" na academia todos os dias. Segundo o American College of Sports Medicine, realizar cinco sessões de 30 minutos de atividade física moderada já é suficiente para ter saúde. E  ainda é possível garantir o mesmo benefício em três treinos de 20 a 60 minutos de exercício vigoroso.

"Correr três vezes por semana, por exemplo, já é o bastante para proporcionar benefícios como a redução da frequência cardíaca em repouso --que diminui o risco de problemas no coração -- e evitar o desenvolvimento de diabetes", afirma Murilo Alves de Souza, formado em educação física pela Universidade Federal de São Paulo (USP) e professor da academia Bodytech. Adicionar a isso dois treinos de musculação vai ajudar na manutenção da massa magra, melhorar a postura e reduzir o risco de lesções, garantindo a você um corpo ainda mais saudável.

Para emagrecer

Antes de qualquer coisa, entenda que se não tiver uma dieta adequada vai ser muito difícil alcançar seu objetivo, mesmo que malhe todos os dias. Isso posto, vamos lá... O processo é muito mais complexo do que isso, mas, basicamente, para emagrecer você precisa gastar mais calorias ao longo do dia do que consome", afirma Paulo Roberto Correia, fisiologista do exercício e genética do esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Como a atividade física proporciona um aumento no gasto calórico tanto durante o exercício quanto nas horas seguintes ao treino --pois o organismo precisa de muita energia para recuperar os danos causados pelo esforço --, três a sete dias de atividade por semana podem ajudar a conseguir bons resultados na balança.

Você notou que a variação é grande, né? Isso porque o número de sessões depende da intensidade de cada treino. Se investir em exercícios de alta intensidade, o indicado é malhar dia sim e dia não, para dar tempo para o corpo se recuperar. Agora, caso o exercício seja leve, é possível até treinar todos os dias. Busque orientação de  um educador físico para encontrar o melhor plano para você.

Para aumentar os músculos

O foco é a hipertrofia ou ganho de força? O número de vezes que você vai à academia depende da divisão do formato do seu programa de musculação (A,B; A,B,C; A,B,C,D etc.), mas já é possível obter bons resultados com três treinos --sendo que o mais indicado geralmente é quatro ou cinco e algumas pessoas chegam a malhar sete vezes.

Segundo Ronie Hornos, coordenador de esporte e educação física do Colégio Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, o mais importante é respeitar o tempo de descanso que um grupo muscular precisa para se recuperar --por isso, você não fazer em dias seguidos exercícios que trabalham o bíceps (ou pernas, costas, peito), por exemplo. "Para evoluir, nosso corpo obedece o processo de supercompensação, isto é: estresse, repouso e adaptação, inclusive com o sistema muscular", esclarece.

"É durante o repouso que acontece a regeneração e construção muscular, e também é quando o nosso corpo se recupera energeticamente para que tenhamos ânimo e disposição para o próximo treino", completa Cau Saad, professora de educação física e pós-graduada em metodologia do treinamento específico.

E saiba que existem músculos que são trabalhados mesmo quando você faz movimentos focados em outras partes do corpo. O bíceps e os ombros, por exemplo, são recrutados nos exercícios para as costas. Portanto, lembre-se, a orientação de um educador físico é fundamental para você não sobrecarregar um grupo muscular, prejudicar seus resultados e sofrer lesões.

Para melhorar na corrida

Para quem busca melhor o tempo nos 10 km ou completar uma meia maratona (21,097 km), a planilha deve ser cumprida de três a quatro vezes na semana. "O importante também é respeitar um intervalo de recuperação entre os treinos, que pode variar de 24 horas a 72 horasm, ou mais", ensina Cristiano Parente, professor e coach de educação física e especialista em fisiologia do exercício pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). No caso da corrida, até é possível treinar em dias seguidos, desde que depois de um treino forte você faça um bem leve.


Novo estudo mostra que carne branca também aumenta os níveis de colesterol

Contrariando o senso comum, comer carne branca pode ter os mesmos efeitos no colesterol do que quando ingerimos carne vermelha. É o que diz um estudo recente publicado no American Journal of Clinical Nutrition.

Conduzido por cientistas do Children's Hospital Oakland Research Institute(CHORI), a pesquisa surpreendeu os estudiosos ao mostrar que um alto consumo de carne vermelha ou branca resultou em níveis de colesterol similares e mais altos do que nos pacientes que consumiram uma dieta baseada apenas em plantas.

Mais que isso, os médicos perceberam que, independente da fonte de proteína consumida, os níveis de colesterol LDL continuavam altos se a dieta no geral fosse rica em gordura saturada. A pesquisa não incluiu na análise dietas com peixe ou carnes processadas (como bacon e linguiça).

Como o estudo foi feito?

  • Foram recrutados 113 homens e mulheres com idade entre 21 e 65 anos, com IMC de peso normal ou sobrepeso;
  • Eles primeiro foram submetidos a uma dieta simples de duas semanas para testar se seriam capazes de seguir uma dieta controlada;
  • Depois foram divididos em dois grupos: dieta rica em gordura saturada versus dieta pobre nesse macronutriente;
  • Em seguida, esses grupos foram mudando as fontes de proteína em suas respectivas dietas, consumindo primeiro carne vermelha por quatro semanas, ficando entre duas e sete semanas na dieta normal e depois retomando a dieta anterior mas com carne branca por mais quatro semanas. Depois de outro intervalo, foram mais quatro semanas com a dieta sem carne;
  • Eles perceberam que nas dietas com carne vermelha e branca o colesterol LDL estava mais alto do que quando a carne era retirada, independentemente da dieta ser rica ou pobre em gorduras saturadas de modo geral.

O que isso significa?

O consumo de carne vermelha está sob ataque nos últimos anos principalmente após diversas organizações, incluindo a OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmarem que o excesso desse alimento traz danos à saúde e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Acreditava-se, até então, que a carne branca era uma opção mais saudável.

O novo estudo, no entanto, indica que a restrição ao consumo de carne no geral, seja ela branca ou vermelha, é mais recomendável para auxiliar na redução dos níveis de colesterol. A análise ainda mostrou que uma dieta rica em proteínas de plantas ou de fontes que não sejam carne (como ovos, leite e legumes) é a que apresenta o melhor resultado nesse quesito.

No entanto, ele foi feito com poucas pessoas, portanto deve ser considerada uma evidência preliminar e mais estudos precisam ser feitos.


Você sabe por que a panturrilha é considerada nosso segundo coração?

Nem todo mundo sabe, mas as panturrilhas têm papel fundamental no nosso organismo. Apesar de geralmente só serem lembradas quando sentimos cãibras, as populares "batatas da perna" não servem apenas para andar ou ajudar a manter o equilíbrio e a postura, como também têm função importante na circulação sanguínea. São elas que auxiliam o retorno do sangue que já circulou pelo corpo, chamado de sangue venoso, para o coração.

 O sangue é bombeado com uma força intensa pelo coração para o corpo todo. No entanto, o caminho de volta não é tão simples e fácil, especialmente na irrigação dos pés e das pernas, em que é preciso agir contra a gravidade.

Com a necessidade de percorrer o caminho de baixo para cima e subir uma distância de cerca de 1,20 metros, o sangue venoso precisa de impulso para conseguir voltar ao coração e completar o ciclo circulatório e aí é que entram as panturrilhas.

Uma bomba auxiliar

Quando há a contração da musculatura das panturrilhas, as veias da perna são comprimidas e assim ocorre um aumento de pressão dentro da cavidade, impulsionando o sangue. Por isso, as veias e valvas localizadas nas panturrilhas são algumas das mais importantes que temos para empurrar esse sangue venoso de volta para cima, até chegar ao coração. E são cerca de 100 ml de sangue por minuto!

Esse movimento ocorre de forma constante, mas ganha mais intensidade quando fazemos alguma atividade física. Os músculos que formam a "batata da perna" são envoltos por estruturas firmes (chamadas de aponeuroses) que, no movimento de contração durante o caminhar, por exemplo, aumentam a pressão e ainda auxiliam na limpeza do sangue.

É como se o nosso coração, ou seja, a nossa "bomba principal" tivesse múltiplas bombas centrais e periféricas funcionando como auxiliares, contribuindo no trabalho da circulação do sangue no corpo. Ao todo estima-se que são seis distribuídas pelo nosso corpo, sendo a panturrilha a mais importante delas.

Mas e se a panturrilha não tem força suficiente?

O principal problema nesses casos é a Insuficiência Venosa Crônica, caracterizada pelo surgimento das varizes. Isso ocorre porque as valvas nas veias não conseguem transportar adequadamente o sangue venoso para o coração. O resultado é um acúmulo do sangue não oxigenado nas pernas.

Além das varizes, alguns sinais indiretos podem dar indícios de que o sangue não está voltando como deveria, entre eles: dores e coceira frequente nas pernas, sensação de queimação e cansaço nos pés e inchaço nos membros inferiores, principalmente no fim do dia.

Há ainda o risco do surgimento de outras doenças, entre elas a trombose venosa, flebites (inflamação dos vasos), gangrena, acidentes vasculares cerebrais (derrames) e doenças arteriais, como infarto do miocárdio. Como evitar que tudo isso ocorra? De modo geral fugindo do sedentarismo e da obesidade.

Fortalecer a panturrilha é mais do que uma preocupação estética, é questão de saúde!

Para exercer corretamente sua função, a bomba muscular da panturrilha deve ser ativada diariamente e a melhor forma de fazer isso é com a prática de atividades físicas. São os exercícios que vão liberar a passagem do sangue sem necessidade de aumentar a pressão ou fazer as valvas do bombeamento perderem a capacidade. Portanto, fortalecer as panturrilhas - combinado a uma alimentação balanceada -, contribuí com a saúde cardiovascular.

Atividades que façam a contração e o relaxamento dos músculos das pernas, por exemplo, correr, pedalar, fazer práticas como jump, pilates e musculação ou até mesmo caminhar, melhoram a circulação, evitando as complicações vasculares e varizes.

Além disso, é preciso evitar ficar muito tempo em pé (para não dificultar a subida do sangue) bem como não passar muito tempo sentado, sem movimento. Essa última posição faz as veias dilatarem e exercerem mais pressão para bombear o sangue.

A recomendação para quem precisa ficar horas em pé ou sentado constantemente, mesmo aquelas pessoas que praticam exercícios regulares, é de dedicar alguns minutos do dia para um exercício simples, mas que ajuda a panturrilha trabalhar melhor. Basta movimentar o pé como fazemos ao pisar no acelerador de um carro. Esse movimento ativa as "batatas da perna" imediatamente. Outra dica é sempre que possível intercalar o sentar e o andar. Manter as pernas levantadas ao fim do dia pelo tempo mínimo de 15 minutos também pode ajudar o corpo a drenar o sangue.

A perda de massa muscular

Com o envelhecimento do corpo há também uma perda de massa muscular, ou seja, as panturrilhas vão enfraquecendo e, por consequência, o sangue começa a circular com mais dificuldade. Por isso, a prática de atividades físicas é importante em qualquer idade. Sem exercício, o declínio da massa muscular vai acontecer de forma mais rápida. Portanto, com orientação profissional e respeitando os limites do seu corpo, mantenha a prática regular de atividades. Como vimos, o alongamento e o condicionamento dos músculos da panturrilha auxiliam no tratamento e evitam problemas circulatórios futuros.


Nunca ter treinado não afeta ganho de massa em idosos que começam a malhar

Praticar atividades física na terceira idade é muito importante para preservar a massa muscular, manter a funcionalidade do corpo, a mobilidade e evitar problemas como osteoporose e fraturas. E não pense que uma pessoa que nunca fez exercícios vai deixar de aproveitar os benefícios do treino de força ou ter resultados muito piores do que quem malha há anos.

Um estudo realizado por cientistas da University of Birmingham's School of Sport and Exercise Science descobriu que idosos que não seguiram um programa de treinamento regular ao longo da vida possuem praticamente a mesma habilidade de ganhar músculos de pessoas altamente treinadas com a mesma idade quando são induzidos ao treino de força.

"Nossa pesquisa mostrou claramente que nunca é tarde para começar a treinar. Mesmo iniciando a atividade física em uma fase mais avançada da vida isso irá ajudar a retardar a fragilidade e a fraqueza muscular relacionadas à idade", declarou Leigh Breen, líder da pesquisa publicada no periódico Frontiers in Physiology.

Como o estudo foi feito

  • A pesquisa contou com a participação de 8 homens (idade média de 73 anos) que não estavam acostumados a treinar e 7 voluntários do sexo masculino (idade média de 70 ano) que tinham a atividade física como hábito.
  • Os dois grupos foram submetidos a exercícios com peso.
  • Então, os cientistas comparam a síntese (construção) de proteína muscular dos voluntários e descobriu que ela é similar tanto em repouso quando após o treino de força.

4 ótimos exercícios para evitar problemas na terceira idade

  1. Musculação O treino resistido é importante para prevenir a sarcopoenia —perda de massa muscular que se torna mais acentuada com o passar dos anos, que leva à redução de força e da mobilidade.
  2. Tênis O esporte exige atenção, raciocínio, coordenação e agilidade motora, o que estimula bastante o cérebro durante a prática e contribui na prevenção de algumas demências, como Parkison e Alzheimer.
  3. Dança É uma atividade aeróbica lúdica, que promove o convívio social e gera prazer. Isso estimula a produção de neurotransmissores que relaxam, melhoram o humor e ajudam a reduzir quadros de depressão e ansiedade.
  4. Corrida Atividades de impacto, como correr e caminhar, estimulam a produção de massa óssea e contribuem para o fortalecimento do esqueleto, reduzindo o risco de problemas como osteoporose.