Uveíte também deixa os olhos vermelhos, mas é mais grave que conjuntivite

Na maioria das vezes, ao perceber os olhos avermelhados e uma maior sensibilidade à luz, automaticamente relacionamos esses sinais à conjuntivite. De certa maneira, pensar nesse diagnóstico não está errado, mas acontece que existe outra doença —mais grave— que pode estar por trás desse sintoma: é a uveíte.

O problema se dá por conta de uma inflamação no chamado tecido uveal, que é composto pela íris, corpo ciliar e coróide. E as causas para o problema são diversas. Desde agentes infecciosos, como toxoplasmose (uma das principais causas da uveíte no Brasil), sífilis, tuberculoses etc, ou por conta de alguma doença autoimune.

Muitas vezes, a inflamação dos olhos acompanha ou até acontece antes da manifestação de algumas doenças, como por exemplo a artrite idiopática juvenil (antes chamada de artrite reumatoide), doenças reumáticas e intestinais nos adultos, dentre outras.

Além dos olhos vermelhos

A uveíte, assim como a conjuntivite, tem como primeiro sintoma a vermelhidão ocular, porém na conjuntivite não se observa sinais de inflamação intraocular, e sim somente na conjuntiva. Além disso, a uveíte não é contagiosa e apresenta outros sintomas frequentes, como dor ocular, visão turva, sensibilidade à luz e manchas escuras que flutuam no campo visual, também conhecidas como moscas volantes.

E para chegar ao diagnóstico da doença, primeiramente, é feita uma anamnese (conversa entre o médico e o paciente), após isso, são realizados exames oftalmológicos, assim como testes complementares feitos em laboratórios e exames de imagem, se necessários.

Tratamento diverso

São diversas as formas de tratar a uveíte. Isso porque a terapia é direcionada à causa da doença. No caso de infecções, utiliza-se medicação específica contra o agente causador (antibióticos, antivirais etc). Naqueles casos cuja causa é autoimune, são usados medicamentos como corticoides, imunomoduladores, imunossupressores e, mais recentemente, uma classe de drogas denominada modificadores da resposta biológica.

E para controle da inflamação, o uso do corticoide na forma de colírio, ou via oral, tem sido a base do tratamento.

Recentemente, foi incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde) um medicamento que pode contribuir na terapia contra a uveíte. Muito utilizado no tratamento de outras doenças, como a artrite idiopática juvenil, o remédio, que tem como substância principal a chamada adalimumabe, é um modificador da resposta biológica que age sobre a inflamação nas uveítes não infecciosas, além de ser recomendado para pacientes adultos que não estejam respondendo corretamente ao tratamento com corticoide.

Tem cura?

Quando a doença é do tipo infecciosa, uma vez tratada corretamente, pode evoluir com cura. No entanto, existem doenças como a toxoplasmose que podem voltar mesmo tendo sido tratada. Se isto ocorrer, a terapia deve ser reintroduzida em cada episódio de recidiva.

Já nas uveítes autoimunes, mesmo após o tratamento da crise aguda da doença, é necessário o tratamento e o acompanhamento por um tempo mais prolongado para ter certeza que a doença está controlada. A terapia deve ser levada muito a sério, afinal de contas, a uveíte pode causar cegueira de forma irreversível.

Por isso, ao detectar vermelhidão nos olhos que não diminuem, o primeiro passo é procurar um oftalmologista imediatamente.


Dificuldade em engordar: 8 dicas para ganhar peso sem comprometer a saúde

Provavelmente, você já ouviu a expressão ser "magro de ruim" para se referir a uma pessoa que mesmo comendo bastante não engorda. E apesar de causar inveja em muita gente, estar abaixo do peso gera desconfortos com a aparência em algumas pessoas e, em certos casos, pode estar associado a problemas de saúde.

Mas, quando alguém é considerado muito magro? Uma forma de avaliar é por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), que é uma medida obtida dividindo o peso pela altura ao quadrado. Pessoas com IMC abaixo de 18,5 são consideradas muito magras, porém possuir um IMC abaixo de 16 indica uma magreza excessiva ou grave.

Vale ressaltar que a magreza não é sinônimo de saúde. Quem está abaixo do peso deve realizar um check-up para garantir que está tudo bem com o organismo. Em muitos casos, essas pessoas não estão recebendo as vitaminas e nutrientes essenciais de que o corpo necessita. Há várias condições que podem causar a magreza em excesso ou a facilidade para perder peso. Entre elas, destacam-se os distúrbios alimentares como anorexia e também doenças como diabetes, hipertireoidismo, infecções ou câncer.

Agora, se está tudo bem com sua saúde e sua dificuldade de engordar ocorre devido a questões genéticas ou hábitos alimentares ruins, não adianta sair comendo tudo o que vê pela frente para engordar. É claro que é preciso consumir mais calorias do que se gasta. No entanto, ingerir "calorias vazias" —como doces, frituras, refrigerantes, bebidas alcoólicas, entre outras guloseimas — não nutre o corpo e ainda pode levar a problemas como diabetes, colesterol e triglicérides alterados.

Para engordar de forma saudável é fundamental seguir algumas estratégias e não comprometer o bem-estar do organismo. Veja os detalhes a seguir.

  1. Inclua mais proteína na dieta

As proteínas são indispensáveis ao corpo humano, pois além de contribuírem como fonte energética, são responsáveis pelo crescimento muscular e pela manutenção do organismo. Suas fontes mais ricas são os ovos, o leite, o queijo e as carnes de todos os tipos, porém a melhor opção são as mais magras, grelhadas ou assadas. Enquanto as leguminosas são as melhores fontes de proteína vegetal. Outras fontes vegetais incluem castanhas e nozes. Aumentar o consumo de proteínas leva a um ganho de peso saudável e sustentável.

  1. Fracione as refeições

É importante manter a rotina de fazer três refeições principais por dia —café da manhã, almoço e jantar — e dois lanches intermediários. Dessa forma, aumenta-se a ingestão calórica, dividindo as refeições em maior número.

Não é recomendado ficar longos períodos sem se alimentar e é preciso manter o hábito de fazer pequenos lanches entre as refeições. Mas, é importante escolher alimentos saudáveis para esses lanchinhos. Prefira alimentos ricos em fibras, com proteína magra, pães integrais ou frutas, por exemplo.

  1. Invista em atividades físicas

As pessoas magras também precisam se exercitar. A atividade física ajuda a desenvolver massa muscular e consequentemente gera um aumento no peso saudável. Além disso, a prática de atividade física aumenta a disposição e até mesmo a fome. Há várias opções de atividade, mas para quem busca ganhar peso, os exercícios de força, como musculação, são os mais indicados.

Mas é importante começar devagar. Uma pessoa sedentária, por exemplo, precisa começar com treinos mais leves, focados em repetições, com mais resistência para depois investir nos treinos de hipertrofia (aumento da massa muscular). É importante sempre ter a orientação de um profissional durante o treino. A atividade física ajuda a ganhar massa muscular e não apenas gordura, além de contribuir com um estilo de vida mais saudável e na diminuição do estresse.

  1. Não se esqueça das gorduras boas

As gorduras consideradas boas são essenciais para o metabolismo e a manutenção de funções fisiológicas como a síntese de hormônios, e contêm micronutrientes indispensáveis para o ganho de peso. Elas são fontes de energia, além de ajudarem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).

Priorize as gorduras insaturadas, presentes em alimentos como azeite, amendoim, abacate, peixes, sementes de linhaça e chia, castanhas, nozes e amêndoas, entre outros.

  1. Alie-se aos carboidratos certos

Os carboidratos complexos são fundamentais para o funcionamento do organismo e trazem muitos benefícios para a saúde. É importante evitar os carboidratos processados, que são menos nutritivos e sempre que possível optar por fontes naturais desse macronutriente. Por isso, vale investir em arroz, pão integral, quinoa, aveia e também alimentos como feijão, lentilha e batata-doce, por exemplo.

  1. Fique longe do cigarro

É importante manter os hábitos saudáveis mesmo sendo uma pessoa magra, e por isso, é necessário ficar longe do cigarro. Sabe-se que a nicotina ajuda a diminuir o apetite por meio da ativação de um grupo específico de neurônios no cérebro. Além disso, fumar aumenta as chances do surgimento de outras doenças como câncer.

  1. Evite junk food

É necessário ficar longe de fast foods para controlar a ingestão de sódio e evitar o consumo de alimentos processados e ultraprocessados. A recomendação é consumir com bastante moderação frituras e açúcar refinado. Esses alimentos podem até engordar, mas são pobres em nutrientes e levam ao aumento do colesterol ruim.

  1. Mantenha uma rotina e vá devagar

A maneira mais segura de ganhar peso é mudar os hábitos de forma lenta e seguindo sempre um objetivo. Todos os dias, o corpo queima naturalmente as calorias consumidas e é importante comer um pouco mais de fontes de energia e criar o hábito de ter "excedente" para ganhar peso e músculos saudáveis.

 


Alimentos integrais ajudam a regular sistema digestório, se consumido sem exagero

Na busca pela alimentação saudável, os alimentos integrais sempre aparecem nas recomendações dos nutricionistas. Por não passarem por nenhum processo de refinamento, eles preservam a maior parte de suas fibras.

Os alimentos integrais são ricos em fibras, vitaminas e minerais, tendo um valor nutricional elevado quando comparado aos alimentos refinados. Garantem o fornecimento de sais minerais importantes para a saúde: selênio, zinco, cobre, ferro, magnésio e fósforo. Portanto, possuem um valor nutricional diferenciado e enriquecido — explica Caroline de Salve, especialista em Nutrição.

Apesar de apresentar bons benefícios, existe um limite para o consumo de alimentos integrais. A recomendação é ingerir, no máximo, 30g diárias de fibras. Mais do que isso, o alimento pode causar prejuízos à saúde.

Comer muita fibra pode retardar a absorção de alguns nutrientes, como o ferro e o cálcio, e ficar com deficiência desses minerais — afirma a nutróloga Cassandra Pauperio.

A especialista também reforça que ingerir água é fundamental para que as fibras promovam um bom funcionamento intestinal. Caso contrário, a pessoa pode ficar com prisão de ventre.

A cada dia, os alimentos integrais estão ganhando mais espaço nas prateleiras dos supermercados. Mas, infelizmente, alguns produtos que se dizem integrais, não o são. Caroline ensina como não ser enganado:

De acordo com as normas da Anvisa, a lista de ingredientes deve vir em ordem decrescente de quantidade, então a farinha integral precisa estar em primeiro lugar.

Benefícios:

Os alimentos com fibras ajudam a emagrecer, previnem doenças, combatem o colesterol, auxiliam na digestão e controlam a absorção do açúcar.

 

 

 


A prática de exercícios está relacionada com o aumento da expectativa de vida

Quando vamos ao médico, frequentemente nos deparamos com a seguinte pergunta: Com qual frequência você realiza atividades físicas? Apesar de parecer estranha, essa pergunta diz muito a respeito da saúde. A seguir demonstraremos os benefícios das atividades físicas e como você pode melhorar sua qualidade de vida de maneiras simples.

Os exercícios físicos são essenciais para uma vida saudável e para a prevenção de diversas patologias. Muitos estudos relacionam os exercícios até mesmo com o aumento da expectativa de vida. Isso mesmo, quem não pratica exercícios físicos vive menos! O sedentarismo e maus hábitos de vida fazem com que doenças graves desenvolvam-se.

Normalmente a pessoa que procura uma academia ou inicia algum esporte está em busca da perda de peso. Entretanto, a prática de exercícios está relacionada com benefícios muito maiores do que apenas diminuir medidas. Pesquisas comprovam que exercícios melhoram o aprendizado, diminuem problemas de depressão, ajudam no tratamento de diabetes, melhoram a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuem as crises de enxaqueca e previnem infartos, derrames, osteoporose e outras doenças. Além disso, exercícios dão mais disposição, aumentam a autoestima, diminuem o estresse e aumentam a qualidade do sono.

Os exercícios aeróbicos, tais como caminhada, natação, hidroginástica, bicicleta e dança, estão relacionados com a melhora da oxigenação do coração e dos pulmões e com a diminuição do mau colesterol (LDL) e triglicérides. Esses exercícios são os melhores para a promoção da saúde e para o bem-estar.

Já para ganhar massa e força muscular, os exercícios indicados são os de musculação, também chamados de exercícios de carga. Esses exercícios também são importantes porque aumentam a força para evitar lesões, diminuem dores lombares, também reduzem o mal colesterol (LDL) e previnem doenças. Sem contar a melhora estética.

Não importa qual exercício físico você realiza, o importante é não ficar parado e praticar essa atividade com regularidade. Entretanto, não é recomendado fazer atividades físicas sem antes consultar um médico, pois devem ser realizados exames antes de iniciá-las. Estando apto para praticar exercícios, basta escolher o que mais lhe agrada. É importante gostar do exercício escolhido, pois só assim você evitará o abandono da atividade.

O ideal é que as atividades físicas sejam realizadas por, no mínimo, 30 minutos e quatro vezes durante a semana. Perceba que o tempo é pequeno e você pode facilmente conseguir realizar esse período de atividades se mudar um pouco sua rotina. Leve seu cachorro para passear, acorde cedo, vá à padaria a pé, opte pela escada em substituição ao elevador ou, quem sabe, vá trabalhar ou estudar de bicicleta. São coisas simples que podem mudar sua vida.


Refrigerante zero é melhor do que com açúcar? Entenda se troca é vantajosa

"Essa falsa impressão de que a bebida é mais saudável por não ter açúcar pode elevar ainda mais seu consumo, impactando na saúde. Quando ocorre a eliminação do açúcar, tanto no light como no zero açúcar, são usados aditivos para melhorar o paladar e essas substâncias também são prejudiciais", explica Melissa Sofia Gomez, nutricionista e mestre em Saúde Coletiva pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

E as calorias?

Do ponto de vista calórico, o zero açúcar realmente oferece um número menor de calorias se comparado ao refrigerante normal —muitos deles não apresentam caloria alguma.

No entanto, não há nenhum benefício nutricional, até porque refrigerantes não costumam trazer em sua composição nutrientes como proteínas, vitaminas, minerais ou fibras, ou seja, assim como o refri normal, o zero é um alimento "vazio" nutricionalmente.

Além disso, existem teorias, que usam como base estudos com animais e in vitro, que mostram que os adoçantes, mesmo não possuindo calorias, induzem o corpo a produzir insulina, como explica Clarissa Hiwatashi Fujiwara, nutricionista do Departamento de Nutrição da Abeso (Associação Brasileira de Estudos sobre a Obesidade e Síndrome Metabólica). Esse hormônio poderia aumentar a captação de glicose pelos tecidos e também favorecer o acúmulo de gordura, como o açucarado faria.

"Outra teoria é que o adoçante estimularia o corpo a acreditar que energia seria fornecida por aquele alimento, o que não acontece. Então, de forma compensatória, o organismo aumentaria o apetite —mas isso só foi demonstrado em estudos com camundongos", pondera a nutricionista.

 Qual a diferença entre os tipos light, diet e zero açúcar?

Os refrigerantes lights vão ter uma redução de 25% dos componentes seja no açúcar, caloria ou até gordura. Já o zero açúcar ou diet podem ser sinônimos e não possuem nenhum nutriente e também são livres de açúcar.

Mas vale o alerta para evitar o consumo exagerado dessas bebidas, já que elas podem ser altamente perigosas para a saúde. "É inegável que todas vão ter um alto teor de aditivos, corantes, aromatizantes. Independentemente de serem dessas categorias zero açúcar, o indicado é consumir o mínimo possível e nunca substituir a água por eles", ressalta Fujiwara.

E os refrigerantes com sabor de frutas?

Existem algumas bebidas com sabores como laranja, uva e limão e que por isso possuem suco natural delas em seus ingredientes. Mas não se deixe enganar: trazem uma parcela bem pequena de alguma fruta (normalmente pouco mais de 5% da bebida). "Não podemos dizer que um é melhor que o outro. Tanto porque, os com fruta não são indicados e outros possuem corantes e outros aditivos também", afirma Mariana Ferrari, nutricionista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Além disso, eles seguem sendo vazios em nutrientes, às vezes contando apenas com a presença de vitamina C na composição —e vale mais a pena conquistá-la consumindo alimentos com melhor composição nutricional, como as próprias frutas in natura. A especialista explica ainda que não recomenda o consumo da bebida de qualquer modo e, caso a pessoa queira consumir, deve fazer isso apenas socialmente e reduzir a ingestão no dia a dia ao máximo possível.


Uma alimentação com os nutrientes certos também faz bem à sua saúde mental

21Dos vários determinantes que influenciam nossa saúde cerebral (demográficos, biológicos, genéticos e comportamentais), é certo que a alimentação ganha destaque e tem sido cada vez mais estudada como um fator de prevenção, principalmente o consumo de alimentos que são fonte de nutrientes específicos como ômega 3, vitaminas do complexo B, zinco e magnésio.

Uma alimentação rica em vitaminas do complexo B é essencial para o funcionamento ideal do corpo e do cérebro, e quando em quantidades insuficientes, essas vitaminas têm sido associadas a níveis mais elevados de inflamação neural e estresse oxidativo, demonstrados pelos aumento da homocisteína sanguínea.

Esta elevação pode, a médio e longo prazos, participar de danos neurais e déficits no desempenho cognitivo. Níveis elevados de homocisteína têm sido alvo de pesquisas científicas pela sua associação ao declínio e comprometimento cognitivo, além de demência (não é fator isolado) em parte pela neurotoxicidade promovida ou ainda através de outras vias, provavelmente vasculares.

O provável mecanismo tem por tópico principal a baixa metabolização deste aminoácido (provocada por polimorfismos, genéticas ou pelo baixo consumo de cofatores como alimentos fonte de vitamina B12), causando o que chamamos de hiperhomocisteinemia e, consequentemente, comprometimento da saúde cognitiva e orgânica como um todo.

Van der Zwaluw et al (2017), desenvolvem pesquisas com a finalidade de correlacionar a redução dos níveis de homocisteína com a suplementação oral de ácido fólico e vitamina B12, sugerindo que esta situação associaria-se a redução de tamanho e função em algumas áreas cerebrais medido por ressonância magnética.

Com o mesmo propósito, Ford et al (2018) desenvolveram estudo com cinco anos de duração envolvendo 107 voluntários, com idade média de 73 anos, verificando que concentrações mais baixas de vitamina B12, mas não folato, associavam-se a menores volumes cerebrais.

Para concluir, estes pesquisadores sugeriram que ao mantermos níveis de homocisteína circulantes mais baixos e maior oferta de vitamina B12 (via consumo de alimentos e, se necessário, suplementação), certamente nos beneficiaríamos contra uma possível atrofia cerebral, principalmente em idosos saudáveis.

Outros estudos analisando as propriedades funcionais da sálvia, da lavanda, da melissa, do alecrim e da hortelã identificaram a presença de seus compostos voláteis, principalmente o mentol e os efeitos neurocognitivos que exerciam, garantindo a integridade de áreas cerebrais, o que nos remete a utilização cada vez mais frequente destes temperos em nossas preparações culinárias, além do preparo de infusões.

De maneira geral, as vias metabólicas que potencialmente promovem aumento no risco de doenças neurodegenerativas podem ser moduladas pela ingestão de alimentos ricos em nutrientes com função antioxidante, já que a inflamação, o estresse oxidativo, a redução na neuroplasticidade, a alteração da função mitocondrial e a piora na microbioma intestinal são alterações identificadas na fisiopatologia destas doenças.

O ômega 3 também merece ser mencionado por seu poder anti-inflamatório, uma vez que pessoas com o diagnóstico de depressão ou doenças neurodegenerativas possuem maior nível de citocinas pró-inflamatórias acarretando alterações negativas no metabolismo de neurotransmissores, ou mesmo na composição de microbiota intestinal.

Várias pesquisas científicas robustas investigam o papel benéfico da suplementação Ω-3 PUFA em transtornos mentais, como transtorno bipolar, esquizofrenia ou depressão, demonstrando resultados promissores. As principais fontes alimentares estudadas foram óleo de soja, nozes, óleo de milho, óleo de girassol e azeite de oliva.

O consumo de peixes, principalmente os gordurosos e provenientes de regiões frias, está associado com a menor prevalência de depressão. O consumo médio de 750 mg/dia de ômega 3 ao dia parece ser suficiente para proteger grande parte das populações em todo o mundo.

Algumas dietas que incentivam o consumo de alimentos fontes de ômega 3 pelo seu alto poder anti-inflamatório são do Mediterrâneo, a Dieta DASH (Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão Arterial) e a Dieta Anti-Inflamatória, incentivando também o consumo de outros alimentos considerados benéficos pela presença de fibra alimentar e fitoquímicos, como as frutas, os vegetais, as leguminosas e os cereais, juntamente e redução do grupo de carnes e laticínios integrais pelo elevado teor de gorduras saturadas; tudo isto associado ao consumo reduzido e controlado de álcool.

Todas estas são estratégias efetivas na promoção da longevidade e na promoção da saúde mental mas não substituem outras medidas que devem estas associadas como prática de exercícios físicos, manutenção de estilo de vida saudável e práticas diárias de favoreçam por um menor nível de estresse.


Alimentos fermentados naturalmente são aliados da digestão; veja opções

O resgate da culinária ancestral está na moda. Entre muitas maneiras de voltar ao passado na cozinha, está o consumo dos alimentos fermentados. "Eles são produtos obtidos por meio da ação de micro-organismos que utilizam substratos do alimento e produzem gás carbônico e álcool em alguns casos", explica Ana Vládia Bandeira Moreira, nutricionista e docente da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

À base de repolho, o chucrute é um velho conhecido da culinária europeia, principalmente nos países nórdicos. Rico em antioxidantes, é um bom aliado no combate aos efeitos do estresse e do cansaço. Já os japoneses utilizam o missô, um tempero produzido a partir da fermentação da soja, que é carregado de isoflavonas, potente para a saúde feminina.

O resultado são produtos mais resistentes ao tempo, o que era muito útil quando não existia geladeira e outras formas de conservação. "Essa é uma maneira que pode ser usada para consumir um determinado tipo de alimento o ano inteiro", comenta Eloize Cruz, professora de gastronomia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Com o passar dos anos e o avanço da medicina, alguns estudos deram conta de que esses alimentos apresentam benefícios para a saúde. "A fermentação de leite, por exemplo, leva a produção de bebidas ricas em ácidos orgânicos e lactobacilos importantes para a saúde por auxiliar na digestão e ter ação probiótica, ou seja, reguladora da flora intestinal", complementa a nutricionista.

Isso acontece porque o órgão apresenta uma série de bactérias e fungos que vivem em equilíbrio. Os alimentos fermentados atuam como probióticos, que ajudam nessa formação. "Essas bactérias benéficas ajudam na digestão dos alimentos, principalmente açúcares, farinhas, verduras e carnes, que são de difícil digestão", esclarece Alexandre Sakano, cirurgião gástrico da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Embora a farinha branca e o açúcar refinado sejam digeridos com mais facilidade do que alimentos mais complexos, em excesso causam mais fermentação e gases. "O que gera distensão abdominal e desconforto. A presença dessas bactérias ajuda na quebra desses alimentos, que serão consumidos por esses micro-organismos, minimizando esses efeitos", explica Sakano.

Quando comemos algo contaminado com uma bactéria maléfica, como a salmonela, elas entram em conflito com esse "exército do bem". "Elas povoam locais onde não estariam habitualmente, destruindo as bactérias boas. O resultado são inflamações, que podem gerar dor e sangramento", complementa o cirurgião.

Mais investigação são necessárias para comprovar os benefícios dos alimentos fermentados

Embora muitos estudos deem conta de que esse tipo de alimento pode combater a obesidade, controlar a glicose e até mesmo trazer benefícios ao cérebro, os resultados ainda são controversos. "É muito provável que os alimentos fermentados tragam benefícios para a saúde, mas nem todos são iguais, o que dificulta essa investigação", alerta segundo Ricardo Correa Barbuti, chefe do Ambulatório de Gastroenterologia do HC FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Segundo o médico, ainda são necessárias padronizações para garantir os reais benefícios de um alimento fermentado. "O iogurte natural é obtido a partir da fermentação do leite pelas bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus, mas nem sempre elas são iguais. Assim como nós temos o nosso CPF, as bactérias também têm um conjunto de informações que as diferenciam, mesmo sendo do mesmo tipo."

Para Moreira, a ingestão deve ser incluída dentro de uma rotina alimentar saudável. "Tal alimento entrará no balanceamento da dieta frente aos ajustes de macro e micronutrientes. E deve ser monitorado para indivíduos em quadro de déficit imunológico para não gerar supercrescimento bacteriano", explica.

Colocar o alimento fermentado na dieta ajuda a aumentar a ingestão da chamada "comida de verdade". "A simples mudança de hábitos alimentares já traz benefícios para a saúde", acrescenta o cirurgião.

Os industrializados nem sempre são iguais aos caseiros

Quando produzidos em casa, em geral os alimentos são fermentados em condições mais adequadas e cuidadosas. "Basicamente a fermentação caseira é feita por ação do ambiente. O alimento é exposto a temperatura ambiente e, em um determinado tempo, ocorre a fermentação por ação de microrganismos presentes nesse local", explica Moreira.

Já a fermentação industrial utiliza misturas padronizadas de microorganismos ou mesmo misturas químicas para viabilizar a fermentação dos produtos. "É caso dos fermentos biológicos, que utilizam a Accharomyces cerevisiae, ou mesmo o fermento químico que utiliza o bicarbonato", complementa nutricionista.

No momento da compra, vale buscar a informação "fermentação natural" no rótulo para ter certeza que está consumindo um produto com ação probiótica. "No caso do picles, por exemplo, a fermentação natural utilizará sal para dar condições ideias para a proliferação das bactérias. Na indústria utilizam vinagre para dar o sabor ácido, mas ele mata as bactérias da fermentação", explica Sakano.

Uma tendência do mercado de alimentação saudável

Cruz comenta que passou a estudar mais sobre a kombuchá, um produto fermentado à base de chá, após perceber os benefícios no organismo. "Notei a melhora no trabalho do intestino e passei a me sentir muito melhor", comenta.

A gastrônoma levou a experiência para a sala de aula na disciplina de Culinária Santé (Saudável, em francês), no curso de Gastronomia da universidade paranaense. "Trabalhamos o processo de saborização desses chás em sala de aula. O resgate dessa culinária ancestral permite ao aluno produzir um refrigerante natural, por exemplo", conta.

O trabalho com os alimentos fermentados por lá vai ainda mais longe e busca inovar e investigar as indicações geográficas dos alimentos. "Nós temos um projeto que usa o resíduo da farinha de mandioca para fazer um produto fermentado muito próximo ao tucupi", explica a professora. Ainda em fase de estudos, o projeto aproveita um alimento tipicamente local e seguirá com uma investigação científica para validar os seus benefícios para a saúde.

Confira os benefícios dos alimentos fermentados mais populares:

Moreira nos ajudou a listar os alimentos fermentados mais populares e os seus benefícios para a saúde. Confira:

  • Missô: velho conhecido dos japoneses, o missô é um dos produtos à base de soja. Fermentados desse tipo apresentam uma concentração importante de isoflavonas. Elas aliviam os sintomas da menopausa, atenuam a TPM e combatem o colesterol;
  • Leites fermentados: fácil de encontrar na prateleira do supermercado, são ricos em lactobacilos. Essas bactérias do bem auxiliam na regulação da flora intestinal;
  • Conservas: picles e chucrute, fermentados de pepino e repolho, fazem bem para a cabeça. Rico em fitoquímicos antioxidantes, eles auxiliam no combate ao estresse. A nutricionista faz um alerta: cuidado com o excesso de sódio que esses alimentos podem ter (variando conforme ele foi feito);
  • Levain: fermento natural formado por uma colônia de bactérias benéficas que será o agente de fermentação.

 


Ataque súbito de sono é um dos sintomas da narcolepsia

A narcolepsia é um distúrbio que se caracteriza pela sonolência excessiva diurna, mesmo após noites bem dormidas; e ataques súbitos de sono, seja em pé, dirigindo ou mesmo trabalhando. A catalepsia, que é o enfraquecimento súbito e incontrolável de parte ou de todo o corpo após situações de emoção, pode também se manifestar. Além dela, alucinações e perdas dos movimentos, logo após acordar, também são sintomas.

Aproximadamente 3,3 milhões de pessoas no mundo, sendo 90 mil de nosso país, são portadoras deste problema. Nelas, não ocorrem as etapas anteriores ao sono REM, que é o pico da atividade cerebral e a etapa em que o sono é mais profundo. Como, além da perda de consciência, há a perda súbita do equilíbrio, este problema pode ser bastante perigoso.

Tais sintomas surgem, geralmente, na adolescência e persistem durante toda a vida; podendo, inclusive, ocorrer mais de uma vez por dia, com aproximadamente uma hora de duração. Situações monótonas e o uso de bebidas alcoólicas propiciam o quadro.

Suas causas não são bem esclarecidas, mas sabe-se que são multifatoriais; estão relacionadas ao ambiente e à falta de uma substância, denominada hipocretina, no cérebro; a ação dos neurotransmissores cerebrais é diferenciada; e pessoas com histórico familiar possuem cerca de 40% de chances de desenvolvê-la.

Como seus sintomas podem estar presentes em outros distúrbios do sono, ou mesmo em situações específicas da vida da pessoa, sendo somente a catalepsia a única característica própria deste problema; o diagnóstico desta doença nem sempre é dado nas primeiras consultas. Assim, em casos em que existem dúvidas, por parte do profissional da saúde, é necessário que o paciente faça, pelo menos, dois exames: a polissonografia, que é a análise de seu sono, a partir da observação noturna e uso de eletrodos; e o teste de latências múltiplas, em que a pessoa passa o dia no laboratório, cochilando com certa periodicidade, a fim de se analisar a sonolência diurna.

O tratamento é focalizado no controle dos sintomas, permitindo que o paciente tenha uma vida normal, sem correr grandes perigos e situações constrangedoras devido à doença. Além de tratamento com fármacos prescritos pelo médico, é necessário que a pessoa busque tirar cochilos voluntários durante o dia.


Nutrição e saúde: Os 10 melhores alimentos para o ser humano comer!

Se alimentar bem é uma garantia de qualidade de vida, afinal, quando ingerimos os nutrientes necessários para o bem-estar, todos os nossos sistemas (imunológico, respiratório, circulatório, cardiovascular, digestivo...) funcionam da maneira correta. A nutricionista Thaís Leopoldo separou os alimentos que são indispensáveis para a saúde de todos os seres humanos. Confira!

10 alimentos essenciais para nossa saúde

1 - Ovo: É um dos alimentos mais utilizados em receitas, saboroso, prático e barato. "Dentre os nutrientes essenciais para a boa saúde que são encontrados no ovo, destacam-se o ácido fólico, a proteína, o zinco, o ferro, o manganês e o potássio, por exemplo. Ao contrário dos alimentos ricos em gorduras saturadas, o ovo apresenta uma concentração de gorduras totais em torno de 5 gramas, sendo que destes, apenas 1,5 grama é de gordura saturada", explica a profissional.

"Em outras palavras, o consumo regular de ovo não é prejudicial à saúde (claro, desde que você evite a versão frita do alimento)", completa.

2 - Alho: Um dos temperos mais presentes nas nossas preparações, o alho é benéfico e cheio de nutrientes: "É uma alimento riquíssimo e vitaminas do complexo B, A, C e E. Minerais como ferro, iodo e cromo, compostos ativos como alicina, por exemplo. Ele possui substâncias com potencial antimicrobiano, antiviral e anticoagulante. Também possui ação diurética, expectorante, antifúngico, antiespasmódico, vasodilatador, imunoestimulante e broncodilatador", analisa Thaís Leopoldo.

3 - Maçã: Saborosa, suculenta e saudável, a fruta é extremamente benéfica para o nosso corpo. "Por conter um alto teor de fibras, a maçã ajuda a regular o intestino garantindo menos estresse sobre o reto. O antioxidante quercetina, encontrado na maçã, foi identificado por pesquisadores como especialmente capaz de fortalecer o sistema imunológico. Essa propriedade da maçã já é há séculos reconhecida pela sabedoria popular, que sempre afirmou a capacidade da maçã de evitar as mais variadas doenças", indica a nutricionista.

"Além disso, a fruta é capaz de ajudar a proteger o coração de doenças cardiovasculares e na casca da maçã são encontrados elementos capazes de prevenir que as gorduras se solidifiquem dentro das artérias", reitera.

4 - Cúrcuma: Também conhecido como açafrão, ela é altamente nutritiva e ajudará a tornar o nosso organismo saudável, livre de enfermidades: "Por possuir uma grande ação anti-inflamatória da curcumina, a cúrcuma tem o poder de ajudar no processo de emagrecimento a diminuir a quantidade de gordura corporal. É um desintoxicante natural do fígado, ajuda na prevenção de melanoma, além de ser antisséptico e antibacteriano natural, sendo muito utilizado para desinfetar cortes e queimaduras", explica a especialista.

5 - Couve: Um dos vegetais verde-escuros mais conhecidos, a couve deve estar presente quase que diariamente na nossa alimentação saudável: "A couve é muito utilizado em dietas por ser pobre em calorias. Também é rica em minerais como ferro, cálcio e vitaminas A e complexo B, sendo excelente para combater problemas digestivos como constipação e indigestão por também ser rica em fibras. Fonte de glicosinolatos, que são fitoquímicos naturais como ação desintoxicante", ressalta Dra. Thaís.

6 - Limão: Seja no suco, como tempero e até na sobremesa, o limão é versátil e saboroso, encaixando em diversos momentos da nossa alimentação. "É uma fruta riquíssima em vitamina C, importante para um bom funcionamento do sistema imunológico. Também é fonte de cálcio, magnésio, ferro, cobre e iodo que equilibram o nosso organismo. O suco do limão podem ajudar a aliviar sintomas de indigestão e constipação por conter uma grande quantidade de fibras, além de ajudar a alcalinizar o sangue", analisa a nutricionista.

7 - Lentilha: Da mesma família do feijão, a lentilha é rica em proteínas e fibras alimentares, substâncias ideais para nosso bem-estar: "Por ser composta de fibras insolúveis ajuda na absorção de gordura ingeridas. Atua na tensão pré-menstrual, por conter uma substância chamada lignanas, que tem uma ação parecida ao hormônio feminino, como estrogênio que ajuda a diminuir os sintomas de TPM. Além de possuir cálcio, responsável por produzir hormônios importantes para fortalecer os ossos" indica a profissional.

8 - Canela: É uma das especiarias mais antigas do mundo, de importante atuação no nosso organismo: "Possui uma propriedade antioxidante poderosa. Além de auxiliar no controle de insulina de diabéticos e pré-diabéticos. A canela impulsiona a atividade do cérebro e, portanto, atua como bom tônico. Ajuda na eliminação de perda nervosa da tensão. Estudos mostraram que cheirar canela pode impulsionar a função cognoscitiva da memória, o funcionamento de certas tarefas e aumenta a vigilância e concentração", reitera.

9 - Alecrim: A erva é conhecida por ser um alimento completo. De aroma peculiar, o alecrim pode estar presente em sucos, molhos, sopas e águas aromatizadas. Segundo Thaís Leopoldo, é um alimento com propriedades antifúngicas e anti-inflamatórias, além de ser um relaxante muscular e cicatrizante. Por ser rico em vitaminas do complexo B e minerais como ferro e cálcio, seu consumo atua também na prevenção da anemia, no fortalecimento e desenvolvimento de ossos e músculos.

10 - Quinoa: Chama de superalimento, por ser fonte de diversos nutrientes para o nosso corpo, as substâncias encontradas no "pseudo cereal" atuam no nosso organismo de uma forma geral. Rica em proteínas, ela atua em prol da saúde cardiovascular, prevenindo infarto, derrames, por exemplo. Beneficia os músculos, tornando-os saudáveis e fortes, além de ser fonte de ômega 3, um ácido-graxo responsável pela saúde do cérebro e do coração.


"Viciada em dietas", ela decidiu abandonar fisiculturismo e focar na saúde

Sarita Federle, 37 anos, quando mais jovem queria quis conquistar o 'corpo perfeito'. Treinar nunca foi um problema para a paranaense, que sempre gostou de musculação, fez faculdade de educação física e trabalhou como personal trainer. Sua maior dificuldade era manter um cardápio saudável.

"Eu me alimentava bem, mas tinha fases em que comia demais, ganhava peso e queria emagrecer. Então, fazer dieta acabou virando obsessão, um vício. O pior é que nunca estava satisfeita com os resultados e buscava sempre 'melhorar'", revela Sarita, que nessa época tinha 25% de gordura corporal, o que não é considerado ruim para mulheres jovens.

 A entrada no mundo do fisiculturismo

Decidida em perder peso, ela intensificou sua frequência na academia e adotou uma dieta controlada. Cortou todas as guloseimas, que antes devorava aos finais de semana, e montou um cardápio à base de alimentos integrais, saladas e proteínas (frango, carne, peixe, ovo).

Com o ritmo puxado na musculação e o incentivo de colegas, não demorou muito para surgir o desejo de buscar cada vez mais definição muscular e competir no fisiculturismo, modalidade em que se dedicou de 2011 a 2018. Sarita começou a treinar todos os dias da semana, durante uma hora e meia (o que depois evoluiu para cinco horas) e se lançou em pequenos campeonatos municipais com um físico de alto nível.

 Quando disputava campeonatos, Sarita chegou a ter só 5% de gordura corporal, taxa que não é saudável para uma mulherImagem: Arquivo pessoal

"Quando competi pela primeira vez na minha cidade fiquei em segundo lugar e no campeonato seguinte ganhei. Na sequência, até pensei em voltar para minha área, a educação física, mas aí em 2015 surgiu uma oportunidade de ir para os Estados Unidos, onde poderia me preparar para competir em eventos maiores, de nível internacional, e resolvi arriscar", explica Sarita.

Em Orlando, onde ficou cinco meses em preparação física intensa, Sarita ganhou seu primeiro título como atleta profissional, pela federação WBFF (World Beauty Fitness & Fashion), que compara a um concurso Victoria's Secret de mulheres musculosas.

Os problemas com a compulsão alimentar

 Sarita hoje defende que é importante cuidar da boa forma, mas sem neuras e sempre respeitando a saúdeImagem: Arquivo pessoalDesde então, ela não parou mais de competir e obteve diversos títulos, tanto nacionais como internacionais, inclusive integrando o Top 10 Mundial Profissional Diva Fitness, em Las Vegas, onde concorreu com 58 atletas do mundo inteiro e ficou entre as sete melhores.

Tudo parecia que ia de vento em popa, até Sarita disputar em 2016 um campeonato em Los Angeles e terminar em quinto lugar. Isso depois de se preparar por oito meses contínuos e estar com apenas 5% de gordura no corpo. Do ponto de vista médico, abaixo dos níveis saudáveis.

"Foi uma decepção muito grande terminar em quinto lugar, pois, me esforcei demais e cheguei ao meu limite. Então, depois dessa competição, comecei a ter ansiedade e alguns episódios de compulsão alimentar", desabafa Sarita.

Ela sabia que havia algo de errado com sua saúde, pois toda vez, pós-competição, sentia uma vontade incontrolável de comer exageradamente tudo o que encontrava pela frente. Chegava a engordar dez quilos em duas semanas. Ao perceber que não conseguiria vencer o transtorno sozinha, Sarita buscou ajuda médica e considerou abandonar o fisiculturismo para cuidar de si. A aceitação, porém, ocorreu aos poucos e ela só parou de competir definitivamente em 2018.

O fim das dietas e o início de uma vida mais saudável

 Hoje, recuperada, ela tem focado em compartilhar suas experiências pessoais nas redes sociais e incentiva seus seguidores a cuidarem da boa forma, mas sem neuras e sempre com cuidado e respeito à saúde. Ela também retomou os estudos em educação física e tem se dedicado ao empreendedorismo.

Sarita deixou de fazer dietas restritivas e come de tudo com moderação. Se antes andava com sete, oito potes de marmita fitness com frango e batata-doce a tiracolo e até mesmo evitava ir a aniversários para não comer "besteiras", hoje ela garante experimentar de tudo. "Tenho outra percepção e minha vida está muito mais leve."

Apesar dos traumas e de estar fora das competições, ela não parou de se exercitar e se diz satisfeita por não seguir rotinas extenuantes. Em vez disso, dedica uma hora inteira todos os dias ao que mais gosta, como musculação, atividades aeróbicas e pilates, sem se preocupar em mudar a ordem dos treinos.

Sarita revela ainda receber muitas mensagens de mulheres que buscam motivação, não só apenas para conquistar um físico, como uma autoestima saudável. "Além da imposição de padrões de beleza, somos educados a acreditar que existe um corpo perfeito. Todos nós, especialmente as mulheres, precisamos entender que não devemos trocar a boa forma pela saúde e tentar emagrecer a qualquer custo", finaliza.