Corrida emagrece, faz bem à saúde, combate a TPM e fortalece os ossos

A corrida é um exercício simples, que pode ser praticado a qualquer hora e em qualquer lugar, basta ter um bom par de tênis e disposição. Além de ajudar a perder peso, definir pernas, bumbum e barriga, é uma atividade que tem muitos outros benefícios para a saúde da mulher. "Pode ser um importante aliado na diminuição do estresse e dos sintomas da TPM", afirma o nutricionista doutor em fisiologia Ricardo Zanuto.

Confira nove benefícios da corrida:

Emagrece

Correr 30 minutos a 80% da frequência cardíaca máxima promove um gasto energético em torno de 600 kcal. Isso ocorre porque a corrida movimenta grandes grupos musculares. Quanto mais tempo durar a corrida, maior vai ser a liberação de hormônios como glucagon, adrenalina e o cortisol, que age para o corpo utilizar a gordura como fonte de energia. São eles que promoverão grandes gastos energéticos por até duas horas depois.

Define

A corrida diminui e controla a porcentagem de gordura corporal, reduz a flacidez e melhora o tonos muscular. Consequentemente, irá diminuir a gorduras em regiões específicas da mulher, como culotes, bumbum e coxas, tornando os músculos dessas regiões mais aparentes e definidos.

Melhora o sono

Atualmente os exercícios físicos são reconhecidos pela American Sleep Disorders Association como uma intervenção não farmacológica para a melhora da qualidade do sono. Segundo estudos, um dos fatores poderia ser a redução do tempo de latência entre o ciclo sono-vigília.

Fortalece o coração

O exercício físico é muito utilizado como uma importante estratégia para controle do nível de lipídios no organismo e redução de riscos de doenças cardiovasculares, por aumentar a aptidão cardiorrespiratória.

Melhora o humor

A corrida aumenta os níveis de um neurotransmissor chamado dopamina, que dá sensação de prazer. Também aumenta os níveis de serotonina no cérebro, provocando bem-estar. Por isso, pode ser considerada uma importante aliada na diminuição do estresse e dos sintomas da TPM.

Acelera o metabolismo

A produção e secreção de hormônios tireoidianos (T3 e T4), responsáveis por controlar o metabolismo energético, aumenta com a corrida, o que a torna extremamente benéfica para quem busca o controle do metabolismo e o aumento da eficiência do gasto energético.

Deixa os ossos mais fortes

O impacto do corpo no solo aumenta a resistência dos ossos. É importante, entretanto, tomar cuidado com o calçado que é utilizado e com a forma da passada. Busque sempre orientação para não prejudicar as articulações.

Trabalha a consciência corporal

A corrida exige foco e concentração, estimulando o raciocínio e a memória. Mas assim como em outras práticas esportivas, há também a busca pela superação, por isso é importante estar atento aos sinais que o corpo dá.

Combate doenças

Estudos têm mostrado que a corrida aumenta a sinalização de uma proteína no cérebro denominada de BNDF, que eleva o número de neurônios no hipocampo - região da memória. Além disso, melhora a obstrução de vasos sanguíneos e a captação da glicose, principal açúcar utilizado pelo organismo, o que diminui os riscos de diabetes.


Adolescentes que fumam e bebem têm prejuízos à saúde já aos 17 anos, aponta estudo

Adolescentes que bebem e fumam já têm danos perceptíveis em suas artérias aos 17 anos de idade, concluiu um estudo.

Testes conduzidos por pesquisadores da Universidade College London e da Universidade de Bristol, ambas no Reino Unido, mostraram que há um enrijecimento das artérias por conta desses hábitos quando ainda se é bem jovem.

contudo, que as artérias dos adolescentes voltaram ao normal quando eles pararam de fumar e beber.

Problemas arteriais precoces

Os cientistas estudaram dados coletados entre 2004 e 2008 de 1.266 pacientes que participaram do Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), que reuniu informações de saúde de 14,5 mil famílias de Bristol, na Inglaterra

Os participantes detalharam seus hábitos em relação ao tabaco e à bebida aos 13, 15 e 17 anos, e exames foram realizados para verificar se havia ocorrido algum enrijecimento arterial.

Foi informado, por exemplo, quantos cigarros já se havia fumado na vida e a idade em que se começou a beber álcool, além da frequência e intensidade com que faziam isso.

Entre aqueles que haviam fumado mais de cem cigarros até o momento dos testes ou que consumiam mais de dez doses de álcool nos dias em que bebiam havia uma maior incidência de enrijecimento das artérias do que entre participantes que tinham fumado menos de 20 cigarros durante a vida ou tomavam menos de duas doses nos dias em que consumiam álcool.

"Beber e fumar na adolescência, mesmo em níveis inferiores àqueles informados em estudos com adultos, está associado a enrijecimento arterial e à progressão da arterioesclerose", diz o autor principal do estudo, John Deanfield, do Instituto de Ciência Cardiovascular da Universidade College London.

"No entanto, também descobrimos que, se adolescentes param de fumar ou beber durante a adolescência, suas artérias retornam ao normal, indicando que há a chance de preservar a saúde arterial ainda quando se é jovem."

Marietta Charakida, que participou da pesquisa, explica que o dano aos vasos sanguíneos por conta destes hábitos "se dá ainda em um momento precoce da vida". "Quando se faz as duas coisas juntas, os prejuízos são ainda maiores", diz Charakida.

"Ainda que estudos mostrem que adolescentes vêm fumando menos nos últimos anos, nossos resultados indicam que aproximadamente um a cada cinco fuma aos 17 anos. Em famílias em que os pais são fumantes, há maior probabilidade de adolescentes fumarem."

Fumo em queda e bebida em alta entre adolescentes no Brasil

No Brasil, estima-se que 18,5% dos adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos, ou 1,8 milhão de jovens, já experimentaram cigarro, de acordo com um estudo divulgado em 2016.

A pesquisa Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, feita pelo Ministério da Saúde e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com outras 33 instituições de ensino superior, consultou 75 mil adolescentes de 1.251 escolas públicas e privadas em 124 municípios do país, por meio de questionários e exames.

Em 2009, um outro estudo, a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, apontou que 24% dos adolescentes tinham fumado pelo menos uma vez, o que indica que o número de fumantes neste grupo pode estar em queda. No entanto, o público-alvo desta pesquisa tinha entre 13 e 15 anos.

Ao mesmo tempo, o consumo de bebida alcóolica vem aumentando entre adolescentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, divulgada em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O trabalho mostrou que 55,5% dos 2,6 milhões de estudantes que estavam no último ano do ensino fundamental já haviam bebido alguma vez na vida, um crescimento em relação ao levantamento de 2012, quando 50,3% estudantes disseram já ter feito isso. E 21,4% dos participantes do estudo mais recente tiveram algum episódio de embriaguez na vida.

Breno Caiafa, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ), diz que a queda no número de fumantes jovens é fruto de um trabalho intenso de conscientização sobre os malefícios do tabaco nos últimos anos, mas avalia que o mesmo esforço não tem sido feito com o álcool.

"Isso merece um cuidado maior do governo. Hoje, as campanhas dizem 'se beber, não dirija', mas não falam para não beber. As empresas de bebidas vão continuar a fazer propaganda livremente se não forem pressionadas, como ocorreu com o fumo", afirma Caiafa.

"Estudos mostram que beber moderadamente até pode fazer bem, mas o álcool não deixa de ser uma droga e, se consumido em excesso, gera alterações hepáticas e ganho de peso, enrijece as artérias e aumenta as chances de um AVC. Se tem esses efeitos, precisa ser controlado. O álcool talvez esteja sendo subestimado."

'Sinal encorajador'

Caiafa avalia que o estudo britânico traz novidades ao mostrar o impacto do álcool e da bebida ainda na juventude. "Já sabíamos dos efeitos negativos a médio e longo prazo, mas não a tão curto prazo", diz.

Ele explica que esses hábitos danificam a parede das artérias, gerando uma lesão à camada interna dos vasos, o que leva à formação de placas, provocando um enrijecimento e estreitamento arterial e, como consequência, há um aumento da pressão sanguínea.

"O estudo mostrou que essa inflamação diminui quando a pessoa para de fumar e beber e que o organismo se recupera, mas é preciso cuidado, porque, se a obstrução estiver em estágio avançado, dificilmente vai regredir."

Metin Avkiran, diretor médico associado da British Heart Foundation, organização que financiou parte da pesquisa, diz que o fato dos danos poderem ser revertidos é um "sinal encorajador".

"Parar de fumar é a melhor decisão que você pode tomar para proteger seu coração. E, se você bebe, não o faça de forma excessiva e siga as recomendações (das agências de saúde)", afirma.

"Nunca é tarde demais para fazer mudanças que podem acabar salvando sua vida."


7 coisas que você precisa saber para ler bem rótulos de alimentos     

Com o aumento do interesse por alimentação saudável, cresceu também a importância do rótulo dos alimentos. Ora, na mesma medida em que informa por lei a composição de um produto, ele também serve para atrair o consumidor e convencê-lo a colocar o item no carrinho.

Assim, é comum encontrar informações dúbias em letras brilhantes e coloridas —ou, por outro lado, ingredientes que devem ser consumidos com moderação bem disfarçados. Conversamos com nutricionistas para conhecer em detalhes a anatomia de um rótulo e saber como evitar pegadinhas comuns.

  1. O que o fabricante é obrigado a colocar na tabela nutricional

Além das questões burocráticas, como nome, categoria do produto, conteúdo líquido, origem do produto, lote e prazo de validade, o rótulo traz também informações nutricionais, divididas em duas categorias:

- Obrigatória: Valor energético em calorias e o teor de carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas e trans, fibra alimentar e sódio. Se o alimento tiver pelo menos 5% da ingestão diária recomendada de alguma vitamina ou mineral, esses micronutrientes também podem aparecer ali. Essa é aquela tabelinha clássica, que fica geralmente na parte de trás da embalagem.

- Complementar: São as informadas voluntariamente fornecidas pelo fabricante. Geralmente, alegações positivas sobre o produto: fonte de fibras, baixo em gorduras, teor reduzido de sódio etc. Há normas para o uso de algumas delas, mas não todas.

  1. O que o %VD significa

Na tabela de informação nutricional, ao lado da quantidade de cada nutriente em gramas, há o %VD. A sigla representa o percentual do valor diário recomendado daquele nutriente, que é calculado considerando uma dieta de 2.000 calorias, uma medida padrão para um adulto, que não vale para todos.

A quantidade de calorias a ser ingerida no dia varia conforme a idade, peso, altura e nível de atividade física de cada um. Ou seja, use como guia para ter uma ideia de quanto você já comeu de carboidratos, por exemplo, mas tenha em mente que suas necessidades podem ser maiores ou menores do que as expressas ali.

  1. As informações da tabela nutricional nem sempre valem para o pacote todo

A tabela nutricional que tem a quantidade dos nutrientes e o %VD é calculada de acordo com a porção sugerida pelo fabricante, que não é padronizada entre as marcas. No caso das bolachas, a porção usada pode representar dois biscoitos e meio, em outras marcas três, dificultando a comparação. É sempre importante ver qual é o peso que está sendo

  1. A parte da frente exige atenção

As informações presentes ali geralmente estão na segunda categoria, a das informações concedidas voluntariamente pelo fabricante. O problema é que não existe regulamentação para diversos tipos dessas alegações, como a do termo integral, por exemplo. Veja outros produtos que podem enganar. Portanto, avalie melhor o todo.

  1. A lista de ingredientes é o mais importante

Ela é a maneira mais certeira de confirmar o que está dentro da embalagem de fato. Seus itens estão em ordem decrescente: os primeiros são os que estão presentes em maior quantidade. Listas grandes, com nomes complicados e pouco conhecidos, chamam a atenção, pois indicam que o alimento pode ser um ultraprocessado --aquela categoria cujo consumo não é proibido, mas deve ser moderado.

  1. Açúcar e gordura podem estar disfarçados

A lista também é uma maneira de confirmar se há excesso de sal, gordura e açúcar no produto. O problema é que os dois últimos estão batizados de diversos outros termos. O açúcar pode ser encontrado como xarope de milho, xarope de glucose, glucose, maltodextrina, néctares, frutose, sacarose, dextrose.

Já o tipo de gordura mais preocupante, a trans, aparece como gordura vegetal hidrogenada, parcialmente hidrogenada e óleo vegetal hidrogenado. Termos como margarina e creme vegetal podem indicar a presença do composto, mas não necessariamente ele estará presente.

  1. Termos como light, zero e diet não significam necessariamente mais saúde

O light, por exemplo, significa que o produto em questão tem 25% a menos de algum nutriente como açúcar, gordura, sal e/ou colesterol. Mas ele pode ser rico em outra substância do tipo, justamente para compensar a perda sensorial provocada pela retirada de um nutriente que dá sabor e textura ao alimento.

O mesmo vale para o diet —um caso clássico citado é o do chocolate sem açúcar, mas repleto de gordura. Já o zero gordura trans pode nem ser exatamente zero. Isso porque a legislação prevê uma margem de tolerância para pequenas quantidades do ingrediente —0,1g grama por porção.


Preconceito contra o envelhecimento pode ser uma ameaça real à saúde

Aconteceu há aproximadamente um ano. Quando saí do metrô me deparei com uma propaganda de um serviço de entrega de comida na parede da estação, em que se lia: "Para quando você quiser comer um bolo inteiro por estar completando 30 anos, que basicamente são 50, o que praticamente significa que você está morto."

Depois que muita gente protestou contra o anúncio nas redes sociais, a empresa se desculpou por aquilo que chamou de humor, mas que eu chamaria de discriminação com base na idade (ou idadismo).

Talvez você se lembre de outra campanha na mídia, esta do segundo semestre do ano passado, cujo propósito era incentivar a participação de jovens nas eleições americanas de meio de mandato. Em busca desse objetivo tão louvável, marqueteiros recorreram a todos os estereótipos negativos relacionados a pessoas mais velhas - a saber: egoístas, confusas e despreocupadas com o futuro - para assustar os mais novos e fazê-los votar. A revista "Adweek" qualificou a campanha como "comicamente selvagem". Eu deletaria o "comicamente".

Tais agressões ficam menores quando comparadas às formas que esse tipo de preconceito costuma assumir: discriminação generalizada no mercado de trabalho, sistema de saúde injusto, piadas na mídia ou invisibilidade. Quando internalizada, essa visão preconceituosa pode levar à deterioração da saúde mental e física de idosos.

"É um problema incrivelmente difundido e sorrateiro", afirmou Alana Officer, à frente da campanha global contra o idadismo organizada pela Organização Mundial da Saúde, que define o fenômeno como "estereótipo, preconceito e discriminação" com base na idade. "Não afeta apenas indivíduos, mas como pensamos nossas políticas."

Como primeiro passo da campanha, anunciada em 2016, a OMS investiu 500.000 dólares (quase dois milhões de reais) em pesquisa. Quatro equipes ao redor do mundo estão coletando e avaliando as evidências disponíveis acerca do problema - suas causas e consequências para a saúde, como combatê-lo e a melhor maneira de mensurá-lo. O trabalho deles será publicado em um relatório da ONU a ser publicado dentro de um ano. E os organizadores esperam que cause uma mobilização internacional.

Um dos grupos de pesquisa, da Universidade Cornell, finalizou o trabalho e está prestes a publicar o estudo no periódico científico "American Journal of Public Health", trazendo, surpreendentemente, ótimas notícias.

A equipe passou um ano e meio examinando de forma meticulosa dezenas de artigos, publicados desde os anos 70 até 2018, e avaliando programas de combate ao idadismo, que se alastraram pelo país após o psiquiatra e gerontólogo Robert Butler ter cunhado o termo "ageism" (em português, idadismo) em 1969.

Contudo, Karl Pillemer, gerontólogo que lidera a autoria do estudo, levantou os seguintes questionamentos: "Mas eles são bons? As intervenções que pretendem mudar atitudes preconceituosas em relação à idade realmente funcionam?"

Os pesquisadores analisaram 64 estudos, a maioria conduzida nos Estados Unidos, envolvendo 6.124 participantes, desde crianças em idade pré-escolar até jovens adultos. Eles classificaram cerca de um terço dos programas estudados como intergeracionais, ou seja, criavam contatos entre jovens e idosos que, em teoria, poderiam reduzir o preconceito. O outro terço era educacional, ensinando fatos sobre o envelhecimento como uma maneira de desafiar estereótipos e mitos. O bloco remanescente combinava ambas as abordagens.

David Burnes, um dos autores do estudo e, hoje, gerontólogo da Universidade de Toronto, observou que esses esforços foram de pequeno alcance, sem grandes custos e locais. Entre eles, havia:

  • Um programa em que alunos de psicologia se correspondiam com idosos por e-mail, estreitando o relacionamento ao longo de seis semanas.
  • Um projeto de jardinagem que levou alunos do quarto ano do ensino fundamental para visitar um centro de assistência social para idosos no Tennessee duas vezes por semana durante um mês.
  • Um programa de quatro sessões realizado em uma escola de ensino médio na Austrália que promovia discussões, brincadeiras e jogos narrativos sobre envelhecimento e desenvolvimento do adulto.

De modo quase unânime, depois dessas intervenções, os participantes demonstraram significativamente menos comportamentos discriminatórios nos testes de atitude e mais conhecimento sobre envelhecimento em comparação aos grupos que não participaram. A abordagem educacional e intergeracional combinada foi a que se mostrou mais eficaz.

"A mensagem está clara. Atitudes preconceituosas contra a idade não parecem estar tão enraizadas como pensamos. Elas podem ser relativamente maleáveis", declarou Pillemer.

O tema é importante porque esse tipo de preconceito não está nem perto de ser benigno. "Esses estereótipos podem impactar diretamente a saúde e o comportamento de uma pessoa mais velha", esclareceu Becca Levy, psicóloga social da Escola de Saúde Pública da Universidade Yale e líder da revisão dos estudos sobre as consequências para a saúde patrocinada pela OMS.

A pesquisa que o grupo dela está revisando vai incluir um importante trabalho de sua própria autoria sobre o idadismo, conduzido durante 20 anos. Segundo demonstrado por Levy, pessoas mais velhas que enxergam o envelhecimento como positivo têm mais chances de se recuperar de alguma situação de doença do que aquelas que acreditam nos estereótipos negativos da velhice. Além disso, as do primeiro grupo estão mais propensas a comer bem e praticar exercícios, apresentam menos quadros depressivos e de ansiedade e vivem mais.

Recentemente, Levy e seus pares vêm investigando a relação entre idadismo e cognição.

"Os clichês negativos aumentam o risco de os idosos desenvolverem demência", afirmou ela. Esses indivíduos têm maior acúmulo de placas neuríticas e emaranhados neurofibrilares no cérebro, os biomarcadores da doença de Alzheimer e um hipocampo menor", a parte do cérebro associada à memória.

Isso não é brincadeira. Mesmo assim, "a aceitação social desse tipo de preconceito é grande", constatou Levy, destacando a televisão, as redes sociais e as interações cotidianas. Apesar de estudos terem concluído que crianças com três ou quatro anos já podem ter ideias discriminatórias de idade, agora "temos pesquisas que mostram ser possível superá-las".

Algumas questões essenciais seguem sem resposta. As pesquisas analisadas pelo grupo da Cornell acompanharam os participantes durante uma média de 15 semanas, por isso não sabemos qual a duração dos efeitos positivos de tais interações. Também não há dados suficientes sobre como mudar o idadismo internalizado da própria pessoa idosa.

Também não sabemos se e como as atitudes positivas se traduzem em ações. Cidadãos menos preconceituosos vão apoiar a aplicação de leis mais severas contra a discriminação de idade no ambiente de trabalho? Ou lutar contra os cortes de gastos negligentes no sistema de saúde e de previdência social?

No entanto, vendo como até mesmo as intervenções de curto prazo conseguiram mover o pêndulo comportamental, sinto-me estimulada a prosseguir com minha campanha pessoal antidiscriminatória. (A autora e ativista Ashton Applewhite montou uma organização on-line muito útil para a divulgação de informações, chamada Old School.)

Não é sempre fácil encontrar o equilíbrio entre ignorar mensagens ofensivas e repreender atitudes prejudiciais, mas as pessoas podem se manifestar sobre as generalizações preconceituosas relacionadas à idade.

Podemos tecer argumentos sobre os méritos de um ou outro político sem rejeitar candidatos simplesmente por serem velhos demais (ou jovens demais). Podemos valorizar e parabenizar quem não tem medo de mostrar a cara e a cor do cabelo verdadeiras (ao mesmo tempo que reconhece que, sim, o mercado de trabalho às vezes prega o oposto). Podemos protestar, de maneira gentil, mesmo quando amigos e familiares que amamos sucumbem ao pensamento estereotipado.

Há alguns meses, durante o momento de relaxamento na minha aula de exercícios matinais, a instrutora pediu que nós - ao som de uma música idílica - nos imaginássemos navegando pelo Sena em uma noite romântica. Imagine a lua, entoou. Imagine que você tem 30 anos.

Bem. Ela quis fazer uma brincadeira. Mas todos os alunos daquela aula tinham no mínimo duas décadas de vida a mais (inclusive ela) e ainda eram capazes de curtir uma noite de luar em Paris.

Um debate resultou daquilo. Argumento apresentado. Argumento compreendido.


Cafezinho sem açúcar: 5 trocas que deixam bebida mais saborosa e saudável

Quem resiste a um cafezinho? O café é uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros em diferentes momentos do dia —desde o café da manhã até os lanchinhos. Com sabor marcante e cheiro característico, o café preto é comumente adoçado com açúcar, principalmente o refinado.

Mas, o açúcar não é um complemento muito saudável. Para se ter uma ideia, uma colher de sopa cheia de açúcar refinado (24 g) contém 95 calorias, 0,84 mg de cálcio, 1,52 mg de potássio, 0,13 mg de magnésio, 23,8 g de carboidratos, 0,04 g de proteína e não contém vitaminas.

Por isso, é importante saber que há outros ingredientes que podem realçar essa experiência gustativa e até mesmo proporcionar mais nutrientes e benefícios para a saúde. O café combina bem com outros sabores e é possível variar e experimentá-lo com outras bebidas e especiarias.

Os especialistas em café ressaltam que o ideal é criar um equilíbrio entre os sabores e, sempre que possível, optar por grãos de qualidade, fator fundamental para a qualidade da bebida.

Confira, a seguir, detalhes de como dar um toque extra de sabor e nutrientes à sua xícara de café.

  1. Canela

A combinação da canela com café é bastante popular e pode ser frequentemente encontrada em bebidas como cappuccino. A especiaria traz mais sabor e aroma para o café. A canela em pó pode ser acrescentada na bebida gelada ou quente. Também é possível adicionar um pau de canela no coador. Além disso, a canela combina bem com outras especiarias como baunilha e cacau e com o leite.

Em relação aos benefícios, de acordo com estudos, a canela possui compostos fenólicos que são potentes antioxidantes para as células, podendo protegê-las dos radicais livres formados pela exposição à poluição, envelhecimento e alimentos gordurosos. Ela também pode auxiliar na melhora da microbiota intestinal e ainda ajuda a diminuir as taxas de açúcar no sangue, o que é bastante benéfico para quem tem diabetes.

Em uma colher de sopa de canela em pó cheia (24 g) há 54 calorias, 240 mg de cálcio, 1,98 mg de ferro, 14,4 mg de magnésio, 15,36 mg de fósforo, 103,2 mg de potássio, 0,42 mg de zinco e 0,9 mg de vitamina C. Em relação ao açúcar refinado, a canela pode ser considerada uma opção mais saudável.

  1. Cacau em pó

Misturar cacau em pó no café deixa o sabor da bebida mais marcante e levemente amargo. Essa combinação é indicada porque ocorre uma harmonização entre os ingredientes. Elas são matérias-primas altamente compatíveis que proporcionam bebidas especiais.

Acrescentar cacau no café também turbina a saúde. O alimento possui muitos nutrientes. Uma colher de sopa cheia (24 g) contém 78 calorias, cálcio (30,72 mg), ferro (3,33 mg), magnésio (120 mg), fósforo (176 mg), potássio (366 mg) e zinco (1,62 mg). Além disso, contém compostos antioxidantes e anti-inflamatórios.

O cacau em pó é fonte de energia, reduz o risco de doenças cardiovasculares e protege o corpo contra os radicais livres. E mais: ajuda a controlar a pressão arterial.

  1. Cardamomo

Essa especiaria possui um sabor levemente picante e ao ser adicionada ao café traz a bebida mais intensidade. É uma mistura bastante antiga que surgiu no Oriente e é muito consumida por lá nos dias de hoje.

Na hora do preparo, acrescente os grãos ao pó do café ou coloque na xícara com o café já pronto. É importante se atentar para a quantidade —em excesso a bebida pode ficar muito forte.

Uma colher de sopa do cardamomo (24g) contém 18 calorias e alguns nutrientes importantes e que reforçam a saúde. São eles: cálcio (92mg), ferro (3,35 mg), magnésio (55 mg), fósforo (43 mg), potássio (269 mg), manganês (28 mg), zinco (179 mg), cobre (0,38 mg) e vitamina C (5 mg).

Além disso, esse condimento possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e auxilia a digestão. Os compostos antioxidantes do cardamomo protegem as células contra danos e diminuem a inflamação do organismo.

  1. Água de coco

Muito consumida no verão, a água de coco é refrescante e pode ser ingrediente de diversos drinks. Misture a água de coco no café tradicional e acrescente cubos de gelo para garantir o efeito refrescante do café gelado.

Alem disso, a água de coco é pouco calórica —200 ml da bebida possuem cerca de 44 calorias. Vamos aos nutrientes. Uma colher de sopa da bebida contém potássio (38,79 mg), manganês (0,06 mg) e vitamina C (0,57 mg).

E a água de coco pode ser considerada um diurético natural, pois aumenta a quantidade de urina e contribui para eliminar toxinas do organismo. Sabe-se também que a bebida ajuda a baixar a pressão arterial devido à presença do potássio —- possui cerca de 162 mg do nutriente em 200 ml da bebida.

E também mantém o corpo hidratado, ajudando a reabastecer os minerais, como potássio, magnésio e sódio, que são perdidos durante o exercício. Lembrando que o ideal é consumir a água de coco natural, diretamente da fruta e evitar as opções industrializadas.

  1. Chocolate amargo

Sim! É possível unir as duas paixões dos brasileiros. Deixe um pedaço de chocolate amargo (aquele com mais de 70% de cacau) no fundo da xícara de café quente.

Uma porção de 30 g de chocolate amargo contém 172 calorias, cálcio (6,21mg), ferro (2,26 mg), magnésio (47,3 mg), fósforo (92,4 mg), potássio (147 mg), zinco (0,39 mg) e cobre (0,47 mg).

Consumir chocolate amargo ajuda a elevar o colesterol bom devido à presença de antioxidantes. Contribui também para evitar as doenças cardiovasculares.

É claro que o chocolate terá um pouco de açúcar na composição, mas é menos do que uma colher de sopa de açúcar (13 g do quadradinho do primeiro contra 23 g da colher de sopa do segundo). Além disso, ele traz outros nutrientes que compensam a troca.

Café adoçado com açúcar faz mal?

O ideal é evitar o açúcar ou consumir em poucas quantidades. Sempre que possível, a recomendação é substituir por adoçantes naturais. O açúcar refinado aumenta a quantidade de calorias, os níveis de açúcar e insulina do corpo e com isso pode gerar um aumento de peso e gordura corporal. Além de gerar uma inflamação no corpo, podendo aumentar a retenção hídrica.

Muitas pessoas ingerem uma grande quantidade de café ao longo do dia, consumindo assim um grande volume de açúcar. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a recomendação de consumo de açúcar é de no máximo 25 gramas por dia, o que equivale a 6 colheres de chá. Por isso, é importante consumir o café com açúcar de forma moderada.

É importante lembrar que qualquer tipo de açúcar —mascavo, demerara ou refinado pode trazer riscos e contraindicações. Por isso, sempre que possível, realize substituições mais saudáveis.


Dificuldade em engordar: 8 dicas para ganhar peso sem comprometer a saúde

Provavelmente, você já ouviu a expressão ser "magro de ruim" para se referir a uma pessoa que mesmo comendo bastante não engorda. E apesar de causar inveja em muita gente, estar abaixo do peso gera desconfortos com a aparência em algumas pessoas e, em certos casos, pode estar associado a problemas de saúde.

Mas, quando alguém é considerado muito magro? Uma forma de avaliar é por meio do Índice de Massa Corporal (IMC), que é uma medida obtida dividindo o peso pela altura ao quadrado. Pessoas com IMC abaixo de 18,5 são consideradas muito magras, porém possuir um IMC abaixo de 16 indica uma magreza excessiva ou grave.

Vale ressaltar que a magreza não é sinônimo de saúde. Quem está abaixo do peso deve realizar um check-up para garantir que está tudo bem com o organismo. Em muitos casos, essas pessoas não estão recebendo as vitaminas e nutrientes essenciais de que o corpo necessita. Há várias condições que podem causar a magreza em excesso ou a facilidade para perder peso. Entre elas, destacam-se os distúrbios alimentares como anorexia e também doenças como diabetes, hipertireoidismo, infecções ou câncer.

Agora, se está tudo bem com sua saúde e sua dificuldade de engordar ocorre devido a questões genéticas ou hábitos alimentares ruins, não adianta sair comendo tudo o que vê pela frente para engordar. É claro que é preciso consumir mais calorias do que se gasta. No entanto, ingerir "calorias vazias" —como doces, frituras, refrigerantes, bebidas alcoólicas, entre outras guloseimas — não nutre o corpo e ainda pode levar a problemas como diabetes, colesterol e triglicérides alterados.

Para engordar de forma saudável é fundamental seguir algumas estratégias e não comprometer o bem-estar do organismo. Veja os detalhes a seguir.

  1. Inclua mais proteína na dieta

As proteínas são indispensáveis ao corpo humano, pois além de contribuírem como fonte energética, são responsáveis pelo crescimento muscular e pela manutenção do organismo. Suas fontes mais ricas são os ovos, o leite, o queijo e as carnes de todos os tipos, porém a melhor opção são as mais magras, grelhadas ou assadas. Enquanto as leguminosas são as melhores fontes de proteína vegetal. Outras fontes vegetais incluem castanhas e nozes. Aumentar o consumo de proteínas leva a um ganho de peso saudável e sustentável.

  1. Fracione as refeições

É importante manter a rotina de fazer três refeições principais por dia —café da manhã, almoço e jantar — e dois lanches intermediários. Dessa forma, aumenta-se a ingestão calórica, dividindo as refeições em maior número.

Não é recomendado ficar longos períodos sem se alimentar e é preciso manter o hábito de fazer pequenos lanches entre as refeições. Mas, é importante escolher alimentos saudáveis para esses lanchinhos. Prefira alimentos ricos em fibras, com proteína magra, pães integrais ou frutas, por exemplo.

  1. Invista em atividades físicas

As pessoas magras também precisam se exercitar. A atividade física ajuda a desenvolver massa muscular e consequentemente gera um aumento no peso saudável. Além disso, a prática de atividade física aumenta a disposição e até mesmo a fome. Há várias opções de atividade, mas para quem busca ganhar peso, os exercícios de força, como musculação, são os mais indicados.

Mas é importante começar devagar. Uma pessoa sedentária, por exemplo, precisa começar com treinos mais leves, focados em repetições, com mais resistência para depois investir nos treinos de hipertrofia (aumento da massa muscular). É importante sempre ter a orientação de um profissional durante o treino. A atividade física ajuda a ganhar massa muscular e não apenas gordura, além de contribuir com um estilo de vida mais saudável e na diminuição do estresse.

  1. Não se esqueça das gorduras boas

As gorduras consideradas boas são essenciais para o metabolismo e a manutenção de funções fisiológicas como a síntese de hormônios, e contêm micronutrientes indispensáveis para o ganho de peso. Elas são fontes de energia, além de ajudarem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).

Priorize as gorduras insaturadas, presentes em alimentos como azeite, amendoim, abacate, peixes, sementes de linhaça e chia, castanhas, nozes e amêndoas, entre outros.

  1. Alie-se aos carboidratos certos

Os carboidratos complexos são fundamentais para o funcionamento do organismo e trazem muitos benefícios para a saúde. É importante evitar os carboidratos processados, que são menos nutritivos e sempre que possível optar por fontes naturais desse macronutriente. Por isso, vale investir em arroz, pão integral, quinoa, aveia e também alimentos como feijão, lentilha e batata-doce, por exemplo.

  1. Fique longe do cigarro

É importante manter os hábitos saudáveis mesmo sendo uma pessoa magra, e por isso, é necessário ficar longe do cigarro. Sabe-se que a nicotina ajuda a diminuir o apetite por meio da ativação de um grupo específico de neurônios no cérebro. Além disso, fumar aumenta as chances do surgimento de outras doenças como câncer.

  1. Evite junk food

É necessário ficar longe de fast foods para controlar a ingestão de sódio e evitar o consumo de alimentos processados e ultraprocessados. A recomendação é consumir com bastante moderação frituras e açúcar refinado. Esses alimentos podem até engordar, mas são pobres em nutrientes e levam ao aumento do colesterol ruim.

  1. Mantenha uma rotina e vá devagar

A maneira mais segura de ganhar peso é mudar os hábitos de forma lenta e seguindo sempre um objetivo. Todos os dias, o corpo queima naturalmente as calorias consumidas e é importante comer um pouco mais de fontes de energia e criar o hábito de ter "excedente" para ganhar peso e músculos saudáveis.

 


'Sentia alguém me observando e depois se sentando ao meu lado': brasileiros que vivenciam a paralisia do sono

A paralisia do sono é uma condição na qual o indivíduo desperta, mas é incapaz de realizar qualquer movimento corporal voluntário, pois os músculos não respondem - é como se você estivesse em parte acordado, mas seu corpo ainda estivesse dormindo.

"Eu tive essa sensação pela primeira vez aos nove anos. Acabei dormindo enquanto estava assistindo televisão no quarto. Em meio ao sono, abri meus olhos e vi vários vultos vindo em minha direção. Eu tentava gritar, mas ninguém me ouvia. Eu tentava me mexer e não conseguia. Isso durou alguns minutos", relata a fotógrafa Bianca Machado, de 23 anos.

A partir da primeira experiência, ela passou a viver constantes momentos em que teve o sono interrompido pela assustadora sensação de acordar, não conseguir se mexer e avistar vultos.

Sensação semelhante à vivida com frequência por Bianca é descrita por várias outras pessoas. "Comecei a passar por isso ainda na infância. Eu sentia alguém me observando e depois se sentando ao meu lado, em meu colchão. Não conseguia me mexer, ficava totalmente imóvel e sempre pensava que eu fosse morrer", relata o músico e técnico em eletrônica Jairo Estevam, de 60 anos.

"Tenho isso há 25 anos. A primeira vez aconteceu quando eu estava dormindo no banco de trás do carro, durante uma viagem. Quando abri os olhos, ouvia tudo o que minha família conversava, mas não conseguia me mexer, apesar de tentar muito. Depois de um tempo, finalmente acordei. Após esse dia, passei a ter aquela sensação estranha com frequência. Dois anos depois, comecei a ver coisas horrendas, como monstros", narra a relações públicas Priscila Matos, de 35 anos.

Bianca, Jairo e Priscila têm paralisia do sono, condição na qual o indivíduo desperta, mas é incapaz de realizar qualquer movimento corporal voluntário, pois os músculos não respondem - é como se você estivesse em parte acordado, mas seu corpo ainda estivesse dormindo. A paralisia pode envolver situações como o aparecimento de vultos ou criaturas assustadoras.

"A paralisia do sono causa a incapacidade de falar ou mover os membros, tronco e cabeça, mesmo com a sensação de consciência preservada sobre o que está acontecendo", explica o psiquiatra Alexandre Azevedo, membro do Programa de Transtornos do Sono, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

A paralisia acontece quando o indivíduo desperta do estado mais profundo do sono, denominado REM ( rapid eye moviment , em português, movimento rápido dos olhos). Ela pode durar segundos ou alguns minutos.

"Quando despertamos, existe uma ativação sincrônica entre o cérebro e a medula, responsável pelo movimento corporal. Mas quando há a paralisia do sono, há um desbalanço, no qual o cérebro acorda, mas o comando de despertar é bloqueado para a medula. Não acontece a sincronia e há apenas a ativação cerebral, não a medular, por isso a pessoa não consegue se mexer", diz o neurologista Alan Eckeli, especialista em Medicina do Sono e professor da USP de Ribeirão Preto.

De acordo com a Academia Americana de Medicina do Sono, há estudos que apontam que entre 15% a 40% de determinada população pode vivenciar alguma situação de paralisia do sono ao longo da vida. As estimativas, segundo especialistas, variam conforme a população estudada, em razão de itens como os fatores culturais e étnicos.

A paralisia do sono

Há diversos relatos sobre paralisia do sono ao longo da história, em diferentes populações. "Esse fenômeno biológico está relatado na história em diferentes momentos, desde a antiguidade. Em todo o mundo já houve relatos de paralisia do sono", relata Eckeli.

Há inúmeros fatores que podem fazer com que a pessoa tenha paralisia do sono. Para muitos especialistas, trata-se uma característica genética. Estudos também apontam que ela pode ser influenciada por situações como constante estresse, privação do sono - quando o indivíduo dorme menos de sete horas por dia -, consumo de bebidas alcoólicas em excesso e utilização de medicamentos para induzir o sono, sem orientação médica.

A paralisia do sono também pode estar relacionada a doenças psiquiátricas como transtorno de ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

O   fenômeno é muito comum em indivíduos que possuem narcolepsia, transtorno no qual a pessoa tem sonolência intensa ao longo do dia, mesmo que tenha dormido bem durante a noite.

Nem todos os casos de paralisia envolvem alucinações, há situações em que a pessoa apenas não consegue se mexer. Porém, as experiências alucinatórias - que podem ser auditivas, visuais ou táteis - são recorrentes e, segundo estudos, podem estar presentes em até 75% dos casos.

As experiências relatadas durante a paralisia do sono são diversas. Há pessoas que veem diferentes vultos, outras que sentem alguém se aproximando, há quem sinta um bicho com características assustadoras em cima de si, entre outros diversos tipos de relatos.

As alucinações durante a paralisia, conforme os estudos, podem acontecer porque pouco antes de despertar, a pessoa estava no estágio mais profundo do sono, onde acontecem os sonhos mais vívidos.

No limiar do sonho

Bianca Machado comenta que entre as experiências mais assustadoras que já vivenciou durante a paralisia do sono está a vez em que ela teve a sensação de que seria morta. "Um homem falou comigo e muitos vultos começaram a aparecer. Eles queriam me pegar, me matar e eu fiquei desesperada para acordar. Quando consegui me mover, estava com uma crise de ansiedade muito forte e com uma tristeza imensa", relata.

Ela conta que há dois anos passou a ter a sensação de sair do próprio corpo durante a paralisia do sono. "Parece que minha alma está flutuando. É horrível", descreve.

"A sensação de sair do próprio corpo pode acontecer durante a paralisia do sono. Isso faz parte da atividade alucinatória", comenta o psiquiatra Alexandre Azevedo.

Em muitos dos relatos, as pessoas descrevem que tiveram sensação de mal-estar físico durante o episódio.

"Senti um homem se deitando sobre mim. Ele era muito pesado e eu me sentia afundando no colchão, sem conseguir me mover. Quando consegui me mexer, notei que não havia ninguém no quarto", relata Priscila Matos, ao comentar sobre uma das paralisias mais traumatizantes que vivenciou.

Especialistas afirmam que as sensações físicas durante a paralisia do sono acontecem porque o indivíduo não tem domínio do próprio corpo quando vivencia o fenômeno biológico.

Por exemplo, a pessoa pode ter a percepção de falta de ar, porque no momento ela não tem controle voluntário da respiração, mas continua respirando de forma natural. Como não consegue fazer a respiração de modo voluntário, pode ter a percepção de falta de ar. Mas ela não vai morrer durante a paralisia", comenta Eckeli, que ressalta que a paralisia não causa riscos de morte.

As alucinações

Há pessoas que associam as alucinações da paralisia do sono a questões sobrenaturais. O compositor Rodrigo de Freitas, de 34 anos, relata que teve a primeira experiência aos oito anos. Desde então, conta que se tornou frequente. Para ele, os elementos que aparecem durante a paralisia podem ser algo de "outra dimensão" e que precisam ser muito bem analisados. "As pessoas precisam ir mais a fundo em suas experiências com a paralisia do sono, para perceber os sinais e a oscilação de energia no ambiente", afirma.

"Acredito que não é algo da nossa dimensão. Porém, não saberia explicar mais detalhadamente. Penso que tem relação com energia, algo que estamos longe de descobrir, porque as pessoas aceitam muito facilmente respostas prontas", completa o compositor.

Assim como Rodrigo, outras diversas pessoas relacionam a paralisia a algo que possa ter uma origem sobrenatural. Em razão disso, há casos de pessoas que chegam a recorrer a igrejas ou outras representações religiosas para tentar compreender o assunto e até tentar evitar novas paralisias.

Eles afirmam que as figuras descritas por aqueles que têm paralisia do sono são semelhantes, entre elas um animal escuro, às vezes peludo, e de olhos vermelhos, que surge sobre o peito das pessoas. Há também constantes relatos de um homem com uma cartola preta.

Não há uma definição para a origem das alucinações que podem surgir durante a paralisia do sono. Especialistas acreditam que possa se tratar de imagens de temor criadas com base no contexto cultural do indivíduo.

"Pensando um pouco em psicanálise, no momento entre o sono e o despertar, podem surgir informações do nosso inconsciente para a nossa consciência. E, talvez, a sensação de sufocamento, medo e imobilidade precipitem nosso consciente a expressar imagens que simbolizem essas sensações e sentimentos", comenta Eckeli.

As interpretações da paralisia do sono podem variar conforme as crenças de cada pessoa. "Esse fenômeno biológico pode ser interpretado com base no contexto histórico e social. Há registros da paralisia do sono em diversos povos, como orientais, japoneses, indígenas, africanos, norte-americanos e egípcios. Onde há ser humano, há algum tipo de relato. A interpretação sobre esse assunto depende do contexto de cada povo", explica Eckeli.

O neurologista, porém, afirma que não se trata de uma situação sobrenatural. "As alucinações nada mais são do que elementos de sonhos durante o momento em que a pessoa desperta."

O designer Sergio Victor Stellet, de 29 anos, chegou a cogitar que a paralisia do sono pudesse ser uma situação mística. "Mas comecei a ver inconsistências nessas explicações sobrenaturais, então comecei a ver pelo lado científico, pois sou ateu e bem cético. Hoje, percebo que não são necessárias explicações extraordinárias para compreender", diz Stellet, que teve a primeira experiência com o fenômeno biológico aos 14 anos, enquanto cochilava após o almoço.

"Hoje, consigo entender que a minha paralisia do sono acontece quando durmo pouco. Então, já me preparo psicologicamente, quando sei que vai acontecer, e explico para a minha companheira que aquela noite será complicada para eu dormir", relata o designer.

A busca por ajuda

A paralisia do sono pode trazer diversas dificuldades. Entre elas, medo de dormir e ansiedade frequente. "Essas dificuldades causam instabilidade de humor e prejuízos de atenção e concentração", ressalta o psiquiatra Alexandre Azevedo.

Entre os que possuem paralisia, há aqueles que optam por esconder, por medo de serem considerados anormais. Outros, principalmente aqueles que vivenciam o fenômeno com frequência, preferem buscar ajuda especializada. Entretanto, não existe um tratamento específico e não há como prever a persistência de episódios ao longo da vida.

Os casos de paralisia do sono podem ser considerados isolados, quando o indivíduo não possui nenhuma mazela que possa justificar as dificuldades durante o sono. Quando o fenômeno está relacionado a uma doença psiquiátrica, o tratamento psicológico e com remédios pode auxiliar na redução da paralisia do sono.

Especialistas também passam algumas orientações que podem ser implementadas na rotina. Entre as medidas estão dormir ao menos sete horas por noite, manter o ritmo regular de horário para dormir e acordar diariamente, evitar cochilos durante o dia, manter o controle de uso de substâncias como cafeína e bebidas alcoólicas e não utilizar medicamentos para indução do sono sem orientação médica.

Uma das principais orientações para sair da paralisia e retomar os movimentos do corpo é manter o foco mental sobre o despertar durante o episódio e mexer os olhos rapidamente, com força. Outra medida para acelerar o fim do fenômeno é que alguém que esteja por perto encoste na pessoa que está passando pelo episódio, para que ela consiga despertar por completo.

Mesmo com orientações sobre como evitar o fenômeno, nem todas as pessoas conseguem sair da paralisia com facilidade. Outros aprendem a controlar após viver diversos episódios durante anos.

"Eu tinha todas as noites, por quase 50 anos. Hoje, depois de tanto tempo, passei a ter controle total e só tenho a paralisia do sono quando quero ter. Perder o medo dela é fundamental para que possamos compreendê-la. É importante mantermos a calma, para que ela passe logo. Para mim, atualmente é uma diversão", afirma o músico Jairo Estevam.

"No começo eu tinha muito medo de tudo isso, então via vultos, ouvia sons diversos como gritos e estrondos. Era uma confusão entre praticamente todos os sentidos. Sentia peso no peito, como se houvesse algo em cima de mim. Hoje, quando tenho, consigo direcionar um pouco melhor minhas ideias e pensar 'Ok, começou de novo. Vamos mexer pelo menos um dedo e ver se saímos dessa'", comenta o designer Sergio Stellet.


Existem 9 tipos de fome: como identificar qual é a sua

Vivemos um grande paradoxo alimentar. Ao mesmo tempo que a alimentação é complexa, ela é simples; queremos a abundância, mas focam na restrição. E aí caímos na dicotomia: "esse alimento é bom e esse é ruim".

Compartilhei com vocês um texto bem bacana sobre o sinal que a barriga nos dá, que vai muito de encontro a esse texto. Hoje abordarei com você os nove tipos de fome, exposto por Jan Chozen Bays, que é uma abordagem do "mindful eating" — alimentação consciente — nos ajuda a sair do piloto automático e entrar em um estado de consciência. Uma vez que estamos conscientes, a ansiedade que vem saborear nossa alimentação se dissipa e é substituída por curiosidade, descoberta, prazer – e até alegria.

Quando as pessoas aprendem sobre os nove tipos de fome pela primeira vez, elas podem se sentir sobrecarregadas e até confusas, afinal "uma já é difícil de entender, agora nove?". Parece tantas coisas para se lembrar, porém, o que você deve saber é que esses são nove aspectos do conjunto de sensações, pensamentos e emoções corporais que reunimos e que exteriorizamos na simples frase "estou com fome". Eles já estão presentes; estamos apenas tomando consciência de cada um com uma curiosidade gentil. É uma habilidade que qualquer um pode aprender.

Uma maneira de lembrar de como avaliar todos os tipos de fome é apontando ou tocando as partes do corpo envolvidas. Você começa descendo de cima, apontando para os olhos, depois os ouvidos, o nariz, a boca, o estômago, o tronco — para a fome chamada de "celular" e fisiológica —, na sequencia a cabeça para a fome da mental e para o peito para a fome do coração, ou seja, a emocional e, por fim, prestar atenção no tato e sensações físicas, onde você pode perguntar sobre quais texturas gostaria.

Você pode destacar os cinco mais importantes, atraentes ou confusas para você, por exemplo, a boca, estômago, células, mente e coração. No início, as pessoas também podem estar preocupadas com o fato de que levarão "muito tempo" para avaliar qual o tipo de fome cada vez que elas se sentam para comer. Entenda que, como qualquer nova habilidade, é necessário treinamento, e isso não é rápido e, na grande maioria das vezes, é difícil fazê-lo sozinho — por isso é tão importante procurar profissionais habilitados que te conduza da forma mais adequada.

Mas enfim, a prática leva ao entendimento e se você praticar os tipos de fome toda vez que comer, em alguns dias ou semanas você aprenderá a fazer uma avaliação consciente das suas escolhas. De fato, alguém sentado à mesa com você pode nem perceber que está fazendo algo além de ficar quieto por um minuto. Se você se lembrar de fazer essa avaliação rápida novamente, no meio da refeição e, especialmente, antes de pegar mais um prato, pode ser muito útil para ajustar os tipos e quantidades de alimentos que você come para atender às reais necessidades do seu corpo. Por isso, quando você sabe, de fato, qual a sua necessidade, você tem liberdade de fazer sua escolha.

Quando você aprende a despertar a consciência, tudo fica mais fácil, pois você não está mais condicionado aos hábitos antigos. Assim, você começa a jornada para a liberdade.

Jan Chozen dá um exemplo bem legal que vale colocar aqui. Isso tudo é como um motorista de ônibus com nove passageiros indisciplinados. Cada passageiro está lhe dizendo como dirigir — um mais rápido, outro mais devagar — e para onde ir — vá ao Shopping, não, à padaria, não, leve-me ao ponto próximo da minha casa. Seria desastroso se o motorista do ônibus reagisse emocionalmente a toda essa informação. O motorista precisa ouvir, levar em consideração o que cada passageiro está dizendo e, em seguida, tomar uma decisão informada, sábia e compassiva sobre como dirigir e para onde ir. Assim, através da alimentação consciente, você e seu corpo — o motorista do veículo –, aprenderão a ouvir as informações dos nove aspectos da fome e tomarão uma decisão informada, sábia e compassiva sobre o que comer, quanto e com que rapidez comer.

Outro exemplo. Digamos que você tenha comido e está pronto para decidir tomar uma segunda porção de sobremesa. Você confere os nove aspectos da fome. Os olhos dizem: "Adoro a cor vermelha dos morangos que acabamos de comer". A boca diz: "Concordo, vamos comer outro bolo de morango com muito chantilly. Adoro o contraste de massa folhada, frutas suculentas e chantilly". O estômago diz: "Estou muito cheio e ainda tenho mais de uma hora de trabalho para processar o que você já me deu. Lembra-se de como é desconfortável ficar cheio demais? "As células dizem:" Já temos muitos nutrientes bons e gordura suficiente. Não há necessidade de mais."A mente diz:" Você está brincando? Você já ingeriu o suficiente! "O coração diz:" Sinto-me feliz e aliviado comendo sobremesas  – vamos comer mais".

Quando você traz para seu amplo espaço de consciência, leva em consideração a contribuição desses aspectos da fome. Você decide comer mais quatro morangos e um pouquinho de chantilly e comer o que sua própria sabedoria e compaixão escolheram conscientemente. Você come devagar e com toda a atenção e descobre que a experiência é íntima e surpreendentemente satisfatória — e não provoca ressaca de arrependimento e recriminação que todo um biscoito teria criado.

Quando traz para a consciência, tudo fica mais fácil e você entenderá que sempre a escolha é sua.


Exagerou na festa? Boldo pode ajudar na ressaca e melhorar a digestão

Chegou a temporada oficial de happy hours, festas de amigo secreto e reuniões de fim de ano. Em geral, essas comemorações são repletas de petiscos e frituras, acompanhadas de drinques alcoólicos variados. Quem nunca exagerou numa festança e ficou mal no dia seguinte, com enjoo, dor de cabeça e mal-estar geral, sintomas típicos da famosa ressaca? Pois aquele chazinho que a vovó recomendava para curar tais males pode, de fato, ajudar. O boldo é uma dessas ervas mais comuns popularmente para "curar ressaca", assim como a carqueja. E, de fato, a ciência tem se empenhado em comprovar tais benefícios do boldo, de modo a usá-los em tratamentos auxiliares para distúrbios digestivos e hepáticos.

De sabor amargo e aroma intenso, bem herbal, o boldo possui elementos que ajudam na digestão, favorecem o bom funcionamento do fígado e, dessa forma, contribuem para ajudar a combater os sintomas da ressaca, pois ajudam o corpo a funcionar melhor e a se desintoxicar. É claro que, como tudo, é preciso moderação. Não adianta enfiar o pé na jaca e achar que uma xícara de chá de boldo vai curar tudo (ainda mais que, numa ressaca brava, muitas pessoas não toleram o sabor amargo do boldo).

Mas, se você é adepto dos auxílios caseiros para combater males corriqueiros, como a ressaca ou uma simples má digestão, o boldo está do seu lado. Existem vários tipos dessa planta e, muitas vezes, os nomes populares se confundem, dando o mesmo apelido para espécies diferentes, ainda que com propriedades similares. O mais conhecido é o boldo-do-chile (gênero Peumus), de folhas menores, com um sabor ainda amargo, mas um pouco mais delicado que aquele conhecido como "tapete-de-oxalá", "boldo brasileiro" ou "falso-boldo" (gênero Plectranthus), este bem comum nos jardins e arbustos de rua, com folhas maiores e aveludadas. Ambos apresentam propriedades digestivas e favoráveis ao estômago e ao fígado e possuem substâncias conhecidas como alcaloides, como a boldina, aos quais são atribuídas diversas propriedades, como antioxidante, hepatoprotetora e até antibiótica.

Em geral, as infusões de boldo favorecem também a vesícula biliar, têm leve efeito diurético (ou seja, ajudam a desinchar) e também diminuem sintomas de azia, ajudando a complementar os tratamentos para quem sofre de gastrite. No caso de quem bebeu demais, o boldo ajuda a proteger as células do fígado, fazendo-o funcionar melhor e, assim, eliminar os resíduos tóxicos deixados pelo consumo excessivo de álcool.

Boldo: como usar

Como pode ser complicado sair por aí colhendo boldo na rua, vale apostar nas folhas secas comercializadas nos supermercados, em sachês ou a granel. O modo de aplicação mais comum é fazer uma infusão com as folhas, mas há quem faça extratos alcoólicos que podem ser diluídos em água, como as populares "garrafadas", em mistura com outras ervas. Se tiver acesso ao boldo fresco, lave muito bem as folhas e macere-as com água quente (mas, dessa forma, o resultado fica ainda mais amargo, e algumas pessoas não toleram o sabor).

Prefiro deixar algumas folhas frescas no fundo da xícara e derramar água fervendo sobre elas. Mantenho-as em infusão, cobrindo a xícara com um pires, por 10 minutos. Depois disso, é só coar e beber, de preferência sem adoçar. Se tiver a erva seca, use uma colher (de chá) para cada xícara de água, deixando-a em infusão pelo mesmo tempo. Vá tomando a bebida aos poucos, mas não é necessário exagerar, bastam uma ou duas xícaras.

Porém, vale observar que alguns estudos apontam que o boldo pode ter propriedades abortivas. Por isso, se estiver grávida, vale evitar essa infusão (não por causa da ressaca, já que as gestantes devem evitar o álcool, mas por conta de eventuais enjoos e náuseas) e conversar com seu médico ou nutricionista sobre outras infusões de ervas liberadas para esse momento da vida.

Além disso, se você apresentar algum problema hepático grave ou qualquer outro distúrbio importante de saúde, sempre deve consultar um profissional em que confie antes de lançar mão de soluções caseiras. Para indivíduos saudáveis, que apenas exageraram um pouco na festa, a infusão de boldo pode ajudar o organismo a se livrar dos sintomas desagradáveis da ressaca mais rapidamente. Alimentar-se bem e tomar muita água pura também ajuda o corpo a se desintoxicar e voltar ao funcionamento normal. E, mais importante que tudo, praticar a moderação todos os dias ajuda a manter a saúde sempre em dia.


Lavar olho com qualquer coisa tem riscos: quando usar água, soro ou colírio

Água, soro fisiológico e colírio são substâncias que, embora pareçam inofensivas, possuem indicações específicas e usá-las de maneira incorreta pode prejudicar sua saúde ocular. A seguir, mostramos melhor e damos algumas dicas. Porém, não deixe de se consultar com um oftalmologista, ainda mais se usar óculos ou lentes de contato e sentir desconforto nos olhos.

Água é para limpeza externa

Segundo Mauro Campos, oftalmologista e diretor médico do grupo H.Olhos (Hospital dos Olhos): "Se houver exposição dos olhos a agentes tóxicos, como desinfetante, tinta e solvente, por exemplo, devemos lavá-los imediatamente, antes de procurar um médico. O ideal é que se use água filtrada ou mineral, mas em último caso pode se utilizar a da torneira, que no dia a dia também serve para higienizar pálpebras e rosto, mas não o interior dos olhos".

Muita gente acaba deixando de lado essa limpeza externa a que o médico se refere, sem notar que ela é fundamental para evitar que as glândulas oculares e os folículos dos cílios entupam por maquiagem, partículas de poluentes e oleosidade em excesso. Quando isso ocorre, não só a secura dos olhos aumenta como o nível de bactérias que causam diversos tipos de infecção.

Portanto, esse hábito de higiene deve ser realizado todo dia, antes de dormir, e com soluções oculares ou produtos de higiene que não provoquem ardor nos olhos e alergias de pele. As pálpebras fechadas devem ser massageadas de leve com espuma e depois enxaguadas ou limpas com gaze ou algodão umedecidos em água morna. Depois é só secar com uma toalha.

Água boricada não deve ser usada

Por falar em água, como não citar a boricada? Muita gente a utiliza para tratar inflamações oculares, como conjuntivite, mas os médicos dizem que não é seguro, pois o produto contém ácido bórico, que em pessoas mais sensíveis pode provocar reações alérgicas e queimaduras. "Criou-se um mito de que água boricada auxilia na limpeza ocular, mas ela é bem tóxica e não deve ser usada", adverte o oftalmologista Tiago Batista, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

Por não ser uma solução estéril, a água boricada também está sujeita a contaminação por micro-organismos prejudiciais à saúde ocular. Portanto, em caso de processos inflamatórios e sintomas como dor, secreção e coceira, procure um médico. Como um paliativo até lá, a pessoa pode fazer compressas frias e limpar os olhos com gaze umedecida em água morna.

Soro fisiológico requer cuidados

Embora seja útil para lavar as narinas, o soro fisiológico também não é a melhor solução para higienizar olhos e lentes de contato. A explicação é que depois de aberto ele se contamina automaticamente e pode favorecer a multiplicação de micro-organismos nocivos, como o protozoário Acanthamoeba, que também é encontrado na água da torneira e pode provocar inflamações graves, como a ceratite, que ataca a córnea e quando agravada reduz a visão.

"Para manter a umidificação dos olhos, o melhor é pingar um lubrificante prescrito pelo médico. Sem alternativa, o soro pode ser usado, mas prefira o produto em versão flaconete, que é pequena e pode ser descartada após o uso", indica o oftalmologista Omar Assae, do Hospital Cema, em São Paulo. Questionado se o soro, por conter sal, provocaria secura ocular, o médico responde que isso é improvável, pois sua composição contém apenas 0,9%.

Batista complementa o colega e explica que eventuais irritações oculares provocadas pelo líquido não se devem à presença do sal, mas à sua composição geral, que é diferente da lágrima, que é mais complexa. Por esse motivo, o soro também não serve para higienizar lentes de contato. Nesse caso, os especialistas sugerem soluções específicas, indicadas por oftalmologistas e fabricantes e que contenham agentes antibacterianos em sua fórmula.

Colírio não é tudo igual

Pessoas que não apresentam sintomas oculares como ardor, vermelhidão, secreção, coceira e vista embaçada dificilmente precisam usar qualquer tipo de colírio. Já as que ficam com os olhos ressecados e avermelhados, eventualmente por conta de poluição, ar-condicionado e esforço de leitura, podem se aliviar com colírios hidratantes, chamados de lágrimas artificiais.

"Porém, sem indicação, mesmo esses colírios tornam-se prejudiciais", afirma Campos. É que se forem aplicados sem necessidade, podem deixar os olhos mais suscetíveis a infecções como viciados e tolerantes, sendo necessário recorrer a alternativas cada vez mais fortes e sem certeza de eficácia.

Efeito similar tem os colírios vasoconstritores, se pingados com muita frequência. Como clareiam os olhos, eles também podem camuflar doenças, uma vez que cessam os sintomas de que os olhos não andam bem, como veias dilatadas e vermelhidão.

Apesar de serem esses tipos de colírios os mais comercializados, existem outros, compostos por diferentes substâncias químicas e que podem servir como antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, antialérgicos e mesmo dilatadores de pupila.

Sendo a variedade tão grande e complexa, precisam ser comprados sob orientação médica, pois, como já mencionado, seu uso indiscriminado pode resultar em complicações diversas, incluindo doenças graves, como catarata e glaucoma.