Sanduíche pronto substitui refeição? Depende, então cuidado ao comprar

Nem sempre temos tempo ou possibilidade de preparar uma refeição completa e nesses momentos os sanduíches aparecem com uma ótima solução. Pensando nisso, existem empresas que vendem esses alimentos prontos em supermercados e estabelecimentos que fazem os seus próprios produtos desse tipo.

Se o lanche tem uma opção de proteína (como as carnes), verduras e alguma gordura boa (como os queijos magros), já equivale a uma refeição completa. Mas, para que eles possam se encaixar em um cardápio saudável, não pesem na balança e não ofereçam riscos à saúde, é imprescindível checar com o que e como são feitos.

Comece analisando o pão

O mais indicado é que ele seja integral, aumentando a saciedade, combatendo o excesso de colesterol e favorecendo o funcionamento do intestino.

Prefira as proteínas magras

O atum, o salmão, o frango desfiado e as carnes, o rosbife, por exemplo, são boas escolhas. Já os embutidos em geral, como o salame, a mortadela e o presunto, devem ficar nos últimos lugares na lista de opções, pois têm muita gordura e sódio. Mas, eles não precisam ser banidos se forem ingeridos de vez em quando. Nesse caso, prefira os lights ou sem capa de gordura.

Evite os queijos amarelos

Eles são mais gordurosos e calóricos. Por isso, o melhor é apostar nos produtos feitos com queijo minas, ricota ou cottage.

Cuidado com os molhos

Na maioria das vezes eles são cheios de calorias, gorduras e sódio, elementos que fazem com que o sanduíche não fique nada saudável.

Os que levam vegetais se destacam

Se o recheio contar com folhas, como alface e rúcula, e legumes, o tomate e a cenoura, por exemplo, o produto provavelmente deve ser selecionado, já que tem mais fibras e nutrientes.

Compare as tabelas nutricionais

Independentemente de todos os itens anteriores, como as receitas variam muito, o ideal é checar as informações do rótulo com cuidado e colocar no carrinho o sanduíche com menos calorias, gorduras e sódio e mais fibras. Alimentos com baixo teor de gorduras saturadas são aqueles com até 1,5 g em 100g. No quesito sódio, são considerados preocupantes os índices acima de 20% do valor diário recomendado por porção. Quando se tratam das fibras, são estabelecidos como fonte os alimentos que contêm no mínimo 2,5 g por porção e ricos quando apresentam no mínimo de 5 g. Se a tabela não estiver disponível, já que ela não é obrigatória nesse caso, o indicado é comparar os ingredientes.

Não deixe de olhar o prazo de validade

Como se trata de um tipo de alimento muito perecível, quanto mais fresco ele estiver, melhor.

A refrigeração é essencial

Não leve o produto para casa se ele não estiver estocado em uma geladeira e em um local bem limpo. Aliás, a higiene do estabelecimento é ainda mais importante nesse caso, pois, quando o sanduíche é feito no próprio supermercado, isso mostra que pode ser consumido sem receio.

Confira o aspecto geral do sanduíche

Se houver qualquer sinal de que ele não está em boas condições, como manchas, aspecto viscoso ou alteração na cor e no odor, não o leve para casa.

Exija que a embalagem esteja intacta

Se ela tiver qualquer dano, o alimento deve ser descartado. Também é importante verificar se o invólucro é bem feito. Os produtos que são apenas envoltos em um filme plástico correm mais risco de contaminação.

Informação nutricional

Sanduíche integral de atum e salada (atum, pepino, cenoura, alface, maionese e pão integral)

  • Porção 160 gramas (1 unidade)
  • Valor energético: 336 kcal
  • Carboidratos: 34 g
  • Proteínas: 14 g
  • Gorduras totais: 16 g
  • Gorduras saturadas: 2,9g
  • Fibras: 8,5 g
  • Sódio: 588 mg

Sanduíche de peito de peru e queijo (peito de peru defumado, pão de forma, maionese, queijo prato, alface e tomate)

  • Porção 160 gramas (1 unidade)
  • Valor energético: 352 kcal
  • Carboidratos: 33 g
  • Proteínas: 16 g
  • Gorduras totais: 18 g
  • Gorduras saturadas: 5,3 g
  • Fibras: 8 g
  • Sódio: 659 mg

Sanduíche de frango (frango desfiado, maionese, cebolinha e pão de forma)

  • Porção 160 gramas (1 unidade)
  • Valor energético: 330 kcal
  • Carboidratos: 33 g
  • Proteínas: 17 g
  • Gorduras totais: 17 g
  • Gorduras saturadas: 2,9 g
  • Fibras: 1,4 g
  • Sódio: 499 mg

Sanduíche de gorgonzola (gorgonzola, tomate, alface, maionese e pão de forma)

  • Porção 160 gramas (1 unidade)
  • Valor energético: 360 kcal
  • Carboidratos: 35 g
  • Proteínas: 10 g
  • Gorduras totais: 20 g
  • Gorduras saturadas: 6 g
  • Fibras: 8,2 g
  • Sódio: 599 mg

Sanduíche de salame (salame, queijo prato, rúcula, tomate e pão de forma)

  • Porção 160 gramas (1 unidade)
  • Valor energético: 376 kcal
  • Carboidratos: 34 g
  • Proteínas: 15 g
  • Gorduras totais: 20 g
  • Gorduras saturadas: 6,7 g
  • Fibras: 8 g
  • Sódio: 1031 mg

5 alimentos que dão um gás extra para você começar a se exercitar

Por  uma vontade de mudança de estilo de vida, são muitas as pessoas na fase de adesão às atividades físicas. E toda ajuda é bem-vinda para incentivar a prática, desde a companhia de um amigo nos exercícios até (e principalmente) a energia extra fornecida pelos alimentos comidos antes, durante e depois da malhação.

Com o auxílio de Regina Stikan Carrijo, coordenadora de Nutrição do Hospital Santa Catarina, e de Tarcila Campos, nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, trazemos aqui uma relação de alimentos que dão aquele gás fundamental para que o corpo aguente melhor  o ritmo - e também alguns que devem ser evitados, para diminuir o risco de "roubo" de energia.

Além de inclui-los na dieta, Carrijo recomenda que seja mantida no dia a dia uma alimentação balanceada, rica em nutrientes, variada e especialmente com alimentos de menor grau de industrialização. "Fuja dos ultraprocessados, escolha alimentos in natura sem acréscimo de temperos prontos e lembre-se que a mudança de hábito demora para se tornar rotina, então não desista. Esse é um investimento que certamente trará benefícios imensuráveis à saúde", afirma.

Dosar a alimentação também é importante, como explica Campos: "Antes da atividade física é interessante ingerir uma refeição mais leve, para garantir um mínimo de energia para a realização do exercício. E após a atividade é o momento de recuperar o músculo, portanto a refeição pós-exercício deve ser mais completa."

Também é indicado que, tanto para a adoção de atividades físicas quanto para as mudanças alimentares, sejam consultados profissionais especializados, a fim de preservar a saúde e obter melhores resultados.

Coloque no prato

 Banana

É uma fruta rica em carboidrato e que fornece energia, fibras, magnésio, potássio e triptofano, evitando a fadiga e a fraqueza muscular.

Aveia

A aveia é fonte de energia por ser composta principalmente por carboidratos (cerca de 65%, com destaque para o amido) e por ter alta concentração de vitaminas do complexo B, que ajudam o organismo a converter os nutrientes em energia. Também é rica em proteínas e em fibras solúveis e insolúveis que colaboram na redução do LDL (o colesterol ruim), mantêm o bom funcionamento intestinal e ajudam na recuperação muscular. Para completar, dá uma sensação de saciedade praticamente instantânea, o que é ótimo para uma refeição pré-treino.

 Batata-doce

Excelente fonte de carboidratos complexos ricos em energia e com alto teor de fibras, a batata-doce fornece energia e colabora com o bom funcionamento intestinal.

 Ovos

Um simples ovo é fonte de diversos nutrientes: vitaminas A, D, E e K, ômega 3, importantes para o fortalecimento de ossos e dentes. Mas a energia vem principalmente de dois de seus componentes: a proteína, que fornece a energia em si, e as vitaminas do complexo B, que auxiliam o organismo na conversão de nutrientes em energia.

 Oleaginosas

Castanhas, nozes, avelã e amendoim são ricos em gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas (as gorduras boas), que são convertidas de forma imediata em energia pelo organismo. Além disso, têm nutrientes como vitamina E, magnésio, potássio e fitosteróis, que atuam no combate ao envelhecimento celular e aumentam a sensação de saciedade, e triptofano, que auxilia na produção dos hormônios do bem-estar.

Melhor evitar

 Frituras

Não fornecem nutrientes, agregam gordura saturada aos alimentos e diminuem a energia do organismo durante sua lenta digestão.

 Bebidas alcoólicas

Não têm valor nutricional e afetam negativamente o funcionamento do organismo. Entre os malefícios no que diz respeito às atividades físicas, as bebidas alcoólicas inibem a absorção das vitaminas do complexo B, diminuindo a energia necessária para o corpo dar conta da malhação.


Demora no diagnóstico de câncer leva à mastectomia em 70% dos casos

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)  alerta que em 70% dos casos de câncer de mama diagnosticados no país a mulher passa por uma mastectomia (remoção total da mama). O principal motivo é que a doença é identificada em estágio avançado.

Para a sociedade, esse índice está ligado à dificuldade do diagnóstico precoce e demora ao acesso a consultas, exames, biópsia e tratamento. Pesquisas internacionais apontam que se o tumor é descoberto logo no início – com menos de 2 centímetros – as chances de cura podem chegar a 95%, conforme a sociedade.

“Isso é um problema muito ligado à questão econômica com dois problemas básicos: a disponibilidade dos recursos, dos exames, a qualidade dos equipamentos e dos resultados. A limitação do acesso é um problema muito sério no nosso país, as mulheres no SUS [Sistema Único de Saúde] passam por uma verdadeira 'via crucis' que é conseguir consulta num posto de saúde, conseguir um pedido de exame e depois realizá-lo. Com o diagnóstico tardio, a agressividade do tratamento é maior”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antônio Frasson.

Para Frasson, a queda na busca pelos exames está relacionada também ao fato de muitos brasileiros estarem sem emprego ou terem perdido a cobertura de plano de saúde.

“Quando a gente observa o número de mulheres que vem fazendo exames, esse número, em vez de aumentar, vem caindo. Isso é muito ligado à questão econômica, questão da falta de recursos, estamos falando isso no sistema público e no sistema privado. Com a crise, muita gente perdeu o acesso, o convênio”.

De acordo com o Ministério da Saúde, estados e municípios têm autonomia para organizar a rede de atendimento "e o tempo para realizar diagnóstico depende da organização e regulação desses serviços". "Em 2017, foram realizados no SUS 4,04 milhões de mamografias de rastreamento, sendo 2,6 milhões na faixa etária prioritária preconizada pela Organização Mundial da Saúde, que são mulheres de 50 a 69 anos.  Além disso, também houve aumento de 100% dos valores repassados para exames essenciais para o diagnóstico e para a decisão médica do tratamento dessa doença".  Conforme a pasta, o repasse de recursos federais para tratamento passou de R$ 2,2 bilhões em 2010 para R$ 4,6 bilhões em 2017.

Cirurgias menos invasivas

Com intuito de preservar as mamas, médicos têm adotado técnicas que permitem, por meio de um acesso pequeno (pela borda da aréola e mamilo ou pelo sulco mamário) fazer a retirada dos tumores, com menor risco de complicações e melhores resultados estéticos.

De acordo com o mastologista, incisões escondidas podem ser feitas na retirada total da mama ou quando é retirado somente o tumor com margem livre. Esse tipo de cirurgia evita que a mulher tenha o estigma de uma cirurgia radical, com cicatrizes no meio do seio.

“A pessoa faz cirurgia, e pode fazer radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. A associação das múltiplas terapias faz com que um tratamento exclusivo seja menos utilizado e isso ajuda muito no avanço das técnicas cirúrgicas, fazendo com que o tratamento cirúrgico passe praticamente desapercebido”.

Durante a Jornada Brasileira de Oncoplástica, ocorrida em São Paulo no mês passado, profissionais da área focaram na qualificação de técnicas cirúrgicas de reconstrução mamária. “Durante o evento, especialistas internacionais e nacionais realizaram as cirurgias em um hospital e as imagens foram transmitidas ao vivo para uma plateia de médicos que puderam participar discutindo as melhores opções”, disse Frasson.

A dona de casa Ruth Pereira Waiteman foi uma das pacientes. Há dois anos, ela passou pela mastectomia da mama esquerda, em seguida, colocou a prótese, fez quimioterapia e radioterapia. Após a retirada, surgiram nódulos na mama direta, o que a levou a retirar a glândula mamária direita. A reconstrução das duas mamas, segundo ela, foi um presente de aniversário, ao ter sido feita no dia 20 de abril, quando completou 65 anos. “Fiz a reconstrução porque acho que ainda me sinto nova, sou ativa e isso fez muito bem. Não é totalmente pela estética, mas é pelo meu conforto e meu bem-estar. Sinto que fechei um ciclo, foi um presente”

Espera pela cirurgia

Enquanto Ruth comemora, muitas mulheres ainda esperam pela cirurgia de reconstrução, como a faxineira Aparecida de Fátima de Souza Augusto, de 49 anos.

Em 2016, ela passou por uma mastectomia do seio esquerdo, no Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. Desde outubro do ano passado, está apta para a reconstrução, mas o procedimento deve levar ainda pelo menos dois anos para ocorrer. “Já estou livre do câncer, fui bem tratada no Inca, mas acho que demora muito. Daqui a dois anos ainda, é muito tempo, poderia ser mais ágil”, lamenta.

Embora já tenha se acostumado com a situação, passar pela reconstrução será importante para auto estima. “Hoje já estou mais acostumada a não ter o seio, mas acho muito difícil”.

A lei que prevê reconstrução mamária imediatamente após mastectomia completou cinco anos em abril. A Lei 12.802 prevê que pacientes submetidas a mastectomia têm o direito de realizar a reconstrução mamária por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) imediatamente após a retirada do tumor. A SBM afirma que apenas 20% das 92,5 mil mulheres que retiraram as mamas entre os anos de 2008 e 2015 passaram pelo procedimento de reconstrução. De acordo com a instituição, a reconstrução mamária imediata é viável em cerca de 90% dos casos.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que "segundo a mesma lei, quando não houver indicação clínica para realização dos dois procedimentos ao mesmo tempo, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias. Sendo assim, cabe à equipe médica responsável pela paciente avaliar se é possível realizar os dois procedimentos no mesmo ato cirúrgico. A decisão é tomada com base em diversos fatores, como a condição da área afetada para evitar infecção ou rejeição da prótese e a vontade da própria paciente. Em alguns casos, é necessária a radioterapia ou quimioterapia antes da reconstrução mamária ser realizada".

Conforme o ministério, em 2013, foram feitas 11.931 cirurgias de mastectomia e 3.411 de reconstrução mamária no SUS. Em 2017, dados preliminares, foram 10.186 mastectomias e 3.413 reconstruções mamárias. Os investimentos federais para a reconstrução mamária passaram de R$ 2,21 milhões, em 2013, para R$ 2,39 milhões no ano passado.

Há também desconhecimento das mulheres sobre a legislação. Pesquisa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), a Johnson & Johnson Medical Devices e o instituto Ideafix mostrou que de 468 mulheres entrevistadas apenas 27,6% disseram conhecer bem a lei. Conforme a pesquisa, 74,8% das entrevistadas que trataram o câncer no sistema privado fizeram a cirurgia de reconstrução mamária e 53,4% das pacientes do sistema público passaram pelo procedimento.

“Imediata ou não, a cirurgia de reconstrução é um direito de toda paciente de câncer de mama que passou por mastectomia durante o tratamento da doença. Esse direito deve ser exigido junto ao SUS e aos planos de saúde e discutido com o médico antes da realização da cirurgia ou a qualquer momento após o procedimento de retirada do tumor, no caso de uma reconstrução tardia”, disse a presidente da Femama, Maira Caleffi.


Restrição de carboidrato é associada a redução na expectativa de vida

Se tem um nutriente passando por maus bocados hoje em dia, é o carboidrato, presente em alimentos como pão, massas, arroz e tubérculos. Ele é acusado de ser o grande financiador de obesidade e os vários problemas de saúde ligados ao peso extra. Nesse cenário, surgiram muitas dietas cujo principal foco é fazer uma restrição severa de suas fontes na rotina, a exemplo da low carb e paleolítica. Mas um estudo publicado na prestigiada revista científica The Lancet mostra que esse comportamento pode abalar a expectativa de vida.

No trabalho, os pesquisadores analisaram questionários sobre hábitos alimentares de 15 428 pessoas de 45 a 64 anos. Durante um período médio de 25 anos, ocorreram 6 283 mortes. Em seguida, eles combinaram esses dados com o de outros estudos, totalizando 432 179 participantes – e 40 181 óbitos.

Ao cruzar todos os números, eles notaram que um consumo baixo de carboidratos (menos de 40% das necessidades calóricas diárias de uma pessoa) resultou em um maior risco de mortalidade. Mas, não se engane: o exagero também foi problemático. Quem compôs a dieta com mais de 70% de calorias provenientes de carboidratos viu a expectativa de vida cair.

Por outro lado, quando 50 a 55% das calorias são representadas pelo nutriente, a pesquisa mostrou que a longevidade sai ganhando. Cabe notar que se trata da quantidade da substância que a maioria dos nutricionistas considera ideal (muitos defendem, na verdade, que está tudo bem chegar até 60% nessa conta).

Não é só quantidade, é qualidade

Os autores da pesquisa observam, no entanto, que os resultados variam de acordo com outros alimentos escolhidos pelas pessoas. Por exemplo: quando os carboidratos eram trocados por proteínas e gorduras de origem animal, como a de carnes de vaca e porco, o risco de mortalidade subia. Mas a expectativa de vida aumentava se os substitutos fossem de origem vegetal – a exemplo de oleaginosas, abacate e leguminosas.

Outro recado: embora ninguém precise sair cortando carboidratos loucamente, faz bem prestar mais atenção nos tipos escolhidos. Em vez de investir em massas refinadas e sobremesas, o ideal seria optar por versões boas do nutriente, como arroz integral, grãos, cereais e frutas. Até porque esses itens fornecem fibras, que ajudam a baixar os níveis de colesterol e a manter a flora intestinal equilibrada.


Por que algumas pessoas pegam gripes mais fortes que outras? Estudo explica

Você já deve ter percebido que algumas pessoas sofrem mais ao pegar uma gripe do que outras. Mas por que, dependendo do indivíduo, a doença se comporta com forças diferentes?

Segundo um estudo publicado no periódico PLOS Pathogens,  as diferenças se resumem ao que é conhecido como impressão imunológica. Isso significa que os subtipos de gripe que uma pessoa encontra na infância têm um efeito ao longo da vida na memória do sistema imunológico e na capacidade de protegê-la no futuro.

A impressão imunológica é útil porque protege contra certas cepas da gripe, "mas talvez à custa de uma proteção igualmente forte contra variantes encontradas mais tarde na vida", escreveram os cientistas.

De acordo com eles, parte da resposta do sistema imunológico à infecção atual é direcionada contra a tensão que você teve quando criança. O problema é que esse investimento de combater a última "guerra" parece comprometer sua capacidade de formar uma resposta imune totalmente eficaz ao invasor que você encontrar mais tarde.

Explicando melhor, a ordem em que somos apresentados aos subtipos pode afetar nossa capacidade de combater o vírus. "O segundo subtipo ao qual você está exposto não é capaz de criar uma resposta imune tão protetora e durável quanto a primeira", disseram os autores.

"Em outras palavras, se você era criança e teve seu primeiro surto de gripe em 1955, quando circulava o vírus H1N1, mas não o H3N2, uma infecção pelo H3N2 era muito mais provável de levá-lo ao hospital do que uma infecção pelo H1N1."

Como se prevenir da gripe

  • A vacinação é a maneira mais eficaz de prevenir a doença;
  • Evite o contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe;
  • Lave as mãos frequentemente com água e sabão. Se não tiver água e sabão, use álcool em gel;
  • Evite tocar a boca, nariz e olhos;
  • Limpe e desinfete superfícies que podem estar contaminadas, como mesa e corrimão;
  • Mantenha hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, ingestão de líquidos e atividade física;
  • Se sentir os sintomas da doença (febre, calafrio, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, ou outros sintomas) procure um serviço de saúde;
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Mantenha os ambientes bem ventilados, com portas e janelas abertas.

Mais saudáveis? Sem pesticidas? O mito da superioridade dos orgânicos

Vale a pena comprar alimentos orgânicos? Eles são, em média, 40% mais caros que os convencionais, mas seus defensores alegam que são mais saborosos e nutritivos, não contêm resíduos de pesticidas e que a agricultura orgânica usa modos de produção menos prejudiciais ao ambiente. Além disso, esses alimentos não são produzidos por latifundiários ou grandes corporações, logo a opção pelo orgânico favorece a pequena propriedade e a agricultura familiar. Será que é isso mesmo?

Primeiro, vejamos o que "orgânico" quer dizer, nesse contexto. No Brasil, produção agropecuária orgânica é uma categoria definida pelo Poder Legislativo.

De acordo com a lei 10.831/2003, "Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente."

Pela letra da lei, já vemos que técnicas de modificação genética e radiação ionizante - mesmo para descontaminação e preservação dos alimentos - estão excluídas. E deve-se dar preferência e métodos de controle de pragas biológicos e mecânicos.

Sem pesticida?

Mas existem defensivos —isto é, pesticidas, agrotóxicos — liberados para produtos orgânicos.

A diferença é que são pesticidas submetidos a uma regulamentação própria. Infelizmente, o critério para um defensivo ser aprovado para este tipo de manejo não envolve nem eficácia no combate às pragas, nem segurança para o consumidor, o agricultor ou o meio ambiente.

O pesticida orgânico precisa ser um produto de ocorrência natural. Não pode ser sintético —isto é, uma molécula criada em laboratório. Mas não ser sintético não quer dizer que seja bom ou seguro. Um critério que só leva em conta origem e modo de produção ignora fatores como impacto ambiental ou riscos à saúde. Com isso, acabamos tendo produtos piores e menos eficazes, simplesmente porque são "naturais".

Estudo realizado nos EUA apontou que 20% das alfaces orgânica estão contaminadas com pesticidas (mas dentro do permitido)

Imagem: iStockA natureza está cheia de materiais tóxicos e letais. Muitos dos defensivos sintéticos mais modernos degradam-se rapidamente, protegendo o ambiente e a saúde do consumidor: são moléculas projetadas e testadas para funcionar assim. Já no caso do pesticida orgânico, estamos limitados ao que a natureza oferece. Estudo conduzido pela USDA, o Ministério da Agricultura dos Estados Unidos, demonstrou que 20% das alfaces orgânicas nos EUA estão contaminada com resíduos de pesticidas. Mas isso não quer dizer que a alface orgânica represente um perigo. Os níveis de pesticida são extremamente baixos, e estão perfeitamente dentro do permitido.

Para um exemplo de pesticida orgânico tóxico para humanos e meio ambiente, vejamos como a agricultura orgânica lida com fungos. Uma plantação acometida por fungos pode trazer prejuízos enormes para o produtor, incluindo perda total da safra. Ninguém pode ser dar o luxo de correr este risco.

Como o agricultor não pode usar fungicidas sintéticos, ele se vale do sulfato de cobre, um produto natural, mas muito tóxico. A ingestão de cobre é deletéria para fígado e rins em humanos, e o produto também apresenta toxicidade elevada para pássaros e pequenos mamíferos. O sulfato de cobre não degrada no solo, e pode contaminar rios e lençóis freáticos. É classificado como altamente tóxico para o meio ambiente, altamente tóxico para microrganismos de solo, e altamente tóxico para animais aquáticos. A bula indica seu armazenamento em local com sinalização de "veneno" para evitar acidentes.

Assim, já vemos que os orgânicos podem conter pesticidas mais tóxicos e prejudiciais ao meio-ambiente do que os tradicionais.

O importante é perceber que existem produtos extremamente seguros, e outros nem tanto, em ambos os tipos de manejo: a agricultura convencional de larga escala, e a agricultura orgânica. É preciso avaliar caso a caso. O tipo de manejo, por si só, não é um bom indicador de segurança.

Até o momento, nenhum grande estudo comprovou que os alimentos orgânicos têm benefícios nutricionais

Alimentos orgânicos são mais saudáveis?

A segunda alegação é de que orgânicos seriam mais nutritivos e saudáveis. Uma extensa revisão da literatura científica sobre isso foi publicada em 2012, por um grupo dos Estados Unidos, que analisou mais de 240 artigos tratando do efeito de produtos orgânicos sobre a saúde humana. O trabalho não encontra evidência de nenhum benefício nutricional, ou de segurança.

Bem pelo contrário: o risco de contaminação em alimentos orgânicos é bem maior, graças ao uso de adubo de esterco. Um caso famoso de contaminação ocorreu na Alemanha, em 2011, quando mais de três mil pessoas foram infectadas e 53 morreram, por causa de broto de feijão proveniente de uma fazenda orgânica, contaminado com uma bactéria perigosa.

A certificação também pode ser um problema. A USDA, quando estabeleceu os critérios para certificação de produtos orgânicos, que foram copiados pela grande maioria das agencias regulatórias, inclusive a brasileira Anvisa, deixou claro que o selo orgânico não confere qualidade nutricional, qualidade, ou informação nutricional.

Vamos deixar uma coisa clara: o selo orgânico é uma ferramenta de marketing. Não diz nada sobre nutrição ou qualidadeDan Glickman, secretário da USDA de 1995 a 2011

Uma vantagem do manejo orgânico, citada na revisão de 2012, é a proibição do uso de antibióticos na criação animal. Antibióticos muitas vezes são utilizados como promotores de crescimento, e essa prática aumenta o risco da seleção de bactérias multirresistentes e de sua transmissão para humanos. No entanto, o rigor da certificação orgânica pode ter efeitos imprevistos: como o produtor não pode utilizar nenhum antibiótico, nem para tratar animais doentes, esses animais sofrem, como foi denunciado pela ONG de proteção animal PETA.

Melhores para o planeta?

O terceiro argumento para o uso de orgânicos seria de que são melhores para o ambiente. Isso também é falso. Como a modalidade proíbe defensivos sintéticos e produtos geneticamente modificados, o rendimento - unidades de produto por unidade de área - é menor. Agricultura orgânica requer mais terra, mais água e mais intervenções mecânicas para manejo de pragas, como aragem da terra para retirar ervas daninhas, por exemplo. Isso aumenta o uso de combustível fóssil, contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa. A aragem também prejudica a microbiota do solo, além de matar insetos e pequenos animais.

Estudo conduzido na Suécia e publicado na revista Nature utiliza um novo método chamado de "Custo de oportunidade de carbono" para medir o impacto das diferentes técnicas de manejo na emissão de gases de efeito estufa. A métrica avalia a quantidade de carbono estocada nas florestas, e que será liberada no desmatamento. Como a agricultura orgânica apresenta menor rendimento, o custo de carbono é bem maior.

No caso específico da Suécia - mas que se aplica também ao resto do mundo -, os autores estão preocupados porque este fato não está sendo levado em conta na formulação de políticas públicas, que estimulam a substituição das práticas convencionais pelo manejo orgânico. Segundo os autores, devemos lembrar que a produção de alimentos é determinada por comércio internacional, e por isso, as práticas de manejo da Suécia podem influenciar o desmatamento nos trópicos.

 Os orgânicos são seguros e nutritivos, só não existem justificativas científicas ou éticas que mostrem que são melhores

Outro estudo, conduzido na Bélgica, avaliou a redução na emissão de CO2 obtida com cultivares geneticamente modificados, e concluiu que nos últimos 18 anos, cultivares resistentes a inseticidas resultaram em menos 230 milhões de quilosde inseticidas liberados no ambiente. Cultivares tolerantes a herbicidas economizaram 6,3 bilhões de litros de combustível e reduziram a emissão de CO2 em 16,8 milhões de tonelada , simplesmente por dispensar a aragem da terra.

Trabalho científico realizado no Reino Unido e publicado na Nature Communications também aponta o mesmo problema. Se toda a produção do Reino Unido fosse convertida em orgânica, o rendimento cairia pela metade, e o uso de terra no restante do mundo, para compensar a perda de produção, seria enorme.

Mais um exemplo: estudo feito pelo departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais, no Reino Unido, demonstrou que um litro de leite orgânico produz 20% mais gases de efeito estufa e precisa de 80% mais terra. Tomates orgânicos cultivados em estufas, na Inglaterra, utilizam 100 vezes mais energia do que os cultivados na África. O rendimento é 75% do rendimento dos tomates africanos, e usa mais energia, fazendo com que seja mais viável, para o aquecimento global, importar os tomates da África, mesmo levando em conta o combustível do transporte!

Sem transgênicos

Rejeitar a tecnologia de transgênicos (OGMs) e, mais recentemente, a de edição de genoma (CRISPR) foi um tiro no pé. Essas técnicas, quando bem utilizadas, permitem reduzir o uso de defensivos quase a zero, e ainda diminuir a contaminação por agentes causadores de doenças em seres humanos.

O uso de milho geneticamente modificado do tipo Bt quase zerou a aplicação de inseticidas nessas lavouras. Trata-se de um milho resistente a uma lagarta, feito a partir da inserção de um gene da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Esse gene manda produzir uma proteína que é tóxica para a lagarta, mas que não faz absolutamente nada no sistema digestivo de mamíferos.

Além de reduzir o uso de pesticida, o milho Bt reduz o risco de contaminação por micotoxinas - venenos produzidos por fungos -, muito comum no milho orgânico. A lagarta, quando come a espiga, libera espaço e umidade para a contaminação por fungos. Estes fungos produzem uma toxina que é cancerígena. Isso não ocorre no milho transgênico.

O uso de algodão Bt, resistente a insetos, na China, diminuiu drasticamente o uso de inseticidas na lavoura, além de restaurar um equilíbrio ecológico. Como a toxina Bt age exclusivamente na lagarta, e permite reduzir o uso de inseticidas que matam indiscriminadamente, os demais insetos são poupados e podem controlar outras pragas, como pulgões.

Aqui no Brasil, o feijão RMD, resistente ao vírus do mosaico dourado transmitido pela mosca branca, permitiu reduzir o número de aplicações de inseticidas nas lavouras, de 15 a 20 por safra, para apenas três. O feijão chegará às nossas mesas com muito menos agrotóxico.

OGMs também aumentam a produção por hectare, diminuindo o uso de terra e de água. Plantas desenhadas para resistir a secas e condições extremas podem aproveitar solos que, antes, eram considerados impróprios para o cultivo. A biotecnologia pode aumentar o valor nutricional dos alimentos, usando processos de biofortificação.

Se o intuito do manejo orgânico é proteger o meio ambiente e reduzir o uso de pesticidas, qual o sentido em deixar a biotecnologia de fora? A resposta é a velha falácia do "natural é sempre melhor", que impede que o agricultor orgânico utilize produtos melhores e mais sustentáveis.

Mas e o aspecto social e econômico?

Outro argumento é de que a agricultura orgânica prioriza o pequeno produtor e não as multinacionais. Isso também não é sempre verdade. O mercado de orgânicos é um gigante global. A empresa Whole Foods, uma rede de lojas de produtos naturais e orgânicos, foi comprada pelo grupo Amazon, em 2016, por US$ 13,7 bilhões. Trata-se de um nicho de mercado extremamente lucrativo. No Brasil, os orgânicos movimentaram R$ 4 bilhões em 2018. O mercado de orgânicos é um mercado gourmet, para poucos. Jamais será possível alimentar oito bilhões de pessoas com esse tipo de manejo: teríamos que desmatar todo o planeta para abrir espaço para as lavouras orgânicas, que por serem menos produtivas e eficientes, requerem muito mais solo.

Dito isso, do ponto de vista nutricional e de saúde, não há nada de errado em consumir orgânicos. São produtos igualmente seguros e de mesmo valor nutricional, quando comparados aos produtos convencionais. Mas o custo-benefício deve ser levado em conta, e a opção por este mercado deve ser realmente uma opção pessoal e não uma imposição social, movida por temores infundados e vantagens imaginárias.

De fato, as fantasias criadas em torno da suposta superioridade dos orgânicos (e dos supostos riscos da produção convencional) já estão prejudicando os mais pobres. Levantamento realizado em Chicago (EUA) aponta que famílias de baixa renda estão deixando de consumir frutas e vegetais porque não têm dinheiro para comprar orgânicos e sentem medo dos produtos da agricultura convencional.

A pressão de mercado pela produção orgânica também é perigosa. Alguns produtores estão migrando para a agricultura orgânica simplesmente porque deixa o produto mais caro, acessando um público gourmet. A cadeia de restaurantes mexicanos Chipotle deixou de usar óleo de soja para usar óleo de girassol, a fim de atrair consumidores orgânicos. A jogada de marketing era anunciar que a empresa tem uma preocupação com a saúde e o meio ambiente, e atrair clientes com esse perfil. A soja costuma ser associada ao herbicida glifosato, injustamente acusado de causar câncer e até unha encravada.

O que a empresa não contou aos clientes, no entanto, é que as sementes de girassol foram modificadas - por técnicas convencionais - para serem resistentes a outro tipo de herbicida, inibidor de ALS, e usam muito mais pesticida do que a soja.

A marca internacional de chocolates Hershey's, também pressionada por grupos contrários à biotecnologia, optou por substituir o açúcar derivado de beterraba geneticamente modificada pelo açúcar de cana. Mas uma molécula de açúcar é uma molécula de açúcar: não há como distinguir açúcar de fonte transgênica de açúcar de fonte "natural".

Segundo problema, a maior parte do açúcar de cana nos EUA e Europa é importado, e sabemos que o cultivo de cana ocupa uma grande extensão de terra, e que a queima da cana estraga o solo. Como é preciso importar, há que levar em conta o carbono do combustível do transporte. Ou seja, o consumidor não estará desfrutando de um produto mais saudável, nem mais sustentável. Apesar disso, a decisão da Hershey's foi comemorada pelos ativistas pró-orgânicos nos EUA como uma vitória para o consumidor.

A demanda, nos EUA, por ovos e laticínios produzidos de forma orgânica, por animais que não consomem ração com produtos geneticamente modificados, também levou a empresa Whole Foods a importar essea produtos de países como Romênia, Ucrânia e Índia, onde a fiscalização e as normas de segurança são bem mais frouxas. Isso favorece não só a circulação de alimentos contaminados, mas também aumenta o custo de carbono com emissão de combustível fóssil para o transporte.

A solução? Boas práticas de agricultura!

Não há razão para "contra" orgânicos. Se manejados dentro da lei, estes produtos são tão seguros e nutritivos quanto os convencionais. É difícil, porém, achar justificativa ética ou científica para a estratégia de marketing utilizada para fazer com que as pessoas sejam "a favor" deles. O mercado força o consumidor a escolher entre "dois lados", e o joga no pior dos dois mundos. Iludido pela aura enganosa dos orgânicos, acredita estar consumindo produtos superiores e livres de pesticidas. E o mercado convencional deixa de adotar práticas sustentáveis porque não existem políticas públicas adequadas para regulamentá-lo nesse sentido.

Boas práticas de manejo deveriam ser utilizadas - e exigidas - tanto na agricultura convencional quanto na orgânica. A dicotomia entre os dois tipos de manejo foi criada artificialmente, por questões de mercado, e não com a intenção clara de ganhar sustentabilidade, com os produtos e técnicas mais seguros para a saúde e para o ambiente.

A ideia original da agricultura orgânica era fazer um melhor uso do solo e dos recursos limitados do planeta, e criar animais de maneira ética e sem maus tratos. Muitas práticas orgânicas, como rotação de culturas e manejo integrado de pragas, assim como a criação livre de animais, são técnicas que deveriam ser adotadas por qualquer produtor. Assim como o uso de variedades geneticamente modificadas que reduzam o uso de pesticidas, água e espaço deveria ser comum em qualquer manejo sustentável.

Talvez esteja na hora de acabar com certificações de mercado que só servem para induzir o consumidor a erro e forçam o produtor a utilizar técnicas inadequadas e produtos inferiores, piores para a saúde e o ambiente, apenas para poder vender mais caro.


Diabetes não é doença só de adulto: Brasil é 3º país com mais casos entre crianças e adolescentes

Há seis anos, a advogada Ana Paula Crispim Cavalheiro, de 44 anos, e o marido, o comerciante Fernando Coelho Cavalheiro, de 49 anos, notaram algumas mudanças no comportamento da filha mais nova, Caroline, hoje com 11 anos.

"Ela estava sempre cansada, perdendo peso, não conseguia segurar o xixi e bebia bastante água", recorda a mãe. Por sugestão de uma amiga, representante de um laboratório que comercializa aparelhos medidores de glicose (glicosímetros), utilizou um para verificar o nível de açúcar no sangue da filha.

"Deu 372 mg/dl, quando o normal é menos de 100 mg/dl. Na mesma hora corremos para o hospital, e lá veio a comprovação: ela estava com diabetes tipo 1", relata Ana Paula, acrescentando que Caroline teve de ficar nove dias internada, cinco deles na UTI.

A história de Pedro Henrique, de 9 anos, é bem parecida. Em 2016, seus pais também perceberam que ele estava fazendo muito xixi e tomando mais água do que o habitual.

"Como era verão, não fiquei tão preocupada assim, achei que era por causa do calor. Fora que uma semana antes tínhamos ido ao pediatra e estava tudo bem", conta a mãe, a representante de vendas Erika Crapino Lopes, de 47 anos.

O menino, então, começou a perder peso. "Foi aí que vimos que tinha, sim, alguma coisa errada. No hospital, quando mediram a glicemia, ela estava 415 mg/dl. Ele fez outros exames e o médico nos informou que o diagnóstico era diabetes tipo 1 e que precisaria de internação. Foram sete dias na UTI e mais três no quarto", complementa.

"Ela estava sempre cansada", diz Ana Paula sobre a filha, Caroline, antes do diagnóstico de diabetes

Caroline e Pedro Henrique fazem parte de uma turma que só cresce no mundo, o de crianças e adolescentes diabéticos.

O 9º IDF Diabetes Atlas, divulgado recentemente pela Federação Internacional da Diabetes (a IDF, organização que congrega associações especializadas na doença em 168 países), aponta que 1,1 milhão de meninos e meninas com menos de 20 anos têm o tipo 1 da doença no mundo, e a estimativa é de que o aumento anual global de casos seja em torno de 3%.

Na América Latina, 127,2 mil convivem com a diabetes, e o país com mais registros é o Brasil: 95,5 mil casos. No ranking global, o país só perde em número de casos para os Estados Unidos e a Índia - os números, no entanto, não demonstram maior incidência da doença entre os brasileiros; de acordo com a IDF, a posição do país entre os primeiros do ranking se deve ao tamanho de sua população.

Segundo o relatório da IDF, cerca de 98,2 mil crianças e adolescentes com menos de 15 anos são diagnosticados com diabetes tipo 1 a cada ano - o número sobe para 128,9 mil quando a faixa etária se estende até os 20 anos.

"Nos últimos 10 anos, a prevalência de diabetes tipo 1 aumentou 14 vezes em crianças e adolescentes. Nesse grupo, é a doença crônica endocrinológica mais frequente e a segunda ou a terceira doença crônica pediátrica, dependendo da população, mais frequente", afirma Raphael Del Roio Liberatore Júnior, endocrinologista pediátrico e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

Segundo o IDF, há evidências de que o diabetes tipo 2, que é mais frequente em adultos, também esteja aumentando entre crianças e adolescentes. Não há, entretanto, dados estatísticos confiáveis que confirmem isso.

 Razões do crescimento

Mas por que a diabetes infantil está crescendo tanto, e no mundo todo?

Em seu relatório anual, o IDF diz que esse fenômeno "é motivado por uma complexa interação entre fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais e genéticos".

Liberatore Júnior diz que as causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, mas existem teorias. "A principal é o aumento do peso da população", comenta o médico.

Para se ter uma ideia, no Brasil, a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde, revela que a obesidade cresceu 67,8% nos últimos treze anos, saltando de 11,8% da população em 2006 para 19,8% em 2018.

Em se tratando de crianças com idade entre 5 e 9 anos, os dados apontam que 3 a cada 10 delas estão acima do peso.

"A obesidade é o fator de risco mais importante para o diabetes tipo 2 porque gera uma situação de resistência à ação da insulina, ou seja, o corpo não consegue usá-la para controlar adequadamente os níveis de açúcar no sangue", explica o endocrinologista.

No caso do tipo 1 da doença, esclarece Karla Melo, doutora em endocrinologia e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a ação do excesso de peso se dá de forma indireta.

 "Em uma criança que já tenha predisposição genética para a enfermidade, o excesso de peso pode deflagar a reação imune à insulina ou de forma mais precoce ou mais intensa", explica a médica.

Ainda sobre o diabetes tipo 1, mais uma explicação para a sua maior prevalência, de acordo com Liberatore Júnior, é a teoria (ou hipótese) da higiene.

Apresentada pelo médico inglês David Strachan, em 1989, ela sugere que meninos e meninas que não têm seus sistemas imunológicos estimulados desde cedo, por não entrarem em contato com micro-organismos presentes na natureza e viverem em ambientes extremamente limpos e estéreis, são mais propensos a desenvolver algumas patologias.

"Isso faz com que se contraiam menos doenças infecciosas e se produzam menos anticorpos contra o meio externo. Aí, como o sistema imune não tem inimigos fora, ele começa a destruir a parte de dentro, atacando o próprio organismo", complementa o endocrinologista pediátrico.

Diabetes tipo 1 e tipo 2

O diabetes é uma doença crônica causada pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo, tendo como consequência a elevação do nível de açúcar no corpo - o normal, para uma pessoa saudável e em jejum, é abaixo de 100 mg/dl.

Quando esse quadro prossegue por longos períodos, pode causar danos graves em diversos órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

Na lista de complicações estão doenças cardiovasculares, insuficiência renal crônica, potenciais amputações dos membros inferiores, problemas na visão, acometimento dos nervos (neuropatia periférica) e cetoacidose diabética - quando processo do corpo para compensar a ausência de insulina acaba por deixar o sangue ácido. O risco de morte também é grande.

Os tipos de diabetes que acometem crianças e adolescentes são o 1 e o 2. O 1, de acordo com a SBD, se dá quando o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas que produzem insulina, fazendo com que pouca ou nenhuma quantidade do hormônio seja liberada para o corpo.

Seus principais sintomas são sede constante, vontade de urinar diversas vezes ao dia, alterações no apetite, perda de peso (mesmo comendo mais), fraqueza e fadiga.

 O tratamento é feito com insulina, medicamentos, planejamento alimentar e atividades físicas.

O tipo 2, por sua vez, ocorre quando o corpo não consegue aproveitar adequadamente a insulina produzida ou não a produz em quantidade suficiente para controlar a taxa de glicemia.

Os sintomas, apesar de menos perceptíveis, são basicamente os mesmos do anterior, acrescido de formigamento nos pés e nas mãos, infecções frequentes na bexiga, nos rins e na pele, feridas que demoram para cicatrizar e visão embaçada.

Normalmente, o controle se dá com atividade física e planejamento alimentar. Casos mais graves exigem o uso de insulina e/ou outros medicamentos.

Embora não exista cura, Denise Reis Franco, diretora da ONG ADJ Diabetes Brasil, destaca que vários progressos ocorreram nos últimos anos.

"Foram desenvolvidas, por exemplo, insulinas mais modernas e eficazes e novos aparelhos domiciliares para medição de glicose e aplicação de insulina. Aos poucos, o diabético está tendo mais opções, que facilitam o tratamento, e isso é importantíssimo porque o maior desafio ainda é o controle do índice glicêmico, sobretudo entre os adolescentes", diz.

Apesar disso, a especialista explica que o mais importante é prevenir o diabetes, com a adoção de hábitos saudáveis.

"Isso inclui controle do peso, dieta equilibrada, rica em verduras, legumes e frutas e com redução de sal, açúcar e gorduras, e a prática regular de atividade física, de acordo com cada faixa etária", finaliza.

 "Nos últimos 10 anos, a prevalência de diabetes tipo 1 aumentou 14 vezes em crianças e adolescentes", aponta especialista

Lidando com o diabetes tipo 1 há alguns anos, Caroline e Pedro Henrique fazem tratamento com insulina e precisam checar a glicemia todos os dias.

Para a medição, ambos usam um sistema de monitoramento contínuo de glicose (um pequeno sensor descartável inserido na pele). Já para a aplicação, ela utiliza a bomba de infusão e ele, a caneta de insulina.

Parte fundamental da terapia é uma dieta saudável. Nas refeições, Caroline também precisa fazer a contagem de carboidratos, para saber a quantidade exata de insulina que deve ser utilizada.

No caso de Pedro Henrique, por ainda estar na chamada fase de "lua de mel da diabetes" - quando é possível controlar os níveis de açúcar no sangue apenas com o tratamento com insulina -, isso, por enquanto, não é necessário.

Apesar de todo o controle, as mães revelam que de vez em quando permitem que os filhos comam algumas guloseimas, especialmente em festas de aniversário.

"Em certas ocasiões, a Caroline come um pedaço de bolo, um brigadeiro, uma fatia de pizza... mas depois precisamos fazer a correção com a insulina. Por isso, temos de saber exatamente tudo o que ela consome todos os dias e o dia todo", conta Ana Paula.

Erika diz que evita proibições: "O meu medo é eu não deixar e o Pedro comer escondido. Prefiro ensiná-lo a se alimentar corretamente e saber o que ele coloca na boca".

Depois do baque inicial com a notícia da doença, as duas famílias tiveram de se adaptar ao tratamento e à nova rotina, mas, atualmente, afirmam que conseguem conviver relativamente bem o problema.

"É uma luta diária, mas fazemos de tudo para que a nossa filha tenha a vida mais normal possível. E para que ela não se sinta sozinha, participamos de vários grupos e eventos sobre diabetes e incentivamos que ela tenha contato com outras crianças diabéticas", conta Ana Paula.

"O Pedro, num primeiro momento, não lidou bem com o diagnóstico, aí o levei para a terapia", relata Erika. "Hoje, ele é bem consciente e entende o que acontece no seu corpo. Claro que não dá para esquecer que ele tem uma doença, mas precisamos seguir a vida. A minha esperança é que no futuro descubram a cura ou, ao menos, uma terapia que maltrate menos as crianças."


Pesquisa estuda relação entre tempo em frente a telas e síndrome metabólica

Uma pesquisa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) mostrou que adolescentes entre 12 a 17 anos passam 3 horas por dia, em média, em frente a telas de computador, tablet, televisão, videogames e celular. A partir daí, os pesquisadores bolsistas da Capes estudaram uma relação entre este tempo sedentário e o desenvolvimento de síndrome metabólica.

"O nosso foco, no caso, para esse estudo, é síndrome metabólica, que é uma constelação de fatores de risco que envolvem obesidade abdominal, questões relacionadas a diabetes, colesterol, pressão arterial elevada", disse à Agência Brasil o pesquisador Felipe Cureau, autor do estudo junto com a fisioterapeuta Camila Schaan. Ambos têm doutorado em endocrinologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A primeira parte desse trabalho foi concluída e publicado recentemente no periódico holandês International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity.

O trabalho faz parte do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica) e utilizou dados de 36 mil adolescentes de todo o país, na faixa etária de 12 a 17 anos, durante 2013 e 2014. Apurou-se então que o tempo médio em frente a telas foi de 3 horas diárias. Felipe Cureau destacou, contudo, que foi percebida variação entre os entrevistados, desde jovens que preferiam não ficar diante de telas até adolescentes que passavam mais de 7 horas diante do computador ou celular.

Alimentação

A análise entre o tempo sedentário e o desenvolvimento de síndrome metabólica mostra que o comportamento alimentar que esses adolescentes tinham enquanto estavam no computador é muito importante, indicou Cureau. "Quanto maior o tempo em frente à tela, maior o risco para síndrome metabólica". Ao todo, 2,6% dos jovens consultados apresentaram síndrome metabólica.

O pesquisador ressaltou que quando se avalia o que os jovens comem durante o tempo em frente a telas, o que se constata é que, mesmo aqueles que ficam mais tempo, se não comerem nenhum tipo de petisco ou guloseima, eles acabam eliminando esse risco associado ao tempo de tela.

Segundo Felipe Coureau, à medida em que a pessoa fica mais tempo diante da tela, ela está mais exposta a propagandas e ao merchandising de alimentos ultraprocessados, como hambúrguer e petiscos em geral, e acaba ficando mais suscetível, em algum momento, a começar a consumir esse tipo de alimento.

"As duas coisas, para nós, parecem que estão bastante interligadas. É muito difícil que elas (pessoas) fiquem tanto tempo frente à tela e não comam nada", indicou o pesquisador. "Comportamentos não saudáveis, e não simplesmente o fato de estar sentado, se associam com fatores de risco para doença cardiovascular em adolescentes", reforçou Camila Schaan.

De acordo com Felipe Coureau, ao mesmo tempo que se deve evitar esse tipo de alimentação em frente à tela, é preciso limitar o tempo de tela para que essa exposição não propicie alimentação. Há alguns anos, Felipe Coureau estuda a questão da saúde dos adolescentes, especialmente comportamentos desses jovens e como eles se relacionam com problemas de saúde.

Disse que até pouco tempo, os problemas eram observados apenas na população adulta mas, hoje, são muito frequentes entre os adolescentes. Entre eles, destacou obesidade, diabetes, hipertensão.

Tempo sedentário

Dentro do contexto de atividade física, passou-se a estudar o chamado tempo sedentário, em que as pessoas ficam vendo televisão, lendo, às vezes estudando. "E dentro da questão do tempo sedentário, surgiu a pesquisa", disse Coureau.

Como o sedentarismo pode resultar em uma morbidade ou distúrbio, os pesquisadores bolsistas da Capes dedicaram-se ao estudo sobre os adolescentes diante de telas com o objetivo de prevenir. "A ideia de estudar os adolescentes é para que a gente possa identificar de forma precoce e tentar prevenir uma doença, ou algum outro problema, antes que se espalhe em definitivo".

Os resultados do estudo servem também como alerta aos pais. "A participação dos pais é fundamental, principalmente no que diz respeito à alimentação porque, normalmente, são eles os responsáveis pela alimentação dos filhos".

Desdobramento

O estudo desenvolvido por Felipe Cureau e Camila Schaan já está tendo desdobramento. Eles começaram no ano passado a coletar dados de alguns dos adolescentes, como um estudo de corte, para ver se as questões abordadas na primeira coleta tiveram repercussão na vida dos jovens cinco anos depois, na fase em que eles estão na transição da adolescência para a idade adulta.

Essa segunda etapa do trabalho está sendo realizada em quatro capitais (Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza) por pesquisadores das universidades federais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará, da UnB (Universidade de Brasília) e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, além de outras instituições.

A previsão é concluir essa segunda fase do estudo ainda este ano, prevendo-se a divulgação dos resultados ao longo de 2021. Quando essa pesquisa for encerrada, Felipe Coureau e Camila Schaan pretendem verificar se o que viram no momento anterior permanece, se isso gera uma gravidade maior ou se não tem grande influência ao longo da vida dos adolescentes entrevistados. "O acompanhamento te dá um melhor olhar", disse Camila.

Os dois bolsistas da Capes querem, com o estudo, estimular os adolescentes brasileiros a terem uma vida mais saudável, com a realização de atividades físicas, e a fazerem melhores escolhas alimentares, evitando alimentos ultraprocessados e industrializados, a buscarem alimentação mais saudável no contexto familiar. "Isso é o que a gente sempre tenta passar como mensagem principal".

A primeira etapa do estudo teve financiamento da Capes, do Ministério da Saúde e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), além de financiamentos locais e das universidades que estão sediando o estudo agora.

Políticas públicas

Camila Schaan afirmou que a meta é terminar o estudo e divulgar os resultados para a população. Ao mesmo tempo, ela espera que as conclusões possam ajudar o Ministério da Saúde na formulação de políticas públicas eficientes para esse segmento da sociedade, que sejam implementadas nas várias regiões brasileiras.


Como o Yôga mudou a minha vida

Uma prática milenar que promove a saúde e o bem-estar, o yôga é responsável por inúmeros benefícios que vão desde a prevenção ao alívio da dor ou à gestão do stress e ansiedade. Lara e Inês contam como esta prática mudou as suas vidas.

“Quando se tem uma doença crónica há momentos muito negros, e o yôga deu-me as ferramentas para ultrapassar esses momentos, através da meditação, do controlo da respiração e do pensamento positivo”, começa por explicar Lara Venade que convive com duas doenças crónicas: Crohn e Fibromialgia.

“Fui diagnosticada aos 15 anos com Crohn e aos 35 com Fibromialgia…”, conta assegurando que teve de lidar, desde cedo, com algumas limitações. Ou não fossem estas duas patologias que condicionam (e muito!) o dia-a-dia dos doentes. “Por muito que tente contorná-las, tive que me adaptar e mudar várias coisas em mim e no meu dia-a-dia”, afiança Lara que, desde sempre, pode contar com o apoio condicional da sua família. “A nível pessoal, felizmente, tenho o apoio da minha família a 200%, o meu marido está sempre ao meu lado e adaptou a vida dele à minha”, revela acrescentando que foi a nível social que teve de fazer as principais alterações.

“Os sintomas da fibromialgia impedem-me, muitas vezes, de sair com os amigos ou obrigam-me a voltar mais cedo para casa. Tive que aprender a aceitar isso e perceber que, por mais que queira estar com os outros, o meu bem-estar físico é mais importante”, admite.

O primeiro contato com o yôga chega depois deste último diagnóstico, por recomendação da reumatologista que a aconselhou a prática de atividade física. “A nível físico ajuda os meus músculos a não ficarem tão tensos e as articulações menos rígidas. Permite-me relaxar o corpo e, claro, a mente melhorando a minha concentração, assim como aliviar as dores e ansiedade que me causam”, explica quanto aos principais benefícios desta prática.

A verdade é que além da dor generalizada, a Fibriomialgia é responsável ainda por outros sintomas como fadiga, distúrbios do sono, desconforto gastrointestinal, ansiedade e depressão.

De acordo com os especialistas, exercícios físicos mais tranquilos, como os que se praticam no yôga, podem ser fundamentais para aliviar os sintomas da doença, uma vez permitem conectar o corpo e a mente em uma única atividade, melhorando a condição física, ativando a circulação da energia e atuando diretamente sobre o equilíbrio mental.

Ao trabalhar diariamente posturas, respirações, meditações e o relaxamento profundo, o doente com fibromialgia experiencia um enorme bem-estar, aumentando gradualmente a sua qualidade de vida. Algo que Lara também pôde comprovar.

“Quando iniciei a prática, uma das primeiras coisas que aprendi foi que o yôga, quando praticado com regularidade, vai entrando na nossa vida de uma forma muito subtil. No espaço de seis meses vi que estava a transformar a minha vida. Além da prática física, existe a meditação e muitos valores positivos que se vão tornando parte de nós”, revela acrescentando que é a isto que os praticantes chamam de “yôga fora do tapete”.

Com a prática, para além do alívio dos sintomas próprios da doença, Lara aprendeu a relativizar muito do que acontecia na sua vida. E hoje, garante, consegue viver o presente, aproveitando cada instante.

“O yôga veio ajudar-me a aceitar a doença, a combatê-la, a viver a vida sem pressas. Hoje sei aproveitar cada detalhe, cada pormenor. Seja ele um cheiro, um sabor, uma música ou o silêncio”, revela admitindo que esta prática lhe trouxe a maior bênção de todas: a gratidão. Lara é grata por tudo o que vive e, mesmo com o diagnóstico de duas doenças condicionantes, é feliz.

“O yôga é uma prática excelente para a nossa saúde física e mental. Mas também para o nosso espírito, alma, energia, existência, essência, ser, o que lhe queiram chamar. Todas as designações são válidas porque a finalidade é a positividade e a promoção de uma vida saudável”, afirma.

«Não adianta ter pressa. O yôga também nos ensina isso»

Inês Peres esteve durante mais de um ano sem conseguir mover o pescoço, na sequência de um acidente de automóvel que lhe provocou várias lesões ao nível da coluna. “Foi um período muito difícil… Para além da falta de mobilidade, tinha dores terríveis nas costas, nas ancas e dores de cabeça insuportáveis”, recorda a jovem de 33 anos.

Como parte do tratamento, Inês fez fisioterapia, massagens terapêuticas que, apesar de conseguirem aliviar a pressão na sua coluna não resolveram o problema das cefaleias.

“Eu não conseguia dormir. Não havia comprimido que tomasse que me ajudasse a suportar aquelas dores…”revela.

Por indicação do especialista em medicina de reabilitação, iniciou-se na prática do yôga. “Desconfiada, é verdade”, decidiu que não tinha nada a perder.

“Vamos ouvindo falar, aqui e ali, dos benefícios do yôga, mas a verdade é que só depois de experimentar e sentir o que esta prática pode fazer por nós, é que acreditamos!”, afirma Inês que sempre fora muito cética quanto ao que lhe parecia ser um conceito alternativo.

“Eu sempre pratiquei desporto e via o yôga quase como uma prática alternativa, sem que entendesse muito bem para o que servia. Confesso que, antes, eu não entendia como o yôga poderia ter assim tantos benefícios para o nosso corpo físico e mental”, comenta.

Hoje está completamente rendida às evidências. “Não só, foi possível recuperar os movimentos com yôga, como as dores de cabeça desapareceram. Foi preciso tempo, mas aprendi que não adianta tem pressa. Nada na nossa vida se resolve à pressa. O yôga também nos ensina isso”, afirma deixando entender que hoje existe uma nova Inês. Uma Inês que se reinventou com a prática do yôga.

“Já lá vão quase quatro anos, e posso dizer que o yôga mudou mesmo a minha vida”, garante reforçando o poder transformador desta prática milenar. “Não é só uma transformação física. É verdade, sim, que o yôga pode auxiliar no tratamento de várias doenças, mas também tem a extraordinária capacidade mudar a formar como pensamos. Hoje, sem dúvida, existe uma Inês mais calma, que saber apreciar a vida tal como ela é”.

Entre muitos outros benefícios, o Yôga previne dores nas articulações, melhora a circulação sanguínea, aumenta a imunidade, atua sobre a pressão arterial, melhora a qualidade do sono e contribui para a prevenção da depressão e controlo da ansiedade.


Homeopatia para emagrecer: entenda como age e efeito contra compulsão alimentar

A homeopatia é uma vertente da medicina que foi criada por volta de 1700 e passou a ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil em 1980.

A terapia é conhecida por ser uma medicina alternativa, usada frequentemente no combate a doenças respiratórias, gastrointestinais, insônias, entre outros problemas. Mas será que ela funciona para a redução de peso?
O que é a homeopatia

O princípio da homeopatia, de acordo do Laura Cudizio, médica endocrinologista homeopata, é encontrar a cura para doenças que prejudicam o paciente a partir do entendimento de seu corpo como um organismo só.
“Muitas vezes um tratamento torna-se vários [na medicina tradicional] e a pessoa consulta-se com vários especialistas que não veem as doenças como um todo. Na homeopatia, a pessoa é vista por completo.”
Para curar doenças que desequilibram o organismo, a homeopatia usa medicamentos que agem segundo a chamada “lei do semelhante”: uma substância que provoque sintomas semelhantes à doença do paciente é administrada em seu corpo. Diferente, por exemplo, da alopatia, que atua pela “lei do contrário”; ou seja, para acidez no estômago, receita-se antiácido.

Além disso, os medicamentos usados na homeopatia são compostos por substâncias extremamente diluídas. Dessa forma, as propriedades nocivas são neutralizadas e seu poder curativo é fortificado. É neste momentos que ela passa a ser uma alternativa para combater o sintoma e reequilibrar a saúde do doente.
“Em altas doses, o café aumenta a excitação e causa insônia. Entretanto, se diluído conforme a técnica homeopática, a substância pode tratar o paciente e ajudá-lo a relaxar e dormir", explicou Francisco de Freitas, chefe de serviço de homeopatia no Hospital Gaffrée Guinle, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, em entrevista ao VIX.
Homeopatia para emagrecer: é eficaz?

Segundo Laura, a homeopatia em si não faz perder peso ou queimar gordura. Entretanto, os compostos homeopáticos podem ajudar em fatores que dificultam no emagrecimento, como insônia, problemas gastrointestinais.

“Ela faz com que o indivíduo durma melhor, melhora sua digestão. Ela prepara o terreno para que o emagrecimento venha de forma saudável.”
Nos casos de pessoas com predisposição para o ganho de peso, o trabalho é similar. "O pulo do gato atual é entender o que faz pessoas engordarem sendo que elas não têm comportamento que justifica isso. Quando a pessoa é vista como um todo, como acontece na homeopatia, há mais recursos para se trabalhar.”

A especialista ainda lembra que o segredo para emagrecer de modo satisfatório é reduzir o consumo de calorias e praticar exercícios físicos. “Todos os tratamentos de perda de peso, a [dieta] cetogênica, a da sopa, a da lua passam pelo diminuição de calorias e aumento de atividade de física. O que cada uma dela faz é colocar uma coisa, uma característica diferente a mais para si.”

Homeopatia para ansiedade e compulsão alimentar

Como dito por Laura, a homeopatia não traz a queima de gorduras. Entretanto, ela auxilia o organismo para que o emagrecimento aconteça. Uma dessas ajudas acontece por meio de quadros de saúde ligados à ansiedade e compulsão alimentar.
A ansiedade, bem como a compulsão alimentar, podem estar relacionadas à depressão, síndrome do pânico, entre outros problemas. Assim, a homeopatia ajuda, junto com a psicologia e a psiquiatria, a tratar quem possui o transtorno.

“Os antidepressivos homeopáticos tratam a causa da depressão, não os sintomas, e é por isso que são eficazes. Eles agem bem em casos leves e moderados, mas não nos profundos”, explica a homeopata e pediatra Ligia Maria Comerlatti em entrevista ao VIX. Cabe ao médico investigar os sintomas e indicar o composto ideal para cada situação.

Efeitos colaterais da homeopatia
HA homeopatia não causa efeitos colaterais no organismo ou mesmo dependência química – diferente dos remédios alopáticos. Entretanto, isso não descarta o uso consciente dos compostos homeopáticos e acompanhamento médico quando necessário.

“Tem gente que vende a homeopatia como um remédio natural e que com ela você consegue resultados maravilhoso. Não é. Homeopatia é uma medicina. Não existe milagres. Se for acompanhados com bom profissional, a homeopatia ajuda a alcançar objetivos, mas não é milagroso. Todos precisam de equipe multidisciplinar”, lembra Laura.