Tomar leite fortalece os ossos?

Mas demonstrar uma relação conclusiva entre o consumo de leite e a posse de ossos fortes é mais difícil do que parece.

O estudo ideal analisaria dois grupos com um número significativo de participantes - um deles tomaria uma grande quantidade de leite diariamente por várias décadas, enquanto o outro beberia algum tipo de placebo. Obviamente, isso é muito complexo de colocar em prática.

Em vez disso, o que podemos fazer é pegar milhares de pessoas, perguntar a elas a quantidade de leite que consumiram ao longo dos anos e, na sequência, monitorá-las por pelo menos uma década para ver se quem bebe leite regularmente é menos propenso a sofrer fraturas com o passar dos anos.

Este foi o método utilizado por uma pesquisa publicada em 1997 pela Universidade Harvard, nos EUA. Os cientistas acompanharam 77 mil enfermeiras por dez anos. E não encontraram nenhuma diferença significativa no número de fraturas de braço ou quadril entre as participantes que bebiam um copo de leite por semana ou menos e aquelas que tomavam dois ou mais.

Quando a equipe fez um estudo semelhante com 330 mil profissionais de saúde do sexo masculino, mais uma vez o consumo de leite não pareceu fazer diferença nas taxas de fratura.

Foram realizados ainda estudos clínicos randomizados controlados em que a dieta dos participantes era propositadamente fortificada com cálcio - muitas vezes por meio do consumo de leite.

Em 2015, uma equipe de pesquisadores da Nova Zelândia revisou, combinou e reanalisou 15 estudos deste tipo. E descobriu que durante dois anos foi registrado um aumento na densidade mineral óssea, mas após esse período o crescimento parou.

Uma alternativa seria tomar suplementos de cálcio. Diante do receio de efeitos colaterais decorrentes da ingestão de suplementos no longo prazo, a mesma equipe na Nova Zelândia combinou os dados de 51 estudos randomizados controlados para avaliar se os benefícios superavam eventuais riscos.

Mais uma vez, eles constataram que o reforço no fortalecimento dos ossos é interrompido após um ano ou dois, e que os suplementos de cálcio só eram capazes de retardar - em vez de impedir - a perda de densidade mineral óssea na velhice.

E concluíram que isso provavelmente se traduziria em apenas uma pequena redução em termos de taxas de fratura.

Estudos internacionais

Quando diferentes países examinaram os mesmos dados, chegaram a conclusões muito diferentes sobre a ingestão diária recomendada de cálcio. Os EUA, por exemplo, recomendam tomar três copos de 227ml por dia, quase o dobro do Reino Unido ou da Índia.

Para confundir ainda mais, em 2014 foram publicados os resultados de dois grandes estudos suecos que ganharam as manchetes dos jornais ao dizer que tomar mais de três copos de leite por dia - mais do que a maioria das pessoas bebe - não só não favorecia os ossos, como poderia até fazer mal.

Para esse estudo, pesquisadores da Universidade de Uppsala e do Instituto Karolinska, ambos na Suécia, elaboraram questionários para os participantes responderem sobre o consumo de leite em 1987 e, novamente, em 1997. Em 2010, eles analisaram as taxas de mortalidade.

As pessoas ficaram alarmadas ao saber que beber um copo de leite por dia parecia estar associado tanto com mais fraturas quanto mortes precoces.

Mas antes de jogar o leite fora, há algumas ressalvas importantes.

Nos estudos suecos, os participantes foram obrigados a estimar seu consumo de leite durante os anos anteriores, o que não é uma tarefa fácil. É difícil saber o quanto você toma de leite com cereal, no chá ou na comida.

O estudo também levanta a eterna questão da correlação versus causalidade. Talvez as mulheres que sabiam que tinham osteoporose bebessem deliberadamente mais leite na esperança de fortalecer seus ossos.

O estudo não mostrou que tomar leite estava sem dúvida causando as fraturas. E para complicar ainda mais a situação, a equipe sueca descobriu que o consumo de queijo e iogurte estava associado a menores taxas de fratura.

Os próprios pesquisadores deixaram claro que seu estudo precisaria ser replicado antes de ser usado como base para eventuais recomendações alimentares. Outros advertiram que a população deve ser cautelosa em mudar seus hábitos de consumo a partir destes resultados.

Então, até sabermos mais, as evidências atuais sugerem que não tem problema continuar a beber leite, se você gosta. Provavelmente apresenta benefícios para a saúde dos ossos, embora esses benefícios sejam menores do que você esperava.

Também vale a pena fortalecer seus ossos por meio de outros métodos, como exercícios físicos, e obter vitamina D suficiente a partir da alimentação, da luz solar ou (dependendo de onde você mora) de suplementos durante o inverno.

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Alimentos integrais ajudam a regular sistema digestório, se consumido sem exagero

Na busca pela alimentação saudável, os alimentos integrais sempre aparecem nas recomendações dos nutricionistas. Por não passarem por nenhum processo de refinamento, eles preservam a maior parte de suas fibras.

Os alimentos integrais são ricos em fibras, vitaminas e minerais, tendo um valor nutricional elevado quando comparado aos alimentos refinados. Garantem o fornecimento de sais minerais importantes para a saúde: selênio, zinco, cobre, ferro, magnésio e fósforo. Portanto, possuem um valor nutricional diferenciado e enriquecido — explica Caroline de Salve, especialista em Nutrição.

Apesar de apresentar bons benefícios, existe um limite para o consumo de alimentos integrais. A recomendação é ingerir, no máximo, 30g diárias de fibras. Mais do que isso, o alimento pode causar prejuízos à saúde.

Comer muita fibra pode retardar a absorção de alguns nutrientes, como o ferro e o cálcio, e ficar com deficiência desses minerais — afirma a nutróloga Cassandra Pauperio.

A especialista também reforça que ingerir água é fundamental para que as fibras promovam um bom funcionamento intestinal. Caso contrário, a pessoa pode ficar com prisão de ventre.

A cada dia, os alimentos integrais estão ganhando mais espaço nas prateleiras dos supermercados. Mas, infelizmente, alguns produtos que se dizem integrais, não o são. Caroline ensina como não ser enganado:

De acordo com as normas da Anvisa, a lista de ingredientes deve vir em ordem decrescente de quantidade, então a farinha integral precisa estar em primeiro lugar.

Benefícios:

Os alimentos com fibras ajudam a emagrecer, previnem doenças, combatem o colesterol, auxiliam na digestão e controlam a absorção do açúcar.

 

 

 


Cefaleia tem muitos tipos: diferencie a dor de cabeça comum da enxaqueca

Apesar de ter um impacto negativo na vida das pessoas, a dor de cabeça é considerada subdiagnosticada e subtratada. Uma das possíveis causas desse quadro é a banalização do sintoma dor de cabeça. Por parecer algo tão normal, as pessoas acabam se automedicando sem pensar em buscar ajuda especializada. Mas não deveria ser assim.

Como ela se manifesta?

Dor de cabeça é todo incômodo localizado na região craniana, ou seja, na testa, têmporas, e até na parte de trás do crânio. Qualquer sensação dolorosa nessa parte do seu corpo é considerada cefaleia.

Importante destacar que dor de cabeça não é uma doença, mas um sintoma que precisa ser investigado, caso se repita com frequência.

Por que isso acontece?

A origem da cefaleia tem causas variadas que podem ser um sinal de alerta para um distúrbio em qualquer parte do corpo, inclusive o cérebro. Potencialmente curável, uma vez tratada, a sensação desaparece. A dor de cabeça pode ser uma consequência de:

  • Gripe;
  • Meningite;
  • Sinusite;
  • Traumas Cranianos;
  • Tumores;
  • Problemas na região cervical;
  • Hemorragias cerebrais e meníngeas, entre outras.

A dor de cabeça também pode decorrer de algum problema relacionado ao sistema nervoso central (SNC). O mais comum é a enxaqueca. Incapacitante, ela é tida como uma disfunção herdada, já que acomete cérebros geneticamente predispostos. Nesse caso, a cefaleia será apenas um dos sintomas da doença.

Saiba diferenciar a dor de cabeça comum da enxaqueca

Dor de cabeça comum: entre os especialistas, ela é também definida como do tipo tensional. Geralmente, a dor comum tem intensidade leve a moderada e abrange toda a cabeça, conferindo-lhe uma sensação de peso ou pressão. Nessa hipótese, o incômodo passa com o uso de analgésico ou breve repouso.

Enxaqueca: a dor tem características próprias e sempre vem acompanhada de outros sinais, como os abaixo.

  • A intensidade é de média a forte;
  • A dor acomete um dos lados da cabeça, especialmente testa e têmporas, mas pode migrar para o outro lado ou ser bilateral;
  • A sensação dolorosa se manifesta como uma pulsação. É como se um coração batesse na cabeça;
  • Há maior sensibilidade à luz, sons, odores (perfumes, cheiro de alimentos, fumaça, cigarro etc.);
  • Pode ocorrer perda de apetite, enjoo ou vômito;
  • Percebe-se dificuldade de digestão, empachamento;
  • Sente-se vertigem, tontura ou sensação de desequilíbrio;
  • Observa-se ansiedade, irritação, cansaço e sonolência semelhantes ao que se vivencia quando se está em estado pré-gripal;
  • A compulsão por doces é notável;
  • Há queda da concentração e rendimento no trabalho, entre outros sinais.

Como as enxaquecas se dividem em dois tipos (com aura e sem aura), além de todos esses elementos, estarão presentes sintomas neurológicos como distorções visuais, isto é, o indivíduo enxerga pontos brilhantes, tem perda de campo visual: metade dele, apenas periférico ou mesmo perda total da visão por alguns momentos.

Os gatilhos da enxaqueca

Outra particularidade da enxaqueca é a identificação de gatilhos, ou seja, circunstâncias que podem "ligar" a dor. As mais frequentes são:

  • Cansaço;
  • Estresse;
  • Privação de sono;
  • Jejum prolongado;
  • Ciclos hormonais femininos;
  • Variações climáticas (extremo de clima --calor ou frio, bem como ambiente com ar-condicionado);
  • Consumo de álcool.

Quando procurar ajuda médica?

Se você conta três dias de dor de cabeça no período de um mês, ocasiões nas quais o uso de analgésico foi necessário, procure um neurologista imediatamente, conforme orientação é da SBCefaleia (Sociedade Brasileira de Cefaleia). A contagem pode ser assim: a dor se manifestou por três dias seguidos, ou um dia a cada semana.

"Se, durante um trimestre, você conta 15 dias ou mais de cefaleias no interregno de 30 dias, e isso se repete no espaço de um ano, já significa que a dor de cabeça é crônica, explica Thaís Villa, professora de neurologia e chefe do Setor de Cefaleias da EPM-Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo).

Aliás, as pessoas levam, em média, oitos anos para consultarem um especialista. "Isso porque quando o sintoma incomoda, ele nunca é levado a sério e as pessoas sempre encontram uma justificativa: é a TPM, um odor forte em determinado ambiente, o jejum prolongado. Aí, a alternativa para se livrar da dor é a automedicação", conta a professora da Unifesp.

"O problema é que o uso contínuo e repetido de medicações analgésicas é um dos principais fatores de agravamento ou piora das enxaquecas, e acabam fazendo que elas se tornem diárias", acrescenta Eliane Amaral Ghirelli, neurologista e professora da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Como é feito o diagnóstico

O médico deve fazer um levantamento detalhado da sua história. Por meio de uma conversa ele buscará identificar as características da dor: frequência, duração, intensidade, local, além das situações em que ele se manifesta, piora ou melhora.

Esteja pronto para responder a ele se alguém de sua família tem sintoma semelhante, como é a sua rotina alimentar, o seu estilo de vida e as condições de trabalho, além de como enfrenta o estresse no dia a dia. Depois dessa conversa, vem o exame físico. Alguns médicos poderão observar as veias da cabeça e o pescoço, a articulação da mandíbula, dos ombros e a região cervical.

Se houver suspeita de que a origem da sua cefaleia seja enxaqueca, saiba que não há exame que defina um diagnóstico. Na verdade, é frequente que testes como ressonância magnética, encefalograma e tomografia apresentem resultados normais.

A enxaqueca é uma doença da função do cérebro, diferente de doenças de anatomia ou estruturais --como o aneurisma e o tumor -- que têm evolução muito rápida (aguda) e levam a uma ação rápida em busca de uma solução. Já na enxaqueca, não. Como a função é daquela forma, as pessoas se acostumam a viver com a dor.

O que esperar do tratamento

Ele dependerá da causa da cefaleia. Como a situação mais comum é que se trate de um quadro de enxaqueca, o objetivo terapêutico é reduzir as crises.

Quando a dor está no auge, existem vários medicamentos específicos para o seu alívio, assim como opções profiláticas, ou seja, que previnem outro episódio e são de uso diário --alguns deles disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde). E até a toxina botulínica pode trazer alívio.

Além desses fármacos, há uma gama de estratégias não medicamentosas que incluem fisioterapia, acupuntura, nutrição e terapia cognitivo comportamental. No caso da enxaqueca, é preciso ter em mente que o cuidado será para sempre e que, para um controle consistente, o tempo de espera pode ser de um a dois anos.

O papel da dieta

Um determinado alimento pode ser um gatilho, mas isso acontece para a minoria e alguns especialistas afirmam que é um mito a ideia de que a enxaqueca tem causa alimentar. O que se observa na prática clínica é que a rotina de alguns pacientes é que é prejudicial, sendo comuns relatos de jejuns prolongados e hidratação inadequada, típicas situações desencadeantes de uma crise.

Principais alimentos, nutrientes e substâncias relacionados ao incômodo

- Cafeína: presente no café, chá-mate, chá-branco, chá-verde, chá-preto etc., refrigerantes e bebidas à base de cola, a substância pode ser retirada completamente da dieta e mesmo ser objeto de uma desintoxicação medicamentosa. Para algumas pessoas a retirada é gradativa e é admitido o consumo de café descafeinado.

- Adoçante à base de aspartame: encontrado em bebidas prontas, refrigerantes e iogurtes do tipo zero. Indica-se ler sempre a lista de ingredientes do produto para identificar se há o adoçante. O consumo não é proibido, mas deve ser limitado.

- Alimentos embutidos: presunto, peito de peru, linguiça, salsicha, entre outros, são ricos em nitrito, um oxidante do sistema nervoso e que pode desencadear a dor.

- Bebida alcoólica: quem tem enxaqueca, é sempre menos tolerante ao seu consumo.

O aconselhamento nutricional pode também incluir o consumo de vitaminas e minerais que têm sido relacionados à redução de crises, especialmente entre as mulheres. Magnésio, vitaminas B2, B6 e B12, coenzima Q10 e ômega 3, indicados em doses terapêuticas, têm sido aliados no tratamento e, em longo prazo, podem até ajudar a reduzir o consumo de medicamentos.

Se quiser incluir na dieta alimentos favoráveis, capriche na ingestão de vegetais verdes-escuros, oleaginosas, laticínios, carnes, peixes e frutas. "É importante esclarecer que tais itens não devem ser usados como se fossem remédios. Eles garantem uma boa rotina alimentar, ou seja, ajudam a construir um hábito saudável que leva à redução de crises", adverte Camila Naegeli Caverni, nutricionista e responsável pelo Programa de Tratamento Nutricional da Dor de Cabeça no Headache Center.

Dicas de prevenção ou para colaborar com o tratamento

Alguns fatores desencadeantes não são modificáveis, como as mudanças climáticas e os odores à sua volta, mas você pode colocar em prática os cuidados abaixo indicados para reduzir as crises:

  • Evite automedicar-se;
  • Procure um neurologista se a dor é aguda ou frequente;
  • Seja paciente e colaborativo durante o tratamento. Uma melhora considerável, com redução de crises de enxaqueca pode levar de um a dois anos;
  • Pratique atividade física regularmente;
  • Invista no autoconhecimento para ser capaz de identificar o que desencadeia a dor para você;
  • Procure comer de três em três horas. Jejum prolongado é gatilho para a dor;
  • Mantenha uma rotina de sono e procure dormir, no mínimo, sete horas por noite;
  • Evite o estresse ou tome providências para minimizá-lo;
  • Fuja do consumo de tabaco, álcool e outras drogas;
  • Garanta boa hidratação diária --beba de dois a três litros de água por dia, todos os dias;
  • Adote o hábito de anotar o que comeu, para identificar os alimentos que consumiu nas horas anteriores a uma crise.
  • Mantenha um peso saudável. Extremos na balança são fatores de risco para cronificação da dor de cabeça.

Anemia não é só falta de ferro; saiba outros fatores e como evitar

A anemia é causada, principalmente, pela falta de ferro no sangue. Porém, a condição pode estar associada à carência de outras vitaminas que, por exemplo, ajudam na absorção do mineral. Além disso, manter a boa saúde do intestino é fundamental nesse processo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a anemia ocorre quando o número de hemácias (células presentes no sangue) ou sua capacidade de transportar oxigênio é insuficiente para atender às necessidades fisiológicas.

Esse transporte é de responsabilidade da hemoglobina, proteína que fica dentro das hemácias. "A hemoglobina é formada por vários nutrientes, não só ferro. Se o resultado do hemograma estiver alterado [para o ferro], tem de pensar nos outros [componentes]", explica a nutricionista funcional Camila Laranja.

Outras carências associadas à anemia, segunda ela, são de vitamina A, vitamina B12, zinco e ácido fólico. "Para o funcionamento normal do organismo, esses nutrientes têm de estar em sincronia, em níveis ideais. Se falta um, afeta o outro", diz a especialista.

A perda excessiva de sangue durante a menstruação, por exemplo, pode ser fator de risco para as mulheres, uma vez que há perda de ferro também. Por isso - e para todas as pessoas -, além de manter uma alimentação rica no mineral, é preciso ingerir alimentos que vão contribuir para sua absorção e evitar os que prejudicam.

A vitamina C é um dos aliados para isso quando a anemia é causada por falta de ferro. Um estudo feito com crianças comprovou que o suco de laranja - rico nessa vitamina - potencializa a absorção do ferro quando consumido junto a um alimento enriquecido com o mineral.

Intestino em dia. Para que o ferro seja devidamente absorvido pelo organismo, a nutricionista afirma que tanto o estômago quanto o intestino precisam estar íntegros. As alterações no metabolismo, e que podem prejudicar esse processo, geralmente ocorrem em idade mais avançada.

"Às vezes, o idoso, por deficiência de ácido no estômago, não absorve as vitaminas, como zinco e B12, que precisam dessa carga ácida [para serem metabolizadas]", explica Camila. A redução do ácido gástrico, essencial para a digestão, decorre de mudanças na estrutura e composição celular devido ao envelhecimento. Por isso, esse grupo populacional é de risco para o desenvolvimento de anemia.

Para manter o equilíbrio intestinal e do estômago, a especialista recomenda evitar alguns produtos na alimentação: os industrializados (pela presença de aditivos que prejudicam a permeabilidade do intestino), açúcar, excesso de leite e derivados e trigo (esses dois últimos devido ao potencial alergênico).

Alimentos contra e a favor. Segundo a nutricionista funcional, as carnes, principalmente a vermelha, são a melhor fonte de ferro. Aqui, ela comenta que há pacientes que, mesmo consumindo esses alimentos, apresentam deficiência do mineral. O problema geralmente ocorre porque a quantidade não é adequada ou o intestino está alterado.

Para quem não consome alimentos de origem animal, ela indica leguminosas, como feijão, lentilha, grão de bico, além de oleaginosas, como castanhas, cereais e aveia. Camila diz que alguns vegetarianos e veganos conseguem ter bons níveis de ferro no sangue com uma alimentação equilibrada. Caso exames comprovem alteração, pode-se recorrer a suplementos livres de componentes de origem animal.

Já algumas combinações não são recomendadas. "Alimentos muito ricos em cálcio com [alimentos ricos em] ferro não são interessantes", orienta a nutricionista. Quando consumidos em alimentos separados, ambos vão 'competir' entre si, o que pode diminuir a absorção.

Porém, se o cálcio e o ferro estiverem no mesmo alimento (como nas leguminosas), os níveis ficam balanceados. A especialista recomenda evitar ainda excesso de café, chás com cafeína e bebida alcoólica por alterarem a permeabilidade intestinal ou comprometer a absorção.

Mais do que tudo, Camila diz que é preciso encarar os alimentos não apenas como um meio de matar a fome ou como ricos em determinadas vitaminas e nutrientes. "Eles podem ter efeito funcional além das propriedades básicas. Se pensarmos em especiarias, ervas e temperos, a maioria é antioxidante, o que evita o envelhecimento das células".


O que comer antes e depois da atividade física? Nutricionistas dão dicas

Quem pratica atividades físicas com certa rotina acaba se preocupando com a alimentação. Afinal, o que é mais indicado comer antes e depois do treino? Para os especialistas, essa não é uma resposta fácil, pois depende de muitos fatores, desde o tipo de atividade praticada até o organismo de cada pessoa. "É necessário identificar diversos pormenores. Não existe uma receita de bolo, precisa avaliar cada caso individualmente em toda a sua integralidade de horário, rotina, preferências alimentares", afirma a nutricionista Andressa Campos Ferreira, sediada em Aracaju, especialista em doenças crônicas não transmissíveis e mestra pela Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo).

De toda forma, é importante comer comida, seja o frango com batata-doce, que virou moda nas academias, seja uma fruta ou suco, antes e depois da prática. Lia Buschinelli, nutricionista da mL Pensando Saúde, de São Paulo, aponta que, independentemente de qual seja o treino, o importante é consumir um carboidrato no pré-treino. "Pensando pela lógica, sempre antes do exercício é importante comer algo desse grupo alimentar, que é o principal combustível das células", diz.

Batata-doce é uma ótima opção no pré-treino noturno

Imagem: iStock

"Quer seja um exercício aeróbico ou musculação, caminhada, o tipo que for, o carboidrato tem que existir", afirma. Para quem treina de manhã cedo, antes dos demais afazeres do dia, a nutricionista sugere, por exemplo, um suco. "Vale até aquele de uva integral, que é bem concentrado, ou mesmo um suco de laranja feito na hora", indica Buschinelli.

Fazendo isso cerca de 20 minutos antes do exercício, já é o suficiente para adquirir a energia necessária para o treino, sem correr o risco de consumir a massa magra do corpo.

Caso os exercícios sejam no período noturno, depois do trabalho, o melhor é reforçar o lanche e o jantar depois. "Dá para fazer uma pequena refeição mais elaborada antes, como pão integral, banana com aveia, batata-doce cozida, eventualmente até mesmo o suco, mas em pequenas quantidades, para não pesar na digestão e atrapalhar o exercício", diz a nutricionista.

Depois da atividade, o ideal é jantar, e não pular essa refeição, como muitas pessoas acabam fazendo na tentativa de emagrecer. "Para quem quer perder peso, deve-se lembrar que o que vai fazer diferença no emagrecimento é o balanço energético do dia, e não só o que a pessoa come antes e depois do exercício", lembra Buschinelli. "Na verdade, se o indivíduo se alimentar bem ao longo do dia, em quantidades moderadas, o exercício vai ter um efeito muito melhor no corpo do que se ele fosse treinar em jejum ou ficasse sem comer depois do treino".

Ferreira concorda com a colega. "Para melhorar a performance na atividade física é necessário manter uma alimentação saudável num contexto geral. E isso é muito mais fácil do que parece ser. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda a priorização de alimentos in natura, diminuindo o consumo de processados e ultraprocessados", afirma. "Isso contribui, e muito, para a performance. Temos que lembrar que o simples, o básico, funciona. Não é preciso lançar mão de suplementos especiais, sempre considerando caso a caso", diz a nutricionista de Aracaju.

Ganho de massa muscular

Se o objetivo do indivíduo é ganhar massa muscular, alimentar-se mal durante o dia e não comer depois do treino também é errado. "O movimento é o que estimula a massa magra. Quando se consome o alimento correto em seguida, você otimiza esse processo", afirma Buschinelli. Ou seja, para formar a proteína muscular, é necessário o estímulo do músculo, que ocorre durante atividades físicas como crossfit, pilates, musculação, mais o consumo de alimentos proteicos, como as carnes, ovos, leite e derivados.

Carboidrato, como o pão integral, pode ser ingerido depois do treino

"Assim, o ideal é ingerir proteína depois do treino, junto com o carboidrato. Se a pessoa treina de manhã, pode tomar o suco de frutas antes e, depois da prática, fazer o café da manhã habitual, com uma vitamina de leite com aveia e fruta, ou pão integral com queijo ou ovos", exemplifica.

Para quem pratica atividades físicas à noite, o ideal é fazer a refeição do jantar depois do treino. "Arroz, batata, carne, frango, ovos, salada, legumes são boas opções combinadas para quem deseja aumentar a massa muscular. E, claro, se o objetivo é emagrecer, não adianta fazer um pratão depois. Podem-se consumir os mesmos alimentos, porém em quantidades moderadas", diz Buschinelli.

Ferreira reforça que é necessário haver um consumo consciente e equilibrado de alguns grupos alimentares, independentemente do tipo de treino. "A dieta diária precisa conter alimentos energéticos, reguladores e construtores", afirma ela. Energéticos são os carboidratos, que fornecem energia e disposição para o dia a dia e, também, para o exercício físico. É o caso do macarrão, arroz, pão, tapioca, raízes, turbérculos, mandioca. "Uma alternativa interessante é associar esses alimentos a versões integrais. Pão integral tem mais fibra que um pão normal. Isso agrega valor nutricional", afirma.

Já os alimentos reguladores são aqueles ricos em vitaminas e sais minerais, que podem auxiliar numa melhor performance, aumentando a disposição e fortalecendo o sistema imunológico, além de diminuir a fadiga e prevenir doenças crônicas. São as frutas, legumes e verduras. "É preciso aumentar o consumo desses alimentos para melhorar a qualidade da alimentação em geral e, por consequência, também do treino", diz Ferreira.

Por fim, não se podem deixar de fora os construtores, alimentos que fornecem as proteínas que auxiliam na construção, crescimento e restabelecimento de tecidos. "Eles melhoram a massa magra, ossos, pele. Dentro desse grupo, temos as carnes, leite e derivados, ovos, proteínas isoladas, como whey protein, e proteínas vegetais que têm crescido muito em consumo por questões de veganismo e vegetarianismo, como a proteína de ervilha e de arroz", conta a nutricionista.

O que evitar para não atrapalhar

Como mostram as especialistas, consumir comida de verdade, de maneira equilibrada durante toda a rotina e, também, antes e depois da prática da atividade física, é ainda o melhor negócio, seja para emagrecer ou fortalecer os músculos. Mas nem todos os alimentos são indicados para o pré-treino.

Salada não é uma boa pedida para antes do exercício físico

"Tudo que for muito rico em fibras, como um prato grande de salada, ou mesmo uma porção generosa de salada de frutas, pode atrapalhar a prática", lembra Buschinelli. Isso ocorre porque esses alimentos são muito ricos em fibras, que acabam por tornar a digestão mais lenta.

"Aquele alimento fica parado por mais tempo, e o sangue que deveria ir para o músculo, fica no estômago. Assim, a pessoa pode acabar passando mal", afirma ela. Da mesma forma, alimentos muito gordurosos também devem ser evitados, por tornarem o processo digestório mais lento. Por isso, se o treino for na hora do almoço, o ideal é manter o suco do pré-treino e almoçar normalmente depois dos exercícios. "Tudo depende da quantidade, se comer pouco, não tem problema", lembra Buschinelli.


Nozes, abacate, cacau: os alimentos que podem ajudar o cérebro a funcionar melhor

"A alimentação é um dos poucos fatores de risco para doenças neurológicas passível de ser modificável e controlável", afirmou à BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol) o médico Gurutz Linazasoro, porta-voz da Sociedade Espanhola de Neurologia.

Os especialistas sinalizam que não há alimentos mágicos, mas que é importante manter um padrão de dieta equilibrada.

"A dieta mais estudada atualmente é a mediterrânea. Sabe-se que ela diminui os riscos de desenvolver Alzheimer e Parkinson, além de doenças cardiovasculares e obesidade, que indiretamente também incide sobre a saúde cardiovascular."

Uma dieta mediterrânea típica inclui bastante vegetais, frutas, legumes, cereais e produtos ricos em carboidratos como pão integral, massas e arroz integral.

Há também quantidades moderadas de pescados, carne branca e alguns produtos lácteos, e cozimentos com azeite.

Mas o especialista insiste que "a chave é comer alimentos saudáveis, com equilíbrio e moderação".

Tendo em vista essas recomendações, do ponto de vista do funcionamento do cérebro há diversos nutrientes e alimentos importantes.

Veja alguns deles.

Pescado azul

O sistema nervoso, e concretamente o cérebro, tem tecidos muito ricos em água, mas também contêm um componente lipídico (ácidos graxos) bastante importante, explica o nutricionista Ramón de Cangas.

Os pescados azuis são ricos em ácido graxo ômega 3, e uma dieta rica neste nutriente "tem demonstrado trazer uma série de benefícios, como um menor declínio cognitivo e um menor risco de doenças como Alzheimer".

Cítricos e verduras

São alimentos ricos em vitamina C, que segundo diversos estudos estão associados a um melhor desempenho cognitivo.

"Talvez seja devido à sua função antioxidante e em razão de participar da produção de neurotransmissores, as biomoléculas responsáveis pela transmissão de informações de um neurônio para outro", explica o nutricionista.

O mesmo ocorre com as bananas, ricas em piridoxina, uma forma de vitamina B6 que participa do metabolismo dos neurotransmissores.

Cacau puro e canela

São alimentos ricos em polifenóis, que "tem demonstrado resultados interessantes na prevenção da perda cognitiva por seu efeito antioxidante que protege os neurônios", afirmou Cangas.

Abacates

Esse alimento, junto do azeite de oliva e de outras fontes de gorduras monoinsaturadas, é "interessante para a prevenção da deterioração cognitiva justamente pela riqueza deste tipo de ácido graxo e também de certos fitoquímicos", afirmou o nutricionista.

Nozes

As nozes são excelentes fontes de proteínas e gorduras saudáveis.

São ricas em um tipo de ácido graxo ômega 3 chamado ácido ácido alfa-linolênico, que ajuda a reduzir pressão arterial e protege as artérias. Isso é bom tanto para o coração quanto para o cérebro, afirma a Escola de Medicina da Universidade Harvard.

Os três inimigos do cérebro

O nutricionista ouvido pela reportagem insiste que a chave de tudo é a variedade, mas sem deixar de lado a moderação.

"Não existem alimentos milagrosos nem dietas milagrosas, mas há sim inimigos para o cérebro, como o sal, o açúcar e as gorduras trans (encontradas em alimentos processados).


Você sabe o que é labirintite?

Um quadro aflitivo em que há tontura giratória, geralmente acompanhada de náusea e vômito. Em alguns casos, pressão ou barulho no ouvido, uma espécie de zumbido. Esses são os principais sinais de que a pessoa pode estar com labirintite, uma infecção no labirinto, o órgão responsável pelo equilíbrio, localizado dentro da orelha interna.

A doença que acomete pessoas de todas as idades, das crianças à terceira idade, pode ser desencadeada por diferentes motivos.

 Para explicar essa doença, quais sintomas, prevenção e tratamento, o otorrino  do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe e vinculado à Rede Ebserh, Fábio Rafael explica. Confira:

O que é labirintite?

Fábio Rafael: Labirintite significa inflamação do labirinto. (O sufixo "ite" vem do grego e na linguagem médica significa inflamação). O labirinto é um órgão localizado dentro da orelha. Ele é responsável pelas funções de equilíbrio e audição, no corpo humano. A Labirintite, é uma das várias causas de tontura. Geralmente se apresenta como tontura tipo vertigem (sensação que a cabeça ou o mundo está rodando) de forte intensidade e incapacitante. Ela normalmente é provocada por infecções virais.

Se a pessoa ficar tonta é sinal de labirintite?

Muitas vezes qualquer tipo de tontura é chamado de Labirintite. O que é um erro, afinal essa é apenas uma das causas de tontura, e uma das menos frequentes. A tontura, por sua vez, é a sensação de ilusão de movimento. Pode ser referida como vertigem, desequilíbrio, lateropulsão (dificuldade de parkinsonianos em se manterem em equilíbrio após um passo dado lateralmente), sensação de vazio na cabeça ou osciloscopia. A tontura é um sintoma comum a vários tipos de doenças. Portanto é um sintoma que precisa ser investigado para se avaliar a causa.

Quais são as causas e sintomas?

Os sintomas podem ter origem em problemas do próprio labirinto, como doença de Meniére, vertigem postural paroxística benigna, otites, labirintites, neuronites, fístulas liquóricas, doença de Cogan, entre outros. Mas também pode ser causado por alterações ou lesões de origem do sistema nervoso central, como tumores, acidentes vasculares, malformação de crânio, doenças neurodegenerativas, entre outras.

Qual é o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por uma anamnese detalhando bem qual tipo de tontura o paciente está apresentando bem como a duração, a frequência, a intensidade, fatores que agravam ou amenizam, e sintomas associados. O histórico clínico auxilia o profissional de saúde a direcionar a investigação clínica, que muitas vezes necessita de exames complementares. Esses exames são de diferentes tipos, incluindo exames laboratoriais, de imagem (tomografia ou ressonâncias magnéticas), exames audiológicos (como audiometria), eletrofisiológicos (como o vectoeletronistagmografia), entre outros.

Qual é o tratamento?

Baseado na causa da tontura, se direciona o tratamento. Para tratar da tontura, portanto, deve-se saber a causa. O tratamento pode ser feito algumas vezes com orientações dietéticas por exemplo, medicamentos, reabilitação vestibular (um tipo especial de fisioterapia focado em equilíbrio) ou até procedimentos cirúrgicos.

Com isso é importante o sintoma tontura ser devidamente investigado para que se possa oferecer o melhor tratamento para caso, evitando se rotular qualquer tipo de tontura como Labirintite.

Por fim, os bons hábitos de saúde, como a prática regular de atividades físicas, dieta balanceada e equilibrada, visitas regulares aos profissionais de saúde, evitar o consumo de drogas ilícitas e o abuso de cafeína, ajudam a prevenir e tratar os mais comuns problemas de saúde que provocam tontura.


Comer frutas poderia evitar 1 em cada 7 mortes por doença cardiovascular

Duas maçãs e três porções de cenoura todos os dias. De acordo com pesquisa divulgada no sábado em evento nos Estados Unidos, esta é uma excelente receita para diminuir suas chances de morrer de ataque cardíaco ou AVC.

O estudo, apresentado em congresso organizado pela Sociedade Americana de Nutrição e realizado em Baltimore, cruzou dados mundiais de consumo de frutas e legumes com as notificações de mortes em decorrência de doenças cardiovasculares ao longo de 2010.

A principal conclusão foi de que uma em cada sete mortes do tipo pode ser atribuída ao fato de a pessoa não ter ingerido fruta suficiente. E uma em cada 12 mortes também por problemas cardiovasculares seriam resultado de falta de legumes e verduras suficientes.

No total, apenas no ano de 2010, foram 1,8 milhão de mortes que poderiam ser evitadas, em todo o mundo, com melhor alimentação de frutas. E 1 milhão de mortes foram atribuídas a um consumo baixo de legumes.

No geral, o consumo baixo de frutas resulta em quase 1,3 milhão de mortes por AVC e mais de 520 mil mortes por doenças cardíaca coronária por ano em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o consumo baixo de legumes e verduras é responsável por 200 mil mortes por AVC e mais de 800 mil por doenças cardíaca. É para se lembrar disso antes de recusar a salada ou afirmar que fruta não é sobremesa.

"Nossa pesquisa indica a necessidade de expandir os esforços para aumentar a disponibilidade e o consumo de alimentos protetores, como frutas e vegetais", afirmou à BBC News Brasil a especialista em nutrição Victoria Miller, pesquisadora da Universidade Tufts, nos Estados Unidos.

"Frutas, legumes e verduras são componentes modificáveis da dieta humana que podem afetar as mortes evitáveis globalmente."

Conforme pontua a pesquisadora, isso ocorre porque os vegetais são boas fontes de fibras, potássio, magnésio, antioxidantes e fenólicos - com bons resultados para reduzir a pressão arterial e o colesterol. Além disso, esses produtos também melhoram a diversidade das bactérias que vivem no trato digestivo.

Por fim, quem se alimenta bem de frutas e alimentos do tipo tem menor probabilidade de estar acima do peso ou serem obesas, reduzindo assim as chances de doenças cardiovasculares.

O cardiologista Dariush Mozaffarian, também da Universidade Tufts, lembra que em geral os esforços globais "tradicionalmente se concentram em fornecer calorias suficientes, suplementação vitamínica e redução de aditivos como sal e açúcar".

"Os resultados da atual pesquisa nos indicam que há uma necessidade de aumentar o foco, com um esforço para uma maior disponibilidade e consumo de alimentos ditos protetores, como verduras e legumes", afirma ele.

"Seria um caminho positivo com muito potencial para melhorar a saúde global."

Dados

A pesquisa realizada por Miller é parte do projeto Global Dietary Database, financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates. Os resultados foram apresentados hoje no evento Nutrition 2019, congresso anual da Sociedade Americana de Nutrição.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores realizaram estimativas das ingestões médias diárias de frutas e outros vegetais a partir de pesquisas realizadas em 113 países - compreendendo, portanto, uma amostra correspondente a 82% da população mundial.

Em seguida, essas informações foram combinadas com os dados de causa mortis em cada um dos países participantes, além de dados sobre outros riscos de problemas cardiovasculares.

A pedido da BBC News Brasil, Miller extraiu os dados que retratam a situação do Brasil neste panorama mundial. No país, a ingestão baixa de frutas foi responsável por 17,4 % das mortes por doenças cardiovasculares. Já o consumo inadequado de legumes representou 7,5 %.

No total, isso significa 13 mil mortes por alimentação precária em frutas e quase 6 mil por conta de poucos legumes.

O impacto do consumo inadequado de frutas e hortaliças foi maior nos países com menor consumo de frutas e outros vegetais. É o que acontece em países do sul, centro e leste asiático, da Oceania e da África subsaariana - são locais com baixa ingestão de vegetais e altas taxas de mortes por acidente vascular cerebral e doenças coronarianas, por exemplo.

Na China, por exemplo, o baixo consumo de frutas é responsável por 20% das mortes - 541 mil casos em 2010. Na Somália, a mesma situação responde por 22% das mortes. Na África do Sul, por 21%.

Cenário bem diferente do encontrado no Canadá, onde o consumo de frutas é alto. Lá, a ingestão inadequada desse tipo de alimento responde por apenas 6% das mortes decorrentes de problemas cardiovasculares.

O consumo de frutas e hortaliças é mais baixo, e consequentemente maior agente causador de mortes, em adultos jovens. Quando a pesquisa tentou entender as diferenças por gênero, deparou-se com os homens em uma posição de risco maior, provavelmente indicando que mulheres tendem a se alimentar de mais frutas e legumes.


Alcachofra: fitoterápico que alivia má digestão é distribuído no SUS

Com as festas comemorativas de fim de ano, muitas pessoas exageram na alimentação e acabam sofrendo com problemas digestivos. Uma solução natural para esses casos é o fitoterápico da Alcachofra, oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS). No município de Toledo, Paraná, pacientes relatam que tiveram significativas melhoras de saúde após o uso do medicamento.

 Esse é o caso, por exemplo, da técnica de enfermagem, Letícia Fabiana Neves. Ela conta que o funcionamento do seu intestino sempre foi lento, levando-a a sentir incômodos e também dificultando a perda de peso que desejava. Por orientação de uma profissional de saúde começou a usar o fitoterápico da alcachofra há um mês e ficou surpreendida. "Notei que me sentia menos inchada ou com aquela sensação de sentir cheia ou pesada. Meu intestino começou a funcionar melhor. Acaba que tudo funciona bem, gera bem-estar", explica.

Má digestão

A alcachofra (Cynara scolymus) é uma planta de origem mediterrânea rica em propriedades capazes de tratar dores e incômodos estomacais; desconfortos que surgem após a refeição; má-digestão; funcionamento biliar; e altas taxas de colesterol no sangue. Além disso, ela também diminui a absorção das gorduras no corpo como o colesterol e facilitar trânsito gastrointestinal. Algo que ajudou muito a auxiliar de consultório dentário, Marilice Mere.

Ela passou utilizar o fitoterápico, associado a uma dieta alimentícia, após ter adquirido esteatose hepática (gordura no fígado) como consequência de uma cirurgia, em 2013. "Não só ajudou o meu fígado, como em dois meses eliminei 7,5 Kg. É um tratamento a longo prazo, mas um processo mais saudável para o corpo. Às vezes a gente toma remédios para curar um problema que acabam gerando outros. Eu mesma já sofri com isso. A minha experiência com o fitoterápico é outra, só positiva", conta Marilice.

Fitoterápicos

Em Toledo, existe uma farmácia de manipulação de fitoterápicos subsidiada pelo Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos do Ministério da Saúde. A coordenadora da unidade, Jaqueline Lorscheider, explica que os medicamentos são produzidos a partir do extrato das plantas, seguindo padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A produção chega a 46 mil cápsulas mensais.

"Nós atendemos cerca de 800 a 1.000 pacientes por mês que demonstram estarem contentes com os resultados. Principalmente por quase não sentirem efeitos colaterais, como pode ocorrer com o uso de alopáticos. Então a fitoterapia para nós é muito importante, é um avanço para o SUS", ressalta a farmacêutica.

Atualmente, há registro de 2.160 Unidades Básicas de Saúde que disponibilizam fitoterápicos ou plantas medicinais, sendo que 260 UBS disponibilizam planta in natura, 188 a droga vegetal, 333 o fitoterápico manipulado e 1.647 UBS disponibilizam o fitoterápico industrializado. Saiba mais sobre o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.

Vale lembrar que a recomendação de Jaqueline, assim como a do Ministério da Saúde, é que os pacientes busquem sempre uma por orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento com medicamentos.


Os benefícios da manga para o intestino… e muito mais

Aproveite que chegou a temporada da fruta e proteja o intestino e também o coração apostando nesses redutos de cor, sabor, aroma e, claro, fiapos

Relatos dão conta de que, certa vez, Buda e seus seguidores se puseram a meditar em um pomar repleto de mangueiras. Daí o fruto ter ficado associado a paz e felicidade. Mas a manga também está relacionada com o alívio, especialmente para aqueles que sofrem com a constipação intestinal, encrenca que atrapalha a vida de 26% da população. Nesse caso, quem conta a história é a ciência.

Em uma das pesquisas mais recentes, uma equipe da Universidade Texas A&M, nos Estados Unidos, recrutou pessoas que penavam com o problema para testar os efeitos do alimento. A experiência mostrou que o consumo de 300 gramas da fruta por dia, ou uma unidade média, ajudava a combater a prisão de ventre.

Além de ela aumentar as visitas da turma ao banheiro, exames revelaram mais efeitos bem-vindos ao intestino. Foi constatada uma ação anti-inflamatória, por exemplo. Aliás, esse potencial aparece em outros estudos desse grupo americano, inclusive com resultados expressivos em indivíduos com a doença de Crohn, distúrbio marcado por inflamações no trato gastrointestinal.

Para o nutrólogo Edson Credidio, doutor em ciências dos alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entretanto, ainda faltam dados a respeito. “São necessários estudos maiores para conhecer em detalhes esse impacto sobre a inflamação”, pondera.

Entre os achados, observou-se, também, um estímulo à produção de ácidos graxos de cadeia curta. Essas moléculas estão envolvidas na diminuição do risco de infecções e do aparecimento de tumores na região do intestino. Quem é ligado aos assuntos da nutrição pode estar imaginando que todos os méritos devem ser creditados às fibras encontradas na polpa doce.

Mas se você já descansou aos pés de uma mangueira sabe que a fruta é mais do que fiapos. Sua receita é uma mistura cremosa e perfumada de vitaminas, minerais e compostos protetores.

No páreo com mamão e ameixa?

A mesa do café da manhã dos constipados costuma ter espaço reservado para o mamão, velho aliado contra a prisão de ventre. A ameixa é outra que bate ponto no cardápio desse pessoal. Mas saiba que a manga oferece mais que o dobro de fibras em comparação com o papaia e chega a empatar com a ameixa.

A substância ajuda a formar um bolo dentro do intestino que, por sua vez, pressiona as paredes do órgão e favorece contrações. Um empurrão assim, logo cedo, impede que muita gente saia de casa enfezada.

Mas vale incluir o fruto em outras ocasiões. “Como sobremesa, lanche ou parte da refeição”, sugere a nutricionista Silvia Papini, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu.

Queridinha no Brasil

Aclamada como a rainha das frutas, a manga encanta súditos há muito tempo. Originária do sul da Índia, a espécie foi domesticada 2 mil anos antes de Cristo e trazida para o Brasil pelas mãos dos portugueses no século 16. “A fruta se naturalizou brasileira e, aqui, acabou adquirindo diferentes características”, diz a engenheira agrônoma Maria Auxiliadora Coelho Lima, da Embrapa Semiárido.

O engenheiro agrônomo Francisco Mourão Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, conta que a mangueira se adaptou bem aos climas tropicais e subtropicais do nosso país. Deu tão certo que o Brasil figura entre os grandes produtores mundiais, com destaque para o Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco.

“Hoje ela é nossa fruta mais exportada”, afirma o engenheiro agrônomo Eduardo Brandão, da Comissão Nacional de Fruticultura (CNA). “De janeiro a agosto deste ano, foram enviadas 65 mil toneladas ao exterior”, conta.

Acontece que nossos maiores fregueses, os europeus e os americanos, não são chegados aos fiapos. Pior para o intestino deles. Para ajudar a atender a essas demandas, ocorreram seleções e diversos cruzamentos genéticos.

“Os teores e até os tipos de fibras se alteram bastante entre as variedades”, conta a engenheira agrônoma Bruna Brogio, também da Esalq. Há desde as muito fibrosas, com fiapos consistentes e longos, até aquelas com quase nada de fios – ou com fibras curtas e macias.

Disparidades na quantidade de outros nutrientes, como a vitamina C, também são encontradas. “Há versões pouco conhecidas que concentram até o triplo quando comparadas às comerciais”, nota Maria Auxiliadora.

Apesar de certas distinções, a coloração da polpa de todas as mangas anuncia um pigmento badalado, o betacaroteno. Trata-se de um precursor da vitamina A, capaz de afiar a imunidade e contribuir para a saúde dos olhos e da pele.

Algumas das variedades de manga mais populares no Brasil

Tommy-atkins: Entre os tipos mencionados aqui, costuma ser o menos doce, especialmente se for colhido cedo. A polpa é alaranjada e consistente.

Espada: Comprida e cheia de fiapo, para muita gente tem sabor de infância. A casca espessa chega a ser esverdeada, mas a polpa é amarela pra valer.

Haden: Grande, pesa de 400 a 700 gramas. A polpa alaranjada, firme e com menor teor de fibras é apreciada em todas as regiões brasileiras.

Kent: Faz sucesso pela polpa cremosa e pelo equilíbrio entre doçura e acidez. É queridinha dos gringos porque não tem fiapos.

Rosa: Muito valorizada na Região Nordeste, pesa em torno de 350 gramas e tem a casca rosa ou avermelhada. É excelente para sucos.

Palmer: A casca roxa fica vermelha conforme amadurece. Grandona, pode atingir 700 gramas. Com menos fibra, é das mais exportadas.

Os benefícios da manga para além do intestino

O betacaroteno que tinge o fruto tem potente ação antioxidante. Aliás, esse feito também é obra de outros ingredientes: os polifenóis, sendo que os estudos destacam o ácido gálico, a quercetina e a mangiferina. Juntos, formam um esquadrão apto a combater os radicais livres, moléculas que, em descontrole, elevam o risco de câncer e doenças cardiovasculares.

Por falar em coração, uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere que comer manga melhora o controle da pressão alta. Compreensível: o vegetal entrega boas doses de potássio, mineral que, entre outras funções, tira de circulação o excesso de sódio, capaz de elevar a pressão.

Mesmo assim, obviamente não é para se empanturrar. “É preciso considerar o hábito alimentar, as preferências e a rotina de cada um”, avalia a nutricionista Silvia Papini.

Há até quem aproveite a casca. “Chama a atenção o conteúdo de minerais, fibras, carboidratos e vitamina C de uma matéria-prima que seria jogada no lixo”, relata a engenheira de alimentos Clarissa Damiani, professora da Universidade Federal de Goiás, que tem criado receitas de geleias, pães e boloscom o ingrediente.

“Mas delícia é comer manga bem madura com farinha-d’água”, diz o nutricionista Francisco Nascimento, da Universidade Federal do Pará. Em Belém, a “cidade das mangueiras”, a espécie também foi escolhida para arborização. “No período de safra, andamos pelas ruas e juntamos os frutos que caem no chão”, conta o professor.

Para quem não tem tal sorte, existem alguns macetes na hora das compras. “Observe a integridade da fruta e se não há presença de mofo ou vazamento de líquidos”, ensina a nutricionista Renata Guirau, do Oba Hortifruti, em São Paulo.

Os aromas também norteiam a escolha. Quanto mais madura, mais intenso o cheiro. Compostos voláteis de nomes estranhos, como alfa-terpinoleno, estão entre os responsáveis pelo perfume, que dá água na boca e faz até a mente vagar por outra dimensão.

Outras maneiras de provar a fruta

Molhos: O clássico chutney dos indianos é uma receita agridoce que, além da manga, costuma levar várias especiarias. Combina com carne, sobretudo a de porco.

Sucos e vitaminas: Abuse da criatividade. Não caia no conto de que manga com leite é veneno. A lenda surgiu para evitar o uso do lácteo pelos escravos, já que a bebida era cara demais.

Saladas: Picadinha com uma pitada de sal, a manga é uma opção de entrada deliciosa. Também combina com folhas escuras e picantes, caso da rúcula e do agrião.

Sorvete: Esquentou? Bata a polpa, despeje em fôrmas de picolé e leve ao freezer. Outra dica é processar manga e banana congeladas para saborear um vitaminado sorbet.

Geleias: Dá até para usar a casca da fruta nesse tipo de preparação. Assim, ela ganha mais fibras e outros nutrientes. Mas é preciso caprichar na higienização.