Efeito sanfona: como o vai e vem da balança pode afetar a saúde

Emagrecer está entre as suas metas? Então antes de tudo é importante refletir em como você fará para eliminar os quilos extras. O fato é que nem sempre a forma escolhida para se alcançar esse objetivo é a melhor. Muitos sacrificam a saúde e até o processo de emagrecimento ao apostarem em dietas malucas ou medidas drásticas para perder peso.

A consequência? Aquele famoso vai e vem na balança, o chamado efeito sanfona. E muito além da frustração em ver os quilos voltarem rapidamente, o problema aqui são os riscos que isso pode trazer à saúde, inclusive a do coração.

Por que acontece esse efeito sanfona?

De modo geral, quando a redução de peso é feita a partir de uma dieta muito restritiva, os resultados surgem de forma rápida, mas não duradoura. No início a perda de peso pode ser realmente significativa, no entanto, depois de um tempo, esse ritmo vai diminuindo. O fato é que sem o planejamento correto e saudável para a conquista do resultado em longo prazo, o corpo acaba eliminando aquilo que não deveria e mantendo o que era para eliminar.

O organismo, percebendo essa mudança radical na ingestão de alimentos, começa a agir de modo a proteger e reservar a energia necessária para manter o seu funcionamento. Por isso, se emagrecer parece difícil, manter-se magro pode ser ainda mais desafiador.

Como reação a essa menor ingestão calórica, o corpo passa a lutar para voltar ao peso original. Estudos já mostram que o organismo reage quando há a eliminação de 5 a 10% do peso. É uma forma de tentar conservar o máximo de energia possível, inclusive na forma de gordura.

Para isso, ele diminui a produção de hormônios que tiram o apetite e eleva a liberação daqueles que aumentam a fome. Além disso, reduz a atividade metabólica e por consequência a queima de gordura passa a ser muito mais lenta. Nesse processo, ocorre ainda uma diminuição de massa muscular e de água nos tecidos. Assim, quanto mais privação de calorias, mais ele ativa o "modo economia".

O número na balança diminui, mas não da maneira como deveria para se manter. Com o tempo e o retorno da alimentação menos restritiva, o ganho de peso será muito maior e mais rápido, causando o tal efeito sanfona.

As consequências para sistema cardiovascular

O excesso de gordura —aquele que acabou não sendo eliminado com adoção de uma dieta radical e sem uma metodologia adequada— pode acarretar em um processo inflamatório que leva à formação de placas nas artérias e ainda ser responsável por gerar dislipidemia (presença de níveis elevados de gorduras no sangue), hipertensão arterial e aumento da resistência à insulina, quadro que pode levar ao descontrole permanente da glicose e o aparecimento do diabetes.

Em qualquer uma dessas situações, crescem as chances do surgimento de uma doença arterial coronária ou cerebrovascular, como no caso do AVC (acidente vascular cerebral). Tudo isso poderá ser ainda mais perigoso se associado à herança genética.

No caso do efeito sanfona, o impacto pode também gerar alterações na saúde emocional, levando a depressão, ansiedade e distúrbios alimentares, cenários que também interferem no agravamento ou desenvolvimento da doença coronária e vascular cerebral.

Riscos comprovados

E isso vem sendo comprovando por uma série de estudos ao longo dos últimos anos. Um levantamento mais recente da Universidade Columbia (EUA) mostrou que mulheres que costumam sofrer com a oscilação de peso têm mais chances de desenvolver ou apresentar alterações em fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre eles o colesterol alto, diabetes e hipertensão, por exemplo. Ainda segundo a pesquisa, as participantes reféns do vai e vem da balança apresentam maior risco de sofrer infarto ou até mesmo AVC.

Já outra pesquisa realizada na Coreia do Sul, onde estudiosos acompanharam mais de 3,6 mil pessoas por 16 anos, detectou que quem passa pelo perde e ganha de peso está mais exposto a morrer precocemente por doenças cardiovasculares. O estudo ainda apontou que o efeito sanfona está ligado a um aumento de 63% na probabilidade de desenvolver diabetes.

Esse processo de emagrece-engorda constante pode ter um impacto negativo no coração até mesmo entre quem não está acima do peso. A conclusão é de pesquisadores do Memorial Hospital of Rhode Island (EUA), que acompanharam cerca de 150 mil mulheres na pós-menopausa por aproximadamente 10 anos.

Os autores notaram que quem estava com peso normal no início da experiência, emagreceu e depois recuperou os quilos eliminados apresentou uma probabilidade 3,5 vezes maior de morrer por parada cardíaca do que aquelas que mantiveram o peso estável do início ao fim da pesquisa.

E como sei que estou enfrentando o efeito sanfona?

A variação de peso em até três quilos em um mesmo dia, em um fim de semana ou durante um período de festas não é algo anormal. Isso pode ocorrer, por exemplo, por conta dos excessos de consumo ou por uma retenção de líquidos no corpo.

O efeito sanfona se caracteriza com a perda e ganho de peso após uma dieta, ou seja, o ponteiro da balança vai lá para baixo durante período de restrição alimentar, mas volta a subir quando esse processo é interrompido. E não existe um consenso entre os especialistas sobre a quantidade exata de quilos envolvidos. No geral, é considerada uma variação a partir de 5% do peso para cima e para baixo.

A balança e a saúde cardiovascular

Vale reforçar, no entanto, que mais do que o efeito sanfona, a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde). E como dito, o controle do excesso de peso está diretamente relacionado ao desenvolvimento de fatores de risco para as doenças do sistema cardiovascular.

Por isso, uma informação importante de referência para a obesidade é a circunferência abdominal —que gera o acúmulo progressivo de gordura na parede ou entre os órgãos da região da barriga. Para as mulheres adultas, o valor limite é de 88 cm. Acima disso estará caracterizado o sobrepeso ou obesidade. Para os homens este valor é de 102 cm.

Assim, reforço que é essencial para a saúde do coração manter o controle de peso e ter atenção a circunferência abdominal, mas isso deve ser feito de maneira saudável, sem a adoção de um regime temporário ou radical demais para o organismo. Não existe uma maneira milagrosa de emagrecer rapidamente que não prejudique a saúde. O ideal é incorporar na rotina novos hábitos tanto no que diz respeito a alimentação quanto em relação a atividades físicas.

Mudanças consistentes, como incluir mais vegetais e fontes de proteínas magras, além de regularidade nos exercícios, são o caminho para emagrecer de forma duradoura. É importante ainda investigar a presença de transtornos alimentares, como no caso da compulsão. E tudo isso deve ser feito sempre com acompanhamento profissional, o que permite avaliar o quadro completo de cada paciente, individualizar orientações e estabelecer planos para um emagrecimento saudável e possível de ser sustentado.


Você pode estar consumindo quase o dobro de sal do que deveria

Uma pitadinha de sal é capaz de realçar o sabor de qualquer alimento, até mesmo os doces. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, produzido pelo Ministério da Saúde, o sal é um exemplo de produto alimentício fabricado pela indústria e extraído da própria natureza. Sendo um dos temperos mais básicos antigos da culinária, seu papel principal é tornar a preparação mais saborosa e agradável ao paladar.

Para que seu efeito seja benéfico, o sal precisa ser utilizado com moderação. Na medida certa, ele é capaz de garantir deliciosas refeições. Enquanto o excesso pode causar diversos problemas de saúde, como insuficiência renal, AVC (Acidentes Vasculares Cerebrais) e hipertensão.

É justamente sobre o consumo de sal por parte da população brasileira que trata um estudo inédito feito pela Pesquisa Nacional de Saúde, em 2013 e 2014, e conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Os dados foram obtidos a partir de análises biológicas (sangue e urina) extraídas de 9 mil brasileiros. Segundo os resultados desses exames laboratoriais, os brasileiros consomem, em média, 9,34 gramas de sal por dia. Valores que correspondem a quase o dobro do recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de 5 gramas.

O estudo mostrou ainda homens e jovens estão entre os que mais consomem sal, mas apesar desse destaque, o consumo é elevado de forma generalizada na população brasileira, abrangendo todas as faixas etárias e níveis de escolaridade.

O risco de uma pitada extra

A pesquisadora da Fiocruz e coordenadora técnica da pesquisa, Célia Landmann Szwarcwald, reforça que o consumo excessivo de sal é um dos indicadores mais preocupantes, visto que ele está associado à hipertensão, causa direta e indireta de várias outras doenças crônicas, como as cardiovasculares e renais.

A redução do sal na alimentação tem potencial para diminuir uma grande fração de mortes prematuras e aumentar, consideravelmente, a expectativa de vida saudável na população brasileira, explica Célia.

Xô, ultraprocessados!

Salsicha, biscoito, chocolate, macarrão instantâneo, salgadinho chips, refrigerante: alimentos ultraprocessados são cheios de cores e sabores que os tornam superatraentes. Mas saiba que é exatamente essa a intenção da indústria alimentícia.

Segundo o Guia Alimentar, é comum que os ultraprocessados apresentem alto teor de sódio, por conta da adição de grandes quantidades de sal, necessárias para estender a duração dos produtos e intensificar o sabor, ou mesmo para encobrir sabores indesejáveis oriundos de aditivos ou de substâncias geradas pelas técnicas envolvidas no ultraprocessamento.

Além do sódio, eles muitas vezes são ricos em açúcares, gorduras e calorias. O problema é: esses produtos são hiperpalatáveis, ou seja, extremamente saborosos e capazes de "viciar". O formato em que eles são comercializados também é um problema, pois reduz nossa percepção da quantidade consumida, o que favorece a ingestão excessiva e consequentemente o desenvolvimento de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

Prefira opções caseiras

Criar seu próprio tempero pode, além de garantir uma melhor qualidade nutricional, adicionar um sabor ainda mais especial aos seus pratos. Aposte nem misturas de sal com orégano, manjericão, alecrim ou qualquer outra erva aromática seca.

Reveja seus hábitos

Evitar adicionar sal às comidas prontas, tirar o saleiro da mesa, medir a quantidade de sal com uma colher de chá ao invés de acrescentar pitadas a olho nu, estar atento aos rótulos dos alimentos, descascar mais e desembalar menos são exemplos de pequenas atitudes que, incorporadas aos seus hábitos, podem reduzir significativamente seu consumo de sal.


Maracujá ajuda a acalmar, mas não só: confira mais 6 benefícios

O maracujá é uma fruta que faz parte das plantas do gênero Passiflora. Grande número de espécies de maracujá é conhecida e utilizada para diferentes finalidades, dividindo-se, basicamente, em comestíveis, medicinais ou de uso na indústria para a fabricação de produtos de beleza.

O Brasil possui mais de 150 espécies silvestres de maracujá. Algumas são tipicamente brasileiras, como é o caso do maracujá pérola (Passiflora setacea De candolle), cuja casca lembra a de uma melancia. Mas existem cerca de 600 espécies de maracujás espalhadas na região tropical das Américas.

Embora o maracujá seja conhecido pela sua ação calmante, estudiosos afirmam que esse benefício de fato existe, porém, na maior parte das variedades, esse efeito tranquilizante está mais concentrado nas folhas e caules da planta. Com exceção do maracujá pérola do cerrado, cuja polpa de fato possui uma ação calmante mais eficaz que as demais espécies.

O maracujá é fonte de vitamina C, também fornece (em uma porçõa de 100 g do alimento) 1,1 g de fibra, 28 mg de magnésio, 51 mg de fósforo e 338 mg de potássio, e tudo isso fornecendo apenas 68 calorias na porção.

Muitos dos benefícios a seguir estão na casca ou entrecasca do alimento, que normalmente é consumida em forma de farinha.

Ajuda a combater o estresse e a ansiedade

O maracujá pérola ou maracujá-do-sono, como é mais conhecido, tem propriedades calmantes presentes na polpa, graças à ação de flavonoides e alcaloides que atuam no sistema nervoso central e produz efeito calmante, analgésico e relaxante muscular. Além disso, o maracujá é rico em magnésio, um mineral importante no controle do estresse e da ansiedade.

Auxilia no controle da glicose no sangue

A entrecasca do maracujá é rica em fibras, o que a torna uma boa aliada de quem tem diabetes, já que essas substâncias tornam a absorção dos carboidratos da refeição mais lenta, o que evita picos de glicemia no sangue. Normalmente a pectina é encontra na farinha de maracujá, e um estudo mostrou que pacientes com diabetes tipo 2 que consumiram 30 g dela por 60 dias tiveram diferença significativa na glicemia de jejum, acompanhada pela redução nos valores médios da hemoglobina glicada (exame capaz de determinar o equilíbrio da glicose em períodos mais prolongados). No entanto, o ideal é que ela seja usada como adjuvante das terapias medicamentosas convencionais.

Favorece o funcionamento do intestino

Entre as substâncias da entrecasca do maracujá está a pectina, fibra solúvel que é importante para regular o trânsito intestinal. Ela atua também como um probiótico, melhorando o funcionamento do intestino e com ele ajuda a eliminar as toxinas e gorduras do organismo. Para ter esse efeito, a recomendação é a de consumir uma colher de sopa da farinha de maracujá no iogurte, junto com a fruta ou batido com um suco.

Ajuda nos níveis de colesterol

No início dos anos 2000, vários estudos foram feitos com a pectina, a fibra solúvel presente na entrecasca do maracujá. Nessas pesquisas, realizadas tanto em animais como em humanos, percebeu-se a diminuição de taxas de colesterol. Estudos clínicos conduzidos com voluntários saudáveis em que houve suplementação da dieta com farinha da casca de maracujá mostraram redução média da glicemia na ordem de 5%, no colesterol total de 18% e no LDL na faixa de 19%, de triglicerídeos totais em média de 15%.

Auxilia na imunidade

A fruta é rica em vitamina C: cada 100 g fornece cerca de 20 mcg do nutriente, e a quantidade diária indicada da vitamina é de 60 a 75 mcg para um adulto saudável. A ação antioxidante desse nutriente é indicada para ajudar a melhorar a imunidade e também contribui para um envelhecimento celular saudável.

Garante saciedade por mais tempo

Como a casca do maracujá apresenta grande quantidade de fibras alimentares, ela contribui para promover saciedade por mais tempo, além de retardar e diminuir a absorção de açúcar e gordura no organismo. Isso acontece porque as fibras solúveis aumentam o volume do bolo alimentar no estômago e produzem um gel, assim criam uma viscosidade maior desse bolo alimentar. Todos esses fatores juntos levam à saciedade. Como consequência, auxilia no emagrecimento.

Ajuda a proteger o coração

A atividade anti-inflamatória do maracujá é um dos indicativos de sua propriedade funcional, por atuar na manutenção das funções normais dos sistemas nervoso e circulatório. A presença de hesperidina (um glicosídeo flavanona encontrado nas frutas cítricas) na polpa do maracujá é indicativo de que o alimento possua a propriedade de atuar na prevenção de doenças do coração.

Como consumir

Por ser uma fruta muito versátil, do caule às sementes, tudo é aproveitado. A casca, ou melhor, a entrecasca (aquela parte branca da fruta) é riquíssima em pectina, uma fibra solúvel que ajuda a diminuir taxas de colesterol e equilibrar os níveis de glicemia. Porém, como é muito amarga para consumir in natura, a indústria transforma essa entrecasca em farinhas, que são adicionadas em sucos, iogurtes ou na salada de frutas. A polpa é utilizada nas preparações culinárias, doces e salgadas e também para fazer chás e sucos. Por ser uma fruta de baixíssimas calorias, pode ser utilizada em vários tipos de preparações como sucos, mousses, sorvetes, caldas, além de servir de molhos para pratos salgados.

Das sementes são extraídos o óleo com propriedades emolientes, usado na indústria cosmética no preparo de diferentes produtos. Do resíduo da extração do óleo aproveita-se as fibras para o preparo de cosméticos esfoliantes, e a partir do mesmo resíduo faz-se a extração de compostos fenólicos com propriedade anti-inflamatória que pode ser usada na elaboração de fitoterápicos.

Contraindicação

As folhas do maracujá apresentam teores significativos de compostos cianogênicos e alcalóides, que podem causar intoxicação, quando consumidas de forma errada. Portanto, para evitar acidentes, recomenda-se que a população não faça uso das folhas para chás e infusões.


Como a neurociência explica a empatia? Saiba como ela é ativada no cérebro

Empatia é definida como a capacidade de se colocar no lugar do outro, de perceber o estado ou a condição de outra pessoa e assim desenvolver a habilidade de sentir a mesma emoção. A neurociência tem evidenciado que a empatia é na verdade uma combinação de atos conscientes e inconscientes do cérebro que depende do bom funcionamento de certas regiões para florescer.

O laboratório de neurociência da Universidade do Colorado, em Boulder (EUA) já estudou em qual parte do cérebro essa empatia pode ser gerada e se ela acontece na mesma área em qualquer pessoa.

Depois de avaliar 66 cérebros voluntários por exames de ressonância magnética funcional enquanto ouviam histórias reais de finais tristes e felizes, os voluntários contaram as emoções pessoais que cada história os fez sentir. Assim, comprovaram que a empatia aparece em funções cerebrais bem diferentes, portanto trata-se de um processo distribuído que não se restringe a apenas uma área do cérebro.

A partir da empatia despertada pelas histórias, a conclusão foi que sentimentos como solidariedade e a compaixão são processadas em regiões cerebrais como o córtex pré-frontal ventromedial e o córtex medial órbito-frontal, relacionados aos processos com os quais o cérebro avalia algo importante como alimento ou dinheiro. Mas, quando a empatia é acompanhada por despertar mais angústia do que compaixão, ativam outras regiões do cérebro, como o córtex pré-motor nos lobos frontais e o córtex somatossensorial primário nos lobos parietais.

A semelhança nisso é que ambas são conhecidas por participar dos processos chamados de espelho. É o que chamamos de neurônio-espelho ou de ação-reação. Sabe aquela história de "diga-me com quem andas que te direi quem és ?" – é bem isso. Quando um indivíduo é colocado frente a uma situação de estresse, pode responder de maneira negativa e agressiva. Isso porque as células nervosas são primeiramente responsivas às ações motoras e ativadas quando se observa uma pessoa praticando alguma atividade – seja ela para o bem ou para o mal, podem fazer uma pessoa imitar alguém ou recriar uma ação, dependendo do estimulo ao qual ela foi colocada.

Vivemos em sociedade e somos moldados a ela. Por isso que, além da imitação que fazemos o tempo todo quando frente ao outro, nossos neurônios também se encarregam de certos pensamentos e comportamentos, por exemplo, a empatia. Do ponto de vista da neurociência, a empatia pode ser construída e pode ativar o mesmo sistema neural de um ato de caridade. A ciência já demonstrou que há uma forte ligação entre a caridade e a saúde mental e comprovou que quem a pratica tem menor propensão à depressão, à ansiedade e também são mais esperançosas. Mas, esse é um tema para uma próxima conversa.

Neurodicas

Empatia pode ser aprendida:

  • Desde a infância: mostrar para uma criança que quando ela tira o brinquedo do amiguinho ou do irmão isso pode interromper uma ação que o outro está fazendo;
  • Ensine sempre alguém: ajudar um colega de trabalho em uma tarefa ajuda a estimular o circuito da empatia no cérebro, mesmo que os méritos possam ir diretamente só para o outro;
  • Julgue menos: deixar de lado os próprios valores, opiniões e emoções ajuda a ver o outro como ele realmente é e diminui a projeção que criamos segundo as nossas próprias perspectivas;
  • Silencie os seus pensamentos: tente imaginar a vida e os sentimentos de outras pessoas mesmo sem conversar com elas.

Será que reduzir o açúcar dos alimentos vai impactar no diabetes?

O Ministério da Saúde anunciou há pouco um acordo voluntário com a indústria de alimentos processados visando à redução gradual da adição de açúcar nos produtos até 2022. Sem dúvida, o dedo do governo se faz necessário em resoluções do tipo. O açúcar invisível pode estar inclusive em alimentos que não são doces. E, mesmo entre esses, a adição deve ser minimizada pensando no interesse geral da população.

Como pai e médico, acredito que muitas propagandas de alimentos industrializados para o público infantil sejam abusivas — ainda que sigam as leis. A colocação estratégica de guloseimas em estabelecimentos comerciais também conta com uma ciência bem orquestrada para estimular o consumo. Até mesmo pessoas que não demonstram interesse por balas, chocolates e confeitos por vezes caem em tentação e se deixam levar pelo impulso ou pela emoção.

Agora, o fato é que é bastante simplista nutrir a ideia de que, SOZINHO, o açúcar seja o grande vilão da sociedade moderna ou mesmo a maior causa do diabetes. Falar em origem do diabetes nos faz recordar que o tipo 1, por exemplo, vem de uma disfunção autoimune, em que as próprias defesas do indivíduo se voltam contra o pâncreas e suas fábricas de insulina. Mesmo no diabetes tipo 2 já sabemos quão intimamente ligado ele está com o histórico familiar e a maus hábitos como sedentarismo e ganho de peso.

Aliás, ainda que a gente foque na dieta, veremos que não dá para responsabilizar só o açúcar. O excesso de gordura na alimentação aumenta o risco de obesidade e… diabetes. Portanto, de nada adianta abandonar um doce se você mergulhar em frituras e afins.

Se o problema fosse somente o açúcar, acredito que tudo seria mais facilmente resolvido. O ponto crucial no diabetes é que, para prevenir ou mesmo tratar, precisamos de doses cavalares de BOM SENSO. Não existe um segredo guardado a sete chaves.

A recomendação, nem sempre fácil de seguir à risca, é balancear a alimentação, tendo um equilíbrio entre proteínas, gorduras e carboidratos (sim, carboidratos!). E mesmo o açúcar pode ter espaço de vez em quando. Ou você vai deixar de comer frutas? Ou, então, rejeitar em todo encontro aquela torta que só a vovó sabe fazer? Dá para comer um pouco de açúcar… com moderação e equilíbrio.

A proposta do governo e da indústria deve impactar a sociedade como um todo. Mas cada indivíduo e cada família têm de fazer sua parte. Como? Pesando bem as escolhas, escolhendo com inteligência as compras, lendo os rótulos… E estimulando a educação alimentar em casa e nas escolas.

A redução no teor de açúcar dos alimentos industrializados é uma boa medida, mas, pensando no diabetes e na saúde pública, o desafio é bem mais complexo do que isso. Precisamos implementar e lançar várias frentes de abordagem se quisermos ter um real impacto no bem-estar da população. Nesse sentido, suprir o cidadão com educação, conscientização e senso crítico sobre alimentação é a bandeira mais efetiva para termos um país mais bem nutrido e saudável.


Quase metade das crianças brasileiras serão obesas em 2022

Uma projeção feita pelo Ministério da Saúde aponta que no ano de 2022, o número de crianças obesas no Brasil deve ser o dobro do que o registrado em 2013. Se os índices continuarem crescendo na mesma proporção, em 2022 o país terá 46,5% dos meninos entre 5 e 9 anos sofrendo com a obesidade infantil.

Para as meninas, a projeção é menor, mas ainda chama a atenção: 38,2% das garotas entre 5 e 9 anos devem ser obesas em 2022.

Os índices representam mais que o dobro do registrado há cinco anos, quando a projeção de meninos obesos era de 22,3% e o de meninas, 16,5%.

A meta do Ministério da Saúde é reduzir e voltar ao patamar de 1998, uma projeção de 8% para os meninos e 5% para as meninas. Um desafio que também envolve a família e a escola.

De acordo com a nutricionista Mariana Contiero San Martini, do Departamento de Pediatria da Unicamp, os altos índices de obesidade infantil envolvem uma série de fatores. Um deles é a dificuldade dos pais em conciliar trabalho e educação dos filhos.

“Eles precisam trabalhar fora, não têm tempo para cuidar e, muitas vezes, para se redimir, acabam comprando alimentos ultraprocessados que têm excesso de gordura, sal e açúcar”, explica a nutricionista.

Alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por muitas técnicas, ou processos, que aumentam a durabilidade e diminuem o valor nutricional. Eles normalmente são saborosos e conquistam o paladar das crianças, mesmo sendo danosos à saúde – além do excesso de calorias, sal e açúcar, são pobres em vitaminas e sais minerais.

Entre os alimentos ultraprocessados normalmente consumidos por crianças estão os salgadinhos, iogurtes industrializados, biscoitos recheados, sorvetes, refrescos em pó, achocolatados e refrigerantes.

Junto com o consumo deste tipo de alimento, está a falta de atividade física. “As crianças comem estas coisas e depois passam horas sentadas em frente à TV, ao computador ou com o celular, elas não se exercitam com frequência”, alerta Mariana.

Embora o número de meninas obesas seja menor do que o número de meninos, a nutricionista alerta que elas são mais vulneráveis aos transtornos alimentares como bulimia e anorexia.

Isso acontece porque as meninas se preocupam mais com imagem corporal, com peso e são mais propensas a pular refeições e deixar de comer alguns alimentos para reduzir medidas. Em alguns casos, os pais nem percebem que algo está errado.

“Como não conseguem acompanhar de perto a educação dos filhos, os pais não conseguem ver como eles estão se alimentando, se estão comendo o suficiente. A filha pode estar provocando vômito depois das refeições e eles nem percebem”, diz.

Para evitar o problema, a sugestão da especialista é o diálogo frequente com os filhos e com as pessoas que convivem com eles.

“Os pais devem estar sempre com contato direto com os profissionais da escola e observar quem são os amigos, onde a criança vai, como se comporta”, explica.

Combater a obesidade infantil exige uma mudança total de hábitos que deve começar em casa. A nutricionista explica que é preciso que exista diálogo. “Uma conversa aberta sobre  bons hábitos alimentares”.

Outra dica é motivar os filhos para ajudar nas preparações culinárias. “Muitas  famílias compram  produtos alimentares prontos ou semi-prontos, não costumam compartilhar receitas e, muitas vezes, sequer cozinham receitas mais fáceis”, destaca.

A especialista explica que mesmo as crianças menores podem participar do processo, seja lavando alguma hortaliça ou fazendo alguma outra atividade mais simples e segura, desta forma o ato de cozinhar acaba se transformando em um momento de interação familiar. “O importante é dar preferência para produtos in natura, minimamente processados, para dar à criança a possibilidade de contato com legumes, frutas e alimentos ricas em fibra”, diz.

As atividades físicas também precisam ser rotina. Se os dias estão corridos, os pais precisam aproveitar o fim de semana para praticar exercícios e criar este hábito nas crianças – levar a um parque, andar de bicicleta, fazer caminhadas.

A escola também pode contribuir. Uma das possibilidades é criar uma disciplina sobre nutrição para ensinar os primeiros passos em direção a um a alimentação equilibrada. Os professores podem desenvolver atividades culinárias, de elaboração de hortas, passeios e caminhadas ao ar livre em bosques e parques. As cantinas também devem oferecer um cardápio saudável. “A escola deve estar de acordo com os alimentos oferecidos aos estudantes”, diz Mariana.

Índice de obesidade é menor entre adolescentes

Se na infância o número de obesos é alto, ele diminui consideravelmente na adolescência. A projeção do Ministério da Saúde é que em 2022, 13,8% dos meninos entre 10 e 19 anos sejam obesos. Entre as meninas da mesma faixa etária, o número deve ser de 7,8%.

Neste caso, a meta também é reduzir e igualar aos índices de 1998, quando a taxa de obesidade entre as meninas era de 2,7% e dos meninos de 3%.

A nutricionista Mariana San Martini explica que a diferença entre os índices de crianças e adolescentes acontece por causa da mudança no senso crítico. Na adolescência, surge a preocupação com a aparência por isso, os jovens tendem a se preocupar mais com o que que vão comer.

“Existe um cuidado em ingerir alimentos mais saudáveis e menos calóricos porque eles começam, nessa fase, a se preocupar mais com a aparência, começam a se comparar com os amigos. Os meninos querem ficar mais musculosos, as meninas mais magras”, explica Mariana.

Mesmo assim, a especialista alerta que existe a tendência que parte das crianças e adolescentes obesos se tornem adultos obesos ou com sobrepeso, levando para a idade adulta todas as doenças que o excesso de peso pode acarretar. “Antigamente não se via crianças ou adolescentes com triglicérides ou colesterol aumentados, hoje em dia isso acontece e pode levar a uma série de problemas cardíacos e vasculares”, diz.

A projeção do Ministério da Saúde para os adultos brasileiros é que 24,8% sejam obesos em 2022.


10 dicas que combatem a insônia e ajudam a dormir melhor

Dormir é relaxante e ainda faz bem para a saúde. Tem coisa melhor? Tem sim, saber que ele ainda ajuda a viver mais. Um estudo realizado pela American Academy of Sleep Medicine provou que dormir bem é um dos segredos para a longevidade.

Porém, para algumas pessoas, uma boa noite de sono não é conquistada tão facilmente. A insônia pode ser decorrente de problemas de saúde. "O problema pode ser decorrente de transtorno ansioso, quadro depressivo, problemas neurológicos como a síndrome das pernas inquietas, apneia do sono ou mesmo um transtorno chamado de movimentos periódicos do sono, entre outros", enumera Stella Tavares, neurofisiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Mas, antes de pensar que o problema é de saúde, vale cogitar: será que você está tendo hábitos saudáveis antes de dormir? "Alguns costumes como uso excessivo de computadores, alimentação pesada antes de dormir e situações de tensão podem sim prejudicar o sono", lista Daniel Inoue, médico especialista em Medicina do Sono do Hospital Santa Cruz de São Paulo.

Para resolver o problema nesses casos, listamos alguns cuidados que podem ajudar a melhorar a qualidade do seu sono. Mas se nada disso funcionar, vale então procurar um médico.

1 - Escolha o melhor travesseiro

Ao pensar em um bom travesseiro, é importante sempre levar em conta a posição em que você dorme. "Ao deitar-se de lado, é importante que ele seja mais alto, para que o pescoço fique alinhado com resto da coluna. Agora, se você deita de barriga para cima, o ideal é usar um travesseiro mais baixo, para que a cabeça não fique muito acima", considera o ortopedista Cássio Trevizani, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Agora, se sua posição favorita é de bruços, o ideal é não usar travesseiro nenhum. Porém, essas regras se invalidam caso você tenha algum problema específico de saúde. "No caso de doenças associadas como o refluxo gastroesofágico e também algumas cardiopatias, a recomendação por travesseiros mais altos é feita", recomenda Daniel Inoue, médico especialista em Medicina do Sono do Hospital Santa Cruz de São Paulo.

Quanto ao material, vale escolher o que você preferir. Alguns conservam suas características por mais tempo, como o de viscoelástico, por exemplo. Mesmo assim, sempre que você perceber que o travesseiro está ficando mais baixo, o ideal é comprar outro. "A troca deve ser feita quando apresentarem deformidades ou algum tipo de incômodo para a pessoa dormir", alerta Inoue.

2 - Colchão também é importante

Tão essencial quanto o apoio para a cabeça é a base em que ficará o resto do corpo. Por isso mesmo o colchão é um item fundamental para um sono de qualidade. "É sempre importante pensar que a sua coluna deve estar alinhada ao se deitar", pondera o ortopedista Trevizani.

"Do ponto de vista prático, existem os modelos ortopédicos, com maior resistência e densidade, que normalmente são feitos com molas e com espuma de viscosidade mais alta", finaliza.

A regra principal, no entanto, é que ele seja confortável e que ao acordar você não sinta dores no corpo. E se com o tempo você começar a acordar com desconfortos, talvez já seja hora de trocar.

3 - Bebidas que ajudam

O conselho da vovó de beber um chá pode muito bem estar certo. "Chás calmantes como a camomila, erva doce e cidreira contribuem para dormir melhor, pois ajudam no relaxamento", considera o médico do sono Daniel Inoue.

O leite morno pode ser uma pedida também, por conter triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, mesmo que em quantidades pequenas. Uma boa dica para potencializar essas bebidas é incluir o mel.

Alguns tipos desse doce, como o silvestre, o de flor de laranjeira e o assa-peixe tem propriedades calmantes e ajudam corpo e mente a relaxarem, de acordo com a nutricionista Thais Souza, da Rede Mundo Verde.

4 - Reduza a ansiedade

Quando a insônia bater por ansiedade, você pode usar algumas técnicas para reduzi-las. Experimente algo que você sabe que costuma relaxar vocês. Por exemplo, para pessoas mais tranquilas e que já tenham feito ioga, por exemplo, experimentar uma mentalização pode ser uma boa pedida.

"Mas se você não está acostumado, isso pode piorar sua ansiedade em querer dormir logo", considera a neurofisiologista Stella. Melhorar a respiração, fazendo exercícios de inspirar e expirar lentamente, também pode ser uma boa pedida, mas treine fazer isso acordado.

5 - Cuidado com o álcool

A qualidade do seu sono ao beber uma cerveja, vinho ou destilado não será das melhores. "Como ele relaxa a musculatura toda, inclusive do pescoço, ele deixa a via aérea aberta, o que favorece a apneia do sono, fazendo com que a pessoa durma de forma irregular ao longo da noite", explica Stella Tavares. Por isso podemos roncar mais quando bebemos.

6 - Associe a cama ao sono

"A cama deve ser restrita ao sono e as atividades sexuais", ressalta o médico do sono Inoue. Isso porque, quando seu cérebro entende que a cama é um local de dormir, fica mais fácil fazer com que o sono venha. Agora, se você costuma comer, usar o computador ou mesmo ler um livro na cama, a sonolência pode ser tornar mais difícil.

7 - Atente-se as cortinas

Ter uma cortina de boa qualidade pode não parecer, mas é tão importante quanto o colchão e o travesseiro. Isso porque a iluminação está diretamente relacionada com o sono, já que tudo isso é regido pelo ciclo circadiano, que leva em conta, entre outros fatores, o dia e a noite.

"Um dos hormônios ligado ao sono é a melatonina, e ela é melhor produzida quando estamos no escuro. A luminosidade alta interfere em sua liberação", ensina enumera Stella Tavares, neurofisiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

De acordo com a especialista, você pode até ter uma pequena luminosidade no quarto, até porque algumas pessoas não conseguem dormir sem ela. Mas quando a luz fica muito forte, o corpo sente como se não fosse o momento certo de adormecer. Além disso, a luz que entra de manhã pela janela favorece o despertar. Portanto, vale a pena ficar com as cortinas fechadas se você quer dormir um pouco mais.

8 - Cuidado com eletrônicos no quarto

Isso vale para o uso de objetos eletrônicos no quarto, que são muito estimulantes. "Assistir filmes, navegar pela internet, utilizar redes sociais ou mesmo jogos online, podem aumentar o grau de excitação e isso pode ser prejudicial ao sono", considera Inoue.

O ideal é que uma hora antes de dormir você se desconecte um pouco e relaxe. Para esse momento, vale diminuir a intensidade da luz, colocar uma música relaxante ou fazer uma leitura tranquila, nada que desperte muito a sua mente.

9 - Evite brigas no quarto

Não adianta limpar o ambiente apenas dos estímulos tecnológicos. Evitar brigas, estresse e discussões de problemas no quarto também é muito importante. "Em situações de tensão, encontramos aumento das catecolaminas, que são substâncias responsáveis pela excitação e responsáveis pelo aumento do nível de atenção", explica o médico do sono Inoue. Portanto, isso só vai dificultar que seu cérebro relaxe até o estado de subconsciência.

10 - Exercícios na hora certa

Além da luz, a temperatura corporal também ajuda a regular o sono: quando ela cai, ficamos mais sonolentos. Porém, quando fazemos atividades físicas, a tendência é que fiquemos mais quentes. "O ideal é não fazer exercícios à noite, pois isso acaba atrapalhando o sono", estatiza Stella. Mas, caso seja o único horário que você tem, o melhor é deixar para deitar-se até três horas depois.


Protetor solar, hidratante e maquiagem: qual a ordem certa de aplicar?

A pele do rosto é uma das mais sensíveis do corpo, por isso é tão importante manter uma rotina de cuidados, inclusive quando você usa maquiagem. E existe uma sequência correta para aplicar cada produto e proteger e cuidar da pele, além de garantir um melhor resultado da make, sabia?

Primeiro deve vir o creme hidratante, depois o protetor solar e, por fim, a maquiagem. Confira a seguir o passo a passo e por que é importante seguir essa sequência ao aplicar os cosméticos.

Passo 1: hidratação

Depois de fazer a higiene no rosto, o indicado é aplicar o hidratante —mesmo que sua pele seja oleosa, pois existem produtos específicos para isso. O creme entra como a etapa de tratamento e, por esse motivo, precisa estar em contato direto com a pele para trazer um bom resultado.

Além da garantir uma fixação da maquiagem, grande parte dos hidratantes possui antioxidantes, o que faz com que aumente a proteção contra as substâncias que estão no ambiente e geram a produção de radicais livres, como poluição e até mesmo o sol. Cremes hidrantes com FPS (Fator de Proteção Solar) acima de 30 garantem uma proteção eficaz da pele e dispensam o protetor desde que também protejam contra raios UVA.

Passo 2: proteção solar

Essa é a parte mais importante da sequência. O protetor deve vir após todos os cremes de tratamento (hidratante, antirrugas etc.) Cada pessoa exige um cuidado especial —veja aqui o protetor mais indicado para sua cor de pele. Mas, geralmente, os especialistas recomendam que o produto tenha FPS (que bloqueia os raios UVB) pelo menos 30 e PPD (sigla em inglês para Persistent Pigment Darkening; em português "escurecimento persistente do pigmento"), responsável por proteger dos raios UVA, de pelo menos 1/3 do FPS —ou seja, acima de 10, no caso do FPS 30.

Simone Neri, dermatologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e da Rede D'Or São Luiz, recomenda aplicar o protetor solar de 30 a 15 minutos antes de se expor ao sol, pois esse é o tempo que boa parte dos produtos leva para fazer efeito.

Nunca é demais lembrar que não se proteger corretamente do sol traz diversos prejuízos à saúde. O primeiro e mais evidente, a queimadura da pele (veja o que fazer quando você vacila e fica todo vermelho). Também é possível ter piora e surgimento de manchas; melasma; flacidez e rugas por causa do envelhecimento; e, em longo prazo, aumento o risco de câncer de pele.

Usar protetor solar é essencial para reduzir o risco de problemas de pele como queimadura, manchas, envelhecimento precoce e até câncer

Passo 3: maquiagem

A maquiagem vem para dar o acabamento da pele, depois da hidratação e proteção. Atualmente, existem diversos produtos do mercado de cosmético que já vem com alta proteção: desde protetor solar com pigmentação até base e pó compacto com FPS.

Esses cosméticos até podem substituir o protetor solar, desde que tenham FPS ideal para sua pele (geralmente igual ou acima de 30) e protejam dos raios UVA. Mas lembre-se que a maquiagem muitas vezes não é tão resistente ao suor quanto o filtro solar. Além disso, não a aplicamos em partes como pescoço e orelhas —onde geralmente também passamos protetor ao aplicar o filtro solar no rosto. Então, se for usar só a maquiagem como proteção para o rosto, lembre-se de passar o filtro de corpo nessas partes.

Para quem não gosta de utilizar muitos produtos, há a opção do BB Cream, que é uma base que possui várias funções, como hidratar, suavizar, uniformizar e proteger a pele. "A maquiagem fica melhor e tem a tonalidade que a pessoa quer, por exemplo. Além disso, o produto é antioxidante, hidratante e clareador", explica a dermatologista da SBD Tatiana Gabbi. Mas lembre-se que é importante que o produto tenha FPS acima de 30.

E o protetor com cor?

Outra opção é usar o protetor solar com cor e abrir mão da maquiagem. Além de ser 2 em 1, o produto acaba oferecendo uma proteção muito melhor do que aqueles sem cor. "Esse protetor vai fazer uma barreira física, além da química que um protetor sem cor já tem. Eu sempre recomendo, principalmente para mulheres com melasma ou que já tiveram câncer de pele", explica Alice Jaruche, dermatologista da SBD e do Hospital Sírio-Libanês.

A proteção física é quando os raios batem na pele, mas não são absorvidos e sim refletidos pelo filtro —o mesmo que acontece quando você usa uma camiseta. Ela é menos agressiva e indicada para pacientes com pele sensível, gestantes e crianças de seis meses a dois anos. Já a proteção química, como o próprio nome diz, ocorre por meio de uma reação química das substâncias presentes no produto —o que cria uma proteção contra a radiação solar, impedindo sua penetração na pele.

No caso dos protetores solares com cor, o pigmento funciona como uma barreira física — mas não é a única. Neste tipo de produto, há também a pasta de zinco e outros elementos que fazem a proteção química.

Se você vai curtir o verão na praia ou na piscina, com intensa exposição ao sol, saiba que é sempre bom evitar os horários de pico: das 10h às 16h. Caso não seja possível, use outras técnicas de proteção aliadas ao uso do filtro solar: chapéus, óculos e roupas com FPS. E, lembre-se: repasse sempre o filtro a cada duas horas ou toda vez que entrar no mar ou na piscina.


5 cuidados ao correr na praia para evitar bolhas, assaduras, dores

Você está curtindo o verão na praia e decide dar uma corridinha para despachar o sedentarismo e queimar umas calorias extras. Ótima ideia! Mas não pense que basta vestir o shorts, calçar o tênis (ou ir descalço, se preferir) e deixar suas pegadas na areia.

Tomar alguns cuidados ao praticar a atividade física é muito importante para evitar problemas que podem prejudicar a realização do exercício —bolhas e assaduras, por exemplo — ou até mesmo impedir você de curtir a praia depois —como queimaduras de sol e desidratação. Mostramos cuidados importantes para driblar os perrengues mais comuns que afetam quem corre na praia.

1 - Aposte na vaselina ou em pomadas anti-assaduras

O atrito pele com pele em áreas como virilha e axilas é famoso por causar assaduras em corredores. Agora, imagine o que acontece ao adicionar areia e sal da praia a esse esfrega, esfrega que ocorre nessas partes do corpo. Sim, o risco de você ter uma assadura aumenta! Para evitar problemas, procure passar vaselina ou pomadas específicas para prevenir assaduras em atletas (elas são diferentes das que bebês usam, ok?). Esses produtos agem diminuindo o atrito na região em que são aplicados.

2 - Evite molhar o tênis

Em um dia de calor, a ideia de pisar na água durante a corrida pode parecer divertida e refrescante. Porém, junto com a água vai entrar areia no seu pé. E o atrito dessa areia com a pele costuma gerar bolhas. A saída é evitar ao máximo "mergulhar" seus tênis na água do mar e também em poças. Antes de vestir as meias para treinar, aplique também vaselina nos pés para minimizar o atrito com a meia, o calçado e possíveis grãos de areia.

Quem corre descalço não tem esse problema do atrito. Porém, precisa ficar atento para não se machucar ao pisar em pedras ou objetos deixados na areia da praia. Mais: quando você corre sem tênis sua pisada muda e músculos diferentes são exigidos. Por não estarem adaptados, podem sofrer com fadiga precoce, além de apresentarem muitas dores pós-treino.

3 - Escolhe bem onde pisa

Correr na areia não é igual a treinar no asfalto e pode gerar dificuldades para quem não está adaptado. A areia seca e fofa eleva a dificuldade do exercício e exige mais dos músculos dos pés, das pernas e do quadril. Isso pode não só gerar uma fadiga precoce, obrigando você a parar o treino antes do planejado —e talvez bem longe do seu guarda-sol —, como também provocar fortes dores musculares pós-treino. Por ser muito irregular, a areia fofa também aumenta o risco de torção.

Já a areia molhada é mais similar ao exercício no asfalto. No entanto, é preciso ficar atento à inclinação, que costuma ser mais acentuada nessa porção próxima ao mar. O desnível sobrecarrega mais um lado do corpo e pode gerar dores. Se for impossível evitar a inclinação, tente ao menos correr pelo mesmo tempo "indo e voltando". Assim, os dois lados do corpo serão exigidos de maneira similar.

4 - Planeje sua hidratação

Na praia geralmente não tem bebedouro, né? Então, lembre-se de levar uma garrafinha de água, dinheiro ou cartão para comprar algo para beber e repor os líquidos perdidos no suor. A desidratação pode acelerar a fadiga, gerar dor de cabeça e até causar problemas de saúde mais graves.

A quantidade de água que se deve beber durante uma atividade física varia muito de pessoa para pessoa, intensidade do exercício e condições climáticas. No geral, o recomendado é tomar um copo de água a cada 15 a 20 minutos.

5 - Proteja sua pele

O uso de filtro solar deve ocorrer durante todo o dia, independentemente do horário. Não aplicar o produto, especialmente na praia, pode causar queimaduras, manchas, rugas e também colaborar para o surgimento de um câncer de pele. Por isso, antes de calçar os tênis aplique o protetor solar em todo o corpo. Além disso, use boné ou viseira e camiseta com proteção UV para treinar.

Outro cuidado importante para evitar problemas trazidos pelos raios UV é não se expor ao sol nos horários de pico. Então, não saia para treinar entre 10h e 16h. Quanto mais longe dessa faixa de horário você puder correr, melhor.


Sem passar fome: veja 9 alimentos que colaboram com a saciedade

Para matar a fome, a melhor dica, é claro, é comer. Mas, acredite, de nada adianta investir naquele pãozinho com manteiga de manhã. Apesar de ele saciar você na hora, em pouco tempo a fome voltará. Isso porque massas brancas, como o pão, liberam uma alta dose de glicose de uma vez no sangue, mas são absorvidos rapidamente, saciando por míseras horas.

É por esse motivo que listamos abaixo 10 alimentos para você investir ao longo do dia, para acabar de vez com o ronco constrangedor no estômago. Obviamente, nossa lista contém apenas opções saudáveis. Afinal, não adianta nada matar a fome comendo um pedaço de bacon supergorduroso e aumentar riscos de doenças relacionadas às gorduras saturadas, como as cardiovasculares.

Inclua essas alternativas em sua dieta para forrar o estômago de vez, mas dessa vez com saúde:

  1. Chia

 A chia faz parte do grupo de alimentos ricos em fibras. Essas substâncias não são digeridas pelo corpo humano, fazendo com que o alimento fique mais tempo no estômago e aumentando o trânsito intestinal. Além disso, a chia forma um gel e se expande quando entra em contato com líquidos. Isso é muito benéfico, pois torna mais lenta a absorção da glicose dos alimentos, o que espanta a fome por mais tempo.

  1. Leite e derivados

 Por incrível que pareça, um pedaço de 100 g de queijo sacia mais do que 100 g de carne. Isso porque a carne é rica em proteína, enquanto o alimento derivado do leite é fonte de gordura, que demora mais para ser digerida, e fornece mais carboidratos, ou seja, calorias.

  1. Carnes magras

Acima, lembramos que a gordura demora mais para ser digerida e por esse motivo dá mais saciedade do que a proteína. Pensando assim, claro que carnes gordas como um bife também acabarão com sua fome. O problema é que ele também pode fazer mal, já que aumenta os níveis de colesterol e de doenças. Como vivemos em um período em que o nível de pessoas obesas é alto, o ideal é evitar as carnes gordas e investir nas magras, como peixe e frango. Elas não são tão eficazes para matar a fome como um bife ancho, por exemplo, mas fazem o seu papel em deixar o estômago ocupado por bastante tempo.

  1. Alface e folhas verdes

 Quer coisa melhor do que um alimento que sacia e ainda tem pouca caloria? Bem, todos os que fazem parte do grupo dos vegetais e hortaliças entram nesse quesito. Ricos em fibras, eles demoram para serem absorvidos. É por esse motivo que comer um pratão de alface no almoço pode não ser lá tão saboroso (para algumas pessoas, claro), mas mata a fome que é uma beleza.

  1. Castanha e amêndoa

Além de estarem no grupo das oleaginosas, vegetais que possuem óleos e gorduras (olha ela aqui), a castanha e a amêndoa também são ricas em triptofano. Esse composto estimula neurotransmissores específicos do cérebro relacionados à saciedade. Se já não bastassem esses motivos para matar a fome, essas duas opções ainda são mais difíceis de mastigar, fazendo com que você envie sinais aos poucos ao cérebro para ele se acalmar, já que o corpo está recebendo comida.

  1. Banana

 Conhecida por dar energia, devido à grande quantidade de carboidratos, a banana também ajuda a matar a fome por dois motivos: ela também é rica em fibras e em triptofano, o mesmo composto das castanhas e amêndoas.

  1. Feijões, ervilha, grão de bico

 Os grãos são indispensáveis em uma lista sobre saciedade. Isso porque eles são fonte de fibras e proteínas vegetais, que demoram para ser processadas pelo sistema digestivo.

  1. Cereais integrais

 Já não é novidade dizer que a opção integral é melhor, não é mesmo? De qualquer forma, não custa relembrar que grãos integrais contêm mais fibras, que fazem com que o alimento demore mais para ser digerido.

  1. Linhaça

 Na mesma categoria da chia, a linhaça é uma semente rica em fibras, que desacelera a digestão e, assim, mantém o estômago e o intestino ocupados por mais tempo. Além disso, ela ainda tem gorduras mono e poli-insaturadas, que retardam o esvaziamento gástrico e fazem com que o intestino libere mais colecistocinina, hormônio que regula o apetite. Só não se esqueça de se manter hidratado, já que a água faz com que as fibras não se prendam ao intestino.