Treinador pode dar dica de nutrição? Filtre os conselhos que anda recebendo

Dizem que se conselho fosse bom, não se dava, se vendia. E essa frase faz todo sentido quando falamos de alimentação, de dietas e de saúde de um modo geral. Quantas vezes você já ouviu que "é melhor não comer isso, mas sim, aquilo"? Que descobriram que tal coisa "engorda", e que, se você não tirar da sua vida, não vai emagrecer nunca?

Pois é, vivemos um momento em que todo mundo se sente habilitado a falar sobre os hábitos alimentares alheios. Entendo que hoje em dia há mais informação disponível, e isso é ótimo. Mas quando se trata de saúde, o buraco é mais embaixo.

Vejo, por exemplo, muitos sendo orientados por todo tipo de pessoas, muitas vezes pessoas que não são profissionais de saúde ou que dão conselhos sem ter estudado a fundo o assunto, sobre o que comer ou não, quando e quanto comer, dietas e suplementos. Por maior que seja a boa vontade por trás dessa orientação, esse tipo de prática pode oferecer riscos à saúde, ou, no melhor dos cenários, não surtir efeito nenhum.

Um exemplo bastante comum e atual é essa obsessão por uma taxa de gordura cada vez mais baixa. As pessoas já saem da academia com um papelzinho, uma porcentagem escrita em números bem grandes, e, claro, uma meta de emagrecimento.

Algumas estão ficando cegas por estes números e se esquecendo que a gordura é importante para o funcionamento do corpo. Alguns treinadores incentivam os alunos a perseguir um percentual baixíssimo e chegam a dar as mesmas orientações para homens e mulheres, quando a fisiologia dos dois é completamente diferente.

Os homens podem estar saudáveis com apenas 10 a 15% de gordura, mas as mulheres precisam de pelo menos 20% para ter uma boa saúde e respeitar o corpo. Senão podem comprometer a própria fertilidade: algumas param de menstruar, outras, observam seu nível de libido despencar e podem até entrar em um quadro de depressão, buscando um corpo que não é natural.

Claro que é importante ter parâmetros, até para medir se o treino está fazendo efeito ou não. Mas da parte alimentar quem cuida é o nutricionista.

É ele que vai poder fazer uma avaliação mais profunda dos hábitos, do comportamento diante da comida, do estilo de vida…e dizer se algo precisa ser melhorado ou se há necessidade do uso de suplementos, junto com o médico.

Posso garantir que boa parte das nossas necessidades nutricionais são supridas por meio de uma boa alimentação, até mesmo para aqueles que querem ganhar massa muscular.

Mas eu quero emagrecer (ou crescer) logo!

Eu entendo a pressa. É realmente tentador imaginar que um só treinador possa te orientar sobre dieta, suplementação e ainda desenhar um treino de acordo com seus objetivos. Ter metas para cumprir é de fato motivador.

Mas um professor de educação física ou coach não vai conseguir fazer uma avaliação nutricional apropriada apenas olhando para você – a menos que ele também tenha formação em Nutrição.

E, ainda assim, seria preciso uma investigação mais profunda da sua saúde como um todo para entender se há deficiências, excessos ou se algum outro fator pode estar influenciado seu peso (como estresse, noites mal-dormidas, ansiedade, comer emocional, etc.).

Não estou dizendo aqui que um professor não tem o direito de dar dicas gerais, aquelas que todo mundo já sabe: diminuir o consumo em excesso de alimentos com frituras, de bebidas doces e alcoolizadas, de ultraprocessados, tentar reduzir o açúcar, tomar mais água, comer mais legumes, frutas e comida de verdade, etc.

Estou falando dos treinadores ou coaches que se sentem aptos a prescrever dieta ou "empurrar" suplementos para os alunos. Isso não é ético, mas, infelizmente, cada vez mais comum, como algumas pesquisas têm mostrado.

Em um estudo feito em 2015, pesquisadores da University of Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália, entrevistaram profissionais da área de educação física para descobrir se estavam trabalhando fora do seu escopo e das suas qualificações, especialmente no que dizia respeito às recomendações nutricionais.

Eles comprovaram que 88% dos professores entrevistados ofereciam orientação nutricional individual, não só ligada ao condicionamento físico, mas até mesmo em questões ligadas à saúde dos alunos.

Uma outra análise australiana divulgada recentemente investigou como andava o conhecimento nutricional de treinadores fitness em relação a nutricionistas e ao público em geral.

Como era de se esperar, eles tiveram uma pontuação menor do que os nutricionistas. Mas o curioso é que apresentaram uma diferença quase que irrelevante de conhecimento a mais do que o público em geral.

Ou seja: não estavam aptos a receitar planos alimentares ou dietas e, muito menos, falar sobre a relação entre alimentação e doenças. Simplesmente porque não é a área de especialização deles.

Os pesquisadores envolvidos na pesquisa ressaltaram que é preciso incentivar o trabalho colaborativo, por meio de uma equipe multidisciplinar, pois esse é o melhor meio de alcançar objetivos relacionados à saúde e à composição corporal. E nisso eu acredito!

Cada um no seu quadrado

Sei que nem todo mundo tem paciência, tempo e disposição para seguir metas saudáveis, moderadas e gradativas. Só que perder peso rápido não é uma estratégia eficaz e assusta o corpo: a consequência é ter o apetite aumentado, o metabolismo desacelerado e, em mais de 95% dos casos, voltar a engordar e entrar para o efeito sanfona.

As pessoas não deveriam se apegar a números e metas sem antes fazer uma avaliação mais profunda. É preciso desconfiar de qualquer profissional que venda performance, beleza, longevidade, saúde ou emagrecimento como se fossem produtos.

Assim como o professor de educação física não deveria falar de dietas e suplementos, o nutricionista não pode falar de remédios ou vender produtos "milagrosos"; nem mesmo querer bancar o psicólogo quando existem questões emocionais mais profundas que estejam comprometendo a saúde física.

O ideal seria olhar para o corpo humano de forma mais holística, e buscar a saúde por meio de um trabalho multidisciplinar. Consultar o treinador sobre a atividade física mais adequada e como realizá-la de forma eficaz e sem sobrecarregar o corpo; um nutricionista para investigar os hábitos alimentares e o comportamento diante da comida.

Um médico para o caso de condições que exijam o uso de medicação; e um apoio de um nutricionista e psicólogo para os que estão comendo por motivos emocionais de forma muito frequente, ou, ainda, enfrentando algum transtorno alimentar.

Cada um na sua especialidade, mas trabalhando juntos à favor da saúde.


Frutas cítricas e brócolis ajudam a amenizar sintomas de sinusite

Tudo começa com uma obstrução nasal acompanhada de secreção amarelada e a evolução do quadro para dor facial generalizada e olfato afetado. É a sinusite, inflamação da mucosa dos seios da face --as cavidades ósseas contendo ar ao redor do nariz e dos olhos -- que afeta a qualidade de vida e o bem-estar. Os sintomas podem ser leves, moderados ou severos e, dependendo da duração, a condição é considerada aguda (quando passa em até 12 semanas) ou crônica (quando persiste por mais de 12 semanas).

Os fatores responsáveis pelo surgimento da sinusite são variados: ela pode ter causas ambientais (alergias, asma, exposição contínua à poluição), decorrentes de outras condições de saúde (infecções virais, bacterianas ou fúngicas), de alterações anatômicas (desvio do septo nasal, aumento das conchas nasais médias e mesmo um dente incluso no seio da face) ou alterações sistêmicas do paciente (razões genéticas, imunodeficiência e distúrbios endocrinológicos, como diabetes).

Vitaminas e outras substâncias presentes nos alimentos têm relação direta com o alívio e também com o agravamento dos sintomas. A seguir, apresentamos os melhores e os piores itens para quem sofre de sinusite. Antes disso, vale destacar que durante as crises é importante beber bastante água, sucos e chás, que ajudam a dissolver o muco e a drená-lo das áreas inflamadas da face.

A relação de alimentos foi organizada com a ajuda da médica nutróloga Eline de Almeida Soriano, membro da diretoria da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), e dos otorrinolaringologistas Márcio Nakanishi, presidente da ABR (Associação Brasileira de Rinologia) e pesquisador associado da Faculdade de Medicina da UnB (Universidade de Brasília), e Eduardo Landini Lutaif Dolci, professor instrutor de ensino do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo.

Frutas cítricas

São fontes importantes de vitamina C e possuem bioflavonoides cítricos, o que lhes confere propriedades anti-inflamatórias de ação praticamente imediata. Podem ser consumidas in natura ou em sucos.

 Morango

As frutas vermelhas também atuam como anti-inflamatórias devido ao fato de serem ricas em vitamina C e em bioflavonoides. Os especialistas recomendam amora e morangos como as melhores entre as frutas vermelhas para o alívio dos sintomas da sinusite.

Pimentão amarelo

Contém uma concentração significativa de vitamina C --maior que a dos pimentões verde e vermelho --, fortalece o sistema imunológico e é anti-inflamatório. O ideal é comê-lo cru, pois no cozimento ele perde parte de suas propriedades.

Brócolis

Complementar a salada de pimentão amarelo com brócolis é uma ótima ideia quando o objetivo é aliviar os sintomas da sinusite. O vegetal é rico em vitamina A e tem um papel importante no sistema imunológico e no combate às infecções e inflamações, entre elas a sinusite. Como sua absorção pelo organismo é rápida, seu efeito sobre os sintomas costuma ser sentido logo.

 Oleaginosas

Em especial amêndoa, pistache, avelã e castanha do Pará. Fontes de vitamina E, elas têm ação anti-inflamatória e imunológica e auxiliam o organismo a combater mais rapidamente os sintomas da sinusite caso o paciente consuma uma porção de 10 g de qualquer uma delas por dia.

Sementes de abóbora

Seu trunfo está no zinco, que auxilia na síntese de células imunológicas e na sua atuação contra infecções e inflamações. Uma porção de 20 g de sementes de abóbora supre 20% da necessidade diária de ingestão de zinco, que também pode ser encontrado em alimentos como frango, carne vermelha, amêndoas e castanhas.

Evite comer

 Leite e seus derivados

Devido à sua gordura, encabeçam a lista dos alimentos que aumentam a quantidade de muco produzida. Além disso, estes alimentos têm caseína, uma proteína que torna o muco mais espesso.

 Trigo e alimentos feitos com seus derivados

Aqui a preocupação é principalmente com os alimentos feitos com farinha de trigo, como pães e bolos. O problema está no glúten, que aumenta significativamente a produção de muco e catarro no organismo.

 Bebidas alcoólicas ou com cafeína

Contribuem para desidratar o organismo e tornar o muco mais espesso, bloqueando as vias já inflamadas.


Estudo vê gordura em pulmão de pacientes com doença do cigarro eletrônico

A misteriosa doença pulmonar que vem acometendo usuários de cigarro eletrônico nos Estados Unidos parece estar a mais um passo de ser desvendada. Isso porque médicos da University of Utah Health encontraram, dentro dos pulmões desses pacientes, células imunes chamadas magrófagos com grande quantidade de óleo dentro delas.

A descoberta foi publicada em estudo no New England Journal of Medicine e podem ajudar os cientistas a diagnosticar de forma mais precisa e entender melhor a síndrome, que já fez três vítimas (uma quarta morte ainda está em análise), de acordo com o CDC (Center of Diseases Control and Prevention) dos Estados Unidos.

Os cientistas conseguiram identificar as células nos pulmões de seis pacientes que praticaram "vaping" (como está sendo chamado o uso dos cigarros eletrônicos) e que estão sendo tratados na University of Utah Hospital em Salt Lake City.

Os médicos usaram um procedimento chamado de lavagem broncoalveolar. Nele, uma pequena seção dos pulmões é lavada com um líquido específico e depois ela é coletada para exames.

Foi nesse tecido que os médicos encontraram os macrófagos, um tipo de célula do sistema imunológico que costuma "limpar" áreas infeccionadas. Ao usar um contraste, os cientistas conseguiram ver que essas células estavam cheias de gotículas oleosas.

Os especialistas fizeram o primeiro teste no primeiro paciente tratado na universidade. Na ocasião, um dos responsáveis pelo caso desconfiou que ele poderia estar com pneumonia lipoide -causada pela aspiração de partículas de lipídio.

Depois que o marcador foi encontrado no paciente, o teste foi feito nos outros indivíduos suspeitos de sofrerem com a mesma condição, e as estruturas também foram encontradas neles.

Desde que o artigo foi submetido para publicação, o número de pacientes analisados subiu para 10 —o biomarcador foi encontrado em todos eles. O número de vítimas continua a aumentar semanalmente.

Os médicos agora se perguntam se a "doença misteriosa" é, na verdade, um tipo de pneumonia lipoide. Embora tenham semelhanças, as duas condições também possuem diferenças: a pneumonia lipoide é tipicamente vista em pessoas mais velhas e geralmente causada de forma acidental; e se apresenta de forma bastante específica nos exames de Raio-X.

Substância tóxica foi encontrada em cigarros eletrônicos

Os investigadores do FDA (Food and Drug Administration) já haviam descoberto um mesmo produto químico presente em diversas amostras de maconha utilizadas por pessoas que adoeceram.

O produto seria o acetato de vitamina E, uma substância usada regularmente como suplemento alimentar, mas que teria potencial para causar sérios danos quando inalado.

Desde o início dos casos, especialistas já alertavam para a necessidade de uma melhor regulamentação do uso dos cigarros eletrônicos e aditivos (para dar sabor de frutas, por exemplo) que podem ser usados nesses aparelhos.

"Há poucos estudos sobre o que as substâncias que produzem o vapor do cigarro eletrônico causam na saúde", explica Stella Regina Martins, especialista em dependência química do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor (Instituto do coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP)*.

"Além disso, cada aditivo tem uma composição diferente, não regulamentada, que vai mudar quando aquecida. É quase impossível saber em quais substâncias eles vão se transformar após o aquecimento e o que isso vai causar no corpo", acredita a especialista.

Para o médico Paulo Corrêa, pneumologista da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), os aparelhos para o "vaping" são comercializados, ainda que proibidos, de forma livre e como um produto seguro --o que não é o caso.

"Muitos jovens usam achando que a fumaça é apenas vapor de água, mas não é verdade", conta. "O líquido contém substâncias como glicerol e propileno glicol, que podem originar substâncias cancerígenas depois de aquecidas", alerta o médico.


Inhame melhora a imunidade e visão: veja 6 benefícios do alimento

O inhame é um dos tubérculos que fazem parte de diversas receitas dos brasileiros. As cores do alimento variam podendo ser encontrado nas tonalidades marfim, amarela e roxa. Costuma ser um alimento pequeno, robusto e do tamanho de uma batata-doce. Sua casca é marrom e cheia de fiapos.

Mas, o que lhe falta em beleza sobra em nutrientes importantes para o organismo. O tubérculo fornece bastante energia e cada 100 g contém cerca de 97 calorias. É composto principalmente de carboidratos complexos e fibras solúveis. É uma excelente fonte de vitaminas do complexo B, como vitamina B6, vitamina B1, riboflavina, ácido fólico e niacina.

 Ele também contém uma boa quantidade de antioxidantes e vitamina C. Já em relação aos minerais, o inhame possui cobre, potássio, ferro, magnésio, cálcio e fósforo. A seguir, mostramos os principais benefícios desse alimento.

  1. Melhora problemas respiratórios

Uma pesquisa divulgada pelo Journal of Traditional Chinese Medicinemostrou que o inhame melhora a função respiratória e a qualidade de vida de pacientes com a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Esse é um problema de saúde que está ligado ao tabagismo (entre outros fatores) e causa bloqueio da passagem de ar, dificultando a respiração. Estima-se que no Brasil existam cerca de 5 milhões de pessoas com DPOC e a Organização Mundial de Saúde (OMS), aponta a doença como a terceira principal causa de morte em 2030.

  1. Previne doenças cardíacas

O inhame tem boa quantidade de vitamina B6, necessária ao organismo para quebrar uma substância chamada homocisteína, que danifica as paredes dos vasos sanguíneos. Altos níveis de homocisteína também podem levar a ataques cardíacos. O potássio, presente no alimento, também é um componente que controla a frequência cardíaca e a pressão arterial, combatendo os efeitos do sódio, evitando a hipertensão. Além disso, o inhame possui fitosteróis, que bloqueiam a absorção de colesterol, competindo com ele e retirando-o do organismo.

  1. Ajuda a perder peso

Por ser rico em carboidratos complexos e também pelas fibras, é considerado um excelente alimento para integrar a dieta de quem está pensando em perder peso. O inhame mantém o organismo mais tempo saciado, promovendo ainda o controle dos níveis de glicose no sangue. Com isso, a insulina será produzida em menor quantidade, o que poupa o pâncreas e também evita o mecanismo de estocagem de gorduras abdominal. Existem também trabalhos científicos que relacionam o consumo de inhame com redução da adiposidade (gordura) e aumento da massa magra do corpo.

  1. Aumenta a imunidade

Uma das principais características do inhame é ter uma ação desintoxicante e depurativa. Assim, auxilia na eliminação das toxinas do sangue por meio da excreção dessas substâncias por meio da pele, rins e do intestino. O tubérculo também possui a propriedade de fortalecer o sistema imunológico por ter boas quantidades de vitamina C e vitaminas do complexo B (como B1, B3, B5, B6 e B9).

  1. Melhora a visão

O inhame possui vitamina C, que é um nutriente que reduz a probabilidade do surgimento da degeneração macular --que causa a perda da visão em pessoas mais velhas. Além de prevenir a catarata, hidratar os olhos e melhorar a visão noturna. Estudos realizados em mulheres demonstram que a vitamina B6, presente no inhame, diminui o risco do surgimento da degeneração macular.

  1. Faz bem para pele

O consumo do alimento ajuda a pele a ficar mais hidratada e evita o envelhecimento precoce. Isso ocorre devido a presença da vitamina A que ajuda a reter mais líquidos e auxilia na eliminação dos radicais livres do organismo. Uma pesquisa mostrou que produtos dermatológicos com propriedades do inhame contribuem no tratamento de peles irritadas e para evitar o envelhecimento.

Benefícios não comprovados

- Previne o câncer: o inhame também ajuda na inibição do câncer, especialmente do câncer de cólon. A fibra dietética desse tubérculo previne esse tipo de câncer, pois impede que os compostos tóxicos de outros alimentos entrem na mucosa do cólon. Já a vitamina A presente no alimento fornece proteção contra o câncer de pulmão e na boca.

Estudos realizados em ratos mostram os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios do inhame. Sabe-se que pelo teor de fibras, o inhame contribui para diminuir a diverticulite, contribuindo com a redução da inflamação no divertículo; e pelo teor de antioxidantes, pode contribuir, dentro de uma alimentação balanceada, na redução de câncer de cólon e de mama. Porém, são necessárias mais pesquisas científicas para comprovar esse benefício.

- Ajuda na menopausa: o inhame contém uma enzima que fornece uma alternativa natural à reposição hormonal em mulheres que atingiram a menopausa. Sendo assim, contribui para diminuir os sintomas comuns nessa fase. Um estudo publicado no periódico científico Climacteric avaliou os efeitos do alimento nos sintomas da menopausa e mostrou que não há efeitos colaterais do inhame. Chegaram à conclusão de que mais estudos ainda precisam ser realizados para comprovar a eficiência do tubérculo no bem-estar da mulher nesse período.

Formas de consumo

O inhame é um alimento saudável, mas por ser fonte de carboidratos, seu consumo deve ser moderado. A recomendação é de uma a duas porções por dia. Ele pode substituir o carboidrato (arroz, batata, macarrão e pão) nas refeições. A forma de consumo varia bastante - preparado cozido, assado, na forma de purês, sopas e até em sucos.

Na hora do cozimento, opte pelo alimento com casca e inteiro no vapor ou pressão. Depois de cozido, o inhame se torna ingredientes de receitas de sopas, carnes, bolos e tortas.

Riscos à saúde

Alguns especialistas contraindicam o inhame para as gestantes ou lactantes, pois ainda não se sabe ao certo como o inhame interfere nos hormônios femininos.

Raramente o inhame provoca efeitos colaterais, mas em casos específicos ocorrem náuseas e dores de estômago por conter uma substância chamada saponina em sua composição. E o organismo não consegue eliminar de maneira natural essas toxinas presentes no alimento.

Além disso, há casos de pessoas que já apresentaram alergia ao alimento e sentiram coceiras e formigamentos. Para pacientes com aumento do potássio, como é o caso de quem possui doença renal avançada, é importante procurar orientação médica antes do consumo para evitar complicações.

 


 Começar a se exercitar após os 40 evita morte prematura

Um novo estudo oferece esperança e um alerta sutil a qualquer um que tenha deixado suas atividades físicas de lado nos últimos anos. Ele mostra que, se as pessoas começam a se exercitar na meia-idade, mesmo que não o tenham feito durante anos, podem ganhar rapidamente a maior parte dos benefícios da longevidade garantida pelos exercícios físicos.

Mas o oposto também é verdadeiro. Pare de se exercitar e esses benefícios vão diminuir ou desaparecer.

Já temos muitas evidências de que a atividade física afeta a longevidade e o bem-estar. Já escrevi sobre estudos que mostram que atletas mais velhos desenvolvem e mantêm ossos, cérebro, coração, músculos e sistema imunológico mais fortes que os das pessoas da mesma idade que raramente se exercitam.

Em uma escala mais ampla, estudos epidemiológicos relacionam o exercício frequente à vida mais longa, destacando que as pessoas ativas têm menos probabilidade que as inativas de morrer prematuramente.

Mas a maioria desses estudos analisou indivíduos e seus hábitos de exercícios apenas em um período de sua vida, raramente se aprofundando no que acontece quando essa rotina de atividades aumenta ou diminui ao longo das décadas.

Assim, para o novo estudo, publicado recentemente na revista JAMA Network Open, os pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e outras agências foram atrás de dados do Estudo de Saúde e Dieta do NIH-AARP, que por muito tempo seguiu as pessoas e seu modo de passar o tempo livre.

Esse estudo começou em 1995, recrutando centenas de milhares de homens e mulheres entre 50 e 71 anos e pedindo-lhes que preenchessem uma série de questionários sobre sua saúde.

Um desses questionários esmiuçou aspectos da atividade física dos voluntários durante toda a vida, pedindo-lhes que relembrassem com que frequência costumavam andar, praticar esportes, correr ou malhar. As perguntas se concentraram principalmente nos exercícios deliberados, mas também incluíram a atividade incidental, como tarefas domésticas ou jardinagem.

O questionário cobriu quase todos os aspectos da vida dos participantes, perguntando-lhes sobre sua adolescência, o início da idade adulta, entre 19 e 29 anos, a vida adulta propriamente dita, entre 30 e 40 anos, e por fim a última década, quando os voluntários teriam entre 40 e 61 anos.

No novo estudo, os pesquisadores reuniram as respostas de 315.059 homens e mulheres, a maioria dos quais havia completado o questionário 13 anos antes. Eles checaram as respostas e categorizaram as pessoas de acordo com sua rotina de exercícios, e se, e como, esta havia se alterado no decorrer da vida.

Alguns pesquisados disseram nunca ter interrompido seus exercícios habituais, dedicando tantas horas a eles quanto o faziam na adolescência.

Outros eram ativos na juventude, mas não deram continuação a isso na idade adulta, permanecendo sedentários na meia-idade. E alguns se exercitaram regularmente na adolescência e no início da idade adulta, pararam na faixa dos 30 anos, mas voltaram a se exercitar mais tarde na vida.

Por fim, os pesquisadores checaram o Índice Nacional de Óbitos, buscando mortes e suas causas entre os voluntários nos anos seguintes à sua participação no estudo, e compararam os riscos entre os diferentes grupos. (Houve também um controle de massa corporal, tabagismo e outros fatores de saúde.)

Sem surpresa, homens e mulheres que foram basicamente sedentários durante toda a vida tinham maior probabilidade de já terem morrido, em especial de doenças cardíacas.

Mas aqueles que sempre foram ativos, exercitando-se consistentemente algumas horas por semana, tinham entre 30 e 35% menos probabilidade de morrer de qualquer causa e cerca de 40% menos probabilidade de morrer de um ataque cardíaco que as pessoas consistentemente sedentárias.

E o mais inspirador: aqueles que pararam de se exercitar por uma década ou duas, mas retomaram a atividade em seus 40 ou 50 anos, exercitando-se algumas horas por semana, tinham a mesma proteção contra a morte prematura que os que sempre se exercitaram.

Por outro lado, quem era ativo na adolescência e no início da idade adulta, mas se tornou sedentário na meia-idade, pareceu perder todos os benefícios da longevidade. A probabilidade de morte era igual à dos sempre inativos.

Claro, esse estudo depende da memória das pessoas em relação a suas atividades, o que em geral é pouco confiável. É também observacional e pode nos dizer que o exercício na meia-idade está associado a uma vida mais longa, mas não que se exercitar prolongue a vida. Outros fatores provavelmente estão envolvidos, incluindo dieta, situação financeira, peso, genética e saúde em geral.

Mesmo assim, a mensagem tem dois lados, disse Pedro Saint-Maurice, pós-doutorando do Instituto Nacional do Câncer, que conduziu o estudo com Charles Matthews e outros.

"Se você é ativo hoje, continue assim, independentemente de sua idade", disse ele. "E, se recentemente você tem estado sedentário, parece não ser tarde, mesmo na meia-idade, para começar a se exercitar e colher os benefícios da longevidade."

 


10 dicas que combatem a insônia e ajudam a dormir melhor

Dormir é relaxante e ainda faz bem para a saúde. Tem coisa melhor? Tem sim, saber que ele ainda ajuda a viver mais. Um estudo realizado pela American Academy of Sleep Medicine provou que dormir bem é um dos segredos para a longevidade.

Porém, para algumas pessoas, uma boa noite de sono não é conquistada tão facilmente. A insônia pode ser decorrente de problemas de saúde. "O problema pode ser decorrente de transtorno ansioso, quadro depressivo, problemas neurológicos como a síndrome das pernas inquietas, apneia do sono ou mesmo um transtorno chamado de movimentos periódicos do sono, entre outros", enumera Stella Tavares, neurofisiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Mas, antes de pensar que o problema é de saúde, vale cogitar: será que você está tendo hábitos saudáveis antes de dormir? "Alguns costumes como uso excessivo de computadores, alimentação pesada antes de dormir e situações de tensão podem sim prejudicar o sono", lista Daniel Inoue, médico especialista em Medicina do Sono do Hospital Santa Cruz de São Paulo.

Para resolver o problema nesses casos, listamos alguns cuidados que podem ajudar a melhorar a qualidade do seu sono. Mas se nada disso funcionar, vale então procurar um médico.

1 - Escolha o melhor travesseiro

Ao pensar em um bom travesseiro, é importante sempre levar em conta a posição em que você dorme. "Ao deitar-se de lado, é importante que ele seja mais alto, para que o pescoço fique alinhado com resto da coluna. Agora, se você deita de barriga para cima, o ideal é usar um travesseiro mais baixo, para que a cabeça não fique muito acima", considera o ortopedista Cássio Trevizani, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Agora, se sua posição favorita é de bruços, o ideal é não usar travesseiro nenhum. Porém, essas regras se invalidam caso você tenha algum problema específico de saúde. "No caso de doenças associadas como o refluxo gastroesofágico e também algumas cardiopatias, a recomendação por travesseiros mais altos é feita", recomenda Daniel Inoue, médico especialista em Medicina do Sono do Hospital Santa Cruz de São Paulo.

Quanto ao material, vale escolher o que você preferir. Alguns conservam suas características por mais tempo, como o de viscoelástico, por exemplo. Mesmo assim, sempre que você perceber que o travesseiro está ficando mais baixo, o ideal é comprar outro. "A troca deve ser feita quando apresentarem deformidades ou algum tipo de incômodo para a pessoa dormir", alerta Inoue.

2 - Colchão também é importante

Tão essencial quanto o apoio para a cabeça é a base em que ficará o resto do corpo. Por isso mesmo o colchão é um item fundamental para um sono de qualidade. "É sempre importante pensar que a sua coluna deve estar alinhada ao se deitar", pondera o ortopedista Trevizani.

"Do ponto de vista prático, existem os modelos ortopédicos, com maior resistência e densidade, que normalmente são feitos com molas e com espuma de viscosidade mais alta", finaliza.

A regra principal, no entanto, é que ele seja confortável e que ao acordar você não sinta dores no corpo. E se com o tempo você começar a acordar com desconfortos, talvez já seja hora de trocar.

3 - Bebidas que ajudam

O conselho da vovó de beber um chá pode muito bem estar certo. "Chás calmantes como a camomila, erva doce e cidreira contribuem para dormir melhor, pois ajudam no relaxamento", considera o médico do sono Daniel Inoue.

O leite morno pode ser uma pedida também, por conter triptofano, um aminoácido precursor da serotonina, mesmo que em quantidades pequenas. Uma boa dica para potencializar essas bebidas é incluir o mel.

Alguns tipos desse doce, como o silvestre, o de flor de laranjeira e o assa-peixe tem propriedades calmantes e ajudam corpo e mente a relaxarem, de acordo com a nutricionista Thais Souza, da Rede Mundo Verde.

4 - Reduza a ansiedade

Quando a insônia bater por ansiedade, você pode usar algumas técnicas para reduzi-las. Experimente algo que você sabe que costuma relaxar vocês. Por exemplo, para pessoas mais tranquilas e que já tenham feito ioga, por exemplo, experimentar uma mentalização pode ser uma boa pedida.

"Mas se você não está acostumado, isso pode piorar sua ansiedade em querer dormir logo", considera a neurofisiologista Stella. Melhorar a respiração, fazendo exercícios de inspirar e expirar lentamente, também pode ser uma boa pedida, mas treine fazer isso acordado.

5 - Cuidado com o álcool

A qualidade do seu sono ao beber uma cerveja, vinho ou destilado não será das melhores. "Como ele relaxa a musculatura toda, inclusive do pescoço, ele deixa a via aérea aberta, o que favorece a apneia do sono, fazendo com que a pessoa durma de forma irregular ao longo da noite", explica Stella Tavares. Por isso podemos roncar mais quando bebemos.

6 - Associe a cama ao sono

"A cama deve ser restrita ao sono e as atividades sexuais", ressalta o médico do sono Inoue. Isso porque, quando seu cérebro entende que a cama é um local de dormir, fica mais fácil fazer com que o sono venha. Agora, se você costuma comer, usar o computador ou mesmo ler um livro na cama, a sonolência pode ser tornar mais difícil.

7 - Atente-se as cortinas

Ter uma cortina de boa qualidade pode não parecer, mas é tão importante quanto o colchão e o travesseiro. Isso porque a iluminação está diretamente relacionada com o sono, já que tudo isso é regido pelo ciclo circadiano, que leva em conta, entre outros fatores, o dia e a noite.

"Um dos hormônios ligado ao sono é a melatonina, e ela é melhor produzida quando estamos no escuro. A luminosidade alta interfere em sua liberação", ensina enumera Stella Tavares, neurofisiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

De acordo com a especialista, você pode até ter uma pequena luminosidade no quarto, até porque algumas pessoas não conseguem dormir sem ela. Mas quando a luz fica muito forte, o corpo sente como se não fosse o momento certo de adormecer. Além disso, a luz que entra de manhã pela janela favorece o despertar. Portanto, vale a pena ficar com as cortinas fechadas se você quer dormir um pouco mais.

8 - Cuidado com eletrônicos no quarto

Isso vale para o uso de objetos eletrônicos no quarto, que são muito estimulantes. "Assistir filmes, navegar pela internet, utilizar redes sociais ou mesmo jogos online, podem aumentar o grau de excitação e isso pode ser prejudicial ao sono", considera Inoue.

O ideal é que uma hora antes de dormir você se desconecte um pouco e relaxe. Para esse momento, vale diminuir a intensidade da luz, colocar uma música relaxante ou fazer uma leitura tranquila, nada que desperte muito a sua mente.

9 - Evite brigas no quarto

Não adianta limpar o ambiente apenas dos estímulos tecnológicos. Evitar brigas, estresse e discussões de problemas no quarto também é muito importante. "Em situações de tensão, encontramos aumento das catecolaminas, que são substâncias responsáveis pela excitação e responsáveis pelo aumento do nível de atenção", explica o médico do sono Inoue. Portanto, isso só vai dificultar que seu cérebro relaxe até o estado de subconsciência.

10 - Exercícios na hora certa

Além da luz, a temperatura corporal também ajuda a regular o sono: quando ela cai, ficamos mais sonolentos. Porém, quando fazemos atividades físicas, a tendência é que fiquemos mais quentes. "O ideal é não fazer exercícios à noite, pois isso acaba atrapalhando o sono", estatiza Stella. Mas, caso seja o único horário que você tem, o melhor é deixar para deitar-se até três horas depois.


Ataque súbito de sono é um dos sintomas da narcolepsia

A narcolepsia é um distúrbio que se caracteriza pela sonolência excessiva diurna, mesmo após noites bem dormidas; e ataques súbitos de sono, seja em pé, dirigindo ou mesmo trabalhando. A catalepsia, que é o enfraquecimento súbito e incontrolável de parte ou de todo o corpo após situações de emoção, pode também se manifestar. Além dela, alucinações e perdas dos movimentos, logo após acordar, também são sintomas.

Aproximadamente 3,3 milhões de pessoas no mundo, sendo 90 mil de nosso país, são portadoras deste problema. Nelas, não ocorrem as etapas anteriores ao sono REM, que é o pico da atividade cerebral e a etapa em que o sono é mais profundo. Como, além da perda de consciência, há a perda súbita do equilíbrio, este problema pode ser bastante perigoso.

Tais sintomas surgem, geralmente, na adolescência e persistem durante toda a vida; podendo, inclusive, ocorrer mais de uma vez por dia, com aproximadamente uma hora de duração. Situações monótonas e o uso de bebidas alcoólicas propiciam o quadro.

Suas causas não são bem esclarecidas, mas sabe-se que são multifatoriais; estão relacionadas ao ambiente e à falta de uma substância, denominada hipocretina, no cérebro; a ação dos neurotransmissores cerebrais é diferenciada; e pessoas com histórico familiar possuem cerca de 40% de chances de desenvolvê-la.

Como seus sintomas podem estar presentes em outros distúrbios do sono, ou mesmo em situações específicas da vida da pessoa, sendo somente a catalepsia a única característica própria deste problema; o diagnóstico desta doença nem sempre é dado nas primeiras consultas. Assim, em casos em que existem dúvidas, por parte do profissional da saúde, é necessário que o paciente faça, pelo menos, dois exames: a polissonografia, que é a análise de seu sono, a partir da observação noturna e uso de eletrodos; e o teste de latências múltiplas, em que a pessoa passa o dia no laboratório, cochilando com certa periodicidade, a fim de se analisar a sonolência diurna.

O tratamento é focalizado no controle dos sintomas, permitindo que o paciente tenha uma vida normal, sem correr grandes perigos e situações constrangedoras devido à doença. Além de tratamento com fármacos prescritos pelo médico, é necessário que a pessoa busque tirar cochilos voluntários durante o dia.


Falta de vitamina B12 não ocorre só em veganos: veja quem deve se preocupar

Independente da estação do ano, do exercício febre nas academias ou da dieta da moda entre os artistas, existe uma recomendação para ser saudável que nunca muda: estar em dia com as vitaminas do organismo. São nutrientes essenciais para o nosso corpo pois possuem funções bioquímicas, e atuam no metabolismo de carboidratos, minerais, lipídios e proteínas. Ou seja, dependemos delas para manter as funções corporais regulares.

Pouco conhecida pelo nome de cobalamina, a vitamina B12 é uma das que fazem a diferença na nossa saúde, e muitas vezes nem sabemos que a falta dela é a razão para sintomas como falta de concentração, dificuldades em manter a atenção e o foco, formigamento nas pernas e nas mãos e até problemas com o equilíbrio. Isso tudo acontece pois ela é necessária para a formação adequada de glóbulos vermelhos (responsáveis pelo transporte de oxigênio para os tecidos no nosso organismo), na síntese de DNA e na manutenção e desenvolvimento das células cerebrais e nervosas.

É um nutriente encontrado em alimentos de origem animal, como peixes, carne vermelha e de fígado, derivados do leite e ovos. Por causa disso, sua deficiência geralmente é atribuída a pessoas veganas ou vegetarianas, mas a falta da B12 está ligada a outros fatores, como idade avançada ou distúrbios gastrintestinais.

Para começo de conversa

Para saber os motivos que envolvem a deficiência da B12, é importante entender como ela funciona no nosso organismo. São vitaminas hidrossolúves (a absorção ocorre quando há presença de água) e suas ações estão diretamente ligadas à regulação do metabolismo celular. Após a ingestão de alimentos, a vitamina B12 chega ao estômago combinada com proteínas e depende do ácido clorídrico e de enzimas presentes no suco gástrico para retornar à sua forma livre. Depois disso, as células da parede do estômago secretam uma glicoproteína indispensável para sua absorção, chamada "fator intrínseco".

Por estar combinada com essa proteína, a vitamina B12 resiste à ação de enzimas presentes no intestino, até chegar no íleo (a última porção do intestino delgado), onde é absorvida. Portanto, é um processo que depende do bom funcionamento do estômago, pâncreas e íleo, e por isso que alterações no sistema digestivo podem se relacionar com a falta da B12.

A partir disso, é possível detalhar quais os grupos de risco mais propensos a ter deficiência da vitamina no organismo.

Pessoas com problemas gastrintestinais devem ficar alertas

Alguns fatores podem colaborar com a falta de vitamina B12. Um deles é o uso prolongado de medicamentos que suprimem o ácido estomacal, indicados para quem sofre de doenças como refluxo gastroesofágico ou úlcera péptica. São remédios como inibidores da bomba de prótons, bloqueadores de H2 e outros antiácidos, que retardam a liberação ou diminuem a produção de ácido estomacal, responsável por fazer com a B12 seja liberada em sua forma utilizável no estômago.

Outra doença que também pode estar relacionada é a gastrite crônica atrófica, quando os anticorpos atacam o revestimento do estômago, provocando a diminuição ou extinção das enzimas gástricas. Ao prejudicar a absorção de vitamina B12, pode levar ao quadro conhecido como anemia perniciosa.

Indivíduos com distúrbios do estômago e do intestino delgado, como doença celíaca e doença de Crohn, também podem não conseguir absorver vitamina B12 suficiente dos alimentos para manter reservas saudáveis no corpo.

Aqueles que realizaram intervenções cirúrgicas também

Todos aqueles que realizaram procedimentos gastrintestinais, como cirurgia para redução de peso (bariátrica) ou para remover todo ou parte do estômago, geralmente perdem células que secretam ácido clorídrico e fator intrínseco, afetando a absorção da B12.

A remoção cirúrgica do íleo distal também pode resultar na mesma incapacidade. Indivíduos submetidos a esses procedimentos cirúrgicos devem ser monitorados no pré e pós-operatórios quanto a várias deficiências nutricionais, incluindo de vitamina B12.

Quem já passou dos 50 anos

A deficiência de vitamina B12 em pessoas com mais de 50 anos tem a ver com o desenvolvimento progressivo de atrofia gástrica de origem genética, que é a redução da acidez no estômago conforme a idade, o que acarreta falha na liberação da vitamina, resultando em redução na absorção.

O Instituto de Medicina dos EUA (Food and Nutrition Board) recomenda suplementação de B12 em todos os indivíduos (que comem ou não carne) acima dos 50 anos de idade.

Esse quadro também é comum em idosos institucionalizados, o que tem relação com a ingestão alimentar. Vale destacar que é um fator importante na avaliação clínica dos pacientes nessa idade, já que o diagnóstico precoce pode evitar distúrbios neurológicos e hematológicos.

Veganos e vegetarianos

Em relação às escolhas alimentares, pessoas que não comem carne, peixe, aves, ovos ou laticínios correm o risco de se tornarem deficientes em vitamina B12, uma vez que é encontrada naturalmente em produtos de origem animal. Mas como cada organismo tem sua especificidade, essa é uma variável que depende do processo de digestão e da demanda corporal do indivíduo.

Por esse motivo, aqueles que seguem uma dieta vegetariana ou vegana devem ficar atentos com a possibilidade de repor a vitamina. De acordo com especialistas, as necessidades diárias variam entre 0,4 mcg/dia a 2,8 mcg/dia (de acordo com sexo e idade).

Mulheres que tomam anticoncepcional

Algumas pesquisas apontam para uma possível ligação entre baixas concentrações de vitaminas B6, B9 e B12, principalmente esta última, em mulheres fazendo uso de contraceptivos orais durante períodos prolongados. A hipótese é de que o estrogênio na fórmula seria a razão da absorção prejudicada. No entanto, este resultado nem sempre está associado a concentrações significativamente mais altas de outros marcadores associados com o comprometimento do estado da cobalamina, o que pode sugerir uma redistribuição em vez da perda da B12 intracelular.

Sintomas da deficiência

Por ser essencial para a integridade dos sistemas nervosos central e periférico, e participar da formação das hemácias, a falta da vitamina B12 pode provocar alterações hematológicas ou neurológicas. Como são sintomas considerados subjetivos, facilmente acabam atribuídos a outras causas, como estresse e falta de sono. Assim, é importante ficar atento a duração e intensidade dos sinais.

- Alterações hematológicas: decorrentes da interferência na produção dos glóbulos vermelhos necessários para fornecer oxigênio para todo o corpo. Com isso, é muito comum sentir sintomas como falta de ar, fraqueza, vertigem, tontura e zumbido.

O prejuízo na absorção de vitamina B12 pode ocasionar a anemia perniciosa, derivada de um mecanismo autoimune em que a própria resposta imunológica destrói as células parietais do estômago. Como consequência, ocorre perda do fator intrínseco necessário para a ligação com a vitamina B12 ingerida.

- Alterações neurológicas: a vitamina B12 é fundamental na manutenção da bainha de mielina, que recobre os nervos. Sem ela, ocorre um desgaste que recebe o nome de desmielinização, processo que afeta a condução de sinais nos nervos, causando prejuízos na sensação, movimento, cognição e outras funções. Isso provoca formigamento nas mãos e pés, depressão, confusão mental e perda de memória.

- Sintomas adicionais de deficiência de vitamina B12: aqui entram sinais como dificuldade em manter o equilíbrio, depressão, falta de concentração e desorientação. Os sintomas neurológicos da deficiência de vitamina B12 podem ocorrer sem anemia; portanto, o diagnóstico e intervenção precoces são importantes para evitar danos irreversíveis.

Como confirmar se estou com deficiência de B12?

Por mais contraditório que pareça, medir a vitamina B12 não é a melhor maneira de detectar a falta do nutriente no organismo, pois algumas pessoas com deficiência podem mostrar níveis normais de B12 no sangue.

A melhor forma de avaliar a dosagem da vitamina B12 é medindo os níveis no organismo de uma substância chamada ácido metilmalônico e e homocisteína, ambos os substratos das duas enzimas dependentes de cobalamina, que permite avaliar a deficiência da vitamina intracelular. No entanto, esse exame é extremamente caro.

Assim, outras informações podem auxiliar na avaliação do nível da vitamina B12 como hemograma completo, B12 sérica, holotranscobalamina (haptocorrina) e homocisteína. Para avaliar a deficiência de vitamina B12 também é possível usar o teste de Schilling, realizado para determinar problemas na absorção da vitamina relacionados à insuficiência de fator intrínseco.

Fontes: Adriane Moreira Machado, professora do departamento de nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais); Ana Paula Barrére, nutricionista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Eric Slywitch, médico e docente do curso de especialização do GANEP (Grupo de Nutrição Humana); Maria Fernanda Vischi D´Ottavio, nutricionista do Clinic Check-up do HCor (Hospital do Coração).


Carne de laboratório em breve nos supermercados?

A carne produzida com células de gado pode ter enormes implicações para o planeta, a saúde humana e o bem-estar animal. Será que, após anos restrita a laboratórios, ela finalmente entrará para o mercado consumidor? Entre as diversas maneiras para reduzir a pegada carbônica humana, costuma-se sugerir segundas-feiras sem carne ou vegetarianismo. Mas, se a questão é renunciar ao consumo de animais, uma alternativa se anuncia, à medida que se torna mais viável a comercialização de carne cultivada em laboratório.

Em dezembro de 2018, a empresa Aleph Farms, sediada em Israel, apresentou ao mundo o primeiro bife criado em laboratório. Ao produzir o fino pedaço de carne, a empresa conseguiu superar um dos maiores desafios enfrentados por essa jovem indústria: o cultivo em laboratório de um produto cárneo que integre os tecidos muscular e adiposo.

"A carne é um tecido complexo, não apenas um aglomerado de células", disse Didier Toubia, cofundador e diretor executivo da Aleph Farms. "São vários tipos de células interagindo entre si para formar uma estrutura tridimensional muito específica."

Nos Estados Unidos, alguns meses antes, a Food and Drug Administration e o Departamento de Agricultura anunciaram que "supervisionariam conjuntamente a produção de produtos alimentícios cultivados a partir de células derivadas de gado e aves" --um sinal de que a comercialização dessas carnes pode não estar muito distante.

Mas qual é a possibilidade realista de que a humanidade vá substituir as proteínas animais diárias por carne cultivada em placas de Petri? A carne in vitro vem sendo pesquisada há anos, desde que a Nasa começou a estudar o cultivo de frutos do mar e carnes no início dos anos 2000.

A primeira produção bem-sucedida, porém, foi um hambúrguer feito num laboratório holandês na Universidade de Maastricht a partir de células-tronco extraídas do pescoço de uma vaca. Ser o primeiro a cultivar carne sintética não saiu barato: o hambúrguer custou mais de 300 mil dólares.

Por sua vez, o bifinho da Aleph Farms custa 50 dólares para ser produzido. atualmente, pelo menos seis empresas estão trabalhando numa variedade de carnes "cultivadas", desde salsicha de porco a foie gras e nuggets de frango.

Benjamina Bollag, diretora executiva e cofundadora de uma dessas empresas, a Higher Steaks, prevê que em 2019 a maioria das firmas que trabalham nesse espaço focarão no aperfeiçoamento de seus produtos e na redução dos preços.

"Acho que realmente veremos mais gente se direcionando para a pequena escala e talvez mirando um restaurante com que trabalhar", comentou à DW. "Ou veremos os primeiros requerimentos de regulamentação nos diversos países."

Melhor para o meio ambiente?

Com perspectivas de um aumento de 70% do consumo global de carne, nas próximas três décadas, e de uma população do planeta de 9,6 bilhões em 2050, as carnes cultivadas em laboratório poderiam ajudar a compensar os custos ambientais.

A pecuária responde por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa ligadas à atividade humana, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A carne bovina representa o maior emissor desse setor, que também ocupa a maioria das terras agrícolas, tanto para o pastoreio como para as culturas a serem usadas como ração.

Embora o cultivo de carne em laboratório consuma muita energia, um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta quinta-feira (03/01) sugere que "à medida que os processos de produção amadurecem e a produção aumenta, alavancando o fornecimento de energia renovável e delimitando a produção nas cidades", os benefícios ambientais da carne cultivada em laboratório podem ser significativamente intensificados.

No entanto, não é unânime a noção de que a carne in vitro vá realmente reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Carolyn Mattick, bolsista de Política de Ciência e Tecnologia da Associação Americana para o Avanço da Ciência, ressalta a grande incerteza em torno dos impactos ambientais dos processos de fabricação atuais e futuros.

"Até que sejam realizadas análises de ciclo de vida de alta qualidade, revisadas pela comunidade científica, sobre práticas de produção específicas, realmente não podemos quantificar os impactos ambientais de produtos à base de células ou compará-los com o da criação de animais."

Melhor para os humanos?

Uma da grandes promessas da proteína animal in vitro é a redução do número de casos de doenças como salmonela, Escherichia coli e síndrome vaca louca. Quando a carne é cultivada em laboratório, o risco de contaminação bacteriana é reduzido extremamente, ou até completamente.

A carne à base de células tampouco exigiria o uso de antibióticos e hormônios de que os produtores industriais de gado atualmente dependem. "Acreditamos que seja uma coisa realmente importante", aponta Toubia. "Essas são vantagens de que não se fala."

Além desses benefícios concretos à saúde, as empresas podem ajustar certos fatores da carne, como o teor geral de sal ou a proporção de gordura saturada e insaturada.

"O aspecto que de fato mais depende do que o consumidor quer, é fazer carne mais saudável", diz Benjamina Bollag. "Então substituindo a gordura, acrescentando diferentes vitaminas, pode-se adicionar muitas coisas. É possível substituir as gorduras saturadas por ômega 3."

De acordo com Toubia, a textura realista e o cheiro do bife da Aleph Farms são promissores para o futuro da carne cultivada em laboratório. Neste ano, a companhia planeja trabalhar no aumento do tamanho dos cortes, melhorando um pouco o sabor e reduzindo custos.

"Ainda temos pelo menos dois anos de desenvolvimento até chegarmos a um produto comercial, e depois provavelmente mais dois para transferi-lo à produção e ampliá-lo até as quantidades maiores necessárias à atividade comercial", enumera o diretor da Aleph Farms.

Só aí o produto estaria pronto para as prateleiras dos supermercados. Portanto, embora as perspectivas de ver peito de frango e almôndegas de laboratório na mercearia local possam ser atraentes, é ainda cedo demais para programar o próximo churrasco in vitro.


Dá para emagrecer sem recorrer a extremismos nutricionais

O sobrepeso e a obesidade são condições que vêm afetando grande parte da população. E esse excesso de gordura corporal acarreta diversas alterações que comprometem o nosso estado de saúde. Na busca pelo emagrecimento, há quem aposte as fichas em dietas milagrosas e restritivas. Mas está comprovado que elas não se sustentam em longo prazo. Por isso, o resultado obtido não é mantido por muito tempo. A solução? Preferir uma reeducação alimentar. E ela pode começar com alguns passos simples e muito importantes. Vamos conhecê-los?

  1. Procure um profissional capacitado

Um nutricionista irá avaliar suas necessidades nutricionais e traçar um plano alimentar adequado para você. Pode parecer clichê, mas esse é o melhor ponto de partida para o emagrecimento.

  1. Estipule metas próprias

Além dos compromissos assumidos com seu nutricionista, trace objetivos com você mesmo para aumentar a adesão e potencializar os resultados. Sabe aquela famosa promessa de entrar em uma roupa que não servia? Faça o teste!

  1. Organize os alimentos em casa e fora de casa

A geladeira e a despensa devem estar sempre muito organizadas, com frutas, legumes e verduras frescos. Para não cair em tentação sempre, evite ter guloseimas e itens ultraprocessados dentro do armário. No restaurante, nada muda: opte por aqueles alimentos que estão dentro do cardápio proposto pelo nutricionista.

  1. Não fique sem comer

Fracionar as refeições em pequenas quantidades ao longo do dia é uma saída para que você não sinta tanta fome entre uma refeição e outra.

  1. Faça exercícios sempre

A prática esportiva é essencial para o emagrecimento saudável e eficaz. Por isso, o hábito não deve ser deixado de lado. Escolha o esporte ou a atividade que mais agrade e faça quantas vezes conseguir na semana.

  1. Durma de 7 a 8 horas por dia

O descanso é fundamental para equilibrar o metabolismo e deve ser primordial na sua rotina. Acredite: a perda de peso depende do reestabelecimento das reações do corpo durante o sono.

Para eliminação de gordura abdominal

Algumas estratégias alimentares merecem destaque quando falamos especificamente em reduzir a gordura nessa região. Veja:

  1. Controle o índice glicêmico da dieta com algumas substituições

Primeiro, é importante entender o que é o índice glicêmico. Bem, trata-se de uma escala de 0 a 100 que classifica os alimentos de acordo com a velocidade com que liberam níveis de açúcar no sangue. Esse processo aumenta a produção de insulina e a liberação de cortisol, o hormônio do estresse, que contribui para o acúmulo de gordura. Por isso, é essencial que façamos algumas substituições, priorizando itens que não causem pico rápido de açúcar na circulação. Alguns exemplos de medidas bem-vindas:

– Aumentar a ingestão de alimentos integrais. Prefira o pão com alto teor de farinha integral, por exemplo – sempre avaliando os rótulos, claro. Esses alimentos têm fibras, que desaceleram a liberação de açúcar na corrente sanguínea.

– Ingerir hortaliças e legumes nas grandes refeições. Também são redutos de fibras.

– Adicione fontes de fibras (olha elas de novo!), proteínas e gorduras saudáveis em alimentos que possuem o índice glicêmico alto, como tapioca, arroz branco e batata. Sugestão: polvilhe semente de linhaça na tapioca e faça ovos mexidos para o recheio. Outra dica é associar legumes ao arroz branco.

  1. Combine exercícios no dia a dia

Estudos mostram que aliar uma atividade aeróbica a exercícios de resistência é mais eficaz para reduzir gordura abdominal. Na prática, altere dias de corrida e caminhada com treinos de musculação e treinos funcionais.

  1. Invista em especiarias, ervas e frutas vermelhas

Uma coisa que dá para usar sem medo na preparação dos alimentos são especiarias naturais e ervas, como açafrão, pimenta, hortelã, orégano e alecrim. Os compostos bioativos presentes nesses temperos melhoram as reações energéticas do corpo e contribuem para a queima de gordura de forma saudável.

As frutas vermelhas também merecem destaque, visto que fornecem antocianinas, moléculas ativas com alto poder antioxidante e anti-inflamatório. Elas favorecem o equilíbrio celular e a redução do processo inflamatório característico do excesso de gordura no corpo.

Se bater um desânimo no meio do caminho, lembre-se: alcançar o peso adequado e equilibrar os hábitos diários são essenciais não só para aparência física, mas também para promover saúde e prevenir doenças que comprometem a qualidade de vida.