Estudo prova que sono regular mantém saúde

A privação do sono pode causar estresse, aumento de peso, pressão alta, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Muito mais saudável, apontam pesquisas, é ir para a cama e levantar todos os dias no mesmo horário.

Um estudo realizado por pesquisadores da Duke University Medical Center, em Durham, Carolina do Norte (EUA), descobriu que ter uma hora fixa para ir para a cama beneficia não apenas crianças, mas também adultos.

Os pesquisadores analisaram os padrões de sono de quase 2 mil adultos. Ao longo de sete dias, os participantes usaram dispositivos de rastreamento do sono, além de relatarem suas experiências em diários.

Os resultados mostraram que ter um horário regular para ir para a cama mantém o coração e o metabolismo saudáveis. Pessoas que foram dormir em horários irregulares eram mais propensas a sobrepeso, altos níveis de açúcar no sangue e pressão alta. Para essas pessoas também aumentaram os riscos de ataque cardíaco ou derrame em relação às com condições regulares de sono.

Os pesquisadores acreditam que o sono, a saúde do coração e o metabolismo se influenciem mutuamente, mas eles não têm certeza se a falta de sono causa ganho de peso, por exemplo, ou se é o contrário.

"Com mais pesquisas, esperamos entender o que acontece biologicamente, e talvez possamos dizer o que vem primeiro – o ovo ou a galinha", diz Jessica Lunsford-Avery, principal autora do estudo.


Investir no detox melhora o funcionamento do organismo e emagrece

Você tem a sensação de estar constantemente irritada, cansada, inchada e sofre com dores de cabeça com frequência? Isso pode ser um sinal de que seu organismo está intoxicado. A exposição à poluição, a agrotóxicos e o consumo de alimentos industrializados, ricos em gorduras ou em açúcar podem ser os responsáveis por esse incômodo. Investir no detox é a solução para mandar esse problema embora, desinchar e, de quebra, perder peso. Confira como esse tipo de dieta funciona e o que você pode incluir no cardápio para eliminar as substâncias nocivas.

Explicando

O organismo possui mecanismos próprios para eliminar as toxinas, porém, às vezes, ele precisa de um empurrãozinho para intensificar o processo. “Todas as células do corpo são capazes de realizar a desintoxicação, mas existe um órgão primordial com esta finalidade: o fígado. Para ele e todas as outras células funcionarem bem é preciso ter nutrientes específicos envolvidos”, explica a nutricionista Ingrid Bigotto, da OligoFlora. Assim, para auxiliar esse procedimento, é preciso evitar os alimentos responsáveis pela produção dessas substâncias nocivas e aderir aos que auxiliam na eliminação delas.

Escolhas certas

Para livrar o corpo dos elementos tóxicos e mandar embora aquelas quilinhos indesejados é preciso fazer escolhas conscientes na hora das refeições. Reduzir o consumo de carnes vermelhas, leite e derivados e alimentos processados e que contém glúten, por exemplo, é um passo importante para a eficácia dessa dieta. Além disso, deve-se incluir no cardápio frutas, legumes, verduras, sucos naturais e chás, como o de carqueja, o de boldo e o verde, que auxiliam na purificação do organismo.

Entendendo

O leite e os seus derivados e o glúten são constantemente colocados como vilões de uma dieta equilibrada. Mas você sabe por quê? “Ao longo dos anos nosso corpo diminui a produção da enzima lactase, responsável por digerir a lactose, açúcar presente no leite. Isso acarreta em desconfortos, como distensão abdominal, gases e alterações no funcionamento intestinal”, explica a nutricionista Aritiane Silva, do Instituto Prevenção Personalizada. Já o glúten é uma proteína de difícil digestão e “o excesso dela acaba ‘irritando’ a mucosa e atrapalhando a digestão, gerando os mesmos desconfortos”, acrescenta a nutricionista.


O que é gordura insaturada e onde encontrar nos alimentos?

As versões desse nutriente chegam a ser chamadas de "gorduras boas", mas, em excesso, trazem prejuízos. Saiba quanto consumir e quais as principais fontes

o que é gordura insaturada

A gordura insaturada pode ser dividida em duas versões: a poli-insaturada e a monoinsaturada. Elas são verdadeiras vedetes no mundo dos lipídios – inclusive, receberam o apelido de “gorduras boas”. Mas o que são e o que, de fato, fazem pela saúde?

O médico Fernando Costa, diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, confirma que trocar o excesso de gordura saturada por elas é uma boa estratégia, mas pondera: “Exagerar nas insaturadas leva ao ganho de peso. E engordar não previne doenças“.

 

Segundo a nutricionista Valéria Arruda Machado, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, estudos já mostraram que substituir 5% do excedente de saturada pelo mesmo teor de poli-insaturadas reduz em 10% o risco de problemas cardíacos.

Aproveitando, cabe diferenciar: entre as poli, temos os ômegas-3 e 6. O primeiro, com ação anti-inflamatória, é menos consumido, já que está em peixes de água fria e na linhaça. O segundo, por sua vez, é figurinha certa na mesa do brasileiro (achamos em óleos vegetais, especialmente os de milho e girassol).

“Só que seu excesso provoca inflamação”, ensina Dennys Cintra. E, aí, quem sofre são os vasos sanguíneos. Para o nutricionista, mais crucial do que se encher de ômega-3, é pegar leve no ômega-6.

Até porque, sentimos informar, o abuso também faz o ômega-3 tornar-se pró-inflamatório. Por isso, para evitar chabus, priorize sempre a comida em vez de cápsulas. O ideal é ingerir 1,3 grama desse nutriente diariamente.

Por último, mas não menos importante, há a gordura monoinsaturada, cujo ícone é o ômega-9. “Ele é fundamental como protetor cardiovascular”, afirma a nutricionista Roberta Cassani.

 

Até 20% das calorias diárias devem vir dessa versão. Em uma dieta de 2 mil calorias, isso equivale a 44 gramas. Confira os alimentos ricos nela:

Amendoim torrado (2 colheres de sopa) – 8,7 g

Azeite de oliva extravirgem (1 colher de sopa) – 7,5 g

Abacate (3 colheres de sopa cheias) – 4,3 g

Gergelim (1 colher de sopa cheia) – 3,9 g

Amêndoas (5 unidades) – 3,2 g

Polpa de açaí congelada (1 unidade de 100 g) – 2 g

Creme vegetal (1 colher de sopa) – 1,4 g

Gordura poli-insaturada

 

De 6 a 10% das calorias diárias devem vir dessa versão. Em uma dieta de 2 mil calorias, isso equivale a 22 gramas. Confira os alimentos ricos nela:

 

Nozes (1 punhado de 30 g) – 13,2 g

Sardinha (100 g da conserva em óleo) – 11,9 g

Óleo de soja (1 colher de sopa) – 6 g

Salmão (1 posta de 100 g do filé grelhado) – 5 g

Semente de linhaça (1 colher de sopa) – 2,5 g

Castanha-do-pará (2 unidades) – 2,1 g


Transtorno de Personalidade Borderline: o que é e como controlar

Estima-se que 6% da população mundial sofra do transtorno de personalidade borderline (TPB), uma doença caracterizada pela intensa instabilidade emocional. Se por um lado não há estatísticas sobre sua prevalência no Brasil, por outro aproximadamente 10% dos pacientes diagnosticados no nosso país cometem suicídio, segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

A fim de evitar consequências tão graves, é importante conhecer o problema. Para saber quais são os sintomas, as causas e o tratamento, explica  o psiquiatra da Clínica Nutrindo Ideais, Higor Caldato, do Rio de Janeiro.

Quais são os sintomas do transtorno de personalidade borderline?

Além da oscilação de emoções, o TPB é marcado por impulsividade, irritação diante de respostas negativas, dificuldade no controle da raiva e idealização extrema.

“Geralmente, os pacientes fazem um esforço desesperado para evitar o abandono, que pode ou não ser real. Eles sentem dificuldade em se relacionar por não saberem lidar com essas emoções”, afirma Caldato, associado da ABP.

A impulsividade, aliás, afeta diversas áreas da vida. “Eles passam a gastar muito dinheiro, usam drogas ou álcool ou desenvolvem compulsão alimentar como uma forma de aliviar o sofrimento”, exemplifica.

Em casos mais graves, a integridade física é colocada em risco. Pode-se chegar ao ponto automutilação e até suicídio.

Quais são as causas?

O fator genético é o principal motivo. “Quem tem parentes de primeiro grau com o distúrbio é cinco vezes mais propenso a desenvolvê-lo”, informa Caldato.

Entretanto, o contexto em que esse indivíduo vive também faz a diferença. A falta de suporte social pode desencadear o transtorno de personalidade borderline.

“É comum que a depressão ou ansiedade estejam associadas. Cerca de 10% dos pacientes que procuram o consultório por essas razões são diagnosticados com o borderline”, acrescenta o psiquiatra.

Quais as pessoas mais afetadas?

O problema atinge mais as mulheres e a população jovem.

Como é o diagnóstico e o tratamento?

O quadro sempre deve ser fechado pelo psiquiatra. “A suspeita mais comum do transtorno de personalidade borderline é a presença de compulsão alimentar, depressão ou ansiedade”, explica Caldato.

Já no tratamento, o acompanhamento de um psicólogo é primordial. “Por meio da psicoterapia, cria-se maturidade emocional. Trabalhamos para que o paciente consiga lidar com os sentimentos e as frustrações”, aponta o especialista.

Aliado a isso, remédios entram frequentemente em cena. O médico os prescreve para controlar a raiva e a agressividade, além de conter doenças associadas – como a já mencionada depressão.

O que fazer durante uma crise?

Nesse momento, a raiva e a impulsividade se sobressaem. Aí, é necessário ter apoio dos amigos e familiares.

Eles precisam acolher, ser compreensivos e incentivar a procura de ajuda profissional quanto antes. Dessa maneira, o paciente aprenderá a lidar com as crises e evitar que novas aconteçam.

“Numa emergência, a pessoa se sente desamparada. Ao conversar sobre o que está sentindo, a ansiedade é controlada”, afirma o psiquiatra.

A diferença entre o borderline e o transtorno bipolar

Não, essas doenças não são a mesma coisa. “A bipolaridade não é um transtorno de personalidade, e sim de humor”, esclarece o Caldato.

O paciente bipolar passa por episódios de 20 a 30 dias em depressão significativa. Após um tempo, ele melhora e tem um período de euforia. Esses comportamentos vão se intercalando, podendo cada um durar meses.

Já no caso do sujeito borderline, a oscilação de personalidade às vezes ocorre várias vezes durante o mesmo dia.


Fibrose cística: você pode não conhecer a doença, mas já viu os sintomas

Tosse que não passa, suor mais salgado que o normal, pneumonia de repetição, diarreia e dificuldade para ganhar peso e estatura. Sabia que, se esses sintomas aparecerem com frequência, podem indicar fibrose cística? Só que o diagnóstico dessa doença é como um quebra-cabeça: se você não conhecer a imagem que ele vai formar no final, certamente sua montagem será mais difícil e demorada.

Até meus 23 anos de idade, eu não fazia ideia de que todos os problemas de saúde que tinha estavam interligados e significavam algo bem maior. Em média, eram cinco pneumonias por ano, além de incontáveis acessos de tosse e infecções respiratórias.

Aos 18 anos, precisei tirar duas partes do pulmão direito. Também removi a vesícula, totalmente tomada por cálculos, e parte do meu pâncreas parou de funcionar. Enfim, foram muitos problemas graves por falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Cabe ressaltar que, quando nasci, o teste do pezinho ainda não englobava a identificação da fibrose cística pelo SUS. Por isso, não passei por uma primeira triagem para detectar a doença.

Ao receber o diagnóstico, a primeira sensação foi de “luz no fim do túnel”, apesar do medo e da complexidade do tratamento. E tudo melhorou quando associei essa descoberta a um sonho que havia tido durante uma internação para tratar uma grave pneumonia no mês anterior.

Sonhei que havia fundado um grupo para ajudar gente com problemas respiratórios. Quando fui diagnosticada com a fibrose cística, juntei esse sonho à minha formação em Psicologia, à experiência em projetos e à sensação de que haviam inúmeras pessoas no Brasil passando pela mesma situação que eu. Ou que já não estavam mais aqui por falta de diagnóstico e tratamento.

Nascia aí o Unidos pela Vida, que hoje é o Instituto Brasileiro de Atenção à Fibrose Cística. O foco inicial foi tornar a doença conhecida no Brasil, de modo que pudéssemos contribuir para a busca de diagnóstico precoce e tratamento adequado. Hoje, coordenamos nacionalmente projetos ligados a comunicação, suporte, educação, pesquisa, incentivo à atividade física, desenvolvimento de outras organizações sociais e políticas públicas.

Um desses projetos é o Setembro Roxo – Mês Nacional de Conscientização da Fibrose Cística. O mês foi o escolhido porque, no dia 5, assinala-se a passagem do dia nacional de conscientização da doença, e, no 8, o dia mundial. Durante todo o mês, desenvolvemos inúmeras atividades presenciais (em 2018, são mais de 40 eventos em 36 cidades), além de centenas de ações online.

A novidade no tratamento da fibrose cística é a aprovação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de novos medicamentos considerados “inovadores”, que ainda melhoram a qualidade de vida dos pacientes. O Orkambi foi aprovado em julho deste ano e o Kalydeco, no dia 3 de setembro. Não há nada parecido com esses remédios no mercado e, antes deles, a estratégia se resumia apenas a controlar os efeitos da doença.

Nosso trabalho é nos manter atento às novas técnicas e tudo o que precisa ser melhorado no tratamento. Acreditamos que a fibrose cística é parte do que somos, não o limite do que podemos ser. Com diagnóstico precoce e tratamento correto, o paciente tem mais chances de alcançar uma vida praticamente normal. Ele vai poder trabalhar, casar, construir uma família e viver da melhor maneira possível.


Para ganhar músculos na academia, quanto mais proteína melhor?

Reza a lenda que Milo de Croton, um dos lutadores olímpicos mais famosos da Grécia Antiga, teria consumido, em um único dia, 9 quilos de carne e mais 9 quilos de pão. Seriam refeições fartas como essa, aliás, um dos segredos do atleta para ter mais força do que seus oponentes. Mas e aí: quanto mais proteína na dieta, melhor para ganhar músculos?

Os mitos gregos que me perdoem, mas não é bem assim que a coisa funciona. Sim, quando treinamos com cargas elevadas, visando a hipertrofia, a demanda de proteína se eleva. Agora, cabe aqui um ajuste na dose.

A comparação que podemos fazer é com um carro. Digamos que ele comporta 2 litros de água no limpador de para-brisa, 5 litros de óleo no motor e 50 litros de combustível no tanque. Adianta então colocar 7 litros de óleo? Não, principalmente se você deixar faltar gasolina e água. O excesso não será aproveitado e pode até causar estragos – imagine acochambrar os dois litros restantes de óleo no reservatório do limpador de para-brisa.

No nosso organismo, a coisa é semelhante. O consumo de proteína acima de valores já balizados cientificamente leva a efeitos contrários aos desejados. Um deles, que descrevemos recentemente em um artigo, é a mudança nas colônias de bactérias intestinais, promovendo o crescimento de populações com grande afinidade à proteína. Resultado: a geração de resíduos promoverão estímulos inflamatórios nas células intestinais.


Como se proteger contra os raios UV

O sol desempenha um papel importante para a saúde do organismo. Ele é quem nos ajuda a sintetizar vitamina D, nutriente fundamental para o fortalecimento dos ossos e do sistema autoimune, dentre outros benefícios. Por outro lado, a exposição solar desprotegida pode acarretar danos em curto, médio e longo prazo, que merecem nossa atenção. Um deles é o câncer de pele, que pode ser prevenido com alguns cuidados diários básicos.

"O excesso pode levar a uma alteração na parte imunológica local e queimaduras. Essa parte imunológica favorece, por exemplo, o aparecimento de herpes, manchas de pele e envelhecimento precoce. Para quem tem maior exposição solar durante a infância, com queimadura importante, surge o risco de desenvolvimento de câncer de pele melanoma, que é mais agressivo", explica a dermatologista Mayra Tosta, da clínica OrtoDerm.

Além do risco de lesões cancerígenas, como observa a especialista, o sol é responsável por danos de fotoenvelhecimento que costumam ser sentidos em longo prazo, como manchas, sardas, rugas, linhas finas, pigmentação irregular e outros sinais de fotoenvelhecimento. Isso porque a radiação ultravioleta emitida pelo sol não atinge apenas a superfície, com as queimaduras e os raios UVB; ela também chega às camadas mais profundas da pele, devido à ação dos raios UVA, que têm comprimento de onda maior.

Olhos e pálpebras: todo o cuidado é pouco

Para poder aproveitar o verão e os benefícios que o sol oferece para a saúde, é preciso pensar na proteção adequada de cada parte do corpo. Além da pele, por exemplo, os olhos merecem um cuidado especial, que nem todos se lembram com frequência. De acordo com a oftalmologista Leticia Sant?Ana, da Cia. da Consulta, os olhos também estão expostos à radiação solar e sujeitos a danos muitas vezes irreversíveis.

"Um dano muito conhecido é a catarata, cujo desenvolvimento é acelerado pela exposição solar. O pterígio é outra doença comum na população em áreas de trópicos, também relacionada com o sol. Outra doença é a degeneração macular relacionada à idade, que em muitos países desenvolvidos é a principal causa de cegueira. Aqui no Brasil não é a principal, mas a vemos muito em pessoas de pele mais clara, é algo que tem relação com a exposição aos raios ultravioleta", explica Leticia Sant'Ana.

Além dos olhos, a oftalmologista alerta para outra parte da mesma região que deve ser protegida: as pálpebras. De acordo com Leticia, a pele das pálpebras é extremamente sensível e pode sofrer com queimaduras e até desenvolvimento de câncer, em caso de exposição solar excessiva. "É mais frequente encontrarmos tumores de pálpebra do que o ocular, então, é importante proteger", afirma.

Como se proteger corretamente

Basta aplicar um pouco de protetor, vestir a roupa de banho e correr para o mar, sem nenhuma preocupação? Nada disso. É preciso ter ao alcance uma combinação de itens que garantem maior proteção solar em áreas de alta exposição, como praia e piscina. Além do protetor solar, com um valor de FPS a partir de 30, é interessante contar com chapéus ou bonés de aba larga e óculos escuros com proteção UVA e UVB - vale o mesmo cuidado para usuários de lente de contato.

"Para quem usa este tipo de acessório, é interessante juntar as duas coisas, os óculos e as lentes de contato com proteção UV. As lentes, sozinhas, não protegem as pálpebras. Também é importante se certificar de que as lentes dos óculos tenham filtros mais escuros e sejam confiáveis", alerta Leticia Sant'Ana. Vale lembrar que que o cuidado deve ser redobrado no caso de banhos de piscina e de mar; o recomendado é optar pelas lentes de descarte diário, cujo risco de contaminação é menor.

No caso das pálpebras, a dermatologista Mayra Tosta comenta que há o risco de dermatite ou hipersensibilidade por parte de alguns pacientes com a utilização de protetor solar na área. Para reduzir os riscos, a dica da especialista é investir em chapéus com aba larga, além dos óculos escuros, e diminuir a exposição durante o horário mais crítico do sol, que costuma ser entre 10h e 16h.

Para o restante do corpo, vale redobrar o cuidado com a aplicação do protetor solar e usar barreiras de proteção física, como camisetas, cangas, saídas de praia e outros acessórios. No caso do protetor, Mayra recomenda a aplicação no corpo todo, inclusive em regiões que costumam ser "esquecidas" pelas pessoas, como a parte de trás do pescoço e orelhas.

"Também é muito importante a quantidade utilizada nessa hora. Quando você passa o protetor solar, não pode economizar. Muitas pessoas não gostam da sensação da pele mais pegajosa, então, acabam usando uma camada mais fina do produto, e é isso que diminui a proteção. É por isso que utilizamos um FPS maior. Já a reaplicação deve ser feita a cada 2h, se a exposição for mais intensa e após entrar no mar ou na piscina", reforça.

Ainda assim, a dermatologista ressalta que todas as etapas de proteção não são muito eficazes no período mais crítico do sol, citado anteriormente, que começa às 10h e termina às 16h. Se você pretende aproveitar o verão sem arrependimentos, lembre-se de tomar cuidado esse intervalo e de combinar todas as frentes de proteção solar possíveis.


Estresse pode alterar DNA e fazer envelhecer mais rápido

Imagine um cadarço desses que amarram tênis e sapatos. Esses são os cromossomos, com formatos diferentes, enquanto os telômeros são as pontinhas que finalizam e protegem os cadarços. Eles contêm sequências repetidas de DNA, revestidas com proteínas especiais. São nesses pequenos pedacinhos de material genético que estão as informações sobre o nosso envelhecimento e as doenças relacionadas.

Durante nossas vidas, essas terminações que protegem o cromossomo, os telômeros, se desgastam e não podem mais proteger o cromossomo apropriadamente, e aí as células começam a funcionar mal. Essa situação promove mudanças fisiológicas no corpo, o que faz aumentar o risco de condições e doenças relacionadas ao envelhecimento, como a doença cardiovascular, o diabetes, o câncer, o enfraquecimento no sistema imunológico e outros problemas de saúde.

Mas esse é um processo mais ou menos maleável. O envelhecimento e a morte por conta das doenças relacionadas é um processo que corre com todos os seres humanos a uma certa taxa, que pode ser alterada. A enzima telomerase tem a função de adicionar sequências específicas e repetidas de material genético às extremidades dos cromossomos, onde estão os telômeros. Trata-se de uma enzima transcriptase reversa, que tem um modelo RNA em sua estrutura que serve para sintetizar o DNA nos telômeros.

Estudos recentes sugerem que, com a reposição de material genético que a enzima telomerase faz, é possível retardar, prevenir e mesmo reverter parcialmente o encurtamento dos telômeros. Algumas atrofias de tecidos resultantes do processo de envelhecimento seriam, inclusive, reversíveis com a síntese de telomerase. Isso quer dizer que temos, sim, alguma autonomia para retardar os problemas do envelhecimento e expandir nossa vida saudável, tomando providências para cuidar da nossa telomerase e dos nossos telômeros.

Bons hábitos de vida estão direta e comprovadamente associados à restituição dos telômeros, via ação da enzima telomerase. Alimentação e exercícios regulares, não necessariamente extenuantes - 45 minutos, três vezes por semana -, eliminação do hábito de fumar, do consumo excessivo de álcool e, entre os principais fatores da preservação dos telômeros, o controle do estresse.

Todas as medidas que possam controlar os efeitos perniciosos do estresse são bem-vindas para a saúde dos telômeros, desde a meditação e boas noites de sono até um bom papo com amigos. Há estudos que demonstram que casais que desfrutam um bom relacionamento, que tem uma família em harmonia, apresentam um estado mais preservado dos telômeros em relação ao grupo controle, de casais que apresentam problemas entre si e com a família.

A saúde emocional, social e física, já se sabia, estava associada a uma melhor qualidade de vida, mas agora temos uma comprovação biológica de que a eliminação do estresse e de fatores de risco ambientais estão associados à longevidade. As evidências podem ser geneticamente medidas nos telômeros que protegem cada cromossomo. Bons hábitos de vida, a rigor, constituem a primeira das terapias genéticas em favor de uma vida saudável e longa.


Descubra a hora certa para procurar o cardiologista

Você sabia que fazer um check-up cardiológico é importante em qualquer fase da vida? Nos dias de hoje, em função da qualidade e do ritmo que temos, do estresse e problemas do dia a dia, a prevenção deve ser iniciada mais cedo.

Claro que alguns fatores influenciam na idade de início e na periodicidade com que essas consultas devem acontecer, mas fazer uma avaliação com um cardiologista pode ajudar na prevenção de potenciais problemas e até no diagnóstico precoce de algumas doenças. E quando digo precoce, me refiro a diagnósticos feitos até mesmo antes do nascimento!

Com os recursos atuais, é possível realizar, ainda durante a gestação, a avaliação cardiológica não apenas da mãe, mas também da criança. O ecofetal pode diagnosticar cardiopatias muito graves e em algumas situações é possível tratar o bebê ainda no útero ou nos primeiros dias de vida, realizando procedimentos sob o coração para corrigir ou melhorar o prognóstico da doença. E veja, isso pode acontecer com qualquer um, mesmo sem histórico familiar. A recomendação é que a gestante faça esse exame com cerca de 20 semanas, quando o feto já está mais formado.

Ainda sobre as mulheres, no caso de uma gravidez planejada, para aquelas que nunca passaram por uma avaliação cardiológica na vida, eu recomendo que, até mesmo antes de engravidar, procurem um cardiologista. Vale a pena realizar a avaliação, ter uma conversa com um profissional e fazer exames básicos, como um ecocardiograma. Em um simples exame clínico, por exemplo, é possível detectar algum problema, principalmente de válvula ou sopro no coração.

Agora, quando falamos da população de maneira geral, realizando uma rápida pesquisa na internet, você vai ler por aí que a recomendação é iniciar essas avaliações do coração muito tardiamente, já ultrapassando a quarta ou quinta década de vida.

Vejamos um exemplo: uma mulher de 35 anos, com histórico de doença coronária na família, tabagista, que tem hipertensão e diabetes. Em um caso assim, você não pode esperar que ela chegue aos 45, 50 anos ou entre na menopausa para iniciar o processo e acompanhamento.

Por isso, é preciso avaliar caso a caso. Sem dúvida nenhuma, o histórico familiar conta muito e os próprios hábitos e antecedentes de cada pessoa, tanto homem como mulher, influenciam.

Saiba mais: Prepare-se para a consulta com o cardiologista

Minha orientação para as mulheres que não apresentam fatores de risco, sintomas e histórico familiar, é iniciar esse acompanhamento cardiológico entre 35 e 40 anos. Para os homens, a partir dos 35 anos.

A periodicidade indicada para as consultas também varia. Para aqueles que já têm algum diagnóstico de cardiopatia, a recomendação é uma visita ao médico especialista a cada seis meses - ou até menos, dependendo do indicado pelo profissional que faz o acompanhamento do caso.

Outro grupo que precisa desse acompanhamento semestral é dos hipertensos e pessoas que têm o colesterol elevado. No caso de hipertensos, por exemplo, muitos descuidam da pressão ao longo do tempo. Isso pode trazer um desgaste das artérias do corpo, principalmente as coronárias, que acabam levando ao aparecimento da doença obstrutiva das artérias. Ainda no caso de pessoas que têm resistência a tomar medicamentos, muitas vezes é preciso reduzir esses intervalos para períodos menores, de quatro em quatro meses.

Já quem apresenta algum fator de risco, mas não tem nenhum sintoma e está dentro da faixa de idade que mencionei anteriormente, pode realizar essa avaliação anualmente. Por último, uma pessoa mais jovem (com menos de 30 anos) que tenha o hábito de fazer check-ups, com colesterol normal, sem hipertensão, que pratica atividades físicas e não tem nenhum fator de risco, é possível fazer esse acompanhamento cardiológico a cada dois anos.

No entanto, reforço que em qualquer época da vida, ao sentir alguma limitação do ponto de vista físico, um cansaço fora do normal, falta de ar, uma palpitação (o coração bate de forma muito acelerada ou irregular), é essencial procurar um cardiologista. Isso poderá ser decorrente de uma situação de deficiência do coração que precisa ser diagnosticada e tratada. E isso não é válido apenas para adultos, mas também para uma criança ou adolescente, por exemplo, que faz atividade física na escola e percebe alguma limitação recorrente.

Por isso, faça seu acompanhamento periódico e, ao menor sinal, procure um cardiologista! Muitas doenças podem ser diagnosticadas e tratadas no início, sem sequelas ou complicações mais graves.


Sobrepeso na gravidez pode causar diabetes na mãe e no filho e preocupa EUA

Há anos especialistas em saúde materna se preocupam com uma estatística problemática: mais da metade de todas as mulheres grávidas nos Estados Unidos estão com sobrepeso ou obesas quando concebem, colocando a si e aos filhos sob maior risco de desenvolver diabetes e outros problemas de saúde.

Assim, há uma década, o governo americano financiou alguns testes de milhões de dólares para ver se dieta e exercícios ajudariam essas mulheres a se manter em um peso saudável durante a gravidez --potencialmente reduzindo as taxas de complicações.

 Na última  quinta-feira (13), as descobertas foram anunciadas: o início de uma dieta e da prática de exercícios em torno do início do segundo trimestre da gravidez ajudou muitas delas a evitar o ganho de peso em excesso. Por outro lado, não diminuiu a taxa de diabetes gestacional, hipertensão e outros efeitos adversos.

Especialistas disseram que os resultados da pesquisa foram tanto encorajadores, quanto realistas. Houve a confirmação de que o ganho de peso durante a gravidez em mulheres com sobrepeso ou obesas pode ser evitado de forma segura com intervenções em seu estilo de vida. Mas o trabalho também sugere que, para melhorar os resultados obstétricos e a saúde dos bebês, quem está acima do peso deveria fazer mudanças significativas em seu estilo de vida antes de engravidar, disse o Dr. Alan Peaceman, chefe de Medicina Materna da Escola de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern e principal pesquisador do estudo, que foi publicado no periódico Obesity.

"Esse é um problema sério que ganhou relevância como nunca antes, e precisa ser trabalhado. Teremos que começar a falar com as mulheres que estão com sobrepeso ou obesas mesmo antes da gravidez e explicar-lhes o risco desse excesso de peso", completou ele.

A nova pesquisa chega em um momento crítico. Décadas atrás, as autoridades de saúde incitavam as mulheres grávidas a ganhar peso suficiente para reduzir as chances de terem bebês muito pequenos. Mas, quando a epidemia de obesidade decolou nos anos 1980 e 1990, não poupou quase ninguém, incluindo as grávidas.

A pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) constatou que a prevalência da obesidade entre gestantes subiu 69% entre 1993 e 2003. Hoje, cerca de 26% estão com sobrepeso quando engravidam e 25,6% são obesas, de acordo com os dados mais recentes do CDC.

Mulheres nesses grupos estão mais propensas a exceder o aumento de peso recomendado durante a gravidez e mantê-lo no pós-parto. Entre as complicações, elas estão mais propensas a experimentar trabalhos de partos mais longos, bebês anormalmente grandes, hipertensão e cesarianas. As obesas também têm taxas mais altas de diabetes gestacional, abortos e nascimentos prematuros. E uma série de estudos mostra que seus filhos têm taxas de obesidade e diabetes tipo 2 aumentadas.

 Em 2009, o Instituto de Medicina emitiu um relatório que descreve a quantidade de peso que as mulheres devem ganhar durante a gestação, baseado no seu índice de massa corporal. Segundo o guia, aquelas dentro da categoria de peso normal devem ganhar entre 11 kg e 15 kg, enquanto as que estão acima do peso devem ganhar de 6 kg a 11 kg. As obesas não devem ganhar mais de 9 kg durante a gravidez.

Ao longo dos anos, uma série de estudos analisou se as mudanças no estilo de vida poderiam melhorar a saúde de gestantes com IMC elevado. Mas muitos dos estudos foram pequenos, não muito rigorosos ou de má qualidade. Por isso, o Instituto Nacional de Saúde resolveu realizar um estudo grande e definitivo com um grupo diversificado de mulheres. Assim, recrutou 1.150 mulheres com sobrepeso e obesas em sete clínicas por todo o país e aleatoriamente as designaram para um grupo de controle ou para um grupo no qual foram submetidas a uma variedade de práticas de dietas e exercícios. Todas estavam entre a nona e a 15º semana de gestação quando começaram a fazer parte do estudo.

Mulheres como Heather Kinion, 39 anos, que vive em Chicago e trabalha para uma revista, foram recrutadas. Kinion estava ligeiramente acima do peso quando engravidou no final de 2015. Ela se juntou ao estudo na Northwestern em seu primeiro trimestre da gravidez e foi instruída a se tratar com um nutricionista, que pediu que ela mantivesse o registro de sua ingestão diária de alimentos em um aplicativo de smartphone. Kinion não comeu mais de 2.300 calorias por dia, substituiu refrigerantes por chá, cortou as guloseimas açucaradas como sorvete, bolos e milk-shakes. Adicionou mais frutas e verduras à sua dieta e tentou se exercitar mais.

Kinion ganhou cerca de 11 kg durante a gravidez --que estava em sua faixa recomendada -- e teve um bebê saudável, Julia, em 2016.

"Foi supereficaz. Cerca de duas semanas depois que minha filha nasceu, eu estava com quase 5 kg a menos do que antes da gravidez", declarou ela.

Em última análise, os pesquisadores perceberam que as mulheres do grupo de dieta e exercício do estudo ganharam, em média, 1,8 kg a menos do que aquelas no grupo de controle. A chance de excederem o peso recomendado durante a gravidez foi 48% mais baixa.

Ainda assim, para a maioria delas, a intervenção não funcionou. Cerca de 68,6% das mulheres no grupo de dieta e exercício ultrapassaram a quantidade recomendada de ganho de peso, em comparação a 85% daquelas no grupo de controle. No fim do estudo, a taxa das principais complicações da gravidez não diferiram.

"Uma das nossas hipóteses é que, quando começamos com a intervenção no início do segundo trimestre, já era tarde demais. É possível que os efeitos adversos já haviam sido influenciados pelo ganho de peso anterior", disse Peaceman.

A Dra. Emily Oken, especialista em saúde materna na Escola de Medicina de Harvard, que não esteve envolvida na pesquisa, disse que os estudos futuros poderiam analisar o impacto de atribuir mudanças no estilo de vida de quem está acima do peso antes da gravidez. Ela também especulou que as reduções médias no ganho de peso que ocorreram no novo estudo podem não ser suficientes para ter qualquer impacto real em muitas mulheres.

"Não fica claro se essas pequenas diferenças de ganho de peso resultam em condições de saúde melhores para os bebês", disse Oken.

Outro perito em saúde materna, o Dr. Patrick Catalano, disse que a partir de outros estudos, ficou claro que os esforços na saúde pública devem se concentrar em chegar às mulheres muito antes que engravidem.

"Acredito que isso tem que ser uma abordagem ao longo da vida --não pode ser apenas algo que tentamos quando as mulheres já estão na 14ª semana de gestação", disse Catalano, pesquisador do Instituto de Pesquisa Mãe e Bebê do Centro Médico Tufts. "Se a mulher engravida com um peso considerado normal, então estatisticamente terá um risco menor de ter complicações. Se o objetivo é tentar melhorar a gravidez tanto para a mãe quanto para seus filhos, é necessário iniciar cedo."