Talibãs e rebeldes afegãos se enfrentam no Vale do Panjshir

Forças do Talibã entraram em confronto com rebeldes no Vale do Panjshir, a única das 34 províncias do Afeganistão que não foi conquistada pelo grupo extremista em sua volta ao poder após 20 anos.

Tanto os rebeldes quanto o grupo extremista dizem ter provocado grandes danos e mortes no adversário, e há relatos de que o Talibã bloqueou o acesso humanitário e de remédios e cortou a comunicação e a eletricidade da região.

Forças leais ao líder Ahmad Massoud, filho do lendário comandante Massoud, se reúnem no vale íngreme, montanhoso e de difícil acesso que nem os soviéticos na década de 80 nem os talibãs na década de 90 conseguiram conquistar.

A capital de Panjshir, que significa "Cinco leões", é Bazarak. Ela fica a apenas 120 km a nordeste de Cabul, a cerca de duas horas de carro da capital afegã.

O Talibã cercou a região de difícil acesso em meados de agosto, e os dois lados negociavam um acordo de paz.

"Começamos as operações após a negociação com o grupo armado local fracassar", afirmou o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid.

Tanto os rebeldes quanto o grupo extremista disseram ter provocado grandes danos e mortes no adversário. "Eles sofreram perdas pesadas", disse Mujahid.

Um porta-voz da Frente Nacional de Resistência do Afeganistão, no entanto, disse que os rebeldes têm total controle de todas as entradas da região e repeliram os ataques no distrito de Shotul.

"O inimigo fez múltiplas tentativas para entrar em Shotul a partir de Jabul-Saraj e fracassou em todas elas", disse o porta-voz em referência à cidade na província vizinha de Parwan.

Amrullah Saleh, primeiro vice-presidente afegão que diz ser o "legítimo presidente interino" do país e se refugiou na região, afirmou que o Talibã bloqueou o acesso humanitário e de remédios e cortou a comunicação e a eletricidade da região.

Resistência à URSS e ao Talibã

Ahmad Massoud é filho do comandante Ahmad Shah Massoud, que era um estudante de engenharia da Universidade de Cabul e se tornou herói da resistência antissoviética no Afeganistão.

Pela resistência à União Soviética, Massoud pai ganhou o apelido de "Leão de Panjshir" e é chamado pelos seus seguidores de Amir Sahib-e Shahid, que significa "nosso amado comandante martirizado".

Até hoje o Vale do Panjshir está cheio de carcaças de blindados soviéticos destruídos em batalhas malsucedidas para conquistá-lo.

Além da União Soviética, na década de 80, o Talibã também não conseguiu conquistar a região quando controlou o país, entre 1996 e 2001.

Massoud pai foi assassinado pela Al-Qaeda na província vizinha de Takhar em 2001, na época do ataque terrorista do 11 de Setembro que desencadeou a invasão americana ao Afeganistão.

Devido aos inimigos em comum, o Panjshir serviu como reduto da Aliança do Norte, grupo armado que se aliou aos EUA durante a invasão de 2001 para tirar o Talibã do poder e expulsar a Al-Qaeda do país.


Primeiro-ministro britânico reclama de insultos racistas contra jogadores ingleses na Hungria

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, reclamou dos insultos racistas de torcedores da Hungria contra os jogadores da Inglaterra durante o jogo de qualificação para a Copa do Mundo de 2022, na quinta-feira, em Budapeste.

"É totalmente inaceitável que jogadores da seleção inglesa tenham sido alvo de insultos racistas ontem na Hungria", escreveu Johnson. O chefe de governo pediu à Fifa que "tome medidas enérgicas contra os responsáveis para garantir que esse tipo de comportamento vergonhoso seja erradicado para sempre".

Veículos da imprensa britânica, como a BBC e a Sky News, relataram os gritos racistas dirigidos aos jogadores negros Jude Bellingham e Raheem Sterling durante a vitória da Inglaterra por 4-0.

"Eu não ouvi", disse o capitão da Inglaterra, Harry Kane, à ITV. "Vou falar com os rapazes para ver se ouviram alguma coisa", acrescentou.

Caso isso se confirme, será comunicado à Uefa, afirmou, dizendo esperar medidas enérgicas em resposta.

Pouco antes da partida, os jogadores ingleses também foram vaiados pela maioria dos 60 mil torcedores húngaros por se ajoelharem para denunciar o racismo.

Em 2019, uma partida de qualificação para a Eurocopa 2020, em que a Inglaterra venceu a Bulgária, foi marcada por explosões racistas. O episódio gerou indignação no Reino Unido e nos organismos europeus de futebol.

Em julho, Johnson anunciou sua intenção de proibir o acesso aos estádios de torcedores que proferirem insultos racistas contra os jogadores na Internet. A declaração foi dada na esteira dos ataques sofridos por três jogadores negros da seleção inglesa, após a derrota na final da Eurocopa 2020 para a Itália.


Entenda o que significa a proibição do aborto no Texas para o resto dos EUA

Em uma medida que pode abrir caminho para reverter a decisão histórica que permite, desde 1973, o aborto nos Estados Unidos, a Suprema Corte se recusou a bloquear a lei que torna o Texas o estado com as regras mais rígidas e restritivas para a interrupção voluntária da gestação.

Trata-se da maior vitória, em meio século, dos grupos pró-vida e a consolidação da maioria conservadora na corte.

Cinco juízes conservadores -- três deles nomeados pelo ex-presidente Donald Trump -- autorizaram que a lei sancionada pelo governador republicano Greg Abbott entrasse em vigor, violando o princípio básico do caso Roe x Wade: a interrupção da gravidez só poderá ser feita em até seis semanas após a menstruação, em contraposição ao prazo permitido atualmente, entre 22 e 24 semanas.

A legislação exclui o direito ao aborto em casos de incesto ou estupro e ainda permite a qualquer cidadão do Texas processar médicos em 24 clínicas que praticam o aborto e ganhar até US$ 10 mil.

É esta, aliás, a principal diferença do estado em relação a outros que tentaram aprovar a proibição do aborto após seis semanas, mas foram bloqueados pelos tribunais: no Texas, o segundo mais populoso dos EUA, a lei sobreviveu porque delega a fiscalização aos cidadãos e não ao poder público.

Ou seja, o mecanismo criará uma legião de denunciantes, com poder de polícia, à caça de recompensas, incentivando, na mesma proporção, tanto gananciosos quanto fanáticos da direita religiosa.

O novo dispositivo transformou em pesadelo a vida de milhares de texanas, já que 85% recorrem ao aborto após a sexta semana de gravidez. Ao optar por não o bloquear, a Suprema Corte acendeu um alerta perigoso.

Juristas e constitucionalistas se debruçam no debate sobre o efeito dominó que terá sobre as proteções ao aborto que vigoram desde o caso Roe x Wade. De acordo com a decisão tomada na década de 1970 pelo mais alto tribunal dos EUA, a interrupção voluntária da gestação deve ser permitida à mulher, por qualquer razão, até o momento em que o feto se torna potencialmente capaz de viver fora do útero materno sem ajuda artificial.

Desde a decisão da Suprema Corte no caso Roe versus Wade, em 1973, o aborto é considerado um direito fundamental nos EUA — Foto: Reuters

Desde a decisão da Suprema Corte no caso Roe versus Wade, em 1973, o aborto é considerado um direito fundamental nos EUA — Foto: Reuters

Em minoria, os três magistrados da ala progressista da Suprema Corte tiveram a adesão do chefe do tribunal, o juiz John Roberts, que chamou a aplicação da lei do Texas de “não apenas incomum, mas sem precedentes”. O presidente Joe Biden, outro aliado dos defensores dos direitos das mulheres, questionou a sua constitucionalidade.

O mais preocupante, para os grupos de ativistas, ainda está por vir. A decisão do tribunal de não bloquear a legislação do Texas pode significar um alento à revisão, até o fim do ano, de uma lei do Mississippi, que proíbe o aborto até 15 semanas, interpretada como mais uma violação da decisão Roe x Wade.

Outros estados conservadores, como Kentucky, Alabama, Arkansas e Dakota do Norte, serão estimulados a replicar a política estadual do Texas. É ilusório, contudo, acreditar que as restrições, ou mesmo a proibição, reduzirão o número de abortos. Apenas levarão a prática para a clandestinidade, pondo em risco a saúde das mulheres e acirrando as desigualdades.


Bélgica libera entrada de brasileiros com certificado de vacinação traduzido

A Bélgica anunciou que vai aceitar a versão em inglês do certificado de vacinação completa emitido no Brasil pelo ConectSUS.

O documento deve atestar que os brasileiros interessados em entrar no país receberam as duas doses da vacina Pfizer ou AstraZeneca ou a dose única da Janssen pelo menos 14 dias antes do embarque. A Coronavac ainda não é aceita.

Além disso, os brasileiros – assim como outros estrangeiros que chegam à Bélgica – precisam preencher um formulário eletrônico online e o enviar 48 horas antes de chegar ao país, além de se submeter a um teste PCR no primeiro ou segundo dia após a chegada, mantendo quarentena até a obtenção do resultado.

A embaixada belga alerta, no entanto, que, como não há voos diretos entre o Brasil e a Bélgica, é necessário também checar previamente as exigências do país onde será feita a escala.


Sob protestos, governo promete divulgar estudo de concessão do Jalapão no dia 30 de setembro

O governo do Tocantins informou na manhã desta quinta-feira (2) que o estudo preliminar sobre a concessão do Parque Estadual do Jalapão será divulgado no próximo dia 30 de setembro. Enquanto o secretário de parcerias e investimentos, Claudinei Quaresemin, fazia o anúncio no Palácio Araguaia, ao lado de um representante do Banco Nacional de Desenvolvimento 

Econômico e Social (BNDES), membros de comunidades quilombolas e empresários que vivem do turismo na reserva protestaram cobrando mais transparência. Nenhum representante do grupo pôde participar da coletiva.

A concessão de parques estaduais para iniciativa privada vem causando polêmica desde que foi anunciada. No fim de agosto, a Justiça Federal negou um pedido de suspensão do processo. A principal reclamação é a falta de participação das comunidades que vivem nos locais, como no caso do Jalapão.

Só depois da divulgação do estudo é que os interessados poderão tirar dúvidas e contribuir com sugestões. Segundo o secretário, será aberta uma consulta pela internet antes das audiências públicas.

A concessão vai seguir as seguintes fases:

  1. Etapa - Estudo para concessão (Essa é a fase em que se encontra o projeto do Jalapão);
  2. Etapa - Consulta pública;
  3. Etapa - Análise dos órgãos de controle;
  4. Etapa - Publicação do edital;
  5. Etapa - Realização do leilão;
  6. Etapa - Assinatura do contrato de concessão;
  7. Etapa - início da concessão;

"A partir de 30 de setembro nós vamos pedir para prefeitos e setores da sociedade que nomeiem representantes para que o governo dialogue com eles para exaurir as dúvidas. Enquanto não tirarmos todas as dúvidas não vamos avançar", prometeu.

Segundo Quaresemin, o governo ainda não sabe quanto tempo vai durar a concessão ou qual o valor, mas não pretende lucrar. "Objetivo da concessão não é arrecadatório, mas sim melhorar a vida das pessoas. A população não tem que ter medo, pois vamos cuidar do patrimônio que pertence ao estado."

O projeto de concessão dos parques estaduais foi aprovado em agosto na Assembleia Legislativa. O texto que trata sobre o assunto passou por três comissões e foi votado em dois turnos em uma única tarde.

Inicialmente o governo chegou a dizer que estava aprovando apenas a realização de estudos preliminares, mas depois foi revelado que o projeto estava praticamente pronto. A TV Anhanguera teve acesso ao estudo com exclusividade.

O documento é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e estava com o Governo do Tocantins meses antes do projeto de lei que autorizaria a concessão ser enviado ao Poder Legislativo.

Durante a reunião desta quinta-feira (2), o superintendente da Área de Governo e Relacionamento Institucional do banco, Pedro Bruno Barros de Souza, afirmou que um "representante da instituição deve visitar o Jalapão nas próximas semanas para fazer escuta junto à comunidade. Esse processo vai acontecer dentro dessa fase que precede as audiências públicas."

A votação do projeto

A Assembleia Legislativa do Tocantins aprovou nesta terça-feira (24) o projeto de lei que autoriza o Governo do Estado a conceder para a iniciativa privada o Jalapão e outros três parques estaduais. A aprovação veio mesmo após a AL informar que o projeto não seria votado antes da realização de audiências públicas com a comunidade.

A iniciativa de colocar o texto em votação nas comissões foi do deputado Ricardo Ayres (PSB) e logo depois o texto foi pautado em plenário pelo presidente da casa, Antônio Andrade (PSL).

Com isso, o governo fica autorizado a conceder:

  • Parque Estadual do Jalapão
  • Parque Estadual do Cantão
  • Parque Estadual do Lajeado
  • Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Estado do Tocantins

O texto não especifica quais serão os prazos para as concessões e nem os pontos específicos dos parques que vão ficar sob administração privada. A maior polêmica é com relação ao Jalapão porque além de ser o principal atrativo turístico do Tocantins, o parque é também o lar de sete comunidades quilombolas que já se manifestaram contra a ideia.

Projeto polêmico

A sessão da aprovação foi marcada pela tensão entre os representantes dos moradores da região e os parlamentares. Os discursos foram interrompidos em vários momentos por protestos vindos da plateia.

Na entrada do plenário, após a aprovação nas comissões, houve desentendimentos entre pessoas que queriam assistir à sessão e os seguranças da AL. Do lado de fora, moradores do Jalapão cantaram o hino nacional de joelhos.

Na última sessão sobre o assunto, na semana passada, houve bate-boca e o secretário da indústria, Tom Lyra, acabou se alterando e comparando os manifestantes ao grupo Talibã, que tomou o poder no Afeganistão recentemente.

O Ministério Público Federal tentou suspender a votação na Justiça, mas o pedido foi negado na semana passada. O MPF queria que a comunidade fosse consultada antes da votação e pediu uma liminar, mas o juiz federal preferiu ouvir o governo antes de decidir a questão. O prazo para que o Palácio Araguaia se manifeste ainda está em aberto.

Ao defender o projeto na sessão da semana passada, o secretário de parcerias e investimentos, Claudinei Quaresmin, que comanda o processo, disse que estudos serão feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo ele, o próprio BNDES vai pagar pelo levantamento.


Itália amplia obrigação do passe de Covid para aviões, trens e ônibus

A Itália ampliou a obrigação do uso do documento de saúde conhecido como "passe verde", tornando-o obrigatório para quem viaja em trens de alta velocidade, aviões, balsas e ônibus interregionais.

O "passe verde" é um certificado digital ou de papel que mostra se a pessoa recebeu ao menos uma dose de vacina contra a Covid-19, teve um exame negativo para o vírus ou se recuperou da doença recentemente.

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, adotou o passe no início do verão, em meados de junho, para tentar incentivar as pessoas a se vacinarem. Ele inicialmente era necessário para entrar em pontos culturais e de lazer, e sua obrigatoriedade está crescendo gradualmente.

Parte da população protesta contra o "passe verde" e diz que ele viola liberdades, mas 70% de todos os italianos de mais de 12 anos já estão totalmente vacinados.

"Eles estão certos de pedir o 'passe verde'. Se você não quer receber a vacina, então fique em casa e não viaje", afirmou Alessia Colombi, uma moradora de Roma na principal estação de trem da cidade.

O governo já disse que professores precisarão do comprovante quando as escolas reabrirem neste mês, depois das férias de verão. E autoridades disseram que estão cogitando ampliá-lo para todos que trabalham em escritórios públicos ou supermercados.

Quase 130 mil pessoas já morreram de Covid-19 na Itália desde o início da pandemia. O número de novos casos ficaram relativamente estáveis em agosto, mas há o temor que a variante delta possa causar um novo pico de infecções nas próximas semanas.


Estados Unidos desperdiçaram 15 milhões de doses de vacinas anti-Covid desde março

Ao menos 15,1 milhões de doses de vacinas contra Covid foram jogadas fora nos Estados Unidos desde março deste ano, segundo dados obtidos pela emissora NBC junto ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

As perdas, porém, podem ser ainda maiores, já que não há registro de dados completos de todos os estados e postos de aplicação privados. Um exemplo citado pela emissora é o estado de Michigan, que informou apenas 12 doses desprezadas desde março ao CDC.

O número ainda é uma fração pequena quando comparado às mais de 438 milhões de doses já aplicadas nos EUA até 31 de agosto e às 111,7 milhões distribuídas a outros países até 3 de agosto, mas é considerado alarmante em um momento em que o país enfrenta um aumento nos casos provocados pela variante delta do coronavírus.

De acordo com os dados, os principais responsáveis pelas perdas foram quatro grandes redes de drogarias, que descartaram mais de 1 milhão de doses cada.

Entre os estados, quatro desprezaram mais de 200 mil, liderados justamente pelo Texas, um dos que registra o maior número de casos de Covid no país (mais de 517 mil doses). Em seguida aparecem Carolina do Norte (285 mil), Pensilvânia (244 mil) e Oklahoma (226 mil). O relatório não cita as razões pelas quais os descartes ocorreram.

Uma dose de vacina pode ser descartada por uma série de motivos, desde uma avaria no frasco, como uma rachadura, até um erro na diluição do imunizante, ou a sobra de uma dose quando um frasco é aberto e não há número suficiente de pessoas a serem vacinadas dentro do período adequado.

Após aberto, um frasco de vacina da Moderna precisa ser usado dentro de 12 horas, por exemplo, enquanto os da Pfizer ou da Johnson & Johnson’s (Janssen) têm validade de apenas seis horas.

Outros motivos podem ser um mau funcionamento do freezer onde a vacina está estocada ou um frasco conter menos doses do que deveria.


Mulher é detida em aeroporto do Havaí por usar comprovante falso de vacina com erro de grafia

Uma americana de 24 anos foi detida em um aeroporto do Havaí por usar comprovante falso de vacina, informou a polícia local.

Chloe Mrozak, moradora do estado de Illinois, teria apresentado um documento fraudulento ao desembarcar no estado uma semana antes, segundo os investigadores.

O Havaí mantém normas rígidas de deslocamento por conta da pandemia da Covid-19 e viajantes que não se vacinaram têm que cumprir com uma quarentena obrigatória de dez dias.

Segundo a polícia havaiana, eles suspeitaram do documento apresentado, no qual o nome da vacina que ela teria tomado – a Moderna – foi registrado com um erro de grafia, como Maderna, com "A".

Além disso, eles buscaram sem sucesso pelo nome de Mrozak no sistema de vacinação do estado de Delaware, onde ela afirmou ter se vacinado.

Os investigadores disseram que tentaram contato com a jovem durante toda sua estadia no Havaí, mas afirmaram que ela teria mentido sobre sua reserva e passou um número errado de telefone.

Foi na hora do retorno para os EUA continental que eles barraram o embarque de Mrozak que é investigada por fraude e teria inclusive mentido sobre seu voo de volta.

Usar documentos falsos para comprovar exames ou a vacina contra a Covid-19 é um crime no estado do Havaí e ela pode ficar presa por até um ano.


O que está por trás da 'misteriosa' febre que vem matando crianças na Índia

Há mais de uma semana, crianças do Estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, têm acordado com febre alta e encharcadas de suor.

Muitas delas queixam-se de dores nas articulações, dores de cabeça, desidratação e náuseas. Em alguns casos, relataram erupções na pele que se espalharam pelas pernas e braços.

Pelo menos 50 pessoas, a maioria crianças, morreram após ter febre, e várias centenas foram internadas em seis distritos na parte leste do estado. Nenhum dos mortos testou positivo para a Covid-19.

Em um momento em que a Índia parece estar se recuperando lentamente de uma segunda onda mortal de coronavírus, as mortes em Uttar Pradesh provocaram uma onda de manchetes de pânico sobre uma "febre misteriosa" varrendo o interior do estado mais populoso da Índia.

Médicos em alguns dos distritos afetados - Agra, Mathura, Mainpuri, Etah, Kasganj e Firozabad - acreditam que a dengue, a infecção viral transmitida por mosquitos, pode ser a principal causa de mortes.

Eles dizem que muitos dos pacientes foram levados ao hospital com uma contagem de plaquetas, um componente do sangue que ajuda a formar coágulos, em declínio, o que caracteriza uma forma grave de dengue.

"Os pacientes, especialmente crianças nos hospitais, estão morrendo muito rapidamente", disse Neeta Kulshrestha, a autoridade de saúde do distrito de Firozabad, onde 40 pessoas, incluindo 32 crianças, morreram na semana passada.

Transmitida por mosquitos fêmeas, a dengue é principalmente uma doença tropical e circula na Índia há centenas de anos. É endêmica em mais de 100 países, incluindo o Brasil, mas cerca de 70% dos casos são relatados na Ásia. Existem quatro vírus da dengue, e as crianças têm até cinco vezes mais probabilidade de morrer durante uma segunda infecção por dengue do que os adultos.

O mosquito - Aedes aegypti - se reproduz dentro e ao redor das casas em recipientes contendo água doce. "Os humanos fornecem locais de procriação e apenas os humanos podem tirá-los", diz o virologista Scott Halstead, um dos maiores especialistas mundiais em vírus transmitidos por mosquitos.

Quase 100 milhões de casos graves de dengue - com sangramento grave e órgãos prejudicados - são relatados em todo o mundo a cada ano. "O impacto combinado das epidemias de covid-19 e dengue pode resultar em consequências devastadoras para as populações em risco", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, ainda não está claro se uma epidemia de dengue é a única responsável pelas mortes relacionadas à febre em Uttar Pradesh.

O estado com mais de 200 milhões de pessoas e padrões tradicionalmente deficientes de saneamento, altos níveis de desnutrição em crianças e cuidados de saúde irregulares relata rotineiramente esses casos de "febre misteriosa" após as chuvas de monções a cada dois anos.

Surtos de encefalite japonesa transmitida por mosquitos - identificados pela primeira vez em Uttar Pradesh em 1978 - já ceifaram mais de 6.500 vidas desde então. A doença se espalhou principalmente por Gorakhpur e distritos adjacentes que fazem fronteira com o Nepal, próximo ao Himalaia, todos baixos e sujeitos a inundações, com terreno fértil para os mosquitos que transmitem o vírus.

Uma campanha de vacinação iniciada em 2013 diminuiu os casos. Mas crianças continuam morrendo. Dezessete crianças morreram de encefalite em Gorakhpur até agora este ano, e 428 casos foram registrados.

Em 2014, reagindo ao aumento dos casos de crianças morrendo de encefalite e miocardite - inflamação do músculo cardíaco - os cientistas examinaram 250 crianças afetadas em Gorakhpur. Eles descobriram que 160 deles tinham anticorpos contra a bactéria que causava o tifo.

O tifo scrub é uma infecção bacteriana transmitida por picadas de ácaros infectados.

Os ácaros se instalam na vegetação próspera das aldeias após as chuvas das monções. Os cientistas encontraram ácaros na lenha que os moradores armazenam dentro de suas casas. Muitas vezes, o tifo scrub se espalha quando as crianças manipulam lenha em casa ou defecam ao ar livre nos arbustos infestados de ácaros.

Em um estudo separado, os cientistas também descobriram que o tifo e a dengue foram os principais responsáveis ​​por casos de febre pós-monção em seis distritos no leste de Uttar Pradesh entre 2015 e 2019. Outra infecção bacteriana potencialmente fatal, a leptospirose, transmitida de animais para humanos, e chikungunya, uma doença transmitida por mosquitos, foram outros patógenos causadores de febre.

"Então, havia um monte de doenças relacionadas à febre acontecendo na região depois que as monções acabaram. Você precisa de vigilância sistêmica para rastrear essas doenças e tratá-las", diz V Ravi, professor de virologia do Instituto Nacional de Saúde Mental e Neurociência (Nimhans), que liderou o segundo estudo.

No início de 2006, os cientistas investigaram outro surto "misterioso" de mortes relacionadas à febre entre crianças em Uttar Pradesh. Desta vez, eles descobriram que as crianças morreram após consumir manjerioba, que crescia abundantemente no oeste do Estado, e que, em doses altas, pode ser tóxica.

Esta intoxicação alimentar resultou da "pobreza, fome, falta de supervisão dos pais, ignorância, crianças brincando sozinhas, indisponibilidade de brinquedos e facilidade de acesso à planta", concluíram os cientistas.

Claramente, apenas mais investigações e análises de genoma revelarão se a última onda de "febres misteriosas" na Índia foi desencadeada apenas pela dengue ou por uma série de outras doenças. Isso significaria que é preciso treinar clínicas e hospitais locais na coleta de amostras de pessoas que sofrem de febre e enviá-las para testes de genoma em laboratórios.

Além disso, não há registro claro de como essas febres começaram e progrediram; e se a gravidade da condição foi determinada pelas longas e árduas viagens que as pessoas têm de fazer aos hospitais públicos para tratamento ou se as crianças atingidas sofriam de outras doenças, como tuberculose.

Se a causa das mortes misteriosas for apenas a dengue, isso aponta que os programas de controle anti-mosquito do governo são em grande parte ineficazes. A intensidade da transmissão, de acordo com o virologista Halstead, só pode ser determinada por testes de anticorpos por grupos de idade.

"Se não investigarmos de maneira adequada e regular, muitas coisas continuarão sendo um mistério", disse um virologista indiano, preferindo permanecer anônimo.


Polícia investiga desaparecimento de homem que pode ter sido morto por jacaré após inundação na Luisiana

A polícia de Slidell, na região metropolitana de Nova Orleans, disse que investiga o desaparecimento de um homem que teria sido atacado e morto por um aligátor – espécie de jacaré americano – em meio às inundações provocadas pelo furacão Ida.

A passagem do Ida provocou destruição e enchentes em diversas áreas da costa sudeste dos Estados Unidos e centenas de pessoas seguem sem acesso a energia elétrica e com dificuldades para sair de casa).

O xerife do condado de St. Tammany Parish, que controla a região, disse em um comunicado que investiga paradeiro de um homem de 71 anos que, segundo a esposa, havia sido atacado e morto por um aligátor enquanto cruzava uma área alagada.

"Ela disse aos policiais que estava dentro de sua residência quando ouviu uma comoção e saiu. Foi então que teria visto um grande jacaré atacando seu marido", afirmou a polícia em nota.

Segundo o relato dos agentes de segurança, a mulher teria ajudado o companheiro a se desvencilhar do animal e o teria levado para casa, bastante abatido. Ela teria então decidido ir de canoa para um terreno mais alto, a cerca de um quilômetro de distância, para obter ajuda.

Quando ela voltou com os socorristas, o marido não estava mais onde a mulher o havia deixado, de acordo com o departamento do xerife. Os agentes revistaram toda a área com barcos em busca do homem, mas ele não foi encontrado.

"O incidente está sob investigação e nenhuma outra informação está disponível no momento", afirmou o xerife Randy Smith.

A  Guarda Nacional da Luisiana já resgatou mais de 350 moradores de regiões alagadas, segundo balanço oficial do governo americano.

Autoridades do estado fizeram um alerta para que moradores redobrem os cuidados porque há risco de que outros animais selvagens tenham sido arrastados pela tempestade.