EUA avaliam mandar migrantes brasileiros ao México após aumento nas detenções, diz agência

Os Estados Unidos estudam a possibilidade de enviar de volta ao México brasileiros que cruzaram ilegalmente a fronteira para migrar ao território norte-americano, informaram fontes oficiais dos dois países à agência Reuters.

A avaliação ocorre como uma reação ao aumento no número de cidadãos do Brasil que chegam aos Estados Unidos pela fronteira com o México. Assim como migrantes de outras nacionalidades, esses brasileiros pedem asilo — modalidade que, nos EUA, equivale ao refúgio — para poder permanecer em solo norte-americano, mas praticamente todas as solicitações são negadas.

Autoridades de fronteira apreenderam 17,9 mil brasileiros entre outubro de 2018 e setembro de 2019 — aumento superior a 10 vezes na comparação com o mesmo período no ano anterior, quando houve 1,5 mil detenções de migrantes com passaporte do Brasil. Relembre o caso no vídeo abaixo.

Detenções de brasileiros na fronteira do México com os EUA crescem 11 vezes em 2019

Oficialmente, o Departamento de Segurança Nacional dos EUA (DHS, na sigla em inglês) não confirma nem nega a informação. A porta-voz Heather Swift afirmou à Reuters que o órgão governamental "está sempre procurando jeitos de expandir e reforçar" o protocolo que reenvia ao México solicitantes de asilo que cruzam a fronteira.

Apreensões na fronteira

Os Estados Unidos adotam um protocolo de reenvio ao México de migrantes que chegam pela fronteira. A medida foi tomada para conter as caravanas migratórias que saíram da América Central nos últimos anos e cruzaram o território mexicano.

NOVA CARAVANA: Autoridades se preparam para novo fluxo de migrantes na América Central

Até então, o programa do governo norte-americano incluía somente cidadãos de países cuja língua oficial é o espanhol. Caso os EUA decidam ampliar o protocolo, o Brasil seria o primeiro país com outro idioma dentro dessa política migratória.

De acordo com o DHS, mais de 57 mil cidadãos não mexicanos foram reenviados ao México no último ano.


Como 4 países europeus estão lutando para que seus cidadãos tenham mais filhos

A taxa de natalidade de 1,48 filho por mulher foi um dos principais temas destacados pelo presidente russo, Vladimir Putin, em seu discurso anual do Estado da União, nesta semana.

"Não é o suficiente para o nosso país", disse ele. "O futuro da Rússia e sua perspectiva histórica dependem de quantos nós somos. (...) Temos de ajudar os mais jovens, aqueles que querem uma vida familiar e sonham com ter filhos."

A Rússia não está sozinha nessa preocupação. Para manter o tamanho de sua população, países precisam de uma taxa de natalidade de 2,1 filhos por mulher. Na Europa, porém, essa média está em 1,59 — para comparar, ela também tem baixado no Brasil, onde é de 1,7 filho por mulher.

Segundo a ONU, dois terços dos países europeus lançaram medidas para aumentar suas taxas de natalidade — de bônus pagos a cada bebê nascido a licença-paternidade remunerada, com variados graus de sucesso. Veja algumas.

Rússia

Embora a taxa de natalidade entre os russos tenha aumentado desde 1999 (quando chegou a 1,16), ainda está em patamares distantes dos desejados por Putin.

O governo anunciou propostas para aumentar a taxa a 1,7 filho por mulher dentro de quatro anos, como aumento em um um programa de transferência de renda para famílias carentes com filhos e benefícios financeiros para famílias com três ou mais filhos.

Putin também cobrou que governos regionais criem mais vagas em creches, oferecendo cuidados às crianças enquanto os pais trabalham.

Além disso, o presidente propôs que mães de primeira viagem tenham direito a benefícios antes pagos apenas às que têm dois ou mais filhos, bem como merendas escolares gratuitas para os quatro primeiros anos escolares.

No ano passado, Putin já havia anunciado deduções de impostos para famílias numerosas.

E um pagamento único, equivalente a R$ 30 mil, foi lançado em 2007 para famílias com dois ou mais filhos, dentro de um programa de dez anos de duração.

O especialista em demografia Evgeny Yakovlev afirmou à BBC News Rússia que essa última medida teve sucesso em temporiariamente aumentar o número de famílias numerosas, mas acrescentou que, pouco depois, a incerteza financeira voltou a derrubar a taxa de natalidade do país.

Itália

Na mesma linha, o governo italiano recorreu a incentivos financeiros na tentativa de estimular seus cidadãos a ter mais filhos.

Mas o pagamento de 800 euros (na cotação atual, R$ 3,7 mil) a cada casal que tivesse um filho, lançado em 2015, não parece ter trazido mudanças substanciais até agora: a Itália ainda tem uma das taxas de natalidade mais baixas da União Europeia, com 1,3 filho por mulher.

Anne Gauthier, professora de estudos familiares comparativos da Universidade de Groningen, na Holanda, disse à BBC que políticas de subsídios desse tipo "geralmente têm pouco impacto na taxa de natalidade".

Ela diz que, embora esses benefícios financeiros resultem em pequenos aumentos de curto prazo nos nascimentos — fazendo com que algumas pessoas antecipem o plano de ter filhos —, "no fim das contas, isso não se traduz em uma maior taxa de natalidade. Eles (benefícios) foram usados em muitos países, e vemos padrão semelhante".

No caso da Itália, o fracasso da medida pode estar relacionado à questão de que pagamentos únicos não ajudam a resolver questões sociais mais amplas (por exemplo, o fato de menos de 50% das italianas estarem trabalhando ou o alto índice de entrada de migrantes).

França

Apesar de quedas recentes, a França ainda tem uma das mais altas taxas de natalidade da UE, com 1,92 nascimentos por mulher, segundo dados de 2017 do Banco Mundial.

Um relatório do Instituto de Análises Demográficas do país (Ined, na sigla em francês) descreve a França como "uma exceção demográfica" às baixas taxas vistas em grande parte da Europa.

Para Gauthier, isso pode ser um reflexo de políticas públicas — segundo a Comissão Europeia, essas políticas incluem creches subsidiadas para crianças pequenas e um sistema generoso de benefícios. Famílias com dois ou mais filhos, por exemplo, recebem ao menos 131 euros (R$ 611) por mês.

"Decisões sobre fertilidade atualmente parecem ser cada vez mais determinadas pela habilidade das famílias em combinar cuidado e apoio para crianças com a participação dos dois pais na força de trabalho", diz relatório da ONU de 2015 sobre o "sucesso fértil" francês.

"Desse modo, a prioridade (da França) gradualmente migrou para uma variedade de mecanismos designados a ajudar os pais a equilibrar trabalho com obrigações familiares."

Como exemplo, a ONU cita licenças-maternidade e paternidade e oferta de creches.

"De todas as políticas promovidas ao longo dos anos, a oferta de serviços de creche parece ser o modo mais eficiente de encorajar famílias a ter filhos e a mulheres permanecerem na força de trabalho", diz o relatório.

"Outro ingrediente-chave (na França) tem sido a grande estabilidade das políticas familiares, que têm grande apoio popular. Essa estabilidade (...) cria um ambiente favorável à decisão de ter filhos."

Suécia

Êxitos similares são observados em países escandinavos. A Suécia, por exemplo, tem taxa de natalidade de 1,9 filho por mulher, segundo o Banco Mundial.

A Comissão Europeia afirma que a taxa de empregabilidade de mulheres (e mães) no país "está entre as mais altas da UE, e a pobreza infantil está entre as mais baixas". Além disso, famílias recebem uma mesada de até o equivalente a R$ 600 na cotação atual e que vai aumentando conforme a idade da criança.

Pais e mães suecos também têm direito a 480 dias de licença-maternidade e paternidade para dividir entre si, e os homens, em média, costumam ficar com um terço desse período.

Creches são subsidiadas e a jornada laboral sueca é menor que a de muitos países. Em 2018, em média, cada sueco trabalhou 1.474 horas, cerca de 500 horas a menos que a média russa.

Mas Gauthier destaca, ao mesmo tempo, que até países escandinavos têm começado a notar quedas em suas taxas de natalidade, evidenciando que aumentar a população é um desafio.

"Achávamos que havíamos solucionado (a questão) com a Escandinávia, até que no ano passado a fertilidade começou a declinar por lá", afirmou a professora.


Evo recua e diz que não pretende mais criar milícias

Em carta pública divulgada o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, que está refugiado na Argentina há mais de um mês, recuou da ideia de promover a formação de milícias no país.

"Há alguns dias foram tornadas públicas palavras minhas sobre a formação de milícias. Me retrato delas. Minha convicção mais profunda sempre foi a defesa da vida e da paz", disse Evo, que renunciou à presidência da Bolívia em novembro do ano passado por pressão das Forças Armadas após ser acusado de fraudar as eleições de outubro.

Uma rádio boliviana divulgou na semana passada uma gravação no qual Evo reitera ter sido vítima de um "golpe de Estado" durante uma reunião com simpatizantes na Argentina.

"Quero que vocês saibam que em pouco tempo, se eu voltar ou alguém voltar, temos que organizar como na Venezuela as milícias armadas do povo", disse Evo na gravação.

As declarações foram muito criticadas por opositores na Bolívia. O governo interino de Jeanine Áñez, que o substituiu no cargo após a renúncia, chegou a anunciar que apresentaria novas denúncias criminais contra o ex-presidente boliviano.

As milícias ou coletivos chavistas são formados por civis armados que se dizem defensores da revolução bolivariana na Venezuela. Na quarta-feira, um desses "coletivos" abriu fogo contra um comboio que levava opositores de Nicolás Maduro à Assembleia Nacional, o parlamento do país. ONGs internacionais os consideram como organizações paramilitares que funcionam como grupos de extermínio.

Na carta, Evo afirmou que sente "profunda dor" pela situação da Bolívia.

"O decreto de impunidade das Forças Armadas, os massacres, os grupos paramilitares que percorrem as ruas, as casas queimadas, os tribunais eleitorais incendiados, os presos políticos e a perseguição sistemática. Todos esses crimes sem justiça", escreveu.

Evo pede ainda na carta que a comunidade internacional garanta os direitos humanos na Bolívia. Para o líder do Movimento ao Socialismo (MAS), o país só pode voltar à paz com uma democracia plena, que restabeleça o Estado de direito e respeite a Constituição.

"Não quero que nada que eu diga seja usado como um pretexto para perseguir e reprimir meus irmãos e irmãs", destacou o ex-presidente.

Áñez, que se autoproclamou presidente interina em meio ao vazio de poder após a renúncia de Evo e dos ocupantes dos cargos da linha sucessória do Executivo na Bolívia, iniciou um processo penal contra o ex-presidente para acusá-lo que o acusa de sedição, terrorismo e financiamento ao terrorismo. Em dezembro, o Ministério Público da Bolívia emitiu uma ordem de prisão contra o ex-presidente.


Novo presidente da Guatemala rompe relações com a Venezuela

O recém-empossado presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, anunciou que seu país rompe relações diplomáticas com o governo socialista da Venezuela.

"Encerramos definitivamente relações com o governo da Venezuela", disse Giammattei a jornalistas, após se reunir no Palácio Nacional da capital com Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O direitista Giammattei, um médico de 63 anos, disse que a medida tem caráter definitivo.

Neste sentido, anunciou que o chanceler guatemalteco, Pedro Brolo, tem instruções para que o representante do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a cargo da embaixada, que deixe a Guatemala, procedendo em seguida ao fechamento da sede diplomática.

Após esta medida, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, assegurou que Giammattei "se jogou aos pés" de seu contraparte americano, Donald Trump. "Com certeza, seu governo vai se tornar mais uma piada de mal gosto (...)", escreveu Arreaza no Twitter.

Em novembro passado, já como presidente eleito, Giammattei antecipou que ao assumir o cargo romperia os vínculos com Maduro e só reconheceria o líder opositor Juan Guaidó como presidente encarregado do país sul-americano.

O governo do ex-presidente Jimmy Morales (2016-2020) admitiu Guaidó em janeiro de 2019, mas a embaixada venezuelana continuou funcionando com um encarregado de negócios, responsável pela missão desde 2018, depois que o governante pediu a retirada da embaixadora Alicia Salcedo um ano antes.

Giammattei tentou entrar em outubro passado na Venezuela para se encontrar com Guaidó, mas não foi admitido porque apresentou um passaporte italiano e sua visita não tinha fins turísticos ou particulares.

Segundo o novo presidente, sua intenção era convidar Guaidó - líder do Parlamento - para sua posse, que ocorreu na terça-feira, e pedir a Maduro a libertação de "presos políticos" e a "convocação imediata de eleições democráticas".

De acordo com o novo governo guatemalteco, a Venezuela esteve representada na posse de Giammattei por Maria Romero, designada por Guaidó como embaixadora na Guatemala, mas radicada em Miami, nos Estados Unidos.

A Guatemala é membro ativo do Grupo de Lima, integrado por países latino-americanos e do Caribe que reconhecem Guaidó como presidente.


Nova caravana de migrantes hondurenhos cruza a Guatemala rumo aos EUA

Centenas de hondurenhos entraram na Guatemala depois de iniciar uma nova caravana de migrantes em busca de melhores condições de vida nos Estados Unidos, apesar das barreiras impostas pelo presidente Donald Trump em colaboração com os governos da América Central.

Cerca de 400 homens, mulheres e crianças se reuniram em Corinto, na fronteira de Honduras com a Guatemala, cerca de 220 km ao norte de Tegucigalpa. Porém, um contingente policial bloqueou a passagem antes da entrada em território guatemalteco.

Um oficial pediu que eles fossem ao escritório de Migração para se registrar antes de cruzar a fronteira. No entanto, os migrantes romperam o cerco da polícia e conseguiram entrar na Guatemala.

Uma dúzia de policiais guatemaltecos esperavam por eles na beira da estrada, mas os deixaram passar, apenas os escoltando em dois veículos.

Outros migrantes que mais tarde chegaram a Corinto de San Pedro Sula em pequenos grupos foram detidos por policiais que pediram documentos.

Caravanas de migrantes

A modalidade de migração de caravanas começou em Honduras em 14 de outubro de 2018, com cerca de 2 mil pessoas fugindo do desemprego e a violência de gangues sangrentas e traficantes de drogas que dominam vastas áreas do território hondurenho. Exatamente há um ano, outra caravana partiu do país centro-americano.

Ao êxodo em massa se somaram salvadorenhos, guatemaltecos e mexicanos, o que provocou a ira do presidente Trump, que mobilizou militares para reforçar a segurança da fronteira na tentativa de impedir a passagem dos migrantes.

A colaboração dos governos de El Salvador, Guatemala e México para dificultar o êxodo havia dissuadido os migrantes, motivo pelo qual o comparecimento à nova convocatória surpreendeu.

Cerca de 30 mil hondurenhos que chegaram em caravanas ou grupos menores permanecem no México aguardando a resposta de seu pedido de refúgio nos Estados Unidos, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Honduras.


Deputados enviam processo de impeachment contra Trump ao Senado dos EUA

Senado julgará o presidente norte-americano, e sete deputados do Partido Democrata atuarão como promotores do caso. Donald Trump é acusado de abuso de poder, no caso do telefonema com o presidente da Ucrânia, e obstrução ao Congresso.

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos enviou  o processo de impeachment contra o presidente Donald Trump ao Senado.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, assinou o documento que contém as duas acusações contra Trump — os chamados "artigos de impeachment", que são:

Abuso de poder ao pedir investigação ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, contra a família de Joe Biden. Deputados consideraram a ação uma "interferência de um governo estrangeiro" em favor da reeleição de Trump em 2020;

Obstrução ao Congresso por impedir diversas pessoas ligadas à sua administração de prestar depoimento (inclusive algumas que tinham sido intimadas) e por se recusar a entregar documentos aos investigadores durante o inquérito.

Após a assinatura de Pelosi, as acusações foram levadas ao Senado. Lá, o líder da maioria, o senador Mitch McConnell, afirmou que a casa está "pronta para receber" os deputados designados como promotores. O recebimento oficial do documento só deve ocorrer nesta quinta-feira, em outra cerimônia, informou o republicano.

Em breve discurso antes da assinatura das acusações contra Trump, Pelosi afirmou ser "muito triste e muito trágico" para os Estados Unidos "que as ações tomadas pelo presidente para comprometer a segurança nacional" tenha levado os deputados a entrar com o processo de impeachment.

"Então hoje faremos história quando atravessarmos o corredor [do Congresso]. Cruzaremos um marco na história ao entregar os artigos de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos por abuso de poder e obstrução à Câmara", concluiu.

Próximos passos

Com o recebimento no Senado, inicia-se a fase preparatória do julgamento decisivo, em que os senadores atuarão como um júri e um grupo de sete deputados, como promotores. Esse time de parlamentares da Câmara foi oficializado após votação nesta tarde.

ANÁLISE: O impeachment no campo de Trump

A resolução desta quarta que autorizou os procedimentos determinados pelos líderes do Partido Democrata passou por 228 votos a 193. A equipe de deputados que atuarão como promotores será liderada pelo presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, Adam Schiff — um dos principais opositores de Trump. Veja no vídeo a seguir.

Câmara dos EUA aprova envio de inquérito do processo de impeachment de Trump ao Senado

Veja abaixo quem compõe a comissão.

Deputado Adam Schiff, presidente do Comitê de Inteligência

Deputado Jerry Nadler, presidente do Comitê Judiciário

Deputado Hakeem Jeffries

Deputado Jason Crow

Deputada Val Demings

Deputada Zoe Lofgren

Deputada Sylvia Garcia

Novos documentos apareceram

Pelosi e os democratas querem que novas testemunha sejam ouvidas na tramitação do processo de impeachment no Senado –especialmente John Bolton, que foi assessor de segurança de Trump.

O Senado, no entanto, é dominado pelo Partido Republicano, o mesmo de Trump, e o líder Mitch McConnell já deu declarações em que afirmou que está alinhado com o governo.

Novos documentos, revelados pela Câmara dos Deputados favorecem os democratas. São mensagens, cartas e notas de Lev Parnas, um parceiro de Rudolph Giuliani, o advogado pessoal de Trump.


Polícia italiana desmantela quadrilha mafiosa na Sicília

Uma grande operação anti-máfia desmantelou na Sicília uma quadrilha que fraudou milhões de euros de recursos da União Europeia destinados à agricultura, informou a polícia italiana. Ao todo, 94 pessoas foram detidas nesta manhã, indicou o procurador de Messina em comunicado.

Entre os detidos, estão os chefes de duas famílias mafiosas, um dono de cartório, empresários e funcionários públicos encarregados de ajudar os agricultores a ter acesso aos fundos europeus.

Desde 2013, a máfia Tortorici, que leva o nome de uma cidade situada em uma zona montanhosa no nordeste da ilha italiana, desviou cerca de € 10 milhões (R$ 44 milhões) da União Europeia, segundo a Rai24. Para ter direito à ajuda europeia, a família declarou possuir terras que, na verdade, pertencem às prefeituras e regiões sicilianas.

Os mafiosos contaram com a cumplicidade de funcionários da agência pública de subsídios agrícolas, encarregada de distribuir os recursos da UE para o setor, e também dos agentes dos centros de assistência que ajudam os agricultores a protocolar o pedido de verba.

Entre os detidos, 48 foram presos. Os outros 46 ficarão em prisão domiciliar, indicou a polícia.

Comissão Europeia

A Comissão Europeia acompanha o desenvolvimento da investigação, informou hoje o porta-voz da instituição, Daniel Rosario. Segundo ele, Bruxelas tem uma política de “tolerância zero” em relação a fraudes e desvio de verbas.

Rosario indicou, no entanto, que “cabe inicialmente aos países membros tomar as medidas necessárias para administrar a distribuição dos subsídios europeus e reagir adequadamente em caso de suspeitas de fraude”.

A ministra italiana do Interior, Luciana Lamorgese, ficou “muito satisfeita” com essa operação anti-máfia. Ela informou que mais de 150 empresas, ligadas as duas famílias, foram confiscadas pela justiça.

Segundo a ministra, esse grande número “confirma a exigência de uma grande vigilância sobre a concessão de fundos públicos para evitar que grupos mafiosos se apropriem de subsídios europeus em detrimento de agricultores honestos”.

Com o caso, o procurador Federico Cafiero de Raho, notou um salto qualitativo na máfia italiana “que entrou na economia legal via um sistema ilegal”. “Os mafiosos agem agora não somente na criminalidade tradicional, como o tráfico de drogas e extorsões, mas também fraudando as instituições europeias”, avalia o procurador anti-máfia.


Quais os planos de Putin por trás da proposta de reforma que derrubou parte do governo russo

Horas depois de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, propor uma reforma constitucional que pode prolongar sua permanência no poder, o primeiro-ministro do país, Dimitri Medvedev, e seu gabinete renunciaram.

Se aprovada em referendo, a proposta transferiria poderes da Presidência — que Putin ocupa até 2024, quando termina seu quarto mandato no cargo — para o Parlamento russo.

Durante seu discurso anual sobre o Estado da União, Putin afirmou que a Duma, câmcara baixa do Parlamento, ganharia "mais responsabilidade" e passaria a participar da escolha do primeiro-ministro e de seu gabinete.

Hoje, cabe ao presidente essa função — a Duma apenas aprova ou não a escolha.

Putin também propôs um papel mais preponderante para o Conselho de Estado, órgão consultivo hoje chefiado pelo presidente.

A renúncia do premiê

Poucas horas depois, Medvedev anunciou sua renúncia pela televisão estatal, em uma transmissão feita ao lado de Putin.

"Essas medidas vão trazer mudanças substanciais não apenas a uma série de artigos da Constituição, mas também ao equilíbrio de poder do Estado, o poder do Executivo, do Legislativo e do Judiciário", afirmou o premiê.

"Nesse contexto, o governo em sua forma atual renuncia", completou.

Premiê russo renuncia ao cargo e Putin propõe reforma constitucional

Putin agradeceu a Medvedev por seu trabalho e o convidou para ser chefe do Conselho Nacional de Segurança, cargo hoje também ocupado presidente.

O premiê foi substituído pelo chefe da Receita Federal russa, Mikhail Mishustin.

Fontes ligadas ao governo russo disseram à BBC que os ministros não sabiam a respeito da renúncia em massa do gabinete antes do anúncio.

"Foi uma surpresa completa", disse uma fonte.

Medvedev foi presidente entre 2008 e 2012, quando ele e Putin, seu padrinho político, inverteram os papéis e ele passou a ocupar o cargo de primeiro-ministro.

Líder da oposição e forte crítico ao governo, Alexei Navalny afirmou que qualquer mudança na Constituição seria "fraude" e que a intenção de Putin com a proposta seria apenas "se perpetuar eternamente no poder".

O último referendo realizado na Rússia data de 1993, quando o país aprovou a Constituição escrita no governo de Boris Yeltsin, antecessor de Putin — que assumiu após sua renúncia, em 1999.

Desde então ele se mantém no poder, como presidente ou primeiro-ministro.

O que pretende Putin?

Análise de Sarah Rainsfor, correspondente da BBC em Moscou

O presidente Putin gosta de estabilidade.

Por isso, a notícia de que o governo inteiro renunciou ao mesmo tempo foi uma grande surpresa.

Por um momento, foi como um flashback da Rússia dos anos 1990, quando Yeltsin trocava seus primeiros-ministros como trocava de roupa.

Mas Vladimir Putin não é um Yeltsin, e seu anúncio se desenha como um plano para se consolidar — e ampliar sua permanência — no poder.

Até então, não estava claro o que ele faria após o fim de seu atual mandato, em 2024. Isso ainda é em parte verdade, mas as mudanças constitucionais que ele propõe dão algumas pistas nesse sentido.

De um lado, quer turbinar o status do hoje pouco expressivo Conselho de Estado, já chefiado por ele. De outro, pretende reduzir os poderes do presidente — o que poderia sinalizar sua intenção de ser primeiro-ministro novamente.

Seja qual for seu propósito, talvez ele precise tornar a ideia de continuidade mais palatável à população russa, diante dos problemas econômicos e sociais que o país atravessa e que não puderam passar batido em seu pronunciamento.

Se Putin for visto como responsável pela situação atual, os russos podem começar a se perguntar porque deveriam apoiá-lo no poder depois de 2024. Nesse sentido, Dmitri Medvedev, que tantas vezes foi útil a ele, pode ser um conveniente bode expiatório.


Maduro diz 'conhecer planos' de Bolsonaro e Colômbia para Venezuela: 'Caso se atrevam, arrebentamos seus dentes'

O presidente do regime chavista da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que "conhece os planos imperialistas" da Colômbia e do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. O venezuelano não deu detalhes nem apresentou provas sobre esses supostos planos, e ameaçou reagir caso haja ações militares no país.

"Caso se atrevam, vamos arrebentar seus dentes para que aprendam a respeitar a Força Armada Nacional Bolivariana", ameaçou Maduro.

A declaração foi dada durante a mensagem anual de Maduro na Assembleia Constituinte — controlada pelo regime chavista — uma semana depois da crise gerada pela manobra que tentou excluir Juan Guaidó da presidência do outro parlamento, a Assembleia Nacional, onde os opositores têm maioria.

Além das trocas de acusações com o Brasil, o regime de Maduro vive uma relação conflituosa com a Colômbia. O presidente colombiano, Iván Duque, apoia o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, e a relação com o chavismo piorou após Caracas ordenar exercícios militares na fronteira com o país vizinho, em setembro do ano passado.

Novas acusações

Maduro também voltou a dizer, sem provas, que o governo brasileiro se envolveu no ataque a uma base no sul da Venezuela no fim de dezembro. À época, o Itamaraty negou qualquer envolvimento do Brasil no episódio.

Venezuela acusa Brasil de treinar grupo que atacou base militar no país

No discurso Maduro voltou a acusar o governo brasileiro de participação no assalto. O chavista ainda acusou Brasil e Colômbia de estarem por trás de "mais de 50 ações de espionagem e roubo de segredos militares".

"Um grupo de terroristas, mercenários, desertores, traidores apoiados, financiado e amparado pelos governos de Jair Bolsonaro do Brasil e Iván Duque da Colômbia assaltaram um quartel no estado Bolívar", afirmou Maduro.

"Roubaram fuzis, lançadores de morteiros e mísseis estratégicos. Em uma sanha assassina, mataram um jovem soldado de nossa Força Armada Nacional Bolivariana", acrescentou, sem apresentar provas.

Maduro disse que o regime chavista "conseguiu capturar a maioria dos terroristas e recuperar 95% das armas roubadas". "O resto foi levado para o Brasil, amparados pelo governo fascista de extrema direita de Jair Bolsonaro", acusou, também sem apresentar provas.

"Quem atentar contra a república receberá o castigo que estabelece nossa Constituição e vai se encontrar diante dos fuzis de nossa Força Armada", completou.

Discurso longo

As declarações sobre Brasil e Colômbia fizeram parte do discurso "Memória e Conta à Nação", uma mensagem ao país prevista para o presidente para dar um panorama do país durante o ano — semelhante ao "Estado da União", discurso proferido anualmente pelos presidentes dos Estados Unidos aos congressistas norte-americanos.

Além das crises com os países vizinhos, Maduro abordou o colapso econômico vivido pelo país, e disse que conseguiu "criar novas ferramentas econômicas e sociais, que serão decisivas nos próximos anos". Ele ainda admitiu que a Venezuela passa por hiperinflação, mas alegou que o regime "tem conseguido frear o processo".

A inflação anualizada da Venezuela para novembro foi de 13.476%, segundo dados do Congresso. O último relatório do Banco Central em setembro de 2019 mostrou um aumento acumulado de 4.679,5% nos preços. No sábado, o governo venezuelano elevou o salário mínimo para 250 mil bolívares por mês — cerca de R$ 15 reais.


Damasco afirma que Israel atacou base militar no centro da Síria

Um porta-voz militar da Síria acusou militares de Israel de terem atacado uma base na província de Homs, informou a agência estatal Sana. Segundo ele, os sistemas de defesa sírios abateram os mísseis descritos como israelenses.

O representante militar sírio acrescentou que quatro mísseis atingiram a zona tomada como alvo, mas destacou que houve somente danos materiais.

O governo israelense não deu declarações públicas sobre a suposta ação. Israel teme que a Síria, governada por Bashar al-Assad, torne-se uma base de operações do Irã — sobretudo com a recente tensão no Oriente Médio após a morte do general iraniano Qassem Soleimani em um ataque aéreo dos Estados Unidos.

"Forças do regime, forças iranianas e conselheiros militares russos estão no Aeroporto Militar T4", disse à AFP o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane.

Em 9 de abril de 2018, mísseis foram lançados contra a base T4, matando 14 combatentes, entre eles sete iranianos, segundo o OSDH. Irã, Síria e Rússia atribuíram este ataque a Israel.

Desde o início do conflito sírio, em 2011, Israel já promoveu diversos ataques contra as forças do regime e seus aliados Irã e Hezbollah libanês, inimigos do Estado hebreu.

Foguete cai no Iraque

Ao  menos um foguete caiu perto da base aérea de Taji, ao norte de Bagdá, no Iraque, disseram forças militares iraquianas.

O local abriga tropas dos Estados Unidos, de acordo com forças militares iraquianas. Não há informações sobre feridos e não se sabe quem disparou o foguete.