Assembleia francesa aprova polêmico projeto de lei que prevê punir filmagem de policiais em ação

Deputados franceses aprovaram  em primeira leitura, o polêmico projeto de lei sobre a "segurança global", que prevê punir a gravação e divulgação de policiais em ação. O texto será votado pelo Senado em janeiro de 2021.

O texto apresentado pelo partido governista A República em Marcha (LREM) e seu aliado Agir foi adotado por 388 votos a favor, 104 contra e 66 abstenções. Todos os deputados de esquerda votaram contra, denunciando "um ataque às liberdades".

O projeto de lei trata da segurança geral na França, abrangendo questões que vão deste a polícia municipal até a segurança privada. O texto também deverá permitir o uso de drones pela polícia para registrar manifestações e reconhecimento facial pelas câmeras de vídeo de policiais, entre outras medidas.

No entanto, é o polêmico artigo 24 que mobiliza a opinião pública nos últimos dias. Ele pode punir a captação e a difusão de imagens de forças de segurança em ação.

O objetivo, segundo os deputados governistas, seria "proteger aqueles que nos protegem", evitando que gravações de policiais sejam publicadas nas redes sociais e utilizadas para identificá-los.

O texto prevê a pena de um ano de prisão e € 45 mil (cerca de R$ 288 mil) de multa caso imagens das forças de ordem em ação possam ser utilizadas para algum tipo de "ataque à integridade física e moral".

Ataque contra a liberdade de imprensa

Para opositores e jornalistas, o artigo é um ataque direto contra a liberdade de imprensa e o direito de informar. Ele já havia sido aprovado na última sexta-feira (21), gerando uma forte indignação. No fim de semana, milhares de pessoas saíram às ruas de todo o país para protestar contra a decisão da Assembleia francesa.

Depois do ministro do Interior, Gérald Darmanin, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, se pronunciou  sobre o polêmico artigo 24. Segundo ele, "nunca foi, não é, e nunca será intenção do governo atacar, de nenhuma forma, a liberdade de imprensa, de expressão e os fundamentos da lei de 1881", sobre os direitos e deveres dos jornalistas na França.

"Não se trata de impedir quem quer que seja de filmar ou divulgar imagens permitindo esclarecer um fato ou um acontecimento público", afirmou Castex.

Segundo ele, o objetivo da futura lei é proteger as forças de segurança "de imagens vinculadas a mensagens que podem atingir a integridade dos funcionários de polícia e da segurança nacional".

Devido à revolta da classe jornalística, uma emenda ao artigo foi feita, introduzindo a menção "sem prejuízo ao direito de informar". O premiê receberá nesta semana representantes de sindicatos de jornalistas e representantes da imprensa francesa.

O texto será examinado em janeiro de 2021 pelos senadores. Segundo o primeiro-ministro, o projeto de lei também será examinado pelo Conselho Constitucional antes de ser sancionado.

Falta de unanimidade dentro do governo

Apesar de aprovado em primeira leitura e ser defendido pelos deputados governistas, não há consenso sobre a futura lei. "Não acredito em um Estado autoritário e não votarei esse texto", declarou a deputada do LREM Nathalie Sarles à rádio France Bleu.

Para o senador do partido de direita Os Republicanos, o futuro delito é "inaplicável e inconstitucional". "É uma faca de dois gumes para os policiais, que não vão ganhar nenhuma proteção extra com isso. E um ataque à liberdade de imprensa!", defendeu, em entrevista ao jornal "Le Monde".

O ministro francês da Justiça, Eric Dupond-Moretti, também deu a entender que há dúvidas dentro do próprio governo sobre o controverso artigo 24. "Estamos conversando sobre isso. Não queremos proibir os jornalistas de filmar e é preciso que encontremos um equilíbrio", afirmou ao canal BFM TV.

No domingo (22), 33 personalidades que votaram para o presidente Emmanuel Macron em 2017, entre eles, o cineasta Costa-Gavras e o ex-jogador de futebol Lilian Thuram, assinaram uma carta pública pedindo a revogação do projeto de lei. Na segunda-feira (23), foi a vez da Comissão Europeia se pronunciar sobre a polêmica.

"A Comissão se abstém de comentar os projetos de lei, mas é evidente que em tempos de crise é mais importante do que nunca que os jornalistas possam fazer seu trabalho com liberdade e segurança", disse um porta-voz da Comissão, Christian Wigand.

"Como sempre, a Comissão se dá o direito de examinar a legislação final para verificar a sua conformidade com a legislação da União Europeia", acrescentou o funcionário.


Macron anuncia flexibilização do lockdown na França e prevê início da vacinação contra a Covid até janeiro

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta terça-feira (24) um plano de flexibilização do lockdown no país a partir deste sábado. Os franceses estão em confinamento quase total desde o fim de outubro, após os números do coronavírus baterem níveis alarmantes nesta segunda onda da pandemia na Europa.

Macron também afirmou que o início da vacinação contra a Covid-19 na França deve começar no fim de dezembro ou em janeiro. Segundo o presidente, a imunização não será obrigatória. Mesmo assim, ele assegurou:

"Nossa estratégia [de combate à pandemia] se baseia nas várias vacinas".

O presidente comemorou a queda no número diário de casos confirmados da Covid-19 — eram 60 mil antes do início do lockdown e, na semana passada, ficou em 20 mil.

Macron, porém, advertiu que as medidas de flexibilização podem ser retiradas caso os números do coronavírus voltem a piorar na França. "Façamos tudo para evitar uma terceira onda e um terceiro confinamento", disse.

Veja abaixo o plano de reabertura da França após a segunda onda da Covid no país

A partir de 28 de novembro

Ficam autorizadas a caminhada e as atividades físicas ao ar livre por três horas diárias e dentro de um raio de 20 km a partir de casa

Atividades extra-escolares ao ar livre também ficam permitidas

Reabertura do comércio até as 21h, com serviços de entrega

Retomada das cerimônias religiosas, com ocupação máxima de 30 pessoas

A partir de 15 de dezembro

Fim do lockdown; as pessoas poderão deixar suas casas para motivos diversos

Porém, haverá toque de recolher das 21h às 7h, exceto nas noites de Natal e de Ano Novo.

A partir de 20 de janeiro

Reabertura de restaurantes e academias

Retomada das aulas presenciais no equivalente ao Ensino Médio. Universidades voltam apenas 15 dias depois.

Os 16 Estados federais da Alemanha propuseram, nesta terça-feira (24), que o governo federal limite celebrações de Natal e Ano Novo a 10 pessoas no máximo para evitar as transmissões de coronavírus, segundo a agência France Presse.

Entre o conjunto de propostas para conter a circulação de pessoas durante as festas de final de ano, os estados alemães também sugerem colocar em quarentena os participantes antes e depois das celebrações. As crianças menores de 14 anos não seriam contadas nas limitações.

As restrições entrariam em vigor em 23 de dezembro e durariam até 1º de janeiro.

As regiões, no entanto, são contrárias a uma proibição total dos fogos de artifício nos dias próximos a 31 de dezembro, uma questão muito debatida na Alemanha para um setor que gera milhões de euros em receita.

Todas essas propostas serão debatidas na quarta-feira (25) com o governo federal.


O chocante relato do menino obrigado a ameaçar Trump em vídeo do Estado Islâmico

Matthew ainda se lembra do momento em que sua vida mudou: a noite em que sua mãe e seu padrasto cruzaram as fronteiras da Turquia com ele e alcançaram o território do autodenominado Estado Islâmico (EI) na Síria.

"Corremos por uma área muito escura, cheia de arames farpados... Não passava muita coisa pela minha cabeça, exceto, 'eu preciso correr'", diz ele, em entrevista à BBC e à emissora pública americana PBS.

Nascido nos Estados Unidos, Matthew foi levado para a Síria quando tinha oito anos. Sua mãe havia se casado com um marroquino, Moussa Elhassani, que se radicalizou e ingressou no Estado Islâmico, levando toda a família para viver na Síria, país que vive uma guerra civil.

O rosto do menino ficou conhecido mundialmente em 2017, aos dez anos, quando militantes do EI o usaram em um vídeo ameaçando o presidente americano, Donald Trump.

Agora com 13 anos, ele está de volta a seu país de origem e morando com seu pai, depois que os militares dos EUA o resgataram e o trouxeram para casa em 2018.

Matthew diz se sentir "aliviado".

"O que aconteceu, aconteceu. O resto ficou para trás", diz ele.

"Era tão pequeno que não entendia o que estava acontecendo", acrescenta.

Jornada ao inferno

Foi em abril de 2015 que uma família aparentemente comum cruzou a fronteira da Turquia, da província de Sanliurfa para o território do EI.

Em Raqqa, a cidade reivindicada pelos combatentes islâmicos como sua capital, o padrasto de Matthew, Moussa Elhassani, foi enviado para treinamento militar e ali se tornou um franco-atirador.

Aos oito anos de idade, Matthew tentava entender seu novo lar.

"Quando estivemos em Raqqa pela primeira vez, ficamos na cidade. Era muito barulhenta com os tiros. De vez em quando, havia uma explosão, mas era longe. Então não tínhamos muito com que nos preocupar", lembra.

No início de 2017, a mãe de Matthew, Samantha Sally, enviou um e-mail desesperado para uma irmã nos EUA. Ela pedia dinheiro para ajudar a família a sair dali.

E também enviou alguns vídeos extremamente perturbadores de Matthew. Em um deles, o padrasto Moussa Elhassani forçava o menino a montar um cinto suicida.

Matthew, que seguia as instruções, recriava como daria as boas-vindas aos soldados americanos que o resgatariam para então matá-los, detonando os explosivos.

Em outro vídeo, ele foi visto desmontando um AK-47 carregado, desafiado por seu padrasto a fazê-lo em menos de um minuto.

Pesadelo

Certa noite, enquanto a coalizão liderada pelos Estados Unidos intensificava seus ataques aéreos a Raqqa, uma bomba atingiu uma casa vizinha, que desabou no local onde Matthew vivia com sua família.

O menino foi milagrosamente salvo: ele conseguiu tatear entre os escombros e a poeira.

Pouco depois, em agosto de 2017, Raqqa estava em ruínas, mas o Estado Islâmico ainda tinha certeza de sua vitória.

Foi quando o grupo usou Matthew para filmar um vídeo de propaganda ameaçando Trump.

"Minha mensagem para Trump, o fantoche dos judeus: Alá nos prometeu a vitória e lhe prometeu a derrota", disse o menino, recitando a mensagem que o forçaram a memorizar.

"Esta batalha não vai terminar em Raqqa ou Mosul. Vai acabar em suas terras ... Então prepare-se, porque a luta está apenas começando", acrescentou.

Anos depois, o menino lembra que seu padrasto o obrigou a gravar o vídeo e que o ameaçou durante as filmagens.

"Estava começando a perder o controle, como se tivesse com problemas mentais", diz ele.

Logo depois, Elhassani foi morto em um suposto ataque com drone.

"Fiquei feliz porque não gostava dele, obviamente", diz Matthew.

"Não acho que deveria ter ficado feliz porque uma pessoa morreu, mas fiquei. Estávamos todos chorando... de alegria."

Resgate

Após a morte do padrasto, a mãe de Matthew, Samantha Sally, pagou a traficantes de pessoas para tirar ela e seus quatro filhos do território controlado pelo Estado Islâmico.

Matthew foi escondido dentro de um barril na parte de trás de um caminhão para passar pelos postos de controle.

Quando chegaram ao território controlado pelos curdos, foram presos em um campo de detenção. Foi lá no inverno de 2017 que a BBC começou a falar com Sally.

A mulher disse que seu marido a enganou e a convenceu a levar sua família para a Síria. Ela dizia não ter ideia do que ele estava planejando.

Uma vez em Raqqa, conta, ele se tornou violento.

A americana admitiu que, durante sua estada lá, o casal comprou duas adolescentes yazidis como escravas e que seu marido as estuprava regularmente.

Versão falsa

Ao retornar aos EUA, Sally disse que havia sido traída pelo marido. Embora o tivesse apoiado "em seus esforços estúpidos", ela insistia que não era culpada por ele ingressar no EI.

No entanto, uma reportagem investigativa da BBC e da PBS descobriu evidências que contestavam essa história.

Um membro da família Elhassani disse que Moussa ficou obcecado pelo EI nos meses que antecederam a partida dos EUA e que o viu assistindo à propaganda do grupo, incluindo vídeos de execuções, na casa da família.

Uma amiga de Sally também se lembrou de uma conversa em que ela lhe disse que seu marido se sentiu chamado a entrar na "guerra santa".

A reportagem investigativa também revelou que Sally fez uma série de viagens a Hong Kong nas semanas antes de sua família deixar os EUA e que ela depositou pelo menos US$ 30 mil em dinheiro e ouro em cofres.

Depois de quase 12 meses presa, Sally mudou sua versão e se declarou culpada de financiar o terrorismo como parte de um acordo judicial.

Evidências colhidas pelas autoridades mostraram depois que Sally ajudou a filmar os vídeos de seu filho com o cinto suicida e o AK-47.

De acordo com os promotores, nunca se saberá por que ela ajudou seu marido a ingressar no Estado Islâmico, embora sua defesa argumente que ela foi coagida pelo por ele.

Desde seu retorno aos Estados Unidos, Matthew recebeu apoio psicológico para ajudá-lo a lidar com o trauma de tudo o que lhe aconteceu.

Segundo os médicos, ele melhorou e está bem, hoje morando com o pai.


Casa Branca autoriza Biden a receber relatórios de inteligência enviados ao presidente dos EUA, diz agência

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, passará a receber os relatórios de inteligência que são enviados a Donald Trump, derrotado na tentativa de se reeleger. A decisão foi tomada pela Casa Branca, informou a agência Reuters.

Esses relatórios passados ao presidente incluem informações confidenciais sobre segurança nacional e ameaças à paz tanto nos EUA quanto no mundo.

Mesmo com a recusa do republicano em admitir a derrota nas eleições presidenciais, o gabinete do governo americano responsável pela transição anunciou na segunda-feira que iniciaria a transferência de documentos à equipe de Biden. A página oficial do time do democrata, inclusive, recebeu o direito de usar .gov, o que sinaliza essa oficialização.

O  secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar, admitiu que o órgão está trabalhando para enviar relatórios ao novo governo e prometeu uma transição "profissional, cooperativa e colaborativa".

Recentemente, médicos dos EUA criticaram a insistência do governo Trump em não passar os dados da Covid-19 à equipe de Biden em pleno recrudescimento da pandemia do coronavírus no país.

Em pronunciamento nesta tarde, o presidente eleito anunciou formalmente os nomes de parte de seu gabinete de governo, que toma posse em 20 de janeiro. "Juntos, esses servidores públicos vão restaurar a América globalmente e sua liderança moral e global", afirmou Biden.

"É um time que reflete o fato de que a América está de volta, pronta para liderar o mundo — e não se retirar dele", completou o presidente eleito.

Transição conturbada

Geralmente, a transição se inicia assim que o candidato derrotado parabeniza o vencedor a partir de dados de apuração das urnas coletados pelos órgãos de imprensa. Foi assim quando Trump se elegeu, em 2016.

Porém, neste ano, o presidente derrotado insiste na tese de que foi vítima de fraude, mas nenhuma alegação foi provada e a equipe do republicano acumula derrotas nos tribunais.

Mais  dois estados considerados chave oficializaram a vitória de Biden: Pensilvânia e Nevada, que, juntos, valem 26 votos no Colégio Eleitoral. Pelas projeções a partir da apuração das urnas, Biden terá 306 delegados contra 232 de Trump.

Outros estados chave que já certificaram a vitória do democrata foram Michigan, com 10 votos no Colégio Eleitoral, e a Geórgia, com 16. Nesse último estado, Biden teve a vitória declarada após uma recontagem manual das cédulas.


Biden vai nomear a 1ª mulher para liderar a inteligência dos EUA e o 1º latino para Segurança Interna

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou  que vai nomear Avril Haines para ser diretora nacional de inteligência e Alejandro Mayorkas para chefiar o DHS (Departamento de Segurança Interna, em tradução livre)— a primeira mulher e o primeiro latino-americano a ocuparem os respectivos cargos.

A nomeação de Mayorkas é considerada simbólica porque ele, nascido em Cuba e naturalizado americano, ficará na chefia do departamento responsável pela imigração e pela patrulha de fronteiras. No caso de Haines, a principal atribuição dela será supervisionar os relatórios de inteligência enviados à Casa Branca, em um cargo criado depois dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Veja os nomes anunciados para o gabinete de Biden:

Antony Blinken: ex-vice-secretário de Estado, foi nomeado para servir como secretário de Estado. Anteriormente ocupou cargos de relações exteriores no Capitólio, na Casa Branca e no Departamento de Estado.

Alejandro Mayorkas: ex-secretário adjunto do Departamento de Segurança Interna. Já foi aprovado pelo Senado dos EUA três vezes ao longo de sua carreira. É o primeiro latino e imigrante nomeado como secretário do Departamento de Segurança Interna.

Linda Thomas-Greenfield: embaixadora veterana com 35 anos no serviço de relações exteriores dos EUA. Trabalhou em quatro continentes. Foi indicada para servir como embaixadora dos EUA nas Nações Unidas.

John Kerry: ex-secretário de Estado será o enviado presidencial especial para o Clima e fará parte do Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês). Com isso, será a primeira vez que o NSC incluirá um enviado dedicado às mudanças climáticas. Segundo a equipe de Biden, isso reflete o compromisso do presidente eleito de abordar as mudanças climáticas como uma questão urgente de segurança nacional. Kerry se candidatou a presidente em 2004, mas perdeu para o republicano George W. Bush, reeleito naquele ano.

Avril Haines: ex-vice-diretora da CIA e vice-conselheira de Segurança Nacional, será nomeada para atuar como diretora de inteligência nacional. Será a primeira mulher a liderar a comunidade de inteligência americana.

Jake Sullivan: será nomeado conselheiro de Segurança Nacional. É uma das pessoas mais jovens a ocupar essa função em décadas, aos 43 anos.

Segundo o jornal "The New York Times", a equipe reúne altos funcionários do governo Obama e a maioria trabalhou em conjunto no Departamento de Estado e na Casa Branca. Eles compartilham a ideia de política externa do Partido Democrata, que inclui cooperação internacional, fortes alianças e cautela quanto a intervenções estrangeiras após as guerras no Iraque e Afeganistão.

No anúncio, o escritório do presidente eleito disse em comunicado que "esses líderes experientes e testados em crises começarão a trabalhar imediatamente para reconstruir nossas instituições, renovar e reimaginar a liderança americana [...] e enfrentar os desafios definidores de nosso tempo — de doenças infecciosas a terrorismo, proliferação nuclear, ameaças cibernéticas e mudanças climáticas".

Além desses anúncios oficiais, veículos de imprensa dos EUA como a emissora CNBC afirmam que Trump vai nomear Janet Yellen para o cargo de secretária do Tesouro — cargo atualmente ocupado por Steve Mnuchin e que é considerado fundamental no esforço do governo em reaquecer a economia após o choque da pandemia do coronavírus.

Yellen tem experiência por ter presidido o Federal Reserve, o banco central americano, entre 2014 e 2018. O cargo de secretária de Tesouro precisa de aprovação pelo Senado, e, se passar, ela será a primeira mulher a ocupar esse posto.

Biden confirma secretário de Estado

A imprensa americana havia divulgado no domingo (22) que Antony Blinken deveria ser indicado para o cargo de secretário de Estado, que é equivalente ao de ministro das Relações Exteriores no Brasil. Ele substituirá Mike Pompeo, o maior braço-direito da política externa do governo de Donald Trump.

A escolha do experiente diplomata é uma decisão que pode marcar o retorno dos EUA ao multilateralismo, após o atual presidente americano ter se afastado dos aliados tradicionais do país.

Blinken, de 58 anos, é um dos principais colaboradores do democrata para política externa e foi o número dois do Departamento de Estado durante o governo de Obama, quando Biden era vice-presidente, e atuou como braço-direito de John Kerry — agora escolhido para ser o enviado especial para o clima.

O anúncio ocorre 20 dias após a eleição em que Biden derrotou Trump, embora o atual presidente ainda não tenha reconhecido a derrota.


Michigan certifica vitória de Joe Biden no estado

Michigan certificou que Joe Biden venceu a eleição presidencial de 3 de novembro naquele estado. Com a vitória, o democrata conquistou 16 delegados no Colégio Eleitoral.

O ato é mais uma derrota para o presidente Donald Trump, que tentava reverter o resultado - O Comitê Nacional Republicano e o Partido Republicano de Michigan chegaram a escrever ao conselho eleitoral estadual de Michigan no sábado pedindo um adiamento de 14 dias na certificação para permitir uma auditoria das cédulas no maior condado do Estado.

O pedido era relacionado ao condado de Wayne, que inclui a cidade de maioria negra Detroit.

A certificação foi emitida nesta segunda-feira por três votos a favor e uma abstenção, por um comitê composto por dois funcionários democratas e dois republicanos.

O gabinete da Secretaria de Estado de Michigan recomendou na sexta-feira que o conselho estadual certificasse os resultados, que mostraram Biden vencendo em Michigan por 154.187 votos. Segundo a agência Reuters, o gabinete afirmou que havia pequenos erros de tabulação, mas que derivavam de "erro humano semelhante ao que ocorreu em eleições anteriores" e que não haviam afetado os resultados.

Retirada de ação

Na quinta-feira (19), a campanha de Trump anunciou que havia retirado o processo em que tentava parar a contagem de votos no estado de Michigan.

O processo em Michigan tentava impedir a certificação do resultado na região de Detroit, a maior cidade do estado, e a campanha do presidente disse ter retirado a ação por ter conseguido atingir seu objetivo — o que não é verdade.

O advogado de campanha de Trump, Mark "Thor" Hearne II, afirmou que o processo não era mais necessário porque "o conselho de fiscais do condado de Wayne se reuniu e se recusou a certificar os resultados da eleição presidencial".

Mas o resultado daquele condado foi certificado na terça-feira (17). Fiscais republicanos chegaram a barrar a certificação dos resultados, mas voltaram atrás depois.

Naquele mesmo dia, Trump convidou deputados republicanos do Michigan para uma reunião na Casa Branca na sexta-feira.

Os líderes do Senado e da Câmara estaduais de Michigan, ambos republicanos, divulgaram um comunicado após essa reunião em que negaram saber de qualquer irregularidade e prometeram seguir as regras.

"Não fomos alertados de nenhuma informação que mudaria o resultado da eleição no Michigan. E, como líderes do Legislativo, vamos seguir a lei e os processos normais em relação aos votos do Michigan no Colégio Eleitoral", disseram.


O que resta da Primavera Árabe após 10 anos de protestos e mudanças em governos

Uma onda de esperança súbita, sem limites, contagiosa: há 10 anos o mundo árabe viveu uma série de revoltas populares, que representaram um sopro de liberdade, antes de resultar em frustração. Um acontecimento histórico que mudou de maneira irremediável a região.

Do colapso como um castelo de cartas de regimes que pareciam intocáveis até o auge e queda do califado jihadista, a chamada Primavera Árabe, que nasceu no fim de 2010, transformou o Oriente Médio em cenário de constante agitação durante a segunda década do século XXI.

Os protestos da população na Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen foram seguidos, no melhor dos casos, por reformas decepcionantes. Com frequência os países sofreram com guerras internas e novos regimes ditatoriais.

O espírito das revoluções, no entanto, não se apagou, como demonstra a segunda onda de levantes no Sudão, Argélia, Iraque e Líbano oito anos depois.

Lina Mounzer, escritora e tradutora libanesa, cuja família tem raízes no Egito e Síria, afirma que desde as revoltas algo mundo na "fábrica da própria realidade".

"Não sei se há algo mais comovente ou nobre que as pessoas pedindo uma vida digna com uma só voz", afirma.

"Demonstra que isso é possível, que as pessoas podem se rebelar contra os piores déspotas, que ainda resta coragem suficiente nas pessoas que se levantam e trabalham juntas para enfrentar exércitos inteiros".

Faísca da Tunísia

Tudo começou em 17 de dezembro de 2010, quando um jovem vendedor ambulante, revoltado com anos de perseguição policial, jogou gasolina no corpo e ateou fogo diante da sede do governo da cidade de Sidi Bouzid, no centro do país.

A imolação de Mohamed Bouazizi não foi a primeira na região ou na Tunísia, mas foi a faísca que inflamou uma raiva nunca antes registrada. Apesar da ausência de imagens, a história do ambulante viralizou na região.

Quando Bouazizi morreu em consequência das queimaduras em 4 de janeiro, o movimento de protesto contra o presidente Zine El Abidine Ben Ali, que estava há 23 anos no poder, se propagou por todo o país.

Dez dias depois, Ben Ali fugiu para Arábia Saudita, onde morreu exilado em 2019 para indiferença geral.

Nas semanas seguintes, as manifestações pró-democracia chegaram ao Egito, Líbia e Iêmen. Quando a revolta se propagou pelas ruas do Cairo, a maior cidade da região e símbolo político histórico, o movimento começou a ser chamado de "Primavera Árabe".

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas no Egito para gritar suas aspirações democráticas e pedir a saída de Hosni Mubarak, que estava no poder desde 1981.

É difícil compreender o sentimento de esperança e euforia que aquelas imagens geraram em toda a região e no resto do mundo. Parecia que havia acabado o fatalismo que geralmente impregna qualquer referência à política no Oriente Médio.

Clamor de esperança

"Olhe as ruas do Egito esta noite; isto se parece com esperança", escreveu a romancista egípcia Ahdaf Soueif em um artigo no jornal The Guardian na época.

A voz do povo se levantou como apenas uma, não apenas em um país, mas em toda a região, derrubando alguns dos ditadores mais sanguinários do planeta e estremecendo milhões de pessoas no mundo.

"Al-shaab yureed iskat al-nizam" (O povo quer a queda do regime) foi o slogan da Primavera Árabe em toda a região.

Estas palavras eram um grito visceral que levou coragem a uma geração que não sabia que estava farta. Os termos viraram uma espécie de feitiço que, se repetido por tempo suficiente, libertaria as pessoas de seus opressores.

Um novo paradigma nasceu no Oriente Médio com a constatação de que os tiranos não eram invencíveis, que a mudança poderia acontecer por dentro e não apenas como resultado de outra jogada no tabuleiro da geopolítica mundial.

Lina Mounzer recorda que nos primeiros dias a revolta popular acabou com o sentimento de "derrota árabe" que impregnou duas gerações após a morte do egípcio Gamal Abdel Nasser e seu projeto de nacionalismo pan-árabe.

"Havia um sentimento de que nós, árabes, éramos preguiçosos e estávamos cansados para nos levantar contra a opressão, que aceitávamos o regime dos ditadores e déspotas porque éramos fundamentalmente deficientes, ou porque o colonialismo e a interferência ocidental haviam nos transformado em burros de carga", disse à AFP.

'Islã e democracia'

O impensável aconteceu em 11 de fevereiro de 2011, quando foi anunciada a renúncia de Mubarak.

"Durante a noite da queda de Mubarak eu chorei de alegria. Não conseguia acreditar como os egípcios eram corajosos e belos. Parecia o alvorecer de uma nova era", recorda Mounzer.

"E depois, a Síria. Se acreditava que estava feliz com o Egito, surpresa com o Egito, com a Síria eu estava em êxtase".

Seis meses antes de ser assassinado em Istambul, o jornalista e dissidente saudita Jamal Khashoggi afirmou que as revoltas acabaram definitivamente com a ideia generalizada de que os árabes e a democracia eram incompatíveis.

"Este debate sobre a relação entre Islã e democracia acabou com o surgimento da Primavera Árabe", disse em um discurso em 2018.

Além de Ben Ali e Mubarak, o líder líbio Muamar Khadafi, Ali Abdullah do Iêmen e, no ano passado, o sudanês Omar al-Bashir foram outros que caíram com revolução árabe.

Os cinco ditadores juntos somavam 146 anos de poder, sem contar os 12 anos que Saleh passou como presidente do Iêmen do Norte antes da unificação do país em 1990.

Durante algum tempo, o colapso das autocracias da região parecia imparável.

'Inverno árabe'

Mas a "Primavera Árabe" tão aguardada não durou muito. Por ironia da história, o termo que surgiu no fim de janeiro de 2011 quase não é usado nos países árabes, onde se prefere falar em "levante" e "revolução".

O nome rapidamente deu lugar à expressão inversa, "Inverno Árabe", que dá título a um livro que o americano Noah Feldman publicou em 2019.

Na sinopse do livro, o proeminente acadêmico Michael Ignatieff afirma que a obra destaca "um dos acontecimentos mais importantes de nosso tempo: o trágico fracasso da Primavera Árabe".

Com exceção da Tunísia, o vazio gerado pela queda dos regimes odiados não foi preenchido com as reformas democráticas que eram exigidas pelos manifestantes. Pior, em alguns casos resultou em conflitos armados.

No Egito, uma breve e emocionante experiência democrática acabou rapidamente com uma brutal repressão policial.

Em 2012, os egípcios escolheram nas urnas Mohammed Morsi como presidente, um islamita que tinha a oposição de boa parte dos manifestantes, o que abriu o caminho para o golpe do ministro da Defesa Abdel Fattah al Sisi no ano seguinte.

Al Sisi permanece no poder e seu governo é, no mínimo, tão autoritário quanto o de Mubarak.

A decepção entre os rebeldes é amarga. A esperança de Ahdaf Soueif nos primeiros dias de fevereiro de 2011 agora parece uma miragem. "Nunca imaginei que meu sobrinho, Alaa Abd el Fattah, ainda estaria na prisão", declarou à AFP.

"Ou que a pobreza atingiria um nível recorde... ou que os jovens, pela primeira vez na história, desejassem sair do Egito."

No Bahrein, a única monarquia do Golfo que registrou protestos, em 2010, o levante foi brutalmente reprimido com a ajuda da Arábia Saudita, que não hesitou em atacar qualquer desejo revolucionário em seu território.

Os protestos na atemorizada Argélia, que viveu uma guerra civil, não explodiram. Isto só aconteceu quase 10 anos depois em 2019. No Marrocos foram sufocados com reformas cosméticas.

Na Líbia, os revolucionários se dividiram em várias milícias que fragmentaram o país. O Iêmen, país mais pobre da península arábica, entrou em um conflito civil alimentado pelo sectarismo e permanece em guerra.

Mas foi na Síria que a Primavera Árabe foi enterrada.

'Sua vez, doutor'

Nenhum líder da região parecia mais difícil de derrubar que Bashar al-Assad quando o movimento começou em 2011. Algumas semanas depois dos primeiros protestos, uma mensagem pintada em um muro da cidade de Daraa, sul do país, advertiu o oftalmologista que estudou em Londres.

"Sua vez, doutor", afirmava a mensagem de um adolescente, que foi detido e brutalmente torturado, o que provocou uma onda de protestos pela libertação do jovem e que muitos consideram o detonador do levante em todo o país.

Mas a vez de Assad nunca chegou. Ele superou a tempestade e virou a peça do dominó que não caiu.

Com exceção da Tunísia, as revoluções acabaram de maneira negativa. Na Síria, a luta do regime para sobreviver deixou mais de 380 mil mortos.

Um dos grafiteiros de 2011, Moawiya Sayasina, afirmou em 2018 à AFP que o contra-ataque foi pior do que jamais teria imaginado.

"Tenho orgulho do que fizermos na época, mas nunca pensei que chegaríamos a este ponto, que o regime nos destruiria desta forma. Pensávamos que poderíamos nos livrar dele", confessou.

Enquanto os protestos eram brutalmente reprimidos, o ódio sectário aumentou e os jihadistas, tanto na Síria como em outros países, encontraram um terreno fértil imbatível.

"Os valores contra a violência dos manifestantes não demoraram a virar campos de batalha na Líbia, Síria e Iêmen", afirma Robert F. Worth, jornalista e autor do livro "A Rage for Order" (Raiva por Ordem).

O avanço do jihadismo culminou na proclamação em 2014 pelo grupo Estado Islâmico (EI) de um "califado" em regiões da Síria e do Iraque que chegou a ter o tamanho da Grã-Bretanha.

A violência atroz que o Estado Islâmico propagava nas redes sociais e sua habilidade para atrair milhares de combatentes da Europa e outros pontos do planeta gerou pânico no Ocidente, que rapidamente perdeu o entusiasmo pró-democracia.

O foco do mundo se concentrou na luta contra o terrorismo, deixando de lado a mudança dos regimes autocráticos que rapidamente se apresentaram como último baluarte contra o extremismo islamita.

'Sua própria história'

O Ocidente, liderado pelo governo americano de Barack Obama, não previu as revoltas árabes. E se no primeiro momento deram apoio aos manifestantes, rapidamente descartaram qualquer intervenção direta, com exceção dos polêmicos bombardeios da Otan na Líbia para evitar que Khadafi esmagasse a revolução.

"O significado político central da Primavera Árabe e suas consequências é que foram os próprios árabes que atuaram por conta própria, em pleno direito, produtores independentes de sua própria história", escreve Noah Feldman em "O Inverno Árabe".

Mas esta vontade estagnou e, uma década depois, é difícil considerar as revoltas árabes como um êxito.

Ahdaf Soueif pensa que ainda é cedo para tirar conclusões.

"As condições em que as pessoas viveram desde meados da década de 1970 propiciaram a revolta. Era inevitável. E continua sendo inevitável", opina.

Assim como outros ativistas, Ahdaf rejeita a retórica que vincula o crescimento do islã radical com as revoltas. Ele afirma que foram as contrarrevoluções que alimentaram as frustrações e privações que alimentaram os jihadistas, diz.

Legado e lição

Em 2018, uma nova onda de protestos com pedidos de transparência e reformas democráticas no Sudão, Argélia, Iraque e Líbano reavivou as esperanças.

Os mesmos slogans voltaram a ser ouvidos, confirmando que o espírito das revoltas de 2011 resiste e ainda inspira a juventude da região.

Para Arshid Adib-Moghaddam, professor da Faculdade de Estudos Orientais e Africanos de Londres, as principais reivindicações dos protestos continuam sob a superfície "e devem ferver novamente com a mínima oportunidade como um tsunami político".

"As pessoas da região estabeleceram um novo padrão para a política e a governança que exigem que seja cumprido. Desde então, as políticas são medidas em comparação a estas reivindicações", afirma Adib-Moghaddam, autor do estudo "On the Arab revolts and the Iranian revolution: Power and resistance today" (Sobre as revoltas árabes e a revolução iraniana: Poder e resistência hoje).

Mudanças irreversíveis foram adotadas e estão abrindo caminho.

No Egito, "há uma revolução social" que conseguiu fazer com que assuntos como "direitos da mulher ou da comunidade LGBTQ encontrem mais espaço", destaca Soueif.

Alaa al-Aswany, um dos principais romancistas egípcios e personagem central do movimento que acampou brevemente na praça Tahrir do Cairo, gosta de afirmar que "a revolução é como se apaixonar, faz de você uma pessoa melhor".

Lina Mounzer, que também viveu a revolta do Líbano em 2019, considera que a forma como as pessoas observam seus líderes, o restante do mundo e eles mesmos mudou para sempre.

"Vivemos muito tempo em um mundo que tentou nos incutir a ideia de que o pensamento comunitário é suspeito e que o individualismo é sinônimo de liberdade. E não é assim. Dignidade é sinônimo de liberdade", afirma.

"Isto é o que a Primavera Árabe, em seus primeiros e idealistas dias, não apenas nos ensinou, e sim nos confirmou... O que faremos com esta lição — enterrá-la ou construir sobre ela — é algo que resta ver", completa.

A "Revolução de Jasmim" tunisiana é apontada como o exemplo de que as revoltas árabes podem ter sucesso.

Quase não houve derramamento de sangue, divisões profundas foram evitadas e o partido islâmico dominante Ennahda fez uma transição relativamente tranquila para o consenso político.

"Em contraste com o fracasso do Egito e o desastre da Síria, a Tunísia parece um caso atípico no fenômeno regional que começou", escreve Noah Feldman em "O Inverno Árabe".

Mas também no país norte-africano a história não acabou e para seus 11 milhões de habitantes os dividendos da revolução de 2010 ainda não são tão óbvios.

Ashref Ajmi, de 21 anos, que conversou com a AFP a poucos metros de onde tudo começou na praça Sidi Bouzid, onde há uma estátua de Bouazizi, está desencantado.

Ben Ali saiu, o país não está dividido, mas a situação econômica que provocou a revolta não melhorou.

"O slogan da revolução era 'trabalho, liberdade, dignidade nacional'. Não vimos nada disso. Não há trabalho", afirma o jovem.


Rei da Espanha entra em quarentena após contato com infectado com o coronavírus

O rei Felipe VI da Espanha está em quarentena após entrar em contato com uma pessoa infectada com a covid-19, anunciou a Casa Real.

"O Rei teve conhecimento de uma pessoa com quem teve contato próximo ontem (domingo) que testou positivo para a covid-19 hoje. Seguindo as normas sanitárias, a partir de agora ele vai manter o período de quarentena obrigatória de dez dias e todas as atividades oficiais foram suspensas", anunciou o Palácio em um comunicado.

A Rainha Letizia, a Princesa Leonor e a Infanta Sofia "podem continuar as suas atividades normalmente", acrescentou o comunicado oficial.

A herdeira do trono, Eleanor, ficou em quarentena por duas semanas em meados de setembro após a detecção de um contágio entre seus colegas de escola.

A Espanha, um dos países mais atingidos pela pandemia, registrou um milhão e meio de infecções e mais de 43 mil mortes.


Inglaterra mantém fim do bloqueio total para conter transmissão do coronavírus em 2 de dezembro

Data do fim do 'lockdown' era prevista desde o início de novembro, quando começaram as restrições. O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também anunciou que pretende começar a vacinação contra a Covid-19 no mês que vem, se alguma vacina for aprovada até lá.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou que o bloqueio total na Inglaterra, para conter a transmissão do novo coronavírus (Sars-CoV-2), vai terminar no dia 2 de dezembro, como estava previsto. O "lockdown" no país começou em 5 de novembro, como forma de diminuir o contágio pela Covid-19.

Johnson também disse que pretende começar a vacinar a população do país no mês que vem, se uma vacina contra a doença for aprovada até lá. O governo informou que vai aumentar a testagem para conter o vírus até que as vacinas sejam distribuídas.

A intenção do premiê britânico, com o fim do bloqueio nacional, é voltar a usar um sistema de "três níveis" (veja detalhes mais abaixo) de restrições de forma localizada na Inglaterra – com cada região enfrentando diferentes medidas com base na gravidade de seus surtos.

Críticas aos 'três níveis'

O grupo de consultoria científica do governo deve publicar relatórios também na segunda-feira mostrando que a estratégia anterior de "três níveis" de Boris Johnson não foi forte o suficiente – e recomendando restrições mais duras quando ela for adotada de novo.

No sistema antigo, um nível de alerta “médio” exigia que os restaurantes e pubs fechassem às 22h e proibia a população de se reunir em grupos com mais de 6 pessoas.

O nível "alto" impedia que as pessoas se reunissem em ambientes fechados com alguém que não fosse de sua própria casa ou de uma "bolha de apoio" estendida.

Em áreas sob alerta “muito alto”, pubs e bares só podiam permanecer abertos e servir bebidas alcoólicas se fossem acompanhadas de uma refeição farta. Além disso, as pessoas eram alertadas a não entrar ou sair dessas áreas.

Mais atingido

O Reino Unido tem o maior número de mortos pela Covid-19 em toda a Europa: eram 54.722 óbitos até as 10h45 deste domingo (22), segundo monitoramento da universidade americana Johns Hopkins.

O bloqueio total que começou no início do mês tentou evitar que o sistema de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês, semelhante ao SUS brasileiro) fosse sobrecarregado. Serviços não essenciais como lojas, academias, bares e restaurantes foram fechados. A maioria das reuniões sociais também foi banida, mas as escolas permaneceram abertas.

O número de novos casos tem começado a cair no país, segundo a Associated Press. Nos últimos sete dias, a taxa de testes positivos caiu 13,8% em relação à semana anterior.

O secretário de Saúde britânico, Matt Hancock, disse à imprensaque o bloqueio total (lockdown) conseguiu frear a disseminação do vírus – mas enfatizou que as pessoas precisavam continuar a seguir as regras para manter o número de casos baixo.


EUA esperam iniciar vacinação contra a Covid-19 em dezembro

Os norte-americanos podem começar a receber a vacina contra a Covid-19 no dia 11 de dezembro, disse o chefe do programa de vacinas do governo dos Estados Unidos, o doutor Moncef Slaoui.

Os consultores da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) vão se reunir no dia 10 de dezembro para discutir se autorizam a vacina de uso emergencial contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer em parceria com a alemã BioNTech.

Se ela for aprovada, o plano do governo é enviar as doses para os estados em até 24 horas.

No sábado (22), os EUA ultrapassaram 12 milhões de infecções por Covid-19

Segundo a Pfizer, a vacina, que requer duas doses administradas com cerca de três semanas de intervalo, demonstrou ser 95% eficaz.

A empresa também afirma que tem doses suficientes para proteger 25 milhões de pessoas até o final do ano.

Distribuição das doses

A vacina será distribuída com base na população de cada estado dos EUA, disse Slaoui. Cada um deles decidirá quem recebe a vacina primeiro.

Mas a recomendação do governo é de que seja dada prioridade aos profissionais de saúde, trabalhadores da linha de frente e idosos.

Cerca de 70% da população precisa ser imunizada para obtenção da imunidade coletiva, meta que o país pode atingir até maio, segundo Slaoui.