Polícia britânica descarta investigar entrevista de 1995 da princesa Diana

A polícia britânica anunciou nesta quinta-feira que não abrirá uma investigação sobre uma impactante entrevista que a princesa Diana concedeu em 1995 a Martin Bashir, jornalista da BBC acusado de falsificar documentos para conseguir a entrevista.

Na entrevista, Diana revelou o motivo pelo qual havia se separado do príncipe Charles — um grande escândalo extraconjugal envolvendo a família real britânica —, um dos maiores furos do jornalismo britânico.

"Éramos três neste casamento", disse a "princesa do povo" em referência ao relacionamento de seu marido com Camilla Parker-Bowles, hoje casada com Charles.

Dois anos depois, Diana morreu em um acidente de carro em Paris.

Em novembro, o jornal "Daily Mail" publicou acusações feitas pelo irmão de Diana, o conde Charles Spencer, contra Bashir. Segundo Spencer, o jornalista conseguiu conquistar a confiança dele e de Diana ao dizer que havia uma conspiração da família real contra a princesa.

"Após um exame cuidadoso e à luz do assessoramento que recebemos, decidimos que não é apropriado abrir uma investigação criminal sobre essas acusações", declarou o comandante do serviço de polícia de Londres, Alex Murray, em comunicado.

Realeza nos holofotes

A decisão é anunciada na véspera da veiculação, nos Estados Unidos, de uma entrevista que Oprah Winfrey fez com o príncipe Harry e sua esposa, Meghan Markle, que abdicaram os títulos da realeza britânica e abandonaram os direitos e deveres da coroa.

Em um trecho da entrevista que já foi divulgado, Markle acusa o Palácio de Buckingham de "perpetuar inverdades" sobre ela e Harry.

Ambas as notícias coincidem com a hospitalização do príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, que tem 99 anos e está internado desde 17 de fevereiro.

Philip foi submetido a uma operação por um problema cardíaco, anunciou o Palácio de Buckingham, dizendo que o procedimento foi bem-sucedido.


Paramilitares da Irlanda do Norte deixam de apoiar acordo de paz

Grupos paramilitares da Irlanda do Norte favoráveis ao Reino Unido disseram ao primeiro-ministro Boris Johnson que eles estão tirando, temporariamente, seu apoio ao acordo de paz de 1998, por estarem preocupados com as consequências do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Os grupos afirmaram que se opõem de uma forma pacífica. No entanto, o aviso aumenta a tensão sobre a situação do Brexit na ilha da Irlanda.

A Irlanda do Norte é parte do Reino Unido, mas fica na mesma ilha da Irlanda, que é um país independente.

Durante décadas, houve um conflito interno na Irlanda do Norte entre aqueles que queriam se separar do resto do Reino Unido e os que pretendiam permanecer.

Em 1998, após três décadas de confrontos, foi assinado um tratado de paz, conhecido também como Acordo de Belfast ou Acordo da Boa Sexta-Feira.

Os paramilitares leais ao Reino Unido disseram que estão preocupados com os problemas que o Brexit causou no comércio --na Irlanda do Norte, alguns produtos pararam de chegar (veja mais abaixo).

Eles enviaram uma carta a Boris Johnson.

Eles afirmaram que a oposição é pacífica, mas afirmaram também o seguinte: "Por favor, não subestimem a força desse sentimento nesse tema na família unionista. Se você ou a União Europeia não estão preparados para honrar o acordo integralmente, então você será responsável pela destruição permanente do acordo".

Os paramilitares disseram que só voltarão a apoiar os termos do acordo de paz de 1998 quando forem resolvidos os problemas de comércio entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

Foi o resto do Reino Unido, eles afirmam, que romperam com suas garantias ao acordo de 1998.

Problemas com o Brexit

Preservar a paz na Irlanda do Norte foi um dos maiores desafios do Brexit.

Por ele, não há barreiras entre a Irlanda do Norte e a Irlanda. O problema é que a Irlanda faz parte da União Europeia.

Assim, é possível que bens e pessoas atravessem a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte sem controles.

Desde 2021, quando o Brexit entrou em vigor, a Irlanda do Norte tem tido problemas para importar uma série de bens da ilha da Grã-Bretanha.


Após ficar à beira do colapso na saúde, Portugal implementa restrições e números da Covid-19 melhoram

Portugal começou o ano de 2021 com o sistema de saúde perto do colapso e apresentava uma das piores tendências de alta de infecções e mortes por Covid-19 do mundo, mas um lockdown reverteu a situação: a taxa de incidência de Covid-19 do país atualmente é uma das cinco menores da Europa, de acordo com informações do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).

Na terça-feira, os dados de ocupação hospitalar mostravam que o país tinha atingido a menor taxa de internação por Covid-19 em quatro meses.

Trata-se de uma mudança em relação à situação do começo do ano. A situação começou a se alterar em 15 de janeiro, quando o governo ordenou um lockdown. Poucos dias depois, o país começou a reagir, e os números começaram a se igualar aos de outubro.

O número de mortes diárias em dezembro não passava de 100. Porém, em janeiro, muito mais gente passou a morrer de Covid-19: no dia 15 de janeiro, foram 159. Os números continuaram a piorar  no dia 31 daquele mês, foram 303 mortes.

No fim de fevereiro, o número diário voltou a ser menos de 100. Nos últimos dias, é em torno de 50.

O primeiro-ministro do país, António Costa, pediu às pessoas que sigam cumprindo as restrições para que se possa acabar gradualmente com o lockdown.

"A ideia de que uma tragédia não se repete é falsa, pode acontecer de novo se as pessoas repetirem os mesmos comportamentos", afirmou.

As autoridades de saúde do país afirmam que parte da piora que ocorreu em janeiro se deve a uma variante do coronavírus que foi inicialmente detectada no Reino Unido.

Outro vilão foi o relaxamento das regras de prevenção à Covid-19, o que ocorreu principalmente no fim do ano. "Não podemos cometer esses erros novamente", afirmou Costa.

A expectativa é que os planos para tornar o lockdown menos rígido sejam revelados no dia 11 de março. "Há mais gente que foi vacinada do que o número de infectados, e isso deve fazer com que possamos olhar o futuro com esperanças renovadas", disse a ministra de Saúde, Marta Temido.

A população de Portugal é de cerca de 10 milhões.


Como se explica o sucesso do programa de vacinação no Chile?

O planejamento explica o sucesso da vacinação no Chile, que já imunizou mais de 18% de sua população e é considerado modelo não apenas na América Latina. Ocupa o quinto lugar no ranking mundial em doses administradas para cada 100 pessoas, de acordo com o Our World in Data, da Universidade de Oxford, atrás de Israel, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e EUA.

Ainda que afundado numa crise política e social desde 2019, o governo de Sebastián Piñera não perdeu tempo: começou a negociar a compra de vacinas com muita antecedência e encomendou, até agora, cerca de 90 milhões de doses, que dariam conta de imunizar o dobro de sua população.

Diversificou também o leque de laboratórios, firmando convênios com Sinovac, Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson, em diferentes fases de pesquisas. Por estar em desvantagem em relação às nações ricas, conseguiu preços competitivos.

Para evitar 'turismo das vacinas', Chile proíbe imunização de estrangeiros sem visto de residência

O país andino deixa para trás os vizinhos do continente, com a ambiciosa meta de vacinar até o fim de junho pelo menos 80% dos chilenos, o que lhe garantiria a almejada imunidade de rebanho. Os 5 milhões que integram a população de risco serão vacinados até o fim deste mês.

Mais de 3,8 milhões -- de uma população de 19,3 milhões -- receberam pelo menos uma dose do imunizante contra a Covid-19. Nem por isso, o governo escapou de denúncias de fraudes: presume-se que 37 mil furaram filas e se vacinaram antes do previsto.

A pandemia ainda castiga fortemente o país, que perdeu 20.700 pessoas para o novo coronavírus. Embora a vacinação transcorra com agilidade, o número de infectados -- 4 mil por dia -- cresceu após o fim das férias de verão.

No auge da crise sanitária, eram 7 mil novos casos diários, o que obrigou o governo a decretar uma rígida, embora tardia, quarentena, sob críticas pesadas de que privilegiava a economia em detrimento da saúde. Cerca de 10% da população ainda enfrentam bloqueios, e o país está sob o estado de emergência, com toque de recolher a partir das 23h.

Durante o pico da doença e do confinamento, Piñera viu despencar a sua pífia popularidade -- reflexo de protestos sociais que convulsionaram o país em 2019. O presidente fechou o ano com apenas 7% de aprovação, sob pressão para adiantar para maio as eleições de novembro de 2021.

À medida que a vacinação avança, os ventos mudam gradualmente a seu favor. De acordo com a última pesquisa do Plaza Pública Cadem, subiu para 24%. Mas ainda é prematuro detectar se o êxito do plano de imunização será capaz de redimir o legado de Piñera.


Chile segue como líder na campanha de vacinação contra a Covid-19 na América Latina

A enfermeira María Paz Herreros aplicou a primeira vacina contra a Covid-19 no Chile em 24 de dezembro. Dois meses depois, já administrou mais de 2 mil em uma campanha que coloca o país na liderança na América Latina, com 3,5 milhões de pessoas que receberam ao menos uma dose.

Para evitar 'turismo das vacinas', Chile proíbe imunização de estrangeiros sem visto de residência

Chile inicia vacinação de professores e supera 2 milhões de imunizados

Na quarta-feira (3), quando o Chile relembrou  o primeiro caso confirmado de covid-19, o país está entre os cinco primeiros do mundo que mais vacinaram sua população (18%) com ao menos uma dose, segundo uma classificação da AFP com base em dados do governo.

Além disso, o país é o oitavo e único latino-americano na classificação de doses (uma ou duas) administradas a cada 100 habitantes, com 18,3 doses.

Quarenta dias depois e após um início que envolveu apenas os profissionais da saúde, em 3 de fevereiro o Chile iniciou a campanha de vacinação em massa, gratuita e voluntária, que superou as 200 mil doses diárias.

Até terça-feira (2), o total de imunizados era de 3.529.523, equivalente a 23,5% da população alvo de 15 milhões e mais de 18% de sua população total de 19 milhões.

Com esses resultados, as autoridades chilenas afirmam que alcançaram quase um quarto da população suscetível de ser vacinada, que exclui os menores de 16 anos, mulheres grávidas e que amamentam, além de um grupo que não quer se vacinar.

O objetivo é alcançar os 15 milhões de vacinados antes de 30 de junho.

Boa gestão e uma rede sólida

O Chile foi um dos países mais afetados pela pandemia na América Latina, com mais de 820 mil casos e 20 mil mortes confirmadas.

Mas seu rápido processo de vacinação tem como base os recursos que obteve para comprar as doses e uma comprovada estratégia de distribuição graças a uma rede de saúde pública primária, com história desde os anos 1950 em grandes campanhas de vacinação.

"O Chile é um país que está muito conectado no mundo (tem 29 diferentes acordos com 65 economias) e essa vocação internacional se reflete também na busca pelas oportunidades onde quer que elas estejam", explicou à AFP Rodrigo Yáñez, subsecretário das relações econômicas internacionais e chefe das negociações para a compra de vacinas.

Após um início surpreendente, o que vem adiante para o Chile também é desafiador. Em três meses, o país deve vacinar contra o coronavírus mais de 10 milhões de pessoas e aplicar também cerca de 8 milhões de vacinas contra a gripe.

Até agora, a participação da população tem sido alta e a rejeição à vacina se mantém baixa (menos de 20% em média).

"No início eles chegavam com um pouco de medo, com várias perguntas e dúvidas, mas agora as pessoas chegam sem medo, estão bem informadas e não têm mais dúvidas", contou com orgulho a enfermeira Herreros.


Secretário de Estado dos EUA conversa com Juan Guaidó, da Venezuela, e planeja mais 'pressão multilateral' contra Nicolás Maduro

04O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, conversou com Juan Guaidó, líder da oposição da Venezuela que os Estados Unidos reconhecem como presidente interino.

O secretário de Estado dos EUA propôs trabalhar com os aliados para aumentar a "pressão multilateral" sobre o líder socialista Nicolás Maduro.

"Blinken falou com o presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Ele destacou a importância do retorno à democracia na Venezuela por meio de eleições livres e justas", diz um comunicado do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em referência à conversa por videoconferência.

O secretário de Estado do governo de Joe Biden pediu "esforços para trabalhar com aliados com ideias semelhantes", como a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e iniciativas como o Grupo de Lima para "aumentar a pressão multilateral" por "uma transição democrática e pacífica " na Venezuela, acrescenta o documento.

Maduro, cuja reeleição em 2018 é questionada pela Casa Branca e classificada como fraudulenta, chamou Biden para "um novo caminho" nas relações entre Caracas e Washington após o mandato do ex-presidente Donald Trump, no qual duras sanções foram impostas contra a Venezuela e sua petroleira estatal PDVSA para tentar tirar o governante chavista do poder.

Diante da crise política e econômica na Venezuela, que levou mais de cinco milhões de pessoas a fugir do país, Blinken ofereceu a Guaidó "o apoio contínuo dos Estados Unidos", segundo o comunicado.

Guaidó, segundo nota de seu gabinete, expressou a Blinken "compromisso" com os Estados Unidos e outros aliados de buscar soluções políticas e, ao mesmo tempo, aumentar "a ajuda humanitária significativa" aos venezuelanos.

"Eles concordaram em trabalhar com a comunidade internacional para conseguir eleições presidenciais e parlamentares livres, justas e transparentes", acrescentou.

Em 19 de janeiro, antes de assumir o cargo de Secretário de Estado, Blinken descreveu Maduro como um "ditador brutal" e anunciou que concordava em continuar reconhecendo Guaidó como autoridade legítima da Venezuela.

Em 2019, a maioria dos parlamentares declarou que Maduro era um usurpador do poder por ter se eleito por meio de uma fraude. Nessa circunstância, o poder deveria ir para o próximo na linha de sucessão --o chefe do Parlamento, Juan Guaidó.

Em dezembro passado, os principais partidos da oposição boicotaram as eleições, que qualificaram como uma farsa. O chavismo retomou o controle da Assembleia Nacional.

Os Estados Unidos, juntamente com a União Europeia e vários países latino-americanos, não reconhecem o Congresso resultante dessa eleição.


Primeira militar transexual da Coreia do Sul é encontrada morta

04A primeira militar transgênero da Coreia do Sul, Byun Hui-su, que foi dispensada do exército no ano passado por se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, foi encontrada morta em sua casa informou a agência de notícias Yonhap.

Byun Hui-su, de 23 anos , foi dispensada depois de passar pela operação de transição na Tailândia durante uma licença.

Ela foi encontrada por socorristas em sua casa na cidade de Cheongju, ao sul de Seul, disse a Yonhap, citando a polícia.

Um porta-voz da polícia de Cheongju não foi encontrado imediatamente para mais comentários.

Veja uma reportagem de 2018 sobre militares transexuais afastados do exército.

Um centro de aconselhamento local, no qual Byun foi registrada, informou às autoridades de emergência que ela não pôde ser localizada desde 28 de fevereiro, informou a Yonhap.

Byun havia expressado esperança de continuar a servir mesmo com corpo feminino. Ela entrou na Justiça para contestar sua demissão, havia uma audiência prevista para abril, de acordo com uma porta-voz do grupo de defesa militar Centro para os Direitos Humanos Militares da Coreia.

A Coreia do Sul é conservadora em questões de identidade de gênero, e as relações homossexuais entre militares ainda são consideradas crime.

Byun alistou-se voluntariamente em 2017 e passou por uma cirurgia de redesignação sexual na Tailândia em novembro de 2019.


Alemanha decide prorrogar lockdown até 28 de março

Os governos federal e dos estados da Alemanha chegaram a um acordo para prorrogar o lockdown em que se encontra o país até o dia 28 de março, segundo informações divulgadas pela agência DPA e publicações como "Spiegel" e "Tageszeitung". A chanceler Angela Merkel e os chefes de governo dos estados concordaram com essa medida numa videoconferência. Os estados federais adaptarão seus regulamentos de acordo com a decisão.

Ao mesmo tempo, de acordo com a decisão, as primeiras medidas de relaxamento devem entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira.

A possibilidade de encontros privados com amigos, parentes e conhecidos será, portanto, novamente ampliada. Os encontros privados entre moradores de dois lares distintos serão permitidos novamente, mas limitados a um máximo de cinco pessoas simultaneamente. Crianças de até 14 anos não contam.

As autoridades alemãs acordaram também um "freio de emergência" para a flexibilização, Se a média móvel de incidência de novos casos aumentar em mais de 100 em três dias consecutivos, as regras atualmente em vigor ​​voltam a ser aplicadas a partir do segundo dia útil depois que houve a piora da transmissão.

Mercados de jardinagem, floriculturas e livrarias também podem reabrir em todo o país a partir de 8 de março -- mas com restrições. Isso inclui medidas de higiene e a restrição de no máximo 1 cliente por dez metros quadrados.

Com a prorrogação do confinamento, permanecem fechados:

Bares

Restaurantes

Hotéis

Academias de ginástica

Cinemas

Teatros

Comércio não essencial

No início da noite, os governos federal e estadual também concordaram que os médicos de família serão incluídos na estratégia de vacinação a partir do final de março. Cerca de 60 mil deles podem começar a aplicar vacinas em abril, se houver suficiente imunizante.

Decisões finais sobre algumas medidas futuras ainda estão pendentes. A questão da abertura gradual local em função dos números regionais de infectados -- que estava prevista nos projetos de resolução a serem discutidos na reunião -- é uma delas.


Príncipe herdeiro saudita é denunciado na Alemanha por crimes contra a humanidade

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, foi denunciado na Alemanha por crimes contra a humanidade. A ação foi apresentada pela ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que o acusa de ter "responsabilidade" no assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, morto em 2018 na Turquia.

A denúncia foi apresentada ao procurador-geral da Corte Federal de Justiça de Karlsruhe, competente nos "principais crimes internacionais", e acusa o príncipe saudita de "perseguição generalizada e sistemática dos jornalistas".

Na sexta-feira (26), os serviços de informação norte-americanos publicaram um relatório no qual afirmam que o príncipe “validou a operação em Istambul para a captura e o assassinato do jornalista” em 2018 (veja no vídeo abaixo). O governo saudita negou as acusações dos Estados Unidos, qualificando o relatório como "inexato".

Na denúncia apresentada pela RSF, o príncipe herdeiro aparece como suspeito “de ter ordenado diretamente o assassinato" de Khashoggi. A entidade acusa ainda o antigo "conselheiro próximo" do príncipe, Saud al-Qahtani, o "ex-diretor-adjunto da inteligência" Ahmed al-Assiri, assim como Mohammed Al-Otaibi, ex-cônsul geral em Istambul, e Maher Mutreb, "oficial da inteligência" à frente da "equipe que torturou e matou" o colunista do Washington Post.

A queixa detalha ainda abusos cometidos contra 34 jornalistas presos, 33 dos quais ainda estão detidos, como o blogueiro Raif Badawi. A Arábia Saudita é o segundo país no mundo com mais jornalistas presos, atrás apenas da China (117), segundo a RSF.

Tortura, violência e rapto

"Tortura", "violência" e "coerção sexual", "desaparecimento forçado", "privação ilegal da liberdade física". Essas são algumas das práticas do governo saudita contra jornalistas e descritas pela ONG como "crimes contra a humanidade". Com esta ação, a RSF espera que seja aberta uma investigação internacional sobre a perseguição à imprensa na Arábia Saudita.

A denúncia foi apresenta ao sistema judicial alemão sob a jurisdição universal que permite que um Estado processe os autores de crimes graves, independentemente de sua nacionalidade e de onde foram cometidos.

Assassinato em 2018

Depois de ter estado próximo ao governo saudita, Jamal Khashoggi era um crítico do poder e escrevia para o Washington Post. Residente nos Estados Unidos, ele foi assassinado em 2 de outubro de 2018 no consulado de seu país em Istambul por agentes da Arábia Saudita. Seu corpo, desmembrado, nunca foi encontrado.

Depois de negar o assassinato por meses, o governo saudita acabou dizendo que foi cometido por agentes sauditas agindo sozinhos. Após um julgamento sem transparência na Arábia Saudita, cinco sauditas foram condenados à morte e outros três a penas de prisão. Desde então, as sentenças de morte foram comutadas.


Coronavírus: 'No México, não é que não soubessem o que fazer com a pandemia, é que decidiram não fazer'

Um ano depois que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no México, muitos estão analisando quais foram os acertos e erros da estratégia do governo do país.

Uma das mais duras críticas vem da microbióloga mexicana Laurie Ann Ximénez-Fyvie, doutora em Ciências Médicas pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e chefe do laboratório de Genética Molecular da Faculdade de Odontologia da Universidade Nacional Autônoma do México.

Autora de Danos irreparáveis: a gestão criminosa da pandemia no México, ela diz que o epidemiologista Hugo López-Gatell, que é subsecretário de Saúde e responsável pela reação do país à Covid-19, se deixou levar por critérios "mais políticos do que científicos".

Ximénez-Fyvie reprova a atuação do chamado "czar do coronavírus" por não ter adotado uma estratégia para conter a transmissão e apostar na chamada "imunidade de rebanho", ainda que isso não tenha sido falado abertamente por autoridades.

Também questiona por que o governo não aplicou restrições às fronteiras aéreas para controlar a entrada de pessoas no país, ainda que o Executivo federal insista que a contribuição dos viajantes internacionais para o aumento de casos no México foi "pequena".

A especialista faz a seguir um balanço deste primeiro ano de pandemia no México.

BBC News Mundo - Por que a senhora qualifica a gestão governamental da pandemia de "criminosa"?

Laurie Ann Ximénez-Fyvie - Inicialmente, achei que a gestão errou por falta de informação. Agora, infelizmente, percebo que não é que eles não soubessem o que fazer, é que decidiram não fazer. Por isso coloco a palavra "criminosa" no subtítulo do livro, porque saber como uma situação pode ser sanada e quais são as medidas que devem ser tomadas para impedir uma catástrofe que está levando centenas de milhares de pessoas à morte e não tomar essas decisões... bem, eu chamo isso de criminoso.

BBC News Mundo - A que decisões está se referindo?

Ximénez-Fyvie - Hugo López-Gatell é uma pessoa que tem preparo e conhecimento para lidar com um problema desta natureza.

O que pode ser feito para deter a pandemia é algo básico em epidemiologia. É sabido que o controle da imigração e da circulação das pessoas controla a propagação dos contágios, é sabido que os casos devem ser identificados para isolá-los e interromper a transmissão.

A situação que está ocorrendo foi fruto de uma decisão consciente de colocar em ação uma estratégia, sabendo que isso levaria tantas pessoas à morte.

BBC News Mundo - A senhora defende que o México não apostou na contenção de contágios, mas sim em conseguir a chamada "imunidade de rebanho" da população, mas o governo nunca confirmou isso.

Ximénez-Fyvie - Sim, nunca foi falado abertamente, mas tem sido dito repetidamente que o México não busca uma estratégia de contenção, mas uma estratégia de mitigação. Então, é a mesma coisa. E tem sido uma mitigação frouxa, por isso o confinamento nunca foi obrigatório, nem o uso de máscaras faciais.

O México nunca teve uma estratégia para impedir infecções. Para isso, deve-se monitorar as fronteiras, fazer o rastreamento dos contatos e detectar o maior número de casos assintomáticos, que são aqueles que disseminam a doença, e isolá-los. Mas o México testa apenas casos com sintomas bastante avançados, por isso nunca sabemos quantas infecções realmente existem.

Eles não tentam conter os contágios, eles apenas permitem que as pessoas continuem a se infectar, mas tentam controlá-los ao longo do tempo para não saturar os hospitais. É isso que o México faz.

BBC News Mundo - Em seu livro, a senhora compara López-Gatell ao médico nazista Josef Mengele, o que tem gerado uma grande polêmica.

Ximénez-Fyvie - Acho que fui mal interpretada aí. Mengele queria matar pessoas intencionalmente. Não acho que López-Gatell tivesse esse objetivo. Ele simplesmente tomou decisões que politicamente pareciam controlar o problema, e suas decisões levaram pessoas à morte, embora ele não tivesse a intenção de matá-las.

O que quis comparar foi a figura do homem vestido de médico que, seguindo uma tendência política, incorre numa falta de ética na sua profissão de médico e de cientista. Definitivamente, não considero López-Gatell um assassino ou psicopata. Acho que ele foi um cientista irresponsável e negligente, o que é diferente.

Como um médico pode descartar o uso preventivo da máscaras? Essa é uma medida política, porque o presidente se recusa a usá-las. Também insiste em rejeitar, contra todas as evidências científicas, a medida de monitoramento e controle da imigração para o país. Todos os países estão fazendo isso, e agora exigem testes negativos para viajantes que entram no país ou também quarentenas.

O México nunca teve isso porque não quer o fardo de não ter turistas, não quer essa reclamação que tem um impacto econômico.

Mas um cientista que fala que uma medida muito lógica e comprovada não funciona não está falando como epidemiologista, está falando como político, defendendo a posição do presidente que prefere não tomar estas medidas.

BBC News Mundo - A situação em muitos outros países também é desastrosa. O que diferencia a gestão do México?

Ximénez-Fyvie - É claro que muitos países lidaram mal (com a pandemia): Brasil, Argentina, Espanha, Estados Unidos principalmente... Mas o fato de que muitos o tenham feito mal não isenta o México de sua responsabilidade.

Mas se há algo que torna o problema no México pior é que outros líderes, como (a chanceler alemã) Angela Merkel ou (o premiê britânico) Boris Johnson viram que o problema em seus países era muito sério e que não estavam sendo capazes de controlá-lo. Então, eles pediram desculpas à população por terem subestimado o problema e não terem agido na hora certa e imediatamente se corrigiram. Houve mais confinamento, mais testes, mais máscaras.

A diferença é que, no México, nem se reconhece que algo ruim está acontecendo, ou seja, eles sempre insistem que a pandemia já está sob controle e que estamos saindo dela. Não há nenhuma indicação aqui de que se pretende mudar ou melhorar sua estratégia.

BBC News Mundo - Como avalia a posição pública em relação à pandemia do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador?

Ximénez-Fyvie - Depois que López Obrador foi infectado com Covid-19, havia duas opções. A de Boris Johnson, que após ser infectado mudou a estratégia do Reino Unido ao ver que a doença era terrível e que mais precisava ser feito para controlá-la; ou a de Donald Trump, que depois de infectado continuou a descartar todas as opiniões científicas e a dizer que a pandemia não era tão grave, que se recuperou mesmo sendo mais velho e obeso.

Em sua primeira aparição após o contágio, López Obrador disse: "Não vou usar máscara porque já peguei". Ele fez o mesmo que Trump: enviou uma mensagem à população de que, se você já foi infectado e sobreviveu, não precisa fazer nada. Sua atitude foi deixar claro que não mudaria nada, pelo contrário, redobrou as atitudes negligentes e irresponsáveis ​​que tinha antes de se infectar. É uma verdadeira vergonha que tenha sido assim.

BBC News Mundo - É tudo culpa do governo? Que parte da responsabilidade recai sobre a população?

Ximénez-Fyvie - Quando você diz a alguém no México para não ser irresponsável e colocar uma máscara, eles falam: "Não, desculpe, o presidente diz que não é necessário".

A população nunca teve informações claras das autoridades para se prevenir. Depois, o governo quer passar a responsabilidade para a população, dizendo que as pessoas continuam a fazer festa.

Bem, as pessoas dão festas porque essa é a mensagem que receberam, de que isso não é sério, que estamos no caminho certo, que já estamos achatando a curva e domando a pandemia. A população mexicana pode não ter feito as coisas tão bem quanto poderia, mas podemos realmente responsabilizar a população quando as mensagens que recebeu das autoridades foram tão erradas?

BBC News Mundo - Houve alguma reação ou resposta do governo após a publicação do livro?

Ximénez-Fyvie - Nenhuma. Procurei o governo da Cidade do México para ver se havia algo em que pudesse contribuir para os esforços contra a pandemia na capital, e a resposta que recebi é que eles não querem saber de mim.

Eles pensam que sou o inimigo, mas não sou. Não critiquei o governo, estou criticando a gestão da pandemia.

BBC News Mundo - Ainda há tempo para a mudança de estratégia contra a Covid-19 no México?

Ximénez-Fyvie - Claro, ainda existem centenas de milhares de vidas que podem ser salvas. Os Estados Unidos estão mostrando isso. O país que pior lidou com a pandemia no planeta agora está revertendo isso com um presidente que escuta os cientistas, que disponibiliza os recursos e a infraestrutura necessários. E seus números começam a melhorar.

Portanto, temos demonstrações de que isso pode ser feito. Vale a pena lutar por vidas.

BBC News Mundo - Considerando sua qualificação como "criminosa" da gestão mexicana, acha que alguma autoridade acabará sendo responsabilizada pelo que aconteceu nesta pandemia?

Ximénez-Fyvie - Alguém teria que ser responsabilizado. O que aconteceu no México com a pandemia é um verdadeiro crime. Mas, o que quer que façam, nada vai ressuscitar os mortos.