O conselheiro de Estado e ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, em um telefonema, que a comunidade internacional deve se envolver com os novos governantes do Talibã no Afeganistão e “guiá-los positivamente”, informou o Ministério das Relações Exteriores da China.

Washington deve trabalhar com a comunidade internacional para fornecer ajuda econômica e humanitária ao Afeganistão, ajudar o novo regime a executar as funções governamentais normalmente, manter a estabilidade social e impedir a desvalorização da moeda e o aumento do custo de vida, disse Wang, segundo um comunicado.

“Respeitando a soberania do Afeganistão, os EUA devem tomar medidas concretas para ajudar o Afeganistão a combater o terrorismo e acabar com a violência, em vez de atuar com dois pesos e duas medidas ou lutar contra o terrorismo seletivamente”, complementou Wang, alertando que a “retirada precipitada” pode permitir que grupos terroristas se reagrupem e voltem mais fortes.

A TV estatal chinesa disse que a ligação foi feita a convite de Washington. O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de detalhes sobre a ligação.

Antes do caos das últimas duas semanas, as autoridades dos EUA argumentaram que a retirada do Afeganistão iria liberar tempo e atenção dos principais líderes políticos e militares dos EUA, bem como alguns recursos militares, para se concentrarem no Indo-Pacífico e no desafio apresentado pela China, apontada pelo governo Biden como sua prioridade de política externa. Mas a mídia estatal chinesa aproveitou a retirada, em grande parte caótica, retratando o apoio dos EUA aos aliados como inconstante.

A China não reconheceu oficialmente o Talibã como os novos governantes do Afeganistão, mas Wang Yi recebeu no mês passado Mullah Baradar, chefe do gabinete político do grupo, e disse que o mundo deveria orientar e apoiar o país em sua transição para um novo governo, em vez de colocar mais pressão sobre ele.