O Chile começou a misturar doses de vacina anticovid de laboratórios diferentes. Desde 2ª feira (21.jun.2021), o país aplica o imunizante da Pfizer/BioNTech como 2ª dose em homens com menos de 45 anos que receberam a 1ª aplicação da vacina AstraZeneca.

A imunização com a AstraZeneca estava suspensa desde o início de junho, depois da notificação de um caso de trombose e trombocitopenia em um homem de 31 anos.

Juan Pablo Torres, infectologista e pediatra da Faculdade de Medicina da Universidade do Chile, disse ao Estadão que os estudos mostram que as reações à combinação das vacinas não são graves e estão dentro do esperado, como dores no local da injeção, febre e dores no corpo.

MIX DE VACINAS

Um estudo espanhol apontou que é “altamente seguro e eficaz” ministrar uma dose da vacina anticovid da Pfizer/BioNTech em pessoas que já receberam uma 1ª dose do imunizante da AstraZeneca/Oxford.

A questão da mistura de doses começou a ser debatida depois que países, entre eles Coreia do Sul, Canadá e Espanha, deixaram de aplicar a vacina da AstraZeneca por atrasos na entrega ou por reações adversas.

NO BRASIL

Segundo um levantamento feito pela Folha de S.Paulo em abril, pelo menos 16.500 pessoas tomaram acidentalmente a 1ª dose da vacina contra a covid-19 de um fabricante e a 2ª dose de outra no Brasil. A troca entre doses da CoronaVac e da AstraZeneca, ou vice-versa, está registrada no Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) disse ao Poder360 que ainda não foram apresentados à agência reguladora estudos que tratem da eficácia e geração de imunização a partir de diferentes combinações e esquemas terapêuticos entre vacinas diferentes.

“O entendimento da Anvisa é que, com as informações atualmente conhecidas, as vacinas não são intercambiáveis, ou seja, não podem ser substituídas umas pelas outras”, afirmou em nota.