Um grupo chinês que controla a Parceria Público-Privada na área de água de São Lourenço, em São Paulo, demonstrou interesse na concessão da empresa fluminense de água e esgoto Cedae, prevista para acontecer ainda este ano, afirmou o superintendente de Estruturação e Parcerias do BNDES, Cleverson Aroeira.

“Temos conversado com os operadores de saneamento naturais que atuam no Brasil, mas os projetos no Rio são grandes demais e, mesmo eles, terão que buscar aportes de sócios capitalizados e outros vão precisar de parcerias”, disse Aroeira em uma live da Associação Comercial do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira.

Entre os principais nomes privados na área de saneamento no Brasil estão Aegea, BRK Ambiental e Águas do Brasil.

Segundo Aroeira, o BNDES discutiu a concessão da Cedae com a empresa Sistema Produtor São Lourenço, que é uma empresa criada em 2013 para desenvolver a (PPP) em parceria com a Sabesp. A companhia é o primeiro investimento no Brasil do grupo China Gezhouba Group Corporation (CGGC).

“Temos conversado com eles (CGGC) sobre Cedae e com alguns grupos famosos e grandes que estão sempre olhando o Brasil. Ou seja, sim estamos falando com operadores chineses”, afirmou Aroeira.

“Estamos conversando também com empresas que investem em outros setores como de transmissão de energia”, disse ele. “Conversamos com mais de 20 interessados; o interesse de investidores que nos procuram é de dezenas, mas seria pretensioso dizer que todos vão participar da concessão”, acrescentou.

Representantes da CGGC no Brasil não puderam ser contatados para comentar o assunto.

A concessão das etapas de distribuição de água e coleta de esgoto da Cedae é considerada a principal este ano na área de saneamento no Brasil.

O BNDES ajudou na construção da modelagem do projeto que prevê uma concessão da Cedae em quatro áreas. A concessão está em fase de consulta pública e os vencedores poderão explorar o serviço por 35 anos. Em contrapartida, os concessionários terão metas e obrigações a serem cumpridas ao longo da concessão, incluindo universalização da distribuição de água e alcançar 90%de cobertura de tratamento e coleta de esgoto.

Em parte da cidade do Rio de Janeiro o índice de coleta de esgoto é de 90%, segundo os dados do BNDES, mas em São Gonçalo, por exemplo, o percentual cai para 17%.

O modelo proposto prevê investimentos na área de concessão de 33,5 bilhões de reais, sendo a maior parte na atividade de coleta e tratamento de esgoto.

O arcabouço criado pelo BNDES para a concessão da Cedae propõe ainda investimento de ao menos 1,8 bilhão de reais em favelas do Rio de Janeiro e as cidades receberão 3% ao ano de arrecadação da concessionária a título de pagamento de outorga.

O índice de inadimplência na área de atuação da Cedae é de aproximadamente 30% e, com a gestão privada, a previsão do executivo do BNDES é que a taxa baixe para cerca de 10%. “Esse nível de inadimplência não impede que os investimentos sejam feitos”, afirmou Aroeira.