Manifestantes favoráveis à independência da Catalunha protestaram nesta quarta-feira (18) dentro e fora do estádio Camp Nou durante a partida entre Barcelona e Real Madrid válida pelo Campeonato Espanhol, que terminou em 0 a 0. Houve confrontos nos arredores da arena.

O jogo de futebol, conhecido como “O Clássico”, estava marcado para 26 de outubro — um dos dias em que houve manifestações pela Espanha a favor e contra a independência. Por causa da violência nos protestos independentistas da Catalunha, as autoridades adiaram a partida para esta quarta-feira.

Dentro do estádio, manifestantes levaram faixas e gritaram palavras de ordem favoráveis à independência da Catalunha, sem maiores incidentes.

Porém, do lado de fora, manifestantes e forças de segurança entraram em confronto. Um grupo chegou a bloquear as saídas do estádio, o que gerou reação por parte de policiais. Alguns dos ativistas estavam mascarados e, segundo a agência Reuters, houve tentativa de criar uma barricada com latas de lixo incendiadas.

Além disso, um grupo de torcedores do Barcelona e manifestantes pró-independência iniciaram uma briga. Em meio à confusão, segundo a Reuters, uma pessoa começou a “atirar projéteis” — não está claro que tipo de projéteis eram esses — na direção do tumulto e foi detida em seguida.

Lideranças independentistas esperavam atrair atenção ao movimento a favor da Catalunha, dada a grande audiência do Clássico. Dentro do estádio, cerca de 100 mil pessoas assistiram ao jogo, além dos outros 650 milhões de telespectadores que viram a partida pela televisão em diferentes partes do mundo.

‘Tsunami Democrático’

Um dos slogans do grupo, que, inclusive, esteve presente nos gritos e nas faixas colocadas dentro do Camp Nou, diz:

“Espanha, sente e vamos conversar”

Para o jogo, ativistas do Tsunami Democrático levaram cerca de 100 mil cartazes aos espectadores da partida. Além disso, o grupo pediu que levassem balões para “levar uma mensagem ao mundo”.

Os protestos na Catalunha se intensificaram em outubro deste ano depois que nove líderes do movimento pró-independência foram condenados por envolvimento na tentativa fracassada de independência na região em 2017. Todos os réus foram absolvidos da acusação mais grave, a de rebelião, mas receberam penas de prisão que vão de 9 a 13 anos por sedição (uma forma mais branda de rebelião contra autoridade).

A sentença provocou uma série de protestos na Catalunha — em alguns casos, houve confrontos entre forças de segurança e manifestantes. Em um dos momentos mais tensos, o principal aeroporto da região metropolitana de Barcelona precisou ser fechado.