A enorme mancha na praia chamou a atenção dos moradores do Cais de Santa Rita, região central de Recife. Ainda com a lembrança do derramamento de óleo que afetou grande parte do litoral brasileiro e prejudicou a pesca e o turismo principalmente no Nordeste, os pernambucanos temeram tratar-se de um retorno do problema. Mas, desta vez, não houve motivo para preocupação. Na verdade, a orla da região foi visitada por um gigantesco cardume de sardinhas.

A cena ocorreu na última quinta-feira. O tamanho e o movimento da mancha negra formada pelos peixes virou uma atração para os moradores, que gravaram o momento e postaram em redes sociais. Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, há nove anos não havia registro de um cardume tão grande no litoral urbano de Recife.

O secretario José Bertotti atribuiu o fenômeno à queda da circulação de barcos e da movimentação humana. Com as regras de distanciamento social impostas pela pandemia de Covid-19, o uso da praia está proibido. Não há cercas na praia, mas quem desrespeita a determinação corre risco de ser detido.

– Ficamos felizes em ver esse registro, pois mostra a natureza se recuperando. O aparecimento desse cardume deve estar ligado à diminuição da presença do homem e de barcos, devido ao momento distanciamento social causado pela pandemia do coronavírus. Mas essa imagem também nos mostra que precisamos seguir na busca de um desenvolvimento econômica em bases sustentáveis que garanta o futuro das pessoas e a preservação do meio ambiente, elementos indissociáveis – afirmou Bertotti.

De acordo com o biólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Clemente Coelho, a movimentação do cardume indica que as sardinhas estavam fugindo de algum predador natural. Normalmente quando isso acontece os peixes acabam sendo pescados, o que não ocorreu devido à falta de pessoas na praia.

– A dança das sardinhas revela que elas estão fugindo de predadores naturais. Provavelmente peixes como o camurupim e o camurim, que existem na área – explicou Coelho.