A bolsa brasileira tinha 12.154 investidores de até 15 anos até setembro deste ano, o que representa apenas 0,12% dos CPFs cadastrados, mas nem todo jovem investidor aplica diretamente em seu nome. Muitas vezes esses aportes são feitos por seus responsáveis.

Os pais são a principal fonte de informações para seus filhos em temas relacionadas a dinheiro, gastos, poupança, investimentos e serviços bancários. Assim, são também a principal ajuda para mudar a educação financeira do país.

A conclusão é do relatório mais recente de Competência Financeira do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), divulgado em maio pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

De olho na importância dessa influência positiva na formação de jovens investidores, o programa Fechando os Trabalhos recebeu Francine Mendes, economista, educadora financeira, mestre em psicanálise de consumo e apresentadora do canal de finanças Mary Poupe, para contar como investir para crianças e adolescentes. O bate-papo foi comandado por Weruska Goeking, repórter do Valor Investe, e você pode conferir todas as dicas neste vídeo.

Carteira de renda variável para jovens

A Genial Investimentos lançou em setembro sua carteira de ativos de renda variável desenhada especialmente para crianças e adolescentes que estão começando seus primeiros passos no mundo dos investimentos.

Apelidada de “Genominha”, a carteira faz parte da campanha Meu Filho Investidor, projeto de educação financeira da plataforma voltada às famílias e público infantil.

A carteira é baseada no projeto Genoma do estrategista de ações da Genial Investimentos, Filipe Villegas, que trata-se de um relatório que apresenta uma atualização do cenário macroeconômico e sugere investimentos em renda variável após a divulgação dos resultados trimestrais das companhias abertas.

O Genominha traz indicações de empresas com potencial de crescimento acima do Ibovespa e que fazem parte, de alguma forma, do dia a dia das crianças.

A carteira Genominha é 100% composta por ações, BDRs (Brazilian Depositary Receipts) e ETFs (Exchange Traded Fund) de empresas nacionais e internacionais. A carteira deste trimestre é composta por ações de cinco empresas, dois ETFs e cinco BDRs. Veja na tabela abaixo:

“As indicações do Genominha levam em conta o potencial de valorização dos papéis e também a relação de proximidade que as crianças têm com as empresas em seu dia a dia de consumo, na economia real, como lojas onde compram suas roupas, desenvolvedores de vídeo game e fabricantes de produtos do dia a dia, como sabonete”, afirma a economista e criadora do canal Mary Poupe, Francine Mendes, que lidera a campanha para jovens da Genial.

A primeira edição do Genominha contém ações da B3, Iguatemi, Klabin, Lojas Renner e Localiza, os BDRs da Activision, Disney, Nvidia, Mercado Livre e Procter & Gamble, além dos ETFs ECOO11, que espelha o desempenho do Índice de Carbono Eficiente (ICO2), e o IVVB11, que busca reproduzir a performance do S&P 500 Brazilian Real Index, índice composto pelas 500 principais empresas dos Estados Unidos.

Carteira Genominha

Carteira Genominha

Recomendação Tipo Código Setor
B3 Ação B3SA3 mercado de capitais
Iguatemi Ação IGTA3 shoppings
Klabin Ação KLBN11 papel e celulose
Renner Ação LREN3 varejo
Localiza Ação RENT3 locação de veículos
iShares Índice Carbono Eficiente Brasil ETF ECOO11 meio ambiente
iShares S&P 500 ETF IVVB11 grandes empresas dos EUA
Activision BDR ATVI34 games
Nvidia BDR NVDC34 games
Disney BDR DISB34 entretenimento
Mercado Livre BDR MELI34 e-commerce
Procter & Gamble BDR PGCO34 cuidados pessoais

Fonte: Genial

Para se ter uma ideia, se uma criança tivesse investido R$ 200 mensalmente entre maio de 2014 e o início de setembro deste ano no IVVB11, por exemplo, o valor acumulado seria de R$ 37.497. Já no Ibovespa, no mesmo período, o total seria de R$ 18.590, e o CDI (índice de referência para investimentos de renda fixa) seria de R$ 19.276. O investimento total, considerando apenas as aplicações mensais, sem a valorização do ETF, somaria R$ 15.400 no período.

O projeto foca na construção da independência financeira desde cedo com estratégia de investimentos de longo prazo e uma carteira diversificada.

“Não aconselhamos ‘day trade’ (compra e venda de ações no mesmo dia) para jovens e crianças porque acreditamos numa educação financeira de base, focada no longo prazo e diversificada com papéis de grandes empresas”, ressalta Francine.

Todos os ativos podem ser acessados pela plataforma da Genial, que informa ter facilitado o cadastro dos pequenos investidores, mas todas a operações ocorrem sob a supervisão dos pais.

A Genial zerou as taxas de corretagem e custódia para ações, BDRs, fundos imobiliários e ETFs de renda variável para menores até completarem 18 anos.