Em meio a pandemia do novo coronavírus, há quem esteja desrespeitando as determinações de isolamento social e frequentando festas clandestinas realizadas em diversas regiões do Rio de Janeiro. Para driblar o risco de denúncias, as informações sobre os eventos deixaram de ser compartilhados em postagens públicas nas redes sociais e agora circulam principalmente por aplicativos de mensagens e perfis fechados.

Os organizadores do “Pagode Clandestino”, realizado em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, no último dia 14, enviaram em um grupo no WhatsApp os detalhes da festa. Na ocasião, ao menos cem pessoas se reuniram em uma casa no bairro Mutuá com direito a muita bebida alcoólica, música ao vivo e, ironicamente, uma máscara personalizada. A festa começou às 12h e só terminou às 20h, com a chegada de policiais militares no local. Segundo a PM, o empresário que organizou o evento conseguiu fugir. A Prefeitura de São Gonçalo informou que autuará tanto ele quanto o dono do imóvel.

Já em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, no último sábado foi realizada a “Clandestine Party”. O cartaz do evento também foi distribuído por aplicativos de mensagens. Em uma rede social, uma moradora disse que teve a intenção de denunciar o evento às autoridades, mas desistiu por não saber o endereço exato da festa.

Internautas confirmam que receberam informações do evento de forma privada. “Me adicionaram no grupo de WhatAspp dessa festa. Nas mensagens as pessoas ainda ficavam debochando, falavam que iam mandar o drone da prefeitura para lá”, disse uma jovem.

Outra internauta confirmou que um amigo estava entre os participantes, enquanto um jovem foi identificado em uma foto da festa e comentou “fui flagrado em dobro. Quebrando a quarentena e sendo ‘raveiro'”.

Sem endereço e identificação dos responsáveis, o cartaz da “Clandestine Party” prometia a presença de cinco atrações musicais. Uma delas era o DJ Piter Massaki, que nega a participação. Em um comunicado, ele confirmou que recebeu o convite para tocar na festa, negou a proposta, mas ainda assim teve a imagem adicionada ao material de divulgação.

“Como vocês devem ter visto, o flyer da ‘Clandestine Party’ repercutiu na internet, e de uma forma muito negativa devido às atuais circunstancias. Fui convidado para tocar mas recusei. Mesmo assim, minha imagem foi associada a essa festa, o que pode me prejudicar muito”, escreveu o DJ.

A DJ MiranDak também negou que tenha feito parte do evento. Em uma nota de esclarecimento afirmou que “não participou nem participa de festas clandestinas” e acrescenta que fotos dela foram usadas sem permissão. “Peço a todos desculpas pelo mal entendido”, finalizou.

O principal canal para denunciar esse tipo de conduta é o Disk Aglomeração, criado pela prefeitura em 31 de março. Até esta quarta-feira, o serviço já atendeu a 3.026 chamados. Não há um balanço específico de denúncias sobre festas. Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), os principais atendimento são para dispersar grupos de pessoas em estabelecimentos essenciais e áreas públicas. O serviço funciona com base em chamados feitos à Central 1746 (telefone, site ou aplicativo).