A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado aprovou requerimentos para convocar  9 governadores, além do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Também foram convocadas pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro.

Eis a lista dos convocados:

Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas

Helder Barbalho (MDB), governador do Pará

Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal

Mauro Carlesse (PSL), governador do Tocantins

Carlos Moisés (PSL), governador de Santa Catarina

Waldez Góes (PDT), governador do Amapá

Wellington Dias (PT), governador do Piauí

Marcos Rocha (PSL), governador de Rondônia

Antônio Denarium (sem partido), governador de Roraima

Daniela Reinehr (sem partido), vice-governadora de Santa Catarina

Wilson Witzel (PSC), ex-governador do Rio de Janeiro

Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde)

Marcelo Queiroga (Ministro da Saúde)

Arthur Weintraub (ex-assessor da Presidência da República)

Filipe Martins (assessor da Presidência da República)

Airton Antônio Soligo (ex-funcionário do Ministério da Saúde)

Marcos Erald Arnoud (prestou serviços ao Ministério da Saúde)

Carlos Wizard (empresário)

Paulo Baraúna (empresário)

Luana Araújo (ex-secretária do Ministério da Saúde)

O critério de escolha dos gestores estaduais foi definido pelos locais onde houve operações da Polícia Federal para investigar mau uso do dinheiro destinado ao combate à pandemia. O requerimento para chamar o atual governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), foi retirado porque houve o entendimento de que a operação no Estado aconteceram ainda na gestão de Witzel.

A convocação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) estava na pauta, mas foi retirada antes da reunião. Segundo Alessandro Vieira (Rede-SE), o pedido foi revisto porque o governador não é alvo de investigação relacionada à pandemia.

A CPI aprovou também a reconvocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e do ex-titular da pasta Eduardo Pazuello. no depoimento anterior, dado em dois dias, o ex-ministro isentou Jair Bolsonaro de qualquer responsabilidade pela condução da pandemia e pediu desculpas por não ter usado máscara em um shopping de Manaus.

Dias depois, no entanto, ele participou de manifestação ao lado de Bolsonaro, sem máscara, o que motivou os senadores a quererem chamá-lo novamente. Queiroga, em seu primeiro depoimento, evitou falar sobre cloroquina para não se indispor com o presidente e defendeu a vacinação.

A comissão aprovou também requerimento para convocar profissionais de Saúde que defendem e que não defendem o uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada para a covid-19.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), não aceitou pedido feito pelo Senador Marcos Rogério (DEM-RO) para convocar o pastor Silas Malafaia. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos – RJ), chamado de filho 01 do presidente da República, disse na CPI que Malafaia é um conselheiro diário de Bolsonaro e sugeriu que ele fosse ouvido pelo colegiado.

Durante a sessão Rogério fez um apelo para que se votasse o requerimento do pastor e disse que sugeriu o nome por causa da citação, em outros momentos, da existência de um “gabinete paralelo” da Saúde. “A presença do Pastor Silas Malafaia representa ouvir alguém que realmente conversa com o presidente, dá conselhos“, disse.

Aziz, no entanto, negou o pedido porque disse acreditar que Malafaia dava “conselhos espirituais para que Bolsonaro tivesse força para enfrentar os problemas” e que, pelo conhecimento que ele tem do pastor, a quem conhece pessoalmente, não acredita que ele tenha feito “qualquer ingerência dentro do governo“. “Um líder da envergadura do pastor Silas Malafaia dificilmente pediria para nomear A ou B num cargo, indicar alguém“, disse.

Durante discussão sobre a questão, o senador Humberto Costa (PT-PE) fez uma provocação. “Podíamos chamar o [Fabrício] Queiroz. Ele tem muita amizade também, conversa muito“, disse. Randolfe logo respondeu que apoiaria a eventual convocação do ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas a questão foi logo deixada de lado.

Em outro momento, Aziz bateu boca com o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), a quem chamou de “oportunista pequeno“. Girão questionou se a CPI não votaria também os requerimentos para convocar prefeitos de capitais, mas nesse momento, foi interrompido pelo presidente da comissão.

“Desde o primeiro momento, toda a sociedade brasileira que tem inteligência sabe que Vossa Excelência está aqui com um único objetivo: que a gente não investigue por que a gente não comprou vacina. E Vossa Excelência que não entende patavina de saúde, quer impor a cloroquina na cabeça da população. Repito, é um oportunista“, disse Aziz.