A CPI da Covid aprovou nesta terça-feira uma série de requerimentos com o objetivo de aprofundar a investigação das negociações do Ministério Saúda com a empresa brasileira Precisa Medicamentos para adquirir a vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. Entre eles está a convocação do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, e a realização de um sessão secreta para ouvir o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), irmão do servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda. Os irmãos se encontraram com o presidente Jair Bolsonaro em 20 de março, quando relataram pressão para liberar a Covaxin.

Segundo o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), Luis Miranda será ouvido na terça-feira da semana que vem, e Ricardo Barros na quinta. Além disso, na sexta da próxima semana, está programada a sessão secreta com o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, que já tinha sido aprovada antes pela comissão.

Também foram aprovadas as convocações de servidores e ex-servidores do Ministério da Saúde envolvidos na negociação. Entre eles alguns que, segundo o servidor Luis Ricardo Miranda, o pressionaram a liberar a importação da Covaxin: Marcelo Bento Pires, conhecido como Coronel Pires, ex assessor da pasta; e Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde. Também estão na lista: Regina Célia Silva Oliveira, fiscal do contrato da Precisa na pasta; Thiago Fernandes da Costa, que atuou na celebração do contrato; e Rodrigo de Lima, funcionário terceirizado lotado no Ministério da Saúde, que, segundo Luis Ricardo, relatou o pagamento de propina.

Os irmãos Mirandas prestaram depoimento na CPI na última sexta. Eles disseram que, em 20 de março deste ano, tiveram um encontro com o presidente Jair Bolsonaro para denunciar as pressões a favor da Covaxin no Ministério da Saúde. Segundo os irmãos, Bolsonaro citou o nome de Barros. O atual líder do governo foi ministro da Saúde entre 2016 e 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer. Na época, a pasta pagou R$ 19,9 milhões antecipadamente à Global, empresa sócia da Precisa, mas não recebeu os remédios comprados.

Também foram convocados dois representantes da Precisa — Túlio Silveira e Emanuela Medrades —, além de Danilo Berndt Trento, sócio de uma empresa parceira, e Silvio Assis, um lobista que, segundo reportagem da revista “Crusoé”, ofereceu propina ao servidor Luis Ricardo Miranda. Emanuela também teve seu sigilo telefônico e telemático quebrado, assim como Marcelo Batista Costa, do Minstério da Saúde. A CPI aprovou ainda um pedido ao Tribunal de Contas da União (TCU) para fazer uma auditoria no contrato do ministério com a Precisa, e pediu uma série de dados ao Ministério da Saúde, entre eles por que houve o bloqueio do servidor Luis Ricardo ao sistema interno de informação da pasta.

A CPI aprovou ainda pedidos de informação à Câmara dos Depuados sobre a atuação de Ricardo Barros numa medida provisória que abriu crédito para comprar vacinas, e outro para que o Ministério Público Federal repasse a “relação de procedimentos e processos instaurados, sob quaisquer títulos, em desfavor do senhor Ricardo José Magalhães Barros, deputado federal, bem como as respectivas cópias integrais dos autos eventualmente existentes”. Também ao MPF, mais especificamente à Procuradoria da República no Distrito Federal, a CPI quer a cópia de todos os procedimentos sobre a Covaxin em que constam como interessados Alex Lial Marinho, superior de Luis Ricardo no Ministério da Saúde, e a Precisa.