A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado deve poupar o ministro da Economia, Paulo Guedes, de prestar depoimento presencial. Uma minuta de plano de trabalho da comissão feita pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pretendia incluir o ministro no rol de depoentes.

O senador Omar Aziz (PSD-AM), provável presidente da CPI, afirmou ao Poder360 que vai blindar Guedes: “Já descartei [o depoimento do ministro da Economia]. CPI precisa de um fato para chamar alguém. Não tem do Guedes. Todo dinheiro que foi pedido e aprovado, ele mandou”.

A proposta de Vieira deve ser discutida com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Eis as outras sugestões de depoentes feitas pelo senador do Cidadania:

Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello – ex-ministros da Saúde de Bolsonaro;

Marcelo Queiroga – ministro da Saúde;

Fabio Wajngarten – ex-chefe da Secom;

Ernesto Araújo – ex-ministro das Relações Exteriores; e

Edson Leal Pujol – ex-comandante do Exército.

Os senadores querem começar os trabalhos da CPI na 5ª feira (22.abr). O ex-ministro Luiz Henrique Mandatta deve ser um dos primeiros a serem convocados para prestar depoimento.

Os congressistas que integram a comissão apontam os gastos do governo com a produção da cloroquina como um dos temas prioritários. A secretária da Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”, será chamada a prestar esclarecimentos.

Prazo para vacinar grupos prioritários deve vencer durante CPI

Outra preocupação do governo é não cumprir a promessa de vacinar os grupos prioritários até o fim de junho, durante o andamento da CPI. Na melhor das hipóteses para o Planalto, a comissão acaba em 20 de julho.

Conforme o Poder360 mostrou em 14 de abril, o cronograma de vacinação inclui 149,5 milhões de doses já aprovadas pela Anvisa até o fim de julho (excluindo Sputnik e Covaxin). Isso é insuficiente para imunizar os 77,2 milhões do chamado grupo prioritário.

Mesmo que mais vacinas cheguem até o fim de junho, é preciso tempo para a distribuição. Depois, cerca de 18 dias para que cada município faça a aplicação, como mostrou média calculada pelo Poder360.

A oposição deve apresentar requerimento de prorrogação dos trabalhos da comissão no começo de julho. Será exatamente nesse mês que o governo estará sendo cobrado por não ter vacinado os grupos prioritários. Prorrogada, a CPI vai até 18 de outubro –a menos de 1 ano da eleição presidencial de 2022.

Comando da CPI

O provável relator da CPI da Covid é o senador Renan Calheiros (MDB-AL). O posto ajuda a definir o ritmo dos trabalhos e é até mais importante do que o de presidente.

Há 6 senadores dispostos a segurar a pressão do Planalto e conceder o comando da CPI a Renan. Um deles, o senador Eduardo Braga (MDB-AM), é próximo ao Planalto, mas não deve trair o colega de partido. Eis a lista:

Humberto Costa (PT-PE);

Eduardo Braga (MDB-AM);

Otto Alencar (PSD-BA);

Randolfe Rodrigues (Rede-AP);

Renan Calheiros (MDB-AL);

Tasso Jereissati (PSDB-CE).