O prefeito Marcelo Crivella disse que o presidente Jair Bolsonaro foi mal interpretado ao dar declarações sobre o fato de que o Brasil passou de 5 mil óbitos por Covid-19. Na terça-feira, ao responder sobre o tema em Brasília, Bolsonaro respondeu: ‘’E daí. Lamento. Quer que eu faça o quê. Eu sou Messias (referência ao sobrenome. Mas não faço milagres’’. Crivella alegou que o presidente tem um coração generoso e só quer que a normalidade seja restabelecida no país. Ele diz que o presidente tenta plantar a esperança no coração do povo, e que a declaração não pode ser interpretada como desprezo pela vida.

— Conheço o presidente Jair Bolsonaro. Nós somos amigos de longa data. Ambos servimos o Exército. Servi na brigada paraquedista, fui oficial há uns qurarenta anos ainda menino, mais ou menos na mesma época que ele. Não sei se tem brasileiro com o coração tão generoso quanto aquele guerreiro. Garanto a você que o que acontece é que às vezes o presidente é mal interpretado. Ele faz um esforço enorme para tocar esse país com as controvérsias todas, com aqueles escândalos de corrupção que tivemos no passado. O presidente manifestou o desejo que todo brasileiro tem de a gente voltar logo. Pode ter certeza que jamais, é uma coisa remota, que ele tenha manifestado desprezo pela vida das pessoas. Ele tomou uma facada na barriga para o povo brasileiro não tomar una facada nas costas.

Na noite terça-feira, ao ser perguntado sobre o Brasil ter ultrapassado a China no número de mortes por coronavírus, o presidente respondeu:

— E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre — complementou, se referindo a um dos seus sobrenomes.

Hoje, Bolsonaro responsabilizou os governadores pelo número de mortes da pandemia. Bolsonaro argumentou que, como decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e prefeitos têm autonomia para decidirem sobre medidas restritivas no combate ao coronavírus e, por isso, eles precisam explicar por que as mortes continuaram mesmo após essas medidas serem tomadas.

O prefeito prosseguiu dizendo que voltar à normalidade é dífícil:

— É um desejo enorme de todo povo brasileiro que quer voltar a trabalhar. Nós temos que trabalhar. Agora, com as curvas crescendo na internação no CTI e no óbito… Os prefeitos que estão na ponta sofrem pressões de todos os setores que, quando não conseguem nos covencer, vão à Justiça. Às vezes, a Justiça abre, às vezes não.

Crivella acrescentou que, com a chegada de respiradores que comprou na China no fim do ano passado e que chegará em voos na próxima semana e no fim de maio para equipar a rede de saúde, será possível restabeelcer a normalidade na cidade. As declarações foram dadas no terminal de Cargas do Aeroporto Tom Jobim, onde o prefeito recebeu aparelhos de raio X e outros insumos também comprados na China.

— Aqui no Rio de Janeiro nós vamos ter nossa Arca de Noé com mil leitos de UTI e uma quantidade enorme de leitos. Teremos leitos sobrando para enfrentar o dilúvio. Vamos poder voltar, por exemplo, com as academias de ginástica. E a nossa população vai estar educada para usar máscaras. Precisamos também reabrir os consultórios de dentista — exemplificou o prefeito.

O Republicanos, partido de Crivella, forma a base do governo federal. O vereador Carlos Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro se filiaram ao partido e vão apoiar o prefeito em sua tentativa de reeleição.