O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), lançou  sua candidatura à reeleição, com apoio de sete partidos, em um centro de convenções em Del Castilho, na Zona Norte. Em pronunciamento, Crivella se comparou ao presidente Jair Bolsonaro, classificou como “reunião espetacular” a participação de Rogéria Bolsonaro e outros membros da família presidencial no seu partido e fez críticas à cobertura da imprensa.

Patriota, Podemos, PP (atual Progressistas), PTC, PMN, PRTB e Solidariedade formam oficialmente a chapa de Crivella. A coligação se chamará “Com Deus, pela família e pelo Rio”. Além de oficializar a candidatura de Crivella, a convenção lançou também cerca de 70 candidatos a vereador pelo Republicanos — entre eles, Rogéria, que sentou-se ao lado do prefeito no palanque. Carlos Bolsonaro, postulante a mais um mandato na Câmara Municipal, não compareceu.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o secretário municipal de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, principal elo entre Crivella e a família Bolsonaro, também não compareceram à covenção do partido.

Ao discursar, Crivella — que chegou no meio da convenção, iniciada pouco depois das 14h — afirmou que há “um paralelo” entre sua campanha à reeleição na prefeitura do Rio e a facada sofrida por Bolsonaro durante a eleição presidencial de 2018, em evento em Juiz de Fora (MG).

— O presidente tomou uma facada. Outra pessoa diria: “Minha vida em primeiro lugar”. Mas nosso líder colocou a vida do povo à frente — iniciou Crivella, para depois se referir ao que chamou de “injúrias, calúnias e infâmia” contra sua gestão: — Nossa luta é para sermos como o presidente Bolsonaro e colocar até nossa vida em segundo plano. O que nos move é o que moveu o presidente quando acordou naquela UTI esfaqueado.

Em mais de um momento, Crivella afirmou não ter “nada do que se envergonhar”, sem fazer referência direta ao esquema dos “Guardiões do Crivella”, revelado pela TV Globo, em que assessores da prefeitura eram organizados em escalas para constranger jornalistas e pacientes na porta de hospitais. O prefeito criticou a cobertura da imprensa a situações de crise na cidade, especialmente na área da Saúde, e afirmou que “isso tudo” resultou numa “reunião com um grupo espetacular”, entre ele mesmo e aliados do presidente Jair Bolsonaro, que também costuma atacar jornalistas.

— A mesma perseguição que tem contra nós, movem contra nosso presidente. Acho que isso é a força que nos une com mais energia — declarou o prefeito.

A candidata a vereadora Rogéria Bolsonaro, ex-mulher do presidente, disse em seu pronunciamento que o resultado desta eleição municipal é uma forma de “dar apoio ao nosso presidente”.

— Sempre digo que podemos nos ajudar uns aos outros, que podemos ser uma grande família para formar uma bancada grande (de vereadores). É preciso continuar acreditando e dando apoio ao nosso presidente, porque sozinho ele não pode nada — disse Rogéria.

Estrategista de Crivella, o ex-deputado Rodrigo Bethlem afirmou que a eleição do Rio é uma “prévia da eleição de 2022”, referindo-se à disputa de Bolsonaro pela reeleição daqui a dois anos. Bethlem foi um dos mentores da estratégia eleitoral de Crivella de buscar um apoio velado de Bolsonaro, colocando-se como representante dos interesses do presidente no cenário político local.

— Nossos inimigos se uniram todos do outro lado. Política é gesto, é ter lado. Com esse exército do bem, não temos dúvida que vamos ganhar — declarou Bethlem.