Nossos processos metabólicos e fisiológicos são sustentados por oscilações biológicas que ocorrem ao longo das 24 horas. Essas oscilações são controladas pelo relógio circadiano central, que é sincronizado conforme a informação que o organismo recebe se está claro (dia) ou escuro (noite).

No entanto, fatores ambientais, comportamentais, horário das refeições, a qualidade da alimentação, o sedentarismo e os ciclos do sono-vigília podem “desajustar” esse relógio central, muitas vezes resultando em uma infinidade de problemas metabólicos, como diabetes, pressão alta, colesterol alto.

O que é crononutrição e como ela pode ajudar?

 Na última década, evidências se acumularam sugerindo que o horário das refeições afeta uma ampla variedade de funções fisiológicas, incluindo o ciclo sono/vigília, temperatura corporal central, desempenho atlético e saúde mental.

Além disso, o horário das refeições tem um efeito profundo na sensibilidade à insulina do músculo-esquelético e na saúde metabólica de todo o corpo. Portanto, pode ser manipulado para ajudar a prevenir ou tratar uma série de doenças relacionadas ao estilo de vida.

 Isso foi denominado “crononutrição” e reflete uma nova apreciação de que o horário das refeições, além do conteúdo energético e da composição dos macronutrientes dos alimentos, é crítico para o bem-estar de um organismo. Assim, a “crononutrição” refere-se à sincronização da alimentação com os ritmos circadianos comandados pelo corpo.

Inúmeras estratégias de dieta foram propostas para conter a prevalência crescente de obesidade e distúrbios metabólicos induzidos pelo estilo de vida. Uma característica comum à maioria dessas dietas é a manipulação do ciclo de alimentação e jejum. A alimentação com restrição de tempo (TRE), em que a ingestão de energia é limitada a uma “janela” de cerca de 10 horas por dia —você só pode comer entre 9h e 19h, por exemplo—, surgiu como uma intervenção prática para aumentar o tempo de jejum, reduzindo o tempo durante o qual a energia é consumida.