A deputada federal pelo PMDB, Josi Nunes, é articulada, contida e muito cordial em suas falas. Mas em recente entrevista à imprensa palmense, Josi Nunes não poupou criticas aos seus desafetos, entenda-se por isso a senadora Kátia Abreu e defendeu a reeleição de Marcelo Miranda, que segundo a parlamentar é o nome mais indicado para continuar ocupando o Palácio Araguaia. Essas e outras considerações foram debatidas pela parlamentar.

Confira alguns trechos da entrevista da deputada federal.

 

  1. Inicialmente, deputada, como avalia a sua atuação na Câmara Federal nestes dois anos e sete meses de primeiro mandato? Quais foram os principais desafios e conquistas?

 

Josi Nunes: Esses dois anos e meio de mandato foi um período de muito aprendizado. Foi uma mudança muito grande sair daqui da Assembleia Legislativa, onde digo que o deputado estadual tem o poder de legislação muito limitado, e você ir para Brasília como deputada federal, em que o poder de legislar é imenso. Ali você trata sobre tudo. Tudo o que você faz mexe diretamente na vida do cidadão. Então foi uma diferença muito grande.

O primeiro ano para você aprender, entender, como funciona a casa. Não é fácil. Entrei para um curso, fui estudar, e estou aprendendo. Então, o primeiro ano foi difícil, mas nós estamos nos adaptando, e vejo que a avaliação é positiva pelo o que já conseguimos conquistar para o nosso Estado, em termo de recursos, emendas. A nossa bancada é bem unida, estamos trabalhando juntos. Quando fala do Tocantins, a gente deixa qualquer divergência eleitoral, porque estamos competindo um com o outro. Quando fala do Tocantins no processo do mandato, nós somos bastante unidos.

 

 

  1. O Tocantins talvez vive a maior crise da sua história. Na sua visão, deputada, o que deu errado? Quais as mudanças necessárias para recolocar o Estado nos trilhos?

 

Josi Nunes: O Brasil está enfrentando esta crise, consequentemente todos os estados e municípios. Não dá para analisar um estado isoladamente. O que vejo que deu errado: um processo de gestão que comprometeu as finanças do nosso governo. Quando você gasta mais do que recebe, e gasta mais, e gasta mais, e gasta mais, chega um ponto que estoura. E foi o que aconteceu no Brasil. Nós temos um déficit imenso e o governo não está conseguindo ter, no mesmo nível do déficit, uma arrecadação suficiente para cobrir este buraco. E as despesas continuam ano a ano. Você vê que o governo não conseguiu atingir a meta [fiscal], infelizmente. Então, o que deu errado foi exatamente este mecanismo de gestão que tivemos um pouco no passado que não priorizou o equilíbrio fiscal. Isto é um fato.

 

Se você não economiza, nos primeiros anos, quando você tem uma sobra, um crédito, um saldo, ainda consegue fazer ações importantes para a comunidade, mas uma hora a fonte seca, e foi o que aconteceu. E isso atingiu todo mundo. O Brasil entrou nessa crise, não conseguiu compartilhar suas obrigações com os estados e municípios, e estão todos os gestores sofrendo.

 

Agora vejo que, dentro deste cenário caótico, o Tocantins tem sofrido um pouco menos. O Rio [de Janeiro] é um estado que deveria ser rico, ter um equilíbrio grande e riqueza para todos, é o exemplo do que a irresponsabilidade de gestões fez com o estado. Hoje os servidores públicos estão recebendo cestas básicas para poderem se alimentar, o seu salário está sendo dividido em até seis vezes, e o governo não está conseguindo cumprir. Esse é um exemplo do que pode acontecer em qualquer estado diante do cenário que estamos vivendo.

 

O Tocantins é um estado novo, que ainda não tem as dívidas que outros estados conseguiram ao longo do tempo, e é por isso que tem que fazer o seu dever de casa para evitar o que está acontecendo com outros estados, como o Rio [de Janeiro], Minas [Gerais], Rio Grande do Sul. São estados que deveriam estar fortes. Aqui o governo, com todas as dificuldades, está conseguindo pagar a folha mensalmente. Ele infelizmente não está conseguindo cumprir com esses direitos que foram aprovados na Assembleia, de data-base, de progressão, mas nós temos conversado com o governo, e ele tem procurado melhorar suas finanças para poder cumprir essas suas obrigações.

 

Mas ele tem conseguido ao menos manter a máquina pública funcionando. Há uma preocupação muito grande dele com relação a saúde, que é um problema grave. Nós da bancada estamos contribuindo, conseguimos no ano passado R$ 140 milhões de emenda de bancada. Nós da bancada também conseguimos recurso de R$ 84 milhões para a segurança pública. Estamos preocupados com a questão da infraestrutura. Estamos juntos com o governador Marcelo Miranda trabalhando as principais rodovias BRs do nosso Tocantins. Estamos trabalhando muito neste sentido e o governo conseguiu um financiamento para fazer recuperação da malha viária de 1.500 quilômetros, e já conseguiu recuperar mil quilômetros.

 

Outro problema grave, além da saúde e segurança, é a questão da seca. 11 mil cisternas foram instaladas, os caminhões pipa estão abastecendo. Vai amenizar um pouco o sofrimento da nossa comunidade. O governo tem prioridades. A coisa não está fácil, está difícil. Mas apesar das dificuldades, o governo do Tocantins tem buscado dar prosseguimento dessas atividades. Claro, poderia estar melhor; mas infelizmente o cenário nacional não permite.

 

  1. Alvo de operações da Polícia Federal, em débito com o funcionalismo, Marcelo Miranda enfrenta forte crise de imagem. Acredita que o governador seria um candidato forte no ano que vem?

 

Josi Nunes: Acredito. Tanto que temos conversado muito com ele no sentido de que ele ainda não fez um declaração definitiva. Mas nós do partido temos conversado no sentido de que ele deve ser o nosso candidato. Estamos tentando estimulá-lo e ter uma definição maior neste sentido. Na minha avaliação é o melhor candidato para o Tocantins. Se diante dessa crise ele tem conseguido fazer essas ações e manter essa máquina funcionando, imagina o que vai poder fazer com uma situação mais tranquila. E estou confiante que o Brasil vai superar as dificuldades. Já temos alguns indícios de que isso está acontecendo. É claro que esses anos que nós perdemos vamos levar muito tempo para recuperar, mas tenho uma certeza que com uma situação mais tranquila, ele vai poder fazer muito mais.

 

  1. Pela sua fala entendi um trabalho do PMDB em convencer o Marcelo Miranda de demonstrar essa vontade de se candidatar. Existe algo que segura o governador de tentar a reeleição?

 

Josi Nunes: Não é no sentido de convencê-lo, é que nós achamos que ele já poderia fazer a declaração e colocar o seu nome. Mas isto sempre acontece, todo os outros governantes anteriores sempre deixam para o ano da eleição. É ansiedade nossa. Não há essa questão de convencimento. Ele é o nosso candidato, estamos muito seguros dentro do partido, entendemos que é o melhor. Vamos trabalhar para viabilizar essa candidatura e que ele seja nosso governador em um cenário melhor.

 

  1. Qual sua expectativa para o processo eleitoral do ano que vem?

 

Josi Nunes: Bom, esperamos que com a candidatura do nosso governador Marcelo Miranda à reeleição, a expectativa é da sua vitória. Que a gente possa também estar fazendo um grande número de deputados federais e estaduais da base para dar sustentação a este governo.

 

O cenário ainda está meio incerto porque nós temos vários nomes que estão se colocando, mas ainda não temos uma garantia que esses nomes serão realmente [candidatos]. Isso é natural. Estamos há um ano antes das eleições, este cenário, esta incerteza, esta procura de alguns nomes de poder se viabilizar faz parte do processo. Nós só vamos ter um quadro melhor só a partir do ano que vem.

  1. Qual avaliação a senhora faz da trajetória da senadora Kátia Abreu no PMDB?

 

Josi Nunes: No início houve um certo apoio. Na verdade, a senadora Kátia Abreu veio para o partido pelas mãos do presidente atual da República, foi ele quem trouxe. Não havia uma grande aceitação nossa para o período, mas nós estávamos vivendo um momento difícil, em que o presidente na época, o então deputado Júnior Coimbra, se lançava a governador. Então, houve uma cisão. Como ele era o presidente, poderia interferir nas candidaturas. Andamos mais de um ano em Brasília levando a problemática do Tocantins para a Nacional. Foi quando o próprio presidente atual da República, que era o presidente do nosso partido, veio e trouxe uma alternativa: “Olha, vamos filiar uma senadora, fortalecer o partido”. Isso resolveria a situação, porque ela viria e a gente equilibraria mais o quadro.

 

Na verdade nós não a queríamos porque não havia nenhuma identidade. Ela queria vir já assumindo a presidência do partido, nós não aceitamos isso no início, mas acabamos cedendo. O presidente do nosso partido pediu. Cedemos e abraçamos. Foi difícil conseguir apoio para a senadora. Nós já a apoiamos no passado e foi uma decepção. E a gente tentava vender uma outra imagem porque nós acreditamos. Eu fui para a campanha pedir voto com todas as dificuldades. Os municípios em que trabalho não a queriam, e nós fizemos convencimento. O governador Marcelo Miranda fez um convencimento na base e nós fomos quebrando barreiras. Tanto quebramos que foi difícil a senadora ser reeleita. Havia uma pesquisa que dizia que ela tava muito bem, e era falsa. Se não fosse esse trabalho dos apoiadores do governador Marcelo Miranda, a senadora com certeza não teria sido reeleita.

 

Mas foi eleita, achamos maravilhoso. Fizemos uma senadora, quatro deputados federais, vários estaduais. O partido estava bem. Mas infelizmente a senadora mais uma vez não correspondeu os anseios do nosso partido, mais uma vez nós fomos traídos. Um dia antes da posse, ela teve uma briga com o governador, rompeu, saiu de todo o processo, e virou uma inimiga. Tanto que chegou a assumir no governo Dilma [Rousseff] um posto importante de ministra, mas em nenhum deu as mãos ao governo para poder ajudar o Estado. Na verdade era sempre uma luta. Essa briga acabou prejudicando porque poderia ajudar o Tocantins como ministra, mas não ajudou.

 

O que vejo que está acontecendo hoje é que não há clima para a senadora continuar do partido. Não há uma identidade dela com o partido, para que permanecer? Para que ser expulsa? Se ela tem outros que pode ir com uma identidade maior um relacionamento melhor. Ela não se relaciona com ninguém do PMDB no Tocantins, também não se relaciona mais com ninguém do nacional. Isso sendo que ela fazia parte deste nacional. Às vezes ela nos critica pelo apoio que estamos dando ao presidente da República, mas ela veio para o PMDB pelas mãos deste presidente da República, ela era aliada deste presidente da República.

 

O que nós queremos é que haja uma definição. Claro que o diretório nacional não pode simplesmente expulsar, tem que fazer todo o processo legal, dar o direito de defesa, e esse processo está acontecendo. Mas nós do PMDB queremos um partido integrado, unido, junto, nas dificuldades e nas alegrias. Porque é muito fácil você estar junto em uma situação favorável. Agora, fidelidade é quando você está junto no momento bom ou no momento ruim. Mas sempre com uma perspectiva: trabalhando pelo Tocantins. E isso, infelizmente, não estamos vendo na postura da senadora.

 

  1. O que representa essa possível expulsão dela? Uma reunião do PMDB?

 

Josi Nunes: O partido já está unido, organizado, vai fazer seu trabalho. Só que é constrangedor nós termos um membro que diz que é do PMDB, está na sigla, mas não é. Que trabalha contra o nosso Estado, contra o governo que é do partido que está filiada, que não colabora em nível nacional para que as coisas possam melhorar um pouquinho mais. Vejo que é constrangedor para ela. Seria muito melhor para ela ter um partido em que possa ter identidade, fazer o seu trabalho. É constrangedor para ela. Mas nosso partido está unido, organizado, se por acaso acontecer alguma coisa dela ficar, o que eu acredito que não fique. Mas dentro do nosso partido ela não tem espaço.

 

  1. Amastha é citado como um dos principais pré-candidatos ao governo do Estado. Ele realmente representa o novo? Como a senhora recebeu as críticas dele à bancada federal?

 

Josi Nunes: Ele fez uma crítica generalizada, isso é lamentável. Depois se desculpou, disse que não era para todos, só para alguns. Mas, assim, eu discordo das pessoas que dizem: “eu não sou político”. Ora, se você se interessa pela comunidade, quer fazer a diferença, quer gerir uma cidade, você é político. Político é isso, é você querer fazer o bem, fazer a diferença, trazer resultados positivos para a sua comunidade. Isso é política.

Infelizmente, dentro da política nós temos bons e maus políticos, como em todas as áreas, mas todo mundo que passa por um processo eleitoral é político. Eu não concordo com essa questão do novo. Não vejo mais como novo porque já está aí, já foi prefeito, foi para um processo de reeleição. Respeito o prefeito Carlos Amastha. Se ele conseguiu chegar onde ele chegou, tem seus méritos. Sem dúvida nenhuma. Estou até tentando uma audiência com ele. Mas fico preocupada com os políticos que tentam crescer falando mal de outros, denegrindo outros. Isso é triste. A classe política já está tão desmoralizada e muitas vezes essas questões acabam denegrindo mais ainda essa imagem. Mas espero que ele faça um bom trabalho, na prefeitura de Palmas, e que a gente possa trabalhar juntos. Eu sou parceira, tenho colocado algumas emendas aqui. E o Marcelo Miranda governador, ele prefeito. Tá tudo bem.