Há quem entre na faculdade e abandone os estudos para fazer política. Há quem atropele a própria mãe para conquistar um mandato, com a promessa de, uma vez eleito, comandar uma revolução. Tabata trilhou o caminho oposto. De menina pobre, filha de um cobrador de ônibus e de uma diarista, ela primeiro fez a própria revolução. Das 10 universidades americanas nas quais sonhou estudar, passou em seis. Tudo isso, sem deixar de lado a luta diária por um sistema de ensino capaz de emancipar cidadãos e ajudar a reduzir o abismo da desigualdade social no país. Resultado: na volta de Harvard, disputou um mandato pelo PDT e tornou-se a deputada federal mais jovem eleita por São Paulo.

Hoje, aos 25 anos, ela transita entre a dedicação ao mandato e os percalços enfrentados para exercê-lo. Novata no Congresso, chamou a atenção do país quando deu uma aula de educação ao então ministro da área, Ricardo Vélez. O vídeo viralizou na internet. Independente, vota a favor de propostas que considera boas para o país, sem se deixar intimidar por patrulhas. Foi assim com a reforma da Previdência. Depois de votar a favor e de batalhar por votos para a proposta, acabou ameaçada de expulsão e foi colocada na geladeira pelo partido. Não se intimidou. Não sabe, porém, se continuará no PDT. A bola está com Carlos Lupi, presidente da sigla. A opção dela pela legenda tem a ver com o projeto de educação integral, historicamente defendido por nomes como Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

No conturbado relacionamento com o PDT, Tabata tira força das frustrações para seguir em frente. Faz o mesmo diante dos constantes ataques machistas que sofre, principalmente, pelas redes sociais. “As pessoas se sentem no direito de me enviar mensagens pornográficas, se sentem no direito de me ameaçar de morte e de comentar como estou vestida. É muito violento”, desabafa.

 Ela repudia a maneira como a educação, sua bandeira principal, é tratada pelo governo Bolsonaro,  e faz críticas ao MEC e, especialmente, ao ministro Abraham Weintraub. “O governo tem uma postura bizarra”, diz, em entrevista na redação do Correio. Acompanhada de uma assessora que trabalhou durante a campanha no escritório de São Paulo, a parlamentar fez um balanço dos nove primeiros meses de Congresso e detalha a vida na capital federal.

“Dá para escrever um tratado sobre o que significa ser mulher aqui em Brasília”, diz a jovem deputada, que chegou à capital há nove meses, repleta de esperança e sonhos. Nesse período, descobriu que a realidade do mundo da política é bem mais pesada do que a do mundo acadêmico da astrofísica, onde era uma das poucas mulheres.

Por fim, ela admite que a tal “nova política” não é a oitava maravilha do Brasil moderno. Tabata, inclusive, se arrepende de ter endossado esse slogan. Hoje, ela ajustou o foco para o que chama de “boa política” e o ingresso de mais mulheres nessa seara.

Para mim, as escolas cívico-militares demonstram a forma de se tomar decisões no Brasil atualmente. Não há evidência de resultado, ainda mais quando se analisa a base do financiamento. Essas escolas são muito mais caras (para o Estado) que as regulares, especialmente pelas pessoas envolvidas. É um investimento sem sentido, uma decisão política e ideológica que não demonstra visão de investimento em educação e segurança. Baseia-se em machismo, tratando uma instituição militarizada como algo capaz de melhorar a segurança. É uma demonstração de como o governo (do presidente Jair) Bolsonaro toma decisões. Isso tem reflexo no Ministério da Educação (MEC), que não mudou muito desde a exoneração do (ex-ministro Ricardo) Vélez. O que começou a andar foram as comissões externas em andamento no MEC, um trabalho mais sério por parte dos secretários.

Alguns parlamentares dizem que a senhora é muito combativa. Isso prejudica o diálogo da Comissão de Educação da Câmara com o governo?

A Comissão Externa de Acompanhamento do MEC complementa muito a Comissão de Educação na Câmara. Vamos semanalmente às secretarias do MEC, trazemos requerimentos de informação, nos preocupamos em fiscalizar. Acompanhamos as atividades do ministério e estamos produzindo bastante material, muitas coisas, inclusive, que não saem na mídia. Está sendo uma ótima experiência. Sobre a crítica de eu ser muito combativa, entendo e acho que um aprendizado grande nos últimos meses foi entender, na prática, que a política se faz em grupo. Então, passei nove meses entendendo quais eram meus grupos na Câmara. E, para mim, isso foi uma certeza muito forte. Encontrei meu grupo na bancada feminina, na Frente Parlamentar pela Educação, entre os parlamentares mais jovens (…) A política se faz em grupos e é importante ter isso muito consciente. Tenho ajudado a construir agendas sociais com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o que não seria possível se ainda não tivesse entendido que a política é algo que se faz em grupo. Mas é difícil pedir que eu não seja combativa no que diz respeito à pasta que acho mais importante — a Educação. Sou uma pessoa razoável, mudo de opinião quando alguém traz argumentos baseados em evidências. Consigo ver o que tem de bom nos ministérios. O da Infraestrutura é um exemplo. Mas é difícil enxergar algo bom no MEC. Educação é a área, que tenho maior conhecimento, entendo as coisas mais chatas relacionadas ao tema, e o governo tem uma postura completamente bizarra nesse assunto. Não dá para pedirem que eu seja um robô.

O problema está na figura do ministro Abraham Weintraub ou na estrutura que o governo criou?

Na figura do ministro. Não tenho nenhuma relação com ele e todo mundo sabe que nosso relacionamento não é dos melhores. Por isso, foi importante conhecer o corpo técnico do MEC. Isso se faz indo ao ministério toda semana, ouvindo projetos, perguntando com respeito. Vocês não vão me ver no plenário dizendo que o Future-se (projeto do MEC para dar autonomia na gestão de universidades e institutos federais) vai privatizar a Educação. Eu li o projeto. Mas há coisas preocupantes, como quando se fala das OS’s (Organizações Sociais). E quando eu falo sobre algo que me traz esse sentimento, peço uma resposta. Não estou fazendo palanque, mas essa foi a maneira que encontrei de dialogar — me conectando com esse corpo técnico que faz um trabalho sério. Temos um ministro peculiar, alguém que gasta tempo fazendo vídeos com críticas a setores importantes da população… É um ministro complicado.

O primeiro ano de mandato está no fim, mas ainda há três pela frente. Como pretende conduzi-los?

Levando adiante esse trabalho sério e comprometido. Vou continuar lendo projetos, falando com quem está tocando determinados temas, fazendo propostas e ouvindo explicações. Em uma Câmara polarizada, isso é o que tem de mais inovador. Você não pode chegar apontando o dedo e gritando, mas pode falar com propriedade se entender o que está sendo discutido. Na questão do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), sou a favor dos incentivos. Visitei o Brasil inteiro e é muito evidente ver que prefeitos e secretários não têm se empenhado para investir o dinheiro corretamente. Eles colocam operadores políticos para serem professores, diretores… Isso atrapalha a progressão de carreira dos professores que não votaram na “pessoa correta”. Eu sei como funciona na ponta. Então, se for colocar mais dinheiro, e eu acho que precisa colocar, é necessário dar incentivo à assistência técnica. Eu tive essa conversa com o MEC e eles me mandaram um ofício com incentivos negativos. Isso não funciona. O ministério sugeriu o bloqueio de verbas do Fundeb de municípios que não avançassem em Educação. Estudamos, conversamos, falei com o secretário e ele mudou o ofício. Adoraria fazer uma reunião com o ministro também.

Sobre a expectativa em relação ao Congresso, está acontecendo o que a senhora imaginou ou as coisas tem surpreendido? Está satisfeita com o que viu?

Tem coisas boas, com certeza, mas algumas coisas são frustrantes. Uma coisa boa é o que falei dos grupos. Tinha muito medo de ficar sozinha, de não me encaixar e acabar sem espaço na Câmara. Tive medo de a  minha atuação se tornar irrelevante. Ficar no famoso “baixo clero” (deputados com menor influência política entre seus pares) e levar quatro anos para aprovar um projeto. Mas é muito surpreendente ver todo o espaço que conquistei e a forma que atuo hoje. Não esperava ter todo esse espaço, todas as premiações… Estou aqui, fui eleita. Eu, Tataba, da Vila Missionária (Zona Sul de São Paulo), estou aqui. Mas existem as frustrações do dia a dia, como quando votamos o projeto de fiscalização dos partidos, flexibilizando o caixa 2 e acabando com o financiamento de campanha. Naquele dia, vi governo e oposição, juntos, atrás de um projeto que eu não tinha como lutar. Era uma vontade de todos os partidos, mas, na hora, pensei: “estou mudando alguma coisa?”, “aqui tem espaço pra gente”? Tenho 25 anos de idade e me vejo onde queria estar, fazendo o que queria fazer, mas só poderei mudar algumas coisas quando mudarem as práticas coletivas. Me arrependo do discurso de nova política que endossei no começo do mandato, então comecei a falar de boa política em vez de nova política. Foi o discurso da nova política que fez com que alguém acreditasse em que Jair Bolsonaro, deputado por três décadas, hoje presidente da República.

Muitos parlamentares devem se licenciar para concorrer às prefeituras em 2020. A senhora vai se candidatar?

Fiz alguns compromissos de campanha que me deram muita liberdade. Sou livre para fazer o que acho correto por causa desses compromissos, como o valor das doações. Estipulei que ninguém doaria mais de 20% do orçamento total da campanha durante as eleições. Entendia que, se alguém doasse tanto, cobraria esse valor depois. A maior doação foi de 9% da verba total. Isso me dá liberdade. Escolhi terminar o mandato de deputada federal, fui eleita para isso e me parece desonesto com os eleitores que eu faça algo diferente. Muita gente acha que sou burra, porque estou bem nas pesquisas e deveria concorrer à prefeitura de São Paulo para fazer nome, mas não faz sentido para mim. Pretendo me candidatar novamente em 2022. Antes disso, vou fazer campanha apenas para pessoas que acredito, pessoas que deveriam estar com mais visibilidade na política. Quero formar um grupo político que pensa diferente.

Mas o PDT não defende a sua candidatura como prefeita?

Essa decisão de não concorrer à prefeitura trouxe alguns conflitos dentro do partido, que não entendeu muito bem meu posicionamento. Mas acho que é uma coisa partidária, cabe a eles estimularem minha candidatura e cabe a mim tomar a decisão. E minha decisão foi a de não me candidatar.

Não é seu primeiro embate com o partido. O relacionamento com a legenda, como vai?

Estou suspensa desde o dia da votação da reforma da Previdência (quando a deputada votou contra o direcionamento do partido, contrário à proposta. Tabata votou a favor). Isso é ruim. Perco muito espaço. É o partido que te indica para comissões, para temas  que vêm do Executivo… Mas, até agora, não houve julgamento. O PDT abriu um processo administrativo e ainda não decidiu. O PSB (que também suspendeu deputados por desobedecerem ao fechamento de questão) encerrou esse assunto. O PDT, não. E isso é muito agoniante. Não sei mais nem o que dizer. Já enviamos carta pública, vivemos cobrando, pedimos qualquer posicionamento… E não acontece nada.

A senhora foi convidada para outros partidos?

Sim, alguns me convidaram, mas não sentei com ninguém. Eu não acho que o PDT foi correto comigo após a votação da Previdência, mas isso não faz com que eu não seja correta com eles. Eu ainda estou filiada. Mas quem precisa dar uma resposta aqui é o PDT, porque eu não pedi para sair do partido. Tenho uma votação bem coerente com a campanha, com o partido… Estava construindo coisas bem legais em São paulo e quero que o PDT diga se me quer no partido ou não.

Se eles disserem que sim, que querem que você fique, qual vai ser seu posicionamento?

Não vou aceitar nenhum tipo de punição. Não houve fechamento de questão (sobre a Previdência). A decisão de votar contra foi tomada antes mesmo de recebermos o texto do governo. Então, não está correto com o estatuto do partido.

O que espera antes de tomar essa decisão?

Não pedi pra sair do partido. A gente tinha um comprometimento de que o PDT em São Paulo fosse o primeiro partido a ter metade da lista feita de mulheres. Colocar mulheres na política é uma das pautas mais caras pra mim. A gente estava recrutando e formando centenas de mulheres, só que agora estamos fazendo isso de forma suprapartidária. Então, eles que digam o que acham disso tudo. Eles começaram.

Essas confusões fazem trazem desânimo em relação à escolha do partido? O PDT é um dos grupos que você gostaria de estar?

Eu não sei se é isso que me deixa desanimada. A vida em Brasília é muito dura. É áspera. E duplamente áspera para as mulheres. Sou muito consciente sobre o que é machismo e nunca me senti tão exposta por ser mulher. Nunca fui tão assediada nem tão criticada, nunca questionaram tanto a minha capacidade, minha inteligência… Nunca inventaram tanta história sobre minha vida pessoal. Comentam até sobre o meu corte de cabelo. Um deputado pegou o microfone para dizer que não sou capaz de relatar um projeto. E aí, não importa o que você estudou, se foi a melhor aluna, a que faculdade você foi… Você é uma mulher jovem na política e isso incomoda muita gente. Então, dá para escrever um tratado sobre ser mulher em Brasília. É muito difícil. Não tem muita gente de centro-esquerda, que topa falar sobre o combate à desigualdade e de ser fiscalmente responsável. Claro que eu fico magoada com as ameaças, com as mensagens pornográficas que recebo diariamente. Mas tenho que tirar forças disso tudo. E, por isso, quero trazer mais meninas, mais mulheres para a política. Se não, continuará sendo estranho ser mulher. Vão continuar me desafiando, me interrompendo, dizendo que tem um homem mandando no meu mandato. Precisamos de mais mulheres. Apresentei um projeto com a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). É para começar a discussão, mas impõe que, nos anos eleitorais com duas vagas de senador, a cada oito anos; uma das cadeiras seja para mulheres.

O ambiente machista é maior em Brasília?

Eu estudei astrofísica. Então, entendo um pouco do machismo na Academia. Nas cinco competições que eu fui representando o Brasil, eu era a única menina. Foram cinco mundiais. Tenho alguma experiência de ser a única mulher na sala. E nunca sofri tanta violência quanto agora.

De onde vem essa violência? Dos parlamentares mais jovens, mais velhos?

Isso vem de todo mundo. Das pessoas que colocam a mão no peito para me barrar em uma reunião e tenho de explicar que sou deputada. Tem parlamentares mais velhos e mais novos que querem saber se sou casada com alguém, se meu pai é de família importante, que homem me colocou na política. Vem quando me interrompem, dizem que eu não sou capaz, quando me chamam de burra, de débil mental — palavras que já usaram no plenário. Vem das redes sociais, onde as pessoas se sentem no direito de me enviar mensagens pornográficas. Que se sentem no direito de me ameaçar de morte, de comentar como estou vestida… É muito violento.

Os ataques nas redes sociais se intensificaram após a votação da reforma da Previdência?

Sim, aumentaram muito. A impressão que eu tenho é que eles vêm de um grupo bem específico. Quando eu vejo, os primeiros comentários são das mesmas pessoas. Devem colocar notificação para saber quando eu posto alguma coisa. Aumentou o nível de ódio depois da reforma da Previdência, mas não sei dizer se são eleitores. Tem uma galera que nem é de São Paulo, mas esses ataques são bem partidários. Você entra no perfil dessas pessoas e sabe de que partido elas são, se têm cargo… Não é população em geral. Eu moro no lugar onde cresci. Conheço as pessoas há 25 anos. Nunca fui abordada na rua. Vou à missa todo domingo, vou todo fim de semana para a minha casa. Então, é muito distante o que acontece nas redes e o que acontece nas ruas. Isso é coisa de partido.

E a participação de mulheres na política ? O que a senhora acha do projeto que permite o corte de 30% de candidaturas femininas?

Eu e 90% da bancada feminina somos completamente contra. Entendo as motivações da Renata Abreu (PODE-SP) — que apresentou o projeto. Conversamos diversas vezes. Para mim, ter mais mulheres na política não é capricho. Estou comprometida com um país que tem políticas sociais melhores, políticas econômicas melhores… Que as meninas possam sonhar o mesmo que os meninos. Não vou aceitar que a gente tenha nenhum tipo de retrocesso. Por que não colocar cotas no parlamento, nas cadeiras? Vários países já mostraram que funciona. É um pouco do projeto que mostramos agora para as vagas do Senado. Não dá para flexibilizar. Se você não forma as mulheres, não dá espaço e dinheiro, elas vão duvidar das próprias candidaturas. Não é porque elas não querem, é porque têm de andar 10 km a mais que os homens para se candidatar. É muito mais difícil.

Existe uma ruptura entre a Câmara e o Senado sobre a agenda econômica do governo. Há disputa por protagonismo?

Eu fiz essa mesma pergunta para um senador. Não sei a resposta. Mas, na leitura dele, é que não. Até a discussão que ocorreu entre o Cid (Gomes, senador do PDT pelo Ceará) e o Arthur Lira (PP-AL) — sobre a divisão do dinheiro proveniente da venda de petróleo do pré-sal — ficou entre eles dois, não evoluiu para os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Então, a impressão que eu tenho é que não existe essa briga entre as Casas. Quando a gente falou do Fundeb e da Previdência, vi as coisas fluírem muito bem. Tínhamos uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para a Previdência com o Felipe Rigoni (PSB-ES) sobre um fundo especial para crianças. A gente esquece que seguridade é para todos os vulneráveis, o que inclui as crianças. Não conseguimos emplacar na Câmara, mas foi para o Senado. E isso me deixou feliz. Às vezes, o que respinga nessas questões são as trapalhadas do Executivo. Essa questão de eles quererem associar a reforma do Estado com a reformulação do Pacto Federativo, por exemplo, me parece mais uma confusão do Executivo.

Agora estou gostando mais de Brasília

No primeiro semestre eu não gostava muito de Brasília. Mas eu não conhecia nada. Agora estou gostando mais. No começo foi muito difícil, pessoalmente. Profissionalmente, fiz uma boa atuação, trabalhei muito, mas estava me sentindo sozinha.  Aqui é diferente. Cresci na periferia de São Paulo. Não foi nem no centro. Moro em uma comunidade nordestina, que muitas portas ficam abertas e tem sempre gente na sua casa. Comunidade é uma coisa muito forte. Quem dava comida e roupa para gente não era o Estado, era a igreja. Me sinto muito sozinha aqui, pois adoro viver com muita gente. Eu tenho 25 anos, quero casar, ter filhos, ser saudável, ter vida. Comecei a mudar algumas coisas. Então, terça-feira de manhã eu comecei a fazer aula de dança com uma professora daqui. Quarta-feira de manhã, estou indo ao Parque da Cidade. Já consegui ir quatro semanas seguidas. Eu sempre vim um pouco mais para cá. Aquela coisa de quem vem segunda faz a pauta, eu acredito um pouco nisso. E, de fato, eu faço muita reunião de pauta segunda. Sempre venho segunda, e vou embora quinta à tarde ou à noite. Eu acabo perdendo tempo que eu poderia ter na agenda em São Paulo, mas como eu não tenho família constituída, tudo bem. Então, sexta e sábado, eu trabalho, e tiro domingo para ficar com minha mãe e com meu irmão. Em resumo: eu estou conseguindo ficar bastante aqui. Faço mercado. Antes eu não estava nem fazendo meu café da manhã. Comecei a entender que eu moro em Brasília. Decorei, montei a rede. Minha mãe comprou cuscuzeira, vou trazer. Botei as plantas, os cactos, porque eu estou vindo morar aqui de verdade. Eu moro em Brasília hoje. Tudo está melhorando, estou me acostumando e começando a gostar da cidade. Recebi um imóvel que liberaram faz uns três meses.