Pavel Durov, dono do Telegram, publicou um texto no qual afirma que Apple e Google são culpadas pelas vulnerabilidades dos sistemas operacionais de seus dispositivos móveis ao software espião Pegasus.

A plataforma spyware Pegasus, desenvolvida pela empresa de vigilância israelense NSO Group, foi descoberta durante investigação de 17 organizações de mídia feita a partir de documentos vazados.

Durov relembrou outro vazamento de informações para a mídia, o do caso Edward Snowden, ex-analista da NSA (Agência Nacional de Segurança), que vazou documentos secretos da agência norte-americana. Durov lembrou que, de acordo com as informações do ex-analista, Apple e Google “são parte do sistema global de vigilância”.

Em parte destes documentos estava a informação de que Apple, Google, Facebook e outras big techs davam acesso aos telefones e e-mails de seus usuários ao governo dos EUA.

Esse acesso se daria por uma “backdoor” (porta dos fundos, em português). Backdoor é um mecanismo, geralmente secreto, pelo qual é possível burlar senhas e outras métodos de segurança de um dispositivo.

As companhias manteriam esse backdoor para acessar informações digitais de um usuário sem ele saber ou contra a sua vontade. Quando o caso foi divulgado, as companhias negaram que soubessem de vulnerabilidades ou que dessem acesso à agência norte-americana.

“O problema com esses backdoors é que eles nunca são exclusivos para apenas uma parte. Qualquer pessoa pode explorá-los”, afirmou Durov. “Portanto, se uma agência de segurança dos Estados Unidos pode hackear um telefone iOS ou Android, qualquer outra organização que descobrir esses backdoors pode fazer o mesmo.”

Essa porta de entrada para o sistema operacional é o que facilitaria a entrada do Pegasus no dispositivo. Quando o spyware acessa o sistema, consegue qualquer informação desejada, desde imagens a e-mails e conversas de aplicativos instalados. Entenda o que se sabe sobre o Pegasus.

Durov está na lista de pessoas supostamente monitoradas pelo spyware. Uma fonte do The Guardian afirma que ele não era espionado. A presença na lista não comprova que os números foram de fato espionados, mas indica potencial alvo. O dono do Telegram afirmou que não está preocupado.

“Desde 2011, quando ainda morava na Rússia, me acostumei a supor que todos os meus telefones estavam comprometidos.” Segundo ele, quem o hackear não encontrará nenhuma informação importante.

Mas ele lembrou que pessoas mais proeminentes do que ele estavam na lista da Pegasus. Diplomatas, militares, chefes de Estado e de governo de 34 países estão entre os potencialmente vigiados. Leia os principais nomes aqui.

Para Durov, a forma de combater softwares de espionagem é permitir maior competição no mercado de smartphones e sistemas operacionais. Ele argumenta que o monopólio do setor aumenta os custos da tecnologia, além de ser um risco para a privacidade e a liberdade de expressão.

“Espero que a notícia de que eles próprios foram alvos dessas ferramentas de vigilância levem os políticos a mudar de ideia”, disse Durov, defendendo mudanças na legislação mundial.