Em votação a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) revogou a Medalha Tiradentes ao vereador Dr. Jairinho (sem partido), preso desde o dia 8 de abril acusado de torturar e matar o enteado, Henry Borel, de 4 anos. A maior honraria da Alerj estadual foi concedida a Jairinho em 2007. O pedido da revogação foi feito pelo deputado Noel de Carvalho (PSDB) e vai à promulgação.

Na última sexta-feira, dia 15, foi publicado no Diário Oficial um parecer da Comissão de Normas Internas e Proposições Externas da Alerj, assinado pelo relator deputado Rodrigo Bacellar (SDD), favorável ao projeto de revogação, protocolado na Alerj em 12 de abril e publicado no Diário Oficial do estado no dia 28 de abril. O parecer cita o indiciamento do vereador por homicídio duplamente qualificado, a expulsão sumária do partido Solidariedade, e outras duas acusações de torturas que teriam sido cometidas por Jairinho.

O pedido para que a Alerj concedesse a medalha Tiradentes a Dr . Jairinho foi feito pelo então deputado estadual Antônio Pedregal. Em sua justificativa na época para conceder a homenagem, o deputado ressaltou o trabalho de Jairinho na “área da infância e juventude”, principalmente em temas relacionados à saúde:

“Uma das questões que mais preocupam o vereador, como médico, é a falta de uma política séria de prevenção na área da infância e da juventude. Ele trabalha para minimizar essas falhas oferecendo ao prefeito, através de projetos de lei , a implantação de meios para prevenir a obesidade nas crianças em idade escolar, e, assim, evitar o surgimento de doenças, as mais diversas, no futuro, medidas essas acompanhadas de campanhas educativas. Ele acredita que a prevenção é o segredo para uma saúde pública eficaz e eficiente”, diz trecho do projeto.

O engenheiro Leniel Borel de Almeida recebeu uma carta em que o Papa Francisco presta solidariedade pelo que classifica como “massacre” contra seu filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, em 8 de março. No documento, assinado pelo Monsenhor Luigi Roberto Cona, assessor para Assuntos Gerais da Secretaria do Vaticano, o religioso afirma que “a loucura humana” levou à morte do menino. A professora Monique Medeiros da Costa e Silva e seu namorado, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), mãe e padrasto da criança, estão presos preventivamente e são réus no processo que apura o crime.

A carta, com data de 24 de abril, foi entregue a uma familiar de Leniel que mora em Portugal depois que ela escreveu ao Pontífice sobre o ocorrido com Henry. “Neste momento, seus familiares sentem que precisam de fortalecer a sua fé, unindo seus corações ao coração do Sucessor de Pedro, cuja fé conta com um apoio especial de Jesus, para confirmar a fé dos seus irmãos”, diz um trecho do documento, endereçado ao engenheiro e sua mãe, a dona de casa Noeme Camargo Borges de Souza.

“O Santo Padre conta com Leniel e Noeme para contrastar a cultura da indiferença e do ódio que sente crescer ao seu redor, não se deixe contaminar pelo ódio, transformando-se a sua imagem e semelhança. Seja do número das pessoas que se recusam a entrar no circuito do ódio, que se recusam a odiar aqueles que lhes fizeram mal, dizendo-lhes: ‘Não tereis o meu ódio’. Desde modo, ajudará a parar o mal, como fez Abraão quando pediu a Deus para não exterminar os justos com os culpados”, pontua a carta. Em outro momento, o documento afirma ser um milagre o que permite ao pai e à avó de Henry “viver em paz” e “ajudar a salvar o mundo de si mesmo”.

— No momento mais difícil de nossas vidas, as palavras de amor e solidariedade transmitidas pelo Papa Francisco nos fortalecem na fé e nos apoiam ainda mais a sermos imitadores de Cristo. A carta que recebemos só ratifica que estamos no caminho certo de se opor ao sentimento de vingança, ódio e indiferença, não nos indignando de forma alguma para fazer o mal. Henry com certeza está feliz que não estamos nos vencendo pelo mal, mas vencendo o mal com o bem — emocionou-se Leniel.

Em depoimento prestado ao delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), que investigou o caso, Monique e Jairinho contaram que pegaram no sono ao assistir a uma série na televisão, no apartamento onde moravam no Condomínio Majestic, no Cidade Jardim, na madrugada de 8 de março. Ao acordarem, por volta de 3h30, o casal disse ter encontrado o menino com mãos e pés gelados e olhos revirados e afirmou acreditar que ele havia caído da cama. O laudo de exame de necropsia, no entanto, apontou hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, além de equimoses, hematomas, edemas e contusões incompatíveis com um acidente doméstico.