O garçom Francisco Mateus Gabriel Rodrigues, de 48 anos, tinha acabado de ser contratado em um novo restaurante quando começou a pandemia do novo coronavírus. Antes mesmo de assinar a carteira de trabalho, ele foi dispensado do novo serviço. Assim que o governo anunciou o pagamento do auxílio-emergencial no valor de R$ 600, Gabriel, como é conhecido pelos fregueses, correu para fazer o requerimento. Mas, desde então, se depara com a mesma mensagem todos os dias no aplicativo da Caixa Econômica Federal: “em análise”.

O lançamento do aplicativo do auxílio-emergencial completa um mês nesta quinta-feira (dia 7), com milhões de brasileiros como Gabriel na fila de espera pelo pagamento.

Há cerca de 6 milhões de pessoas que, apesar de terem sido consideradas elegíveis para o recebimento do auxílio, ainda não receberam o dinheiro. A Caixa espera autorização do Ministério da Cidadania e da Dataprev para fazer o pagamento.

Além disso, segundo a Caixa, do total de 97,7 milhões de requerimentos analisados, 13,7 milhões estão inconclusivos e necessitam de complemento cadastral.

A Caixa, a Dataprev e o Ministério da Cidadania não informaram quantos pedidos estão em análise.

— Dei entrada no auxílio há quase um mês e só aparece “em análise”. Com o meu filho, que tem 21 anos, acontece a mesma coisa. Fui até a Caixa e me pediram para fazer o cadastro novamente, mas até agora nada. Meu pai está mandando dinheiro para mim do Ceará, para que eu possa pagar o aluguel. Eu pago R$ 1 mil por mês, e o proprietário até baixou no mês passado para R$ 850, mas não estou conseguindo. Meus amigos também estão ajudando. Comecei até a vender churrasquinho na rua, mas o movimento é muito fraco e o risco é muito grande — lamenta Gabriel.

A autônoma Cleide de Souza Silva dos Santos, de 41 anos, vendia doces na rua antes da pandemia, e com as políticas de isolamento também perdeu a fonte de seu sustento. Ela deu entrada no auxílio-emergencial há cerca de 20 dias, mas também não teve resposta até agora.

— Minhas contas estão atrasadas e a dispensa está vazia. Minha avó estava me ajudando, mas ela não está com a saúde boa. Esse dinheiro está fazendo muita falta — conta.

Na última quarta-feira (dia 6), no Twitter, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, reconheceu que há processos pendentes, mas garantiu que “todos aqueles que têm direito vão receber”.

“Entendemos a urgência daqueles que ainda não tiveram seus processos concluídos, mas a segurança é um importante pilar da operação”, acrescentou.

O governo informou que dos 97,7 milhões de cadastros que passaram pelos sistemas de conferência da Dataprev e foram homologados pelo Ministério da Cidadania, 50,5 milhões foram classificados pelos órgãos como elegíveis, ou seja, atenderam aos critérios da lei. Outros 32,8 milhões foram considerados inelegíveis.