O ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima prestaram depoimento e negaram ter pressionado o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero a liberar uma obra em Salvador (BA).

Em novembro de 2016, quando deixou o governo, Marcelo Calero disse à Polícia Federal que Temer e Geddel o pressionaram a liberar a obra de um prédio embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão subordinado ao ministério.

Geddel comprou um apartamento no empreendimento, e a acusação de Calero à época provocou uma crise no governo.

Quando Calero se disse pressionado, o então porta-voz de Temer, Alexandre Parola, disse que o presidente havia procurado o ministro da Cultura para tentar resolver o “impasse” entre Calero e Geddel, não para pressioná-lo.

No depoimento desta quinta-feira, Temer disse que a reunião com o então subordinado foi “algo muito superficial” e que tentou somente “resolver o conflito político” entre Geddel e Calero.

Também disse que Geddel, no cargo de ministro, era o responsável por manter a relação entre o governo e o Congresso. Acrescentou que Geddel “sempre se comportou muito adequadamente”.

Depoimento de Geddel

Ao prestar depoimento, Geddel Vieira Lima chorou e afirmou que tem se deparado com uma “série de inverdades” sobre o tema.

Acrescentou que Marcelo Calero “faltou com a verdade” porque, segundo Geddel, a conversa entre os dois foi “transparente” e “clara”.

“Eu tratei com o senhor Calero que havia um problema e para buscar uma solução. A solução veio negativa. Se eu tivesse pressionado alguém, lógico seria que eu me dirigisse direto a presidente do Iphan”, afirmou o ex-ministro no depoimento.