Após ter sido cobrado pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, o procurador-geral da República Augusto Aras informou que abriu uma investigação preliminar para apurar possíveis irregularidades em live do presidente Jair Bolsonaro.

Em transmissão ao vivo no fim de julho, o chefe do Executivo lançou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, apesar de ter afirmado que não tinha provas de fraude, apenas indícios. O Tribunal Superior Eleitoral abriu um inquérito administrativo para apurar a conduta, e o Supremo Tribunal Federal (STF) incluiu o fato no inquérito que apura disseminação de fake news e ataques a ministros da Corte.

A investigação preliminar tramita apenas internamente na Procuradoria-Geral da República e não é submetida ao crivo do STF.

A manifestação de Aras ocorreu após uma cobrança feita, nesta tarde, pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. Após 13 dias de espera, a magistrada havia dado um prazo de 24 horas para Aras se manifestar sobre o tema.

Na manifestação, Aras afirma que vai apurar os fatos noticiados e analisará eventuais práticas criminosas. O PGR afirma ainda que o trâmite faz parte do processo e tem sido feito pela PGR sempre que o Supremo encaminha ao órgão alguma notícia-crime.

Um grupo de deputados ingressou no STF com uma notícia-crime acusando o presidente de improbidade administrativa por fazer propaganda eleitoral antecipada ao utilizar a TV Brasil para uma transmissão ao vivo, no dia 21 de julho, na qual atacou partidos e o Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com os parlamentares, Bolsonaro teria cometido ainda abuso de poder econômico e abuso de autoridade. A notícia-crime foi encaminhada pela ministra Cármen Lúcia à PGR no dia 3 de agosto.