Uma das empresas investigadas na operação Jogo Limpo, da Polícia Civil, emitiu notas fiscais cobrando de entidades esportivas R$ 62 por um rolo de papel higiênico. A nota era para a compra de 30 unidades, o que totalizaria R$ 1.860. Os investigadores acreditam que além de estarem superfaturados, os produtos sequer foram entregues.

A suspeita é de que a empresa em questão era fantasma e não existia na realidade. Ela seria uma fachada para repassar o dinheiro desviado no esquema ao vereador José do Lago Folha Filho (PSD), que também é presidente da Câmara de Palmas. O vereador nega as acusações. (veja a resposta completa abaixo)

Além dos R$ 62 pelo papel higiênico a nota mostra ainda uma cobrança de R$ 140 por fardo de feijão. A nota era dirigida a uma entidade de apoio ao esporte em Palmas, que recebeu da Fundação Municipal do Esporte os recursos para fazer as compras.

A informação veio a tona após a quebra do sigilo das investigações. A segunda fase da Jogo Limpo foi deflagrada no dia 3 de agosto e prendeu 26 pessoas, incluindo três vereadores. Todos foram liberados para responder em liberdade.

As fraudes, de acordo com a Polícia Civil, podem ter desviado R$ 7 milhões que seriam investidos em projetos voltados ao esporte. Outra nota fiscal, da empresa NSJ Comercial, que também seria fantasma, mostra a transferência de R$ 10 mil para a conta do vereador Folha.

A defesa do vereador José do Lago Folha Filho informou que o depósito não tem relação com a investigação ou com as empresas mencionadas.

O vereador Rogério Freitas disse que prestou todos os esclarecimentos para a polícia e que continua colaborando com as investigações.

O vereador Major Negreiros disse que não tem nada a declarar e que já se manifestou sobre todas as acusações. James Paulo Maciel Vilanova, identificado como gestor da NSJ Comercial Limitada, não foi localizado.